Homilia do Papa na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

Queridos irmãos e irmãs!
Os textos bíblicos desta Liturgia Eucarística da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, na sua grande riqueza, ressaltam um tema que se poderia resumir assim: Deus está próximo de seus fiéis servidores e os livra de todo o mal, e livra a Igreja das forças negativas. É o tema da liberdade da Igreja, que apresenta um aspecto histórico e um outro mais profundamente espiritual.
Esta temática atravessa toda a Liturgia da Palavra de hoje. A primeira e a segunda Leitura falam, respectivamente, de São Pedro e de São Paulo, salientando exatamente a ação libertadora de Deus sobre eles. Especialmente o texto dos Atos dos Apóstolos descreve com abundância de detalhes a intervenção do anjo do Senhor, que soltou Pedro das correntes e o conduziu para fora do cárcere de Jerusalém, onde o havia aprisionado, sob rígida vigilância, o rei Herodes (cf. At 12, 1-11 ). Paulo, por sua vez, escrevendo a Timóteo quando sente que está perto o fim de sua vida terra, faz um balanço final do qual emerge que o Senhor esteve sempre perto de si, o livrou de muitos perigos e ainda o libertará, introduzindo-o em seu Reino eterno (cf. II Tm 4, 6-8.17-18). O tema é reforçado pelo Salmo Responsorial (Sal 33), e encontra um particular desenvolvimento também no trecho evangélico da confissão de Pedro, lá onde Cristo promete que as forças do inferno não prevalecerão sobre sua Igreja (cf. Mt 16, 18).
Observando-se bem, nota-se, com relação a esta temática, uma certa progressão. Na primeira Leitura, é narrado um episódio que mostra a intervenção específica do Senhor para libertar Pedro da prisão; na segunda, Paulo, com base em sua extraordinária experiência apostólica, afirma estar convencido de que o Senhor, que já o havia livrado "da boca do leão", o livrará de "todo o mal", abrindo-lhe as portas do Céu; no Evangelho, ao contrário, não se fala mais dos Apóstolos individualmente, mas da Igreja no seu conjunto e da sua proteção com relação às forças do mal, entendida em sentido amplo e profundo. Desse modo, vemos que a promessa de Jesus - "as forças do inferno não prevalecerão" sobre a Igreja - compreende, sim, as experiências históricas de perseguição sofridas por Pedro e Paulo e outras testemunhas do Evangelho, mas vai além, desejando assegurar a proteção sobretudo contra as ameaças de ordem espiritual; segundo o que Paulo escreve na Carta aos Efésios: "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares" (Ef 6, 12).
Com efeito, se pensamos nos dois milênios de história da Igreja, podemos observar que - como havia prenunciado o Senhor Jesus (cf. Mt 10, 16-33) - nunca faltaram para os cristãos as provações, que em alguns períodos e lugares assumiram o caráter de verdadeiras e próprias perseguições. Essas, no entanto, apesar do sofrimento que provocam, não constituem o perigo mais grave para a Igreja. O dano maior, de fato, provém daquilo que polui a fé e a vida cristã dos seus membros e das suas comunidades, afetando a integridade do Corpo Místico, enfraquecendo a sua capacidade de profecia e testemunho, manchando a beleza de seu rosto. Essa realidade é atestada já no epistolário [cartas] paulino. A Primeira Carta aos Coríntios, por exemplo, responde exatamente a alguns problemas de divisões, incoerências, infidelidade ao Evangelho, que ameaçam seriamente a Igreja. Mas também a Segunda Carta a Timóteo - da qual ouvimos uma parte - fala sobre os perigos dos "últimos tempos", identificando-os com atitudes negativas que pertencem ao mundo e podem contagiar a comunidade cristã: egoísmo, vaidade, orgulho, apego ao dinheiro, etc. (cf. 3, 1-5). A conclusão do Apóstolo é reconfortante: os homens que fazem o mal - escreve - "não irão longe, porque será manifesta a todos a sua insensatez" (3, 9).
Existe, portanto, uma garantia de liberdade assegurada por Deus à Igreja, liberdade seja dos laços materiais que procuram impedir ou coagir a missão, seja dos males espirituais e morais, que podem afetar a autenticidade e credibilidade.
O tema da liberdade da Igreja, garantida por Cristo a Pedro, tem também uma relevância específica para o rito da imposição do pálio, que hoje renovamos para trinta e oito Arcebispos Metropolitanos, aos quais dirijo a minha mais cordial saudação, estendendo-a com afeto àqueles que quiseram acompanhá-los nesta peregrinação. A comunhão com Pedro e seus sucessores, de fato, é garantia de liberdade para os pastores da Igreja e para a própria Comunidade a eles confiada. E isso em ambos os planos destacados nas reflexões precedentes. No plano histórico, a união com a Sé Apostólica assegura às Igrejas particulares e às Conferências Episcopais a liberdade com relação aos poderes locais, nacionais ou supranacionais, que podem, em certos casos, obstaculizar a missão da Igreja. Além disso, e mais essencialmente, o ministério petrino é garantia de liberdade no sentido da plena adesão à verdade, à autêntica tradição, de tal forma que o Povo de Deus seja preservado de erros concernentes à fé e à moral. Daí que o fato de, todo o ano, os novos Metropolitanos virem a Roma para receber o Pálio das mãos do Papa deva ser compreendido no seu significado próprio, como gesto de comunhão, e o tema da liberdade da Igreja nos oferece uma chave de leitura particularmente importante. Isso aparece de modo evidente no caso das Igrejas marcadas pela perseguição, ou sujeitas a interferências políticas ou outras duras provações. Mas isso não é menos relevante no caso de Comunidades que padecem a influência de doutrinas enganadoras, ou de tendências ideológicas e práticas contrárias ao Evangelho. O pálio, assim, torna-se, neste sentido, um compromisso de liberdade, analogamente ao "jugo" de Jesus, que Ele convida a tomar, cada um sobre seus próprios ombros (cf. Mt 11, 29-30). Como o mandamento de Cristo - embora exigente - é "doce e leve" e, ao invés de pesar sobre quem o leva, o levanta, assim o vínculo com a Sé Apostólica - embora desafiador - sustenta o Pastor e a porção da Igreja confiada aos seus cuidados, tornando-lhes mais livres e mais fortes.
Uma última indicação gostaria de trazer da Palavra de Deus, em particular da promessa de Cristo de que os poderes do inferno não prevalecerão sobre sua Igreja. Essas palavras podem ter também um significativo valor ecumênico, a partir do momento que, como citei há pouco, um dos efeitos típicos da ação do Maligno é exatamente a divisão no interior da comunidade eclesial. As divisões, de fato, são sintomas da força do pecado, que continua a agir nos membros da Igreja mesmo após a redenção. Mas a palavra de Cristo é clara: "Non praevalebunt - não prevalecerão" (Mt 16, 18). A unidade da Igreja está enraizada na sua união com Cristo, e a causa da plena unidade dos cristãos - sempre a se buscar e renovar, de geração em geração - é, então, sustentada pela sua oração e sua promessa. Na luta contra o espírito do mal, Deus nos doou em Jesus o "advogado" defensor, e, depois da sua Páscoa, "um outro Paráclito" (cf. Jo 14, 16), o Espírito Santo, que permanece conosco para sempre e conduz a Igreja rumo à plenitude da verdade (cf. Jo 14,16; 16, 13), que é também a plenitude da caridade e da unidade. Com esses sentimentos de confiante esperança, tenho o prazer de saudar a Delegação do Patriarcado de Constantinopla, que, segundo o belo costume das visitas recíprocas, participa nas celebrações dos Santos Patronos de Roma. Juntos, rendamos graças a Deus pelos progressos nas relações ecumênicas entre católicos e ortodoxos, e renovemos o compromisso de corresponder generosamente à graça de Deus, que nos conduz à plena comunhão.
Queridos amigos, saúdo cordialmente a cada um de vós: Senhores Cardeais, Irmãos nos Episcopado, Senhores Embaixadores e Autoridades civis, em particular o Prefeito de Roma, sacerdotes, religiosos e fiéis leigos. Obrigado pela vossa presença. Os santos Apóstolos Pedro e Paulo alcancem para vós um amar sempre mais e mais a Santa Igreja, corpo místico de Cristo o Senhor e mensageira de unidade e de paz para todos os homens. Vos alcancem também o oferecer com alegria para a própria santidade e missão as fadigas e sofrimentos suportados pela fidelidade ao Evangelho. A Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja, assista sempre a vós, em particular sobre o ministério dos Arcebispos Metropolitanos. Com o seu celeste auxílio, possais sempre viver e agir naquela liberdade que Cristo nos conquistou.
Amém.

A proteção dos Anjos da Guarda

Os anjos são servidores e mensageiros de Deus, porque contemplam constantemente a face de Deus que esta nos céus.

A presença deles nas Escrituras, é muito clara, e é uma verdade de fé. Estão presente desde a criação, e ao longo de toda a Historia da Salvação, anunciando de longe ou de perto esta salvação e servindo ao desígnio divino da sua realização , como nos diz o Catecismo da Igreja (p 87)

A vida da Igreja se beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos.

Desde a infância, até a morte, a vida humana é cercada pela sua proteção e pela sua intercessão. Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida.

Os santos são testemunhos desta verdade. Em suas narrações sempre estão presentes estas Criaturas sobrenaturais, como nos narra Pe.Pio, São D.Bosco, São Martinho de Poris, e tantos outros. Emmir, Coor.Fundadora da Comunidade Católica Shalom em seu livro, “Anjos nossos de cada dia”, narra fatos concretos acontecido com ela por meio do Anjo da Guarda.

Se prestarmos atenção, como fizeram os santos, veremos coisas inacreditáveis acontecendo conosco, no dia a dia, e muitas vezes não nos damos conta que é o nosso anjo da guarda agindo. Gostaria muito de poder citar vários fatos ocorridos com pessoas que se encontraram em situações difíceis e diante delas, viram e sentiram a presença destas criaturas celestes vindo em seu auxílio. Como não é possível, cito aqui três casos, dois deles acontecido comigo.

Uma amiga, hoje ministra da Eucaristia na Igreja do Cristo Rei, de Fortaleza-CE, chamada Josefa, me contou, que uma vez foi levar Eucaristia, para uma pessoa doente.

“Eram 8h da noite, estava só, e dirigia o seu carro. No caminho foi atingida por uma fortíssima chuva, quase impedindo de dirigir. Passando por um lugar sem asfalto e um pouco deserto, o carro atolou-se. Ao seu redor não havia ninguém, só mato, e a uma certa distância uma academia. Diante dessa situação um pouco preocupante, mesmo porque trazia consigo o próprio Cristo, viu que a melhor coisa a fazer era pedir socorro e proteção ao próprio Cristo, fazendo-o assim imediatamente. Foi quando de repente sentiu que o seu carro estava sendo erguido, e olhando pelos vidros embaçados do carro, viu em cada extremidade do carro um homem, vestidos de brancos com a faixa amarrada na cintura, erguendo o carro do atolamento.

De onde surgiu esses homens? Perguntava ela. E não se continha de felicidade, pensando que talvez fossem rapazes da academia, que vendo-a teriam tido compaixão e ido ao seu socorro.

Ela pensou em agradecer essas gentis pessoas, mas não conseguia mais vê-los, pois a chuva impedia. Assim da mesma forma que apareceram, também desapareceram. E agradecendo a Deus ela seguiu o seu caminho.

Ai eu pergunto: Quem numa chuva desta ia ver de longe um carro atolado no meio do mato e ido ao encontro para ajudar?

“O Céu que envia os seus anjos.”

Pude muitas vezes observar e contemplar esses acontecimentos em minha vida, que edificou mais a minha fé nestas Criaturas.

“Um deles aconteceu comigo há uns três anos atrás quando fui chamada a encontrar urgentemente minha mãe, que estava muito mal, já a beira da morte, na cidade de Uberlândia –MG

Precisei sair de Brasília de ônibus a meia noite do dia 30 de dezembro para chegar as 5h da manhã.

Nesse dia senti que Jesus me preparava para alguma coisa que iria me acontecer, e rezando eu escutava fortemente a sua voz no interior do meu coração dizendo; “Tenha confiança, não tenha medo. Eu estou com você”

Eu me perguntava: o que vai acontecer? Será que não encontrarei mais minha mãe viva? Mas resolvi entregar tudo a Ele e viajar.

Entrando no ônibus percebi que a minha companheira de poltrona, era uma senhora bem idosa, e estava sempre rezando. No cansaço que me encontrava adormeci, acordando a poucos km de Uberlândia, com o ônibus sendo assaltado por três rapazes encapuzados.

No momento lembrei-me daquela voz que me falava através da Palavra de Deus: “Não tenha medo, confia em Mim, eu estou com você”, e me senti tranquila, mesmo diante daquele quadro assustador; enquanto a minha companheira sobriamente, rezava mais intensamente.

Eles, armados, foram mandando que jogássemos tudo o que tínhamos no corredor do ônibus, e dois iam de cadeira em cadeira verificando se tínhamos obedecido e nos ameaçando.

E por incrível que pareça, quando chegaram perto da cadeira onde me encontrava com a senhora, eles pareciam não nos ver, e seguiram.

Adiante com suas ameaças. A minha companheira estava com sua bolsa debaixo dos pés, e do jeito que estava continuou.

A mim parecia viver mais um dos filmes dramáticos de Hollywood, na certeza de que Deus estava comigo e Ele não ia deixar nada grave acontecer.

Para resumir, aqueles foram momentos curtos mas que pareceram longos deixando todas as pessoas tensas e até com um pouco de pânico. Eles carregaram tudo de todos que estavam dentro do ônibus, menos a minha bolsa e da senhora. Foi inacreditável!! E eu me perguntava: Quem é esta senhora, que de certa forma com suas orações parecia me proteger, e proteger todos os passageiros de algo pior? Depois de um ano, ouvi no noticiário que um ônibus teria sido assaltado no mesmo lugar, e jogado no precipício.

Seria meu anjo da guarda em forma humana? Poderia ter sido sim, como poderia ter sido um anjo da terra, guiado pelo nosso anjo da guarda a interceder.”

“Outro fato, foi na posse de D.Claudio em S.Paulo. Sai de Aparecida ,calculando chegar em Santo Amaro as 20 h para participar das celebrações no dia seguinte.

Mas aconteceu que calculei errado e já tarde da noite, ainda me encontrava dentro do ônibus que dirigia para este bairro.

Não sabendo direito onde descer, dei as referências ao trocador pedindo que ele me avisasse quando chegasse no local.

Aconteceu que ele esqueceu, e passou do ponto onde eu deveria descer, parando bem mais distante, em um lugar estranho, cheio de matagal, enfrente a um motel . Isto depois das 23h e no meio de uma forte neblina. Estremeci-me toda, me vendo por algum tempo cheia de pavor.

Ainda bem que a poucos metros tinha uma churrascaria ou um restaurante, não me recordo bem, com muita gente e barulho.

Entrei lá desnorteada para telefonar, mas com o barulho não consegui entender nada. Informei-me da parada do ônibus com alguém que ali estava, e me foi apontando para um jovem que estava esperando um ônibus a alguns metros do local.

Dirigir-me apressadamente para lá. Tudo me apavorava, aquela situação parecia me engolir pelo medo. Perguntei a esse jovem sobre o ônibus que eu deveria tomar, e pedia a Deus que ele não saísse dali antes de mim.

O jovem serenamente me explicou tudo como eu deveria fazer e aonde descer, e depois acrescentou: “veja, ai vem o seu ônibus, vá.” Eu mal poderia enxergar naquela neblina o ônibus que se aproximava. Senti uma alegria, uma gratidão e paz brotando no meu coração. Já não mais em mim existia aquele pavor, mesmo sabendo que poderia ainda encontrar outros desafios mais para frente.

Já quase meia noite, desci na minha parada, em meio a algumas pessoas estranhas. Estas me ajudaram emprestando o celular para eu ligar para os meus irmãos virem me pegar. Tudo terminou na paz.

Aquele jovem foi meu anjo da guarda. Rezo constantemente para ele, pedindo a sua proteção.”

Obrigada meu Anjo da Guarda

Janua Pinheiro
Missionária da Comunidade Católica Shalom em Fortaleza/CE
Retirado do Site da Comunidade Shalom

O pecado nos prejudica?

Com o nobre intuito de nos libertar dos complexos de culpa, das fixações mórbidas, e das doentias tendências para escrúpulos intermináveis, a humanidade joga duro contra a existência do pecado. O espírito de permissividade exige liberação de todos os tabus. Não há mais limites para as mentes livres. Praticar atos ilícitos seria uma busca de saúde mental. Garantiria uma consciência leve. Seria a libertação das inibições destruidoras. O que nos liberta, no entanto, é a verdade e não a enganação. "A verdade vos libertará" (Jo 8, 32) já avisava Jesus. Uma personalidade madura sabe distinguir entre um desarranjo psicológico, e uma culpa verdadeira, que devemos reconhecer. O pecado é um mal, que nos fere no nosso "eu". O Criador generoso, conhecendo a nossa constituição, para evitar o caminho dos desvios, já nos deu as instruções sobre o que devemos fazer positivamente, e o que devemos evitar. Se praticarmos o mal a nossa alma fica ferida. No "self" se aninha o descontentamento. Não podemos ficar em paz porque fizemos o mal ao nosso semelhante; ofendemos o amor paterno de Deus; e cedemos às más tendências do egoísmo. Com isso nos afastamos dos irmãos. Você quer conhecer uma personalidade mais sadia do que São Paulo? E ele dizia com convicção: "Jesus Cristo veio para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro" (1Tim 1, 15).

Existe remissão do pecado? A minha consciência pode ser purificada dessa potência maléfica? A primeira condição é reconhecer o erro. "Tende pena de mim que sou pecador" (Lc 18, 13) dizia o publicano. E junto com isso, devemos avivar a fé na pessoa de Cristo, que é o grande libertador. Assim começamos a arrebentar a rede de permissivismo que perpassa o mundo de hoje. Quem quer se livrar do peso inútil do mal, particularmente quando se trata de faltas menores, deve fazer obras de caridade em favor do próximo, ler com fé a Sagrada Escritura, amar a Deus especialmente na oração, participar de celebrações litúrgicas. Isso nos purifica e centra a alma. Mas sobretudo devemos nos aproximar do sacramento da penitência, sacramento concedido por Jesus, que tem o poder de perdoar qualquer pecado. Não seria uma ótima tarefa para a quaresma que se inicia?

Dom Aloísio Roque Oppermann
Retirado do Site da Comunidade Shalom

Domingo do seguimento da cruz

O texto do evangelho encerra o discurso missionário, enfatizando que os discípulos são continuadores da missão de Jesus.

Eles são exortados a uma adesão total a Jesus e seu projeto. Trata-se de um compromisso radical que possibilita encontrar a verdadeira vida na relação com Deus. Percorrendo o caminho da cruz, entregando a vida por amor, é possível chegar à identificação com o Mestre.

Os discípulos são enviados como portadores da presença de Jesus e do Pai. Acolher os discípulos missionários não significa apenas oferecer hospitalidade, mas também aceitar suas palavras, a Boa Nova da salvação. Quem recebe os evangelizadores é como se recebesse o próprio Cristo. Os discípulos são comparados também com os profetas e justos antigos.

Na 1ª leitura, a mulher reconhece Eliseu como um profeta, comprometendo-se a prover suas necessidades. A generosidade da mulher é recompensada com a promessa do nascimento de um filho. Assim, o profeta revela-se plenamente como homem de Deus, mensageiro da boa notícia. Deus intervém manifestando-se como a fonte da vida a quem procura seguir seu caminho. O salmista canta eternamente a bondade e a fidelidade do Senhor, reveladas na criação e na história do povo.

A 2ª leitura salienta que pela fé e o batismo nos libertamos da escravidão do pecado para vivermos uma vida nova segundo o Espírito.

Retirado da Revista de Liturgia

A Oração Une os dois Sagrados Corações de Jesus e Maria

Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Cf. Mt 11,28-30).

A Igreja celebra hoje a solenidade do SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, fonte de onde jorrou toda justificação e salvação dos nossos pecados. Coração Humano e Divino, mistério aberto na cruz, nascente de água viva e causa de nossa cura e libertação. O Sagrado Coração de Jesus é abismo da misericórdia para nós. No sábado, a Igreja simultaneamente uniu os dois corações, celebra-se o IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA. Esse Imaculado Coração esta prestes a triunfar sobre todo mal, é refugio para os pecadores e para aqueles que buscam a cura no seu Filho Jesus.

Quero apresentar para você um terço que uni os Dois Corações a clamar pela nossa cura interior e libertação de todo o mal, que aprendi num retiro:

No inicio reza-se 1 Pai Nosso, 3 Ave-Marias e Glória.

Nas contas do Pai Nosso reza-se: “Na inocência de minh’alma entrego-me inteiramente a Vós e de Vós tudo espero, ó Sacratíssimos Corações de Jesus e Maria”.

Nas contas das Ave-Marias, em cada dezena reza-se 10 vezes clamando a cura e a libertação:

1° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, curai-nos com Vosso Amor.

2° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, curai os que estão caídos pelo caminho.

3° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, ensinai-nos a amar como Vós amais.

4° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, ensinai-nos a amar para curar.

5° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, ajudai-nos a amar o que o Pai ama, querer o que Ele quer e rejeitar todo o mal.

Oração Final: Ofereço-vos, ó meu Deus, neste dia, em união com o Santíssimo Coração de Jesus, por meio do Imaculado Coração de Maria, as orações e o trabalho, as alegrias e o descanso, as dificuldades e os sofrimentos desta vida, em reparação das nossas ofensas, e por todas sa intenções, pelos quais o mesmo Divino Coração está continuamente a interceder e a sacrificar-se por nós em nossos altares. Eu Vos ofereço, em particular, pelas intenções da Vossa Santa Igreja e por nossa Comunidade e nossa família. Amém.

Terminemos cantando essa canção da Comunidade Recado, que nos ajuda muito a rezar:

Se você esta cansado sem lugar pra repousar, Venha ao Coração Sagrado de Jesus que aberto esta. Pode então entrar até descansar, teu Deus ai espera e quer te amar. Curar tuas feridas, tirar a solidão, Reconstruir com zelo tudo que está no chão. Te dar muito carinho, alegre-se irmão, Felicidade não é ilusão.

A Verdadeira felicidade está no manancial dos Corações de Jesus e de Maria.

Minha benção fraterna conte com minhas orações.

Padre Luizinho
Retirado do Blog da Canção Nova

Homilia de Bento XVI na Missa Corpus Christi

Queridos irmãos e irmãs!

A festa de Corpus Domini é inseparável da Quinta-feira Santa, da Missa in Caena Domini, na qual se celebra solenemente a instituição da Eucaristia. Enquanto na noite da Quinta-feira Santa se revive o mistério de Cristo que se oferece a nós no pão partilhado e no vinho derramado, hoje, por ocasião do Corpus Domini, esse mesmo mistério é proposto à adoração e à meditação do Povo de Deus, e o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas ruas da cidade e povoados para manifestar que Cristo ressuscitado caminha em meio a nós e nos guia rumo ao Reino dos céus. Aquilo que Jesus nos deu na intimidade do Cenáculo, hoje o manifestamos abertamente, porque o amor de Cristo não é reservado a alguns, mas é destinado a todos. Na Missa in Caena Domini da última Quinta-feira Santa, sublinhei que na Eucaristia acontece a transformação dos dons desta terra – o pão e o vinho – destinada a transformar a nossa vida e a inaugurar assim a transformação do mundo. Nesta noite, gostaria de retomar tal perspectiva.

Tudo parte, se poderia dizer, do coração de Cristo, que na Última Ceia, na véspera da sua paixão, agradeceu e louvou a Deus e, assim fazendo, com o poder do seu amor, transformou o sentido da morte à qual ia ao encontro. O fato de que o Sacramento do altar tenha assumido o nome "Eucaristia" – "ação de graças" – expressa exatamente isto: que a transformação da substância do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Cristo é fruto do dom que Cristo fez de si mesmo, dom de um Amor mais forte que a morte, Amor divino que o fez ressuscitar dos mortos. Eis porque a Eucaristia é alimento de vida eterna, Pão da vida. Do coração de Cristo, da sua "oração eucarística" na véspera da sua paixão, surge aquele dinamismo que transforma a realidade nas suas dimensões cósmicas, humana e histórica. Tudo procede de Deus, da onipotência do seu Amor Uno e Trino, encarnado em Jesus. Nesse Amor está imerso o coração de Cristo; por isso Ele sabe agradecer e louvar a Deus também frente à traição e à violência, e desse modo transforma as coisas, as pessoas e o mundo.

Essa transformação é possível graças a uma comunhão mais forte que a divisão, a comunhão de Deus mesmo. A palavra "comunhão", que nós usamos também para designar a Eucaristia, resume em si a dimensão vertical e aquela horizontal do dom de Cristo. É bela e muito eloquente a expressão "receber a comunhão", referida no ato de comer o Pão eucarístico. Com efeito, quando cumprimos esse ato, entramos em comunhão com a vida mesma de Jesus, no dinamismo dessa vida que se dá a nós e por nós. De Deus, através de Jesus, até nós: uma única comunhão se transmite na Santa Eucaristia. O escutamos há pouco, na segunda Leitura, pelas palavras do Apóstolo Paulo dirigidas aos cristãos de Corinto: "O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão" (1 Cor 10,16-17).

Santo Agostinho ajuda-nos a compreender a dinâmica da comunhão eucarística quando faz referência a uma espécie de visão que teve, na qual Jesus lhe disse: "Eu sou o alimento dos fortes. Crescei e me terás. Tu não me transformarias em ti, como o alimento do corpo, mas serias tu a seres transformado em mim" (Conf. VII, 10, 18). Enquanto, portanto, o alimento corporal é assimilado pelo nosso organismo e contribui para o seu sustento, no caso da Eucaristia trata-se de um Pão diferente: não somos nós a assimilá-lo, mas esse que nos assimila a si, até que nos tornemos configurados a Jesus Cristo, membros do seu corpo, uma coisa somente com Ele. Essa passagem é decisiva. De fato, exatamente porque é Cristo que, na comunhão eucarística, transforma-nos em Si, a nossa individualidade, nesse encontro, é aberta, liberta do seu egocentrismo e inserida na Pessoa de Jesus, que por sua vez é imersa na comunhão trinitária. Assim, a Eucaristia, enquanto une-nos a Cristo, abre-nos também aos outros, torna-nos membros uns dos outros: não somos mais divididos, mas uma coisa somente n'Ele. A comunhão eucarística me une à pessoa que tenho ao lado, e com a qual talvez não tenha sequer um bom relacionamento, mas também aos irmãos distantes, em todas as partes do mundo. Daqui, da Eucaristia, deriva portanto o sentido profundo da presença social da Igreja, como testemunham os grandes Santos sociais, que foram sempre grandes almas eucarísticas. Quem reconhece Jesus na Hóstia Santa reconhece-o no irmão que sofre, que tem fome e sede, que é forasteiro, nu, doente, encarcerado; e está atento a cada pessoa, compromete-se, de modo concreto, com todos aqueles que estão em necessidade. Do dom de amor de Cristo provém, portanto, a nossa especial responsabilidade de cristãos na construção de uma sociedade solidária, justa, fraterna. Especialmente no nosso tempo, em que a globalização torna-nos sempre mais dependentes uns dos outros, o Cristianismo pode e deve fazer sim que essa unidade não se construa sem Deus, isto é, sem o verdadeiro Amor, o que daria espaço à confusão, ao individualismo, à opressão de todos contra todos. O Evangelho procura sempre a unidade da família humana, uma unidade não imposta do alto, nem por interesses ideológicos ou econômicos, mas sim a partir do senso de responsabilidade de uns com relação aos outros, porque nos reconhecemos membros de um mesmo corpo, do corpo de Cristo, porque aprendemos e aprendemos constantemente do Sacramento do Altar que a partilha, o amor é o caminho da verdadeira justiça.

Retornemos agora ao ato de Jesus na Última Ceia. O que aconteceu naquele momento: Quando Ele disse: Isso é o meu corpo que é dado por vós, isso é o meu sangue derramado por vós e por muitos, o que acontece? Jesus, naquele gesto, antecipa o evento do Calvário. Ele aceita por amor toda a paixão, com o seu sofrimento e a sua violência, até a morte de cruz; aceitando-a desse modo, transforma-a em um ato de doação. Essa é a transformação da qual o mundo tem mais necessidade, porque o redime pelo interior, abre-o às dimensões do Reino dos céus. Mas essa renovação do mundo Deus quis realizá-la sempre através da mesma via seguida por Cristo, aquela via, antes, que é Ele mesmo. Não há nada de mágico no Cristianismo. Não existem atalhos, mas tudo passa através da lógica humilde e paciente do grão de trigo que se quebra para dar vida, a lógica da fé que move as montanhas com a força suave de Deus. Por isso Deus quis continuar a renovar a humanidade, a história e o cosmo através dessa cadeia de transformações, da qual a Eucaristia é o sacramento. Mediante o pão e o vinho, em que está realmente presente o seu Corpo e Sangue, Cristo transforma a nós, assimilando-nos a Ele: envolve-nos na sua obra de redenção, tornando-nos capazes, pela graça do Espírito Santo, de viver segundo a mesma lógica de doação, como grãos de trigo unidos a Ele e n'Ele. Assim se semeiam e vão amadurecendo nos sulcos da história a unidade e a paz, que são o fim e paz a que tendemos, segundo o projeto de Deus.

Sem ilusões, sem utopias ideológicas, nós caminhamos pelas estradas do mundo, levando dentro de nós o Corpo do Senhor, como a Virgem Maria no mistério da Visitação. Com a humildade de saber-nos simples grãos, preservamos a firme certeza de que o amor de Deus, encarnado em Cristo, é mais forte que o mal, a violência e a morte. Sabemos que Deus prepara para todos os homens céus novos e terra nova, em que reinam a paz e a justiça – e na fé entrevemos o mundo novo, que é a nossa verdadeira pátria. Também nesta noite, enquanto se põe o sol sobre essa nossa amada cidade de Roma, colocamo-nos em caminho: conosco está Jesus Eucaristia, o Ressuscitado, que disse: "Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28,20). Obrigado, Senhor Jesus! Obrigado pela tua fidelidade, que sustenta a nossa esperança. Permanece conosco, porque já é noite. "Bom Pastor, verdadeiro Pão, ó Jesus, piedade de nós; nutri-nos, defendei-nos, levai-nos aos bens eternos, na terra dos viventes!". Amém.


Porque se expõe Jesus na Eucaristia?

Esta semana nos convida a viver com mais intensidade o Mistério da Eucaristia, que é fonte e cume de nossa vida, de nossa espiritualidade. Esta pedagogia da liturgia da Igreja nos ensina a abraçar o mistério de nossa fé, depois de vivermos a tempos atrás o Mistério de Jesus na sua paixão, morte e ressurreição, celebramos a semana retrasada a Festa de Pentecostes, o Espírito Santo meu Divino Amigo. Domingo passado A Santíssima Trindade e na próxima quinta-feira 23 de Junho, O Mistério de Cristo presente na Eucaristia.

Nós católicos somos até acusados de idolatria por irmãos que não compreendem a nossa fé. Porque se expõe Jesus na Hóstia Santa? Em primeiro lugar cremos fielmente em suas Palavras quando disse: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”. Em seguida, pegou um cálice, deu graças e passou-o a eles, dizendo: “Bebei dele todos, pois este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados (Mt 26,26-30). A partir daí essa é a vida da Igreja de Jesus até os dias de hoje veja o que diz São Paulo: De fato, eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: Na noite em que ia ser entregue o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo entregue por vós. Fazei isto em minha memória”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em minha memória” (cf. 1Cor 11, 23-25). O relato da instituição da Eucaristia esta também nos evangelhos de Lc 22,15-20; Mc 14,22-24; Jo 13,1-17.

A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor é o Dono de tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto” (Lc 4,8), diz Jesus, citando o Deuteronômio 6,13.

A adoração é a primeira atitude do homem que se reconhece criatura diante de seu Criador. Exalta a grandeza do Senhor que nos fez e a onipotência do Salvador que nos liberta do mal. É prosternação do Espírito diante do “Rei da glória” e o silêncio respeitoso diante do Deus “sempre maior”. A adoração do Deus três vezes santo e sumamente amável nos enche de humildade e dá garantia a nossas súplicas (CIC 2628).

Uma vez que Cristo em pessoa está presente no Sacramento do Altar; devemos honrá-Lo com culto de adoração. “A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo nosso Senhor” (CIC 1418). Eis porque adoramos Jesus na Santíssima Eucaristia. É vital se fazer próximo d’Aquele que por muito tempo ficou escondido, buscai enquanto se deixa encontrar. Qual é a sua fé? Veja o que diz também um grande santo adorador:

O culto da Exposição ousamos afirmar, é a necessidade de nossa época; impõe-se esse testemunho publico e solene da fé dos povos na divindade de Jesus Cristo e na veracidade de sua presença sacramental. É a melhor refutação que se pode fazer aos renegados, aos apostatas, aos ímpios e aos indiferentes, refutação que caíra sobre eles qual montanha de fogo do amor e da bondade.

O culto da Exposição é necessário para salvar a sociedade, que morre por não ter mais um centro de verdade nem de caridade, nem vida de família. Cada membro se isola, se concentra, procura-se bastar a si mesmo; a dissolução é eminente.

A sociedade renascerá, entretanto, cheia de vigor, quando todos os seus membros vierem se reunir em torno de nosso Emanuel (Mt 1,23). As idéias se reformarão, mui naturalmente, à luz da mesma verdadeira e sólida renovar-se-ão sob a influência de um mesmo amor. É mister refluir à fonte da vida, a Jesus na Eucaristia, fazei-O sair de sua reclusão, a fim de que se coloque novamente à frente das sociedades cristãs, para dirigi-las e salvá-las; é mister reconstruir-Lhe um palácio, um trono real, uma corte de servos fiéis, uma família de amigos, uma multidão de adoradores.

O culto da Exposição é necessário para despertar a fé adormecida em tantos homens de caráter que não conhecem mais Jesus Cristo, porque se esqueceram de que Ele mora em vizinhança, de que é seu amigo e seu Deus. Este culto é necessário para estimular a verdadeira piedade, retida desde muito na porta do santuário onde Jesus está sempre disposto a nos abençoar e nos abrir seu Coração.

O grande mal de nossa época é não dirigirem a alma a Jesus Cristo como a seu Deus e salvador. Despreza-se o único fundamento, a lei única, a graça única de salvação. O mal da piedade estéril é que ela não parte de Jesus Cristo e não converge para Ele. A alma se detém no caminho, distrai-se com uma flor… O amor divino não tem sua vida, seu centro, no Sacramento da Eucaristia, e, portanto não está em suas verdadeiras condições de expansão.

Somente em Jesus Cristo presente entre nós pode haver salvação. O mal é tão grande que somente Ele é capaz de nos salvar. É a batalha decisiva. Um santo, um anjo, um taumaturgo, um gênio, um grande orador, tudo isso é ineficaz. É necessário Jesus Cristo em pessoa: eis o Santíssimo Sacramento, seu combate e seu triunfo.

São Pedro Julião Eymard

Adoro-te com devoção, ó Deus que te escondes,
Que sob estas figuras de verdade te ocultas:
A ti meu coração se submete inteiramente
Porque, ao contemplar-te, desfalece por completo.
Visão, tato e paladar em ti falham,
Apenas ouvindo se crê com segurança:
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus:
Nada mais verdadeiro que esta palavra da Verdade.

Graças e louvores se deem a todo o momento ao Santíssimo e Divinissimo Sacramento!

Padre Luizinho
Retirado do Blog da Canção Nova

Simplesmente barro nas mãos do Oleiro

A Sagrada Escritura utiliza-se de inúmeras figuras e expressões para revelar Deus e o Seu modo peculiar de agir na história. Entre estas descrições quero destacar a imagem do oleiro, fortemente acentuada pelo profeta Jeremias (cf. Jer 18,1-6ss).

Nestes versículos apresentados pelo profeta, a manifestação divina é expressa com a figura de um oleiro, que molda como a argila aqueles que Lhe pertencem. Esta descrição é rica em expressão e em significado, pois desvela a ação e o amor do Eterno, possibilitando-nos compreender o "singelo jeito" com que Ele nos acompanha e faz crescer.

Este Oleiro sabe, melhor que nós mesmos, do que realmente precisamos e o que nos fará essencialmente felizes. Sua ternura nos convida ao abandono total aos Seus cuidados, os quais sempre nos proporcionarão o melhor, mesmo quando não formos capazes de compreender Seu distinto modo de agir. Por isso, para caminhar no território da fé, a confiança se estabelece como realidade mais necessária do que a compreensão… Uma confiança "filial" de alguém que se descobre amado e cuidado e que, por isso, crê que o Oleiro está sempre agindo e realizando o que é melhor para seus dias.

De fato, este Oleiro enxerga além. Ele contempla as surpresas que ao futuro pertencem e, na Sua Divina Providência, cuida de nós: ora retirando de nosso caminho o que nos é prejudicial, ora acrescentado algo àquilo que nos falta. Isso nos desautoriza a pretensão de querer condicionar a ação de Deus à nossa limitada maneira de enxergar e compreender as coisas, antes, nos confessa que é preciso confiar naquilo que Ele faz e em Seu modo particular de fazê-lo.

A confiança nos abre à percepção de que Deus sabe retirar excessos e acrescentar às ausências no momento certo. Sabe o que realmente nos fará crescer e amadurecer (e crescer às vezes dói). E maduro é quem sabe perder sem apegos, para que assim possa ser despojado do que não lhe é essencial e acrescentado no que realmente lhe falta.

Não existe arte sem amor, quadro sem pintor, vaso sem oleiro… Obra mais bela é a que se constrói pelas mãos do artista, do Oleiro. Só Ele traz em Seu coração os belos sonhos que poderão retirar um rude barro de sua "não existência".

O barro não pode se moldar a si mesmo. Para vir a ser, ele precisa confiar-se aos sonhos e à sensibilidade do oleiro, pois as mãos dele comportam a medida certa, entre firmeza e delicadeza, para trabalhar esta substância abstrata transformando-a em uma linda obra de arte.

Da mesma forma, não existe parto sem dor, maturidade sem perdas, felicidade sem se ater ao essencial. É necessário confiar n’Aquele que nos molda, e mesmo quando a firmeza de Suas mãos parecer pesar demais sobre nós, confiemo-nos à Sua iniciativa e criatividade, que sempre realizará em nós o que é melhor.

A felicidade faz morada em nosso coração à medida que nos assumimos como aquilo que realmente somos: “Barro, apenas barro, nas mãos do Oleiro!”

Diácono Adriano Zandoná
Retirado do Blog da Canção Nova

Festa de Corpus Christi

Na próxima quinta-feira, 23, a Igreja celebra a festa de Corpus Christi. Solenidade que teve início no século XIII, na pequena cidade italiana de Bolsena.

A celebração do Corpo de Cristo acontece na primeira quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade. No ano de 1263 um padre da Boemia, Alemanha, que tinha dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia, presenciou um milagre.

Durante uma viagem que fazia à Itália, celebrou a Missa no túmulo de Santa Cristina na cidade de Bolsena. No momento da consagração viu escorrer sangue da Hóstia Consagrada banhando o corporal. O sacerdote impressionado, correu até a cidade de Orvieto, onde morava o Papa Urbano IV, que enviou a Bolsena um bispo para ter a certeza do ocorrido e levar até ele o tecido ensangüentado.

Não suportando a espera, o Pontífice foi ao encontro do Bispo para ver o corporal e eles se encontraram na ponte do sol.

Em 11 de agosto de 1264, o Papa Urbano IV proclamou a bula “Transiturus”, que instituía para todo o cristianismo a Festa de Corpus Christi, Algumas semanas antes de pronunciar este importante ato, no dia 19 de julho, o Papa junto com alguns cardeais e uma multidão de fiéis, fizeram uma solene procissão pelas ruas da cidade levando o corporal manchado de Sangue. Esta foi a primeira procissão de Corpus Christi.

A Festa ganhou projeção somente 50 anos mais tarde com o Decreto do Papa Clemente V, mas ainda nesta época as procissões realizadas com o Santíssimo Sacramento como fazemos hoje, não existiam, elas vieram com o tempo, e nasceram da piedade popular. Mais do que a origem histórica, a Igreja alerta para o grande significado teológico desta festa, ressaltado a partir do Concilio Vaticano II.

Retirado do Blog da Canção Nova

Domingo da Santíssima Trindade

O evangelho faz parte do diálogo de Jesus com Nicodemos, cujo tema central é a vida nova que vem pela água e pelo Espírito. O texto de hoje enfatiza que Deus realiza a salvação por amor: Ele amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna. O Filho Jesus é enviado para manifestar o amor do Pai mediante a encarnação, o ministério em obras e em palavras até a morte e a glorificação. Jesus veio mostrar o caminho da salvação, da vida nova conduzida pelo Espírito de Deus. A ação de Deus é para salvar, não para condenar e destruir. A fidelidade de Jesus, que ama até o fim e doa a própria vida, impulsiona a uma opção. Quem conhece Jesus e o acolhe, aderindo a ele pela fé, faz a experiência da salvação e compromete-se com seu projeto de amor.

A atitude de Deus frente ao mundo é uma atitude de amor, a ponto de entregar o filho. Não se trata de um amor genérico à criação, mas amor concreto ao mundo dos humanos. Há uma cumplicidade no amor, entre o Pai e o Filho para que o mundo seja salvo. Entregar é palavra-chave, diz respeito a toda a trajetória do filho e seu destino.

É importante que evangelizemos nossas imagens de Deus. Isto significa, em primeiro lugar, deixar de lado todos os falsos ídolos e imagens que criamos de Deus como juiz e patrão que condena, exclui, castiga, pede sacrifícios. Mas, sobretudo, implica que entremos na relação de comunhão e amizade com ele, para participarmos deste dinamismo de ternura e carinho. Proclamar a fé na Trindade não é, para nossas comunidades, uma expressão conceitual de Deus, mas a definição de uma opção de vida que nos marca definitivamente. Por isso, a insistência de Jesus em dizer “quem crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado”.

A 1ª leitura reflete um contexto de renovação da aliança. A misericórdia e a compaixão infinita de Deus levam a perdoar as infidelidades do povo, restaurando assim a aliança violada. Paulo, na 2ª leitura, exorta a buscar a perfeição, o crescimento em Cristo, a ser manifestado na alegria, no mútuo encorajamento, na concórdia e na paz. Ele conclui a carta com uma bênção litúrgica solene em nome da Trindade: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.

Retirado da Revista de Liturgia

A felicidade está te esperando em casa

“Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos, que pude passar em minha casa, no seio de minha família” (Tomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos da América).

A maior alegria é colhida na família, a cada dia. A realidade que mais nos aproxima da idéia do paraíso é o nosso lar. Um homem não pode deixar ao mundo uma herança melhor do que uma família bem criada.

Alguém disse que o mundo oferece aos homens e aos pássaros mil lugares para pousar, mas apenas um ninho. Um homem que não for feliz no lar, dificilmente o será em outro lugar.

Até quando nos deixaremos enganar querendo ir buscar a felicidade tão longe, se ela está bem junto de nós? A família é o complemento de nós mesmos. Ela é a base da sociedade. Nela somos indivíduos reconhecidos e amados e não apenas um número, um RG, um CPF.

É no seio da família que cada pessoa faz a experiência própria do que seja amar e ser amado; sem o que jamais será feliz. Quando a família se destrói, a sociedade toda corre sério risco; é por isso que temos hoje tantos jovens delinquentes envolvidos nas drogas, na bebida e na violência. Muitos estão no mundo do crime porque não tiveram um lar.

Sem dúvida, a maior tragédia do mundo moderno é a destruição da família. As separações arrasam os casamentos e, consequentemente as famílias. Os filhos pagam o preço da separação dos pais; e eles mesmos sofrem com isso. Quando as famílias eram bem constituídas não eram tantos os jovens envolvidos com drogas, com a violência e com a depressão.

Mais do que nunca o mundo precisa de homens e mulheres dispostos a constituir famílias sólidas, edificadas pelo matrimônio, nas quais os esposos vivam a fidelidade conjugal e se dediquem de corpo e alma ao bem dos filhos. E é isso que dá felicidade ao homem e à mulher.

Infelizmente, uma mentalidade consumista, egoísta e comodista toma conta do mundo e das pessoas cada vez mais, impedindo-as de terem filhos e famílias sólidas.

A felicidade do lar está também no relacionamento saudável, fiel e amoroso dos esposos. Sem fidelidade conjugal a família não se sustenta. Essa fidelidade tem um alto preço de renúncia às tentações do mundo, mas produz a verdadeira felicidade. Marido e mulher precisam se amar de verdade e viver um para o outro, totalmente, sem se darem ao direito da menor aventura fora do lar. Isso seria traição ao outro, aos filhos e a Deus.

A felicidade tem um preço; e na família temos de pagar o preço da renúncia ao que é proibido. Não se permita a menor intimidade com outra pessoa que não seja o seu esposo ou sua esposa. Não brinque com fogo!

A grande ameaça à família hoje é a infidelidade conjugal; muitos maridos, e também esposas, traem os seus cônjuges e trazem para dentro do lar a infelicidade própria e a dos filhos. Saiba que isso não compensa jamais; não destrua em pouco tempo aquilo que foi construído em anos de luta. Se você destruir a sua família estará destruindo a sua felicidade.

Marido e mulher precisam viver um para o outro e ambos para os filhos. A felicidade do casal pode ser muito grande, mas isso depende de que ambos vivam a promessa do amor conjugal. Amar é construir o outro; é ajudá-lo a crescer; é ajudá-lo a vencer os seus problemas. Amar é construir alguém querido com o preço da própria renúncia. Quem não está disposto a esse sacrifício nunca saberá o que é a felicidade de um lar.

Retirado do Blog da Canção Nova

As 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus

O Sagrado Coração de Jesus é uma devoção praticada pela Igreja Católica que consiste na veneração do Coração de Jesus na primeira sexta-feira de cada mês, durante nove meses. A origem desta devoção deve-se a Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa de uma congregação conhecida como Ordem da Visitação. A Santa Margarida Maria teve extraordinárias revelações por parte de Jesus Cristo, que a incumbiu pessoalmente de divulgar e propagar no mundo esta piedosa devoção.

Jesus deixou doze grandes promessas às pessoas que, aproveitando-se da Sua divina misericórdia, participassem das comunhões reparadoras das primeiras sextas-feiras. Não se sabe quem compôs a lista com as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus, tiradas das revelações de Nosso Senhor à santa. Sabe-se só que é fidedigna – as promessas estão de fato contidas nas revelações – e que o trabalho anônimo foi de grande mérito e utilidade.

M. Kemper, um modesto comerciante de Dayton, cidadezinha norte-americana, iniciou, em 1882, um trabalho de ampla divulgação delas. A partir deste primeiro impulso, tiveram propagação mundial. Normalmente conhecidas como as 12 Promessas do Coração de Jesus, a mais importante é a 12ª, chamada a Grande Promessa.

São elas:

1ª – "Darei aos devotos do meu coração as graças necessárias ao seu estado";

2ª – "Farei reinar a paz nas famílias";

3ª – "Eu os consolarei em todas as tuas penas";

4ª – "Serei o refúgio seguro durante a vida, sobretudo na hora da morte";

5ª – "Derramarei copiosas bênçãos”;

6ª – "Os pecadores acharão em meu coração a fonte e o oceano infinito da misericórdia";

7ª – "As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas";

8ª – "E as almas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição";

9ª – "Abençoarei as casas em que se acharem expostas e forem veneradas a imagem do meu coração";

10ª – "Darei aos sacerdotes o dom de tocar os corações mais endurecidos";

11ª – "As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes escritos indelevelmente em seu coração";

12ª – "O amor todo poderoso do meu coração concederá a graça da perseverança final a todos que comungarem na primeira sexta-feira do mês por nove meses seguidos";

Convido você hoje a levar o Sagrado Coração de Jesus para sua casa e consagrar-se a Ele, e verá as bênçãos que serão derramadas sobre sua família.

Existe sentido na depressão?

"O que faz a vida parecer tão frequentemente sem sentido a uma pessoa?" Esta é uma pergunta que você já pode ter se feito durante algum tempo, ou que esteja se fazendo agora... O que para os pássaros é a muda - época em que trocam de plumagem, os tempos difíceis -, a depressão é para os seres humanos. Talvez tenhamos um conceito muito negativo desta que se tornou a doença do século XX. Por isso, gostaria de propor-lhes uma visão diferenciada, um outro modo de encarar o que para nós possa ser sinônimo apenas de fracasso. Acredito que muitos frutos podem ser colhidos nesse tempo; lembro-me agora de algumas frutas próprias do inverno e de como alegram os dias chuvosos e sombrios. Passada essa época, permanece a lembrança, não das chuvas e do frio, mas dos frutos da estação.

Porém, antes de falarmos mais sobre este assunto, é imprescindível estabelecer a diferença entre a depressão de caráter endógeno e a depressão decorrente de lutas e angústias, que também podemos chamar de psico-espiritual. Esta definição é necessária, pois o nosso objetivo é tratar apenas desta.

As depressões endógenas, podem ser desencadeadas por um fator psicológico, mas são condicionadas bioquimicamente e até hereditariamente alicerçadas. Nesse caso, é preciso uma farmacoterapia adequada e acompanhamento médico. Pode acontecer, inclusive, que esse tipo de depressão não esteja vinculado a nenhuma crise pessoal ou estressor social. Por exemplo, uma pessoa depressiva que traz em sua história familiar a depressão em gerações anteriores, ou que apresenta um déficit de serotonina, quando está livre da crise, consegue dedicar-se ao seu sentido de vida. Mas existem também os casos em que os dois tipos de depressão vêm juntos.

Vejamos agora o que é a depressão psico-espiritual, que tem acometido tantas pessoas, independentemente de faixa etária, nível sócio-econômico, profissional e religioso. Segundo Victor Frank, psicoterapeuta existencialista, essa depressão é causada por um vazio existencial, decorrente de uma falta de sentido de vida, podendo ser encontrado por trás de uma vida profissional excessiva, no refúgio de uma atividade desportiva, na fuga para o mundo dos romances ou televisão, nos fenômenos psicológicos de massa, no decaimento psicofísico dos aposentados, na necessidade de nunca se deixar descansar ou na febre de novas ações e novas experiências. Esse vazio não chega a ser uma enfermidade, salvo quando acompanhado por sintomas na dimensão psicofísica, mas provoca um quadro depressivo: apatia - desânimo generalizado, desinteresse por tudo ao redor, podendo causar inclusive o suicídio, adição - desespero frente ao tempo, corre-se atrás de um relógio, sem nunca parar, com receio de enfrentar seu próprio vazio, e agressividade - pode ser explícita, como a que vemos tomar as manchetes de jornais de todo o mundo, e implícita, presente nos relacionamentos, nas discussões no trânsito etc.

Pronto! Agora que você já sabe do que se trata a depressão, podemos voltar a falar de um assunto mais interessante: do inverno e dos frutos, dos pássaros e suas plumagens... Você já havia pensado na depressão como algo assim? Olhando-a desta maneira, não nos parece tão terrível, não é mesmo?!

Muitos de nós consideramos a depressão um tempo sombrio, uma página vergonhosa de nossa história, uma doença que aleija a alma. Difícil considerá-la um tempo de crescimento, de maturidade, de transformação... Será por causa da pergunta que se faz? Aquela acerca do sentido da vida? Afinal, reconhecer-se confuso, admitir que o mundo não lhe satisfaz, que a felicidade é simples, que o trabalho não lhe preenche, não é lá muito fácil! É preferível não mexer nisso, vestir o luto e ver no que vai dar.

Sim ou não?! Não! Vejamos o porquê: a depressão enquanto condição humana, se bem orientada, deve conduzir o ser humano à tomada de consciência da sua própria vida e do seu sentido último (nada de fugir de si mesmo!). Quando isso acontece, estamos falando de maturidade espiritual, uma vez que é reconhecida a necessidade de orientar-se para Alguém que o transcende - para quem fomos criado, para uma missão a realizar e/ou uma pessoa a conhecer e amar. Isso é próprio do ser humano, é uma lei inscrita em seu coração, não dá para negar esta verdade! Temos desejo de Deus!!!

Consideremos, então, a depressão uma prova que o Senhor nos envia. Não são todos os que o Senhor decide provar desta maneira, mas, permito-me dizer, que os escolhidos por Ele são dotados de muita coragem, pois a crise consiste em admitir que se está vazio e que é preciso encher-se; que se tem sede e precisa-se de água, e para isso é preciso romper com muitas coisas, como fez a samaritana. "Deus tem sede que tenhamos sede dele", já dizia Santo Agostinho. Se conseguirmos entender a depressão desta forma, aceitaremos este meio que o Senhor escolheu para nos amar, e todo o vazio será ocupado por sua Presença que se encarregará de dar sentido à nossa vida. Mas, se buscamos um motivo fora de nós para tamanha tristeza e melancolia, muito pouco Deus poderá fazer por nós, uma vez que nos recusamos aceitar que temos sede Dele.

Termino com uma citação de Santa Teresinha, intercedendo a Deus por você que passa hoje por esta dor. Não esqueça: Ele não nos prova acima de nossas forças!

"É preciso que Deus nos ame com um amor todo particular para provar-nos desta maneira. Não percamos a provação que o Senhor nos envia, ela é uma mina de ouro a ser explorada, será que vamos perder a ocasião?"

Shalom!

Retirado do Site da Comunidade Shalom

Quem quiser ser o maior... sirva!

O capítulo 10 do evangelho de Marcos é uma síntese dos temas mais variados que nos ajudam a compreender como a mensagem de Jesus não se refere somente a um assunto, mas sim abrange toda a vida humana. Devemos também compreender que o evangelista não está preocupado em referir o antes ou depois do que Jesus possa ter dito; a sua preocupação catequética depende dos seus destinatários. É maravilhoso notar como nos evangelhos não existe uma cronologia dos fatos, mas uma necessidade de “relembrar” o que Jesus disse para que toda a realidade seja iluminada a partir de dentro, como fermento de vida nova.

Três são as mensagens deste trecho do evangelho que devemos meditar e compreender bem para sermos autênticos discípulos de Jesus. O evangelista nos apresenta os irmãos “boanerges”, filhos do trovão. O mesmo apelido nos diz que não eram lá muito mansos. E eles, com uma certa ousadia, pedem para Jesus: “mestre, queremos que o Senhor faça o que nós lhe pedimos!” Jesus aceita este desafio e pede que digam o que eles desejam. No entanto se vê claramente que o desejo deles não é espiritual, mas sim de poder, de mando. Querem ocupar os primeiros lugares entre os outros discípulos.

1. Jesus nos convida a esvaziar-nos de todo poder. Toda sede de domínio é anti-evangélica. O mistério do amor de Deus não admite sermos “mais que os outros”, a não ser no amor, no serviço. Não há como viver o evangelho pensando em si mesmo e procurando o próprio comodismo e bem estar. Mas a pedagogia que Jesus usa para que eles possam compreender isto é muito significativa. Jesus não impõe somente, apresenta, convida e deixa para cada pessoa a liberdade de “agir, de ser”, de construir o próprio futuro.

2. Jesus recorda aos dois discípulos que eles não “sabem” o que estão pedindo e que não entenderam nada da convivência com ele durante o tempo de discipulado. Ele lhes apresenta uma outra proposta: é necessário beber o cálice. De qual cálice está falando? O cálice que Tiago e João entendem não é o que Jesus oferece. Eles compreendem o cálice de vinho, de plenitude de abundância. Mas Jesus oferece o cálice do sofrimento, e já prevendo a morte deles, os educa para estarem preparados para aceitar tudo com amor. Não cabe, porém a Jesus determinar que eles se sentem à direita e esquerda. Este é o segredo do Pai, somente sentarão ali aqueles para quais foi reservado este lugar. Uma linguagem que ainda para os discípulos não é de fácil compreensão porque não estão vivendo a plenitude do amor e da doação ao Cristo e ao seu mistério. É compreensível a reação dos demais apóstolos que se sentem defraudados pela “invasão” dos filhos de Zebedeu. Uma reação infantil, imatura como são as nossas reações quando nos sentimos passados para trás ou alguém nos puxa “o tapete”.

3. A terceira mensagem fundamental e importante é o ensinamento que Jesus dá a todos nós, presentes nos discípulos diante deste conflito criado entre os discípulos por causa da sede de poder e de querer ser maiores que os outros. Um ensinamento que tem toda a sacramentalidade do amor e da diaconia. O Cristo se apresenta como o verdadeiro servo de todos. A grandeza de quem ama não é ser servido, mas sim “servir” com todo o próprio ser. Esta é a grande novidade do anúncio do reino: ser servos de todos. Teresa de Ávila, com muito acerto, fala que nós somos “servos do amor”. Aquele amor que habita em nós e nos impulsiona ao total esquecimento de nós mesmos para sermos só de Deus e dos outros.

No cristianismo não há projeção nem prêmio terrenos e nem tampouco título pelo bem que fazemos. Somente Deus nos recompensará. O amor é a grande força que vai transformando a sociedade numa civilização do amor. Ao nosso redor vemos por todos os lados, mesmo dentro da Igreja, a corrida para o poder, para “mordomias”, mas pouco para o serviço generoso e desinteressado. Não há nada de mais belo que servir, de mais gratificante que servir, fazendo do amor o mais belo serviço.

Retirado do Site da Comunidade Shalom