Como viver a Quaresma

1. Arrependendo-me de meus pecados e confessando-me:

Pensar em quê ofendi a Deus, Nosso Senhor, se me dói tê-lo ofendido, se estou realmente arrependido. Este é um bom momento do ano para realizar uma confissão preparada e de coração. Revise os mandamentos de Deus e da Igreja para poder fazer uma boa confissão. Sirva-se de um livro para estruturar sua confissão. Busque tempo para realizá-la.

2. Lutando para mudar:

Analise sua conduta para conhecer em quê esta falhando. Faça propósitos para cumprir dia a dia e revise à noite se os alcançou. Lembre-se de não colocar muitos propósitos porque será muito difícil cumpri-los todos . Deve-se subir as escadas de degrau em degrau, não se pode subir toda ela de uma só vez. Conheça qual é o seu defeito dominante e faça um plano para lutar contra ele. Teu plano deve ser realista, prático e concreto para poder cumpri-lo.

3. Fazendo sacrificios:

A palavra sacrifício vem do latim sacrum-facere, significa "fazer sagrado". Então, fazer um sacrifício é fazer alguma coisa sagrada, quer dizer, oferecê-la por amor a Deus, porque o ama, coisas que dão trabalho. Por exemplo, ser amável com um vizinho com quem você não simpatiza ou ajudar alguém em seu trabalho. A cada um de nós há algo que nos custa fazer na vida de todos os dias. Se oferecemos isto a Deus por amor, estamo fazendo sacrifício.

4. Oração:

Aproveite estes dias para rezar, para conversar com Deus, para dizê-lo que o ama e que quer estar com Ele. Pode ser útil um bom livro de meditação para Quaresma. Você pode ler na Bíblia passagens relacionadas com a quaresma.

Paz e Bem!!!

Não desanime na hora da tempestade

No Evangelho de São Mateus há um fato muito interessante: após a multiplicação dos pães, Jesus despediu os apóstolos e foi rezar no alto do monte. O barco em que eles estavam se agitava numa grande tempestade. Os discípulos estavam apavorados... Quando de repente viram alguém caminhando sobre o mar: era o Messias.

Não imaginando que fosse Jesus, eles ficaram ainda mais amedrontados e soltando gritos de terror: "É um fantasma!" Mas logo o Senhor lhes disse: “Confiança, sou Eu, não tenhais medo” (Mt 14,27).

Muitas vezes, nossa vida é agitada pelas tempestades e nós nos desesperamos, porque nos falta confiança. Precisamos ter confiança cega em Deus, na certeza de que o Seu socorro não falta.

O Senhor é o mesmo de ontem, de hoje e de amanhã; Ele está vivo. Não servimos a um Deus morto, clame e Ele virá ao seu encontro!

Não desanime na hora da tempestade! Peça ao Senhor para pegá-lo no colo, para que a tempestade não o afogue. O Senhor nos manda ser corajosos. Não precisamos ter medo de nada. Jesus nunca vai nos deixar sozinhos.

Quando tomamos consciência e clamamos pelo socorro do céu, tudo muda, a tempestade se acalma e ousamos "andar sobre as águas". Foi o que Pedro experimentou:

"Senhor, se és mesmo Tu, ordena-me que vá ao teu encontro sobre as águas. Vem, disse Ele. E Pedro, saindo do barco, caminhou sobre as águas e foi rumo a Jesus” (Mt 14,28-29).

Nós também podemos andar sobre os nossos problemas, sobre as tempestades que assolam nossas vidas, fixando os olhos em Deus e não os desviando nem para direita nem para a esquerda.

Quando Pedro tirou os olhos de Jesus, ele afundou. Aí está o segredo: podemos andar por cima de nossos problemas, sem nos deixar amedrontar pela tempestade, se continuarmos com os olhos fixos no Senhor.

Tenha certeza: quando você traz o Senhor para dentro do "barco da sua vida", tudo muda.

O vento cessa, a tempestade se acalma. O Senhor passa a ter o comando de todas as coisas.

“Confiança, sou Eu, não tenhais medo”. Seja qual for a situação pela qual você esteja passando, confie. É o próprio Senhor quem diz: “Sou Eu, não tenhais medo”. Nas grandes dificuldades, mas, também nas situações embaraçosas do dia a dia, o Senhor está ao nosso lado. Não há o que temer.

Reze junto comigo:

Senhor, eu agradeço por tantos milagres e curas que tens realizado na vida dos meus irmãos. Tu és verdadeiramente o Deus do impossível.

Entra, Senhor, no barco da minha vida. Vê, Senhor, a agitação em que está. Até hoje eu tive medo e pensei que estava sozinho, mas agora não temo, pois quem está conduzindo o barco da minha vida é o Senhor.

Apresento todas as situações que estou vivendo e já agradeço pelo novo rumo que estás dando. Eu não estou sozinho. Confesso que já estava cansado, fraco, com medo das grandes ondas, mas agora já não tenho mais medo, porque o Senhor é por mim.

Agradeço pelo milagre que estás realizando na minha vida. Sou uma nova pessoa.

A partir deste momento o leme da minha vida está em Tuas mãos. Eu não tomarei mais nenhuma decisão por mim mesmo. Quero louvar e agradecer pela paz e pela cura que realizas.

Bendito seja o Teu nome, meu Senhor e meu Deus.

Monsenhor Jonas Abib
Retirado do livro “Isto é obra do Senhor: um milagre aos nossos olhos”

Peregrinação da Cruz e do Ícone no Santuário de Fátima

Como preparação para o encontro internacional dos jovens com o papa, a Cruz da JMJ e o Ícone de Nossa senhora peregrinam por todo o país até a data da realização do encontro.

A Cruz e o Ícone estarão visitando nosso Santuário no dia 03 de Março com chegada prevista para 12h30min e saída as 15h30min.

Mais sobre a Cruz do JMJ

A Cruz da JMJ ficou conhecida por diversos nomes: Cruz do Ano Santo, Cruz do Jubileu, Cruz da JMJ, Cruz Peregrina, muitos a chamam de Cruz dos Jovens porque ela foi entregue pelo papa João Paulo II aos jovens para que a levassem por todo o mundo, a todos os lugares e a todo tempo.

A cruz de madeira de 3,8 metros foi construída e colocada como símbolo da fé católica, perto do altar principal na Basílica de São Pedro durante o Ano Santo da Redenção (Semana Santa de 1983 à Semana Santa de 1984). No final daquele ano, depois de fechar a Porta Santa, o Papa João Paulo II deu essa cruz como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade. Quem a recebeu, em nome de toda a juventude foram os jovens do Centro Juvenil Internacional São Lourenço em Roma. Estas foram as palavras do Papa naquela ocasião:

“Meus queridos jovens, na conclusão do Ano Santo, eu confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Carreguem-na pelo mundo como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, e anunciem a todos que somente na morte e ressurreição de Cristo podemos encontrar a salvação e a redenção”. (Sua Santidade João Paulo II, Roma, 22 de abril de 2004).

Os jovens acolheram o desejo do Santo Padre. Levaram a cruz ao Centro São Lourenço, que se converteria em sua morada habitual durante os períodos em que ela não estivesse peregrinando pelo mundo.

Desde 1984, a Cruz da JMJ peregrinou pelo mundo, através da Europa, além da Cortina de Ferro, e para locais das Américas, Ásia, África e agora na Austrália, estando presente em cada celebração internacional da Jornada Mundial da Juventude. Em 1994 a Cruz começou um compromisso que, desde então, se tornou uma tradição: sua jornada anual pelas dioceses do pais sede de cada JMJ internacional, como um meio de preparação espiritual para o grande evento.

Mais sobre o Ícone de Nossa Senhora

Em 2003, o Papa João Paulo II deu aos jovens um segundo símbolo de fé para ser levado pelo mundo, acompanhando a Cruz da JMJ: o Ícone de Nossa Senhora, “Salus Populi Romani”, uma cópia contemporânea de um antigo e sagrado ícone encontrado na primeira e maior basílica para Maria a Mãe de Deus, no ocidente, Santa Maria Maior.

“Hoje eu confio a vocês… o Ícone de Maria. De agora em diante ele vai acompanhar as Jornadas Mundiais da Juventude, junto com a Cruz. Contemplem a sua Mãe! Ele será um sinal da presença materna de Maria próxima aos jovens que são chamados, como o Apóstolo João, a acolhe-la em suas vidas” (Roma, 18ª Jornada Mundial da Juventude, 2003).

Paz e Bem!!!

1º DOMINGO DA QUARESMA - Domingo do deserto de Jesus

A celebração deste domingo nos ajuda a prosseguir o caminho quaresmal iniciado na quarta-feira de cinzas. Com Jesus, somos conduzidos pelo Espírito ao deserto para retomar o caminho da fidelidade a Deus, vencendo todo tipo de tentação.

Na 1ª Leitura, Deus, mediante a salvação realizada com Noé e sua família, renova a criação e sela a aliança com todo o ser humano e com o cosmos, cujo centro é a vida.

Na 2ª leitura, Jesus oferece a vida nova da graça através de sua morte e ressurreição, da qual participamos pelo batismo. Professando a fé em Cristo que sofreu a morte na sua existência humana, ressuscitou e foi exaltado à direita de Deus, começamos a fazer parte de uma nova humanidade.

O Evangelho ressalta que Jesus, pleno do espírito, vence as provações e manifesta o caminho da salvação à humanidade. O deserto é especialmente lugar de oração e encontro com Deus.

Durante 40 anos, em meio a sofrimento e provações o povo experimentou a presença de Deus (Dt 8,2-5). “Quarenta” é um número simbólico e evoca também a experiência de Deus vivida por Moisés (Ex 34,28) e Elias (1Rs 19,8).

Satanás representa os que se opõem a Deus e ao estabelecimento do seu reino. As tentações simbolizam as provações que Jesus teve que enfrentar ao longo da vida para se manter fiel à missão confiada por Deus.

Jesus enfrentará a hostilidade, rejeições, mas terá colaboradores dedicados ao serviço do reino.

A vida de Jesus será uma luta constante de superação até a vitória definitiva na Cruz através da ressurreição. Fortalecido pelo espírito de DEUS, Jesus supera vitorioso as provações, as formas de maldade e inicia seu ministério na Galileia.

Após a morte e ressurreição de Jesus, os discípulos continuarão a missão na Galileia. E Jesus proclama o Evangelho através de palavras e ações, pois ele é o Cristo, filho de Deus.

A mensagem de Jesus propõe mudança de atitudes, compromisso com o projeto de Deus. Por isso continua a orientação: Convertei-vos e crede na Boa Nova.

É necessário voltar-se para o caminho do Senhor, confiando e praticando suas palavras.

Portanto somos chamados a seguir o caminho em direção à Páscoa, mediante a conversão contínua e a fé em Jesus, a boa notícia do Reino de Deus. Confiemos na presença do Espírito, que conduz e fortalece nossa cainhada quaresmal.

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Quaresma: penitência ou regime?

Qual a diferença? Durante a Quaresma a Igreja nos propõe um momento de reflexão. É o tempo para oferecermos algo que nos é importante como um sacrifício para que nos tornemos melhores cristãos. O que decidirmos oferecer deverá fazer com que, após esse tempo, tenhamos nos tornado melhores.  

Muitas pessoas, durante esse período, decidem não comer chocolate durante 40 dias como uma forma de “penitência” e no Domingo de Páscoa quase morrem de indigestão de tantos ovos de chocolate que consomem. Muitos dizem aproveitar essa época para fazer um “regime”, pois somente assim conseguem ficar longe dessa tentação [chocolate].

Mas vamos refletir melhor sobre qual o sentido da penitência quaresmal: fazer com que, depois desse período de abstinência, tenha ocorrido alguma mudança no seu interior. De que adianta ficar 40 dias sem comer um alimento se depois ele for consumido em dobro? O que mudou em você? Apenas a contagem regressiva para chegar ao Domingo de Páscoa e poder comer os famosos ovos de Páscoa, certo? Que tal mudarmos o foco da penitência e fazer com que uma mudança de comportamento alimentar, durante a Quaresma, traga não apenas benefícios para nossa saúde física como também para a psíquica e espiritual?

Todos sabem que durante esse tempo, às sextas-feiras, devemos comer peixe, mas você já pensou em aumentar o consumo desse tipo de proteína como uma forma de penitência? Que tal colocá-lo no cardápio da família pelo menos 3 vezes durante a semana? Incrível como nos esquecemos de comer esse tipo de carne. Todas as vezes em que pergunto aos meus pacientes se eles comem carne de peixe eles respondem que até gostam, mas não têm o hábito de consumir esse alimento mais vezes na semana. Pois aqui está uma ótima oportunidade para uma mudança de comportamento alimentar e você vai notar que, após o tempo quaresmal, sentirá falta dessa importante fonte de proteína e a incluirá mais vezes no cardápio de sua casa.

Dra. Gisela Savioli

Quaresma: tempo de vencer o combate

Quero começar o falar sobre o significado e como viver a Quaresma com um trecho do sermão de São Leão Magno, Papa: “Meus caros irmãos, entramos na Quaresma, isto é, em uma fidelidade maior ao serviço do Senhor. É como se entrássemos em um combate de santidade. Então preparemos nossas almas para o combate das tentações e saibamos que quanto mais zelosos formos por nossa salvação, mais violentamente seremos atacados por nossos adversários. Mas Aquele que habita em nós é mais forte do que aquele que está contra nós” (Sermão sobre a Quaresma).

Quaresma, além de ser marcada por essa trajetória de caminhada durante quarenta dias, ela representa o período de 40 anos no qual o povo de Deus caminhou no deserto rumo à terra prometida, ou seja, à vida nova. Para o cristão, a Páscoa – Ressurreição do Senhor – é a vida nova prometida.

Quaresma, portanto, é tempo de três realidades: jejum, oração e esmola. Algumas ações concretas devem permear nossa vida durante este período. A vida do cristão deve ser marcada pela volta ao Senhor, isto é, deixar a vida velha de pecado e injustiça e regressar para a salvação, para Deus.

Deve ser marcada pela prática-ação concreta de busca pela justiça e penitência. Sem buscar recompensa material, mas santidade e intimidade com Deus. A reconciliação com Deus e o próximo deve mover os corações. A confissão sacramental precisa ser buscada mediante o desejo de conversão e arrependimento dos pecados.

As mortificações neste tempo devem acontecer com sobriedade e firmeza, por isso, devemos buscar em Deus qual a melhor penitência ou mortificação a fazer para rezar mais e melhor. Como sugestão para a caminhada nesse tempo quaresmal, tempo de oração e busca de intimidade com Deus, indico um itinerário para você rezar melhor e compreender sua caminhada espiritual: o livro “Onde está Deus?”

Pe. Reinaldo Cazumbá

Convertei-vos e crede no Evangelho

Com a Celebração das Cinzas, na Quarta-feira de Cinzas, damos início à Quaresma, tempo forte de oração, penitência e jejum. É o tempo forte de conversão do coração humano diante das necessidades dos outros.

Como o próprio nome no-lo diz, são quarenta dias de penitência, os quais nos preparam para a celebração da vitória final da graça sobre o pecado e da vida sobre a morte. Durante estes dias, a nossa oração se torna mais intensa e a penitência mais acentuada. É um período especial de retorno a Deus, de conversão e de abertura aos outros.

A cerimônia de Imposição das Cinzas nos recorda que nossa vida na terra é passageira, que algum dia vamos morrer e que o nosso corpo vai se converter em pó e que a vida definitiva se encontra no céu. Ensina-nos ainda que os céus e a terra hão de passar um dia. Em troca, todo o bem que tenhamos realizado em nossa vida nós vamos levá-lo à eternidade. Ao final da nossa vida, só levaremos aquilo que tenhamos feito por Deus e por nossos irmãos.

As cinzas são um sacramental, o qual não nos tira os pecados, mas nos relembra a nossa condição de miseráveis, de frágeis e pecadores. E assim, reconhecendo a nossa situação, recorremos ao sacramento da reconciliação. É um sinal de arrependimento, de penitência, mas sobretudo, de conversão. Com essa celebração, damos início à nossa caminhada com Cristo do Jardim das Oliveiras até o triunfo na manhã do primeiro dia da semana, que é o Domingo da Ressurreição.

Quaresma é realmente um tempo de reflexão em nossa vida, de entender aonde vamos, de analisar como está nosso comportamento com nossa família – o marido, a esposa, os filhos, os pais – e todos os que nos rodeiam.

O Evangelho de hoje nos ajuda a entendermos como praticar as três obras de penitência – oração, esmola e jejum – e como viver bem o tempo quaresmal.

Jesus fala das três obras de piedade dos judeus: a esmola, o jejum e a oração. E faz uma crítica pelo fato de que eles as praticam para ser vistos pelos outros.

O segredo para o efeito é a atenção para que não sejamos como os fariseus hipócritas: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus” (Mt 6,1).

Para Jesus é preciso criar uma nova relação com Deus. Ao mesmo tempo, Cristo nos oferece um caminho de acesso ao coração do Pai. Para Ele, a justiça consiste em conseguir o lugar onde Deus nos quer. O caminho para chegar ali está expresso na Lei de Deus: “Se a vossa justiça não superar a justiça dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”.

Como foi dito anteriormente, este é um tempo de oração que se caracteriza por uma relação de aliança entre Deus e o homem em Cristo. Este encontro com Cristo não se exprime apenas em pedidos de ajuda, mas também em louvor, ação de graças, escuta e contemplação.

Rezar é confiar no Senhor que nos ama e corresponder ao Seu amor incondicional. Por sua vez, a oração penitencial privilegia o agradecimento da misericórdia de Deus e prepara o coração para o perdão e para a reconciliação.

É tempo da prática do jejum. O jejum tem certamente também uma dimensão física, como a privação voluntária de alimentos, além da espiritual. O que jejuamos deve ser partilhado, ou seja, entregue aos nossos irmãos que passam fome. É sobretudo a privação do pecado. O jejum é sinal do combate contra o espírito do mal. O modelo deste combate é Cristo, que foi tentado pelo maligno muitas vezes para que cedesse ao sucesso, ao domínio e à riqueza. No entanto, a Sua vitória sobre todo o mal, que oprime o homem, inaugurou um tempo novo, um Reino de justiça, verdade, paz, amor e partilha.

A experiência do jejum exterior e interior favorece a opção pelo essencial. No nosso tempo, o jejum tornou-se uma prática habitual. Alguns jejuam por razões dietéticas e estéticas. O jejum cristão não tem uma dimensão dietética ou estética como é prática nos nossos dias, mas sim uma referência cristológica e solidária com os nossos irmãos e irmãs excluídos da sociedade por causa de diversas condições: raça, religião, cor, tribo, língua, entre outros.

Como Cristo e com Cristo jejuamos para ser mais solidários e abertos ao outro. Sob várias formas podemos jejuar, como por exemplo, o jejum midiático da televisão, da internet, do celular, da língua, etc.; para redescobrirmos a beleza do diálogo em família, da partilha de interesses, do encontro e da comunhão com os irmãos.

Quando vivemos bem o jejum nos convertemos em seres solidários, pessoas que partilham tudo entre todos. Ninguém chamará de “seu” o que possui. Em outras palavras, atualizaremos os Atos dos Apóstolos 2,42, que é a essência do Cristianismo. A relação dinâmica entre o amor e a adesão a Cristo faz do gesto de ajuda – expresso na esmola – uma partilha fraterna e não algo humilhante.

Quaresma é tempo de dar esmola. E esta nos ajuda a vencer a incessante tentação do egoísmo, educando-nos para irmos ao encontro das necessidades do próximo e partilhar com os outros aquilo que, por bondade divina, possuímos. Tal é a finalidade das coletas especiais para os pobres que são promovidas em muitas partes do mundo durante o período quaresmal. Desta forma, a purificação interior é confirmada por um gesto de comunhão eclesial, como acontecia já na Igreja primitiva.

Hoje a oração, o jejum e a esmola não perderam a atualidade e continuam a ser propostos como instrumentos de conversão. A estes meios clássicos podemos acrescentar outros, em ordem a melhorar a relação com Deus, com nós mesmos e com os outros.

E o maior dentre eles é o amor. O amor é criativo e encontra formas sempre novas de viver a fraternidade. Permite-nos que contribuamos para a sinceridade do coração e a coerência das atitudes no caminho da paz. Faz-nos evitar a crítica maldizente, os preconceitos e os juízos sobre os outros, favorece a autenticidade da vida cristã. E tem como obstáculos a ser vencidos o egoísmo e o orgulho que impedem a generosidade do coração.

Estamos hoje diante de um convite veemente: CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO. O Evangelho é o próprio Cristo, que nos convida à conversão interior e à mudança de mentalidade para acolher o Reino de Deus e para anunciar a Boa Nova.

Padre Bantu Mendonça

Beatos Francisco e Jacinta

No ano de 1908, nasceu Francisco Marto. Em 1910, Jacinta Marto. Filhos de Olímpia de Jesus e Manuel Marto. Eles pertenciam a uma grande família; e eram os mais novos de nove irmãos.

A partir da primavera de 1916, a vida dos jovens santos portugueses sofreria uma grande transformação: as diversas aparições do Anjo de Portugal (o Anjo da Paz) na "Loca do Cabeço" e, depois, na "Cova da Iria". A partir de 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceria por 6 vezes a eles.

O mistério da Santíssima Trindade, a Adoração ao Santíssimo Sacramento, a intercessão, o coração de Jesus e de Maria, a conversão, a penitência... Tudo isso e muito mais foi revelado a eles pelo Anjo e também por Nossa Senhora, a Virgem do Rosário.

Na segunda aparição, no mês de junho, Lúcia (irmã de Jacinta e Francisco) fez um pedido a Virgem do Rosário: que ela levasse os três para o Céu. Nossa Senhora respondeu-lhe: "Sim, mas Jacinta e Francisco levarei em breve". Os bem-aventurados vivenciaram e comunicaram a mensagem de Fátima. Esse fato não demorou muito. Em 4 de abril de 1919, Francisco, atingido pela grave gripe espanhola, foi uma das primeiras vítimas em Aljustrel. Suas últimas palavras foram: "Sofro para consolar Nosso Senhor. Daqui, vou para o céu".

Jacinta Marto, modelo de amor que acolhe, acolheu a dor na grave enfermidade, tendo até mesmo que fazer uma cirurgia sem anestesia. Tudo aceitou e ofereceu, como Nossa Senhora havia lhe ensinado, por amor a Jesus, pela conversão dos pecadores e em reparação aos ultrajes cometidos contra o coração imaculado da Virgem Maria. Por conta da mesma enfermidade que atingira Francisco, em 20 de fevereiro de 1920, ela partiu para a Glória.

No dia 13 de maio do ano 2000, o Papa João Paulo II esteve em Fátima, e do 'Altar do Mundo' beatificou Francisco e Jacinta, os mais jovens beatos cristãos não-mártires.

Beatos Francisco e Jacinta, rogai por nós!

Domingo da Cura do Paralítico

Eu sou o que cancela tuas maldades e já não me lembro dos teus pecados. Apesar das infidelidades do povo, o profeta mostra que Deus oferece sua misericórdia e seu perdão gratuito. Eis que farei coisas novas, e que já estão surgindo. Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca, nos mostra a 1ª Leitura.

Na 2ª Leitura, São Paulo ressalta que Jesus é o sim do Pai, pois nele realizam-se todas as promessas de Deus. Como Paulo somos ungidos por Deus e fortalecidos pelo Espírito Santo para sermos anunciadores da mensagem de Jesus. É Deus que nos confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu.

O Evangelho de hoje apresenta a cura do paralítico, ressaltando a salvação integral de Deus oferecida através de Jesus.

Depois de anunciar a mensagem da salvação em outros povoados, Jesus volta a Cafarnaum e novamente aparece acompanhado de muita gente necessitada.

A atitude dos companheiros do paralítico é a expressão de solidariedade e de fé em Jesus. Vendo essa manifestação de fé, Jesus se dirige ao paralítico com o amor de Pai: filho, os teus pecados são perdoados.

Jesus rejeita a mentalidade dos que associavam as doenças ao castigo por causa dos pecados. Os escribas se escandalizavam com o fato de Jesus perdoar os pecados, pois o perdão é concedido exclusivamente por Deus.

Marcos destaca que Deus perdoa os pecados através de Jesus. Perdoando os pecados, Jesus revela sua verdadeira identidade de Filho de Deus, oferecendo a salvação integral: levanta-te, tomo teu leito e vai para tua casa.

A multidão louva a Deus, pois Ele perdoa e cura por meio de Jesus. O perdão e a cura são sinais da salvação plena oferecida por Deus a toda humanidade.

A finalidade desses sinais é despertar a fé e a confiança em Jesus, presença do amor e compaixão de Deus que a realiza a salvação plena do ser humano.

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Sua história vai ter final feliz

Quantos de nós tivemos uma infância perfeita? Quantos de nós tivemos uma família perfeita? Quantos de nós tivemos pais perfeitos? E para que ninguém se sinta excluído dessa lista de perguntas a última é: Quantos de nós temos uma história perfeita, na qual tudo sempre deu certo?
Cada vez mais tenho a convicção de que esse tipo de pessoa não existe. Por isso se você teve ou tem problemas na sua história, se você tem traumas e feridas, que parecem eternas, porque não cicatrizam nunca, e se carrega dentro ou fora de si as lágrimas de um passado-presente que teimam em escorrer afogando esperanças e felicidade… então quero dizer que você não está sozinho e, assim como você, muitas pessoas passam por isso agora, e que, felizmente, existe uma forma para fazê-lo feliz mesmo que você tenha tido uma história tão difícil assim.
Se você tivesse a oportunidade de mudar alguma coisa na sua história, o que você mudaria? Com certeza, mudaríamos muitas coisas… Quem sabe aquela pessoa não tivesse morrido? Que eu não tivesse sido rejeitado… violentado… Queria ter recebido mais amor… Enfim, você conhece bem melhor que eu as cenas tristes desse filme. Se observarmos um pouco melhor vamos ver que, mesmo na vida de Jesus, aconteceram coisas que não foram assim muito boas; por exemplo; lembra o que José fez no primeiro instante quando soube que Maria estava grávida? “José, (…) resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt 1,19).
E Jesus que estava no ventre de sua mãe também foi rejeitado (mesmo que isso tenha passado logo no coração de José (cf. Mt 1,20). Depois o Senhor sofreu o perigo do “infanticídio” ou mesmo de um “aborto” (pois se Herodes soubesse que Ele iria nascer e onde, certamente o mataria: cf. Mt 2,3). E quanto ao nascimento do Senhor nem preciso comentar… Viveu a pobreza tendo que fugir para o Egito (cf. Mt 2,14) e depois de ter amado “os Seus” sem reservas (cf. Jo 13,1), foi abandonado mais uma vez. Se a sua história não foi fácil saiba que a de Cristo também não o foi.
Jesus viveu em tudo a condição humana (exceto o pecado) (cf. Hb 4, 15), significa que Ele sabe o que é sofrer, significa que Ele sabe o que você sente. E mais: nas cenas mais assustadoras da sua história, se você observar um pouco melhor, vai descobrir que não estava sozinho (a). É verdade que você não é responsável pelo que fizeram com você no seu passado, mas é responsável pelo que vai fazer com isso no seu presente e no seu futuro.
Sabe o que mais? A sua história possui um Autor (com A maiúsculo); o autor é aquele que escreve, por isso determina como as coisas vão acontecer, como um filme, um teatro, uma novela, entre outros. Ainda que durante algum tempo “outros” tenham roubado o lugar do “Autor” e por isso essa história tenha começado de uma forma triste ou sombria, se você deixar o verdadeiro Autor tomar o lugar, que é d’Ele, tenha certeza de uma coisa: essa história não vai terminar como começou, a sua história vai ter final feliz!
O filme triste, que passava na sua cabeça das lembranças e pesadelos, ao qual você assistia com os olhos abertos, precisa, como vilões e os bandidos dos filmes a que assistimos, ser preso e destruído, colocado onde não possa mais lhe fazer mal. Por isso, denuncie para o verdadeiro Autor quem são os vilões da sua história, entregue-Lhe as feridas emocionais que ainda não foram cicatrizadas, entregue-Lhe aquelas situações que estão roubando a cena da sua vida.
Não permita que as coisas ruins, que as pessoas que o machucaram ou mesmo você, tomem o lugar do Autor, porque isso acabaria estragando a história que, mesmo com calvário e cruz, é chamada a ser história de ressurreição, apesar de todo sofrimento que Jesus viveu. Ele ressuscitou, exatamente porque o Pai (Deus-Pai), era e é o grande Autor da sua história; tenha certeza de que o mesmo Autor quer transformar de uma vez por todas sua história de terror em história de final feliz.
Padre Sóstenes Vieira
Retirado do Blog da Canção Nova

Aparições de Nossa Senhora de Fátima - 2ª aparição do Anjo

A segunda aparição do Anjo, já no verão do mesmo ano, deu-se no poço do quintal da família de Lúcia. Estando aí os três pequeninos pastores a brincar, tornaram a ver o mesmo Anjo, que lhes disse:

- Que fazeis? Orai, orai muito. Os corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei, constantemente, ao altíssimo, orações e sacrifícios.

- Como nós havemos de sacrificar? – Perguntou Lúcia.

- De tudo o que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

Domingo do Leproso Curado

A 1ª Leitura nos mostra que a lei de Levítico mostra que a lepra era sinal de pecado, por isso a pessoa era excluída do convívio social.

Na 2ª leitura, a carta de São Paulo aos Coríntios nos convida a sermos imitadores de Cristo.
 
Neste evangelho acontece a cura do leproso devido a compaixão e o amor de Jesus Cristo pelo seu semelhante.

Neste domingo, a palavra afirma que no Reino de Deus, os pequenos e marginalizados são reabilitados. A lepra ou uma dermatose grave provocava a impureza legal e excluía a pessoa da comunidade.

Quem era declarado leproso devia evitar contagiar fisicamente e ritualmente outras pessoas. Habitavam fora, andavam de luto por si próprio porque eram como um morto ambulante. Para um doente assim só restava entregar-se à própria sorte esperando a morte real ou um milagre para salva-lo e reintegra-lo a sociedade.

A cura precisava ser testemunhada oficialmente, conforme Levítico. Os sacerdotes diagnosticavam, não curavam. Jesus toca o leproso, não se contamina, cura e limpa o enfermo.

A decisão de Jesus em curar o leproso revela que ele quer a libertação integral do homem e da mulher. Quer a pessoa totalmente apta para participar da sociedade; pessoa cidadã, sem nenhuma exclusão.

A cura do leproso é o primeiro de uma série de episódios que testemunham a novidade revolucionária da palavra e da ação de Jesus: o Reinado de Deus se aproxima da humanidade.

Pouco a pouco vai se acentuando o choque com as estruturas injustas da época, chegando a provocar o ódio das autoridades políticas e religiosas que iniciam os planos para matar Jesus. Diante dos excluídos, Jesus se compadece, fica comovido “até as vísceras”, ou como em outras traduções ele fica “cheio de ira”.

Jesus enche-se de compaixão pelo doente e de ira contra uma sociedade que produz e segrega o marginalizado.

O gesto de amor de Jesus supera a lei que discrimina e põe para fora. Ele traz a justiça de Deus, rompe com a injustiça humana. Jesus viola a lei e inclui os impuros.

Nossa igreja, a que lei segue?

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Nossa Senhora de Lourdes

Em 11 de Fevereiro de 1858, Bernadette Soubirous foi com a irmã Toinette e Jeanne Abadie para recolher um pouco de lenha, a fim de vendê-la e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à das gruta de Massabielle, ela ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexaram. Bernadette viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa em sua cintura com um rosário em suas mãos em oração e rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. Bernadette tentou manter isso em segredo, mas Toinette disse a mãe. Por essa razão ela e sua irmã receberam castigo corporal pela sua história. Três dias depois, Bernadete voltou à gruta com as outras duas meninas. Ela trouxe água benta para utilizar na aparição, a fim testá-la e saber se não "era maligna", porém a visão apenas inclinou a cabeça com gratidão, quando a água foi dada a ela.

Em 18 de fevereiro, ela foi informada pela senhora para retornar à gruta, durante um período de duas semanas. A senhora teria dito: "Eu prometo fazer você feliz não neste mundo, mas no próximo". Após a notícia se espalhar, as autoridades policiais e municipais começaram a ter interesse. Bernadette foi proibida pelos pais e o comissário de polícia Jacomet para ir lá novamente, mas ela foi assim mesmo. No dia 24 de Fevereiro, a aparição pediu oração e penitência pela conversão dos pecadores. No dia seguinte, a aparição convidou Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que encontrou lá. Como a notícia se espalhou, essa água, foi administrada em pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas. Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado era uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em conseqüência de um acidente. O governo vedou a Gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área fora dos limites. No processo, as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, com uma ordem para reabrir a gruta em 4 de Outubro de 1858. A Igreja decidiu ficar completamente longe da polêmica.

Bernadette, conhecendo as localidades bem, conseguiu visitar a gruta à noite, mesmo quando vedada pelo governo. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição" ("que soy era Immaculada concepciou"). No domingo de Páscoa, 7 de abril, o médico examinou Bernadette e observou que suas mãos seguravam uma vela acesa e mesmo assim não possuiam qualquer queimaduras. Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que "Eu nunca a tinha visto tão bonita antes". A Igreja, diante de perguntas de nível nacional, decidiu instituir uma comissão de inquérito, em 17 de Novembro de 1858. Em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local declarou que: "A Virgem Maria apareceram de fato a Bernadette Soubirous". Estes eventos estabeleceram o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo, ao qual viajam anualmente entre 4 e 6 milhões de peregrinos.

Não obstante todos os últimos Papas visitaram este local. Bento XV, Pio XI e João XXIII foram quando ainda eram bispos, Pio XII, como delegado papal. Ele também declarou uma peregrinação a Lourdes em uma encíclica na comemoração sobre o 100º aniversário das aparições, completados em 1958. João Paulo II visitou Lourdes três vezes e o Papa Bento XVI concluiu uma visita lá em 15 de setembro de 2008 para comemorar o 150º aniversário das aparições em 1858.

Aquele que invoca o Senhor não é abandonado

No dia 11 de fevereiro, sábado próximo, festa de Nossa Senhora de Lourdes, comemora-se também o Dia Mundial do Enfermo. A mensagem especial do Santo Padre para este 20º Dia Mundial do Enfermo, que tem como tema: “Levanta-te e vai; tua fé te salvou!” (Lc 17,19), olha também para o próximo “Ano da fé”: “Desejo renovar a minha proximidade espiritual a todos os enfermos que se encontram nos locais de reabilitação e são acolhidos nas famílias, exprimindo a cada um a solicitude e afeto de toda a Igreja. Na acolhida generosa e amorosa de toda vida humana, sobretudo daquela fraca e doente, o cristão exprime um aspecto importante do próprio testemunho evangélico, a exemplo de Cristo, que se inclinou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para curá-lo”.

Além de ressaltar a figura do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 29-37), o Papa recorda que “o encontro de Jesus com os dez leprosos (Lc 17, 11-19), em particular as palavras que o Senhor dirige a um deles: ‘Levanta-te e vai; a tua fé te salvou!’ (v.19), ajudam a tomar consciência da importância da fé daqueles que, agravados pelo sofrimento e pela doença, se aproximam do Senhor. No encontro com Ele podem experimentar realmente que quem crê não está nunca sozinho. Deus, de fato, no Seu Filho, não nos abandona em nossas angústias e sofrimentos, mas nos é próximo, nos ajuda a levá-los e deseja curar no íntimo o nosso coração (cf. Mc 2, 1-12)”.

O Papa aproveita para frisar que “o binômio entre saúde física e a cura das feridas da alma nos ajuda a compreender melhor os Sacramentos da cura”, ou seja, a Penitência e a Unção dos Enfermos, que alcançam seu natural cumprimento na Comunhão Eucarística. “A missão principal da Igreja é certamente o anúncio do Reino de Deus, 'mas exatamente esse anúncio deve ser um processo de cura', enfaixar as chagas dos corações partidos (cf. Is 61,1), segundo o encargo confiado por Jesus aos Seus discípulos (cf. Luc 9, 1-2; Mt 10,1.5-14; Mc 6, 7-13)”. “Quem, no próprio sofrimento e doença, invoca o Senhor está certo de que o Seu Amor não nos abandona nunca e de que também o amor da Igreja, prolongamento no tempo da sua obra salvífica, não deixa de ser manifestado.

A cura física, expressão da salvação mais profunda, revela assim a importância que o homem, na sua integralidade de alma e corpo, representa para o Senhor. Todo Sacramento exprime e atua a proximidade de Deus, o qual, em modo absolutamente gratuito nos toca por meio das realidades materiais, que Ele assume ao Seu serviço, fazendo disso instrumentos do encontro entre nós e Ele mesmo. A unidade entre criação e redenção se torna visível. Os Sacramentos são expressão da corporeidade da nossa fé que abraça corpo e alma, o homem inteiro”. Por isso, o momento do sofrimento, em vez de ser motivo de desespero, pode “transformar-se em tempo de graça para voltar-se para si mesmo, repensar a própria vida e nos próprios erros, como o filho pródigo”. “A Igreja, continuando o anúncio do perdão e da reconciliação ressoado por Jesus, não cessa de convidar a humanidade inteira a converter-se e a crer no Evangelho”.

Dom Fernando Arêas Rifan
Retirado do Blog da Canção Nova

Domingo da Cura da Sogra de Pedro

Na 1ª Leitura, Jó é um justo sofredor. Ele busca nesta sua experiência um sentido para sua vida. Para os judeus do século VI que passavam pelo exílio (quando o livro foi escrito) esta meditação lembrava que a opressão não pode ser tomada como castigo de Deus e que a sua salvação venha a nós de graça, independente do nosso pecado.

A 2ª Leitura nos mostra que em sua primeira carta aos Coríntios, Paulo escreve a respeito de como entende o seu ministério: não como uma profissão em proveito próprio, mas como serviço solidário e gratuito a favor de todos.

No evangelho de hoje, Jesus se desloca da Sinagoga à casa de Simão e de André, com Tiago e João, ou seja, acompanhado dos primeiros discípulos escolhidos.

A sogra de Simão encontra-se doente. A ação de Jesus em curar a sogra de Pedro é carregada de simbologia. Jesus toca a pessoa doente, ajudando-a a se levantar.

Em sinal de gratidão pela cura recebida, a pessoa oferece hospitalidade a Jesus e aos seus discípulos. Jesus cura as pessoas, levantando-as da situação de prostração, de sofrimento para colocá-las no caminho do serviço, do discipulado.

Curadas e libertadas de seus males, as pessoas se tornam colaboradoras da missão de Jesus, colocando-se a serviço do seu Reino.

As demais curas manifestam o poder de Jesus, que liberta o ser humano e suas misérias mais profundas. Jesus liberta os que confiam no dom gratuito da salvação de Deus.

O silêncio em relação a Jesus revela que a fé no Filho de Deus é alcançada plenamente depois de sua morte e ressurreição. Atividade de Jesus em favor do povo é sustentada pela oração. Fortalecido pelo encontro com o Pai, Jesus estende sua missão a toda Galileia, ensinando nas sinagogas e expulsando os demônios, ou seja, o mal que se opõe ao projeto de Deus.

Assim Jesus mostra que veio manifestar a compaixão e a misericórdia de Deus a todos os povos.

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima