29 de Setembro - Festa dos Arcanjos

"São Gabriel com Maria, São Rafael com Tobias, São Miguel com todas as hierarquias, abri para nós esta via."

Comemoramos a festa de três Arcanjos neste dia: Miguel, Gabriel e Rafael. A Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, herdou do Antigo Testamento, a devoção a estes amigos, protetores e intercessores, que do Céu vêm em nosso socorro.

"Miguel", que significa: "Quem como Deus, segundo a Bíblia, ele é um dos sete espíritos assistentes ao trono do Altíssimo, portanto, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus.
"Gabriel", que significa: "Deus é forte" ou "aquele que está na presença de Deus", é o anjo da encarnação e, talvez, o da agonia do Jardim das Oliveiras. É ele que anuncia o nascimento de João Batista e de Jesus.
"Rafael", que quer dizer: "Medicina de Deus" ou "Deus cura", é o guia dos viajantes. Foi companheiro de viagem de Tobias. É aquele que cura, que expulsa os demônios, é o guia e seu protetor nas adversidades.

Oração aos Santos Arcanjos

Ajudai-nos, ó grandes santos irmãos nossos, que sois servos, como nós, diante de Deus.

Defendei-nos de nós mesmos, da nossa covardia e tibieza, de nosso egoísmo e de nossa ambição, de nossa inveja e desconfiança, de nossa avidez em procurar a saciedade, a boa vida e a estima.

Desatai as algemas do pecado e do apego a tudo o que passa. Desvenda os nossos olhos que nós mesmos fechamos, para não precisarmos ver as necessidades de nosso próximo, e poder assim ocupar-nos de nós mesmos numa tranqüila auto complacência.

Colocai em nosso coração o espinho da santa ansiedade de Deus, para que não deixemos de procurá-lo com ardor, contrição e amor.

Contemplai em nós o Sangue do Senhor, que Ele derramou por nossa causa.

Contemplai em nós as lágrimas de Vossa Rainha, que ela derramou sobre nós.

Contemplai em nós, a pobre, desbotada, arruinada imagem de Deus, comparando-a com a imagem íntegra que deveríamos ser por sua vontade e seu amor.

Ajudai-nos a conhecer a Deus, a adorá-Lo, a amá-Lo e a servi-Lo. Ajudai-nos no combate contra os poderes das trevas que traiçoeiramente nos envolvem e nos afligem.

Ajudai-nos para que nenhum de nós se perca e para que um dia estejamos todos jubilosamente reunidos na eterna bem-aventurança. Amém.

São Miguel, assisti-nos com vossos Santos Anjos, Ajudai-nos e rogai por nós.
São Rafael, assisti-nos com vossos Santos Anjos, Ajudai-nos e rogai por nós.
São Gabriel, assisti-nos com vossos Santos Anjos, Ajudai-nos e rogai por nós.


Fonte: Canção Nova

26º Domingo do Tempo Comum

Na 1ª leitura, a profecia de Amós, no século VIII a.C., exorta à conversão, a não buscar apenas o próprio bem-estar, tornando-se indiferente ao sofrimento dos pobres. A desigualdade social favoreceu a conquista da Samaria pelos assírios e o cativeiro.

A 2ª leitura convida a testemunhar a vida em Deus através das virtudes da justiça, piedade, fé, caridade, perseverança, mansidão. Convida a ser vigilante no caminho da fé e amor aos irmãos até a manifestação gloriosa do Senhor.

O evangelho apresenta uma história exemplar, onde o pobre chama-se Lázaro, nome que significa Deus socorreu ou ajudou (em hebraico). Lázaro, faminto e doente, sentado no chão, não tem acesso nem às sobras da mesa do rico. À margem da vida, proclamada pela Boa Nova de Cristo, necessita ser ajudado com as obras da justiça, da partilha dos bens. O rico é insensível ao sofrimento do pobre. O fechamento o impede de escutar a palavra de Deus que, desde Moisés e os Profetas, ensina a amar e a socorrer os necessitados. O rico e os cinco irmãos, número que simboliza o Pentateuco, têm o ensinamento da Torá e dos Profetas para a mudança de vida. A parábola interpela os discípulos de Cristo a entregar a vida por amor. Por meio da ressurreição do Filho, o Pai exalta os humildes que confiam em sua misericórdia.


Revista de Liturgia

O céu e a terra

A Palavra de Deus reúne o povo que lhe pertence, convocando-o à comunhão com o próprio Senhor para ser um sinal de um mundo diferente, possível para todos os homens e mulheres pela ação da graças. Jesus, Filho de Deus verdadeiro, veio ao mundo e trouxe a "cultura do céu", oferecendo-a com generosidade. "De rico que era, tornou-se pobre por amor para que nos enriquecer com sua pobreza" (2 Cor 8,9). Nele e com ele se encontra o chamado e a graça a restaurar todas as coisas. Em Jesus Cristo, Deus "nos fez conhecer o mistério de sua vontade, segundo o desígnio benevolente que formou desde sempre em Cristo, para realizá-lo na plenitude dos tempos: recapitular tudo em Cristo, tudo o que existe no céu e na terra" (Ef 1,9-10). Esta terra não é um restolho a ser desprezado, mas campo de prova e de missão, entregue a todos os filhos amados de Deus. A nós cabe a resposta a este plano de amor!

Não faltam os desafios a serem enfrentados para que os sonhos de Deus e de seus filhos se realizem. Dentre estes, assoma significativo o verdadeiro abismo entre grupos sociais, passando da extrema e escandalosa miséria até chegar à abundância, ao esbanjamento e ao desperdício que têm provocado indignação e clamado soluções construtivas. A sensibilidade especial do Evangelho de São Lucas para os pobres e pequenos (Cf. Lc 16, 10-31) mostra Jesus que, através da provocante linguagem das parábolas, quer suscitar novas atitudes, semeando novas relações entre as pessoas.

Lázaro, o pobre de outrora e de sempre, assim como o rico epulão, continuam presentes e incômodos, quando a parábola é contada por Jesus. Mas o céu, com seu modo de viver baseado na comunhão e na partilha, está bem perto de nós. Antes de pôr o dedo na ferida da desigualdade e da injustiça presentes em nosso tempo, faz bem olhar ao nosso redor e identificar onde se encontram experiências diferentes, nas quais o céu desce à terra. Perto e dentro de nós, existem gestos de comunhão, gente de coração generoso, sensibilidade diferente à fraternidade. Penso em tantas iniciativas tomadas por pessoas e grupos, como as tantas obras sociais da Igreja ou de outras instâncias da sociedade, nas quais se superam as distâncias e a fraternidade se instala. E quantas são as pessoas tocadas pela força da Palavra de Deus e hoje mais fraternas e sensíveis às necessidades dos outros, capazes de acolher os outros e proporcionar-lhes caminhos novos de promoção e autonomia.

Depois, trata-se de alargar a compreensão para verificar as marcas de verdadeiro inferno existentes em torno a nós, onde o egoísmo se espalha e deixa seu rastro destruidor. Uma imagem de tal situação me veio há poucos dias diante dos olhos: um morador de rua recolhendo água suja de uma valeta numa grande cidade, para quase fazer de conta de se lavar no início de um novo dia. Penso em tantos homens e mulheres que veem seus filhos vagando pelas ruas, revestidos de andrajos, com o coração dolorido por não terem roupas adequadas. E os homens e mulheres que recolhem restos de comida, quais lázaros que competem com cães vadios? Brada ao Céu a terra que edificamos! A dignidade humana, inscrita por Deus em todos os seus filhos, grita por novas atitudes. Para acordar a humanidade adormecida dentro de nós, foram dados lei, profetas e, mais ainda, alguém que ressuscitou dos mortos (Cf. Lc 16, 29-31). E não falta o grito da realidade, mas ouvidos sensíveis!

Primeiro passo é saber que o céu, pátria definitiva em que desejamos habitar, é casa cuja construção começa na terra. Dar guarida a cada pessoa que clama pelo nosso amor, sem deixar quem quer que seja passar em vão ao nosso lado. Diante do aleijado encontrado pelas ruas, Pedro e João tinham muito mais do que recursos materiais: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” (At 3,5). Deram a cura, abriram o coração do homem para Deus. E os textos dos Atos dos Apóstolos mostram que os primeiros cristãos lutaram pela comunhão de bens, um dos sinais da presença de Cristo Ressuscitado. Palavra, pão, remédio, abraço, consolo, sorriso, mãos que elevam, cura. Tudo serve e certamente haverá, no tesouro do coração de cada pessoa, algo a oferecer. Começar já, do jeito que é possível para cada um de nós.

Mas muitos podem oferecer outras coisas! Quem tem responsabilidades públicas, à frente de organismos da sociedade, pode aguçar sua sensibilidade e priorizar ações correspondentes aos valores da dignidade humana e proporcionar maior respeito às pessoas, especialmente aos mais necessitados. Há muita cara fechada e muita burocracia a serem superadas nas repartições públicas. Muitas filas podem diminuir, se crescer a boa vontade. Há projetos em vista do bem comum a serem implantados, vencendo interesses corporativos que emperram a vida dos cidadãos. Existe um caminho de conversão adequado para as pessoas que detêm cargos eletivos, quem sabe, inscritos até nos discursos bonitos da campanha eleitoral! Há mãos a serem lavadas na água pura da fonte da vida!

Tudo isso será possível se os valores que norteiam o comportamento tiverem referências diferentes. Escrevendo a Timóteo, companheiro de jornada no anúncio do Evangelho, São Paulo fez notar que "na verdade, a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Por se terem entregue a ele, alguns se desviaram da fé e se afligem com inúmeros sofrimentos. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas, procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado quando fizeste a tua bela profissão de fé diante de muitas testemunhas" (1 Tm 6, 10-16). A atualidade patente da Escritura provoca novas atitudes. Só com homens e mulheres renovados e transformados com os critérios do Evangelho se pode implantar relações novas na sociedade.

Enfim, vale dizer que se o céu é o limite, não há que temê-lo. Quando a Escritura e a Igreja falam das realidades definitivas, chamadas "novíssimos do homem", não desejam incutir o pavor, nem converter à força as pessoas. Não fomos feitos para rastejar no pecado e no egoísmo, mas pensados por Deus para a felicidade, construída e partilhada nesta terra e vivida em plenitude na eternidade.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo de Belém - PA

Primavera, tempo de renovação interior

Quando tudo parece imóvel e os dias são iguais, a semente que germinava debaixo da terra fria começa a desabrochar trazendo vida nova. O canto dos pássaros, o colorido das flores e os intensos raios de sol, logo ao amanhecer, anunciam que a vida foi restaurada. Já é hora de abrir as janelas, tirar os casacos e desarmar os guarda-chuvas, pois a primavera chegou!

Acredito que podemos aprender muito com a natureza e as estações do ano. Quando bem vividas, leva-nos a um intenso processo de mudança e crescimento interior. Certamente, a primavera é uma das estações mais benéficas e encantadoras que existem. A natureza que estava adormecida no silêncio do inverno desperta trazendo para fora o que tem de melhor em forma de flores que se tornarão frutos para dar continuidade ao ciclo da vida. Um grande exemplo que podemos seguir!

Além disso, a diversidade de cores e flores enfeita o universo e trazem um tom de leveza também para nossa alma, contagiando-nos com a alegria de celebrar a força da vida.

Quando penso na primavera, lembro-me sempre do encanto que sinto ao contemplar, no início dessa estação, o nascimento das flores que surgem direto da terra sem nenhum cuidado de mãos humanas. Falo das flores simples, tipo as ervas do campo que fala o Salmo 89. Muitas delas nascem de manhã e morrem no entardecer do mesmo dia, mas cumprem seu papel de colorir o universo. A fragilidade que trazem em si contrasta com a beleza que possuem. Aliás, vejo que contrastes têm muito a ver com o jeito de Deus agir na natureza e também na nossa vida. Uma etapa prepara outra.

Invernos antecedem primaveras, verões antecedem outonos e a vida segue seu ciclo de evolução entre perdas e ganhos, enquanto nos ensina que respeitar o processo natural da existência é caminho para a felicidade.

Talvez em sua alma esteja acontecendo o inverno, onde o silêncio e o frio da solidão têm lhe convidado a esperar. Ou pode ser que você esteja no outono, onde os ventos fortes dos acontecimentos têm levado os seus sonhos como folhas secas pelo ar. Ou talvez você esteja vivendo o verão, onde o sol intenso tem lhe trazido cansaço fazendo-lhe desejar um amparo. Respeito sua “estação” e considero importante você passar por ela colhendo todos os benefícios que ela lhe proporciona. Mas eu o convido, hoje, a abrir o coração para acolher as novidades que a primavera traz e deixe-se contagiar pela força da vida que brota da terra como expressão do amor de Deus.

É certo que Ele quer restaurar seu coração e este pode ser o tempo favorável para isso. Então, colabore, faça como a natureza, fique com o essencial e deixe “passar o que passa”. Coragem! Acima de tudo, lembre-se que você é amado pelo Criador. Prova disso é que Ele criou toda beleza que existe pensando em você.

Se precisar recomeçar, não tenha medo. A natureza recomeça todos os dias para manter-se viva. Sigamos seu exemplo e deixemo-nos contagiar pelo amor do Criador. Ele é mais radiante do que as cores da primavera, mais intenso que o calor do verão, mais forte que os ventos do outono e tem o poder de vencer todos os invernos da nossa alma.

Estou rezando por sua felicidade.

Dijanira Silva

25º Domingo do Tempo Comum

Amós, na 1ª leitura, denuncia os que procuram aumentar o lucro através das injustiças e exploração dos pobres. Até as festas religiosas, a lua nova e o sábado, que eram oportunidades de celebração e descanso para todos, são transformadas em meios para justificar a opressão social. O Senhor, porém, toma a defesa dos pobres.

A 2ª leitura recomenda que se façam orações por todas as pessoas. Deus, revelado na obra redentora de Jesus Cristo, quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.

No Evangelho, a parábola do administrador mostra que o gerente dos bens tinha liberdade, para agir em nome do patrão, mas de maneira coerente. Ao ser denunciado por esbanjar os bens, cancela o lucro, os juros altos sobre o azeite e o trigo. Sua ação ensina os discípulos a seguir o caminho solidário da partilha, oposto a toda forma de acúmulo e injustiça. Impele a assumir uma atitude misericordiosa e compassiva, que acolhe e respeita a dignidade da pessoa. O Senhor confia a missão de cuidar dos bens com sabedoria, para viver como filhos da luz. O apelo é para investir tudo, para encontrar o grande tesouro do Reino e experimentar Deus como o bem supremo. Quem segue os critérios de Jesus sobre os bens revela-se fiel nas pequenas coisas. A idolatria ao dinheiro e às riquezas impede de servir a Deus com toda a liberdade do coração e de viver fraternalmente. Jesus indicou o caminho da justiça e afirma que ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro. Os valores do Reino libertam e possibilitam administrar e colocar os bens materiais a serviço da edificação de uma sociedade mais justa e fraterna.


Revista de Liturgia

A quem muito se ama, muito se perdoa

Meus irmãos e minhas irmãs, a Palavra de Deus nos mostra um dos relatos mais bonitos do Evangelho.

Aquela mulher, cujo nome não sabemos, pois foi apenas identificada como pecadora, apresentou-se diante de Jesus, trouxe-Lhe um perfume maravilhoso, um dos mais caros, em um frasco de alabastro, e o jogou aos pés de Jesus, molhando os pés d’Ele com suas lágrimas. Ao mesmo tempo que banhava aos pés do Mestre com suas lágrimas, ela também os enxugava com seus cabelos. Beijava os pés do Senhor e ungia-o com muito perfume.

Simão ficou indignado com aquela situação e disse: “Este homem é profeta e nem conhece a mulher que está se colocando aos Seus pés”.

Jesus deu-lhe uma catequese maravilhosa. Primeiro, chamou a atenção de Simão, porque ele se achava justificado, santo, se achava o bom, mas não demonstrou nenhum afeto, nenhum reconhecimento, nem ligou quando o Senhor entrou em sua casa. Era apenas uma visita que recebia.

Então, Jesus está chamando a atenção, primeiro, daqueles que se sentem justificados, santos, melhor que os outros. Muitas vezes até participam das coisas de Deus diariamente e, por causa disso, o orgulho cresce e não são mais capazes de reconhecer seus próprios pecados.

Uma vez que nós não somos mais capazes de reconhecer as nossas misérias, as nossas falhas, os nossos próprios erros, nós não precisamos fazer tanto esforço ou demonstrar tanto amor para com o Senhor.

Aquela mulher, no entanto, vista por todos como grande pecadora, deu o melhor de si, deu suas lágrimas em perfeita contrição dos seus erros, dos seus pecados e das suas faltas. Ela demonstrou grande amor. E por tê-lo demonstrado, grande foi a misericórdia do Senhor para com ela.

Se nós tivermos, realmente, a contrição dos nossos pecados, demonstremos por meio de gestos o nosso arrependimento; grande será o amor do Senhor para conosco. “A quem muito se ama, muito se perdoa”.

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

A vitória da Igreja

Nosso Senhor Jesus Cristo nunca perde batalhas: “No mundo tereis tribulações; mas confiai, Eu venci o mundo” (Jo 16,23), declarava o Senhor às vésperas da Sua aparente derrota na cruz. E a sua promessa estende-se à Igreja que fundou: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

De todas as perseguições, a Igreja saiu purificada e engrandecida, de todas as falsidades ela triunfou. Enquanto os anticristos ruíam por si mesmos ao longo destes vinte séculos, a Igreja lhes sobrevivia.

Georges Chevrot, na sua obra “Simão Pedro”, tem umas palavras que merecem reproduzir-se aqui: “Já em tempos de Santo Agostinho de Hipona os inimigos da Igreja declaravam: 'A Igreja vai morrer, os cristãos tiveram a sua época'. Ao que o bispo de Hipona respondia: 'No entanto, são eles que morrem todos os dias e a Igreja continua de pé, anunciando o poder de Deus às gerações que se sucedem'.

'Vinte anos mais – dizia o infeliz filósofo francês Voltaire -, e a Igreja Católica terá acabado...' Vinte anos depois, Voltaire morria e a Igreja católica continuava a viver. [...]

Assim, desde Celso, no século III, não houve uma única geração em que os coveiros não se preparassem para sepultar a Igreja; e a Igreja vive. O notável escritor Charles Forbes René de Tryon, conde de Montalember dizia-o magnificamente, em 1845, na Câmara dos Pares: 'Apesar de todos os que a caluniam, subjugam ou atraiçoam, a Igreja Católica tem há dezoito séculos uma vitória e uma vingança asseguradas: a sua vingança é orar por eles; a sua vitória, sobreviver-lhe'”.

Mesmo o doloroso espetáculo dos mártires não deve desanimar-nos, antes o seu exemplo deve servir-nos de estímulo e orientação. Martírio significa “testemunho” e, na verdade, trata-se do máximo testemunho da fé; e por isso o Senhor associou a ele as mais sentidas promessas de glorificação e fecundidade.

Referindo- se aos mártires deste século que acaba de passar, João Paulo II dizia: “A Igreja encontrou sempre, nos seus mártires, uma semente de vida”. Sanguis martyrum, sêmen Christiano-rum (Tertuliano, Apologeticum 50, 13: PL 1, 534): esta célebre (lei) enunciada por Tertuliano, sujeita à prova da História, sempre se mostrou verdadeira. Por que não haveria de sê-lo também no século e milênio que começamos? Talvez estivéssemos um pouco habituados a ver os mártires de longe, como se tratasse de uma categoria do passado associado especialmente com os primeiros séculos da era cristã. A comemoração jubilar descerrou-nos um cenário surpreendente, mostrando o nosso tempo particularmente rico de testemunhas, que souberam, ora de um modo, ora de outro, viver o Evangelho em situações de hostilidade e perseguição, até darem muitas vezes a prova suprema do sangue”.


Padre Inácio José do Vale

Amor à vida ou à mentira?

No dia 1º de julho, o corpo do menino Brayan Capcha, de 5 anos, foi levado para a Bolívia, onde havia nascido. Ele tinha sido assassinado com um tiro na cabeça alguns dias antes, em São Paulo, depois de entregar ao criminoso os últimos centavos que carregava consigo. Entre lágrimas, pediu-lhe que não matasse a mãe e o deixasse viver. Mas o assaltante não tolerou o seu choro e lhe desferiu um tiro na cabeça.

No mesmo dia, o Parlamento da Bélgica começou a debater a aplicação da eutanásia para os menores de idade. Para os adultos, ela está em vigor desde o ano de 2002, e lhes permite pôr fim à vida com uma injeção letal em casos de doenças terminais. A partir de então, 1.432 pessoas recorreram à medida. A nova proposta de lei autoriza os médicos a atender ao pedido de crianças e adolescentes que solicitam a eutanásia "por se encontrarem em situações médicas sem saída, em estado de sofrimento físico, psíquico constante e insuportável".

Em julho também vieram à tona as declarações do Ministro da Economia do Japão, Taro Asso, sugerindo que, por motivos econômicos e para o bem da nação, "os idosos se apressem a morrer. Se eu estivesse na situação dessas pessoas de idade avançada que recebem acompanhamento médico, sentir-me-ia mal, sabendo que o tratamento é pago pelo Estado".

Estes e mil outros fatos do mesmo teor que sucedem diariamente no mundo refletem a mentalidade pagã que tomou conta de amplos setores da sociedade atual, a começar de algumas lideranças políticas. Concretiza-se, assim, a “profecia” feita pelo escritor russo Fiodor Dostoievski, há 150 anos: "Tirem Deus da sociedade e salve-se quem puder!". Com ele concorda o Papa Francisco, num pronunciamento que fez no Rio de Janeiro, no dia 27 de julho: "Em muitos ambientes, ganhou espaço a cultura da exclusão e do descartável. Não há mais lugar para o idoso e para o filho indesejado. Não há mais tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. As relações humanas parecem regidas por apenas dois dogmas: a eficiência e o pragmatismo".

Escrevi acima que, em alguns países, essa mentalidade pagã está sendo propugnada por autoridades políticas. Mas, para ser exato, preciso incluir na lista também os meios de comunicação social. Um exemplo concreto foi dado pela Rede Globo no dia 23 de agosto, através da novela “Amor à vida”. Em dado momento, um ator no papel de médico, afirmou que "o aborto ilegal está entre as maiores causas de mortes de mulheres no Brasil, um caso de saúde pública".

Graças a Deus, de uns anos para cá, muitos leigos cristãos passaram a ocupar o seu lugar, não apenas na Igreja, mediante serviços litúrgicos e catequéticos, mas também na sociedade. Foi o que se viu na “nota” que dirigentes do “Movimento Nacional da Cidadania pela Vida (Brasil sem Aborto)” difundiram no dia 23 de agosto, contestando a Globo e pondo os pontos nos is: "Os dados oficiais, disponíveis no Datasus, atestam que, no Brasil, em 2011 (último ano a ter os dados totalmente disponíveis), faleceram 504.415 mulheres. O número máximo de mortes maternas por aborto provocado, incluindo os casos não especificados, corresponde a 69, sendo uma delas o aborto dito legal. Portanto, apenas 0,013% das mortes de mulheres se devem a aborto ilegal. 31,7% das mulheres morreram de doenças do aparelho circulatório e 17,03% de tumores. Estes, sim, constituem problemas de saúde pública.

A Globo fez também clara confusão entre os conceitos de “omissão de socorro” e “objeção de consciência”, com laivos de intolerância à liberdade religiosa. Desconhecemos que alguma religião impeça seus membros de prestar socorro a “pecadores”. Se assim fosse, inúmeros assaltantes e assassinos que chegam baleados aos hospitais, ficariam sem atendimento. Se até um bandido assassino, que foi ferido no embate, tem direito a atendimento médico, como caberia negá-lo em situações de sequelas do aborto? Se a Rede Globo deseja problematizar o debate, que o faça a partir de dados e situações verazes, e não se contente em reproduzir jargões propagandísticos!".

Tudo isso para não voltar aos tempos e aos métodos de Voltaire: "Menti, menti, que alguma coisa ficará!"

Dom Redovino Rizzardo, cs

Bispo de Dourados (MS)

24º Domingo do Tempo Comum

A primeira leitura apresenta-nos a atitude misericordiosa de Jahwéh face à infidelidade do Povo. Neste episódio – situado no Sinai, no espaço geográfico da aliança – Deus assume uma atitude que se vai repetir vezes sem conta ao longo da história da salvação: deixa que o amor se sobreponha à vontade de punir o pecador.

Na segunda leitura, Paulo recorda algo que nunca deixou de o espantar: o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo. Esse amor derrama-se incondicionalmente sobre os pecadores, transforma-os e torna-os pessoas novas. Paulo é um exemplo concreto dessa lógica de Deus; por isso, não deixará de testemunhar o amor de Deus e de Lhe agradecer.

O Evangelho apresenta-nos o Deus que ama todos os homens e que, de forma especial, Se preocupa com os pecadores, com os excluídos, com os marginalizados. A parábola do “filho pródigo”, em especial, apresenta Deus como um pai que espera ansiosamente o regresso do filho rebelde, que o abraça quando o avista, que o faz reentrar em sua casa e que faz uma grande festa para celebrar o reencontro.

Pe. Joaquim Garrido – Pe. Manuel Barbosa – Pe. Ornelas Carvalho

Retirado do Site Presbíteros

Olhemos para a cruz com olhar de fé

Olhemos para a cruz que temos na nossa casa, a cruz que, muitas vezes, carregamos conosco, aquela está na Igreja… A cruz nossa de cada dia. E olhemos para ela com olhar de fé.

“Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Nós celebramos, hoje, o dia da Exaltação da Santa Cruz. Louvores, honras e glórias se deem a Jesus Cristo Crucificado, Aquele que morreu por mim e por você.

Que nós, hoje, olhemos para a cruz que temos na nossa casa, a cruz que, muitas vezes, carregamos conosco, aquela está na Igreja, no cemitério… A cruz nossa de cada dia. E olhemos para ela com olhar de fé.

Sabe, meus irmãos, a cruz, no Antigo Testamento – o madeiro –, era tida como um sinal de maldição. O livro do Deuteronômio diz: “Maldito seja todo aquele que for pregado no madeiro” (cf. Dt 21,22-23). Era o pior dos espetáculos! Era o pior castigo para os crimes mais bárbaros, hediondos, que se cometiam naquela época. Era a pena de morte mais cruel: alguém ser exposto e pregado numa cruz.

Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, no entanto, que não cometeu pecado algum, não cometeu crime algum, por nós foi crucificado. Desde então, a cruz – que era maldição – tornou-se bênção. A cruz que era o sinal dos perdidos, tornou-se o sinal dos redimidos, dos salvos pelo Senhor. Por isso, a Igreja exalta a Santa Cruz. Não é a “cruz pela cruz”, mas a cruz onde foi crucificado Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Quando olhamos para o Cristo Crucificado, damos mais sentido às cruzes nossas de cada dia, os nossos sofrimentos, as nossas dores, a tudo aquilo que temos de passar na vida como consequência da nossa existência.

O Cristo Crucificado nos dá força. Ele dá um sentido novo, salvífico, um sentido redentor à cruz que cada um de nós carregamos.

No dia de hoje, eu quero convidar você a não desanimar, a carregar firme a sua cruz, a olhar para Jesus Crucificado e clamar: “Senhor, piedade, misericórdia de mim! Senhor, dê-me força, coragem, ânimo para que eu não desanime com a minha cruz”.

Que Jesus Crucificado seja para nós luz e salvação.

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

14 de Setembro - Dia da Exaltação da Santa Cruz

Nos reunimos com todos os santos, neste dia, para exaltar a Santa Cruz, que é fonte de santidade e símbolo revelador da vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e o demônio; também na Cruz encontramos o maior sinal do amor de Deus, por isso :

“Nós, porém, pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos ” (I Cor 1,23)

Esta festividade está ligada à dedicação de duas importantes basílicas construídas em Jerusalém por ordem de Constantino, filho de Santa Helena. Uma, construída sobre o Monte do Gólgota e outra, no lugar em que Cristo Jesus foi sepultado e ressuscitado pelo poder de Deus.

A dedicação destas duas basílicas remonta ao ano 335, quando a Santa Cruz foi exaltada ou apresentada aos fiéis. Encontrada por Santa Helena, foi roubada pelos persas e resgatada pelo imperador Heráclio. Graças a Deus a Cruz está guardada na tradição e no coração de cada verdadeiro cristão, por isso neste dia, a Igreja nos convida a rezarmos: “Do Rei avança o estandarte, fulge o mistério da Cruz, onde por nós suspenso o autor da vida, Jesus. Do lado morto de Cristo, ao golpe que lhe vibravam, para lavar meu pecado o sangue e a água jorravam. Árvore esplêndida bela de rubra púrpura ornada dos santos membros tocar digna só tu foste achada”.

“Viva Jesus! Viva a Santa Cruz!”


Santa Cruz, sede a nossa salvação!

13 de Setembro: 5ª Aparição de Nossa Senhora

Rodeados por mais de 25 mil pessoas, e assediados por todos os lados com diversos pedidos, os Pastorinhos compareceram novamente na Cova da Iria, diante da típica azinheira, Nossa Senhora pousa os pés em meio a uma nuvem de luz, e diz:

“Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

- Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo-mudo…

Sim, alguns curarei; outros, não. Em Outubro farei o milagre, para que todos acreditem.”

E como de costume, começou a se elevar e desapareceu.


Retirado do Livro Memórias da Irmã Lúcia

Decidir-se pelo amor!

Em nossa vida, constantemente precisamos tomar decisões: se vamos a um passeio ou à Missa, se permanecemos neste emprego ou buscamos outro, se usamos esta ou aquela roupa etc. Desde as mínimas coisas até grandes decisões, como a resposta a determinada vocação, em tudo devemos nos posicionar, fazer uma ‘cisão’, uma quebra, um rompimento com algo para assumir outro.

A Santíssima Trindade, por ser uma comunidade de amor, vive em perfeita harmonia nas decisões tomadas e assumidas. O Pai, com o Espírito Santo, decidiu enviar o Filho. O Filho, naquele momento ‘sem momento’, decidiu se apresentar ao Pai dizendo o “eis-me aqui, envia-me”, e sua aceitação levou-o até o “sim” da cruz e o “sim” que se perpetua na Eucaristia em todos os tempos. Jesus tomou decisões e nos ensina a fazê-lo. O Filho, junto com o Pai, decidiu enviar o Espírito Santo para nos santificar. A Palavra de Deus já nos alerta: “Que o vosso sim seja sim e o vosso não seja não”, “porque se não és frio nem quente vou vomitar-te”. Assim, o cristão se torna alguém que sabe o que quer e busca ser conseqüente com o que assume.

O amor, eixo em torno do qual gira toda a vida humana e cristã, também é questão de decisão. Sou eu que escolho se quero ou não amar, a quem quero amar e como será o meu amor.

Às vezes, no atendimento às pessoas que batem à porta do nosso mosteiro pedindo orações ou conselhos, fico comovida ao escutar histórias verdadeiramente dramáticas, mas onde percebo, no meio de tanto sofrimento e ingratidão a dedicação e um amor total e incondicional de alguma pessoa. Quantas esposas que acolhem e aceitam seus esposos ingratos, alcoólatras, infiéis, agressivos e os amam a ponto de conseguirem de Deus sua conversão e libertação! Por outro lado, também quantos esposos abandonados, traídos e humilhados por suas esposas, mas que continuam fiéis a um “sim” pronunciado um dia! Quantos pais que insistem em amar seu filho que só traz desgosto e sofrimento!… E cobrem tudo com o amor, defendendo a pessoa amada com “unhas e dentes”. São pessoas que simplesmente decidiram amar. E muitos milagres acontecem como conseqüência deste amor.

Quando amo devo agir com a consciência de estar fazendo uma opção de vida. Não estou vivendo um sentimento que irá trazer-me apenas prazer ou alegria. Irei assumir toda a pessoa, com seus limites, seus defeitos, suas quedas, seus fracassos, mas também suas vitórias e triunfos. Aliás, é na hora da desgraça que se prova o verdadeiro amor.

Penso que muitos relacionamentos – inclusive no matrimônio – não se aprofundam nem perseveram por falta desta decisão de amar até o fim, para além dos sentimentos. Deus nos ama assim. Ele é fiel porque se decidiu a estar conosco sempre e nos ama em todo tempo, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, sempre! Quando Jesus decidiu ser amor entre nós, assumindo nossa humanidade e nos ensinando a ser humanos, todas as conseqüências foram assumidas juntamente, inclusive a cruz e a morte. “Amar é dar a vida”, e dar a vida não é sentimento, é ato de decisão. Quando amo alguém estou vivendo este mistério que Jesus vive na Eucaristia a cada momento. Ele está ali, no sacrário e em quem o recebe, independentemente da forma como é acolhido e venerado. É o mesmo para aquele que o ama intensamente como para aquele que o recebe com indiferença, em pecado ou para aquele que nem o quer receber. Ele continua o mesmo Amor que se dá na pura gratuidade. E este amor gratuito é que nos constrange a pagar amor com amor e a mudar nossas vidas.

Santa Teresa de Ávila, em seu livro Castelo Interior ou Moradas, descrevendo o itinerário espiritual da pessoa que se entrega à oração, diz várias vezes como se sentia pequena e como que ‘esmagada’ diante de tudo que Deus lhe fazia, de todas as graças que recebia do Senhor. Amor gera amor, dizia ela em outro lugar e era firme na formação das carmelitas descalças para serem pessoas decididas, pessoas de “determinada determinação”, na linguagem teresiana. Quando a pessoa que Deus coloca em nossa vida para que a amemos não nos agrada, quando temos de enfrentar lutas de nossa natureza, quando o outro se torna um peso, ou ele tem “o dom de desagradar-me em tudo” – na expressão de Santa Teresinha – então sim, estarei diante de uma excelente oportunidade para viver o verdadeiro amor, o amor gratuito que Jesus me pede e ensina.

Seja nosso amor para com cada pessoa este ato de decisão que nos leve a perseverar até o fim, ou seja, até a consumação de nossa vida no céu, onde tudo será amor, pois “na tarde da vida seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz).

Irmã Maria Elizabeth da Trindade – Carmelo de Passos-MG

Retirado da Revista Shalom Maná

Ouvir o Senhor é o bem maior que concedemos à nossa alma

“Vieram multidões para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças e suas enfermidades” (Lc 6,18).

Ouvir o Senhor é o bem maior que podemos conceder à nossa alma, ao nosso coração e à nossa vida. Quando paramos para ouvi-Lo, nossos ouvidos se dilatam, abrem-se para escutar a Palavra de vida, de transformação, aquela que faz bem à nossa existência. Ouvir Jesus é permitir que a palavra d’Ele entre em nós e faça a graça de Deus acontecer.

Nós, muitas vezes, precisamos de uma palavra de alento, de direção e de esperança, mas, como diz a primeira leitura de hoje, na Carta de Paulo aos Colossenses, “nós não podemos buscar essa palavra em vãs filosofias, em doutrinas falsas que se baseiam em tradições humanas”.

Não é lendo horóscopos, buscando cartas, magias ou qualquer filosofia desse mundo que nós vamos encontrar a palavra de consolo, de cura, de transformação que precisamos. Pode ser até que, por causa da ânsia que vivemos de encontrar uma palavra que nos guie, sintamo-nos até bem quando ouvindo esta ou aquela pessoa, mas ninguém tem palavra de vida eterna a não ser Jesus! Ninguém pode trazer até nós palavras que deem sentido pleno à nossa vida, a não ser Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; é por isso que aquelas pessoas paravam para ouvi-Lo e eram curadas de suas doenças e enfermidades.

Aquela multidão, além de ouvir o Senhor, também procurava tocar n’Ele, e cada um que O tocava sentia sair d’Ele uma força que curava, que dava um novo alento, que trazia uma transformação para o seu coração.

Além de ouvir Jesus, abra os seus ouvidos e o seu coração para ouvir as palavras d’Ele, para meditar sobre elas no Evangelho, na Sagrada Escritura. Permita-se ser tocado por Ele, permita que o amor do Senhor toque em você, chegue em você e o Seu toque faça toda a diferença em sua vida. O Seu toque dá uma direção nova para aquilo que estamos precisando.

Hoje, onde quer que você esteja, que um toque de esperança, um toque de amor, um toque de fé chegue até o seu coração. Permita-se ser tocado pelo poder misericordioso de Jesus Cristo.

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

08 de Setembro - Dia da Natividade de Nossa Senhora

Hoje é comemorado o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo.

Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Segundo uma antiga tradição os pais de Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus.

De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.

Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois Ela apareceu no mundo: a Aurora que precedeu o Sol da Justiça e Redentor da Humanidade.


Nossa Senhora, rogai por nós!

23º Domingo do Tempo Comum

A reflexão sobre o Livro da Sabedoria, na 1ª Leitura, nos leva a perceber que não é possível conhecer os desígnios de Deus senão pela sabedoria que ele mesmo nos oferece. A sabedoria vinda do espírito de Deus é que nos conduzirá e nos permitirá aprender o que agrada a Deus e, nesta direção encaminhar nosso fazer, nosso ser, nosso viver.

Na 2 ª Leitura, São Paulo, escrevendo a carta a Filêmon, mostra concretamente a vivência do desapego. Diz ele sobre Onésimo: “meu filho que fiz nascer na prisão para Cristo [...] ele é como o meu próprio coração (cf. Fl 23). Então evidencia sua profunda doação interior ao revelar a Filêmon que “gostaria de retê-lo junto de mim”, porém “o estou mandando de volta a ti”. Esta passagem ilustra o evangelho lido hoje: o desprendimento de Paulo em relação a Onésimo concretiza, de algum modo, as palavras de Jesus, ao ensinar que, se alguém quer segui-lo, mas não desapega dos que lhes são queridos, não pode ser discípulos. Lembremos que este desapego não significa abandonar familiares e amigos, mas atribuir a primazia a Deus. É colocar o projeto de Deus à frente de todos os outros projetos. Tudo, desde os afetos até as posses materiais, é inserido no plano de Deus que cada um assume livremente. “Se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33)isto é, aquele  que não estiver disposto a ter sempre como primeira opção os valores de Jesus,  mesmo que isso exija-lhe abrir mão do que tem ou do que desejaria fazer, não pode pertencer inteiramente ao grupo dos discípulos. Será sempre, por assim dizer, um discípulo incompleto.

No Evangelho, Lucas nos mostra um episódio ocorrido no período em que numerosas multidões seguiam Jesus. As pessoas pareciam sedentas por seus ensinamentos.

Em seu sentido mais simples, o verbo “seguir” significa “ir atrás”, tão somente “acompanhar”. Jesus indica às pessoas que formam a multidão ao seu redor que o caminho de seu seguimento não é assim tão simples, não é apenas ouvir palavras bonitas, talvez reconfortantes. Seguir Jesus, no contexto da história da salvação, significa a adesão total a uma pessoa que propões um programa de vida. O seguimento exige desapego até mesmo das pessoas mais queridas e requer que cada um tome sua cruz, ou seja, assuma integralmente sua condição de discípulo missionário. Embora a caminhada não seja mais fácil, sua culminância não está na cruz em si, mas no que vem depois dela: Jesus não terminou sua vida na cruz, mas a completou na glória da ressurreição. Quer olhando para a cruz, quer olhando para a ressurreição, a opção não deve ser feita apressadamente. Assim como um construtor calcula os gastos para edificar uma obra e um rei calcula as foras que tem para enfrentar o inimigo, também quem quer seguir Jesus deve ter consciência do quanto lhe será exigido. A exigência de Jesus é radical: “se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” (Lc 14,33). Esta renúncia diz respeito, especialmente, ao esvaziamento de si mesmo, para se deixar preencher pelo Cristo, através do Espírito Santo.


Site Emana

O que a Independência do Brasil diz ao coração do cristão?

O grito do Ipiranga, desde a tarde do dia 7 de setembro de 1822, ecoa até hoje no coração de todos os brasileiros: “Indepedência ou morte!”. Naquele contexto de um Brasil Colônia, a atitude do Imperador Dom Pedro I expressou o que ia no coração de todos os brasileiros: o desejo de ser uma nação soberana.

É de se perguntar se a proclamação simbólica da independência realizou, de fato, esse sonho de soberania, uma vez que as elites rurais permaneceram com seus privilégios políticos e focadas na exportação da matéria-prima nacional; a escravidão foi mantida e mantidos foram também os latifúndios e o modelo de governo monárquico. Estranhamente, o Brasil indenizou Portugal pela sua independência pagando 2 milhões de libras esterlinas, começando, ali, a dívida externa brasileira com a Grã-Bretanha que emprestou o dinheiro. Será que foi independência ou morte?

Esses fatos que recordamos, todos os anos, na data cívica de sete de setembro, tem algum significado ao coração do cristão? Encontramos a resposta no Compêndio de Doutrina Social da Igreja da Católica, nos números 421-427, os quais tratam do “Estado e as Comunidades Religiosas”. O assunto é muito atual, pois, na defesa de um Estado Laico, alguns imaginam que se deveria limitar a liberdade religiosa que permite aos cristãos, por exemplo, engajar-se no mundo da política. Segundo a Doutrina Social da Igreja (DSI) esta liberdade religiosa é um direito fundamental.

Então, qual seria a relação saudável entre a Igreja Católica e a comunidade política? A DSI indica dois princípios. O primeiro é, justamente, o da “autonomia e independência”. A Igreja e o Estado são estruturas visíveis, mas independentes. Enquanto Igreja está organizada para atender os fins espirituais dos fiéis, o Estado tem como finalidade cuidar e prover o bem comum temporal.

O segundo princípio é o da “colaboração”. Igreja e Estado são independentes, mas não separados. A sadia colaboração entre eles será benéfica para o povo. Atenção: quando a DSI fala que a missão específica da Igreja é o bem espiritual das pessoas, não exclui as outras dimensões da vida, pois sua missão abraça toda a realidade humana. Nesse sentido, vale a pena transcrever o número 426 do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que é muito claro: “A Igreja, portanto, pede: liberdade de expressão, de ensino, de evangelização; liberdade de manifestar o culto em público; liberdade de organizar-se e ter regulamentos internos próprios; liberdade de escolha, de educação, de nomeação e transferência dos próprios ministros; liberdade de construir edifícios religiosos; liberdade de adquirir e de possuir bens adequados à própria atividade; liberdade de associar-se para fins não só religiosos, mas também educativos, culturais, sanitários e caritativos.”

Quem sabe possamos corrigir o grito do Ipiranga. Não se trata de “independência ou morte”, mas “independência e colaboração”. É assim que construiremos uma nação, na qual reine a justiça social. E enquanto ainda existir focos de dependência e exclusão, somos chamados a promover a solidariedade com todos os que estão na periferia da história, como sempre nos lembra o Papa Francisco: “Não podemos dormir tranquilos enquanto crianças passam fome”.


Padre Joãozinho, SCJ