28 de Agosto - Dia de Santo Agostinho

Celebramos neste dia a memória do grande Bispo e Doutor da Igreja que nos enche de alegria, pois com a Graça de Deus tornou-se modelo de cristão para todos. Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África, em 354, filho de Patrício (convertido) e da cristã Santa Mônica, a qual rezou durante 33 anos para que o filho fosse de Deus.

Aconteceu que Agostinho era de grande capacidade intelectual, profundo, porém, preferiu saciar seu coração e procurar suas respostas existentes tanto nas paixões, como nas diversas correntes filosóficas, por isso tornou-se membro da seita dos maniqueus.

Com a morte do pai, Agostinho procurou se aprofundar nos estudos, principalmente na arte da retórica. Sendo assim, depois de passar em Roma, tornou-se professor em Milão, onde envolvido pela intercessão de Santa Mônica, acabou frequentando, por causa da oratória, os profundos e famosos Sermões de Santo Ambrósio. Até que por meio da Palavra anunciada, a Verdade começou a mudar sua vida.

O seu processo de conversão recebeu um “empurrão” quando, na luta contra os desejos da carne, acolheu o convite: “Toma e lê”, e assim encontrou na Palavra de Deus (Romanos 13, 13ss) a força para a decisão por Jesus:“…revesti-vos do Senhor Jesus Cristo…não vos abandoneis às preocupações da carne para lhe satisfazerdes as concupiscências”.

Santo Agostinho, que entrou no Céu com 76 anos de idade (no ano 430), converteu-se com 33 anos, quando foi catequizado e batizado por Santo Ambrósio. Depois de “perder” sua mãe, voltou para a África, onde fundou uma comunidade cristã ocupada na oração, estudo da Palavra e caridade. Isto, até ser ordenado Sacerdote e Bispo de Hipona, santo, sábio, apologista e fecundo filósofo e teólogo da Graça e da Verdade.


Santo Agostinho, rogai por nós!

Guarde os preceitos de Deus

Meu filho e minha filha, não se esqueçam da Palavra de Deus que foi colocada em seu coração, na Santa Missa, pela Sagrada Escritura. Não se esqueçam daquela Palavra que veio a vocês como uma resposta nem dos mandamentos que vocês aprenderam desde criança. “Não se esqueçam da minha instrução e o seu coração guarde os meus preceitos, pois são eles que trarão a você dias duradouros e muitos anos de vida e de paz.”

Quando você se torna sensível à Palavra de Deus e à moção do Espírito, guarda no coração as Suas vontades e passa a amá-las. O próprio Senhor, por meio da Sua inspiração, faz você querer o que Ele quer, isso preserva a sua vida e assegura a sua felicidade.

Tudo o que Deus quer para nós é bom. A vontade d’Ele é a melhor coisa que pode acontecer na nossa vida. E, quando um preceito d’Ele chega até nós, é para preservar a nossa vida e nos fazer feliz.

Na vontade do Senhor não existe maldade ou indiferença. É na ausência d’Ele que a maldade se manifesta. Por isso, a Palavra diz: “Que o amor e a fidelidade não o abandonem”. Abra o coração para a bondade e seja fiel a Deus, quem é do Senhor faz sempre o bem, a começar com os seus.

A pessoa bondosa é gentil, carinhosa, paciente, participativa, ajuda o outro nos seus afazeres, tem disposição para perdoar, para cuidar de quem precisa. Ela mostra nos pequenos gestos que o seu coração está tomado por uma força divina que verdadeiramente transforma.

Essa bondade precisa ser tão sentida quanto realizada. Por isso, a Palavra diz: “Que o amor e a fidelidade não abandonem você. Amarre-os ao redor do seu pescoço e escreva-os na tábua do seu coração”. Amarrar a bondade no pescoço significa deixar-se conduzir por ela por onde você for e deixá-la repousar sobre o coração.

A recompensa por ser bondoso é a alegria em praticar o bem. Mas o Espírito Santo lhe garante mais. Ele garante que se você praticar o bem, alcançará a graça e o bom sucesso diante de Deus e dos outros.

Aquele que age com fidelidade e bondade será favorecido por Deus e pelas pessoas à sua volta. Por praticar o bem, a pessoa desperta no outro a vontade de retribuir esse bem e receber do Senhor ajuda e proteção.

Às vezes, você usa tantos artifícios para afastar-se do mal, mas o que realmente afasta o mal de você é o temor do Senhor. Temor é respeito, disposição para obedecer ao que Deus coloca no seu coração.

Se você estiver com Deus, o Espírito Santo vai lhe dar capacidade de depositar toda confiança no Senhor. Mesmo que você não confie em si mesmo, confie em Deus, pois Ele confia em você e sabe a capacidade que tem para experimentar esse amor que vem pela bondade.

Pense no Senhor em todos os seus caminhos e Ele conduzirá seus passos. Com Deus é mais fácil e tudo se torna possível. Nada traz mais saúde para o corpo do que aceitar viver a vida com amor, ser bom e fazer o bem.

É sobre os seus ossos que recaem o peso do dia a dia, mas a Palavra garante que o Espírito Santo vai tirar de cima de você essa sobrecarga, colocando, no seu coração, os preceitos e a instrução de Deus, guiando seus passos no caminho da verdade. A recompensa será consequência da bondade e da fidelidade ao Senhor. Bendito seja Deus por essa Palavra.

Márcio Mendes

Membro da Comunidade Canção Nova

21º Domingo do Tempo Comum

Na 1ª leitura, a mensagem profética, após o exílio babilônico, impulsiona a participação dos povos na formação da nova comunidade. A glória de Deus se manifesta em todas as nações, que sobem a Jerusalém para celebrar o culto com gratidão.

A 2ª leitura ensina a acolher o sofrimento como pedagogia de Deus, pois ele corrige a quem ama. O Senhor, como um bom pai, educa para a vida e pelo caminho reto.

No Evangelho, Jesus segue o caminho para Jerusalém. Enquanto visita cidades e povoados ensinando, é interpelado pela questão: São poucos os que se salvam? Ele, porém, revela o Pai que oferece a salvação a todas as pessoas, não apenas a um número restrito. Seu ensinamento leva à conversão e ao empenho de viver a caridade, a fim de entrar pela porta estreita. Com uma parábola (13,25-29) mostra o Reino de Deus como um grande banquete, oferecido a todos os povos. Só não participa da festa do Reino quem se fecha na auto-suficiência e nos presumidos privilégios étnicos, culturais ou religiosos. Os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e os profetas participam do banquete escatológico como modelos de fidelidade a Deus. O chamado à salvação é dirigido a todos os povos da terra: Virão muitos do oriente e do ocidente, do norte e do sul e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. O dom gratuito da salvação, revelado em Cristo, inclui os gentios excluídos: os últimos serão os primeiros.


Revista de Liturgia

Tenhamos o Céu como meta

O combate da oração é a vida do cristão, pois nossa vida é uma luta diária. Para chegarmos ao Reino dos Céus precisamos ser valentes guerreiros. Sabemos que o combate não é fácil, no mundo como diz São Paulo, haverá tribulações, mas coragem!

A casa que nós precisamos ser deve ser morada de Deus. Devemos afirmar que precisamos ser lugar de oração, como templos do Espírito Santo, ser um lugar de oração. Como família, sabemos que até mesmo Ele quis uma família, e é por isso que a família está sendo tão atacada pelo mundo. Irmãos, precisamos ter famílias que desejem o Céu!

A parábola do evangelho, nos recorda a pessoa que vendeu tudo para comprar aquela pérola, que lhe perguntar, o que você tem feito para desejar o Céu. Não podemos viver num faz de conta, vivamos para a eternidade. Como está o seu desejo de Céu?

Peçamos ao Senhor, que não tire de nós o desejo de Céu, e não trata-se de uma luta fácil, mas é uma luta árdua. Sejamos como guerreiros, revestidos pelo poder de Deus, lutemos por aquelo pelo quando fomos feitos. Já temos a vitória pelo morte de Cristo, mas somente se lutarmos contra as coisas do mundo, alcançaremos em plenitude o Céu.

Estamos nesse mundo de forma passageira, e o “estar” é uma forma passageiros “somos” feitos para o Céu. “Sois a luz do mundo”, esta é a nossa missão, devemos trilhar um caminho de santidade. Você já imaginou uma imagem de você como santo? Isso não é prepotência, mas assumir a nossa vocação: sermos santos!

Você tem reservados momentos em sua vida para a oração pessoal? É oração que nos dá coragem para enfrentar as dificuldades que nos são apresentadas todos os dias. Precisamos crer naquilo que rezamos: “tudo posso naquele que fortalece”. O que determina a busca do Céu, é o desejo de ir até ele, mas também levar aqueles que estão conosco a este mesmo desejo.

Não se deixe levar pelas tribulações deste mundo tenebroso, e como vencer? Sendo homens e mulheres que lutam pelo Céu. Todos nós passamos por dificuldades, mas coloque no Senhor a sua confiança. Levantemos um povo que acredita em Deus e que coloca prática os seus preceitos.

Mesmo em meio as tribulações, confiemos no Senhor e entregue-se nas mãos dele, Ele é o mesmo de ontem, de hoje e de sempre. Se Ele ainda não tem feito o que você pediu, Saiba que ele não está demorando, mas está caprichando na promessa que tem para a sua vida. Lembre-se que toda a promessa passa pela prova do tempo. Se o Senhor lhe prometeu, Ele cumprirá. O diabo quer famílias descrentes. Assuma portanto, um tempo novo em sua vida, com desejo de santidade.

Meu irmão e minha irmã, não é fácil ir entrar no Céu, mas chegar até lá depende de mim e de você! Só depende da sua disposição e disciplina para chegar até lá. Largue tudo e traga sua vocação primária que é a santidade.


Padre Bruno

Nossa Senhora Rainha

Instituída pelo Papa Pio XII, celebramos hoje a Memória de Nossa Senhora Rainha, que visa louvar o Filho, pois já dizia o Cardeal Suenens: “Toda devoção a Maria termina em Jesus, tal como o rio que se lança ao mar”.

Paralela ao reconhecimento do Cristo Rei encontramos a realeza da Virgem a qual foi Assunta ao Céu. Mãe da Cabeça, dos membros do Corpo místico e Mãe da Igreja; Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação: “É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” (Santo Anselmo).

Nossa Senhora Rainha, desde a Encarnação do Filho de Deus, buscou participar dos Mistérios de sua vida como discípula, porém sem nunca renunciar sua maternidade divina, por isso o evangelista São Lucas a identifica entre os primeiros cristãos: “Maria, a mãe de Jesus” (Atos 1,14). Diante desta doce realidade de se ter uma Rainha no Céu que influencia a Terra, podemos com toda a Igreja saudá-la: “Salve Rainha” e repetir com o Papa Pio XII que instituiu e escreveu a Carta Encíclica Ad Caeli Reginam (à Rainha do Céu): “A Jesus por Maria. Não há outro caminho”.


Nossa Senhora Rainha, rogai por nós!

Vocação à Família

Vocação é um chamado. Exige uma resposta. Na vida cristã, a vocação à família é um dom inestimável. A família é o berço de todas as outras vocações. A família é o lugar onde se desenvolvem nos seres humanos os seus relacionamentos mais significativos e especiais. É instituição divina desde a criação do mundo. "Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois já não serão mais duas, mas uma só carne". A união entre o homem e a mulher é fundamental e querida por Deus. Os filhos são a bênção do casamento, que trás em seu bojo os sinais da fidelidade, da fecundidade e da eternidade.

Os sagrados laços do matrimônio despertam no homem e na mulher a vocação ao amor, dada por Deus mesmo a todo ser humano. Ele que é amor nos mandou amar como Ele mesmo. Criados à sua imagem e semelhança não poderia, de fato, ser diferente. O parágrafo 1604 do Catecismo da Igreja Católica chama nossa atenção para este dado importante do amor: "Deus que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata do ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do criador, que é amor. E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: "Deus os abençoou e disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28)".

Que o homem e a mulher foram criados um para o outro não se discute. Assim é afirmado na Sagrada Escritura: "não é bom que o homem esteja só". Daí o Senhor lhe faz uma companheira semelhante: "carne de sua carne, ossos de seus ossos".

O matrimônio é a caracterização do início de uma nova família. Já não são mais dois, mas uma só carne. Além de ser uma instituição divina é também de índole natural. A união entre o homem e a mulher garante as gerações da prole ao longo dos anos. O Matrimônio é, portanto, uma aliança onde homem e mulher se unem pela vida toda, tendo em vista o bem de ambos e a geração e educação dos filhos. Foi o próprio Jesus que elevou esta união à dignidade de sacramento.

Muitas ameaças do mundo moderno hoje colocam em questão o verdadeiro sentido do matrimônio. Precisamos sempre mais resgatar o valor da família. O Beato Papa João Paulo II chama a família de "santuário da vida". Ao longo de todos os séculos a Igreja sempre trabalhou e zelou pela promoção da família e de seus valores. Afinal, ela tem consciência de que esta é de fundamental importância para o bem-estar de toda a humanidade. Quanto mais nossas famílias se estruturarem devidamente e sobre os alicerces da fé e da verdade, mais o mundo tomará consciência de sua verdadeira identidade e missão. O Concílio Vaticano II, no documento Gaudium et spes, ressalta que "a salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar".

A família é a vocação natural dos seres humanos. As demais vocações são específicas e especiais e não poderiam existir não fossem famílias generosas a oferecer seus membros em vista de um bem comum. A família não exprime sua importância apenas entre seus membros, mas suas atitudes refletem sobre a sociedade como um todo, sem dúvida. Daí a afirmação do Concílio da necessidade da família na salvação de toda a humanidade.

No sacramento do matrimônio os noivos se aceitam um ao outro, unindo-se à oferenda de Cristo à sua Igreja. Assim como Cristo amou a Igreja, os cônjuges devem se amar também. São os esposos que se conferem mutuamente o sacramento, expressando diante de toda a Igreja ali reunida o seu consentimento. O sacerdote testemunha o consentimento que é dado um ao outro. A bênção sacramental é importante na celebração. O Catecismo da Igreja Católica no §1624 ressalta este aspecto de modo claríssimo: "as diversas liturgias são ricas em orações de bênção sobre o novo casal, especialmente sobre a esposa. Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja. É ele o selo de sua aliança, a fonte que incessantemente oferece seu amor, a força em que se renovará a fidelidade dos esposos. Toda esta configuração do sacramento está para confirmar e ressaltar que o matrimônio não é uma celebração exclusiva ou particular, mas um ato eclesial: isto se manifesta claramente na presença do ministro da Igreja, bem como dos presentes, as testemunhas. O casamento é um ato litúrgico, cria direitos e deveres na Igreja, entre esposos e filhos; é um estado de vida na comunidade de fé e sua celebração tem caráter público.

Uma vez que os noivos se deram em casamento está constituída a nova família. Os filhos são frutos desse amor. O sacramento é o selo de Deus na vida do casal. Jamais pode ser dissolvido. Uma especial graça concedida ao casal é a graça que é o próprio Cristo: na união conjugal um deve ajudar o outro a se santificar, estando sempre unidos um ao outro e na aceitação e educação dos filhos. O amor que os une deve ser delicado e fecundo, sincero e firmado no temor de Deus.

O amor conjugal exige a indissolubilidade, a fidelidade e a fecundidade. Sinaliza o amor de Cristo com sua Igreja. Este amor é indissolúvel, pois nada pode romper, nenhuma miséria humana e nenhuma outra situação seria capaz de dissolver este amor; é fiel, porque dura de geração em geração, mesmo se a humanidade, no mal uso de sua liberdade, afastar-se de Deus e de seus santos ensinamentos; e fecundo, porque, como na vida do casal os filhos são frutos do seu amor, na Igreja, Cristo oferece a vida aos que renasceram na água do batismo e com ele foram sepultados e irromperam tão logo vitoriosos e ressuscitados.

Jesus nasceu em uma família: a sagrada família de Nazaré. Filho de Maria e José. A igreja é a família de Deus. Nela todos são chamados a servir ao Deus vivo e verdadeiro: "Crê no Senhor Jesus e serão salvos tu e os de tua família". Nosso tempo urge que as famílias se convertam na fé e animem o mundo com a força que vem do próprio Deus. Ainda o Catecismo da Igreja Católica, no § 1656, ressalta esta necessidade: "Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial como lares de fé viva e radiante. Por isso, o Concílio Vaticano II chama a família usando uma expressão antiga, de "igreja doméstica". É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e exemplo, os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada".

O lar da família é o espaço privilegiado da educação, do cuidado e da ternura; é a escola da vida e da fé. Os pais são, portanto, o primeiro catequista de seus filhos. Cabe-lhes introduzir sua prole no caminho cristão e acompanhar todo o seu desenvolvimento nas diversas etapas do caminho da fé. É lá, também, o celeiro de vocações e de um suficiente e necessário desenvolvimento e enriquecimento da pessoa humana. As melhores e mais importantes lições vêm de casa. Ninguém deve estar privado da família. Assim também nossas igrejas, comunidades paroquiais devem ser casa e família para todos, especialmente para os mais cansados, excluídos e enfraquecidos. Seguindo a orientação de São Paulo, na carta aos Efésios, que os maridos amem suas esposas como Cristo amou a Igreja. Grandioso mistério de amor de um Deus que se revela e se deixa conhecer.

“Que a família comece e termine sabendo onde vai, que o homem carregue nos ombros a graça de um pai; que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor e que os filhos conheçam a força que brota do amor” (Pe. Zezinho)!

Orani João Tempesta
Retirado do Site da Comunidade Shalom


A força que nos falta!

Muitas vezes, olhamos para nós mesmos e, diante de tantas lutas que vivemos a cada dia, percebemo-nos fracos, desfalecidos e sem forças. O mundo tenta nos arrastar com uma avalanche de más notícias, de más ações, de decisões que nos apontam um futuro incerto e fora da vontade de Deus. Nós lutamos, tentamos resistir e nadar contra a maré, mas nos cansamos, nos questionamos e, por vezes, queremos desistir e nos deixar levar. Falta-nos força. Falta-nos a Força!

Depois da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a alegria voltou ao coração dos discípulos, mas, mesmo vendo Aquele a quem eles amavam vivo entre eles, ainda não tinham forças suficientes para enfrentar o mundo do lado de fora daquelas portas fechadas do Cenáculo. Faltava-lhes a Força!

Pode ser que – como os discípulos – você já tenha se encontrado com Jesus e, realmente, experimentado a alegria do Ressuscitado, que foi capaz de lhe devolver a alegria e seus sonhos perdidos. Ou talvez você ainda esteja fechado em suas frustrações e amarguras, sem esperança, sem alegria, desejando a morte a cada dia.

De qualquer forma, quando você olha para o mundo que o espera lá fora, treme e tranca as portas do seu coração com medo de perder tudo o que recebeu. Os discípulos de Jesus, os mais próximos d'Ele, aqueles que conviveram com Ele, também passaram por isso.

No entanto, uma promessa nos foi feita: “[...] recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós” (At 1,8). Jesus fez essa promessa não somente aos Seus discípulos, mas a cada um de nós. O Senhor sabia que sozinhos não conseguiríamos enfrentar o mundo, pois é natural do ser humano temer o que lhe parece muito grande. Por isso era necessária uma força sobrenatural para além do que é natural em nós. Era necessário para nós o batismo no Espírito Santo: “[...] Vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo” (At 1,5).

O Espírito é a força do Alto, o poder do Senhor, o Amor de Pai por cada um de nós, derramado de forma abundante sobre todos aqueles que pedem, suplicam, imploram e clamam a Ele essa graça. Jesus nos prometeu esse dom. Mais do que isso, Ele afirmou que o Espírito Santo nunca nos seria negado se O pedíssemos. “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” (Lc 11,13). Cristo não disse que o Pai “poderia” nos dar essa graça. Não! Ele disse que o Senhor dará o Espírito a quem Lhe pedir.

Ser batizado no Espírito Santo é mergulhar inteiramente no Amor de Deus e nele viver, mover-se e existir (cf. At 17, 28). Somos tomados inteiramente pela ação da Força de Deus que nos impulsiona, nos dá coragem e todas as armas necessárias para enfrentarmos as batalhas do mundo; acima de tudo, dá-nos a certeza de que somos amados, que temos um Pai que cuida de nós e, por isso, não há o que temer.  Mas o que precisamos fazer para receber o batismo no Espírito Santo? Só duas coisas são necessárias: desejar isso de todo o coração e clamar que o Senhor renove, pela força do Amor, do Espírito Santo, o nosso coração e toda a nossa vida.

Deseje, peça, clame, suplique e Deus lhe responderá com a força do Alto, com uma total renovação de vida. Agora, cuidado! Ao pedir o batismo no Espírito Santo você correrá risco de vida. Sim! Risco certo de morrer para uma vida velha e receber de Deus uma vida nova em Seu Espírito!

Somos fracos e reconhecemos isso, por essa razão clamamos a Deus que nos dê Seu Espírito Santo, pois só o Paráclito é capaz de nos dar a coragem para enfrentarmos esse mundo sem medo e com toda a alegria daqueles que foram transformados pelo amor de Deus.

Nós precisamos dessa força. O mundo precisa desse testemunho; no entanto, a força invisível do Espírito Santo de Deus só será manifestada ao mundo quando nossas vidas forem verdadeiramente transformadas pelo poder d'Ele!

É só pedir e a força que lhe falta virá: "Veni Creator Spiritus!". "Vinde, Espírito Santo!"

Renan Felix

Missionário da Comunidade Canção Nova

Domingo da Assunção de Maria, Mãe do Senhor

A festa da Assunção exalta Maria, a mãe do Senhor, por sua gloriosa participação na vitória do Cristo e atribui a ela a imagem da mulher vestida de sol e coroada de glória que no Apocalipse se refere à comunidade dos que creem em Jesus, nos São João no Livro do Apocalipse, na 1ª Leitura.

Na 2ª Leitura, Paulo acentua que Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.

No Evangelho, toda a grandeza de Maria se justifica porque como mãe e discípula do Verbo, foi peregrina na fé, obediente à Palavra, sempre atenta às necessidades, ativa no serviço aos pequenos e, por isso, reconhecida como bendita entre as mulheres. Por ser portadora do Verbo, João Batista, ainda no seio materno, pula de alegria diante dela, como fez Davi ao receber a arca da aliança. Em seu cântico, Maria louva e agradece o Senhor e Salvador que volta o olhar para a pequenez daquela serva e concebe na sua própria pessoa as promessas feitas a Abraão e à sua descendência. Nela se manifesta que Deus, com a força de seu braço dispersa os planos dos orgulhosos e se inclina para erguer os humildes, para saciar os famintos com benevolência e proteger os indefesos.


Revista de Liturgia

Quaresma de São Miguel - 15 de Agosto a 29 de Setembro

Oração inicial:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra a maldade e as ciladas do demônio! Ordene-lhe, Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai ao inferno satanás e todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.
Sacratíssimo Coração de Jesus! (três vezes)

Ladainha de São Miguel Arcanjo

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, Rainha dos anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós.
São Miguel, cheio de graça de Deus.
São Miguel, perfeito adorador do verbo divino.
São Miguel, coroado de honra e de glória.
São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade.
São Miguel, guardião do paraíso.
São Miguel, guia e consolador do povo insraelita.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante.
São Miguel, luz dos anjos.
São Miguel, baluarte da verdadeira fé.
São Miguel, forçad daqueles que combatem pelo estandarte da cruz.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida.
São Miguel, socorro muito certo.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades.
São Miguel, mensageiro da sentença eterna.
São Miguel, consolador das almas do purgatório, vós a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte.
São Miguel, nosso príncipe.
São Miguel, nosso advogado.Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Senhor.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Rogai por nós glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Jesus Cristo.
Para que sejamos dignos das Suas promessas.
Amém.

Oremos:

Senhor Jesus Cristo, santificai-nos por uma benção sempre nova e concedei-nos, por intercessão de São Miguel, a sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas no Céu e a trocar os bens do tempo presente pelos bens eternos. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Consagração a São Miguel

Ó Príncipe nobilíssimo dos anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro me dou e me ofereço, e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração. Recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obterme o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima. Obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para receber a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e, com a vossa arma poderosa, lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu.
São Miguel Arcanjo, defendei-no no combate para que não pereçamos no supremo Juízo. Amém.

Assunção de Nossa Senhora

Hoje, solenemente, celebramos o fato ocorrido na vida de Maria de Nazaré, proclamado como dogma de fé, ou seja, uma verdade doutrinal, pois tem tudo a ver com o mistério da nossa salvação. Assim definiu pelo Papa Pio XII em 1950 através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial.”

Antes, esta celebração, tanto para a Igreja do Oriente como para o Ocidente, chamava-se “Dormição”, porque foi sonho de amor. Até que se chegou ao de “Assunção de Nossa Senhora ao Céu”, isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

Maria contava com 50 anos quando Jesus subiu ao Céu. Tinha sofrido muito: as dúvidas do seu esposo, o abandono e pobreza de Belém, o desterro do Egito, a perda prematura do Filho, a separação no princípio do ministério público de Jesus, o ódio e perseguição das autoridades, a Paixão, o Calvário, a morte do Filho e, embora tanto sofrimento, São Bernardo e São Francisco de Sales é quem nos aponta o amor pelo Filho que havia partido como motivo de sua morte.

É probabilíssima, e hoje bastante comum, a crença de a Santíssima Virgem ter morrido antes que se realizasse a dispersão dos Apóstolos e a perseguição de Herodes Agripa, no ano 42 ou 44. Teria então uns 60 anos de idade. A tradição antiga, tanto escrita como arqueológica, localiza a sua morte no Monte Sião, na mesma casa em que seu Filho celebrara os mistérios da Eucaristia e, em seguida, tinha descido o Espírito Santo sobre os Apóstolos.

Esta a fé universal na Igreja desde tempos remotíssimos. A Virgem Maria ressuscitou, como Jesus, pois sua alma imortal uniu-se ao corpo antes da corrupção tocar naquela carne virginal, que nunca tinha experimentado o pecado. Ressuscitou, mas não ficou na terra e sim imediatamente foi levantada ou tomada pelos anjos e colocada no palácio real da glória. Não subiu ao Céu, como fez Jesus, com a sua própria virtude e poder, mas foi erguida por graça e privilégio, que Deus lhe concedeu como a Virgem antes do parto, no parto e depois do parto, como a Mãe de Deus.


Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!

O que os nossos filhos não esquecerão

Sempre haverá um momento em que estaremos remontando nossa história de vida, seja por meio de nossas memórias ou dos momentos registrados por antigas fotografias. Em uma fração de segundo, somos transportados para o exato momento em que se imortalizou aquela emoção, lembrando as conversas, os risos congelados naquelas fotos.

Muitos de nós ainda se lembram das brincadeiras e dos passeios que tiveram a participação “especial” de nossos pais. Em contrapartida, nossos pais também se recordam de nossas pronúncias “erradas” ao balbuciarmos as primeiras palavras.

Como poderiam ser remontados esses doces momentos se não houvesse uma disponibilidade para essa convivência?

No estresse de um dia tumultuado de trabalho ou ainda sob os efeitos da adrenalina, resultado dos engarrafamentos ou de pessoas mal-humoradas, podemos chegar em casa sem muito desejo de conviver. Com o tempo, os gracejos e as brincadeiras de nossas crianças deixaram de existir e com elas estariam também desaparecendo os protagonistas de nossa história, que poderia ter sido remontada no futuro.

Muitos falam sobre o perigo de uma criança mimada. Por outro lado, conhecemos adultos e adolescentes que vivem problemas de relacionamentos, os quais podem ter se iniciado pela ausência ou pela pouca atenção para aquilo que pode ter sido considerado irrelevante pelos pais na época.

Sabemos que, na modernidade do tempo atual, é exigido não somente dos pais, mas também das mães uma certa dose de ausência devido ao trabalho, o que para muitos de nós não aconteceu durante nossa infância. Diante disso, precisamos buscar a qualidade dos momentos disponíveis nos poucos momentos oferecidos aos nossos filhos.

Essa qualidade poderá estar escondida na simplicidade de ser outro competidor por meio de um “joystick” ou numa brincadeira inocente em que um abraço aconteça como resultado da vitória. Na fantasia infantil poderá ser exigida a nossa transformação em bandido que foge desesperadamente do mocinho ou ainda suar na tentativa de se esconder atrás do sofá. Radicalizando um pouco mais, nossas crianças poderão até exigir que nos tornemos confeiteiros de biscoitos em forma de bichinhos, carrinhos, florzinhas ou que façamos bolinhos de chuva para tomar o chá na casinha de bonecas.

Antes que a sensação de estarmos saindo da “órbita familiar” nos lance para o “espaço sideral”, busquemos reaquecer nossa história comunitária de família. A convivência entre pais e filhos, sem dúvida, é que construirá, de maneira saudosa, nossa futura história familiar. Mesmo que tais momentos não sejam registrados pelas lentes fotográficas, eles estarão gravados, de maneira indelével, no coração dos nossos pequenos, os quais não fazem questão de registrar o tempo de convivência, mas vivem intensamente os momentos de longas gargalhadas.

Deus nos abençoe neste santo desafio!

Abraços.


Dado Moura

13 de Agosto - 4ª Aparição de Nossa Senhora

Era de manhã quando o administrador de Ourém prendeu os Pastorinhos por três dias, exatamente no dia em que Nossa Senhora havia de aparecer.

Esta foi a única das aparições que não aconteceu no dia 13, conforme a Senhora Branca havia predito. As forças dominantes e políticas do governo naquela época dominavam Portugal, que por sua vez lançavam grandes perseguições religiosas. O Administrador do Concelho de Ourém, Artur de Oliveira dos Santos querendo arrancar dos Pastorinhos o segredo que Nossa Senhora havia lhes confiado nas aparições, mas também, com medo das manifestações de fé em massa que estavam a crescer mês a mês na pequena aldeia de Aljustrel, vendo ameaçar o seu governo, pondo em perigo sua liberdade democrática e temendo um descontrole socio-político, mandou prender os pequeninos Pastorinhos contagiados pela forte presença de Nossa Senhora nas aparições.

Nem mesmo as tortuosas ameaças do administrador, puderam impedir que Nossa Senhora voltasse a aparecer aos três videntes de Fátima, que no Domingo, dia 19 de Agosto, portanto, sete dias depois de estarem presos nas mãos do administrador, a Senhora mais branca do que a neve voltou a aparecer nos Valinhos aos três Pastorinhos, e disse:

“Quero que continueis a vir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês, farei o milagre, para que todos acreditem.

- Que é que Vossemecê quer que se faça com o dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?

Façam dois andores: um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas vestidas de branco; o outro, que o leve Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para ajuda de uma capela que hão-de mandar fazer.

E, tomando um aspecto mais triste, Nossa Senhora acrescentou:

Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.”

Os Pastorinhos de Fátima eram tão convincentes no que se referia aos pedidos de Nossa Senhora que logo no ano seguinte, em Julho de 1918, foi realizada a festa de Nossa Senhora do Rosário, e em Agosto do mesmo ano começou a ser construída a primeira capela, conforme pedia a Santa Mãe de Deus.


Retirado do Livro Memórias da Ir. Lúcia

A alegria de ser pai

A honrosa e alegre missão que Deus reservou para os pais é a de gerar e educar os seus filhos. Isso não compete ao Estado. Os pais são cooperadores de Deus na maior de todas as obras, gerar os filhos de Deus “à Sua imagem e semelhança”. Por isso, o grande santo da Igreja, Santo Irineu de Lião, dizia, no século II, que o “homem é a glória de Deus”. E essa glória vem ao mundo por meio dos pais e das mães.

Pode haver algo mais digno e belo do que dar a vida a um filho de Deus? Nada pode se igualar à sublimidade desta obra. Se é importante e digno produzir os bens que utilizamos: casas, roupas, móveis, alimentos etc., quanto mais digno e nobre é dar a vida a novos seres humanos! Uma só vida humana vale mais do que todo o universo material, pois nada disso tem uma alma imortal, imagem e semelhança do próprio Deus. Alguém disse que “o Cosmos chorou quando o Senhor fez o primeiro homem”, pois era criado o seu rei. Veja como um pai é rico, qualquer pai, independente de seu dinheiro, de sua cultura, de sua pátria, da cor de sua pele!

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “a paternidade divina é a fonte da paternidade humana” (§ 2214) e que aí está o “fundamento da honra devida aos pais”. Os filhos devem aos pais o dom da vida. O CIC também nos lembra que “os filhos são o dom mais excelente do matrimônio”.

Deus quis que nós pais participássemos do seu infinito poder criador. Oh, glória! Qualquer pai é um homem rico, muito rico, basta saber reconhecer o dom de Deus, como Jesus disse à samaritana: “Se conhecêsseis o dom de Deus!” (Jo 4).

Por ser muito grande a missão do pai, Deus o cobre de glória e obriga os filhos a honrá-lo. É impressionante notar como o Senhor exalta a figura paterna em face da sua missão importantíssima de gerar e educar os filhos.

O destaque aos pais começa pelo fato de um dos mandamentos, o quarto, ser dedicado a eles: “Honrar pai e mãe”. São Paulo nota que “este é o primeiro mandamento que vem acompanhado de uma promessa: Honra teu pai e tua mãe para que sejas feliz e tenhas vida longa sobre a terra” (Dt 5,16; Ex 20,12; Ef 6,2).

A autoridade dos pais vem de Deus, e essa autoridade não é usurpada nem falsa, mas autêntica. Jesus disse a Pilatos que “toda autoridade vem de Deus” (Jo 19,11). Por isso, diz o Eclesiástico: “Quem honra seu pai achará alegria em seus filhos, será ouvido no dia da oração” (Eclo 3,5-6). Quem de nós não deseja encontrar alegria em seus filhos? Quem não deseja ser atendido por Deus em sua oração?

Nessa missão sagrada de dar a vida e a educação a um ser humano, a alegria se faz nossa companhia, mesmo que seja na forma de uma adoção. O pai de coração não é inferior ao pai natural. Deus é Pai. Ele não quis ser chamado de juiz, de mercador, advogado, professor, médico, engenheiro do universo ou outro nome qualquer. Jesus O chamou de Pai, Pai Nosso... Como os filhos nos chamam: papai! Por isso, a primeira imagem que o seu filho tem de Deus é a sua imagem de pai. Então, saiba mostrar a seus filhos a bondade de Deus, o Seu amor e a Sua mansidão por meio de suas atitudes e exemplos.

Os filhos, hoje, diante deste mundo globalizado, precisam, mais do que nunca, de pais amigos, pais fiéis, pais dóceis e verdadeiros educadores que lhes deem amor e segurança para que possam se desenvolver com equilíbrio. Pais que gastem seu tempo com seus filhos, que esqueçam em casa da internet, do jornal, da TV, e se liguem aos filhos; leve-os para brincar, correr, soltar pipas, andar de bicicleta, nadar, ir ao parque, jogar futebol etc.

Para poder educar o filho é preciso, antes, conquistar seu coração como se conquista o coração da mulher amada. Quando o seu filho tiver orgulho de você, porque você o respeita e o conquistou, então será fácil educá-lo para a sociedade e para Deus. Sua alegria será imensa, pois ele o amará com um amor eterno.

Quanto a você, filho, quanto mais difícil for para você amar e honrar o seu pai, por causa dos defeitos dele, tanto mais você terá méritos diante de Deus e tanto mais será recompensado e abençoado. Se o seu pai não lhe der amor, “vingue-se” dele amando-o, fazendo por ele o que talvez os seus avós não puderam fazer por seu pai. A “vingança do cristão é o perdão”.

“Meu filho, guarda os preceitos de teu pai. Quando caminhares, te guiarão; quando descansares, te falarão” (Pr 6,20-22).

Hoje, sou viúvo, pai de cinco filhos que só me dão alegria e mais dez netos que enchem minha casa e minha vida de paz, alegria e felicidade. É claro que tudo isso me custou algumas lágrimas e suor derramado nesses quarenta anos de casado, mas eu lhe garanto que as horas de alegria e júbilo foram e são muito maiores. Se eu tivesse de começar tudo de novo, só pediria uma coisa a Deus, que Ele me desse mais filhos.


Felipe Aquino

19º Domingo do Tempo Comum

Na 1ª leitura, a memória do Êxodo e da ação libertadora de Deus sustenta a fé e renova a esperança de salvação. Enquanto aguarda a realização plena das promessas feitas aos pais, o povo celebra a ceia pascal e entoa hinos.

Na 2ª leitura, Abraão é a grande testemunha de fé, pois abandonou as próprias seguranças para confiar somente em Deus, não hesitando em sacrificar Isaac à promessa de uma descendência numerosa.

No Evangelho, Jesus tranquiliza a pequena comunidade dos discípulos diante da grande missão: Não tenhas medo, pequeno rebanho. As parábolas mostram a necessidade de permanecer na vigilância em atitude de fidelidade no serviço e em atenção aos sinais da salvação de Deus que se manifesta no cotidiano da vida. Os servos devem estar sempre prontos para acolher o Senhor como os que esperam vigilantes a volta do patrão da festa de casamento: Felizes os servos que o Senhor encontrar acordados. Os que permanecem fiéis sentam-se à mesa e são servidos pelo Senhor com o dom gratuito da salvação. A imagem do administrador sensato e fiel refere-se ao cuidado dos bens confiados por Deus. A responsabilidade é atribuída aos líderes da comunidade, como indica a pergunta de Pedro, mas cada pessoa e comunidade que lê o evangelho pode tomar para si esta responsabilidade.


Revista de Liturgia