Discípulos e Discípulas de Jesus, Missionários e Missionárias do Reino

Na passagem da última ceia, Lucas menciona as seguintes Palavras de Jesus: “Desejei muito comer com vocês esta ceia pascal, antes de sofrer. Pois eu lhes digo: nunca mais a comerei, até que ela se realize no Reino de Deus”. Então Jesus pegou o cálice, agradeceu a Deus, e disse: “Tomem isso, e repartam entre vocês, pois eu lhes digo que nunca mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus”. Jesus celebrou a ultima ceia tendo em vista o Reino de Deus. Foi enviado pelo Pai como missionário do Reino. Toda sua vida esteve em função disso, foi perseguido, condenado à morte de cruz por causa disso, enviou os discípulos e discípulas em missão para continuar anunciando com Palavras e com o trabalho, com a ação, com gestos concretos: O Reino de Deus chegou até vocês! Por isso, não há como celebrar a Eucaristia, nem o domingo, Dia do Senhor, a não ser na perspectiva do Reino de Deus. Como Jesus, a comunidade cristã, e cada um/a de seus membros, pode dizer, com Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Noticia aos pobres, enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor”. Este programa de vida de Jesus é também nosso programa de vida.

A celebração do domingo, Dia do Senhor, situa-se nesta dupla perspectiva: celebrar a Eucaristia na intimidade do Ressuscitado e ser por ele, de novo, enviados em missão. Somos discípulos e discípulas de Jesus, chamados para permanecer com ele, e de novo, sermos enviados como missionários e missionárias do Reino, na realidade de nosso dia-a-dia, na dinâmica social da convivência humana, em todos os níveis, em todos os ambientes, em comunhão com todas as pessoas de ‘boa vontade’, de qualquer religião ou cultura.

Como redescobrir este eixo fundamental da celebração dominical? Como romper o formalismo que como uma capa de chumbo ou como um muro de cimento armado impede que o encontro e a comunhão com o Cristo e entre nós aconteçam e renovem nossa visão do mundo, nosso animo, nossa vontade de atuar na sociedade como testemunha da ressurreição, como militantes da libertação, obreiros do diálogo, da paz, da misericórdia e da reconciliação? Como fazer para que a celebração de domingo volte a esta sua finalidade primeira e primária e esteja aberta, voltada para a realidade da vida pessoal e social?

É preciso celebrar em comunidade, com grupos menores, onde as pessoas tenham um mínimo grau de convivência, de relacionamento na fé e possam, também durante a celebração, dialogar, trocar idéias, emitir sua opinião, expressar sua maneira de ver a realidade, sua maneira de compreender a palavra de Deus. São momentos preciosos os da ‘recordação da vida’, da homilia dialogada (para nos debruçar sobre a realidade do mundo e encontrar uma luz na Palavra meditada), das preces de verdade (e não das intenções formalmente lidas de um ‘jornalzinho’ ou folheto!), da reunião familiar ao redor da mesa do Senhor para a ação de graças, a partilha do pão e da comunhão.

Retirado do Livro Liturgia em Mutirão – Ed. CNBB

Nenhum comentário: