29 de Stembro – Dia dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

Com alegria, comemoramos a festa de três Arcanjos neste dia: Miguel, Gabriel e Rafael. A Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento a devoção a estes amigos, protetores e intercessores que do Céu vêm em nosso socorro pois, como São Paulo, vivemos num constante bom combate. A palavra “Arcanjo” significa “Anjo principal”. E a palavra “Anjo”, por sua vez, significa “mensageiro”.

São Miguel
O nome do Arcanjo Miguel possui um revelador significado em hebraico: “Quem como Deus”. Segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao Trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus. No Antigo Testamento o profeta Daniel chama São Miguel de príncipe protetor dos judeus, enquanto que, no Novo Testamento ele é o protetor dos filhos de Deus e de sua Igreja, já que até a segunda vinda do Senhor estaremos em luta espiritual contra os vencidos, que querem nos fazer perdedores também. “Houve então um combate no Céu: Miguel e seus anjos combateram contra o dragão. Também o dragão combateu, junto com seus anjos, mas não conseguiu vencer e não se encontrou mais lugar para eles no Céu”. (Apocalipse 12,7-8)

São Gabriel
O nome deste Arcanjo, citado duas vezes nas profecias de Daniel, significa “Força de Deus” ou “Deus é a minha proteção”. É muito conhecido devido a sua singular missão de mensageiro, uma vez que foi ele quem anunciou o nascimento de João Batista e, principalmente, anunciou o maior fato histórico: “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré… O anjo veio à presença de Maria e disse-lhe: ‘Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus’…” a partir daí, São Lucas narra no primeiro capítulo do seu Evangelho como se deu a Encarnação.

São Rafael
Um dos sete espíritos que assistem ao Trono de Deus. Rafael aparece no Antigo Testamento no livro de Tobit. Este arcanjo de nome “Deus curou” ou “Medicina de Deus”, restituiu à vista do piedoso Tobit e nos demonstra que a sua presença, bem como a de Miguel e Gabriel, é discreta, porém, amiga e importante. “Tobias foi à procura de alguém que o pudesse acompanhar e conhecesse bem o caminho. Ao sair, encontrou o anjo Rafael, em pé diante dele, mas não suspeitou que fosse um anjo de Deus” (Tob 5,4).


São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!

26º Domingo do Tempo Comum

A primeira leitura está situada no exílio na Babilônia, onde Ezequiel ensina a seguir o caminho da vida, através da prática do direito e da justiça.

Na segunda leitura, Paulo convida a ter os mesmos sentimentos de Cristo, que se fez servidor até a entrega total da vida por amor.

No Evangelho, Jesus está em Jerusalém junto aos chefes dos sacerdotes e anciãos, que haviam se aproximado dele no templo para interrogá-lo sobre sua atuação. É neste contexto de rejeição de Jesus por parte das lideranças do seu povo que ele conta a parábola dos dois filhos chamados a trabalhar na vinha do pai. A eles Jesus dirige a parábola. Como no domingo passado, a imagem da vinha indica o povo de Israel em aliança com Deus. O Pai convida os dois filhos a trabalharem em sua vinha. O primeiro filho rejeita o convite, mas depois vai trabalhar na vinha; o segundo acolhe com disponibilidade, porém, não vai. De um lado estão as autoridades, que são absolutamente observantes da lei e que, por isso mesmo, se julgam em garantia diante de Deus. Do outro lado estão os publicanos e as prostitutas, excluídos do templo por serem considerados impuros e pecadores. A parábola aponta para uma inversão: “estes entrarão primeiro no reino dos céus”. Abertos à graça divina, acolhem a pregação e o testemunho de João sobre a justiça, convertem-se e creem na Boa Nova de Jesus.


Revista de Liturgia

Pondere o que você diz, pois as palavras têm poder

O capítulo 1, do livro de São João, começa nos dizendo que, no princípio, era a Palavra, e a Palavra era Deus, a qual se fez carne e habitou entre nós. Isso nos mostra que a palavra é poderosa para invocar o processo de criação, ontem, hoje e sempre.

Há vários exemplos, na Bíblia, que confirmam isso, como quando Deus ordenou que a luz, a terra, a água e todas as outras coisas fossem criadas. Presenciamos o cumprimento do propósito da Palavra, pois ela cria, liberta, faz o mar se abrir, a montanha mudar de lugar e convence pessoas a mudarem hábitos.

Mas, se por um lado, vivenciamos o poder criador das palavras; por outro também temos exemplos bíblicos de palavras que destroem. O mundo está cheio de crianças e adultos com traumas provocados por ameaças, descontroles e situações de medo, que provocam inseguranças nas pessoas.

Estamos expostos a ambas, tanto a palavras boas como a más, precisamos ter cuidado com as que saem da nossa boca, pois podem ser bênçãos ou maldições lançadas na vida de nossos filhos. Existem pessoas que abençoam qualquer que seja a situação; outras reclamam de tudo o que lhes acontece.

Os pais influenciam na construção da identidade de seus filhos, dependendo das palavras podemos ajudá-los a ter uma visão positiva ou negativa de si mesmos. Falar a verdade reduz associações emocionais erradas.

Imaginem crianças crescerem ouvindo os pais lhes dizendo que elas são burras, desastradas, medrosas, relaxadas, entre outros adjetivos negativos. Elas vão crescer se vendo neste espelho e provavelmente vão se transformar em adultos com conhecimento pessoal inadequado e baixa autoestima. Se elas têm algum problema ajude-as, não adianta reclamar ao precisar dizer algo várias vezes a elas, porque a fixação na maioria das vezes vem com a repetição.

Por outro lado, crianças que escutam os pais falarem bem de suas habilidades em cantar, conversar, organizar e aprender, quando estes precisarem citar os pontos em que elas precisam melhorar, já criaram uma base positiva para que elas se sintam capazes de acertar aquilo que não está adequado.

Procurem observar quais são as habilidades naturais de seus filhos. Incentivá-los vai encorajá-los a tentar desenvolver habilidades que não possuem naturalmente; ao passo que palavras negativas são desencorajadoras e destrutivas. Qual seu objetivo com seus filhos? Desencorajá-los ou fortalecê-los e criar comportamentos positivos neles?

Lembrem-se de usar palavras, na correção, que demonstrem que o problema é o comportamento do filho e não o filho em si, pois ele precisa se sentir amado e querido, mas também saber que existem limites que precisam ser respeitados. No seu processo educacional, você quer fortalecer ou abalar o estado emocional do seu filho?

Cuidado para não descontar a pressão do seu dia a dia nos filhos com palavras grosseiras ou que os façam ficar para baixo. É preciso estimular o relacionamento com outras pessoas em vez de sempre criticar os outros. E também evitar comparações entre irmãos, plantando semente de rivalidades entre eles e sentimento de superioridade ou inferioridade. Não reforce comportamentos negativos herdados ou construídos a partir da imagem de parentes ou amigos com comparações destrutivas.

Seja elogiando seja criticando, mostre-lhes que eles podem contar com você tanto para os aplaudir como para os redirecionar nos diferentes momentos da vida. Evite frases que possam fazê-los se lembrar do quanto você os fez se sentirem mal. Lembre-se de que sua palavra tem poder espiritual e emocional, por isso seja um profeta de coisas boas na vida dos seus filhos, parentes e amigos. Sempre que possível, aproveite para os abençoar e, assim, você também será abençoado, pois a palavra não volta para terra sem ter cumprido sua missão.

Ângela Abdo

Coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES)

23 de Setembro – Dia de São Pio de Pietrelcina

Este digníssimo seguidor de S. Francisco de Assis nasceu no dia 25 de maio de 1887 em Pietrelcina (Itália). Seu nome verdadeiro era Francesco Forgione. Ainda criança era muito assíduo com as coisas de Deus, tendo uma inigualável admiração por Nossa Senhora e o seu Filho Jesus, os quais via constantemente devido à grande familiaridade. Ainda pequenino havia se tornado amigo do seu Anjo da Guarda, a quem recorria muitas vezes para auxiliá-lo no seu trajeto nos caminhos do Evangelho.

Conta a história que ele recomendava muitas vezes as pessoas a recorrerem ao seu Anjo da Guarda estreitando assim a intimidade dos fiéis para com aquele que viria a ser o primeiro sacerdote da história da Igreja a receber os estigmas do Cristo do Calvário. Com quinze anos de idade entrou no Noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em Morcone, adotando o nome de “Frei Pio” e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1910 na Arquidiocese de Benevento. Após a ordenação, Padre Pio precisou ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde e, em setembro desse mesmo ano, foi enviado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até o dia de sua morte.

Abrasado pelo amor de Deus, marcado pelo sofrimento e profundamente imerso nas realidades sobrenaturais, Padre Pio recebeu os estigmas, sinais da Paixão de Jesus Cristo, em seu próprio corpo. Entregando-se inteiramente ao Ministério da Confissão, buscava por meio desse sacramento aliviar os sofrimentos atrozes do coração de seus fiéis e libertá-los das garras do demônio, conhecido por ele como “barba azul”.

Torturado, tentado e testado muitas vezes pelo maligno, esse grande santo sabia muito da sua astúcia no afã de desviar os filhos de Deus do caminho da fé. Percebendo que não somente deveria aliviar o sofrimento espiritual, recebeu de Deus a inspiração de construir um grande hospital, conhecido como “Casa Alívio do Sofrimento”, que se tornou uma referência em toda a Europa. A fundação deste hospital se deu a 5 de maio de 1956.

Devido aos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial, Padre Pio cria os grupos de oração, verdadeiras células catalisadoras do amor e da paz de Deus, para serem instrumentos dessas virtudes no mundo que sofria e angustiava-se no vale tenebroso de lágrimas e sofrimentos. Na ocasião do aniversário de 50 anos dos grupos de oração, Padre Pio celebrou uma Missa nesta intenção. Essa Celebração Eucarística foi o caminho para o seu Calvário definitivo, na qual entregaria a alma e o corpo ao seu grande Amor: Nosso Senhor Jesus Cristo; e a última vez em que os seus filhos espirituais veriam a quem tanto amavam.

Era madrugada do dia 23 de setembro de 1968, no seu quarto conventual com o terço entre os dedos repetindo o nome de Jesus e Maria, descansa em paz aquele que tinha abraçado a Cruz de Cristo, fazendo desta a ponte de ligação entre a terra e o céu.

Foi beatificado no dia 2 de maio de 1999 pelo Papa João Paulo II e canonizado no dia 16 de junho de 2002 também pelo saudoso Pontífice. Padre Pio dizia: “Ficarei na porta do Paraíso até o último dos meus filhos entrar!”


São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

25º Domingo do Tempo Comum

Na primeira leitura, o profeta convida a buscar e invocar o Senhor que está perto. Diante da perspectiva de retorno dos exilados da Babilônia, a volta para Deus é o caminho que liberta e assegura a vida na terra prometida.

Na segunda leitura, Paulo, prisioneiro por causa do nome de Jesus, dá testemunho da sua identificação com ele: Para mim o viver é Cristo e exorta a viver de modo digno do evangelho.

O contexto deste evangelho remete à situação dos lavradores que perderam suas terras e estão a procura de trabalho. A contratação dos trabalhadores em diversas horas do dia reflete a realidade bem conhecida, também atualmente, dos que não possuem terra, nem trabalho e, a cada dia, perambulam a procura de contratação. Bem diferente da lógica que conhecemos é a atitude do pai de família que sai em busca de mão de obra e paga a cada trabalhador, não de acordo com o próprio merecimento, mas conforme a sua necessidade. É a lógica da generosidade e da justiça de Deus que inverte a lógica humana, que dá prêmio a quem merece.  O Reino é dom gratuito oferecido pelo Pai a todos os seus filhos e filhas, sem depender dos seus méritos. Jesus manifesta a bondade incondicional de Deus, o amor pelos mais necessitados, que estabelece uma nova ordem: Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos.


Revista de Liturgia

Em Deus encontramos a misericórdia e o perdão

Nós hoje estamos diante de uma das cenas mais lindas do Evangelho de São Lucas que fala de uma mulher conhecida como pecadora, porque todos a conheciam. A fama dela era grande na cidade. Não sei de que pecado se trata, mas é uma pecadora conhecida por todos. Ela se aproxima de Jesus com um frasco de alabastro, joga aquele perfume caro nos pés d’Ele e chora sobre Seus pés. Com suas lágrimas ela vai banhando os pés do Mestre e depois os enxuga com os próprios cabelos; enche-os de beijos e unge os pés d’Ele com aquele perfume do alabastro que ela havia trazido.

Simão se escandaliza com a atitude de Jesus, porque o Mestre deveria saber de quem aquela mulher se tratava. Mas o Mestre mesmo diz: “Ah, Simão, ela demonstrou muito amor, e por demonstrar muito amor os seus muitos pecados estão perdoados. Porque aquele a quem se perdoa pouco se mostra pouco amor”.

Em outras palavras, o perdão de Deus chega até nós quando realmente demonstramos contrição e arrependimento pelas nossas faltas. Ela estava ali não porque simplesmente tinha um remorso, um desgosto, uma angústia ou uma sensação de sentir-se a mais infame das mulheres. Estava ali porque tomou consciência de que feriu o amor de Deus, estava arrependida de viver longe do amor divino, ferido por causa de seus inúmeros pecados.

E não importam o tamanho e a quantidade dos nossos pecados, o que é mais importante é o tamanho do nosso arrependimento! Pode ser um pecadinho só, mas se não demonstro nenhum arrependimento, ele vai só se acumulando dentro de mim. Por outro lado, podem ser inúmeros pecados, mas, de repente, se eu demonstro grande arrependimento, a misericórdia de Deus me lava e me inunda por inteiro.

Não importa a quantidade, não importa o pecado que você cometeu. O importante é ter a consciência de que não podemos mais nos ferir, de que não podemos mais ferir o outro e não devemos mais ferir a relação amorosa que temos com Deus. Eu me jogo aos pés do Mestre e, com o coração humilde, com o coração contrito, reconheço o quanto o pecado me fere e o quanto fere a minha relação com Deus. Que o amor de Deus e que a misericórdia d’Ele curem as feridas que o pecado deixa dentro de nós!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

15 de Setembro – Dia de Nossa Senhora das Dores

No mundo atribulado com tantas calamidades, tantas angústias, tantas tristezas, parece um absurdo celebrarmos uma festa litúrgica sobre Nossa Senhora das Dores. Isso nos leva, a priori, a um panorama próximo do masoquismo, sentimento de tristezas. Todavia, essa não deve ser a atitude do cristão, uma vez a dor, física ou moral, ser companheira constante do ser humano e não existe no mundo alguém que não tenha sido visitado pela dor.

A Igreja, ao nos propor uma celebração sobre Maria das Dores, quer levar o cristão a ver na dor um sentido de redenção, de purificação a caminho da paz interior. Maria Santíssima ao ser tocada pela tristeza de ver seu Filho Jesus desprezado pelos seus compatriotas, contestado por estar ao lado dos abandonados daquela sociedade elitista, condenado a uma morte impiedosa, injusta e cruel, não ficou parada na dor, mas, com certeza, elevou seu olhar para seu Deus e Senhor e acompanhou seu filho até o final.

Sabia Maria das Dores que tudo o que acontece neste mundo, coisas cruéis e tristes, ainda que não queridas por Deus, que sempre quer filhos felizes e alegres, permite tais calamidades, delas extraindo coisas boas. Maria das Dores soube, desta forma, distinguir, como seu filho, a vontade divina, que sempre aspira a felicidade e alegria e a vontade de Deus, que permite dores e tristezas, mas infunde nelas o sentido de redenção e salvação. Tanto assim que os Evangelistas narram que, ao pé da cruz, estava de pé sua mãe. Estava de pé, posição de quem não se deixa abater pelo infortúnio do calvário. Com isso, Maria das Dores se torna co-redentora da humanidade e partícipe direta dos sofrimentos do seu amado filho e como tal é venerada por toda a cristandade.

Mas o que me chama a atenção é que Maria das Dores não ficou vencida pelas dores, mas soube dar-lhes um sentido de redenção e de amor ao ver seu filho, homem das dores, cumprir até o fim a vontade do pai. Da mesma forma, como Pai, comovido pela obediência irrestrita do filho, entrou no reino da morte e da tristeza e ressuscitou aquele filho dileto, da mesma forma acolheu o sacrifício da Mãe e lhe deu consolo da paz, não obstante o grande sofrimento do calvário.

Maria das Dores se torna, desta forma, exemplo e consolo para todos, mães e pais, que sofrem toda espécie de dores, morais e físicas, caminhando a frente de seus filhos para lhes dizer: “Filhos meus, tenham fé, tenham esperança. Deus, que permite a dor visitá-los, ama-os ternamente e tudo passa, mas o amor de Deus sempre é maior que os sofrimentos passageiros da vida”.

O Senhor Deus é o Deus da vida e os tormentos e dores que nos ocorrem são passageiros como o vento, como a poeira levantada, eis que em tudo se revela o amor de Deus, mesmo na dor e no sofrimento.

Termino com as afirmações carinhosas do salmo 103: “Pois como quanto é alto o céu sobre a terra tanto prevalece sua bondade com os que o temem”. “Bendizei o Senhor, vós todas suas obras, em todos os lugares, onde ele domina! Minha alma, bendize o Senhor!”

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós, agora e na hora do sofrimento, e sede sempre nossa consolação e alento!


Dom Eurico dos Santos Veloso

Festa de Exaltação da Santa Cruz

Na primeira leitura, o episódio da serpente levantada por Moisés no deserto é sinal de salvação e apelo a voltar para o Senhor, seguindo seus ensinamentos.

A segunda leitura é um hino que exalta o esvaziamento, a “kénosis” de Cristo até a morte na cruz, que o fez receber de Deus glória e poder.

O evangelho de hoje faz parte da narrativa sobre o encontro de Jesus com Nicodemos, um fariseu importante que o procura à noite. Apresenta o objeto da fé cristã que dá a vida: a elevação de Jesus na cruz, simbolizada pela serpente. O verbo levantar, com o sentido de elevar e exaltar, no grego, indica que o acontecimento da cruz é a glorificação de Jesus. Sua entrega total por amor transforma o escândalo da cruz em fonte de vida e salvação. O Pai revelou seu plano de amor à humanidade pela obra do Filho: Ele amou tanto que deu o seu Filho único que se ofereceu em amor por nós. Ele foi enviado ao mundo para salvar, não para julgar e condenar. Quem acredita no nome do Filho de Deus encontra a alegria da salvação, a luz da vida plena que dissipa as trevas. O texto completo termina com o apelo de Jesus: Quem pratica a verdade se aproxima da luz. Para passar das trevas da noite à luz do dia é necessário “nascer de novo”, renascer para a vida nova garantida por aquele que foi exaltado na cruz.


Revista de Liturgia 

13 de Setembro: 5ª Aparição de Nossa Senhora

Rodeados por mais de 25 mil pessoas, e assediados por todos os lados com diversos pedidos, os Pastorinhos compareceram novamente na Cova da Iria, diante da típica azinheira, Nossa Senhora pousa os pés em meio a uma nuvem de luz, e diz:

“Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

- Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo-mudo…

Sim, alguns curarei; outros, não. Em Outubro farei o milagre, para que todos acreditem.”

E como de costume, começou a se elevar e desapareceu.


Retirado do Livro Memórias da Irmã Lúcia

O mal destrói, o bem transforma

Em primeiro lugar, devemos fazer uma constatação: a maior honra e glória da nossa vida é sermos cristãos! Não são os títulos que temos ou mesmo os bens que possuímos, mas sim a graça de sermos cristãos católicos. Mas afirmo que isso não é fácil!

É mais fácil viver de filosofias; viver a radicalidade do Evangelho não é fácil. É desafiador ser católico pelas coisas que Deus exige de nós. De forma muito clara, a liturgia de hoje nos mostra uma espécie de código moral de como devemos nos comportar: “A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam” (Lc 6,27). Amados, isso não é fácil, mas Aquele, que é amor, nos dá esta ordem: devemos amar a todos!

No Antigo Testamento, o profeta Jeremias nos ensina que Deus tem entranhas de misericórdia e, no Novo Testamento, São João nos mostra a essência de Deus: o amor. Quem é Deus? É um Pai que possui entranhas de misericórdia e que é amor!

Somos chamados, no primeiro mandamento da Lei de Deus, a amá-Lo sobre todas as coisas, ou seja, quando O colocamos em segundo plano as coisas não dão certo. Se possuímos o amor, somos chamados a amar os nossos semelhantes. Mas, muitas vezes, somos seletivos: nós elegemos uns e deixamos de lado os outros.

Mas, como cristãos somos chamados a amar também os nossos inimigos. Não é uma tarefa fácil, sabemos disso, mas precisamos fazer isso. Se amar o próximo já é complicado, imagine os inimigos? Mas somos chamados por Jesus Cristo a também amá-los. Devemos ir ao encontro do Senhor, Ele nos ajudará nesta difícil tarefa. Sejamos, pois, como as crianças que foram sem reservas correndo ao encontro de Jesus. Se desejamos ser filhos e filhas de Deus, somos chamados a amar e a agir com misericórdia com todos.

Você lembra quem foi o primeiro seguidor de Jesus que deu a vida aos pés d’Ele? Estêvão. Apesar de ter sido apedrejado, ele não detestou aqueles que o machucaram, mas os perdoou. Aquilo que humanamente não temos o poder de realizar, o Senhor tem o poder de tudo fazer e restaurar. Tudo isso é para que sejamos santos, pois devemos pagar o ódio com o bem!

Há muitos anos, uma senhora vinha aos encontros na Canção Nova. Ela tinha um único filho, que, ao sair de um comércio, foi assaltado e morto por um bandido. Aquela mulher foi até a prisão onde o assassino de seu filho estava preso e disse-lhe: “Você tirou a vida do meu filho, mas, a partir de hoje, você será o meu filho.” Amados, ela perdoou aquele homem e ainda o assumiu como filho! Você teria esta coragem? Seu coração é livre para amar desta forma?

Saiba que esta é a exigência do Senhor. Não é fácil ser cristão e agir desse modo, mas, em Deus, é possível. O mal destrói, mas o bem transforma. É possível ser santo!

Para amar os inimigos, o Senhor nos diz que o rancor e a inveja não podem fazer parte da nossa vida e que devemos exercitar o perdão. Ao nos exercitarmos em fazer o bem, quando vierem as situações difíceis, teremos forças para sobreviver a elas!

Para conseguirmos essa graça o Senhor nos convida a sermos imitadores da bondade de Deus: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será posta no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos” (Lc 6, 36-38).

Padre Hamilton Nascimento

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Nada resiste à Palavra de Deus

Não podemos ficar sem a Palavra de Deus. Ninguém pode beber água por você. Da mesma forma, só você pode beber da Palavra de Deus. Não basta somente a ler. É preciso lê-la, ouvi-la e viver o que está escrito nela. Aquele que não se lava não se conserva limpo. Assim como a água purifica nosso corpo, a Palavra de Deus purifica o nosso interior. Conheço pessoas que não sabiam ler e começaram a aprender ao lerem a Bíblia.

Que beleza é ver os cegos lendo a Bíblia em braille! Muitos deles fazem o diário espiritual em braille. Isso é uma vergonha para nós, porque enxergamos e não fazemos o estudo bíblico. Se a Palavra de Deus entrar na sua vida tudo vai mudar. Deus colocou em nós essa fome e essa sede pelas coisas d’Ele.

“E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz” (Lucas 8, 16-17).

A Palavra de Deus é a semente do Reino de Deus. Você sabe como é implantado o Reino de Deus? Por intermédio da Sua Palavra. Assim como para haver uma árvore é preciso plantar uma semente, a Palavra de Deus precisa ser semeada no terreno de nosso coração.

O Reino de Deus vai brotar em nós. A candeia é como uma lâmpada e ela não pode ser colocada debaixo da cama. Do mesmo modo, a Palavra de Deus não pode ficar escondida, não pode ficar debaixo do armário, mas precisa brilhar em toda a nossa casa. Na casa do nosso coração.

Todos nós temos grandes problemas de família. Se o problema não está conosco, está com alguém da nossa família. Talvez você tenha problemas dentro da sua casa e o que trará a solução para você é a Palavra de Deus. A Palavra não pode ficar dentro de uma gaveta. Ela precisa estar no alto para que brilhe sobre toda a sua casa, para que ilumine e atinja todos os recantos da sua família.

Existem pessoas que não querem viver o que Palavra de Deus nos ensina. É justamente sobre elas que precisamos fazer com que a Palavra brilhe para que elas mesmas a acolham. É preciso que façamos a Palavra de Deus presente na nossa casa. Assim como a luz vai iluminando tudo ao seu redor, assim é com a Palavra de Deus. Quanto mais houver a vivência e a proclamação da Palavra de Deus, tanto mais vai existir luz na sua casa. Infelizmente, há pessoas que não querem saber de Deus. Não querem ouvir a Deus. Talvez você já tenha falado demais com elas e não adiantou, então a única coisa a fazer impregnar-se da Palavra, porque, mesmo se você não lhes falar, a sua vida vai falar.

Quanto mais você tem a Palavra de Deus, tanto mais até o seu palavreado se torna Palavra de Deus. Nada resiste à Palavra de Deus! Ela é viva e eficaz. Como está escrito em São Marcos 22,4: “Não há nada oculto que não vai ser descoberto”. Para iluminar toda a sua casa e toda a sua vida, a Palavra de Deus precisa ser publicada e vivida. A Palavra precisa ser dita!

A mesma situação da qual você padece na sua casa, nós padecemos no mundo. Muitos não conhecem a Sagrada Escritura, não obedecem e não vivem o que está escrito nela, porque a Palavra não foi proclamada a eles. Muitas de nossas famílias são pagãs; o fato de acreditarem em Deus e terem se casado na Igreja não significa que elas sejam cristãs, porque o que se mede é o que a pessoa vive. É a própria Palavra de Deus que diz: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem e estremecem” (Tiago 2,19). Muitas famílias vivem só da existência de Deus, mas o Cristianismo mesmo não é vivido por elas.

Nós estamos em uma época maravilhosa na qual a Palavra de Deus está sendo anunciada e colocada no alto, para iluminar a nossa vida e a nossa casa. No meu tempo de menino não era assim. Era muito mais difícil as pessoas terem uma Bíblia e a lerem. Hoje isso mudou, mas ainda falta muito. Nós estamos vivendo essa graça. Jesus afirma: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba!”. Hoje mais que nunca Deus está derramando o Seu Espírito sobre nós.

Quem quer vir e beber da Palavra de Deus, hoje tem essa possibilidade. Os tempos mudaram. Não estamos mais na geração de tempos atrás. Nunca houve tanta possibilidade de ter acesso à Palavra de Deus como hoje. No entanto, não basta você viver neste tempo privilegiado, você precisa querer vivê-lo. É importante ter sede de Deus. Jesus está suscitando em nosso coração a sede pela Sua Palavra.

Infelizmente nós nos deixamos levar pelo espírito da preguiça. Agora é hora de sair desse comodismo e beber da Palavra de Deus.

Monsenhor Jonas Abib

Retirado da pregação “A Palavra de Deus” 

Anular o voto é pecado?

Os últimos Papas têm insistido em que os católicos participem da vida pública, sobretudo da política, que é a ciência do “bem comum”, uma forma de fazer a caridade pública. Recentemente o Papa Francisco, ao falar sobre isso, declarou:

“Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão. Nós não podemos fazer como Pilatos e lavar as mãos, não podemos. Temos de nos meter na política porque a política é uma das formas mais altas de caridade, porque busca o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política. A política está muito suja, mas eu pergunto: está suja por quê? Por que os cristãos não se meteram nela com espírito evangélico? É a pergunta que faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros… Mas, e eu, o que faço? Isso é um dever. Trabalhar para o bem comum é dever do cristão”.

Note que o Sumo Pontífice enfatizou que a política é uma das “formas mais altas de caridade”, porque é por ela que um país é governado, atendendo especialmente os mais necessitados. Contudo, se os homens e mulheres públicos forem desonestos ou despreparados, essa caridade não existirá. E a culpa, acima de tudo, é do próprio povo, porque é ele quem escolhe pelo voto seus governantes.

São aqueles que exercem cargos públicos, eleitos pelo povo, que empregam o dinheiro de todos, arrecadado por intermédio dos impostos, para cuidar do povo, especialmente os mais necessitados, investindo na saúde, no transporte público, na educação, nas moradias, no saneamento básico, no fornecimento de água, de energia, telefone, internet, entre outros.

Na sua Encíclica “Evangelii Gaudium”, em português “A Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco repetiu: “A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (EG, 205).

O Papa Bento XVI afirmou o seguinte sobre esse tema: “Reitero a necessidade e urgência de formação evangélica e acompanhamento pastoral de uma nova geração de católicos envolvidos na política, que sejam coerentes com a fé professada, que tenham firmeza moral, capacidade de julgar, competência profissional e paixão pelo serviço ao bem comum” (Vaticano, 15/11/ 2008).

O Concílio Vaticano II também já tinha se pronunciado sobre isso: “Lembrem-se, portanto, todos os cidadãos ao mesmo tempo do direito e do dever de usar livremente seu voto para promover o bem comum. A Igreja considera digno de louvor e consideração o trabalho daqueles que se dedicam ao bem da coisa pública a serviço dos homens e assumem os trabalhos deste cargo” (Gaudium et Spes, 75).

E o nosso Catecismo da Igreja Católica, no número 899, repete: “A iniciativa dos cristãos leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar as realidades sociais, políticas e econômicas com as exigências da doutrina e da vida cristãs”.

Na “Christifidelis laici”, no número 42, São João Paulo II disse: “Para animar cristãmente a ordem temporal [...], os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na «política», ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum”.

Infelizmente o demônio colocou na cabeça dos bons que a política é coisa de gente má; então, muitos maus a dominaram. É preciso acordar desse pesadelo. Os cristãos precisam ter uma participação ativa na política, não só como candidatos, como também na promoção dos bons políticos.

O povo precisa aprender a votar e a conhecer bem os candidatos. Alguns, no dia da eleição, pegam um papel de propaganda na rua e dão o seu voto a qualquer um. Pior ainda são os que anulam o voto ou votam em branco, jogando fora o direito e o dever sagrado de participar da vida da nação. E, ao agirem assim, acabam facilitando a eleição dos piores. Anular o voto é pecado, é desprezar o direito sagrado de participar da vida pública. O voto nulo ajuda o mau político a se eleger. Se não gostamos de nenhum candidato devemos votar no “menos ruim”, mas nunca em branco ou nulo, pois alguém será eleito.

Hoje com a internet, ficou mais fácil saber quem é político e quem é “politiqueiro”; quem quer trabalhar para o povo e quem quer trabalhar para si mesmo. Então, é fundamental que os cristãos informem seus irmãos e suas comunidades sobre quem não merece o voto deles.

Precisa ficar claro que a política é boa, o que não presta é a politicagem; e que o político é bom, o que não presta é o “politiqueiro”.

O pior problema hoje do nosso país é que grande parte da população é alienada da vida pública, não lê um jornal, uma boa revista sobre o assunto, limita-se a ver noticiários de televisão e se deixa, muitas vezes, enganar por um favor que recebe. São pessoas que votam com o estômago e não com a cabeça.

O voto é sagrado, é a arma da democracia se ele for dado com conhecimento de causa e com honestidade, sem se vender. Contudo, se não houver nada disso, a democracia ficará doente e poderá se tornar ditadura disfarçada.

O Brasil carece de uma reforma política séria, por meio da qual se implante, por exemplo, o voto distrital, se acabe com o tal “coeficiente eleitoral”, que faz com que muitos sejam eleitos com os votos de outros. Mas tudo isso só acontecerá quando houver uma mudança na qualidade dos nossos governantes.

Muitos que hoje são eleitos têm suas caríssimas campanhas políticas custeadas por grandes corporações: sindicatos, igrejas, cooperativas, empresários, entre outros. Depois de eleitos, vão trabalhar para o bem do povo? Não. Para o bem de quem os custeou. Desse modo, a política como caridade não existe e os lobbies a dominam. Então, é preciso termos governantes eleitos, de fato, pelo povo, conscientizado e não comprado com caros investimentos. Cabe a cada cristão se conscientizar a respeito disso e conscientizar seus irmãos para que não sejam manipulados, comprados e subjugados.

Felipe Aquino

Prof. Felipe Aquino

O que é preciso para ser feliz?

“A nossa vida não deve ser caracterizada por inquietações que geram ansiedades, mas sim pela fé que produz felicidade” (Charles H. Spurgeon).

Objetivo a ser alcançado em todos os tempos, a felicidade só agora começa a ser estudada pelas ciências sociais. As pessoas, no mundo ocidental, apesar da afluência econômica, não se tornaram mais felizes nos últimos 50 anos. Muitas ficam ricas, trabalham mais, vivem mais tempo e são mais saudáveis. Contudo, não estão mais satisfeitas. Hoje é possível medir esse grau de insatisfação, pois a psicologia econômica, disciplina só agora sistematizada, conseguiu resultados qualitativos muito interessantes, revelados recentemente no estudo de Richard Layard com o título “Happiness: has social science a clue?”.

Na sociedade em que estamos vivendo, terrivelmente alienada, superficial, digital, consumista e competitiva, é possível ter muito mais e não ser feliz. Por mais que consigamos, estamos sempre infelizes e insatisfeitos, porque as coisas terrenas não saciam os nossos desejos.

O filósofo e escritor latino Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) disse: “Se não estou satisfeito com o que tenho, mesmo se possuísse o mundo, ainda me sentiria na miséria!”

Só Deus realiza os mais profundos e insaciáveis desejos do ser humano. Afirma com categoria São Bernardo de Claraval (1090 –1153): “Deus fez de ti um ser de desejo, e o teu desejo é o próprio Deus”.

Há alguns anos, perguntou-se às pessoas na França, na Alemanha, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos: “O que é preciso para ser feliz?”. Dentre os entrevistados, 89 por cento disseram que isso requer boa saúde; 79 por cento mencionaram a satisfação no casamento ou na vida em comum; 62 por cento salientaram as recompensas da paternidade e da maternidade; e 51 por cento citaram uma carreira bem-sucedida. Embora a sabedoria popular diga que o dinheiro não garante a felicidade, 47 por cento dos interrogados estavam convencidos de que ele a garante. O que os fatos revelam?

Primeiro, note o suposto vínculo que há entre o dinheiro e a felicidade. Uma pesquisa feita entre as cem pessoas mais ricas nos Estados Unidos mostrou que elas não eram mais felizes do que as outras em geral. Além disso, embora muitas delas quase tenham dobrado o seu patrimônio nas últimas três décadas, não são agora mais felizes do que antes, segundo os peritos em saúde mental. Na realidade, um relatório informou: “No mesmo período, os casos de depressão dispararam. O suicídio de adolescentes triplicou. O número de divórcios dobrou”.

Em cerca de 50 países diferentes, pesquisadores que estudaram a relação entre o dinheiro e a felicidade chegaram à conclusão de que não se pode comprar a felicidade.

Que relação importante com a felicidade têm fatores como boa saúde, casamento feliz e carreira bem-sucedida? Será que algumas pessoas vão ao extremo para conseguir a felicidade?

O filósofo Eric Hoffer chegou à conclusão de que sim ao afirmar que: “A procura da felicidade é um dos principais motivos da infelicidade”. Isso certamente é verdade quando procuramos a felicidade nos lugares errados. O lugar certo é o coração do ser humano. O caminho é Jesus Cristo, e a riqueza é a Palavra de Deus.

Disse Santo Agostinho de Hipona (354 – 430), teólogo, filósofo e doutor da Igreja: “A procura de Deus é a procura da felicidade, o encontro com Deus é a própria felicidade”. Para Deus, pois, é mister orientar todas as nossas ações e pensamentos. Conhecê-Lo, amá-Lo, servi-Lo e, assim, glorificá-Lo, eis o fim da nossa vida e da nossa verdadeira felicidade.

“Infeliz quem conhece todos essas coisas (terrenas) e não Vos conhece, ó meu Deus!” Feliz quem Vos conhece, embora ignore todo o resto. Quanto a quem Vos conhece e conhece também as coisas terrenas, não é mais feliz por conhecê-las, mas é unicamente o conhecimento que tem de Vós que o faz feliz”, afirma Santo Agostinho.

A fonte da verdadeira felicidade, aqui e na eternidade, é Jesus Cristo. Só Cristo preenche todo o espaço do coração com a paz e a alegria.


Padre Inácio José do Vale

Feijoada de 7 de Setembro






08 de Setembro – Dia da Natividade de Nossa Senhora, celebramos o nascimento da Mãe de Jesus

Hoje é comemorado o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo.

Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Segundo uma antiga tradição os pais de Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus.

De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.

Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois Ela apareceu no mundo: a Aurora que precedeu o Sol da Justiça e Redentor da Humanidade.


Nossa Senhora, rogai por nós!

23º Domingo do Tempo Comum

Ezequiel, na primeira leitura, é uma sentinela atenta, um sinal profético do amor de Deus, que mantém viva nos exilados a esperança de salvação.

A segunda leitura apresenta o amor mútuo como parte essencial da vida cristã. Quem ama o próximo cumpre plenamente a Lei, o mandamento do amor. Na última ceia, Jesus deixou o mandamento do amor como sinal distintivo para os seus discípulos.

O evangelho pertence ao discurso sobre a comunidade, desenvolvido ao longo do capítulo 18. Os discípulos são chamados a exercer a missão com a mesma atitude de Jesus, que procura com solicitude a ovelha perdida até encontrá-la e acolhe os pequenos e os publicanos. Os que seguem a Cristo formam um só corpo com ele e necessitam uns dos outros, para manter viva a fé e realizar a missão. Por mais pobre que seja uma comunidade, ela é lugar de conversão e sacramento do corpo do Senhor. Desta íntima certeza, nascem a força e a eficácia da correção fraterna que deve se realizar na união e na oração, que asseguram a presença do Ressuscitado em meio às fragilidades e desafios da missão.


Revista de Liturgia

05 de Setembro – Dia da Beata Teresa de Calcutá dedicou sua vida aos mais pobres

“Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz”.  Mais do que falar e escrever, Madre Teresa de Calcutá viveu este seu pensamento.

Nascida no dia 27 de agosto de 1910 em Skopje, na Albânia, foi batizada um dia depois de nascer. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia. Seu verdadeiro nome era Agnes Gonxha Bojaxhiu.

Pouco se sabe sobre sua infância, adolescência e juventude, porque ela não gostava de falar de si mesma. Aos dezoito anos, sentiu o chamado de consagrar-se totalmente a Deus na vida religiosa. Obtido o consentimento dos pais, e por indicação do sacerdote que a orientava, no dia 29 de setembro de 1928, ingressou na Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, situada na Irlanda.

O seu sonho, no entanto, era o trabalho missionário com os pobres na Índia. Cientes disso, suas superioras a enviaram para fazer o noviciado já no campo do apostolado. Agnes então partiu para a Índia e, no dia 24 de maio de 1931, fez a profissão religiosa tomando o nome de Teresa. Houve na escolha deste nome uma intenção, como ela própria dissera: a de se parecer com Teresa de Jesus, a humilde carmelita de Lisieux.
Foi transferida para Calcutá, onde seguiu a carreira docente e, embora vivesse cercada de meninas filhas das famílias mais tradicionais de Calcutá, impressionava-se com o que via ao sair às ruas: os bairros pobres da cidade cheios de crianças, mulheres e idosos cercados pela miséria, pela fome e por inúmeras doenças.

No dia 10 de setembro de 1946, dia que ficou marcado na história das Missionárias da Caridade – congregação fundada por Madre Teresa – como o “Dia da Inspiração”, durante uma viagem de trem ao noviciado do Himalaia, Madre Teresa deparou com um irmão pobre de rua que lhe disse: “Tenho sede!”. A partir disso, ela afirmou ter tido a clareza de sua missão: dedicar toda sua vida aos mais pobres dos pobres.

Após um tempo de discernimento, com o auxílio do Arcebispo de Calcutá e de sua madre superiora, ela saiu de sua antiga congregação para dar início ao trabalho missionário nas ruas de Calcutá. Começou por reunir um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, aos quais começou a ensinar numa escola improvisada. Pouco a pouco, o grupo foi crescendo. Dez dias depois, eram cerca de cinquenta crianças.

O início foi muito desafiador e exigente, mas Deus foi abençoando sua obra e as vocações começaram a surgir entre suas antigas alunas. Em 1949, Madre Teresa começou a escrever as constituições das Missionárias da Caridade e, no dia 7 de outubro de 1950, a congregação fundada por ela foi aprovada pela Santa Sé, expandindo-se por toda a Índia e pelo mundo inteiro anos mais tarde.

No ano de 1979 recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Neste mesmo ano, o Papa João Paulo II a recebeu em audiência privada e a tornou sua melhor “embaixadora” em todas as nações, fóruns e assembléias de todo o mundo.

Com saúde debilitada e após uma vida inteira de amor e doação aos excluídos e abandonados – reconhecida e admirada por líderes de outras religiões, presidentes, universidades e até mesmo por alguns países submetidos ao marxismo – Madre Teresa foi encontrar-se com o Senhor de sua vida e missão no dia 5 de setembro de 1997. Sua despedida atraiu e comoveu milhares de pessoas de todo o mundo durante vários dias.

Foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 19 de outubro de 2003, Dia Mundial das Missões.


Beata Teresa de Calcutá, rogai por nós!

22º Domingo do Tempo Comum

Jeremias, na 1ª leitura, testemunha a confiança inabalável no Senhor: Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir! Ele é hostilizado e perseguido por causa da ação profética, contra a violência e a opressão!

Na 2ª leitura, Paulo exorta os cristãos a viver a vida nova em Cristo, oferecendo-se como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse culto espiritual manifesta-se no serviço do bem comum, na caridade.

O evangelho apresenta o primeiro anúncio da paixão de Jesus e seu ensinamento sobre o caminho do discipulado. Jesus, como nos outros dois anúncios, revela aos discípulos que sua missão culmina na morte e ressurreição gloriosa. As suas ações salvíficas em defesa dos excluídos suscitam a oposição dos poderosos. Anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas formam os grupos de lideranças que compõe o sinédrio. Jerusalém é a cidade onde os profetas morrem por causa da justiça. A cruz, segundo o historiador Flávio Josefo, era o “suplício mais cruel e terrível”, usado pelos romanos para matar os escravos e os opositores do império. Pedro representa os discípulos que não compreendem o caminho de sofrimento e morte do Messias servidor, que entrega a vida por amor. Como nas tentações, Jesus rejeita toda forma de poder e dominação, que procura desviá-lo da fidelidade ao projeto de Deus. A condição para ser discípulo é a identificação com o caminho de Cristo: Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. A adesão a Jesus é testemunhada na confiança em Deus e no serviço ao seu Reino. O discípulo, ao assumir a missão até as últimas consequências, por causa de Jesus, encontra a vida plena.


Revista de Liturgia