Domingo da Apresentação do Senhor

A 1ª Leitura nos mostra que, o dia do Senhor, mencionado várias vezes no Antigo Testamento, geralmente é considerado como uma visitação ou vinda; como uma intervenção divina quase sempre iminente.

A imagem do fogo não tem por objetivo causar medo, mas é simplesmente uma metáfora tirada da vida cotidiana. Alguns aspectos do processo de refinação de metais são simbolicamente empregados várias vezes para discorrer sobre a purificação do pecado e como prova de fidelidade a Deus.

A prata era obtida pelo processo de fusão. Sob alta temperatura, as substâncias agregadas à superfície do metal se transformavam em pó, o qual era repelido por uma rajada de ar. Nas diversas referências bíblicas, a refinação do metal é usada simbolicamente para ilustrar o tipo de provação à qual os seres humanos são submetidos. Em momentos difíceis da história é que se pode constatar quem de fato é ou não fiel a Deus. Aqueles que permanecem fiéis, firmes na fé, experimentarão a libertação definitiva, mesmo que eventualmente suportem algumas circunstâncias difíceis.

Na 2ª Leitura, o tema central da carta aos Hebreus é o sumo sacerdócio de Cristo. Sacerdote significa mediador, ou seja, alguém por meio do qual se efetiva a relação entre Deus e a humanidade, entre Criador e criatura. A mediação realizada por Jesus Cristo somente é possível porque ele é totalmente divino e totalmente humano, ou seja, faz parte da esfera do Criador (é Filho) e da criatura (é homem).

Na relação de Cristo com Deus, temos o aspecto da autoridade, pois foi glorificado à direita do Pai. Já na relação com a humanidade, temos o da misericórdia, visto que, por experiência própria, participou de nossa fraqueza, sendo em tudo semelhante a nós, exceto no pecado.

Cristo é sumo sacerdote tanto por sua intimidade com o Pai quanto por sua solidariedade com a humanidade. Ambas as relações foram levadas ao extremo. A credibilidade e a solidariedade de Cristo fazem dele o fundamento da nossa fé. O ser humano pode lançar toda a sua existência sobre esse fundamento, por duas razões: porque Cristo é o Filho de Deus constituído em dignidade; porque amou a humanidade a ponto de morrer na cruz para libertá-la do poder da morte e associá-la à oferta de sua própria vida ao Pai.

Os primeiros versículos do Evangelho tratam especificamente da manifestação (epifania) do messiado de Jesus a partir do cumprimento dos ritos de iniciação na religião da sua família, o judaísmo. Jesus e Maria, recém-nascido e parturiente, submeteram-se a tudo que a lei de Moisés indicava a respeito do nascimento de um menino primogênito
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Pela circuncisão, Jesus tinha sido oficialmente marcado como membro de Israel, ingressando na aliança feita com os patriarcas e com os descendentes deles desde Abraão até os escravos libertos do Egito. No momento da circuncisão, de acordo com a lei dada por Deus a Moisés, foi imposto o nome do menino: ele foi chamado Jesus, conforme o anjo havia orientado. Naquela cultura, o nome designava a identidade e a missão da pessoa. Jesus quer dizer “Deus salva”. Isso significa que Deus nunca desistiu de salvar o mundo por meio de Israel e que cumpriu essa promessa mediante um israelita fiel, Jesus de Nazaré. Ao se tornar oficialmente membro do povo da aliança, Jesus realizou em sua vida, morte e ressurreição a vocação que Abraão e seus descendentes haviam recebido.

Pelo rito de iniciação à religião judaica, ou seja, de pertença à antiga aliança, Jesus não somente deveria ser circuncidado, mas também resgatado. O primeiro rito remetia aos patriarcas e o segundo, à libertação do Egito. O ritual do resgate estava vinculado à Páscoa, quando os primogênitos dos hebreus tiveram a vida poupada e se tornaram consagrados a Deus. O resgate significava que o primogênito era trocado por uma quantia em dinheiro e, a partir de então, podia deixar o santuário e voltar ao convívio familiar.

Propositalmente, Lucas não menciona o resgate de Jesus, que, à semelhança dos levitas, continuará sempre pertencendo a Deus. Em vez do resgate do primogênito, Lucas narra a apresentação de Jesus, evocando a entrada do Senhor no santuário para realizar uma grande purificação. Ao dizer que o menino foi purificado, o evangelho está afirmando que Israel inteiro foi igualmente purificado por meio dele.

A segunda parte do evangelho de hoje fala sobre o reconhecimento do Cristo pelos representantes dos piedosos que esperavam a vinda do Messias, ou seja, a consolação de Israel, a qual, conforme Isaias, é sinônimo da salvação que vem de Deus. Os “pobres de Javé” reconhecem o Messias libertador naquele frágil recém-nascido.

Primeiramente, aparece Simeão. Seu hino de louvor é também um discurso de despedida, como acontece no livro do Deuteronômio, que fecha o Pentateuco (Torah) com longa despedida de Moisés. O velho Simeão reconhece que a esperança de Israel converge para aquele menino, o qual realizará a libertação de Jerusalém, a cidade santa, que no Antigo Testamento representa todos os escolhidos de Deus. Além disso, o menino é uma luz que parte de Israel para as nações pagãs e será um sinal de contradição, pois diante dele todos terão de tomar uma decisão. Nesse sentido, ele será soerguimento para alguns e queda para outros, pois diante dele se revelarão as intenções dos corações.

Em seguida, Ana é mencionada. O nome dela significa “graça”, “favor”. Ao fazer referência à família de Ana como pertencente ao clã de Fanuel, Lucas alude a uma experiência mística do patriarca Jacó e a todos aqueles que sempre desejaram ver Deus face a face. Também a menção à tribo de Ana é algo bastante significativo, porque, no antigo Israel, a tribo de Aser ficava ao norte; isso mostra que Ana era uma profetisa da Galileia e, portanto, seria considerada pelos legalistas de Jerusalém como suspeita de heresia. No entanto, é ela, e não os líderes religiosos da época, quem reconhece Jesus como Messias.


Homilia Dominical

Órfão de pais vivos

Era uma vez, uma casa cheia de gente. Tinha pai, mãe, filhos, avô e avó. O silêncio nunca estava nessa casa, pois o papagaio não parava de falar. Era uma mistura de família italiana com brasileira. A mesa sempre farta, tom de voz alto, música, então, não faltava nos almoços de domingo. Mas havia algo interessante no dia dia dessas pessoas: elas não conversavam sobre a vida delas.

Eles resolviam problemas, providenciavam o alimento, a roupa e o remédio, mas não promoviam o bate-papo ao redor da mesa; muito menos a escuta de suas dores e aflições, nem mesmo de suas experiências de sucesso. Não havia tempo! E essa casa, tão cheia, foi se esvaziando, sem que a música deixasse de ser tocada aos domingos ou que alguns de seus membros saíssem de lá.

Os relacionamentos foram morrendo e as pessoas de dentro foram substituídas pelas pessoas de fora, novos amigos e colegas. Tudo era só aparência. Todos juntos e separados ao mesmo tempo.

Essa realidade tem invadido os lares, sendo justificada por vários motivos: por causa dos novos arranjos familiares, pela utilização abusiva da tecnologia, pelas saídas constantes dos pais para trabalhar, para servir a Igreja ou, simplesmente, por não saberem promover momentos de convivência dentro de casa. Os discursos comuns – a vida é dura, não há dinheiro mais para nada, todos vivem cansados – têm ocupado o lugar da esperança, do "apesar de tudo, vale a pena", das gargalhadas e da boas convivências.

Os filhos, por sua vez, são fechados em seu mundo; mas como não nasceram para viver sozinhos, buscam sair da solidão antecipando a fase do namoro, assistindo a filmes até altas horas da noite, querendo passar dias na casa dos amigos, não se desgarrando dos seus celulares. Aliás, temos de reconhecer que não se desgarrar dos Facebook ou da internet, por exemplo, não está sendo uma atitude apenas da juventude, mas da maioria das pessoas que já descobriram que estão vivendo sós e precisam se relacionar. Diante dessa necessidade, o virtual se torna próximo, e é muito difícil mudar essa realidade.

Em um ambiente no qual só fala em problemas, sempre haverá alguém de "saco cheio" de ouvi-los; consequentemente, essa pessoa "pegará o seu banquinho e sairá de mansinho". Assim, vão se formando os "órfãos" dentro de casa, dentro das comunidades e até nos locais de trabalho. Aprender a conviver, a dialogar, a promover momentos prazerosos e lúdicos, aprender a partilhar problemas e expressar afeto positivo, quer seja com palavras, quer seja com toques físicos, ouvir e dar conselhos, são habilidades que precisam ser praticadas frequentemente, com disponibilidade, paciência, amor e respeito. Tudo isso para que se torne um comportamento duradouro, intenso e necessário entre os familiares.

Orfandade em casa. Você já havia pensando nesse comportamento? Conhece alguém que se sinta assim? E em sua vida, já viveu experiências parecidas com o que está sendo abordado? O que você fez ou tem feito para não se sentir órfão dentro da sua própria casa? Pensemos juntos: dentro de uma casa há tantas pessoas! Gente graúda e gente miúda.

Imaginemos, então, o filho, gente miúda vivendo solidão. Que tipo de apoio precisará receber dos pais e dos familiares quando constatado o estado de orfandade na vida dele? Talvez, não seja preciso constatar, mas perceber os sinais. Ainda há pouco, eu estava atendendo uma cliente, para a entrega de um relatório, e ela me disse: "Ai, doutora, a minha filha está naquela fase que se isola". Eu lhe perguntei: "Que fase é essa?". Com o tom mais baixo, ela respondeu: "Adolescência!".

Expliquei para ela que a adolescência não acontece da noite para o dia. Nós não vivemos para esperar o dia em que a adolescência ou a velhice vão chegar. Nós vivemos um processo chamado "desenvolvimento". Ela concluiu: "Na verdade, há muito tempo que a minha filha vem se isolando". É necessário que nós assumamos um espaço na sociedade, enlaçando as pessoas da melhor forma possível. Enlaçar é o mesmo que cativar e se deixar ser cativado. É esse o instrumento para enfrentar o mundo contemporâneo e suas astúcias, é esse o instrumento do encontro, e a nossa família precisa querer fazer uso dele.

Decidir contra tudo o que nos leva ao estado de orfandade, de desencontro consigo e com o outro é permitir-se adentrar em seu próprio casulo, atrás das curas mais profundas, do perdão mais distante; enfim, ir em busca da vida. O ambiente, quando afetado pelo nosso comportamento, devolve-nos as consequências; uma delas é a necessidade ardente de solução. Assim como nós, o ambiente em que vivemos também não quer se sentir órfão, mas conviver conosco. Trata-se de uma atitude madura e consciente do que queremos de nós mesmos e do outro que está à nossa volta. Portanto, no mundo atual, todos correm o risco de se sentirem órfãos dentro da sua própria casa. Os pais devem conversar com os filhos, colocar-se à disposição deles para escutar suas insatisfações, dar-lhes oportunidade de expor sua opinião sobre a sua casa, a rotina da família, entre outras coisas. Sugerir a eles que brinquem, se divirtam, produzam autoestima. Os pais devem planejar, juntamente com seus rebentos, meios de diminuir os momentos em que estes se sentem sós; identificar em que contexto nasceu a solidão e realizar o que foi planejado.

 Caso os pais ou os idosos também estejam vivendo essa realidade na família, o procedimento deverá ser o mesmo. Colocar as cartas na mesa. É preciso sair desse ciclo de solidão, o qual se abre e se fecha enquanto não for enfrentado e curado. Às vezes, a solidão é desencadeada ao ouvir uma música, lembra-se de épocas festivas, um excesso de reforço negativo, punições descabidas, extinções de situações agradáveis com pessoas queridas.

"A solidão é fera, a solidão devora. É amiga das horas, prima-irmã do tempo e faz nossos relógios caminharem lentos, causando um descompasso no meu coração." (Alceu Valença)


Judinara Braz

A Palavra de Deus é a semente da vida!

A parábola que Jesus conta para nós, hoje, é uma das palavras do Senhor que nos dão uma compreensão maravilhosa da presença do Reino de Deus no meio de nós: “A Parábola do semeador”. O Reino de Deus é como um homem que sai a semear e a Palavra de Deus é a semente.

Quem já viveu no campo sabe como é a semente: ela é lançada na terra, vai cair, vingar, crescer e se tornar uma árvore esplendorosa e vai produzir muitos frutos. No entanto, muitas sementes não chegam nem a entrar na terra, elas se perdem pelo caminho, os pássaros vêm e as comem. Outras sementes até começam a crescer, a vingar, mas o terreno é rochoso é pedregoso, então elas não entram no solo com profundidade, ou vêm a chuva, o temporal ou qualquer coisa que levam aquelas sementes embora.

A Palavra de Deus que é semeada em nosso coração tem a mesma sintonia: nós a escutamos e a achamos bonita, mas nós somos tão distraídos que a primeira distração que vem à nossa frente rouba a Palavra de Deus que está em nós.

Quando nós estamos na Missa quanta distração vem a nossa cabeça, o quanto nós estamos, muitas vezes, avoados, preocupados com as coisas, e esta Palavra não cresce em nós. Outras vezes, até permitimos que esta Palavra cresça, a achamos bonita, guardamos aquela Palavra, mas nos faltam constância e perseverança.

Nós nos animamos com qualquer outra coisa, deixamo-nos levar por qualquer outra realidade e a Palavra que foi lançada em nosso coração é roubada e não cresce nem produz frutos. Mas, pior ainda é quando deixamos nos levar pelas preocupações do mundo, pela ilusão das riquezas, dos bens materiais e de tudo aquilo que a vida nos oferece. Isso contagia tanto os nossos olhos que nós perdemos a direção do Reino de Deus e nos deslumbramos com aquilo que o mundo nos apresenta.

E tantas vezes, perguntamos: ”Meu Deus, por que não eu não vivo a Tua Palavra!? Por que eu não coloco a Tua Palavra em prática?”. Porque o nosso coração se deixa iludir, o nosso coração se deixa enganar por outras tentações, por outras coisas que, aparentemente, parecem melhores e mais agradáveis do que a Palavra de Deus.

E, hoje, quero dizer a você: Deixe essa Palavra cair no seu coração, medite-a, guarde essa Palavra, guarde-a como um tesouro para a sua vida, para o seu coração, para a sua família e não deixe que nenhum vento, nenhum pássaro, nenhuma tentação e nenhuma tribulação roubem essa semente maravilhosa, que é a Palavra de Deus semeada no seu coração!

Que essa Palavra produza frutos na sua vida: ou trinta, ou sessenta ou cem por um. Que essa Palavra multiplique os frutos do Reino de Deus no seu coração! Que no seu coração a Palavra de Deus seja fecunda e produza muitos frutos!

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

Coração e educação

Pascal, pensador do século XVII, afirmava que “o coração tem razões que a própria razão desconhece: percebe-se isso de mil modos (...)”. Esta sua afirmação tornou-se célebre. O que entendia o pensador por coração? Teria este alguma relação com o grande e nobre desafio da educação?

O coração é um órgão vital do corpo humano, muito estudado, acompanhado e cuidado. A arte médica realizou muitas conquistas no tocante ao cuidado deste órgão vital. No entanto, o coração humano tem conotação mais ampla: é considerado a sede dos sentimentos, expressão da intimidade do ser humano, centro das grandes decisões existenciais e da vida. Para além de considerações fisiológicas, queremos centrar a atenção para aquilo que ele representa.

Podemos dizer que o coração representa o horizonte no qual o ser humano pode atingir o conhecimento de si, de seus sentimentos, de suas paixões, de seus impulsos, tendências, desejos e valores, de suas capacidades e aptidões. São aspectos da existência humana que ultrapassam a mera racionalidade; não são aspectos contrários à razão, mas mais profundos. Assim, o âmbito do coração recebe uma amplidão de possibilidades que está além da razão, sem ignorá-la; indica para experiências originárias de conhecimento! Nessa perspectiva, podemos identificar um horizonte de experiências, no qual a razão lógica não pode penetrar e que, todavia, toca dados objetivos autênticos, segundo uma ordem sua própria.

Tendo presente tais considerações, poderemos perguntar: o que a educação pode fazer pelo coração humano? No que ela pode cooperar para que esta dimensão decisiva da existência humana receba justas orientações para o desenvolvimento de uma existência humana verdadeiramente integrada e integradora? Como as instituições educativas abordam tais aspectos da existência humana, decisivos para o convívio social integrado, harmonioso e respeitoso?

Há, talvez, especialistas e técnicos na arte da educação que desconsideram tais afirmações e indicações. Haveria, talvez, daqueles que considerassem tudo isso tarefa exclusiva dos genitores, da família. Encontraremos outros ainda que, talvez, dirão que tudo isso nada tem a ver com educação... Será?

Certo é que encontramos tantas realidades em que respeito, valores, aptidões, desejos, sonhos, impulsos, regras, aspectos fundamentais do convívio humano civilizado são simplesmente transcurados, senão ignorados. E no empurra-empurra das responsabilidades, vemos um número crescente de pessoas sendo lançadas para as ‘periferias existenciais’.

Não resta dúvidas de que um número sempre maior de pessoas tem acesso à instituição escolar, pois cresceu o número daqueles que chegaram à universidade. Mas sob que condições? Quais seriam os resultados objetivos dessa realidade? Melhorou o convívio social? Vemos pessoas melhor formadas, mais bem informadas? Ora, informação não pode ser considerada sinônimo de formação. Quem, afinal, define o projeto sócio-educativo de um povo, duma nação? E para além de opiniões difusas, não é raro encontrar adolescentes analfabetos que há anos frequentam a instituição escolar; também não é raro encontrar pessoas que passaram pelo terceiro grau e que não conhecem regras básicas da língua madre. Também não é raro encontrarmos professores apavorados, reféns de grupos que agem impunemente; embora em alguns países eles possuem lugar social de destaque, são considerados mestres, gozam de respeito público!

Corações educados, orientados, formados e informados crescem em sabedoria e graça diante dos demais e do Eterno!

Dom Jaime Spengler

Arcebispo de Porto Alegre (RS)

3º Domingo do Tempo Comum

A primeira leitura da missa de hoje é, em parte, a mesma da noite do Natal: "O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu! Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade! Todos se regozijam em tua presença". Irmãos, esta luz que ilumina as trevas, que dissipa as sombras da morte, que traz a felicidade, é Jesus.

Na segunda leitura da Missa, São Paulo convidava os cristãos de Corinto à conversão para uma vida de união e de amor. É assim: a Igreja toda inteira e cada um de nós pessoalmente, seremos sempre chamados a essa mudança, a esse deixar que a luz de Cristo invada a nossa existência tenebrosa!

No Evangelho, a cidade de Cafarnaum, e toda a Galiléia do tempo de Jesus, era lugar de refugiados e estrangeiros marginais, chamada, por isso, não sem preconceito, de “Galiléia das nações”: afinal as nações eram os pagãos e os não-judeus, os que não faziam parte do povo eleito. É neste cenário que Jesus inicia seu anúncio do reino e se encontra com Pedro e André, Tiago e João, pescadores. Um trabalho cheio de hostilidade, sem garantia de êxito. O chamado que Jesus faz a eles é categórico e a resposta é imediata e incondicional. É o início de uma comunidade de discípulos, onde se torna viável o caminho da conversão que eles devem indicar para outros. É uma comunidade de seguidores de Jesus que devem acompanhá-lo em sua itinerância e aprender com ele o ministério do ensino e da cura. Ela se torna o instrumento através do qual o povo das trevas torna-se o povo da luz.

Este evangelho nos coloca diante de uma proposta simples e, ao mesmo tempo, radical. O primeiro passo é deixar as redes, o segundo é aprender a viver em comunidade. O anúncio do reino supõe a vivência do discipulado numa comunidade concreta, o exercício cotidiano do serviço, da entrega nas pequenas coisas, na superação de nós mesmos na relação com os outros. Sem isso, o ensino fica vazio. O movimento de evangelização com as massas fica sem base, sem a experiência das pequenas comunidades.

Ao mesmo tempo, a comunidade dos discípulos e discípulas não é uma comunidade com fim em si mesma, mas está permanentemente a serviço do reino. Como Jesus, ela tem a missão de apontar saída para o fatalismo, proclamando a boa notícia e exercendo o ministério da cura.

Na celebração litúrgica, esta palavra nos chama de novo para o caminho de conversão na comunidade concreta, a serviço do reino.


Homilia Dominical

O chamado

Infelizmente, ou até felizmente, vivemos numa situação humana marcada por grandes diferenças. Em determinados casos, podemos chamar de profundos abismos, seja na área social, política, econômica, psicológica, religiosa etc. Isso está muito claro entre o Criador, totalmente perfeito, e a criatura, condicionada às inumeráveis imperfeições.

Dentro das condições naturais da vida, todas as pessoas são chamadas à perfeição ou, pelo menos, a fazer esforço para viver nessas condições. Portanto, a correspondência a isso depende de cada um. Só assim é possível haver ordem social, convivência harmoniosa e diminuição dos extremos, porque eles são excludentes e, às vezes, desumanos.

Todo chamado supõe alguma resposta, que deve ser assumida com muita responsabilidade. A proposta de Deus, contida na Sagrada Escritura, é apresentada nessas condições e traz consequências para a vida social. Agindo assim, estamos contribuindo para o bem das pessoas e participando da construção do que motiva o bem viver, a harmonia na comunidade.

Quem faz o bem pode ser chamado de “ungido do Senhor”, de quem entendeu o sentido da vida e exercita suas qualidades para construir um mundo e uma sociedade como ambiente saudável. Todos nós podemos contribuir para vivenciar essa utopia, quebrando os muros existenciais que aumentam e fortalecem as distâncias.

Um chamado, na visão cristã, identifica-se com a palavra vocação ou missão de construir alguma coisa. A vida não pode ser infecunda como um parasita, que não contribui com nada. Sendo criatura, cada pessoa participa do projeto criador de construir, de dar perfeição e condições de vida para toda a obra criada, principalmente, o ser humano.

Falar de chamado, como vocação, significa perfeição, mas também santidade, isto é, de uma vida ofertada para o bem da comunidade e para o seguimento de Jesus Cristo. Supõe engajamento comunitário para transformar a sociedade em ambiente de amor e fraternidade. Corremos o grande perigo da fuga e do distanciamento da realidade, da rebeldia contra a vontade do Criador, deixando lugar para o envolvimento do reino do mal, da injustiça e da falta de paz.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba (MG)

2º Domingo do Tempo Comum

As leituras deste domingo têm como eixo transversal o convite de Deus a toda a humanidade a assumir como próprio o projeto do Reino, de projetar, em liberdade e sinceridade, uma maneira nova de ser homem e mulher, de ser criação e sociedade.

O texto da primeira leitura faz parte do segundo Cântico do Servo (Is. 49,1-50,7), nele há uma identidade do povo de Israel como o servidor de Deus.

Este Israel mencionado aqui não representa a totalidade do povo de Deus, mas sim, talvez, se refira àquela pequenina comunidade de crentes, desterrada na Babilônia, a esse grupo reduzido que mantém viva a esperança e a fé. Esse grupo que, apesar de estar longe de sua terra, mantém sua confiança que Javé, trará a salvação a todo o povo de Israel e ao mundo inteiro, pois Deus colocou seus olhos nele e assinalou a missão a todo o povo de Israel e ao mundo inteiro, pois Deus olhou para ele e lhe concedeu a missão de expressar a toda a criação o seu desejo mais profundo: salvar a todos sem exceção.

O autor do cântico assinala uma grande diferença quanto à compreensão da salvação prometida por Javé; sendo o tempo do exílio, o profeta anuncia uma salvação para todas as nações, não unicamente para o povo de Israel.

Na 2ª Leitura, Paulo inicia sua carta confirmando a universalidade do Reino de Deus; expressando que a mensagem de salvação é para todos os que, em qualquer lugar e tempo invocam o nome de Jesus Cristo. Contudo, pela maneira solene que Paulo escreve (à Igreja de Deus em Corinto), pode-se afirmar que o apóstolo está se referindo à única e universal igreja de Cristo, que se faz historicamente presente nos cristãos da comunidade de Corinto.

Isto é, ainda que Paulo tenha escrito de amaneira particular a uma comunidade, sua mensagem ultrapassa os limites do espaço e do tempo, adquirindo em todo momento atualidade e relevância, pois é uma Palavra dirigia à humanidade inteira. Homens e mulheres recebem a graça de ser filhos de Deus, por meio de Jesus; fomos consagrados por Deus para realizar em nossas vida a “vocação santa”, que em nossa linguagem corresponderia à “missão” de tornar presente, aqui e agora, o reino de Deus: fazer deste mundo um lugar mais justo e solidário, menos violento, destruidor, mais livre e fraterno.

Quem assume como modo normal de vida este horizonte libertador, está invocando o nome de Jesus.

O evangelho de João manifesta a universalidade da salvação de Deus por meio da vida e missão de Jesus de Nazaré, visto este como cordeiro de Deus, que se sacrifica, se entrega obedientemente à vontade do Pai para salvar da morte (do pecado) a toda a Humanidade.

Jesus é o enviado do Pai, o ungido pelo Espírito de Deus, o servidor de Javé de que fala o profeta Isaías (49,3) que tem como especial missão estabelecer no mundo a justiça do reino. É quem verdadeiramente traz a salvação de Deus à humanidade. João Batista já havia compreendido sua própria missão e a missão de Jesus.

Por tal razão o profeta do deserto diz que atrás dele vem um que é mais importante do que ele, pois o que vem é o Messias, Palavra nova de Deus para o mundo. O Batista reconhece Jesus como o Filho de Deus, por isso dá testemunho dele. E o faz com as imagens daquele tempo, imagens que há muito tempo ficaram sem base e que até perderam sua inteligibilidade.

Falar de Cordeiro de Deus, sacrificado, que expia nossos pecados, que tira o pecado do mundo com seu sangue, que nos "redime” é falar em categorias que somente podemos conhecer pelo estudo histórico-bíblico, por cultura especializada religiosa, porém que não podemos captar “por sentido comum”, por uma vivencia que se respira através do subconsciente coletivo social, como normalmente são captadas as boas imagens, as imagens que estão vivas.

Algumas imagens já morreram, ainda que continuem sendo lidas ou repetidas. Uma tarefa pendente da comunidade que crê hoje é testemunhar esse encontro profundo com Jesus com metáforas novas, para que expressem e comuniquem esse encontro. Será essa a forma de se poderá concretizar uma vida fundada na entrega e no amor, na justiça e na comunhão com a Natureza.


Site Homilia Dominical

Uma vida com sentido

Uma vida com sentido, diferente do que muitas pessoas pensam, não é uma vida cheia de prazeres, mas vivida com significado. Quando realizamos valores, colocamos sentido em nossas vidas.

Viktor Frankl, o precursor da Logoterapia, avalia três categorias de sentido: de criação, de vivência e de atitude. Ao inventarmos, criarmos ou realizarmos algo, como um projeto profissional, um livro, um estudo, entre outros, estamos concretizando um valor criador.

O trabalho que realizamos – quando o fazemos em prol do bem –, ajudando os outros e a humanidade, enche nossa existência de sentido. Isso traz a certeza de termos contribuído com aquilo que temos de melhor para o bem de outros; dessa forma, nós nos sentimos realizados e felizes.

Quando amamos e dedicamos nossa vida às pessoas – para as quais este amor é destinado – ou quando nos dedicamos a uma causa como a evangelização, a luta pela vida ou mesmo a preservação da natureza, realizamos os valores vivenciais.

Também podemos realizar os valores de atitude, um dos mais nobres, pois quando não podemos mudar algo ao nosso redor ou nas pessoas que nos cercam, podemos mudar nossa atitude frente à situação. Podemos responder de forma positiva, subjugando-nos ou enfrentando com a cabeça erguida e um sorriso no rosto. Isso é fazer com que o momento difícil se torne fonte de crescimento pessoal e espiritual.

A todo o momento, há valores a serem vividos, grandes e pequenos; em sua maioria, pequenos, mas que tornam nossa vida repleta de significado e cheia de sentido. Mas se você sente que ainda não encontrou o sentido de sua vida, comece a observar ao seu redor e a ver o quanto o mundo e as pessoas precisam de você; o quanto só você pode fazer por elas. E se não há nada a fazer, sua atitude pode ser diferente e especial.

Realizamos valores quando nos voltamos para fora, quando ajudamos os outros, e isso podemos fazer mesmo que imobilizados: rezando e intercedendo pelas pessoas e pelas causas que lutam pela vida e sua dignidade.

Por mais simples que seja a nossa vida, há uma missão a ser cumprida; ao realizá-la, encontraremos o sentido da nossa vida. E essa missão só nós podemos realizar.

Boa missão!


Mara S. Martins Lourenço

Homilia da Festa do Batismo do Senhor

A Festa do Batismo do Senhor, celebrada no Domingo depois da Epifania encerra o ciclo das Festas da Manifestação do Senhor, o ciclo de Natal. Comemoramos o Batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito tal como se submetera às demais observâncias legais que também não o obrigavam.

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19).

O dia em que fomos batizados foi o mais importante da nossa vida, pois nele recebemos a fé e a graça. Antes de recebermos o batismo, todos nós nos encontrávamos com a porta do Céu fechada e sem nenhuma possibilidade de dar o menor fruto sobrenatural.

Devemos agradecer a Deus a Graça do Batismo. Agradecer que nos tenha purificado a alma da mancha do pecado original, bem como de qualquer outro pecado que tivéssemos naquele momento. A água batismal significa e atualiza de um modo real o que é evocado pela água natural: a limpeza e a purificação de toda a mancha e impureza.

“Graças ao sacramento do Batismo tu te converteste em templo do Espírito Santo: não te passe pela cabeça – exorta São Leão Magno – afugentar com as tuas más ações um hóspede tão nobre, nem voltar a submeter-te à servidão do demônio, porque o teu preço é o sangue de Cristo.”

Na Igreja, ninguém é um cristão isolado. A partir do Batismo, o cristão passa a fazer parte de um povo, e a Igreja apresenta-se como a verdadeira família dos filhos de Deus. O batismo é a porta por onde se entra na Igreja.

“E na Igreja, precisamente pelo Batismo, somo todos chamados à santidade” (LG 11 e 42), cada um no seu próprio estado e condição. A chamada à santidade e a conseqüente exigência de santificação pessoal são universais: todos, sacerdotes e leigos, estamos chamados à santidade; e todos recebemos, com o batismo as primícias dessa vida espiritual que, por sua própria natureza, tende à plenitude. É importante lembrar o caráter sacramental do Batismo “um certo sinal espiritual e indelével” impresso na alma no momento (Dz, 852). É como um selo que exprime o domínio de Cristo sobre a alma do batizado. Cristo tomou posse da nossa alma no momento em que fomos batizados. Ele nos resgatou do pecado com a sua Paixão e Morte.

Com estas considerações é fácil compreender porque é de desejar que as crianças recebam logo o batismo. Desde cedo a Igreja pediu aos pais que batizassem os seus filhos quanto antes. É uma demonstração prática de fé. Não é um atentado contra a liberdade da criança, da mesma forma que não foi uma ofensa dar-lhe a vida natural, nem alimentá-la, limpá-la, curá-la, quando ela própria não podia pedir esses bens. Pelo contrário, a criança tem direito a receber essa graça. No Batismo está em jogo um bem infinitamente maior do que qualquer outro: a graça e a fé; talvez a salvação eterna. Só por ignorância e por uma fé adormecida se pode explicar que muitas crianças sejam privadas pelos seus próprios pais, já cristãos, do maior dom da sua vida.

Também nós fomos marcados pelo Espírito Santo. No batismo ele, derramou-se sobre nós. Fomos chamados a viver seguindo o Espírito. Isto significa um ato de fé na presença atuante do Espírito Santo em nós. Implica uma disponibilidade para deixar-se conduzir por ele a fim de realizar uma missão como a de Cristo.

Em virtude do batismo somos chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo. Como diz o Doc. de Aparecida nº 209: “Os fiéis leigos são os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo a sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. São homens da Igreja no coração do mundo e homens do mundo no coração da Igreja.”

“Enquanto batizado, o homem deve sentir-se enviado pela Igreja a todos os campos de atividade que constituem sua vocação e missão, para dar testemunho como discípulo e missionário de Jesus Cristo…” (nº 460 do Doc. de Aparecida).


Mons. José Maria Pereira

Livre para amar

Nós nos perguntamos: "Por que existe o mal?". Precisamos entender que o mal só acontece pelo mau uso que o homem faz da sua liberdade. Todos nós somos livres, temos o direito de escolher o que fazer, seja em relação às coisas grandes ou pequenas.

Deus nos deu essa liberdade, e é por causa dela que o pecado entrou no mundo. Eva tinha a escolha de não ser enganada pela serpente. No capítulo terceiro de Gênese, encontramos o diálogo entre Eva e a serpente, que, por meio de uma mentira, começou a mudar a verdade de Deus. São João ainda diz que "o demônio é o pai da mentira". Cuidado com ele, porque vai tentar seduzi-lo como fez com Eva.

Qual é nosso erro? Por que caímos? Porque conversamos com o pecado. Se Eva não tivesse escutado a serpente, talvez tivesse conseguido vencer aquela tentação. Não dê ouvidos à tentação, não dialogue com ela. Entenda que o primeiro pecado não aconteceu porque Adão e Eva comeram a maçã, mas por causa da desobediência, do orgulho, pois queriam ser como Deus. Por essa razão, tornamo-nos escravos do pecado, escravos do mal.

Graças ao amor infinito e misericordioso de Deus, Ele enviou profetas para nos mostrar o caminho. Deus, por amor, nos enviou também Seu Filho para nos libertar da escravidão, por isso somos livres.

São Paulo nos diz, em Romanos, capítulo 6 versículo 23, que: “O salário do pecado é a morte”; mesmo que não seja uma morte física, morremos espiritualmente. Quantos, ainda escravos do pecado, alegram-se por momentos de prazer, mas, depois, encontram tristezas e mais solidão. Isso é a morte, e não podemos permanecer nela. Mesmo com tribulações, somos felizes, porque temos Deus. O preço que nos salvou foi o Sangue de Jesus que nos resgatou e nos libertou de toda escravidão. Convença-se desta verdade: você é livre pelo Sangue de Jesus!

Não podemos ficar presos ao pecado, aos vícios, à masturbação, ao adultério, à bebida, ao cigarro ou às drogas, porque o Senhor nos libertou pelo Seu Sangue precioso. Quantos de nós vamos à Missa para participar, cantar e tocar, mas, quando tudo termina, voltamos para casa e continuamos com os nossos vícios? Tome posse da sua liberdade, porque Jesus o libertou. Você precisa dar mais valor à salvação divina.

Liberdade é a graça que Deus nos deu de escolhermos o que quisermos. Ninguém colhe o que não semeia; tudo tem consequências. No vício, o ser humano vende sua liberdade para algo que parece bom, mas, na verdade, torna-se escravo dele. Livre é aquele que escolhe o bem. Para aquele que tem um vício, eu lhe digo: você não é livre! Quando nós nos aprisionamos ao vício, nós nos tornamos escravos dele. O pecado vicia. Se a pessoa é boa hoje, precisa esforçar-se para ser boa amanhã também, lutar para viver sem o vício. É preciso entender que não se pode mais viver sob o jugo da escravidão. Não se deixe ser amarrado.

Nós somos atraídos para o pecado, parece que sentimos uma necessidade aparente dele, mas nossa real necessidade é de Deus. Só no Senhor seremos verdadeiramente felizes.

Quantos jovens passam a madrugada toda nas redes sociais e não têm tempo para Deus! Se não existe esforço, não há vitória. Não adianta apenas a graça, é preciso esforço. Se você quer se libertar da cachaça, passe longe do bar; se quer se libertar das drogas, fuja das "amizades" que o levam para elas. Se você quer se libertar da sexualidade desregrada, afaste-se dos "amigos" que o levam para isso. Corte o mal pela raiz! Você precisa desviar os seus olhos não só das coisas grandes, mas também das pequenas, pois são essas pedras pequenas que o fazem tropeçar e cair. Não dê brechas ao pecado, não dê oportunidades a ele. Você precisa tomar posse desta verdade: você foi liberto e precisa amar, de verdade, como Jesus o ama. É um amor de cruz, não é como o amor que o mundo nos apresenta. Amar não é se apaixonar, não é ter prazer; o amor verdadeiro faz renúncias, ele está onde há liberdade.


Emanuel Stênio