Só o amor baseado em Deus resiste ao tempo

A Igreja nos chama à atenção para os tempos em que nós vivemos, no qual se dissemina por toda parte a chamada: ”epidemia do divórcio”. O casamento virou uma coisa descartável, a união sem compromisso de vida parece que está em moda. E hoje nós olhamos para a Palavra de Deus, para aquilo que o Evangelho nos propõe e perguntamos: “O casamento, segundo a vontade de Deus, é impossível de ser vivido?” Impossível não, porque nada é impossível para aquele que crê em Deus! Mas sabemos que não é fácil construir uma vida a dois por toda a vida, porque isso exige compromisso das duas partes, exige responsabilidade, fidelidade e consciência das duas partes daquilo que se propuseram a viver.

Mas o que o Evangelho nos propõe não é uma ”utopia”, porque há muitos casais que, mesmo em meio às lutas e aos desafios da vida, conseguem levar a termo o seu casamento. Não quero jogar pedras em ninguém, nem julgar, quanto menos condenar ninguém. Muito pelo contrário, quero acolher com todo amor do meu coração as diversas realidades de casamento de casais que lutaram, lutaram e, de repente, a união deles não deu certo.

O que devemos fazer é propor o caminho, propor a direção da vida, assim como nos propôs Nosso Mestre e Nosso Senhor Jesus Cristo. O casamento é um compromisso para toda a vida. Por isso precisamos lutar, justamente, contra essa visão descartável ensinada pelo mundo de que “o amor vale enquanto dura, enquanto um suporta o outro”.

O amor se renova, se desdobra e recomeça, por isso se deve lutar por ele! É importante que nós não percamos a visão neste mundo em que já não vemos mais as coisas como Deus nos ensina.

Primeira coisa para conseguirmos isso: precisamos preparar melhor os nossos jovens para que tenham consciência dos deveres e das obrigações do matrimônio. Não podemos permitir que os nossos jovens vão para um casamento, para uma união, para um compromisso a dois, sem a consciência das responsabilidades que vêm com um matrimônio. É preciso fazê-los entender que paixões passam, mas o amor permanece e amadurece com o tempo.

Por outro lado, todos os casais, casados há um ano, há alguns meses, dias ou há muitos anos, precisam ter sempre a consciência de que há a necessidade de uma formação permanente para a vida matrimonial. E buscarem ajuda de Deus, acima de tudo, pela oração; buscarem ajuda da Igreja pelos ensinamentos dela, pela sua doutrina, e acreditarem que o amor, quando é baseado e sustentado em Deus, pode prevalecer contra todos os inimigos do matrimônio.

Deus abençoe você, seu casamento e sua família!

Padre Roger Araújo

O carnaval nos faz feliz?

Carnaval: Real ou Fantasia? Tudo se acaba na quarta-feira... “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu...” O ritmo efervescente entre a Cabrocha que ensaiou o ano inteiro esperando o Carnaval chegar para desfilar e o trançado das pernas, que só mesmo a dança do frevo, é capaz de inspirar os foliões a fazerem do carnaval a festa mais popular do nosso país.

Espalhado por todo o Brasil, em uma mistura de ritmos e de gente, o chão da praça esquenta com os movimentos frenéticos dos foliões. E essa fantasia, desejada por todos que lá estão que seja eterna, termina na quarta-feira, dia em que tudo acaba em Cinzas. Já cantava Netinho em cima do Trio Elétrico, na Bahia: ““Eu queria que essa fantasia fosse eterna...” ” e pedia muito mais, que “um dia a paz vencesse a guerra “ e que “viver seria só festejar”.

Atenta e também tentada a dar os meus pulos, eu ficava ali imaginando como seria se de fato aquela fantasia fosse eterna. Ou, se era possível viver festejando nem que saiba naquele Carnaval. Quanta ingenuidade, não? A paz vencer a guerra. Num ambiente de guerra, paz, por mais que seja convidada, não encontrará espaço para cumprir o seu papel. Falta-lhe parceiros, o número dos que querem não é suficiente. Mas, eu não precisaria estar me exigindo com tantas reflexões, porque, afinal, o cantor já classificou o carnaval como a festa da fantasia. Porém hoje, eu tenho me questionado se de fato é uma fantasia ou uma realidade? Às vezes as pessoas se escondem em sua própria vida e nas oportunidades se liberam. A própria festa autoriza os foliões a serem o que queriam ser. Aí está o perigo dessa época carnavalesca. Existe uma motivação explícita para que as normas do bem comum sejam quebradas. Quem nunca ouviu as expressões: no carnaval vou soltar a franga? Ou, no carnaval a minha mulher me deu um vale-nith? Ou, eu quero mais é beijar na boca? Longe de qualquer julgamento, o que muitos foliões gostariam de viver fora dessa época e não vivem? Ou que vivem, mas ninguém vê? Será a fantasia uma oportunidade para fugir do real?

Para o distanciamento da realidade ou para sua aproximação? Não acredito que quem não tem tendência a se desfigurar no Carnaval, vá assumir uma conduta que o leve a uma ressaca moral.

Portanto, o comportamento do folião deveria ser um meio para levar e trazer para si alegria, encontro com os amigos e familiares, enfim, à diversão. Ao contrário de épocas atrás, o pierrô e a colombina foram substituídos pela exploração sexual de menores, tráfico de drogas, manipulação da mídia favorecendo ao governo e fazendo dos próprios participantes uma propaganda para atrair turistas, além da prostituição, adultério, violência, roubo, e interesses financeiros... Consequências de um ano, intensificadas nesse período. O espírito carnavalesco quando incorporado sem medir resultados traz danos muitas vezes irreparáveis.

A letra de Tom Jobim nos ajudará a enriquecer essa reflexão: “"a felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval". A gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho, pra fazer a fantasia de Rei ou de Pirata, de Jardineiro e tudo se acaba na quarta-feira”. Mas não podemos negar que apesar de tudo algo motiva os foliões a estarem ali onde já estive por tantos anos, na Micareta da minha cidade. Essa festa era e ainda é um carnaval fora de época. Não se tinha abadá, mas todos vestiam mortalha, alguns se fantasiavam de careta e os pais, levavam seus filhos ao clube, sempre as meninas de baianas ou bailarinas, os meninos de pirata ou de super-heróis.

Arriscarei aqui a dar alguns palpites sobre os motivos que devem estimular a muitos a gastar o dinheiro do ano inteiro para estar lá. Talvez seja a necessidade de ser feliz, extravasar dores, tristezas, mágoas, apertos financeiros... Real ou de fantasia, não sei mais, o que sei é que tudo acaba na quarta-feira, em que se inicia a Quaresma, tempo de jejum e oração para os católicos.

A testa marcada com as cinzas caracterizando a Paixão de Cristo. O Cristo que sem julgamento, recebe o folião que pulou até o último dia para continuar mostrando que aquela fantasia não é eterna e que eterno é o que não acaba na quarta-feira, mas inicia.

A Quarta-feira de Cinzas , que vem acompanhada da Sexta-Feira da Paixão, dias que a tradição não aconselha comer carne, nem satisfazê-la. Portanto, chegou a hora de decidirmos por um Carnaval que não precise acabar na quarta-feira... Meus amigos, então não é o Carnaval que dará sentido ao que buscamos, mas justamente Aquele que é Eterno.

Judinara Braz

Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA)

Quero mais é ser feliz!

Antes da vida de cada um de nós acontecer, Deus pensou em nos dar um propósito, uma meta, à qual também chamamos de "vocação". "Pois todas as coisas foram criadas para uma finalidade" (Eclo 39,26). Assim, nossa existência passa a ter um sentido, algo que impulsiona o nosso interior.

Só é feliz quem realiza a sua vocação, pois alinha a sua dimensão social, psicológica, espiritual e física com o propósito maior para o qual a pessoa foi criada. Essa pessoa encontrará mais facilmente uma finalidade para suas lutas e dores; além da alegria de ver seus esforços produzindo frutos. Tudo isso ressoando, acertadamente, com seu interior, porque Deus tem um plano de felicidade para a vida de cada um de nós. Ele não nos chamaria à existência para sermos infelizes, e esse projeto não é para ser realizado apenas no Céu, mas começa neste mundo. “Embora estejam chamados à plenitude eterna, sabemos que Deus deseja a felicidade de seus filhos também nesta terra” (Papa Francisco, Exort. Apost. Evangelii Gaudium, Ed. Paulinas, 2013 – 1ª ed., pág 151).

Ultimamente, ouvimos muito a frase “eu quero é ser feliz” como expressão de meta máxima, pela qual um grande número de pessoas tem depositado seus esforços e o sentido de sua vida. Muitos pensam na felicidade como um padrão de sucesso profissional, com muitos bens e influência social; também a chamada “sorte no amor”, que designa talvez o acerto na vida afetiva. Outros empregam suas energias em ter o dinheiro suficiente para viajar, para conhecer o mundo ou adquirir alguns aparatos de entretenimento. Há ainda aqueles que pensam apenas em curtir a vida. Realmente, como já vimos, a felicidade é um dom que o Senhor proporciona ao ser humano, portanto, é justo e louvável que a busquemos. Porém, a maioria das pessoas, quando canaliza suas forças no empenho pela felicidade e diz “eu quero mais é ser feliz”, geralmente projeta sua vida em um relativismo mundano.

É óbvio que uma pessoa que não teve contato com o Cristianismo ou se declara ateia não terá a preocupação em ser feliz à luz dos ensinamentos de Cristo. Vemos, num mundo culturalmente secularizado, em muitos países abastados, o crescente número de suicídios e depressão. Isso demonstra um sinal de que seus conceitos de liberdade, moral e riqueza não proporcionam tanta felicidade assim.

Quero dirigir-me aos católicos, porque muitos praticantes do Cristianismo se deixaram envolver pelo relativismo religioso. Eles podem viver 95% de suas ações e práticas fundamentadas nos ensinamentos de Jesus, mas, quando alguma coisa não lhes convém ou não é o modo mais fácil para eles, vivem os 5% restantes fora dos desígnios divinos. Ainda assim, essas pessoas não serão felizes, porque “vinho novo não se põe em odres velhos” (cf. Mt 9,17).

Tomemos como exemplo as uniões ilícitas, os delitos contra a ética e a moral, os vícios; enfim, as contrariedades aos sacramentos e aos mandamentos de Deus, as ações de rebeldia e de contrariedade ao que pede Nosso Senhor. Esses feitos, além de manchar nossa alma por completo, terão consequências nas outras dimensões de nosso ser.

É triste, mas as pessoas estão dispostas a buscar felicidade fora dos planos de Deus. Por vezes, elas se justificam dizendo: “Não acredito que Deus vá me condenar por buscar a felicidade! Faço tudo certo, mas, nesse caso, discordo da Igreja. Isso é coisa dos homens e não de Deus!”.

Uns planejam esse seu infortúnio, trilhando, conscientemente, para o abismo. Levados por sua conveniência, vão caminhando e discordando da Igreja e do Senhor; outros reagem por impulso para sentir um conforto imediato, não consideram os fatores à sua volta nem possíveis consequências de suas medidas impensadas, tomam decisões movidos pela ansiedade e pela falta de paciência com eles mesmos e com o processo dos outros. Tanto num caso quanto em outro, existe muita gente 'batendo cabeça', e para se livrar do que não deu certo, embarca em outra atitude que, no futuro, a levará à infelicidade.

Para todas essas pessoas quero dizer que ninguém será feliz se viver fora de Deus. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama” (Jo 14,15.21). Jesus mesmo deixou os mandamentos para os apóstolos e lhes deu autoridade para que estes os levassem adiante. “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).

Não são os nossos sentimentos os condutores da felicidade, mas Deus, que é o centro de tudo e Senhor de todas as coisas. Nele, nossa vida pode ser ordenada e acertada, somente n'Ele a casa será construída sobre a rocha (cf. Mt 7, 24-27), e nossa felicidade terá bases sólidas.

É importante sabermos que, na lei de Deus, não existe opressão, privação da liberdade, muito menos infelicidade. Pelo contrário, são essas regras que balizam o caminho para construirmos a nossa felicidade já neste mundo. Não é Deus quem Se afasta de nós ou nos prejudica quando pecamos, mas nós mesmos, quando geramos o próprio mau, escolhermos o lado contrário à felicidade e nos afastamos do Senhor.

Deus nos ama. E para sermos felizes, o primeiro passo é nos sentirmos amados por Ele. Ele nos pede coisas que, a princípio, podem parecer difíceis demais, mas se formos persistentes, assim como fomos no erro, com certeza o sentido da nossa vida se revelará. O Senhor nos chamou à existência e nos ama, nos sustenta e dá tudo o que é preciso para alcançarmos nossa felicidade. Não tenha medo de se entregar a Ele!

Deus o abençoe. Bom carnaval!

Sandro Ap. Arquejada

Missionário da Comunidade Canção Nova.

Homilia do 7° Domingo do Tempo Comum

Todos somos chamados por Deus a ser santos, a tender à perfeição, como o Pai é perfeito. O caminho para chegar à plena santidade é o amor: amor a Deus e aos irmãos, amor aos que sofrem, amor a si mesmo, à família, amor à natureza, ao cosmo inteiro.

As três leituras de hoje podem ser consideradas uma forma de ingresso ao tema da “santidade pelo amor”. A primeira, é um fragmento do “código de santidade” do livro do Levítico, e apresenta uma imagem de santidade, mediada pela responsabilidade para com o próximo; isto é, que o caminho para chegar a Deus e alcançar a santidade começa com o respeito pela vida e pela dignidade do outro.

Este critério é o centro da Lei e dos Profetas, o eixo que determina nossa verdadeira relação com Deus, o elemento fundamental da fé, já que através da abertura aos demais é a forma de como nos tornamos partícipes da promessa de salvação oferecida por Deus a seu povo. Paulo, na primeira cara aos Coríntios, considera o ser humano como templo de Deus e morada do Espírito. Com isso está dizendo que cada pessoa é presença concreta de Deus na história humana.

Este templo do qual Paulo fala é a comunidade cristã de Corinto, onde a Palavra anunciada foi escutada e surtiu efeito. A intenção de Paulo é advertir os ouvintes dos perigos que circundam esse templo e que ameaçam destruí-lo. Esses perigos se encarnam naqueles que pretendem anular a mensagem de Cristo crucificado através de discursos provenientes da sabedoria humana, que recusam a vinculação e a identificação de Deus com a debilidade humana e a solidariedade de Deus para com os marginalizados da sociedade.

A mensagem de Paulo é supremamente importante, pois compreende que o verdadeiro templo onde Deus habita são as pessoas. Deus habita na vida da humanidade, nos homens e mulheres de todo o mundo, sem distinção de raça, cultura ou religião. Desta forma Paulo supera a redução da presença viva de Deus a uma construção, a paredes ou a um “lugar” específico de culto.

São as pessoas o lugar verdadeiro onde devemos dar culto a Deus; são as pessoas o lugar privilegiado onde toda nossa fé deve ser expressada, especialmente com aqueles homens e mulheres que, sendo santuários vivos de Deus, foram profanados pela pobreza, pela violência e pela injustiça social.

O elemento fundamental do projeto cristão é apresentado nesta secção do evangelho de Mateus: o amor. Este amor proposto por Jesus supera o mandamento antigo que permite implicitamente o ódio ao inimigo. Supera-o porque é um amor que não se limita a um grupo reservado de pessoas, aos do meu grupo, aos da minha etnia, ou a meus patriotas, ou aos que me amam, mas alcança os inimigos, o que poderiam não merecer meu amor, ou inclusive poderiam merecer meu desamor.

É um amor para todos, um amor universal, expressão própria do amor de Deus que é infinito, que não distingue entre bons e maus. Ser perfeito, como Deus Pai é perfeito, significa viver uma experiência de amor sem limites, é poder construir uma sociedade distinta, não fundada na lei antiga de Talião (“olho por olho, dente por dente”, que já era uma maneira primitiva de limitar o mal da vingança), mas na justiça, na misericórdia, na solidariedade; todos esses valores fundamentados no amor.

Somos seres simbólicos e não podemos viver nossa vida isoladamente. Ao contrario, para chegar a ser necessitamos da convivência, da companhia, do diálogo a dimensão moral é uma abordagem inevitável. Não podemos conviver sem alimentar e suavizar continuamente os limites de nossas relações. Não há sociedade humana sem moral, sem direito, sem lei, sem normas de convivência.

Por sua parte, a dimensão religiosa deve incluir essa dimensão essencial. No Antigo Testamento vemos que a maior parte dos mandamentos são negativos, ressaltando o que não se podia fazer, os limites que não deviam ser transpostos. É o primeiro estagio da moral. O Evangelho dá um salto para diante. Parece não estar tão preocupado com os limites, quanto pelo “poço sem fundo” que é preciso encher, a perfeição do amor que é preciso alcançar.

Este objetivo não pode ser alcançado simplesmente evitando o mal, mas praticando o bem. Com o Evangelho na mão, não estaríamos conseguindo o bem moral supremo, a santidade, simplesmente omitindo o mal, porque poderíamos estar pecando “por omissão do bem”.

E, como disse santo Tomás, o mandamento do amor sempre resulta inexeqüível na sua plenitude, pois nunca podemos dar conta plena dele; sempre se pode amar com mais entrega, com mais generosidade e com mais radicalidade. É típica a proposta do Evangelho do amor aos inimigos, o amor humanamente mais inexeqüível e racionalmente mais dificilmente justificável.

Não obstante, à proposta desta liturgia da palavra, de uma santidade à qual se chega pelo amor, quase como em um acesso privilegiado ou quase único, teríamos de adicionar-lhe algum complemento. À santidade cristã não se chega somente por amor prático, pela prática moral ou ética.

É certo que na história das religiões o cristianismo fez fama como sendo a religião que mais organizou a prática do amor, e pelo fato de sua presença ser acompanhada sempre com as “obras de caridade” (hospitais, escolas, centros de promoção humana, leprosários, atenção aos pobres, aos excluídos...) que lhe são características.

Porém, bastará o amor? E a dimensão espiritual? A espiritualidade, a contemplação, a mística... onde andam? Obviamente, não estamos diante de uma alternativa amor-caridade/espiritualidade-mística. Os grandes santos da caridade foram também grandes místicos. Não se trata de uma alternativa (ou uma coisa ou outra), mas de uma conjunção necessária: as duas coisas. Porque as duas realidades se interpenetram perfeitamente.

De fato, o santo também é um “contemplativus in caritate”, vive a contemplação no exercício da caridade. A Espiritualidade da libertação cunhou a famosa fórmula: “contemplativus in liberatione” como uma perfeita harmonia entre ação e contemplação, prática moral e mística. Na realidade, quando se vive a mística, a moral brota espontaneamente.

Sem dúvida, o cristianismo está desafiado a mudar seu modo de alcançar a moral, que deve ser, não tanto um acesso direto, “moralizante”, insistindo nos preceitos e ameaças ou castigos, mas em um acesso indireto, pela via da mística, da experiência mística, que não deixa de ser a experiência mesma do amor.

O concílio Vaticano II, realizado há quase 50 anos, abriu um panorama até então inusitado, o do “chamado universal à santidade”, uma santidade que anteriormente muitos cristãos consideravam reservada aos “profissionais” da santidade (os monges, os religiosos, o clero, porém não o comum dos fiéis).


Blog Homilia Dominical

Precisamos ser a presença de Deus para aqueles que sofrem

Meus amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Mestre hoje nos chama ao Seu seguimento. E para segui-Lo é necessário que renunciemos a nós mesmos: sendo menos orgulhosos e menos egoístas e parando de pensar somente em nós mesmos, para tomar a cruz do Senhor e segui-Lo, e ir atrás do Senhor aonde quer que Ele vá. Pois quem vive preocupado em cuidar somente de si, somente de suas coisas, quem procura salvar sua vida vai perdê-la.

Ao passo que, quem perde a sua vida em Deus, encontra o sentido pleno para sua existência! O sentido pleno para a nossa vida é o viver da fé, a fé em Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que deu a vida para nos salvar!

Fé não é simplesmente um sentimento, fé não é apenas uma convicção religiosa, não é dizer: ”Eu creio em Deus”. A fé é um consentimento, a fé é uma adesão à Pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E hoje São Tiago nos chama à atenção para que a nossa fé não seja apenas uma fé teórica, não seja apenas uma fé de atributos, mas que ela seja concreta. E o que é uma fé concreta? É uma fé que se traduz em obras, porque a fé que não mostra obras e não produz frutos é morta, ela não dá vida.

Sabem, meus irmãos, nós, muitas vezes, procuramos alimentar os nossos gestos e atitudes na fé ao procurarmos rezar mais. E como é importante isto: ter a nossa vivência de fé, os nossos atos de fé, a nossa disposição de participar de tudo aquilo que vai ser um alimento para a nossa fé. Mas não adianta nos enchermos disso tudo se nós não sairmos de nós para mostrar a nossa fé em obras.

As obras para as quais Deus nos chama à atenção são sobretudo as obras de caridade, as obras de cuidado para com o nosso próximo, para com o nosso irmão. Não adianta falar bonito de Deus se eu não sou capaz de perdoar e de ajudar a quem precisa. Não adianta falarmos bonito da nossa fé se não somos capazes de cuidar das necessidades dos mais sofridos. As obras de caridade as quais Deus nos chama a viver são: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, visitar aquele que está na prisão, cuidar do oprimido, do órfão, da viúva; ser uma presença d’Ele para aqueles que sofrem.

Quando olhamos Jesus, nós não podemos simplesmente admirar Suas pregações maravilhosas e Seus exemplos de vida; nós devemos olhar para Jesus e ver n’Ele a caridade em pessoa, aquele que se compadeceu do mais necessitado e do mais sofrido. Por isso a nossa fé, para que não seja apenas uma fé de palavras, precisa ser uma fé de obras, de exemplos e de muita caridade.

Que Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova.

Mãe, consolo de Deus para o mundo

Quando o nosso mundo se agita neste mar de violências e de injustiças, não podemos deixar de lembrar de tua pessoa, Mãe, porque ainda és, a maior reserva de amor que Deus colocou neste mundo. Quando tudo parece estar perdido, ainda resta o coração; é de lá que a vida começa a renascer. E tu, ó mãe, tens entre os homens o primado do coração.

Nem os arranha-céus mais altos, nem os computadores mais possantes, nem os aviões mais velozes, podem ser comparados à beleza transcendente do teu olhar e o sentimento incomparável do teu coração. Mãe, foste criada não só para dar a vida aos homens, muito mais do que isto, para semear o amor entre eles. Sois tão diga, que até o próprio Deus quis nascer de ti, em forma humana.

O mundo precisa aprender contigo mãe, antes que seja tarde, a lição do perdão sem limites, da compaixão que faz sofrer solidária, da bondade que supera toda inveja, da paciência que vence toda inquietação, do amor que vence todo ódio, e que é mais forte do que a morte.

Somos gratos a Deus que te criou e te deu de presente a cada um de nós. A tua beleza é grande porque em ti é grande a intensidade do espírito que penetra a matéria. Sobretudo mãe, queremos reconhecer e agradecer pela gratuidade das tuas boas obras. Sois como a raiz da árvore, sempre escondida, mas sempre promovendo o crescimento dos ramos e dos frutos.

Disse alguém que “o prazer da abelha é sugar o mel da flor, mas o prazer da flor é entregar o mel à abelha”. Sei que assim és mãe! Olhando para ti aprendemos a dar graças a Deus todos os dias. E, se por acaso, alguém não reconhecer o teu valor, ou não retribuir com gratidão o teu amor que nunca acaba, saiba que o Criador te vê. Lembra-te daquilo que disse alguém: todo dia o sol também dá um belo espetáculo ao nascer o dia, e, no entanto, a maioria da platéia dorme, e não pode reconhecer a sua beleza. Mas nem por isso, o sol deixa de ser belo, formoso e fundamental. Da mesma forma, mãe és o sol do lar.

Que o bom Deus, que nos deu a graça de criá-la, renove tuas forças e tua graça, hoje mais do que nunca, para que do teu coração surja uma nova esperança para todos. Mãe, mais do antes, precisamos muito de ti!

Certa vez Michelangelo viu um bloco de pedra e disse a seus alunos: “aí dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora!” Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então os alunos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”.

Esta é a sua bela missão Mãe, educar; e educar é isto, com paciência e perícia ir tirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes do filho, até que o “anjo” apareça. Michel Quoist dizia “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus.”

Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais. Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, “é obra do coração”, é obra do amor, por isso tem muito a ver com a mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida.

O povo diz que atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, mas é preciso não esquecer que “esta mulher” mais do que a esposa, é a mãe.

É no colo da mãe que a criança precisa aprender o que é a fé, aprender a rezar e a amar a Deus e as pessoas. É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo da mãe que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e não desprezar ninguém.

É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura da castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios. É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua plantinha que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da mal-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela que vai lhe ensinando a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro. É a mãe que nas primeiras tarefas do lar, lhe ensina o caminho redentor do trabalho e da responsabilidade.

Até o filho de Deus quis ter uma Mãe para cumprir a sua missão de salvar a humanidade; e Ele fez o seu primeiro milagre nas bodas de Caná exatamente porque ela lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

Mãe querida, que Deus te abençoe.


Professor Felipe Aquino

Prudência, nosso maior bem

“E se alguém ama a justiça, seus trabalhos são virtudes; ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a força: não há ninguém que seja mais útil aos homens na vida. Se alguém deseja uma vasta ciência, ela sabe o passado e conjectura o futuro; conhece as sutilezas oratórias e revolve os enigmas; prevê os sinais e os prodígios, e o que tem que acontecer no decurso das idades e dos tempos. Portanto, resolvi tomá-la por companheira de minha vida, cuidando que ela será para mim uma boa conselheira, e minha consolação nos cuidados e na tristeza” (Sabedoria 8,7-9).

O mundo de hoje vive uma grande crise de virtudes. Aumenta, de modo assustador, o grande problema dos vícios, sejam eles quais forem: vício de drogas, de entorpecentes, de cigarro, de álcool, entre outros. Esse tipo de conduta atingiu um ponto tão alarmante que, muitas vezes, temos vergonha de fazer a coisa certa.

Não é permitido mais fazer o certo, pois se você está certo, está errado no conceito do mundo. Além dos vícios físicos, ainda há os vícios da alma. Pensa-se: “Perdoar? Imagine! Eu não preciso de ninguém!”.

As pessoas acreditam que a virtude deva se dobrar diante do vício, mas é exatamente o contrário que precisa acontecer; o vício deve se dobrar diante da virtude. Por isso, há uma necessidade muito grande da presença das virtudes em nossa vida.

Hoje, vamos nos aprofundar naquela que é considerada a "mãe das virtudes": a prudência. Não existe nenhuma outra coisa se esta não existe. Pensa-se que prudência é cautela, mas não é isso que as Sagradas Escrituras nos ensinam. Prudência não é simplesmente sinônimo de cautela.

Ser prudente é ver e perceber aquilo que realmente é importante; é perceber as coisas a partir da luz de Deus e dar a resposta certa no momento certo. Prudência não é medo, é discernimento. Ela não só nos manda ficar, mas também nos manda ir.

A sabedoria é fruto da prudência, as duas são a mesma coisa. Compreendemos o que é preciso fazer, vamos lá e fazemos. A prudência sabe contornar as situações.

Vejamos o exemplo da “parábola das dez virgens prudentes”, que se encontra em Mateus 25,1-13: “Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes. Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas. Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro. E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas. As tolas disseram às prudentes: Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando. As prudentes responderam: Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós. Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: Senhor, senhor, abre-nos! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo: não vos conheço! Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora”.

Essa passagem bíblica nos mostra bem o que é a prudência. Às vezes, mesmo que tenhamos vontade de ser solidários, não podemos dar algo que vai nos faltar. Muitas vezes, damos aquilo que nos é necessário. Prudência é fruto de Deus, é virtude que vem do Alto.

É fácil saber o que tem de ser feito, a que horas fazer e como fazer? Claro que não!

Para cada momento existe uma decisão diferente; não é sempre que damos a mesma resposta. Caso isso esteja acontecendo, está na hora de ser mais prudente e escolher entre o mal e o bem.

Por que as pessoas escolhem coisas ruins, então? A escolha entre o bem e o mal é questão apenas de inteligência, nos lembra Santo Inácio de Loyola. Por isso, escolher entre o bem e o mal é questão apenas de sobrevivência. Mas a vida não está baseada simplesmente na escolha do bem, é preciso saber que nem todo bem nos faz bem, nem todo bem faz bem a todos. Isso é discernimento! É preciso saber escolher entre o bem e o bem devido.

Se olhamos, por exemplo, o açúcar, ele é um bem, mas não faz bem a quem é diabético nem a quem se recupera de cirurgias. Ou seja, nem todo bem nos faz bem o tempo todo. Escolher entre o bem e o bem devido é questão de prudência.

Para ser feliz é preciso saber romper com o apego às coisas que são incompatíveis com nossa vida. Essa é a vontade de Deus!

Precisamos amadurecer para as escolhas mais difíceis, escolher entre tudo o que é bom e encontrar, na vontade do Senhor, o bem que nos é devido. Acertar nessa escolha é questão de realização. A prudência é a mãe de todas as virtudes, e é nela que nos encontramos com o Senhor. Ser de Deus não é fácil, mas é possível. Peçamos a Jesus Cristo prudência para as nossas decisões. Amém.

Padre Xavier
Comunidade Canção Nova

6º Domingo do Tempo Comum

A 1ª Leitura, afirma a liberdade humana diante da proposta de Deus: “se você quiser” observar os mandamentos, eles guardarão você; “se quiser” confiar em Deus, você vai ver. Deus deu-lhe a capacidade de escolher entre o fogo e a água, entre a vida e a morte, o bem e o mal. Você receberá o que preferir. A sabedoria de Deus é imensa. Ele é forte e bondoso e tudo vê. Deus tem cuidado de quem o teme e conhece nossas obras. Ele não nos mandou agir erradamente e não nos dá licença de pecar.

Na 2ª Leitura, São Paulo, fala da misteriosa sabedoria de Deus, que os foi revelada através do Espírito.

No Evangelho, continuamos ouvindo o sermão da montanha, no qual Jesus ensina o que está na origem do Reino de Deus. Ele não veio abolir a lei e os profetas, mas veio dar-lhes pleno cumprimento. Para Jesus, as Sagradas Escrituras devem ser integralmente cumpridas. Quem compreender isto e assim ensinar será grande no Reino de Deus, mas quem fizer o contrário será o menor.

O contexto em que o primeiro evangelho surgiu é aquele após a destruição de Jerusalém e do templo pelo império romano. Os grupos existentes no judaísmo (saduceus, zelotas e essênios) haviam sido dizimados. Das ruínas materiais e da crise espiritual emerge um grupo fariseu que unifica o judaísmo normativo, excluindo qualquer pluralismo.

A comunidade do evangelho de Mateus é constituída por judeus que reconheceram Jesus como o Messias. A rejeição aos cristãos vai se intensificando, até tornar-se oficial na assembléia de Jamnia, entre os anos 85 a 90 d.C. Os judeu-cristãos são expulsos formalmente das sinagogas.

O trecho do evangelho que ouvimos hoje expressa bem a tensão existente entre os cristãos e os fariseus. Para quem segue Jesus ressuscitado, a prática da justiça é fundamental, Jesus fala com uma autoridade que está acima dos mestres do judaísmo. Jesus cumpre a lei e os profetas em seu sentido profundo.

O reinado de Deus é a meta. Quem pertence a esse reinado do Senhor tem que superar a prática da justiça dos letrados e dos fariseus. Jesus expõe sua posição diante da lei tradicional, indo além, exigindo atitudes interiores, conversão profunda, na forma reiterada: “foi dito” – “eu vos digo”. A lei de Jesus supera a lei de Moisés que é, ao mesmo tempo, lei religiosa e civil.

Nos versículos 21-26, sobre o homicídio, radicaliza-se a atitude interior de onde brota a violência de matar e se estendem as ofensas menores – xingamentos, insultos, desprezo, rancor, inveja – que podem levar ao homicídio. Há uma hierarquia para o castigo: tribunal local, conselho nacional, o próprio Deus, com o castigo escatológico do fogo.

Do preceito negativo de “não matar” estende-se a exigência positiva da reconciliação, antes da participação no culto. Os versículos 27-30 são sobre o adultério sua proibição sob pena de morte.

A nova lei atinge a atitude interior de desejo consentido que entra pelos olhos e pelos outros sentidos e membros. Novamente é lembrando o fogo escatológico como castigo. Os versículos 31-32 falam do divórcio concedido ao homem. Jesus se opõe à lei e à sua legalidade. Os versículos 33-37 falam sobre o juramento.

Entre os irmãos cristãos, a sinceridade deve ser tal que inutilize todo juramento: “Sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem com outro juramento qualquer. O vosso sim seja sim, e o vosso não, não. Então não estareis sujeitos a julgamento.” O juramento era procedimento legal e prática religiosa admitidos e respeitados. No juramento, se oculta a desconfiança na palavra humana; o juramento busca o respaldo de uma instância superior. Não se deve colocar Deus em meio a nossas questões humanas.


Diocese de Limeira

Nossa Senhora de Lourdes

A Virgem Maria se apresentou como a Imaculada Conceição, confirmando assim o dogma decretado anos antes

Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho que entrou para o ofício das leituras do dia de hoje.

“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

Maria, a intercessora, modelo da Igreja, imaculada, concebida sem pecado, e, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Nossa Senhora, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu que rezássemos pela conversão deles com oração, conversão, penitência.

Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Deus quis e Sua Providência Santíssima também demonstrou, dessa forma, a infalibilidade da Igreja. Que chancela do céu essa aparição da Virgem Maria em Lourdes. E os sinais, os milagres que aconteceram e continuam a acontecer naquele local.

Lá, onde as multidões afluem, o clero e vários Papas lá estiveram. Agora, temos a graça de ter o Papa Francisco para nos alertar sobre este chamado.


Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

5º Domingo do Tempo Comum

Isaías, na primeira leitura de hoje, explica quais são as obras e atitudes agradáveis a Deus. A verdadeira religião é repartir o pão com os famintos, acolher os peregrinos e os pobres em sua casa; não desprezar, mas cobrir o que está nu. Essa é a sua luz que brilhará! Você será como a aurora! Vai recuperar sua saúde! A justiça abrirá seu caminho! A glória do Senhor seguirá você! Quando você invocar o Senhor, ele vai atender, e dirá: “Eis-me aqui”, quando você destruir os instrumentos de opressão de seu meio, deixar o autoritarismo e a linguagem maldosa. Se, de coração aberto, você acolher o indigente, socorrer o necessitado, você brilhará como o sol do meio-dia!

Na carta 2ªLeitura, São Paulo faz um paralelo entre as palavras e a sabedoria de Deus. Ele dá testemunho do mistério de Deus revelado na pessoa, palavra, vida e morte de Jesus Cristo. Paulo se considera fraco, debilitado e todo trêmulo, para que se revele a ação do Espírito Santo em sua missão.

A fé não se fundamenta em discursos, em cantorias humanas, às vezes persuasivas por si mesmas, levando à adesão pela emoção, à busca de milagres em proveito próprio, coisas puramente mercantilistas. A pregação de Paulo é demonstração do poder do Espírito, enviado pelo Ressuscitado e pede uma adesão humilde, sob a ação de Deus, no caminho e no seguimento do Crucificado.

O Evangelho, no sermão da montanha, Jesus fala com o povo simples e desprezado da Galileia. O que ele fala? “Vocês são sal e luz do mundo!”. Aquele povo, “Zé ninguém”, aos olhos dos “puros” formado por pecadores, dá sabor ao mundo sem sentido, insípido e brilha através de suas boas obras, para que o mundo reconheça nele a bondade de Deus. Que o mundo, vendo as boas obras dos pobres, simples e pequenos, louve a Deus, autor de todo bem.


Diocese de Limeira

Como evangelizar os meus filhos?

A Igreja ensina que os primeiros catequistas são os pais. É no colo deles que toda criança deve aprender a conhecer a Deus, aprender a rezar e dar os primeiros passos na fé; conhecer os Mandamentos e os Sacramentos.

Os pais são educadores naturais, e os filhos assimilam seus ensinamentos sem restrições. Será difícil levar alguém para Deus se isso não for feito, em primeiro lugar, pelos pais. É com o pai e a mãe que a criança tem de ouvir em primeiro lugar o nome de Jesus Cristo, Sua vida, Seus milagres, Seu amor por nós, Sua divindade, Sua doutrina… Eles são os responsáveis a dar-lhes o batismo, a primeira comunhão, a crisma e a catequese.Quando fala aos pais sobre a educação dos filhos, São Paulo recomenda: “Pais, não exaspereis os vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor” (Ef 6, 4). Aqui está uma orientação muito segura para os pais. Sem a “doutrina do Senhor”, não será possível educar. Dom Bosco, grande “pai e mestre da juventude”, ensinava que não é possível educar sem a religião. Seu método seguro de educar estava na trilogia: amor – estudo – religião.

Nunca esqueci o terço que aprendi a rezar aos cinco anos de idade, no colo de minha mãe. Pobre filho que não tiver uma mãe que o ensine a rezar! Passei a vida toda estudando, cheguei ao doutorado e pós-doutorado em Física e nunca consegui esquecer a fé que herdei de meus pais; é a melhor herança que deles recebi. Não é verdade que a ciência e a fé são antagônicas; essa luta só existe no coração do cientista que não foi educado na fé, desde o berço.

Os pais não devem apenas mandar os seus filhos à igreja, mas, devem levá-los. É vendo o pai e a mãe se ajoelharem que um filho se torna religioso, mais do que ouvindo muitos sermões. A melhor maneira de educar, também na fé, é pelo exemplo. Se os pais rezam, os filhos aprender a rezar; se os pais vivem conforme a lei de Deus, os filhos também vão viver assim, e isso se desdobra em outros exemplos. Os genitores precisam rezar com os filhos desde pequenos, cultivar em casa um lar católico, com imagens de santos em um oratório, o crucifixo nas paredes, etc.; tudo isso vai educando os filhos na fé. Alguém disse, um dia, que “quando Deus tem seu altar no coração da mãe, a casa toda se transforma em um templo.”

Um aspecto importante da educação religiosa de nossos filhos está ligado à escola. Infelizmente, hoje, se ensina muita coisa errada em termos de moral nas escolas; então, os pais precisam saber e fiscalizar o que os filhos aprendem ali. Infelizmente, hoje, o Governo está colocando até máquinas para distribuir “camisinhas” nesses locais. Os filhos precisam em casa receber uma orientação muito séria sobre a péssima “educação sexual” que hoje é dada em muitas escolas, a fim de que não aprendam uma moral anticristã.

Outro cuidado que os pais precisam ter é com a televisão; saber selecionar os programas que os filhos podem ver, sem violência, sem sexo, sem massificação de consumo, entre outros. Hoje temos boas emissoras religiosas. A televisão tem o seu lado bom e o seu lado mau. Cabe a nós saber usá-la. Uma criança pode ficar até cerca de 700 horas por ano na frente de um televisor ligado. Mais uma vez aqui, é a família que será a única guardiã da liberdade e da boa formação dessa criança. Os pais precisam saber criar programas alternativos para tirá-las da frente do televisor, oferecendo-lhes brinquedos, jogos, contando-lhes histórias, etc.. Da mesma forma, ocorre com a internet: os pais não podem descuidar dela.

Mas, para levar os filhos para Deus é preciso também saber conquistá-los. O que quer dizer isso? Dar a eles tudo o que querem, a roupa da moda, a camisa de marca, o tênis caro? Não! Você os conquista com aquilo que você é para o seu filho, não com aquilo que você dá a ele. Você o conquista dando-se a ele; dando o seu tempo, o seu carinho, a sua atenção, ajudando-o sempre que ele precisa de você. Saint-Exupéry disse no livro “O Pequeno Príncipe”: “Foi o tempo que você gastou com sua rosa que a fez ser tão importante para você”.

Diante de um mundo tão adverso, que quer arrancar os filhos de nossas mãos, temos de conquistá-los por aquilo que “somos” para eles. É preciso que o filho tenha orgulho dos pais. Assim será fácil você levá-lo para Deus. Muitos filhos não seguem os pais até a igreja porque não foram conquistados por estes.

Conquistar o filho é respeitá-lo; é não o ofender com palavras pesadas e humilhantes quando você o corrige; é ser amigo dos seus amigos; é saber acolhê-los em sua casa; é fazer programas com ele, é ser amigo dele. Enfim, antes de dizer a seu filho “Jesus te ama”, diga-lhe: “eu te amo”.


Prof. Felipe Aquino

Apresentar-se

Costumamos dizer “amém” no fim de alguma prece ou mesmo para mostrar nosso assentimento quando alguém nos faz alguma proposta ou há uma verdade por nós aceita. O fato de nos apresentarmos a um chamado para uma reunião, um evento ou um compromisso revela também nossa conduta afirmativa em relação a esse fato.

Era costume, no meio judeu, levar uma criança para apresentá-la no templo, consagrando-a a Deus, quando esta era o primeiro filho homem nascido de um casal. Isso aconteceu com o Menino Jesus. Sucede conosco também o mesmo no batismo, fazendo o rito de consagração como entrega a Deus da vida de uma criança ou de um adulto, com base em sua fé religiosa.

O desafio da fé é, justamente, o compromisso de fidelidade. Há quem se apresente, oferecendo-se a Deus, numa vida consagrada, seguindo o que Ele indica para nosso próprio bem. Mas, devido às propostas diferenciadas, aos limites e entraves pessoais, à fraqueza da fé e outros motivos, começa a voltar atrás na oferta de si. Em vez de renovar a própria entrega, a pessoa vai tirando o que ofertou a Deus.

Às vezes, o fingimento de ter fé leva a pessoa a praticar atos religiosos, mas sem querer seguir os ensinamentos divinos propostos pela comunidade religiosa. Há quem queira religião a seu modo, sem liame com a comunidade de fé nem compromisso pessoal de seguir a ética e a moral, contrariando sua própria fé.

Jesus fala sobre o amor a Deus, o qual exige o cumprimento de Seus mandamentos. São João Evangelista lembra: "Quem diz que conhece a Deus, mas não cumpre os seus mandamentos, é mentiroso, e a Verdade não está nele... o amor de Deus se realiza de fato em quem observa a Palavra de Deus” (1 João 2,4.5). Quem quer viver a fé conforme o Mestre não tem medo de se apresentar sempre como seguidor da pessoa d'Ele e de Seus ensinamentos. Mais: ensina também aos outros o que Ele indica, conforme a missão dada por Ele.

Depois do ato ou compromisso de fé, caracterizado no batismo, a pessoa vai mostrar sua coerência na fidelidade do seguimento ou discipulado. Não tem vergonha de testemunhar sua escolha de vida. Em todas as realidades, circunstâncias e vocações, mostra a que veio com sua fé. Baseada nela, mostra a fidelidade na vida honesta, na promoção do bem do semelhante, no compromisso com a proposta de vida cristã aos outros, no encaminhamento da família conforme os ditames do Evangelho, na ajuda à promoção da justiça e da boa política na sociedade. Não tem medo de se apresentar como pessoa do bem, coerente com a verdade e na luta pela dignidade da vida e da pessoa humana.

O Filho de Deus nos mostra que Sua apresentação no Templo marca Sua presença em nossa história como quem resgata a aliança de amor entre o divino e o humano, na oblação do amor, que faz gerar vida plena para todos.

Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

Domingo da Apresentação do Senhor

A 1ª Leitura nos mostra que, o dia do Senhor, mencionado várias vezes no Antigo Testamento, geralmente é considerado como uma visitação ou vinda; como uma intervenção divina quase sempre iminente.

A imagem do fogo não tem por objetivo causar medo, mas é simplesmente uma metáfora tirada da vida cotidiana. Alguns aspectos do processo de refinação de metais são simbolicamente empregados várias vezes para discorrer sobre a purificação do pecado e como prova de fidelidade a Deus.

A prata era obtida pelo processo de fusão. Sob alta temperatura, as substâncias agregadas à superfície do metal se transformavam em pó, o qual era repelido por uma rajada de ar. Nas diversas referências bíblicas, a refinação do metal é usada simbolicamente para ilustrar o tipo de provação à qual os seres humanos são submetidos. Em momentos difíceis da história é que se pode constatar quem de fato é ou não fiel a Deus. Aqueles que permanecem fiéis, firmes na fé, experimentarão a libertação definitiva, mesmo que eventualmente suportem algumas circunstâncias difíceis.

Na 2ª Leitura, o tema central da carta aos Hebreus é o sumo sacerdócio de Cristo. Sacerdote significa mediador, ou seja, alguém por meio do qual se efetiva a relação entre Deus e a humanidade, entre Criador e criatura. A mediação realizada por Jesus Cristo somente é possível porque ele é totalmente divino e totalmente humano, ou seja, faz parte da esfera do Criador (é Filho) e da criatura (é homem).

Na relação de Cristo com Deus, temos o aspecto da autoridade, pois foi glorificado à direita do Pai. Já na relação com a humanidade, temos o da misericórdia, visto que, por experiência própria, participou de nossa fraqueza, sendo em tudo semelhante a nós, exceto no pecado.

Cristo é sumo sacerdote tanto por sua intimidade com o Pai quanto por sua solidariedade com a humanidade. Ambas as relações foram levadas ao extremo. A credibilidade e a solidariedade de Cristo fazem dele o fundamento da nossa fé. O ser humano pode lançar toda a sua existência sobre esse fundamento, por duas razões: porque Cristo é o Filho de Deus constituído em dignidade; porque amou a humanidade a ponto de morrer na cruz para libertá-la do poder da morte e associá-la à oferta de sua própria vida ao Pai.

Os primeiros versículos do Evangelho tratam especificamente da manifestação (epifania) do messiado de Jesus a partir do cumprimento dos ritos de iniciação na religião da sua família, o judaísmo. Jesus e Maria, recém-nascido e parturiente, submeteram-se a tudo que a lei de Moisés indicava a respeito do nascimento de um menino primogênito
.
Pela circuncisão, Jesus tinha sido oficialmente marcado como membro de Israel, ingressando na aliança feita com os patriarcas e com os descendentes deles desde Abraão até os escravos libertos do Egito. No momento da circuncisão, de acordo com a lei dada por Deus a Moisés, foi imposto o nome do menino: ele foi chamado Jesus, conforme o anjo havia orientado. Naquela cultura, o nome designava a identidade e a missão da pessoa. Jesus quer dizer “Deus salva”. Isso significa que Deus nunca desistiu de salvar o mundo por meio de Israel e que cumpriu essa promessa mediante um israelita fiel, Jesus de Nazaré. Ao se tornar oficialmente membro do povo da aliança, Jesus realizou em sua vida, morte e ressurreição a vocação que Abraão e seus descendentes haviam recebido.

Pelo rito de iniciação à religião judaica, ou seja, de pertença à antiga aliança, Jesus não somente deveria ser circuncidado, mas também resgatado. O primeiro rito remetia aos patriarcas e o segundo, à libertação do Egito. O ritual do resgate estava vinculado à Páscoa, quando os primogênitos dos hebreus tiveram a vida poupada e se tornaram consagrados a Deus. O resgate significava que o primogênito era trocado por uma quantia em dinheiro e, a partir de então, podia deixar o santuário e voltar ao convívio familiar.

Propositalmente, Lucas não menciona o resgate de Jesus, que, à semelhança dos levitas, continuará sempre pertencendo a Deus. Em vez do resgate do primogênito, Lucas narra a apresentação de Jesus, evocando a entrada do Senhor no santuário para realizar uma grande purificação. Ao dizer que o menino foi purificado, o evangelho está afirmando que Israel inteiro foi igualmente purificado por meio dele.

A segunda parte do evangelho de hoje fala sobre o reconhecimento do Cristo pelos representantes dos piedosos que esperavam a vinda do Messias, ou seja, a consolação de Israel, a qual, conforme Isaias, é sinônimo da salvação que vem de Deus. Os “pobres de Javé” reconhecem o Messias libertador naquele frágil recém-nascido.

Primeiramente, aparece Simeão. Seu hino de louvor é também um discurso de despedida, como acontece no livro do Deuteronômio, que fecha o Pentateuco (Torah) com longa despedida de Moisés. O velho Simeão reconhece que a esperança de Israel converge para aquele menino, o qual realizará a libertação de Jerusalém, a cidade santa, que no Antigo Testamento representa todos os escolhidos de Deus. Além disso, o menino é uma luz que parte de Israel para as nações pagãs e será um sinal de contradição, pois diante dele todos terão de tomar uma decisão. Nesse sentido, ele será soerguimento para alguns e queda para outros, pois diante dele se revelarão as intenções dos corações.

Em seguida, Ana é mencionada. O nome dela significa “graça”, “favor”. Ao fazer referência à família de Ana como pertencente ao clã de Fanuel, Lucas alude a uma experiência mística do patriarca Jacó e a todos aqueles que sempre desejaram ver Deus face a face. Também a menção à tribo de Ana é algo bastante significativo, porque, no antigo Israel, a tribo de Aser ficava ao norte; isso mostra que Ana era uma profetisa da Galileia e, portanto, seria considerada pelos legalistas de Jerusalém como suspeita de heresia. No entanto, é ela, e não os líderes religiosos da época, quem reconhece Jesus como Messias.


Homilia Dominical