O que é Pastoral da Acolhida

A Pastoral da Acolhida pode ser definida de diversas formas, porém, para que ela corresponda ao que se propõe, ou seja, pastoral, ação de pessoas, tais definições devem ter, necessariamente, fundamentações bíblicas. De antemão, lembramos que, sem o espírito evangélico, a acolhida na comunidade torna-se algo formal e mecânico, isento da dimensão fraterna, como ocorre na maioria das empresas, onde o objetivo é pautado por interesses econômicos.

Pastoral é a ação do pastor, do guia, do dirigente ou do agente que desenvolve. Gratuitamente, um trabalho na Igreja. De origem agrária, o termo pastoral tem seus princípios relacionados ao pastoreio de ovelhas, algo comum na Palestina do tempo de Jesus e que, por isso, foi muito usado na Bíblia como figura de linguagem para comparar-se às ações das lideranças da época e à própria ação de Jesus e seus discípulos.

A Pastoral da Acolhida se faz, na Igreja, algo muito importante e necessário. Diria, até, fundamental, essencial e primordial. Seu campo de ação não pode ser ocupado por outras Pastorais, porque ela é a porta de acesso a todas as outras e, inclusive, à própria comunidade. Se não houver uma boa acolhida, todos os trabalhos, todas as ações e a comunidade em si estão fadados ao fracasso. Ninguém quer permanecer onde não é bem acolhido. Para que um trabalho dê frutos é preciso, primeiro, que seus agentes sintam-se acolhidos.

São inúmeras as passagens bíblicas que mostram a importância da acolhida. São Paulo, na Carta aos Romanos (15,7), recomenda: “acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu para a glória do Pai”. Jesus escolheu e acolheu os apóstolos e discípulos para que seus propósitos se concretizassem (cf. Mt 10,1-8). Acolheu, sem discriminação ou preconceito, pessoas tidas como pecadoras, como por exemplo, cobradores de impostos (Mt 9,9-13), prostitutas (Lc 7,36-50), leprosos (Lc 17, 11-19; Mc 1,40-42) e outros tipos de doentes ou de pessoas consideradas impuras (Mc 6, 55-56). O Documento de Aparecida (DA, nn. 353-357) explica a ação de Jesus, destacando a acolhida como um serviço fundamental na Igreja. Mostra que a acolhida feita por Jesus é um gesto de amor e que só quem ama acolhe aqueles que são vítimas do desamor. A acolhida provoca transformações mútuas. Ao acolhermos, somos simultaneamente, acolhidos e essa reciprocidade é transformadora, provocadora de situações que geram outros gestos de amor.

Mas, afinal, o que é a Pastoral da Acolhida? É a Pastoral que acolhe as pessoas na comunidade paroquial. Acolher significa oferecer refúgio, proteção ou conforto. É mostrar com gestos e palavras, que a comunidade paroquial é o espaço onde se pode encontrar essa segurança. Demonstrar, na prática, como sugere Zygmunt Bauman, que “a comunidade é um lugar ‘cálido’, um lugar confortável e aconchegante”. Quando se é bem acolhido na comunidade, ela passa a representar, segundo Bauman, esse “teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado”. Toda essa imagem figurada de segurança torna-se real na comunidade quando se é bem acolhido, porque acolher é também dar abrigo, amparar, dar ou receber hospitalidade, ter ou receber alguém junto de si. Assim sendo, a Pastoral da Acolhida vai muito além de recepcionar na porta da Igreja. Ela envolve uma rede de relacionamentos que dá sustentação e perseverança nas ações desenvolvidas na comunidade. Por isso ela deve ser permanente, continua e estar em todos os níveis e dimensões pastorais da paróquia.

Recepcionar bem na porta da igreja na hora da missa é muito importante e, talvez, seja o primeiro passo, mas a Pastoral da Acolhida não pode se limitar a essa ação. Já imaginou o que aconteceria se você desse uma bonita festa, acolhendo bem os convidados quando chegassem, mas, uma vez dentro dela, começasse a maltratá-los ou ignorá-los? Eles logo abandonariam a festa e nunca mais aceitariam seu convite. A mesma coisa ocorre na comunidade. Receber bem os que chegam para a celebração é de suma importância, mas, depois disso, vem a parte mais desafiadora da Pastoral da Acolhida: fazer com que as pessoas, que simpaticamente recebemos, continuem sendo alvo da nossa atenção e simpatia. Isso nem sempre é fácil, porque a comunidade é também lugar de conflitos e contendas. Só com o amor e o respeito humano as nossas diferenças e limitações são capazes de superar as fases mais desgastantes dos relacionamentos que ocorrem no dia-a-dia da comunidade paroquial.

Acolher é também receber o outro como ele é, admiti-lo no espaço que já estamos e permitir que se sinta à vontade. Se hoje estamos na comunidade desenvolvendo algum tipo de atividade, é porque um dia alguém também nos acolheu. Acolher é, portanto, aceitar, deixar que o outro venha fazer parte da nossa comunidade e não ver nele um concorrente, mas, sim, um colaborador, alguém que vem para somar. É também dar credito àquele que chega, levar em consideração que, se procurou a comunidade ou essa ou aquela Pastoral, é porque quer colaborar, oferecer algo de si; então, nossa missão como cristão é acolher da melhor forma possível.

A Pastoral da Acolhida é parte integrante do processo de evangelização da paróquia, porque ajuda a revelar, nos seus membros e nas ações por ela desenvolvidas, o rosto acolhedor de Jesus, cheio de misericórdia e compaixão. A acolhida como graça não espera nada em troca, simplesmente porque ama e quer que todos estejam unidos. Por isso, a Pastoral da Acolhida, antes de ser um trabalho, uma tarefa ou mais uma pastoral, é uma atitude evangélica que brota de um coração convertido pelo amor misericordioso do Pai; é uma ação que ajuda as pessoas a se sentirem mais importantes, a se verem como filhos e filhas de Deus, que são amados e queridos por outros irmãos. A pessoa, quando chega à comunidade e é bem acolhida, tem vontade de permanecer de fato. A boa acolhida é uma das qualidades mais importantes de nossas Paróquias. Paróquia que atende bem terá sempre bons agentes de pastoral e, com isso, cresce sempre mais.

Em suma, a Pastoral da Acolhida consiste, em primeiro lugar, em uma equipe que se dedica a receber bem as pessoas que chegam a nossa igreja para as celebrações. Em segundo lugar, em uma equipe que está atenta ao acolhimento dado no expediente paroquial àqueles quem em busca de alguma informação ou dos serviços da paróquia. Em terceiro lugar, em uma equipe sintonizada com as demais Pastorais, movimentos e associações, e que se preocupa com a recepção que é dada entre os seus membros e aos atendidos por eles. Finalmente, a Pastoral da Acolhida é aquela do tipo que deve estar permeada de todas as ações da paróquia, inclusiva as ações do pároco. Embora o trabalho mais evidente da Pastoral da Acolhida seja recepcionar, afetuosamente, os que chegam para as celebrações, o seu desafio maior está em fazer com que a paróquia, como um todo, adote uma postura acolhedora.

7 comentários:

Joel da Silva disse...

Lamentavelmente a Igreja Católica deixa de ganhar muitas pessoas por não saber acolher. Por exemplo, se eu não tivesse convicção do que creio eu jamais estaria na Igreja Católica se dependesse de acolhimento por parte dos católicos. Vim do protestantismo e fui ex pastor e sei que muitas pessoas que chegaram e permaneceram lá, estão porque primeiro não foram acolhidas pela Igreja Católica. Espero que muitas Pastorais da Acolhida se despertem para isso.

Juliana Jesuino disse...

Li um livro do padre Jose Carlos Pereeira, editora Paulinas, cujo conteúdo é muito semelhante a este texto. Se foi usado como fonte seria interessante citar bibliografia. Sugestão. Estou coordenando junto com meu esposo e servimos na Pastoral da Acolhida na minha paróquia e amo este serviço.

Anônimo disse...

Você poderia tentar trabalhar isso em sua igreja... Talvez o que tenha vivido e visto possa ajudar a acolher e ver de uma maneira diferente aquilo que acabamos deixando de lado

Anônimo disse...

Na minha opinião o que procuramos indo a uma igreja é o amor de Jesus Cristo, por nós. O contrário disso nunca vamos achar que o acolhimento que recebemos foi bom o suficiente, não por de fato ter ocorrido um mal acolhimento e sim por estamos com o coração tão fechado, que em tudo vamos achar defeitos! Pense nisso!!

Lucia benedita Apolinário disse...

Somos falhos e precisamos ter convicção da Fé que nos conduz...
Se estamos na Igreja por causa do Padre e dos Irmãos(Comunidade), estamos redondamente enganados. Estou na Igreja Católica Apostólica Romana porque Jesus A fundou e deixou-a para nós. Não devo me afastar da Igreja por causa disso ou daquilo. É por Jesus que caminhamos, é com Jesus que aprendemos a aceitar os espinhos que a vida nos oferece... Se por mal acolhimento eu me afastar da Igreja, então que cristão eu sou, que fé eu tenho por
não suportar a adversidade que surge dentro dela. Falhamos, mas, cientes de que é por Jesus e com Jesus que caminhamos rumo ao Reino de Deus.

Anônimo disse...

Meu amigo Joel da Silva, triste seu comentário afinal a pastoral da acolhida é constituída por pessoas normais igual a nós que tem famílias, trabalham, sofrem e tem problemas também. E tem pessoas que querem ser bem recebidas mas nunca pensaram em ajudar ou trabalhar na pastoral da acolhida ou qualquer outra Pastoral só querem ver a coisa funcionar e se esquecem que as pessoas que ali estão são iguais a nós. Ninguém é normal e sempre vai faltar algo, as vezes a pessoa da acolhida esta ali na porta recebendo um irmão e esta doente ou com um problema em casa com um filho ou algum parente e esta triste mas esta ali acolhendo, só que o acolhimento já não pode ser do jeito que a gente espera mas ela esta ali porque sabe que as pessoas tem que ser bem acolhidas.
Se as pessoas reclamassem menos e pelo menos tentassem ajudar com certeza a Pastoral da acolhida seria muito melhor, ou melhor falando o MUNDO seria muito melhor. Abraços, fiquem com Deus.

Unknown disse...

Moro em uma cidade pequena cidade no interior da Paraiba e coordeno a Pastoral da Acolhida é é por meio desta pastoral que estamos resgatando muitas criança e até mesmo Jovens que não queriam saber de buscar a Deus e depois que foi fundada a Pastoral da Acolhida no dia 01 de maio de 2016 que já resgatamos muitos jovens que viviam perdidos no mundo dos vícios e que nunca procuravam a Deus. Depois disso surgiu grandes testemunhos destes jovens aqui na cidade