Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Os textos da Liturgia da Palavra desta Solenidade não têm como objetivo narrar feitos gloriosos das Testemunhas de Cristo, mas como o Senhor faz triunfar aqueles que o querem sempre aio seu lado e que não se perdem em especulações, mas sabem com a clareza do “Pai que está nos céu”.

A 1ª Leitura nos falou da Igreja nascente que vê seus “membros” padecendo a tortura e a espada e nos apresenta, passando pela cruz, os três discípulos que experimentaram antecipadamente sobre o Tabor o brilho da glória que sucede à morte injusta dos justos: Pedro, Tiago e João. Pedro está preso nos dias dos “Pães Ázimos”, dias da páscoa judaica e dias em que a Igreja nascente provavelmente também celebrava a memória da Páscoa de Cristo.

O texto é eminentemente pascal: Pedro está aferrolhado e vigiado por guardas, como Jesus estava no sepulcro, dormia e foi acordado por um anjo. Os termos “dormir” e “acordar” no Novo Testamento são usados para indicar a morte e a ressurreição. O texto se conclui com uma frase que se liga perfeitamente ao Salmo Responsorial (Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar), também esse pleno de “tonalidades” e “cores pascais”: “de todos os temores me livrou o Senhor Deus”.

Ouvimos na 2ª Leitura “o testamento de Paulo”, prestes a “ser derramado em sacrifício”, às portas do “momento da sua partida”. Paulo não se vitimiza, sabe que a única vitima é Jesus Cristo. Sabe também que para receber a coroa de justiça, das mãos do justo juiz, para ele reservada, é preciso passar pelo processo da Kenosis, pelo qual passou Jesus. Assim como toda a vida de Jesus foi um percurso “kenótico”, toda a vida de Paulo foi uma experiência de combate do bom combate, de guardar a fé e de completar a corrida do anúncio do Evangelho.

Também Paulo “reproduz” o “Salmista”: “Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu”, porque “o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças”. E mais, “O Senhor me libertou de toda angústia”, “fui libertado da boca do leão”. A Glória para Paulo reside no fato de ter conquistado tantos fieis para Cristo, ele que também foi alcançado por Cristo. Por isso perto de “completar sua corrida” afirmou: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne vivo-a na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20).

Esta fé no Filho de Deus pela qual Paulo vive, é a mesma professada por Pedro no Evangelho de hoje que se abre com uma pergunta, da parte de Jesus, “capciosa” e cheia de trocadilhos: “Quem dizem os homens (com “h” minúsculo) que é o Filho do Homem (com “H” maiúsculo)? Para Santo Ambrósio “a opinião da multidão também não é sem importância” porque ela é baseada não na revelação, mas na expectativa gerada pelo “extraordinário”, o que resulta uma imagem limitada e limitante de Jesus e de sua missão: ele é “algum dos profetas”.

O segundo ponto de interrogação é mais direto e intimo: “vós, quem dizeis que eu sou?”. A resposta de Pedro não se baseia no “extraordinário humano”, mas naquilo que vem do alto: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Também Jesus revela a Pedro coisas que vem do alto: a “construção” de um novo povo (Igreja) que tem como fundamento a Pedra da profissão de fé de Pedro. Então, porque Pedro se tornou uma “porta da fé” Jesus lhe confia as “chaves do Reino dos céus”.


Diocese de Limeira

27 de Junho – Dia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, senhora da morte e rainha da vida

A devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro começou a ser propagada a partir de 1870 e espalhou-se por todo o mundo. Trata-se de uma pintura do século XIII, de estilo bizantino. Segundo a tradição, foi trazida de Creta, Grécia, por um negociante. E, desde 1499, foi honrada na Igreja de São Mateus in Merulana.

Em 1812, o velho Santuário foi demolido. O quadro foi colocado, então, num oratório dos padres agostinianos. Em 1866, os redentoristas obtiveram de Pio IX o quadro da imagem milagrosa. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi colocada na Igreja de Santo Afonso, em Roma. De semblante grave e melancólico, Nossa Senhora traz no braço esquerdo o Menino Jesus, ao qual o Arcanjo Gabriel apresenta quatro cravos e uma cruz. Ela é a senhora da morte e a rainha da vida, o Auxílio dos cristãos, o socorro seguro e certo dos que a invocam com amor filial.


Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, rogai por nós!

Conhecemos uma árvore de Deus por seus frutos

Só se conhece uma árvore, quando ela vive aquilo que prega e não faz da Palavra de Deus um meio para se enriquecer e para se tornar mais do que os outros.

“Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes” (Mateus 7, 15).

Nós, na maturidade da fé, não podemos nos deixar encantar por palavras bonitas, palavras que parecem prodigiosas, mas, no fundo, são enganosas. Falar de Deus não é difícil não! Hoje existem cursos, artes de oratória e treinamentos para que se fale tudo que se possa de Deus, muitas vezes, de modo até melhor do que nós cristãos. Conheci gente que nem acreditava em Deus, mas sabia tudo da Bíblia – leu, estudou, analisou, criticou e fez dela o que quis.

Conhecemos uma árvore, quando ela é de Deus, pelos frutos que ela dá e, às vezes, achamos que os frutos vão fazer muitos milagres, curar ali e aqui, coisas que satisfaçam aquilo que nós queremos. Os frutos que Jesus nos fala são os frutos do Espírito.

Só se conhece uma árvore quando ela é boa, quando ela é generosa, quando ela é afável e mansa, quando ela, na verdade, vive aquilo que prega e não faz do Evangelho, não faz da Palavra de Deus, um meio para se enriquecer e para se tornar mais do que os outros.

Não nos convém julgarmos nenhuma religião, não nos convém julgarmos nenhum homem, nenhuma mulher, porque o julgamento cabe somente a Deus; mas cabe a nós termos o discernimento e a sabedoria para não sermos iludidos e enganados no mundo em que nós vivemos.

A Igreja, desde os seus primórdios, tem sofrido devido a vários daqueles que se dizem pregadores, seguidores do Senhor e, na verdade, não vivem ou não pregam o Senhor como os apóstolos o faziam. Os tempos se passaram e se multiplicam os  falsos profetas e se multiplicam as falsas igrejas. É verdade que vivemos no mundo da liberdade religiosa; e como nos faz bem a liberdade de culto, a liberdade de pregar, a liberdade de anunciar [nossa fé]. A liberdade só não pode ser um pretexto para o erro, para a ilusão e para o engano.

Existem tantas coisas boas, existem tantas pregações maravilhosas, existe muita vivência de Deus em outras igrejas que não são católicas; existe muita bondade, existe muita vivência do mandamento de Jesus até em igrejas que não são cristãs, mas não cabe a nós dizermos que tudo é bom e que basta falar de Deus. Este talvez seja o maior dos enganos e um tremendo mal para os nossos dias.

É preciso discernir o que, de fato, é de Deus, é preciso olhar as obras e os frutos que estão sendo gerados. Não são imagens bonitas na televisão, não é o choro, não são as lágrimas que esperamos da pregação do Evangelho; o que se espera é que essa pregação favoreça a união, o bem e, sobretudo, o amor entre os irmãos.

Onde se vive o amor, Deus ali está presente! Onde se prega o dinheiro, curas e tantas outras coisas acima do amor de Deus devemos questionar e nos rever e olhar para dentro de nós e perceber se estamos sendo verdadeiros profetas de Deus e se estamos verdadeiramente vivendo Seus mandamentos ou não.

Que Deus hoje nos dê a graça de olharmos para dentro de nós para não nos enganarmos e não enganarmos a ninguém na vivência da Palavra do Senhor!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Espírito Santo, amor de Deus derramado em nossos corações

“E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5, 5).

Esta passagem bíblica nos ensina que a esperança não nos decepciona. Ela só não vai nos decepcionar se o seu fundamento for o amor de Deus, se ela estiver alicerçada em Deus. Porém, nós humanos queremos "pirateá-la" e, assim, criamos uma pseudoesperança, que não é derramada em nossos corações pelo Espírito Santo, mas por aquilo que nós mesmos buscamos. Desse modo, encontramos pessoas que confundem esperança com suas próprias expectativas, por isso surgem questionamentos como: “Como a esperança não decepciona se eu estou cheio de mágoas e tristezas?”

Essa esperança que o deixou decepcionado é uma esperança falsa, que não está baseada no amor de Deus nem no Espírito Santo. Existem dois tipos de esperança: uma que vem de Deus e outra que é criada e manipulada pelo homem.

Muitas vezes em que nossas expectativas não são atendidas é gerada em nós a decepção com Deus, com os outros e com nós mesmos. Com Deus, porque criamos uma esperança falsa de que o Senhor faria tudo o que quiséssemos, que Ele iria nos obedecer. Com os outros ao criarmos em nosso coração a expectativa de que fulano iria nos falar algo, fazer isso ou aquilo e isso não aconteceu.

Com isso eu lhe pergunto: Você já se decepcionou com alguém? Você já foi causa de decepção para os outros? A esperança baseada em nossa vontade sempre nos decepciona! Quantas feridas nós trazemos porque esperávamos determinadas atitudes dos outros e eles nos decepcionaram porque não se encaixaram no que queríamos deles. E por último, há a decepção com nós mesmos, quando planejávamos fazer algo, mas acabamos fazendo outra coisa; e não entendemos como é que fizemos aquilo. Criamos uma mentira a nosso respeito, nos vemos maiores do que realmente o somos; e quando descobrimos a nossa verdade vem a decepção. As medidas da esperança são as medidas do Espírito de Deus. Contudo, todos esses exemplos que eu dei são formados pelas medidas humanas, por isso nos ferem.

Muitas das nossas decepções são geradas pelas expectativas que criamos. Todas as vezes em que Deus não nos obedece, que os outros não nos obedecem e que não atendemos as nossas expectativas nós nos decepcionamos, ficamos chatos e intransigentes.

“Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito” (Rm 8, 5).

Quem vive dessa esperança carnal, quem se enche dela, vive cheio de decepções com a Igreja, com o Papa, com o padre, com o marido, com os filhos e até consigo mesmo, porque ninguém consegue atender à expectativa que é baseada em um amor-próprio. Quem são as pessoas que matamos em nossos corações? As pessoas que nos decepcionaram, as pessoas que não tiveram a competência de fazer como e o que queríamos e, com isso, nosso coração vai se transformando em um cemitério em que colecionamos sofrimentos. A nossa esperança, criada por nós, se rebela contra a vontade de Deus.

Essas aspirações da carne são uma rebeldia contra Deus. Quem vive dessas esperanças pessoais e carnais não se submete aos acontecimentos da vida e quer o mundo ao seus pés.

A Palavra continua: “Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele” (Rm 8, 9).

O Espírito de Deus, que mora em nós, vai nos dando a face de homens e mulheres ressuscitados e fazendo-nos enxergar que a esperança, na qual construímos a nossa vida, tem nos decepcionado por ser nossa criação; não de Deus. E nos ensina que o mundo não é obrigado a seguir o que nós queremos, quando e como queremos.

A esperança é fruto dessa presença de Deus, que habita em nós, e o que torna o nosso coração consagrado a Ele é a presença do Seu Espírito. Se o nosso coração é habitado por uma esperança carnal ele ficará deformado e diferente do Coração de Jesus. A esperança não nos decepciona quando deixamos Deus conduzir a nossa vida.

Quero denunciar uma dupla que nos prejudica: a falsa esperança e o hábito de pôr a culpa nos outros. Quando nós criamos uma falsa esperança esta se torna companheira do hábito de colocarmos a culpa nos outros. E, assim, nos decepcionamos, nos tornamos chatos, velhos, insuportáveis e intransigentes. E como mudar isso? Deixando que a esperança verdadeira conduza a nossa vida e nos abrindo à experiência de nos deixar conduzir por Deus.

Muitas pessoas hoje estão sozinhas porque todos aqueles que não se encaixaram em seu projeto de vida e não fizeram o que elas queriam foram eliminados por elas. Muitas das nossas decepções não aconteceram porque os outros nos machucaram, a maior parte delas vem da esperança boba que criamos de que o mundo vai nos obedecer. Aquele amor da esposa que, a todo momento, quer transformar seu marido no que ela quer; o exigir que o outro seja como queremos para amá-lo, o querer que o seu filho siga a profissão que você quer. Tudo isso se chama egoísmo. O mesmo vale para a religião: se minha Igreja não me dá o que eu quero, como e quando eu quero eu troco de Igreja, porque eu criei um roteiro e a vida não seguiu esse roteiro.

Mas a verdadeira esperança não nos decepciona! Devemos fixar a nossa esperança somente em Deus, porque se esta está em nós mesmos só trará decepção. A verdadeira esperança vem de um coração habitado por Deus.

Padre Fabrício

Sacerdote missionário da Comunidade Canção Nova

12º Domingo do Tempo Comum

Um mundo dominado pelo medo faz com que construamos relações baseadas na desconfiança. O outro constitui sempre uma ameaça para mim. Os muros das nossas casas são cada vez mais altos; câmeras de segurança são espalhadas nas ruas, nos lugares públicos e privados. Nos tornamos a cada dia prisioneiros dentro dos nossos próprios lares.

O medo é a mais clara manifestação do nosso instinto fundamental de conservação. O medo é o instinto natural de defesa contra absolutamente tudo que nos arranca o que temos de mais precioso: a vida. Ele é a pronta resposta a um perigo que se manifesta clara ou veladamente. O medo se manifesta diante do perigo mais temido por todo ser vivente: a morte; se manifesta diante dos perigos aparentemente pequenos que ameaçam a nossa tranqüilidade, a nossa saúde física, o nosso mundo afetivo, a nossa vida financeira, familiar, profissional, etc.

Para o medo humano não tem escola. Ele chega improvisamente diante do perigo, “as coisas se encarregam por si mesmas de incutir-nos medo; o temor de Deus, ao contrário, se deve aprender. ‘Vinde filhos, escutai-me’ diz um salmo ‘vos ensinarei o temor do Senhor’ (Sl 33,12)” (R. Cantalamessa. Dal Vangelo della vita. PIEMME, Milano, 2012, p. 89-90).

O Sentido do temor de Deus é completamente diferente daquele do medo. “Temer a Deus é o princípio do saber” (Sl 111,10), isto é, tem sua fonte exatamente no saber quem é o Senhor. Se o medo nasce da obscuridade do desconhecido, o temor de Deus nasce do conhecimento de Deus. O temor do Senhor é um maravilhar-se diante dele, como diante de alguém que é imensamente maior. Como o povo que ficou todo “tomado de temor e glorificava a Deus” diante do jovem filho da viúva de Naim que estava morto e voltou a viver (Lc 7,16).

Temer a Deus é outro nome para o estupor, para o maravilhar-se diante dele e louvá-lo. Esse tipo de temor é irmão gêmeo do amor. A Oração do dia da missa de hoje é muito significativa porque coloca esses “sentimentos” como inseparáveis para aqueles que são firmados no amor de Deus e por Ele conduzidos: “Dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer”. Ele, o temor, é o receio de desagradar ao amado que se percebe em toda verdadeira relação amorosa.

O temor implica uma segurança inabalável no outro e constitui uma graça. O temor é também uma forma de profissão de fé, como nos atesta a Antífona de Entrada: “O Senhor é a força do seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido” (O hinário litúrgico da CNBB propõe a seguinte tradução: “De seu povo ele é a força, salvação do seu ungido, salva, Senhor, teu povo, socorre os teus queridos”. CNBB, Hinário litúrgico, 3º fascículo, domingos do tempo comum anos a,b e c. Edições Paulinas, São Paulo, 1991, p. 122).

Na 1ª Leitura, para o profeta Jeremias a relação com o Senhor é uma relação de inteira confiança. O Senhor é aquele ao qual, nos momentos de tribulação e angústia, o crente pode declarar sem medo a sua causa, porque quando ele permite que o cristão seja provado é com o objetivo de “ver os sentimentos do (seu) coração” e ao mesmo tempo ele se coloca ao lado do perseguido e humilhado “como forte guerreiro”. Maravilhado, então, o profeta convida: “Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, pois ele salvou a vida de um pobre homem”.

Ele mesmo, o Senhor, tem se apresentado como pastor do seu povo, que é capaz de dar a vida por suas ovelhas (2ª ant. da comunhão), por isso todos os olhos se voltam esperançosos para ele que no tempo certo sacia abundantemente a todos (1ª ant. da comunhão).

Como sempre o Evangelho nos ajuda a olharmos para os nossos dias com olhar transfigurado e lança luzes sobre o nosso cotidiano. O nosso tempo é um tempo de angústia e a ansiedade e o medo tem se tornado as doenças por excelência e principais causas de infartos e suicídios. Como se pode explicar essa situação se na atual conjuntara temos tantos recursos, em relação ao passado, que nos garantem segurança econômica, planos de saúde, meios para enfrentar doenças e formas para retardar o envelhecimento e a morte? Ou será que na nossa sociedade diminuiu o temor de Deus e quanto mais se diminuiu o temor de Deus se cresce o medo dos homens? Os adolescentes e jovens que perderam o temor dos pais, que por sua vez perderam o temor de Deus, são mais livres e seguros de si?


Diocese de Limeira

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Na celebração eucarística, realiza-se a promessa de Jesus: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão, viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha vida” (Jo 6,51).

Depois de realizar a multiplicação dos pães, Jesus, sensível à multidão entusiasmada pelo miraculoso alimento, revela que o “sinal do pão” é ele mesmo: “pão vivo que desceu do céu”, novo dom de Deus à humanidade. Comendo do pão e bebendo do cálice da Eucaristia, recebemos Jesus como alimento e bebida: sua vida doada para a vida do mundo, até a efusão de seu sangue, torna-se nossa vida, para a eternidade. “assim Jesus manifesta-se como o pão da vida que o Pai eterno dá aos homens” (Sacramentum Caritatis, n.7).

A multidão revelou-se sensível aos problemas da fome que afligem o corpo. O Evangelista reage e convida à busca do pão que alimenta o corpo e fortalece o espírito. A palavra de Jesus e seus gestos são o “pão” do qual a multidão tem maior necessidade. Um alimento que não só imortaliza, mas que projeta a existência ao futuro, destrói a morte em perspectiva da ressurreição. Jesus como pão, diferente do maná do deserto, assegura o êxito da liberação e a vida para o mundo futuro.

“E o pão que eu vou dar é a minha carne, para que o mundo tenha vida”. Jesus aqui está se referindo ao mistério de sua encarnação. A realidade do Espírito de Deus manifesta-se e comunica-se na realidade humana. Através desta, o dom de Deus torna-se concreto, história e adquire realidade para as pessoas humanas. Nesta mesma realidade, o Filho de Deus, fazendo-se “carne”, transforma-se em dom de vida e de amor do Pai para o mundo. O dom da vida é oferecido a todos e se comunica através da realidade humana Jesus.

“Como pode esse homem dar-nos a sua própria carne?”. Os judeus não entendem a metáfora do pão e sentem-se desorientados e inseguros. Não entendendo o que significava “comer a sua carne”, buscam explicações e não as encontram. Jesus apenas quis lhes dizer que o “pão” é a sua própria realidade humana.

Jesus prossegue afirmando: “Se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida, em vocês”. É uma referência ao sacrifício da cruz. Ele dará sua carne, sendo imolado. Nesta hora manifestará a vida, o Espírito, o amor e a glória. Não terão vida, isto é, não haverá realização, senão pela assimilação daquilo que Jesus é. “Assimilar”, neste contexto, tem o sentido de aceitação e de adesão.

O que dá vida aos humanos é o “comer sua carne e beber seu sangue!”, isto é, assimilar sua realidade humana. Na perspectiva eucarística, Jesus é novo maná, alimento que fortalece e vivifica. A Eucaristia é o memorial de sua vida e morte, é dom que comunica seu amor e sua vida. Da parte dos seguidores de Jesus, a Eucaristia é aceitação que gera nova conduta. O dom recebido impulsiona à doação. É o amor que responde com gestos de amor solidário.

O “comer da carne e o beber do sangue” produz íntima comunhão com Jesus e faz o discípulo viver em estreita identificação com ele. A aceitação de Jesus é sempre adesão de amor, que estabelece comunhão de vida que procede do Pai. Comungando o corpo e o sangue de Jesus Cristo, nos tornamos participantes de sua vida divina de modo sempre mais adulto e consciente. Cristo alimenta-nos, unindo-nos a ele (Cf. Sacramentum Caritatis, n.70).

Na 1ª Leitura, a Eucaristia é memorial da presença de Deus na história de seu povo. “Deus o alimentou com o maná, que nem você e nem seus antepassados conheciam”. Na história caminhada do deserto, o maná se transformou no sinal da presença amorosa e fiel de Deus no meio de seu povo. Alimentando-se desse dom, o povo tinha forças para olhar apara o futuro e caminhar em direção à Terra Prometida.

Na 2ª Leitura, assim como na experiência do deserto, os hebreus alimentando-se do maná, foram se transformando no povo de Deus. Hoje, na opinião de Paulo, a participação e a comunhão no corpo e sangue de Jesus, o novo maná nos transforma em membros do Corpo Cristo, a comunidade eclesial, o novo Povo de Deus a caminho da nova terra e do novo céu.

O discurso simbólico do Evangelho de João, referindo-se ao comer e beber, ao pão e vinho, ao corpo e sangue, é um evidente direcionamento à ceia eucarística, celebrada nas comunidades cristãs. Não se trata de um simples ágape, mas do memorial da morte e da ressurreição do Senhor (ao Filho do Homem). Comer do pão partido e beber do sangue derramado é um gesto simbólico, por meio do qual a comunidade cristã (e pessoalmente cada cristão) assimila como seu o projeto de vida de Jesus Cristo.


Diocese de Limeira

Ore por todos que lhe fizeram mal!

Os antigos achavam que bastava amar o próximo e que o inimigo podia ser odiado. Não, o amor é para todos. Eu devo amar os meus amigos com o amor que um amigo merece, com a consideração, com o respeito, com o lugar muito singular que ele merece no meu coração. Eu devo gostar demais dos meus amigos, porém, eu não preciso gostar tanto de quem se comporta comigo com inimizade, mas eu não vou tratá-lo mal da mesma forma. Quem não me quer bem, eu posso e devo querer bem a essa pessoa! Não é porque você não me ama, que eu também não vou amá-lo. Vou amá-lo com o amor que você merece: o amor-respeito, o amor-consideração, o amor que traz paz ao meu coração; mas também não vou tratá-lo melhor do que os outros, porque senão pareceria hipocrisia. Vou amar você com aquele amor, que é universal, um amor que todos os seres humanos merecem.

Se existe uma coisa que ninguém merece, nem a pior das pessoas, se há alguém que me faça mal, que lhe faça mal, ele não merece – sobretudo, eu e você não merecemos –, é carregar em nosso coração ódio ou ressentimento de alguém. Mas pode ser que o outro até me persiga, faça mal a mim, me prejudique, me calunie, nesse caso eu vou dar um passo mais acertado nesse amor que se chama “oração”.

A melhor resposta que eu posso dar a quem já me prejudicou nesta vida ou de alguma forma ainda me prejudique falando mal de mim, me caluniando, não me querendo bem, é orar por ele. E orar é orar mesmo, é abrir meus lábios, abrir meu coração e dizer: “Senhor, abençoe este meu irmão! Abençoe-o mesmo, Senhor! Dirija seus passos, dirija sua vida, ilumine os seus caminhos!”. Eu não posso e não tenho nada mais sincero para dar a ele a não ser a oração que venha do fundo do meu coração.

Quando oro por quem me faz mal, eu faço um bem enorme a mim mesmo. Eu estou cuidando da saúde do meu coração, eu estou cuidando do meu bem-estar e estou tirando as pedras de tropeço do caminho do próximo.

Se tudo que Deus fez foi nos amar, mesmo que sejamos pecadores, o melhor que nós podemos dar ao outro é aquilo que o Senhor fez em nossa vida e em nosso coração. Como Deus nos amou, como Deus cuida de nós, nós devemos amar e cuidar até a quem não nos quer bem! Por isso, eu hoje rezo e peço que Deus abençoe aqueles que me fizeram mal em algum momento, em algum caminho desta vida!

Que Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Papa pede recuperação da memória da família

Os ritmos da vida cotidiana, o cansaço do trabalho e da educação esmagam as pessoas. Isso vale na sociedade, mas também na Igreja, onde também se corre o risco de se encontrar diante de uma geração de “órfãos”. Essas foram as reflexões do Papa Francisco, na noite desta segunda-feira, 16, na abertura do Congresso Diocesano de Roma, que tem como tema “Um povo que gera os seus filhos. Comunidade e família nas grandes etapas da iniciação cristã”.

Francisco pediu às paróquias que estudem esse aspecto de “orfandade” para fazer recuperar a memória de família. Ele refletiu sobre o conceito de evangelização expresso por Paulo VI na Evangelii nuntiandi e sobre o conceito de Bento XVI de uma Igreja que não faz proselitismo, mas que “atrai” (“A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”, ndr).

Falando em grande parte de modo espontâneo, Francisco disse que em numerosas cartas que recebe, todos os dias, lê relatos de muitos homens e mulheres que se sentem desorientados pelo cansaço da vida. “Imagino quanto é confusa a jornada de um pai e de uma mãe que se levantam cedo, acompanham os filhos à escola e depois vão trabalhar, muitas vezes, em lugares repletos de conflitos”.

O Papa contou que, quando era arcebispo de Buenos Aires e conseguia falar com mais frequência com os jovens, deu-se conta de que eles sofrem de orfandade. “Creio que o mesmo aconteça em Roma. Os jovens são órfãos de um caminho seguro para percorrer, de um mestre, de ideais que aqueçam o coração, de esperanças que sustentem o trabalho cotidiano. São órfãos, mas conservam o desejo de tudo isso”, frisou.

Trata-se, segundo Francisco, de uma sociedade de órfãos, de pessoas sem memória de família por vários motivos. “Por exemplo, os avós são levados para casas de repouso, sem afeto de hoje, ou um afeto muito veloz, pai e mãe estão cansados e vão dormir e eles ficam cansados, órfãos de gratuidade, daquela gratuidade do pai e da mãe que sabem perder tempo brincando com os filhos. Precisamos do sentido da gratuidade nas famílias e nas paróquias”.

Francisco reiterou ainda que a Igreja deve tornar-se mãe, não uma ONG bem organizada, pois se ela não é mãe, não é fecunda. A identidade da Igreja, segundo ele, é evangelizar, ou seja, fazer filhos. “A fecundidade é a graça que devemos pedir ao Espírito Santo. Não é ir buscar proselitismo. A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração materna, por testemunho que gera filhos”, destacou.


Fonte Rádio Vaticano

Que designações tem a ceia de Jesus e o que significam?

Distintos nomes designam este mistério insondável: Santo Sacrifício, Santa Missa, Missa Sacrificial, Ceia do Senhor, Fração do Pão, Assembleia Eucarística, Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição, Santa e Divina Liturgia, Sagrados Mistérios, Sagrada Comunhão.

Santo Sacrifício, Santa Missa, Missa Sacrificial: o singular sacrifício de Jesus, que leva à plenitude todos os sacrifícios, tornar-se presenta na celebração eucarística. A Igreja e os crentes inserem-se com a sua própria entrega no sacrifício de Cristo. A palavra Missa provém da fórmula de despedida em língua latina Ite missa est, que significa “Ide, sois enviados!”.

Ceia do Senhor: cada celebração eucarística continua a ser a única ceia que Jesus celebrou com os Seus discípulos e simultaneamente a antecipação da ceia que o Senhor celebrará com os redimidos no fim dos dias. Não somos nós que fazemos a celebração litúrgica; é o Senhor que nos chama a ela, onde está misteriosamente presente.

Fração do Pão: a “fração do Pão” era um antigo banquete ritual que Jesus aproveitou por ocasião da Última Ceia, para exprimir a Sua entrega “por nós” (Rm 8,32). Na “fração do pão”, os discípulos reconheceram-no após a ressurreição. A comunidade primitiva designava as suas celebrações eucarísticas por “fração do pão”

Assembleia Eucarística: a celebração da Ceia do Senhor é também uma assembleia de “ação de graças”, na qual a Igreja encontra a sua expressão.

Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição: na celebração eucarística, não é a comunidade que é celebrada; antes, ela descobre e celebra de um modo sempre novo a passagem de Cristo à Vida, por meio do sofrimento e da morte.

Santa e Divina Liturgia, Santos Mistérios: na celebração eucarística unem-se, numa única festa, a Igreja celeste e a terrestre. Porque os dons eucarísticos em que Cristo está presente são, em certa medida, o que de mais santo se encontra no mundo, fala-se também do Santíssimo Sacramento.

Sagrada Comunhão: porque na Santa Missa nos unimos a Cristo, e Nele nos unimos uns aos outros, fala-se Sagrada Comunhão.


Fonte: Youcat

Solenidade da Santíssima Trindade

Celebramos hoje a festa da Santíssima Trindade, Essa festa não um convite para decifrar o "mistério", que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas", mas uma oportunidade para contemplar nosso Deus, e purificar o nosso coração das falsas idéias de Deus.

O Deus cristão não é solitário, é amor, é família, é comunidade e criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

Não é fácil falar de Deus... pela sua grandeza, pela nossa pequenez e pela idéia que nos passaram na infância, de que esse "Mistério" é uma coisa difícil que não podemos entender.

Esse mistério é tão sublime que nunca poderemos compreender em plenitude, mas podemos e devemos crescer no seu conhecimento...

A própria Bíblia é uma contínua e progressiva revelação de Deus. E esse mistério só foi revelado pelo próprio Cristo.

A 1ª Leitura mostra um Deus compassivo e misericordioso. (Ex. 34,4b-6;8-9). Deus se revela no "monte" escondido na "nuvem". Deus é um Pai que cuida com ternura de seus filhos, entende seus erros e os ama em qualquer circunstância, também quando pecam...

Moisés intercede pelo povo, que se afastara de Deus e da Aliança. "Deus misericordioso e clemente, paciente e rico em bondade e fiel... Perdoa os nossos pecados... Caminha conosco..." E Deus renova a Aliança com Israel.

O Antigo Testamento não tinha conhecimento do Mistério da Trindade. O mais importante nessa etapa da revelação era a UNICIDADE e ESPIRITUALIDADE de Deus, assim como seus a tributos de ONIPOTÊNCIA e MISERICÓRDIA, como nos mostra o texto de hoje.

A 2ª Leitura mostra um Deus próximo, "conosco". Paulo saúda os primeiros cristãos com uma fórmula trinitária, que repetimos ainda hoje no início das missas: "A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco".  (2Cor. 13,11-13) Essa saudação atribui a cada pessoa da Trindade um dom ou uma função, embora toda ação salvadora seja comum na Santíssima Trindade:

- O PAI é aquele que tomou a iniciativa de salvar os homens, destinando-os a uma felicidade eterna, na sua família;
- O FILHO é aquele que realizou essa obra de salvação, com a sua vinda ao mundo e a sua fidelidade até a morte;
- O ESPÍRITO, o Amor que une o Pai com o Filho, é aquele que foi infundido no coração de todos os cristãos no batismo.
O Evangelho mostra um Deus que salva. Deus não é um ser solitário e mudo, fechado num eterno silêncio, mas por ser trino é amor e alteridade.

- "Deus amou de tal forma o mundo que lhe deu o seu Filho unigênito..."
- "Deus não o enviou ao mundo para julgar, mas para salvar".
- "Quem não crê, já está condenado".

Segundo João, o juízo será feito agora pelo próprio homem, toda vez que acolhe ou recusa a proposta de salvação que Deus lhe faz.

Por que Deus revelou esse mistério?

Com certeza, não foi para criar um problema na sua compreensão.

Porque nos ama, ele revela os segredos íntimos da vida divina e nos introduz na sua Família.

- Em nós está o Pai, que nos chamou do nada, nos insuflou o sopro da vida, nos deu um nome, nos confiou uma missão.
- Em nós está o Filho, que entregou sua vida por nós.
- Em nós está o Espírito Santo que nos ilumina e fortalece nos caminhos de Deus.

E toda essa maravilha veio até nós pelo batismo.

Ter esse tesouro precioso dentro de nós é uma dignidade, que deve provocar em nós três atitudes:

- ADORAÇÃO: como não dar glória, bendizer e agradecer o hóspede divino, que faz de nossa alma um verdadeiro Santuário?
- AMOR: Deus, apesar de sua grandeza, fica conosco como um pai amoroso. Como não corresponder a seu amor?
- IMITAÇÃO: o Amor nos levará à imitação da Santíssima Trindade, dentro do possível de nossa pequenez.

Por que essa festa?

Não é tanto para desenvolver a doutrina da Trindade, mistério central de nossa fé e de nossa vida cristã, mas um momento para relembrar de onde viemos e a comunhão que devemos restaurar em nós, para sermos de fato a sua imagem e semelhança.

Somos chamados a ser reflexos da Santíssima Trindade, sinais de comunhão, de partilha e esperança, num mundo tão dividido, individualista e desesperançado.


Padre Antônio Geraldo Dalla Costa

13 de Junho - 2° Aparição de Nossa Senhora

Neste dia, a branca Senhora disse:

- Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.

Quando a Lúcia pede para os levar a todos para o Céu, a Senhora responde:

- Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar prometo a Salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

- Fico cá sozinha? Perguntei com pena.

- Não filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus.

- Foi no momento que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo desta luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte desta luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.


Retirado do Livro Memórias da Ir. Lúcia

13 de Junho – Dia de Santo Antônio, doutor da Igreja

Neste dia, celebramos a memória do popular santo – doutor da Igreja – que nasceu em Lisboa, em 1195, e morreu nas vizinhanças da cidade de Pádua, na Itália, em 1231, por isso é conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua. O nome de batismo dele era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.

Ainda jovem pertenceu à Ordem dos Cônegos Regulares, tanto que pôde estudar Filosofia e Teologia, em Coimbra, até ser ordenado sacerdote. Não encontrou dificuldade nos estudos, porque era de inteligência e memória formidáveis, acompanhadas por grande zelo apostólico e santidade. Aconteceu que em Portugal, onde estava, Antônio conheceu a família dos Franciscanos, que não só o encantou pelo testemunho dos mártires em Marrocos, como também o arrastou para a vida itinerante na santa pobreza, uma vez que também queria testemunhar Jesus com todas as forças.

Ao ir para Marrocos, Antônio ficou tão doente que teve de voltar, mas providencialmente foi ao encontro do “Pobre de Assis”, o qual lhe autorizou a ensinar aos frades as ciências que não atrapalhassem os irmãos de viverem o Santo Evangelho. Neste sentido, Santo Antônio não fez muito, pois seu maior destaque foi na vivência e pregação do Evangelho, o que era confirmado por muitos milagres, além de auxiliar no combate à Seita dos Cátaros e Albigenses, os quais isoladamente viviam uma falsa doutrina e pobreza. Santo Antônio serviu sua família franciscana através da ocupação de altos cargos de serviço na Ordem, isto até morrer com 36 anos para esta vida e entrar para a Vida Eterna.


Santo Antônio, rogai por nós!

Namoro, alicerce para o matrimônio

O amor que celebramos, hoje, é, acima de tudo, o amor de Deus. Fico imaginando o que os meios de comunicação secular estão fazendo com o amor. Eles o estão distorcendo, estão modificando o modo como o homem e a mulher vivem, destruindo a família que é um dom maravilhoso de Deus. Por isso, é um dever amar a família e, acima de tudo, rezar, porque o Senhor é o verdadeiro amor que nos fundamenta!

Nós já ouvimos falar que o casamento é o alicerce de um namoro bem vivido, que deu certo. O primeiro fundamento é: “o namoro precisa ser de Deus”. Um casamento certo, é um namoro que deu certo, porque o alicerce de tudo é Deus! Nós precisamos pedir a ajuda de Cristo para sermos eternos namorados.

Vamos falar de alguns pontos que ajudarão na relação do casal, porque não existe uma "receita" para um namoro perfeito, mas um caminho.

Temos de continuar conhecendo um ao outro, pois a pessoa que escolhemos será aquela que viverá ao nosso lado. Mas o que vamos semear no coração do outro durante o tempo do namoro? O conhecimento. Vamos conhecendo um ao outro; é um exercício que precisamos fazer todos os dias.

Namoro é tempo para conversar muito! Não é tempo para conhecer o corpo, mas a alma; é tempo de conversar, observar o outro; perceber o que ele gosta, como cuida da família. Se não dedicarmos o tempo do namoro para o conhecimento, ele não dará certo!

O tempo da conversa é essencial para conhecermos a pessoa que está ao nosso lado. Se não conversamos no namoro, não haverá diálogo no noivado, muito menos no casamento! O que fazer? Namore! Converse, passeie, vá ao cinema com seu (sua) namorado (a).

As redes sociais são um "inferno" quando as pessoas curtem e compartilham aquilo que não é bom, como se fosse necessário viver assim, como se o namoro tivesse de ter a transa. Há uma "enxurrada" de informações que roubam de nós a essência do amor. Não estrague a forma de amar como Deus nos ensina!

Se você está namorando dessa forma, ainda há tempo de salvar, de resgatar o seu relacionamento, porque estamos no tempo da misericórdia! Namorar sem fazer sexo, sem conhecer o corpo do outro nos previne de surpresas desastrosas no futuro.

Uma pergunta que precisa ser feita: "Por que não ter um relacionamento sexual no namoro?". Porque ninguém, nunca, está pronto. É sempre desastroso, porque não é só a entrega do corpo, mas da alma, do sentimento. Precisamos ter a bênção de Deus sobre o nosso relacionamento. O resultado de uma sexualidade mal vivida traz problemas como a separação, a traição no relacionamento.

É hora de decisão! Dê de presente ao seu namorado a castidade. Precisamos tomar pose dessa realidade! Precisamos ter muita consciência e clareza para compreender que namoro é tempo de o casal se conhecer. Por isso, o sexo no namoro queima todas as etapas do relacionamento. O dom de Deus é a vida sexual no momento certo!

Como viver a castidade no namoro ou no noivado? Como se trata de uma grande luta, temos de entender que caminhar sem Deus não dá, pois Ele é a defesa para essas lutas que enfrentamos em nosso namoro. Quando você conta muito consigo mesmo, quando acha que é capaz de vencer com suas próprias forças, fracassa!

Seu parceiro pode se tornar um eterno namorado; tudo vai depender do namoro que vocês tiverem. Decidimos ser "eternos namorados" quando respeitamos o outro, conhecemos quem ele é. Namorar é conhecer para amar, namorar é estar próximo para entender! Para permanecermos eternos namorados, precisamos cultivar o romantismo segundo a vontade de Deus.

Ricardo e Eliana Sá

Casal de missionários da Canção Nova.

Deus tem um plano de felicidade para a nossa vida!

Amados irmãos e irmãs, passando o tempo de Pentecostes, nós voltamos para o Tempo Comum na Liturgia da Igreja nesta décima semana. Nós retomamos este tempo de graça ao começarmos a refletir sobre o Sermão da Montanha.

Que beleza de ensinamento e de mensagem e, acima de tudo, de regra para a nossa vida se quisermos viver a vontade de Deus e tudo aquilo que há e precisamos para a nossa salvação, o Sermão da Montanha nos dá as dicas e os ensinamentos fundamentais para isso.

O Sermão das Bem-aventuranças é como se fosse o segredo da felicidade. “Bem-aventurados” quer dizer “felizes”. O mundo proclama que é feliz quem tem dinheiro, quem tem posses, quem tem poder, quem vive o prazer como bem quiser. Jesus, o Senhor da Vida, vem nos mostrar onde é que está o sentido da vida e como, de fato, podemos ser felizes para sempre.

A felicidade consiste na pobreza evangélica, em viver o desprendimento e o despojamento e não se apegar a nada. Quem não tem, deve trabalhar para ter com honestidade sem se afligir porque não tem. E aqueles que têm, devem saber dividir com quem não têm e viver como se não tivesse. Despojado, desapegado, porque deste mundo nós nada levamos!

Bem-aventurados aqueles que confiam no Senhor, mesmo em meio às aflições que a vida proporciona, porque é de Deus que recebe o consolo; quem sabe em Deus confiar e não coloca em nenhum outro a sua confiança.

Feliz de quem vive a mansidão do Espírito e não vive na agitação, na revolta e não se torna rebelde a Deus e a tudo, porque é o próprio Deus quem vem saciar a nossa fome e a nossa sede de justiça.

Feliz e bem-aventurado é quem tem um coração misericordioso, assim como Deus se compadece de nossas misérias e fraquezas, alcança a misericórdia aquele que sabe agir com misericórdia para com o seu próximo.

Bem-aventurados serão aqueles que promovem a paz; que não promovem disputas, brigas, competições e discórdia entre os homens, mesmo que as situações pareçam conflituosas.

Bem-aventurados são aqueles que vivem a pureza de coração e não se entregam às impurezas deste mundo, não se entregam à malícia e a toda e qualquer sujeira que este mundo deseja colocar dentro de nós.

Deus tem um plano para a nossa felicidade, Ele nos quer plenamente felizes, a receita está na Sua Palavra, porque só o Senhor tem palavras de vida eterna!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Domingo de Pentecostes

A 1ª Leitura dos Atos dos Apóstolos narra as manifestações do Espírito Santo na comunidade reunida, para celebrar a festa de Pentecostes. Essa festa antiga celebrava as primícias das colheitas . Mais tarde, foi relacionada ao evento salvífico do êxodo, para celebrar a aliança, o dom da Lei no Sinai. Juntamente com a Páscoa e as Tendas, Pentecostes tornou-se uma das três grandes festas de romaria a Jerusalém .

As imagens do vento e do fogo evocam a revelação de Deus no Sinai, a aliança firmada em sua palavra. O vento ao ouvido e o fogo caracterizam a ação do Espírito de Deus, que conduz os discípulos à escuta atenta da palavra e ao compromisso missionário.

Os “judeus devotos, de todas as nações que há debaixo do céu”, a diversidade de povos reunidos para celebrar a festa de Pentecostes expressa o sentido universal da mensagem libertadora de Jesus. A ação do Espírito de Deus realiza o anúncio profético: “Derramarei o meu Espírito sobre todos os viventes”.

Os discípulos, conduzidos pelo Espírito Santo, proclamam a Boa-Nova de Cristo, que une os povos na Lei do amor. Todos ouvem o anúncio das maravilhas da salvação, manifestadas na vida, morte e ressurreição de Cristo, em sua língua, em sua cultura. O testemunho do evangelho abre caminhos e congrega os povos na comunhão fraterna, reconstruindo a unidade perdida desde Babel.

Na 2ª Leitura da primeira carta aos Coríntios, o Espírito de Deus proporciona viver a unidade da fé em Cristo, na diversidade de ministérios a serviço do Reino. Paulo afirma que ninguém é capaz de dizer: “Jesus é o Senhor”, a não ser pelo Espírito Santo. O mesmo Espírito, que conduz à adesão da fé no Ressuscitado, une também na diversidade de dons, de ministério e de atividades.

O dom do Espírito se manifesta em cada pessoa ”em vista do bem de todos”, para a edificação da comunidade. O amor em Cristo impulsiona a trabalhar em beneficio de todos, a fim de tornar o mundo melhor e mais humano.

O Espírito Santo guia no caminho de identificação com Cristo, faz superar as barreiras para formar um só corpo, na unidade da fé e do amor fraterno: embora sejamos muitos, formamos um só corpo com Cristo.

Não importa ser judeu ou grego, escravo ou livre, pois em Cristo “fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo”. A fonte do mesmo Espírito, manifestada na vida, morte e ressurreição de Cristo, alimenta o caminho batismal, a vida nova a ser testemunhada no cuidado especial aos membros mais fragilizados da comunidade.

A leitura do Evangelho de João acentua que o Espírito Santo é dom da Páscoa de Jesus. A exaltação de Cristo, na cruz e na glória, é a fonte do Espírito, que jorra do seu lado aberto, da doação total de sua vida por amor.

O Ressuscitado se manifesta na comunidade reunida, no primeiro dia da semana, para celebrar o memorial de sua Páscoa. A sua presença comunica a verdadeira paz, que o mundo não pode oferecer: “Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: A paz esteja convosco”. A paz do Ressuscitado liberta do medo e fortalece a fé dos discípulos, diante das adversidades e perseguições por causa de sua mensagem.

Jesus, mediante a vida, a morte salvífica e a ressurreição, revelou a paz como a plenitude dos bens salvíficos, que confirma seus seguidores no caminho de fidelidade no projeto do Pai. A paz é dádiva da entrega total de Cristo, revelada nos sinais da paixão nas mãos e no lado.

O encontro com o Senhor faz compreender que a força da ressurreição e da vida nova nasce do amor doado até o extremo da morte na cruz. Os discípulos “se alegraram por verem o Senhor”, o Ressuscitado presente na caminhada de Fe, esperança e amor fraterno.

Como o enviado do Pai, Jesus confirma os discípulos na missão: “Como o pai me enviou, também eu vos envio”. Jesus manifesta a força do seu Espírito, que impulsiona os discípulos a abrir as portas, para anunciar a paz e a alegria de sua ressurreição. O Espírito Santo, prometido antes da partida, é sinal que plenifica a Páscoa de Jesus e faz renascer a ova criação, a vida plena: “Então, soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo”.

O sopro do Espírito remete a Gn 2,7, quando Deus soprou e fez renascer o ser humano. Os discípulos devem permanecer sempre em comunhão com Jesus, para receber o sopro da vida, do amor, da verdade, a fim de exercer a missão com eficácia.

Os discípulos, com a força do Espírito do Ressuscitado, são transformados e enviados para construir um mundo novo de paz e de fraternidade. Eles são iluminados e guiados pelo Espírito, na compreensão da missão salvadora de Jesus, o “Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”.

O dom do Espírito de Jesus capacita os discípulos a libertar o mundo das forças opressoras do pecado: “A quem perdoardes os pecados, serão perdoados”. Em comunhão com Jesus, os discípulos tornam-se instrumentos de reconciliação e de paz, portadores de sua misericórdia, de sua bondade e perdão que renova o mundo.


Diocese de Limeira