A oração penetra nosso interior e nos transforma

Neste segundo domingo da Quaresma, temos a graça de subir com Jesus a montanha sagrada. Por que Ele sobe a montanha sagrada? Para rezar, orar, viver a dimensão da profunda comunhão com o Pai e levar consigo seus principais apóstolos, aqueles que vivem com Ele os momentos mais singulares na Sua missão.

Pedro, Tiago e João acompanham Jesus neste momento tão importante. O que nós aprendemos com tudo isso? Primeiro, a subir a montanha, ou seja, sair do lugar onde estamos, seja nosso trabalho ou ocupação, da comodidade que temos na vida para ir a um lugar reservado. A montanha alta significa o encontro de Deus que está nas alturas.

Quando vamos ao encontro de Deus, quando nos colocamos inteiramente na presença d’Ele, somos transformados, transfigurados, começamos a resplandecer a beleza divina. Os apóstolos escutaram e viram Jesus, puderam falar com Ele. Todos os sentidos são tocados quando são envolvidos na oração verdadeira.

Quando nos retiramos de onde estamos ou do que fazemos, e nos colocamos em uma atitude de oração profunda, nossos sentidos se envolvem. E o que a oração faz conosco? Ela vai nos purificando por dentro e por fora. A oração purifica nossos ouvidos tapados, surdos, incapazes de ouvir a voz de Deus e distinguir aquilo que é d’Ele.

A oração penetra nosso interior para, realmente, onde está o comando da nossa vida, a disposição da nossa vontade, a voz de Deus ser escutada. A oração faz transfigurar nosso olhar. Nós olhamos as coisas, muitas vezes, de forma aparente, com cobiça e olhar mundano.

Quando subimos para a presença do Senhor, Ele transfigura nossa vista e passamos a ver além, passamos a ver a vida de uma forma transfigurada. Aqui, transfigurada não quer dizer irreal, mas de forma sobrenatural. Passamos a ver as coisas com o olhar de Deus. Quando vamos à montanha sagrada para estar com o Senhor, falamos com Ele e Ele fala conosco.

Às vezes, na oração, não conseguimos dizer uma palavra, mas quando escutamos a voz do Senhor e transfiguramos o nosso olhar, queremos ficar na presença d’Ele. Somos convidados, neste domingo, a nos entregarmos à oração, a redimensionarmos e revisarmos nossa forma de nos relacionarmos com Deus. A oração transforma nossos sentidos.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Olhe para frente!

“Por causa dele, perdi tudo e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele. E isto, não com a minha justiça que vem da Lei, mas com a justiça que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, com base na fé. É assim que eu conheço Cristo, a força da sua Ressurreição e a comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se chego até a Ressurreição dentre os mortos. Não que eu já tenha recebido tudo isso, ou já me tenha tornado perfeito. Mas continuo correndo para alcançá-lo, visto que eu mesmo fui alcançado pelo Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, faço: esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente. Lanço-me em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber, no Cristo Jesus” (Fl 2, 9-14).

Faz parte da vida cristã ter clareza a respeito da meta a ser alcançada, malgrado todos os limites e defeitos que possamos ter. Olhar para frente e enfrentar os obstáculos, reconhecer os erros, saber pedir perdão, na confiança absoluta na misericórdia de Deus e recomeçar sempre, pois quem para já está regredindo.

A experiência do Profeta Isaías (6, 1-8), diante da presença de Deus, é de um homem muito limitado. Sentia-se um homem impuro, vivendo no meio de um povo de lábios impuros. Mesmo assim, viu o Senhor, experimentou Sua forte presença! Logo em seguida, veio a purificação, seguida do chamado: “Um dos serafins voou para mim segurando, com uma tenaz, uma brasa tirada do altar. Com ela tocou meus lábios dizendo: ‘Agora que isto tocou os teus lábios tua culpa está sendo tirada, teu pecado, perdoado.’ Ouvi, então, a voz do Senhor que dizia: ‘A quem enviarei? Quem irá por nós?’ Respondi: ‘Aqui estou! Envia-me'”. Valha especialmente para os mais jovens, em tempo de discernimento do futuro, deixar-se tocar e purificar por Deus. Na diversidade das vocações, brote a resposta generosa.

O apóstolo São Paulo, cujo apostolado abriu tantas frentes para o Evangelho de Jesus Cristo, abria o coração com franqueza: “Eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, pois eu persegui a Igreja de Deus. É pela graça de Deus que sou o que sou” (1 Cor 15, 9-10). Foi alcançado pela graça misericordiosa, experimentou a presença do Ressuscitado, que lhe apareceu, saiu anunciando a grandeza da obra do Senhor em sua vida e na vida de tantos irmãos. Deus lhe concedeu grande lucidez para enxergar com clareza seus muitos limites e pecados, sem perder o rumo! Podemos imaginar sua alegria ao ouvir do Senhor: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente” (2 Cor 12,9).

Pedro, o São Pedro Pescador, teve o rumo de sua vida mudado (Lc 5,1-11). Pescador desconfiado, tem que acolher palpites de Jesus Carpinteiro! “Na tua palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5). Àquela altura da vida, teve que passar a pescar gente! O pescador de peixes virou pescador de homens e suas redes se tornaram sinais do grande trabalho da Igreja, pelos mares revoltos da vida, para que entrem nelas todas as espécies de peixes. Ao Senhor, no fim dos tempos, cabe distinguir os peixes bons e os maus. A Pedro, só a labuta, o suor, a alegria das redes cheias, muitas vezes a decepção pelos fracassos, a dedicação total da vida à missão. Sabendo bem de sua história, o espanto que dele se apoderou suscitou uma confissão pública: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador” (Lc 5,8). E a sua história tornou-se história de vocação, para que, dali para a frente, muitos possam avançar para águas mais profundas (Cf. Lc 5, 4) e lançar

Isaías, Paulo, Pedro, você e eu, tantos homens e mulheres pelo mundo afora, tantos tiveram de chorar amargamente seus próprios pecados, mas experimentaram a face mais bonita do amor, que é a misericórdia! Deixaram para trás as vitórias e os fracassos, olharam para a meta. Continuamente, quando participam da Santa Missa, dizem extasiados: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória” (Is 6, 3).

Estamos às portas da Quaresma. Olhamos para frente, e a meta tem o nome de Páscoa, Ressurreição do Senhor. No momento, cabe-nos reconhecer com sinceridade as marcas de pecadores que se encontram em nós e em tantos irmãos e irmãs. A Igreja não nos quer amassando barro nas lambanças que os nossos pecados provocaram. Para os próximos dias, a proposta é fazer um pacote, envolvido com os laços de ternura da Mãe Igreja, passar com ele pelas Portas da Misericórdia, abertas neste Ano Santo e entregá-lo com confiança, ungido pelas lágrimas do arrependimento, no Tribunal do Sacramento da Penitência. Neste Tribunal, para quem sinceramente está arrependido, só existe uma sentença: “Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Dá gosto ver o sorriso de gente que se confessa bem, com abertura de alma e confiança em Deus, que nos ama de verdade!

O resultado deste encontro com Deus é o transbordamento da alegria, com o pedido sincero ao Senhor: “Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos” (Sl 137/138, 7c-8). O cristão que caminha pelo mundo é portador da força de salvação que o Senhor lhe oferece. Sabe que ainda não alcançou plenamente a meta, mas olha para frente e para o alto, caminha, enche-se de coragem e valentia. Atrás dele e junto dele, seguem-se muitos outros irmãos e irmãs, todos marcados com o selo do Cordeiro Imolado, o Senhor Salvador e Redentor!

Dom Alberto Taveira Corrêa

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2016
Terça-feira, 26 de janeiro de 2016


Boletim da Santa Sé

“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13).

As obras de misericórdia no caminho jubilar

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.

Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.

Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.

Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d’Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia

A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga… a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.

Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.

Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015

Festa de S. Francisco de Assis


FRANCISCUS

2º Domingo da Quaresma

Na leitura de Gênesis, o Deus de amor e fidelidade faz aliança com Abrão. Ao acreditar na promessa de Deus, ele se torna Abraão, pai de uma multidão em busca de vida digna e da terra prometida.

O salmista confia no Senhor, luz e salvação, que renova a esperança na terra dos viventes.

A leitura aos Filipenses mostra a importância de permanecer firmes no caminho indicado por Cristo, que transformará o nosso corpo e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso.

O relato da transfiguração, situado após o anúncio da paixão e das condições para o seguimento (9,22-26), indica que a cruz é o caminho da glória para Jesus e os discípulos. Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago [os mesmos que estarão com ele no Getsêmani (Mc 14,33)], e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, seu rosto ficou transfigurado e suas vestes brancas e brilhantes, como na ressurreição (24,4). A glória de Jesus resplandece na realização da vontade do Pai, testemunhada também nas curas (5,26; 7,16). Moisés e Elias falavam do êxodo que Jesus ia cumprir em Jerusalém. Eles representam a Lei e os Profetas [as Escrituras segundo Lucas 24,27], plenamente cumpridas em Jesus o Crucificado-Ressuscitado. Os discípulos estão dormindo como no Getsêmani (22,45); ainda não entendem o mistério do Messias Servo sofredor (cf. Is 52,13-53,12). Ao despertarem viram a glória de Jesus, sua luz que ilumina a missão com os necessitados na “planície” (9,37). Da nuvem, sinal da presença divina como no monte Sinai onde Moisés recebe a Lei (Ex 24,12-18), ressoa a voz do Pai: Este é o meu Filho, o meu Eleito. Escutai-o. O Pai convida a escutar o Filho, chamado de Eleito como na cruz (23,35), pois nele se revela a plenitude do seu amor. Os discípulos guardaram silêncio até a Páscoa, que faz compreender o caminho para chegar à glória (24,26.45-46).

A transfiguração prepara os discípulos para a paixão de Jesus e os faz compreender que o seu seguimento inclui o caminho da cruz. No entanto, há uma luz mais brilhante que o sol, que aponta para a vitória. A própria experiência da cruz de Cristo traz no seu bojo a glória. De dentro do sofrimento, como prova de amor, podemos experimentar a ressurreição.

A celebração é momento privilegiado de íntima experiência com Aquele que compartilhando conosco o cálice da sua Paixão, nos faz beber do vinho novo da festa e do pão da alegria. Neste lugar de intimidade, escutemos a voz da sua palavra como um segredo que nos anima no caminho, seja qual for a dificuldade que se impõe.

Revista de Liturgia

Por que fazer jejum?

Não existe uma forma menos “sofrida” de adquirir a virtude da temperança? São João Cassiano (370-435) explica por que é necessário que o corpo sofra um pouco. A razão é muito simples: não é possível cometer o pecado da gula sem a cooperação do corpo. E isso é evidente, já que os anjos, por exemplo, não podem pecar por gula, no sentido próprio da palavra. Ora, se é com o corpo que acontece o pecado, o combate à doença da gastrimargia só pode acontecer caso o corpo entre na luta. Por isso, deve-se fazer jejum. Esses dois vícios [a gula e a luxúria], por não se consumarem sem a participação da carne, exigem, além dos remédios espirituais, a prática da abstinência.

Não basta o propósito do espírito

Na verdade, para quebrar os seus grilhões, não basta o propósito do espírito (como acontece em relação à ira, à tristeza e às outras paixões que, sem afligir o corpo, a alma sozinha consegue vencer), mas é imprescindível a mortificação corporal pelos jejuns, as vigílias e os trabalhos que levam à contrição, podendo-se acrescentar também a fuga das ocasiões insidiosas. Sendo tais vícios oriundos da colaboração da alma e do corpo, não poderão ser vencidos sem ambos se empenharem nesse processo. Nós, medíocres que somos, não temos a maturidade necessária para a santidade, por isso não seríamos capazes de nos manter em ordem, naquele equilíbrio que “tempera” a vida, sem o auxílio do jejum. Com o jejum somos capazes de rechaçar as incursões hostis da sensualidade e libertar o espírito para que se eleve a regiões mais altas, onde possa ser saciado com os valores que lhes são próprios. É a imagem cristã do homem quem exige esses voos.

Fazer jejum não é passar fome

Devemos estar prontos para a renúncia e a severidade de um caminho que termina com a instauração da pessoa moral completa, livre e dona de si mesma, porque um dever natural nos impulsiona a ser aquilo que devemos ser por definição. Nunca é demais insistir no fato de que o jejum não nasce de corações ressentidos e que odeiam a vida. A Igreja e seus santos sempre reconheceram a bondade fundamental desta vida e dos alimentos que a sustentam. Um santo não é um faquir, e o ideal ascético cristão nunca foi o de deitar numa cama de pregos ou engolir cacos de vidro. Desde o Novo Testamento, a Igreja sempre condenou o “destempero” dos santarrões e das suas seitas. Jejuar não é simplesmente passar fome. Se assim o fosse, a anorexia das modelos seria virtude heroica e os famélicos da história poderiam ser canonizados. Mas a simples fome não santifica ninguém. Para que dê o seu fruto, o jejum deve ser acompanhado de uma atitude espiritual adequada, pois a doença espiritual que desejamos curar é, seja permitida a redundância, espiritual.

A intenção não é detalhe

O pecado não está no alimento, mas no desejo. São Doroteu de Gaza (século VI) explica isso a partir de uma comparação com o casamento. O ato sexual realizado por um devasso pode ser externamente idêntico ao de um esposo, mas sua natureza é completamente diferente. Nos atos humanos, a intenção não é um mero detalhe.

Assim também é na alimentação. O homem sadio e o homem que sofre de gastrimargia podem comer os mesmos alimentos nas mesmas quantidades, mas somente o doente comete idolatria. Quando, diante dos alimentos, nos esquecemos de Deus e começamos a desejar o nosso próprio bem, mais do que a glória de Deus, geramos uma desordem no nosso próprio ser.

Extraído do livro “Um olhar que cura – Terapia das doenças espirituais” 

Abra-se à cura do coração

O dom da fé é o que leva, em suas engrenagens, o dom da cura e dos milagres. Além da cura física,– coisa muito bela–, a fé promove a cura interior, a cura do coração, da alma e dos sentimentos. Nem imaginamos o quanto a vida nos fere! Por isso, é lindo que haja a cura interior, além da física. O Senhor quer que nos abramos ao dom de orar pela cura interior das pessoas. Você pode pensar: “Mas como vou orar? Pedindo pela pessoa, rogando por ela.

Ministério de cura

Quem se sente chamado ao ministério de cura do coração sabe de sua importância. Muita gente gostaria de progredir na vida espiritual, mas não consegue por causa dos traumas, bloqueios, feridas e marcas do próprio passado.

A primeira vez que rezaram pela minha cura interior, foi quando o Padre Robert De Grandis, SSJ, veio ao Brasil e reuniu apenas alguns líderes da Renovação. Enquanto ele ministrava aquele seminário de dons, um casal que ele trouxe consigo orava pela cura interior dos participantes. Oraram pela cura do meu coração durante três horas. Como chorei! Coisas que eu não imaginava que me marcaram, que me feriram, surgiram naquela ocasião. Só pararam de orar quando se sentiram cansados. No dia seguinte, rezaram mais de uma hora e meia por mim, mas viram que faltava algo. À tarde, voltaram a rezar junto com padre Robert e, então, terminaram, graças a Deus! Eu ainda receberia muitas outras orações.

Eu não imagina precisar de tanta cura interior! Hoje, não duvido que era desígnio do Senhor que eu fosse objeto daquela oração [de cura interior], para que Ele pudesse me usar depois como instrumento. E o melhor é que, quando começamos a orar pela cura interior, as palavras de ciência começam a vir, pois ambas estão ligadas.

Abra-se a esse dom, disponha-se a orar pela cura interior de seus irmãos. Não espere, no começo, fazer grandes orações; apenas ore, e, se vierem as palavras, ore de acordo com elas. Tenha coragem: comece a rezar e verá quantas coisas o Senhor vai fazer por intermédio de você.

Monsenhor Jonas Abib

Quem é do Senhor coloca n'Ele sua confiança

A rainha Ester, tão humilde, tão temente a Deus, vendo o perigo da morte se aproximar, aproximou-se do Senhor e não da morte. Veja que maravilha! Quando nós vemos o medo, o perigo, as situações difíceis se aproximarem de nós, não precisamos nos aproximar deles, mas do Senhor, e nos colocarmos diante da Sua presença e buscarmos n’Ele o nosso refúgio.

A rainha Ester prostrou-se por terra, de manhã até o anoitecer, e suplicou ao Deus de Abraão, ao Deus de Isaac e de Jacó, exaltou o Senhor Nosso Deus, pedindo perdão pelos seus pecados. Ela suplicou, implorou a intervenção divina, a mão e a ação do Pai.

Amados irmãos e irmãs, aprendemos com a rainha Ester, com tantos homens e mulheres das Sagradas Escrituras, sobretudo com Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que a oração movimenta o céu, chega ao colo de Deus. Temos de aprender que a nossa oração precisa ser suplicante, de quem bate para a porta se abrir, de quem procura para poder achar, a oração de quem pede para ser dado.

Não deixemos, meus irmãos, de sermos insistentes, persistentes e suplicantes. Acima de tudo, de sermos confiantes. Não adianta fazermos a oração do desespero. Quando a morte se aproximou da rainha Ester, ela não se jogou no pranto do desespero, mas no pranto da confiança no Senhor. Ela suplicou sem cessar, entregou-se de alma e coração ao Senhor Nosso Deus.

Quem dera que todos nós, diante das diversas circunstâncias da vida, fizéssemos a oração de confiança e súplica! O modo de nos relacionarmos com Deus, quando vêm as provações e situações difíceis é, para alguns, de desespero. Algumas pessoas recorrem a meios nada santos ou saudáveis para a vida humana; outros se deixam corromper por práticas condenadas por Deus, desesperam-se e aceitam o “tudo vale” para resolver as situações da vida.

Aquele que é do Senhor coloca n’Ele sua confiança. Aquele que não quer simplesmente viver, mas viver em Deus, busca n’Ele a razão para sua vida. Por isso, meus irmãos, que a nossa oração seja cada vez mais uma oração de um filho que confia no pai, pois sabe que este lhe dá coisas boas, dá a seu filho o que ele pede quando está necessitado. Sejamos um bom filho, que sabe confiar e sabe quem é o pai que tem.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Beber pra quê?

Vamos a um happy hour? Que tal uísque no jantar ou talvez uma geladinha neste verão? Que tal uma dose para encarar um encontro amoroso? Em ocasiões festivas, a presença do vinho, champanhe e outras bebidas é inquestionável, como um líquido imprescindível em certas culturas. Médicos, muitas vezes, receitam uma dose de alguma bebida alcoólica antes de dormir como uma espécie de tranquilizante, ou uma taça de vinho tinto no almoço para baixar o colesterol. O álcool relaxa, encoraja e transforma os mais tímidos em galanteadores.

Longe de qualquer defesa ou de um ataque extremista, quero abrir essa questão à reflexão. Gaste tempo para refletir! Beber para quê?

Nem todo mundo que bebe é alcoolista, mas há muitos alcoolistas que, de fato, sofrem e fazem sofrer. Alcoolismo é doença, causa doenças e grande destruição familiar. Sou marcado por uma história de alcoolismo em casa e sei o quanto isso feriu minha vida.
Beber para quê?

Ao apresentar os dois lados da moeda, quero fazer você refletir sobre essa realidade que, querendo ou não, cerca nossa vida! Muitas vezes, vamos simplesmente categorizando tudo em certo e errado, mas não emitimos uma opinião bem formada. Por favor, nada de extremismos de causas!

Beber para quê?

Por trás de um copo com álcool há uma pessoa, uma história e, com certeza, um impulso que mobiliza o ato de levar esse copo até a boca e se deixar devanear por tal bebida. Mas que impulso é esse? Que necessidade é essa?

Freud escreve em ‘O Mal-estar na Civilização’: “Devemos a tais veículos não só a produção imediata de prazer, mas também um grau altamente desejado de independência do mundo externo, pois se sabe que, com o auxílio desse ‘amortecedor de preocupações’, é possível, em qualquer ocasião, afastar-se da pressão da realidade e encontrar um refúgio num mundo próprio, com melhores condições de sensibilidade. Sabe-se igualmente que é exatamente essa propriedade dos intoxicantes que determina o seu perigo e a sua capacidade de causar danos”.

Partindo disso, podemos encontrar alguns “para quês”, ou seja, alguns “motivos” para beber!

O álcool como fonte de prazer

Muitas pessoas têm no álcool uma fonte de prazer. É aí que eu me questiono: será que fui feito para o prazer de um gole ou para o efeito de uma dose? Se Deus me promete o prazer de uma eternidade, por que me contentar com efêmeros prazeres? Não! Minha alegria não pode estar contida em uma dose. Preciso ir além e não determinar a fonte de minha alegria em coisas que passam.

Outras pessoas bebem “para quê” possam ter independência do mundo externo, mas não dá para, nesta vida, querermos tal estado de apatia! Somos gente em relação, o mundo externo é onde nosso mundo interno se situa. Não adianta querer fugir. É preciso reagir, lutar, para que a força do nosso mundo interno mude o que está externo.

Para esquecer os problemas

Ainda há pessoas que, para amortecerem suas preocupações, encontram no álcool uma solução. Mas fica a mesma reflexão acima: por que amortecer aquilo que precisa ser enfrentado? Atos de coragem precisam ser tomados em doses de verdade e luta!
Há ainda pessoas que, para se afastarem da pressão da realidade e refugiar-se em um mundo paralelo, bebem todas doses possíveis! Porém, junto à ressaca do dia posterior surge a pressão do dia anterior e um mundo mais cruel ainda! Sobriedade para encarar pressão pode ser a saída mais certa nesses momentos.

Além dos “para quês” acima, fica ainda uma última reflexão: sabe-se que é exatamente essa propriedade dos intoxicantes que determina o seu perigo e a sua capacidade de causar danos. De fato, muitas doenças são ocasionadas pelo alcoolismo (ele já é uma doença em si).

Meu pai é vítima dessa realidade, pois até hoje sofre com fortes dores devido à pancreatite ocasionada pelo consumo excessivo de álcool. Além de males físicos, o exagero de álcool causa, em muitas famílias, situações traumáticas, abandono e negligência. Beber “para quê”?

Encerro essa reflexão querendo que você descubra o seu “para quê” beber. Mais que levantar uma bandeira de certo e errado, de pode e não pode, faz mal e faz bem (pois há no pensamento “moderno” uma necessidade de categorização absurda), quero levá-lo a uma reflexão profunda, pois por trás de um copo de álcool há uma história, uma vida! Mas que vida está sendo vivida?

Como dizia Viktor Frankl: “Quem tem um “para que viver” suporta quase qualquer o como viver”

Tamu Junto!

Adriano Gonçalves
Membro da Comunidade Canção Nova

É possível resistir às tentações


O primeiro domingo da Quaresma nos ajuda a entender que todos nós, nesta vida, passamos pelas tentações, tão constantes na vida humana. Nosso Senhor e Salvador, quando foi iniciar Sua vida, Seu ministério público, dirigiu-se ao deserto para dedicar-se à oração, para recolher-se interiormente e encher-se mais de Deus. Ali, Ele foi conduzido pelo Espírito.

Talvez você se pergunte: “Como Jesus, tão cheio do Espírito, conduzido e guiado pelo Paráclito em oração, foi tentado?”. Para que entendêssemos que, em toda e qualquer circunstância da nossa vida, a tentação está presente.

Na oração, na falta de oração, na igreja ou fora dela, no deserto, no campo e na cidade, as tentações estão dentro e fora de nós. Precisamos de uma armadura, uma decisão interior para sabermos combater o mal que vem nos questionar, interrogar, interpelar e nos seduzir, para deixar esse caminho e ir pelo outro.

O demônio apresentou a Jesus três caminhos de facilidade. O que todos nós buscamos na vida são caminhos mais fáceis, os quais nos conduzem à estrada do prazer e da vida mais cômoda. Isso, muitas vezes, acaba sendo a grande tentação que nos desvia da rota, a tentação do prazer, do poder e da idolatria, de idolatrarmos a nós, aos outros ou às coisas.

Revestido como era da Palavra de Deus e do Santo Espírito, Jesus resistiu a cada uma das tentações, e para cada uma delas deu uma resposta única, fortalecida pelo poder de Deus. Nós precisamos responder às tentações da vida.

Primeiro, nós não podemos dialogar com a tentação, porque, se nos deixarmos enveredar por ela, correremos o risco de cair e ficarmos prostrados por causa dela. Para resistirmos às tentações da vida, o Espírito que está em nós nos enche da Palavra para que, com muita humildade, respondamos com Deus àquilo que não é de Deus, respondamos com a Palavra aquilo que tenta nos desviar do caminho d’Ele.

Não se engane, as tentações fazem parte da vida, mas ninguém é tentado acima das suas forças, ninguém é tentado a fazer aquilo que não quer. O que não podemos é brincar com as tentações, achar que somos super-heróis; porque quando ela nos pega e arrasta-nos; depois, muitas vezes, é difícil não cair.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

A Misericórdia e a Justiça em Deus

São João disse que “Deus é amor” (1 Jo 4,8). Penso que o amor e a misericórdia em Deus são dois atributos que se completam. Todas as obras de Deus trazem estas duas marcas. Toda a Criação é obra desse amor e dessa misericórdia. São Tomás diz que “aberta a Mão de Deus pela chave do amor, as criaturas surgiram”. Toda a Criação é bela, seja mineral, vegetal ou animal; e tudo foi feito para o homem. “O homem é a única criatura que Deus quis por si mesma” (GS, 24). Tudo o mais foi feito para nós, o Cosmo, as trilhões de estrelas como o Sol, os pássaros do céu, as flores, os animais, os peixes… dão glória a Deus quando servem ao homem e lhe servem de alimento. (CIC, §2417). Tudo é fruto da misericórdia divina: “Os Céus e a Terra proclamam a Vossa glória!”

Mas Deus é também Justiça. Sem a Justiça divina a Sua misericórdia fica esvaziada, sem sentido. A justiça é a garantia da santidade, e Deus é “Três vezes Santo”, como disse o Papa Paulo VI. A justiça atua por força da santidade. Por que um pai corrige um filho, lhe dá um castigo, corta a mesada, o passeio, a internet, etc.? Porque o filho não está vivendo corretamente. Não está obedecendo a justiça. Quando a sociedade pune o criminoso, o corrupto, o estuprador, etc., o faz para corrigir, para levar o homem à correção, à santidade.

Ora, Deus é Perfeito, Santo, por isso não pode deixar passar o erro humano sem punir, sem corrigir, pois isso contrariaria a Sua Santidade. É como que um dever e um direito de Deus nos punir quando pecamos. Primeiro porque o pecado ofende a Majestade Infinita de Deus; e, segundo, porque a Sua santidade exige a nossa santidade; pois sem ela “não podemos ver a Deus” (Hb 12,14). Por isso Deus exerce a Justiça. Após a morte “importa que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (2 Cor5,10). E no final da história Ele “virá para julgar os vivos e os mortos” (Credo). Mas a misericórdia divina ainda nos dá outra oportunidade de chegar à santidade após a morte: o Purgatório. E as indulgências parciais e plenárias aliviam essas penas. Ela não são de graça; são decorrentes dos méritos de Cristo, da Virgem Maria e dos santos. Nada é de graça, tudo é dom da misericórdia. Alguém paga pela satisfação da Justiça divina.

O que é então a misericórdia de Deus?

É o cumprimento da Sua Justiça, quando pecamos; mas, satisfeita com o auxílio do próprio Deus, já que não podemos satisfazê-la por nós mesmos. Como assim? Vejamos:

Deus criou o homem e a mulher por amor, e os colocou em Sua intimidade, desfrutando da perfeição humana, nos estados de justiça e de santidade. Isto é, harmonia perfeita consigo mesmo, com a mulher, com a natureza e com Deus. Era o Paraíso, a felicidade plena, sem sofrimento e sem morte. Mas o homem ofendeu barbaramente a Deus. Preferiu ouvir a voz da antiga Serpente, Satanás, do que ouvir a voz de Deus. Disse NÃO! a Deus, desconfiou do amor de Deus, tentado pelo Mal.

Então, foi expulso do Paraíso; perdeu os dons préter naturais, a graça, a imortalidade, e teve, então, de tirar da terra o pão de cada dia com o suor do seu rosto. A mulher passou a dar a luz na dor, a natureza se rebelou, porque era propriedade do homem. Os animais e a natureza se desorientaram. A morte entrou na história humana. Somente quando o Reino messiânico for estabelecido totalmente é que os terremotos não mais existirão, e “o lobo será hospede do cordeiro, a pantera se deitará com o cabrito, o touro e o leão comerão juntos… a criança de peito brincará junto à toca da víbora. Não se fará mal em todo o monte santo” (Is 11,6-9).

A humanidade toda nascida de Adão estava condenada, por causa da ofensa a Deus, a viver a frustração, longe da felicidade do Criador; estava destinada ao inferno: se deixou levar pelo demônio, agora passaria a viver com ele para sempre. Isto é o efeito da Justiça divina, puniu o homem; não poderia ser diferente.

O Salmista fala inúmeras vezes que o reino de Deus se mantém pelo direito e pela justiça, não pela força:

“Deus ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra” (Sl 32, 5). “Como a luz, fará brilhar a tua justiça; e como o sol do meio-dia, o teu direito” (Sl 36, 6).

Ora, como foi o homem quem ofendeu a Deus – uma ofensa que tem magnitude infinita porque a Majestade de Deus é infinita – então, um homem deveria fazer essa reparação à Justiça divina ferida. Mas não havia um homem capaz disso, pois todos estavam envolvidos no pecado de Adão. O Catecismo diz que ainda que o homem mais santo morresse na cruz, seu sacrifício seria insuficiente para reparar a ofensa à Majestade Infinita de Deus. Era preciso que um homem, que também fosse Deus, fizesse a oblação de sua vida. Então, o Verbo, no seio do Pai, se ofereceu para se fazer homem, assumir a natureza humana, e então poder morrer, oferecendo o valor Infinito de Sua oblação para reparar a ofensa da humanidade. Foi este aniquilamento do Verbo humanado que mostra toda a misericórdia divina.

A Carta aos Hebreus explica isso: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss)… Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo… Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus.” (Hebreus 10,5-12).

Não foi o Pai quem impôs o sacrifício da Cruz a Seu Filho único; foi o Filho, que por amor a nós e por misericórdia, se compadeceu de nossa miséria e Se ofereceu para ser imolado em nosso lugar. O pecado do homem exige a sua morte, porque Deus é quem lhe dá a vida.

Aqui está o apogeu da Misericórdia de Deus: o Verbo se fez carne, a Misericórdia se fez homem, para nos salvar da morte eterna, quando nenhum homem poderia ser nosso salvador. Ele veio como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29, 1 Pe 1,18; Jo 3,16; Hb 9,26; Cl 1,13; Gl 1,4; Gl 3,13). Foi imolado por nós, por você e por mim (cf. Gal 2,20).

E Cristo pagou um preço indizível, inenarrável. Nasceu como o “pobre dos pobres”, não teve uma maternidade, uma parteira, nem mesmo um berço. Esvaziou-se completamente de tudo (cf. Fil 2, 9ss), fez-se escravo e morreu numa cruz. Seu corpo foi todo flagelado, Sua Cabeça perfurada por mais de setenta espinhos. Sua agonia no Horto das Oliveiras foi tão horrível que o Sangue verteu do seu corpo misturado com o suor frio. Tudo que um homem podia sofrer, Ele sofreu, para que seu sacrifício humano pleno, completo, garantisse à humanidade a Redenção plena. “Tudo está consumado, Pai!”. Bebi todo o cálice da Redenção da humanidade! Isto é a misericórdia divina. Satisfez a justiça divina o que não podíamos satisfazer. “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o Seu Filho único para que todo que Nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,16). A humanidade foi salva pela misericórdia divina, que não anulou a Justiça divina, mas a cumpriu em nosso lugar. Misericórdia é sofrer no lugar do outro, para que ele viva.

Logo que ressuscitou, no domingo, Jesus apareceu aos Apóstolos e instituiu o Sacramento da Confissão, para o perdão dos pecados, cujo perdão Ele tinha então conquistado. “Assim como o Pai me enviou, Eu envio a vós, a quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados… “ (João 20,22). A humanidade tinha agora o perdão à sua disposição; basta crer e ser batizado e será salvo. Se pecar, buscar a Confissão. É a grande obra da misericórdia divina. Quando o sacerdote absolve o pecador, é o Sangue de Cristo que lava a sua alma. É o exercício da misericórdia. Agora só se perde quem quiser, quem desprezar a divina e eterna misericórdia. É o que Jesus disse a Santa Faustina Kowalska. Com a Sua morte ele nos deu vida e abriu para a humanidade um Mar de misericórdia. Jesus disse à Santa que é preciso beber neste Mar com o vaso da Confiança.

Mas, tem mais, como Ele sabia que o pecado original adoeceu e enfraqueceu a nossa natureza, então, Ele quis ficar pessoalmente conosco, para ser o “remédio e o sustento” de nossa vida. Então, se aniquilou, se fez Pão e Vinho, para ser comido e bebido, e poder estar em nossa alma. Excesso de misericórdia! Está hoje em todos os Sacrários da Terra, oculto, prisioneiro, aniquilado, até o fim do mundo, para nosso sustento. Não há problema que não possa ser resolvido ali a Seus pés. Este é o maior de todos os Seus milagres. E ainda nos deixou a Igreja, os Sacramentos, a Sua Palavra, a oração litúrgica, a Sua Mãe para ser nossa mãe espiritual, para que possamos voltar para o Paraíso do qual fomos excluídos pelo pecado.socorrodedeus
Como pagar a Jesus tanto amor, tanta misericórdia?

São João da Cruz disse que “amor só se paga com amor”. Ele disse na Santa Ceia aos Apóstolos: “Se me amais guardareis os Meus Mandamentos” (Jo 14,15). Amá-lo é viver como Ele quer, como a Sua Igreja nos ensina, e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus. Trabalhar pelas salvação das almas, pois há mais alegria no Céu por um pecador que se converte do que pelos justos. Assim como Ele deu sua vida por nós, dar a nossa pelos irmãos, ensinou São Pedro.

Que a mesma misericórdia divina se compadeça de nós e nos ajude a dar a Deus uma resposta de amor. Que nossa vida seja um hino de louvor à Sua Majestade e à Sua Misericórdia. Aproveitemos este ano de 2016 em que as suas comportas estão mais abertas. “Ó Sangue e água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia, eu confio em vós!”

Prof. Felipe Aquino

Um amigo antecipa o céu

Conscientes ou não, o fato é que todos nós necessitamos uns dos outros para sermos verdadeiramente felizes neste mundo. Podemos até trabalhar para ter o pão em nossa mesa, mas ele se torna muito mais saboroso quando é degustado na presença de pessoas queridas.

Esforçamo-nos para alcançar metas e conquistar sonhos, mas de que adiantaria vencer se não houvesse com quem partilhar a vitória? Ou seja, todo mundo passa pela necessidade de ter com quem contar e poder dividir sua vida; um amigo entra justamente nesse espaço sagrado do nosso ser, onde, pela força da amizade, o “eu” dá lugar ao “nós” e o egoísmo perde seu poder.

É por isso que quem tem a coragem de viver uma grande amizade consegue ir além em muitos aspectos de sua vida. Ziza Fernandes afirma, em uma de suas canções, que “um amigo leva a gente pra longe mesmo quando a gente se esconde”. A meu ver, essa é uma das grandes virtudes da amizade.

Ver as capacidades escondidas nas marcas do passado

Um bom amigo acredita no outro, consegue ver suas capacidades muitas vezes escondidas atrás dos medos e das marcas do passado, e o ajuda a dar a volta por cima. Sabemos bem que uma das coisas mais importantes nesta vida é ouvirmos, na hora certa, alguém nos dizer: “Vá em frente, você é capaz, eu acredito em você!”. É como se essas palavras acendessem milhares de luzes em nosso interior, nos fazendo enxergar nosso potencial e nos permitindo experimentar um pouco do céu na terra. Quem é amigo sabe fazer isso com verdade e coerência. Aliás, amizade tem tudo a ver com verdade, respeito e liberdade.

Ninguém, nem mesmo o melhor amigo, tem o direito de “mandar na vida do outro”, muito menos, à custa de boa intenção, passar por cima de seus valores, levando a pessoa a uma espécie de dependência afetiva que, antes de ser sinal de amizade, é sinal de egoísmo.

O verdadeiro amigo nunca tira a liberdade do outro

Recordo-me de uma história que meu pai contava quando eu era criança, que nos ajuda a perceber o valor da liberdade na amizade.

Havia uma menina que morava em uma casa de sítio, e tudo lá se resumia em harmonia e sossego. Podia-se ouvir nitidamente o canto dos pássaros e contemplar, todos os dias, o nascer e o por do sol. Até que, certa vez, a menina observou que um majestoso sabiá vinha todas as tardes cantar bem próximo à sua janela. O gesto foi se repetindo por muitos dias; então, a menina considerou que o sabiá era seu amigo, começou a apreciar mais o seu canto, alegrar-se com sua chegada e, principalmente, contar-lhe seus segredos. O pássaro também foi se acostumando com a amiga, já não tinha medo de ser apanhado e chegava a cantar cada vez mais perto dela. Costumava ficava um pouco após o canto, saltando entre um galho e outro como que a ouvir suas partilhas. Depois, abria suas bonitas azas amarelas e voava na direção do infinito. A menina aguardava ansiosa a volta dele no dia seguinte, apesar de para ela parecer uma eternidade, pois queria sua presença e seu canto o tempo inteiro.

Um dia, ela teve a infeliz ideia de, numa armadilha, capturar o sabiá. Então, no fim daquela tarde, quando ele chegou para cantar, foi preso em uma gaiola que passaria a ser a sua residência. A alegria da menina contrastava com a tristeza do pássaro que se debatia de um canto a outro, querendo de volta a liberdade. Naquele dia, não houve canto nem conversa, a menina ficou chateada por perceber que o sabiá não gostou da gaiola que ela havia mandado construir com tanto requinte. Já o sabiá, ficou desapontado por perceber que, na verdade, ela nunca fora sua amiga. Nos dias seguintes, o pássaro também não cantou e estava cada vez mais abatido, até que a menina resolveu soltá-lo, afirmando que ele não serviria para ser seu amigo. Ele, por sua vez, voou para tão longe que nunca mais voltou.

Eis a moral da história: se a menina fosse realmente amiga do pássaro, não o teria prendido. Um amigo verdadeiro nunca tira a liberdade do outro e também não é egoísta, não o engaiola. O respeito às particularidades do outro é algo sublime e fundamental em todos os relacionamentos, inclusive na amizade. Penso que quem consegue valorizar e amar seus amigos por aquilo que cada um é, sem esperar nada em troca e sem roubar sua essência, traz um pouco do céu para a terra, pois é assim que Deus nos ama.

Fortalecer os laços de amizade

Aproveite, portanto, este dia para fortalecer os laços de amizade que fazem parte da sua história. Dedique tempo de qualidade aos seus amigos, aprenda a “apreciar o canto sem prender o sabiá”. Expresse sua gratidão e afeto a cada um, quebre distâncias com um telefonema, uma mensagem ou, se possível, vá ao encontro de seus amigos e leve um abraço, um sorriso sincero e a disposição para o acolher. Dessa forma, você o ajudará a experimentar, aqui na terra, um pouco do céu.

Dijanira Silva
Missionária da Comunidade Canção Nova

1º Domingo da Quaresma

Jesus, pleno do Espírito Santo pelo batismo (3,21-22), era conduzido pelo Espírito através do deserto durante quarenta dias, e tentado pelo diabo. Assim, ele revive de modo especial o êxodo do povo pelo deserto em busca da terra prometida (Dt 8,2). Como Filho de Deus e Servo, Jesus enfrentou dificuldades que impediam a realização do projeto de Deus. Diante da realidade da fome, resiste à tentação de utilizar seu poder divino em vantagem própria. Sua atuação, alimentada pela palavra do Pai - Não só de pão vive o ser humano (4,4; Dt 8,3) - conduz à partilha solidária. Jesus rejeita toda forma de tentação  que desvia do projeto de amor do Pai, para o caminho do poder e riqueza dos reinos deste mundo. Seu reinado a serviço da justiça, paz e fraternidade ensina a adorar e servir somente a Deus (4,8; Dt 6,13). Jerusalém é o lugar onde Jesus completará o êxodo (9,31) através da Páscoa, da vitória definitiva sobre o mal e a morte. Não porás à prova o Senhor teu Deus (4,12; Dt 6,16), diz Jesus, ao vencer o poder maléfico destruidor da vida, como em 11,14-23. Na paixão, o poder das trevas (22,3.39-53) será vencido pelo amor oblativo de Cristo (Jo 13,1), que libertará todos os cativos (At 10,38).

A leitura de Deuteronômio mostra a ação salvadora de Deus na história, especialmente na libertação do Egito, no caminho pelo deserto, no dom da terra prometida. O povo oferece as primícias como sinal de reconhecimento, renovando sua fé e compromisso.

O salmista busca refúgio no Senhor, confiante na sua fidelidade: Eu o defenderei, pois você conhece o meu nome.

A leitura aos Romanos convida a testemunhar a fé como adesão total a Deus que veio ao nosso encontro em Cristo, ressuscitado dentre os mortos e Senhor de todos (cf. Fl 2,11).

 “Jesus dá prova de entrar verdadeiramente no deserto da existência humana” (Diretório Homilético, 61). Tentado como nós, ele permanece fiel ao projeto do Pai. O caminho de seguimento exige vigilância contínua, para discernir a voz de Deus em meio às vozes que apontam para direções contrárias ao caminho proposto pelo evangelho.

Neste primeiro domingo da quaresma, fazendo memória da vitória do Cristo sobre as provações, sentimo-nos conduzidos pelo Espírito ao deserto e acolhemos com abertura de coração a Palavra que revela a nós o rosto de Deus, nossa verdade mais íntima, nossa pobreza e instabilidade. Que o próprio Cristo, com o pão da sua Palavra e da ceia, venha em socorro de nossa fraqueza.

Revista de Liturgia

Aparições de Nossa Senhora de Fátima – Aparições do Anjo

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No dia 13 de Maio de 1917, três crianças (Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos)) afirmaram ter visto "...uma senhora mais branca que o Sol" sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Aljustrel, pertencente ao concelho de Vila Nova de Ourém, Portugal. Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia. As aparições repetiram-se nos cinco meses seguintes e seriam portadoras de uma mensagem ao mundo. A 13 de Outubro de 1917 a aparição disse-lhes ser a Nossa Senhora do Rosário.

Os relatos destes acontecimentos foram redigidos pela Irmã Lúcia a partir de 1935, em quatro manuscritos, habitualmente designados por Memórias I, II, III e IV e transcritos com outras fontes para este artigo.

Aparições do Anjo

Antes das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917, Lúcia, Francisco e Jacinta tiveram no ano anterior três visões do Anjo, Anjo da Paz ou Anjo de Portugal. Estas visões permaneceram inéditas até 1937, até Lúcia as divulgar, pela primeira vez, no designado texto Memória II. A narração é mais completa e o texto definitivo das orações do anjo é publicado na Memória IV, escrito em 1941. As aparições do Anjo em 1916, foram precedidas por três outras visões, de Abril a Outubro de 1915, nas quais Lúcia e outras três pastorinhas, Maria Rosa Matias, Teresa Matias e Maria Justino viram, também no outeiro do Cabeço, e noutros locais, suspensa no ar sobre o arvoredo do vale "uma como que nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana. Era uma figura, como se fosse uma estátua de neve, que os raios do sol tornavam algo transparente". A descrição é da própria irmã Lúcia.

Retirado do Livro Memórias da Irmã Lúcia