Peçamos a Deus a graça de ter um coração generoso

Amados irmãos e irmãs, neste domingo, o dia que o Senhor fez para nós, Deus coloca à nossa frente um modelo de serva, de seguidora, de discípulo e discípula da Palavra de Deus.

A pobre viúva do Evangelho de hoje é o exemplo de mulher generosa e desprendida. A medida para a nossa generosidade não é a quantidade de coisas que temos ou aquilo que damos aos outros.

Há pessoas que muito têm e, uma vez ou outra, dão uma esmola aqui, oferecem dinheiro para a Igreja, fazem algum serviço de caridade para sanar sua consciência, para parecer que está tudo bem, que faz algo por Deus. Há aqueles que não têm nada, não possuem bens materiais para cuidar de si próprios, mas são tão generosos, doados, dedicados, são tão prestativos ao outro quando precisam dele! E quando vão dar algo a Deus, não dão só o material, dão a própria vida, desdobram-se, dedicam-se a Ele.

Basta ver quem em nossas igrejas e comunidades são os mais pobres, os mais desprovidos de bens materiais que estão a serviço do Reino.

A generosidade é o sentimento e a palavra-chave que deve conduzir nossos passos no serviço a Deus e ao próximo!

O Senhor não está de olho no que temos, mas olha com o coração muito alegre a intensidade da nossa generosidade. Não é porque aquele deu isso e aquilo para a Igreja, que tem de ser honrado, valorizado, ocupar o primeiro lugar na igreja, ter seu nome escrito na parede ou em qualquer outra coisa. No coração de Deus está escrito que quem dá a vida, dá de si próprio, a sua última moeda é quem vale tudo o que tem.

Deus não mede quantias humanas, não mede doações quantitativas. A medida de Deus é aquela que sonda a intensidade do nosso coração, a generosidade da nossa alma, a aplicação do nosso ser em se colocar a serviço de Deus e do próximo!

Nós precisamos cumprir nossas obrigações: pagar o dízimo, ajudar obras de caridade e assim por diante. Mas não se meça por aquilo que você dá nem apenas do que lhe sobra, porque, às vezes, o que sobra é tão insignificante. Dê o melhor que você tem. Volto a dizer: não é a quantia, mas a intensidade, a vontade de dar, de doar-se, de se fazer presente e acreditar naquilo que investe.

Quando você ajuda a sua igreja, é porque acredita nela. Quando ajuda uma instituição de caridade, é porque quer se fazer presente nela. Às vezes, não pode estar de corpo presente, mas está de alma, de coração. Quando você acredita numa obra de evangelização, investe nela, e é importante que se faça presente. O seu modo de se doar financeiramente é apenas uma parte do todo; um coração inteiro a serviço de Deus, a serviço dos mais sofridos e necessitados.

Não se dê dividido, dê-se por inteiro. É assim que o Senhor olha a intensidade da nossa oblação, da nossa entrega!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

32º Domingo do Tempo Comum

A primeira leitura, de Reis, ressalta o exemplo da viúva de Sarepta, no tempo do profeta Elias (séc. IX a.C.).  Numa época difícil, em consequência de uma grande seca, ela confia no Deus que socorre os aflitos e partilha o pouco alimento que possui. Ela é imagem dos tempos messiânicos da salvação: A farinha da vasilha não acabou e a jarra de azeite não secou.

O salmista canta a fidelidade de Deus que faz justiça aos oprimidos, alimenta os famintos, liberta os cativos, abre os olhos aos cegos, protege os estrangeiros, ampara os órfãos e as viúvas.

A leitura aos Hebreus mostra que Cristo com a entrega total da sua vida eliminou definitivamente o pecado; efeito não alcançado pelos sacrifícios anualmente repetidos no dia do grande perdão, o Yom Kippur (Lv. 16).

Ao terminar o ensinamento no templo, Jesus alerta contra a hipocrisia dos que buscam poder, ostentação, privilégios e exploram os mais pobres, como as viúvas, que possuíam a proteção especial de Deus (Ex 22,21-22; Is 1,23; 10,1-2), pois quando não tinham filhos que as sustentassem, eram obrigadas a confiar até a administração dos próprios bens às autoridades religiosas do templo em troca de pequenos benefícios. Jesus, sentado diante do tesouro do templo, observa uma viúva pobre que se aproxima de um dos cofres e deposita duas moedinhas, cujo valor era o menor em circulação. Chamando a sí os discípulos, enaltece o gesto autêntico da viúva, radicalmente oposto à religião praticada pelos “doutores da Lei”. A viúva ofereceu tudo o que possuía para viver, diferente dos que ofereceram o supérfluo. A generosidade e entrega da viúva nas mãos do Pai são comparadas com a oferta total de Cristo.  Com o coração pobre, aberto ao amor a Deus, a viúva torna-se também modelo de doação e de serviço. 

Revista de Liturgia

02 de Novembro – Dia de comemoração dos Fiéis Defuntos

Hoje não é dia de tristezas e lamúrias, e sim de transformar nossas saudades, e até as lágrimas, em forças de intercessão pelos fiéis que, se estiverem no Purgatório, contam com nossas orações

Neste dia ressoa em toda a Igreja o conselho de São Paulo para as primeiras comunidades cristãs: “Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros que não tem esperança” ( 1 Tes 4, 13).

Sendo assim, hoje não é dia de tristezas e lamúrias, e sim de transformar nossas saudades, e até as lágrimas, em forças de intercessão pelos fiéis que, se estiverem no Purgatório, contam com nossas orações.

O convite à oração feito por nossa Mãe Igreja fundamenta-se na realidade da “comunhão dos santos”, onde pela solidariedade espiritual dos que estão inseridos no Corpo Místico, pelo Sacramento do Batismo, são oferecidas preces, sacrificios e Missas pelas almas do Purgatório. No Oriente, a Igreja Bizantina fixou um sábado especial para orações pelos defuntos, enquanto no Ocidente as orações pelos defuntos eram quase geral nos mosteiros do século VII; sendo que a partir do Abade de Cluny, Santo Odilon, aos poucos o costume se espalhou para o Cristianismo, até ser tornado oficial e universal para a Igreja, através do Papa Bento XV em 1915, pois visava os mortos da guerra, doentes e pobres.

A Palavra do Senhor confirma esta Tradição pois “santo e piedoso o seu pensamento; e foi essa a razão por que mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem absolvidos de seu pecado” (2 Mc 2, 45). Assim é salutar lembrarmos neste dia, que “a Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados” (Catecismo da Igreja Católica).

Portanto, a alma que morreu na graça e na amizade de Deus, porém necessitando de purificação, assemelha-se a um aventureiro caminhando num deserto sob um sol escaldante, onde o calor é sufocante, com pouca água; porém enxerga para além do deserto, a montanha onde se encontra o tesouro, a montanha onde sopram brisas frescas e onde poderá descansar eternamente; ou seja, “o Céu não tem portas” (Santa Catarina de Gênova), mas sim uma providencial ‘ante-sala’.
                                                        

“Ó meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem! Amém!”

O aborto tem uma consequência social gravíssima

Na vida, como todos sabem, existem consequências para nossas atitudes. São leis que nosso Deus nos deixou, leis morais, espirituais, físicas, sociais. À medida que vivenciamos essas leis, melhor para nós! Porém, o contrário também acontece: à medida que não vivenciamos essas leis, pior para nós. É uma lei de efeito e causa.

Em Gálatas 6, 7-9, o Senhor nos fala: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos”.

A passagem que acabamos de ler nos apresenta uma lei de Deus, que Ele mesmo nos deixou. Dom Cipriano, do Rio de Janeiro (RJ), e sua comunidade Emanuel, chamam isso de LEI DA SEMEADURA, o que você semeia, isso mesmo colherá.

Um homem, recentemente, veio me procurar para perguntar o que fazer com pensamentos e lembranças do passado que, constantemente, o atormentam. Coisas erradas que ele tinha vivido na juventude e que vinham à sua lembrança. Eu disse a ele: “Paciência, ore, mas entenda que isso é consequência do que você viveu no passado. Deus te perdoou, mas há consequências dos seus atos”.

Isso está relacionado ao tema do aborto, que cobra um preço muito alto em suas consequências. A Encíclica de JPII, Evangelium Vitae, tem uma citação que diz “nos encontramos perante um combate gigantesco e dramático entre o mal e o bem, a morte e a vida, a « cultura da morte » e a « cultura da vida ». Encontramo-nos não só « diante », mas necessariamente « no meio » de tal conflito: todos estamos implicados e tomamos parte nele, com a responsabilidade iniludível de decidir incondicionalmente a favor da vida”.

Professor Felipe Aquino, nesta manhã, dizia sobre o cristão ter de tomar a decisão de estar à favor da vida e, de fato, precisamos estar à favor da vida, precisamos nos posicionar!

O aborto está nessa lei da semeadura: o que se semeia na carne de forma negativa, se colhe, infelizmente, na própria vida.

Algumas consequências do aborto, segundo estudos:
-aumenta em seis vezes o caso de câncer de mama nas mulheres. Os médicos explicam que as grandes quantidades de hormônio para a produção do leite e para acolher o bebê, uma vez que a gravidez é abruptamente interrompida, fazem aumentar riscos para a mulher. Não quero dizer que a causa do câncer de mama é por causa do aborto, mas é comprovado que aumenta, em seis vezes, a chance de se desenvolver a doença;

– expõe a mulher ao risco de perfuração uterina, o que leva a infecções e até a esterilidade;
– pode provocar hemorragia uterina, cujos índices de ocorrência são muito elevados;
– possibilidade de futura gravidez ectópica, ou fora do útero. Há uma maior probabilidade desse tipo de gravidez em mulheres que já fizeram aborto, o que complica para elas uma nova possibilidade de gestação;
– possibilidade de futuro parto prematuro, pelo fato do útero da mulher que já abortou poder tornar-se flácido pela agressividade do procedimento;
– aumento de infertilidade. Ainda é explicado da seguinte forma: qndo a criança é abortada, em especial quando a criança precisa ser retalhada no útero, pode ser que o aborteiro esqueça algum pedacinho de tecido, de órgão da criança dentro da mulher. Isso gera futuras infecções, casos graves em que é preciso retirar o útero da mulher;
– estresse pós-traumático na mulher que abortou: sentimento de culpa profundo (muitas mulheres tentam negar esse sentimento, mas ele está al), perda da autoestima, depressão com tendência suicida, ansiedade, insônia, pesadelos com o bebê abortado, transtornos sexuais (ou ela não quer mais sexo ou, ao contrário, torna-se promíscua), dificuldade de manter relacionamentos futuros, tendência ao alcoolismo e ao consumo de drogas, incidência maior de maus tratos infantis aos outros filhos, frustração na maternidade, entre outros.

O dom da maternidade
A maternidade, especificadamente, é a capacidade de doação para o outro, de acolhida, de cuidado, de ternura que só a mulher tem. Os homens podem ter essas características, mas na mulher isso é inato, isso é até mais potencializado na maternidade. A mulher que abortou, que cortou seu processo de maternidade, pode ir ao oposto dessa doação, da ternura, e ir para a amargura.

Segundo estudo científico publicado pelo jornal britânico de psiquiatria, mulheres que fizeram aborto tem 30% mais de possibilidade de ter problemas mentais do que as demais. Os problemas se agravam quando essas mulheres veem outra mulher grávida, outro bebês, quando pensam no possível aniversário do filho, etc. Vale ressaltar aqui que a Igreja católica tem um trabalho para as mulheres que abortaram, para ajudá-las nesses conflitos.

As melhores que não abortam são mais felizes, de acordo com a UNIFESP
Quanto a questão do estupro, ponto de divergência de opiniões diante da violência do ato sexual, num levantamento realizado na UNIFESP em 2004, constatou-se que 80% das mulheres estupradas que não abortaram estão felizes com os filhos que tem. Em oposição aos 20% que abortaram e que sofrem, ainda hoje, consequências do arrependimento desse aborto.

Todos esses dados são possibilidades, não significa que toda mulher que abortou sofrem todas essas consequências. Mas são comprovadamente altos os índices dentre essas mulheres.

Há consequências do aborto também para os homens, pois, muitas vezes, são eles que insistem para a mulher abortar: sentimentos de culpa, frustração, depressão e sensação de vazio interior.

A crise da paternidade
Estamos num tempo de homens fracos, homens que não querem assumir a responsabilidade familiar, a responsabilidade de ser pai, chefe de família. Isso pode estar ligado a um problema sério na paternidade, que, por sua vez está ligado à autoridade. A autoridade masculina (relacionada a paternidade), devido um aborto, faz com que o homem comece a desconfiar de si próprio, mesmo inconscientemente, achando que não é mais capaz.

Há, ainda, as consequências do aborto para a família, pois estatísticas revelam que 70% dos casais que abortaram se separam. No documentário “Blood Money” (expressão que significa dinheiro sujo, em português), é retratada a questão do aborto. Uma das mulheres falam que seu filhinho a cobrava sobre seu irmãozinho, onde ele estava, o que tinha acontecido com ele, mesmo sem saber que a mãe tinha engravidado e, depois, abortado.

Na Suécia já tem uma lei que a mulher pode matar a criança dentro de seu útero dependendo do sexo: se não for o que ela quer, pode matar. Há abortos por questões psicológicas. Há abortos de crianças com síndrome de down, anencéfalos, com necessidades especiais. O que parece é que querem “limpar” a sociedade. O ser humano é tido como descartável. Estamos criando uma sociedade onde o fraco não tem vez, tem que ser abortado. O aborto tem essa consequência social gravíssima.

A indústria abortista quer persuadir, a qualquer custo, a legalização do aborto porque tem muita gente ganhando dinheiro em cima disso. Não é pelo interesse da mulher. Aliás, as feministas são as primeiras a traírem a mulher, pois o aborto não é pelo seu bem, mas para que ela seja prostituída. Exemplos disso são os lucros com isso: tirar células tronco do feto para a indústria de cosmético, fazer comércio dos órgãos das crianças e tantas outras vias de se ganhar dinheiro em cima das mulheres.

Mas uma das piores consequências de tudo o que foi falado aqui é aquela mulher, aquele casal que faz o aborto e segue adiante friamente, sem sentimento algum. Há casos de casais que sabem o que estão fazendo, tem consciência e alegam que farão quantos abortos forem precisos. Essas pessoas assinam a própria condenação, a própria entrega da alma para satanás.
Quanto mais você for uma pessoa virtuosa, melhor pessoa você se torna, está caminhando para uma comunhão com Deus. E o contrário é também verdadeiro: quando menos virtuoso você for, quanto mais as suas escolhas te afastarem de Deus, mais o seu coração vai se endurecendo, mais difícil é a sua volta.

Mensagem do São João Paulo II, para as mulheres que cometeram aborto
Meus irmãos, lutemos pela vida! Encerro aqui com o escrito feito pelo saudoso Papa João Paulo II para as mulheres que já cometeram aborto em suas vidas:

“Um pensamento especial quereria reservá-lo para vós, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja está a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influído sobre a vossa decisão, e não duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decisão difícil, talvez dramática. Provavelmente a ferida no vosso espírito ainda não está sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto. Mas não vos deixeis cair no desânimo, nem percais a esperança. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se não o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confiança ao arrependimento: o Pai de toda a misericórdia espera-vos para vos oferecer o seu perdão e a sua paz no sacramento da Reconciliação. A este mesmo Pai e à sua misericórdia, podeis com esperança confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos à vida. Através do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido através do acolhimento e atenção a quem está mais carecido de solidariedade, sereis artífices de um novo modo de olhar a vida do homem”(Evangelium Vitae).

Padre Silvio Roberto
Pároco da Paróquia São Jorge

A vida começa na concepção e a ciência não contradiz a fé

“E tudo está interligado: sangue e homicídio, furto e mentira, corrupção e infidelidade, perturbação, e perjúrio” (Sabedoria 14, 25). Esse livro, Sabedoria, tem o intuito de alertar o povo de Deus que estava no Egito, numa cultura pagã, a fim de que fosse fiel, adorando o Deus único. Foi nesse contexto que surgiu o livro da Sabedoria. Quando eu leio esse versículo parece que ele foi escrito hoje de manhã:

“Tudo está numa confusão completa – sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio…”

A nossa busca por felicidade é, na verdade, a busca por voltar à originalidade de Deus, ao coração de Deus. O inimigo age exatamente aí: ele quer atrapalhar essa busca. Ele vai colocando barreiras, ilusões à nossa frente para nos atrapalhar nesse caminho. E a cultura de morte faz parte desse processo. É uma tentativa satânica de impedir que os filhos de Deus voltem para Ele, para sua originalidade. Fomos criados para a vida e ele quer colocar em nós tristeza e morte.

Existem aqueles que se organizam para apoiar o aborto, a ideologia de gênero, a eutanásia… Mas nós não podemos perder a dimensão de perceber que se trata de uma guerra espiritual, contra Deus. Satanás não consegue atingir Deus, ele é infinitamente menor, então para atingi-Lo ele tenta atacar a imagem e semelhança Dele. Temos visto uma cultura se estabelecer no meio de nós. Aqueles que planejam o mal são uma minoria e vemos aberrações acontecendo.

Um artigo publicado numa revista médica de dois acadêmicos defendia: já que não existe diferença entre o bebe no ventre materno e depois do nascimento, porque não podemos praticar aborto depois do nascimento do bebe? Vamos estender essa lei que permite o aborto para depois do nascimento. Por exemplo se a mãe só descobre que o bebe tem Síndrome de Down depois do nascimento… Por que não matá-lo?

Mas não ficou por aí. Há um tempo atrás o conselho holandês de saúde propôs um modelo de lei para ajudar a morrer. Propôs estender a eutanásia dos idosos às crianças de até 6 anos de idade. Podem ser mortas inclusive mesmo contra o consentimento dos pais. O governo ampararia essas crianças para que tivessem uma eutanásia assistida e depois os pais pagavam as despesas do velório, etc. E na Bélgica isso está muito mais avançado.

Nós que falamos tanto do nazismo alemão não estamos percebendo que isso está sendo imposto hoje numa cultura de morte permeando a nossa sociedade. É isso que nós queremos?

Uma outra notícia: um grupo pró-vida fez uma pesquisa em algumas universidades. Perguntavam os estudantes o que achavam sobre o aborto e estenderam a pergunta para a questão do infanticídio e algumas respostas em Minnesota nos EUA, defendiam que a criança poderia ser eutanasiada até 4 anos de idade, porque a consciência não está totalmente formada, porque até 5 anos a consciência não está ainda formada. Esse era o argumento.

De que lado você está?
Mas interessante que essa pesquisa mostrou jovens também que eram terminantemente contra o aborto. Temos visto um divisor de águas acontecer a nível mundial. E a proposta do nosso encontro Gente do Bem é saber qual lado você está. Não existe um meio termo. Ou você é contra ou a favor.

Um rapaz estava andando em cima do muro e, de repente, apareceu um anjo de Deus e falou: vem para o nosso lado e no mesmo momento, do outro lado, apareceu um demônio e ele não falava nada. E aí ele ficou intrigado e perguntou: por que você não me chama? Ele falou: porque o muro é meu!

Não existe meio termo. Não podemos ser coniventes meus irmãos. Esse relativismo é terrível e nos deixa do lado do mal. É hora de fazer a opção pelo bem, mas de maneira integral. A defesa da vida não é somente teológica. Não podemos abrir brechas e fazer concessões em relação à defesa da vida. Não existe gradualismo de valor. Ser humano é inato, se é ser humano, tem uma dignidade, independente da fase da vida.

Quando o anjo se apresenta a Maria Santíssima e ali Jesus começa a existir e se você for em Nazaré vai ver o altar escrito em latim: o verbo se fez carne aqui! É na concepção. A encarnação não se dá em Belém, no nascimento de Jesus, mas em Nazaré.

Jesus tinha 15 dias de fecundado quando, na saudação de Maria a Isabel, ela é envolvida pelo Espirito Santo e Joao Batista é tomado pela presença do Espírito. Com 15 dias o bebe ainda tem alguns milímetros, o coração ainda nem está batendo, mas Jesus com 15 dias batiza Isabel, que profetiza: bendita és tu! Que magnífico!

Eu, como cristão, não posso abrir mão dessa defesa. Não podemos abrir mão de que a vida começa na concepção. Você não precisa ter medo da ciência porque foi Deus quem a criou. A ciência verdadeira nunca vai contradizer a nossa fé.

Cito alguns exemplos. No livro Biologia celular e molecular, afirma que O zigoto é a célula que tem o potencial máximo para formar o ser humano. Está tudo contido ali, todo o código genético. Cito outras obras: Fundamentos da biologia médica, Embriologia funcional.

Eles começaram a defender que o aborto é só depois da nidação, a implantação do óvulo fecundado no útero, porque tem um mercado contraceptivo aí envolvido.

Jérôme Lejeune, o maior geneticista dos últimos tempos, que descobriu a Síndrome de Down, médico francês, doutor em genética, recebeu vários prêmios no campo da genética. Ele afirma que o aborto é um crime em qualquer circunstância. Alguém com Síndrome de Down tem todo direito de nascer, como um bebe normal. Não podemos fazer seleção pelos perfeitos. A vida começa na fecundação, ela é o marco do início da vida. Daí pra frente qualquer método que tende a destruí-la é um assassinato.

Nós temos tudo para ganhar essa guerra. Os que defendem essa cultura de morte são poucos, mas são bem financiados e barulhentos. Nós somos muitos, pobres e silenciosos.

Aqui no Brasil tentaram em 2005 implantar o aborto em todos os estágios da gravidez. Graças a Deus teve um trabalho magnífico do movimento pró-vida, que conseguiu barrar. E esse mérito é de vocês que estão aqui. Louvo a Deus pela coragem desses guerreiros anônimos. Um trabalho árduo!

Vocês que têm sido destemidos, que têm entendido o derramamento de sangue inocente nesse país. E precisamos que se levantem mais pessoas! Que se levantem por essa causa e vamos impedir a maldição do aborto nesse país. Não tenha medo das repressões. Jesus quer a vida!

Vamos encher as nossas pastorais, favelas, hospitais, para amparar essas mulheres que já fizeram aborto ou que querem fazer, vamos entrar com um grande exercito em favor da defesa da vida e não podemos parar mais! Temos a verdade científica conosco e temos a Igreja a nosso favor. Eles podem vir com financiamento, dinheiro internacional, com barulho, mas nunca vão vencer o povo de Deus se ele estiver unido.

Nós já ganhamos, a vitória é nossa, mas essa vitória passa por mim, por você, por todos os Estados do país. Precisamos nos unir em defesa da vida, porque somos maioria. E estamos com Cristo. Estamos amparados por essa mãe gigante que defende a vida desde todos os tempos, que é a Igreja.

Não podemos mais deixar que o sangue de inocentes no ventre de suas mães seja derramado.

O dinheiro que temos gastado nisso é mínimo diante de dívida que temos com nosso Senhor Jesus Cristo. Precisamos da oração e da entrega de vocês.

Tiago Camargo – TIBA
Missionário da Comunidade Canção Nova

Que a santidade seja um propósito em nossa vida

A Igreja nos dá hoje a alegria de celebrarmos a Solenidade de Todos os Santos. Homens de todas as classes e nações, raças e línguas, de todos os tempos, antes e depois de Cristo, que estão felizes na eternidade, participando da bem-aventurança eterna. Santos e homens que viveram uma vida justa segundo a vontade de Deus aqui na Terra.

Existe uma multidão de santos já conhecidos por nós, porque foram canonizados, exaltados pelo povo devido à vida heroica que tiveram, pelas virtudes divinas que prevaleciam em suas vidas.

Como é bom estar ao lado das pessoas que levam a santidade como compromisso e propósito de sua vida!

Nos últimos tempos, tivemos grandes santos entre nós já canonizados e beatificados. Temos como exemplo São João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá, nossa querida irmã Dulce ou aqueles que já estão a caminho, como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes de Almeida e tantos outros que viveram e conviveram no meio de nós e merecem a honra dos altares.

Existe uma multidão que ocupa o mesmo lugar no Céu, talvez cem vez mais do que esses reconhecidos pelos títulos de santos. São os santos que estão entre nós e caminham no ordinário da vida.

É uma grande multidão aqueles que ocupam o lugar junto de Deus. Então, muitos dos nossos parentes, amigos, pessoas que caminharam em nossas igrejas e comunidades já estão também num lugar junto de Deus; pode ser que nunca sejam reconhecidos com o título de santo aqui na Terra, porque não foram canonizados ou não houve um processo. Mas não é isso o que torna a pessoa santa.

O que faz alguém ser santo é o fato de levar a vida segundo a vontade de Deus, viver a dignidade de filhos d’Ele, proclamar com a vida as bem-aventuranças evangélicas exaltadas no Evangelho de hoje. O que alguém ser santo é ter uma vida simples, modesta, desprendida e pura; uma vida mansa e pacífica, que saiba sofrer as contrariedades próprias da vida e do seguimento de Jesus Cristo.

Olhando para tantas pessoas que vivem no campo e na cidade, podemos ficar decepcionados com tantos pecados, mas não podemos deixar de exaltar quantas pessoas vivem na santidade.

Hoje é o dia de exaltarmos a santidade de Deus, vividos por todos aqueles que levam o Senhor a sério e procuram viver no cotidiano de Sua vida.

Deus é santo e quer que nós também sejamos santos!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Solenidade de todos os Santos e Santas de Deus

As bem-aventuranças, no início do sermão da montanha (caps. 5-7), indicam o caminho do seguimento a Jesus até a perfeição como o Pai (5,48).  Na montanha, que remete ao Sinai onde Moisés recebeu a Lei (Ex 24,12), Jesus “senta-se” e ensina a viver a justiça do Reino (6,33).  Enquanto a riqueza era considerada recompensa da virtude e a pobreza um castigo, ele proclama felizes os pobres que colocam a confiança em Deus (Sl 34,7.9; Is 30,18). Os aflitos são consolados pela Boa Notícia de Jesus que revela o amor especial de Deus pelos mais sofridos (Lc 4,16-21; cf. Is 61,1-2). A herança da terra (Sl 37,11), o Reino pertence aos mansos que seguem Jesus, o Servo (12,15-21), através de ações sem violência e sem opressão. Os famintos e sedentos de justiça, que praticam a vontade de Deus, serão plenamente saciados. Os misericordiosos, como o Pai (Lc 6,36) mediante o amor solidário (25,31-46), o perdão (18,21-35), alcançarão misericórdia. Os puros de coração, que agem e servem com integridade, contemplarão a Deus para sempre. Os que promovem a paz experimentarão a felicidade de filhos de Deus (5,45). Os perseguidos por causa da justiça, da Boa Nova de Jesus (1Pd 3,14) alegram-se com a esperança da participação plena no Reino. Os cristãos, na época que o evangelho de Mateus foi escrito, por volta do ano 85, eram perseguidos pelo império romano e as autoridades judaicas (10,16-18; 23,34-35).

A leitura do Apocalipse fala do testemunho de uma multidão incontável, que seguiu Jesus: Lavou suas vestes no sangue do Cordeiro.

O salmista convida a buscar a face do Senhor com um coração puro.

A segunda leitura acentua que o Pai em seu imenso amor faz de nós filhos e filhas, e nos conduz no caminho da santidade com Cristo, até sermos semelhantes a ele porque o veremos como ele é.

As bem-aventuranças indicam um estilo de vida conforme a vida e o ensinamento de Jesus. Ensinam que pelo caminho da simplicidade evangélica se alcança a santidade. É o que o papa Francisco vem recordando a toda a Igreja, com os seus gestos e palavras.
 
Nesta solenidade em que celebramos a vitória daqueles que nos precederam na fé e lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, recebemos a força transformadora do Espírito de Deus para seguirmos com fidelidade o caminho de Jesus, o servo de Deus, que venceu a morte escolhendo sempre o caminho do amor e da compaixão.
                     
Revista de Liturgia
            

Sejamos mensageiros da Palavra do Senhor

Celebramos, hoje, os apóstolos São Simão e São Judas Tadeu, santos que faziam parte da companhia dos doze, eram os apóstolos escolhidos entre tantos discípulos que Jesus tinha atrás de si.

Qual é o papel dos apóstolos? O apostolado é, acima de tudo, o seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. E segui-Lo significa aprender com Ele o Seu modo de vida. O que aprendemos e ouvimos levamos aos outros quando somos enviados em missão. Por isso, os apóstolos são aqueles que escutam Jesus; e uma vez que O escutam, são também curados de suas doenças e enfermidades.

É nosso papel escutar a Palavra de Deus, pois, ao escutá-la, será para nós uma fonte de cura, libertação e restauração.

Que beleza escutarmos a Palavra de Deus, que vem da boca dos apóstolos, daqueles que são realmente os enviados do Senhor! Cada bispo, em sua igreja, tem a missão de ser esse apóstolo, o sucessor dos apóstolos, mas isso não tira de nenhum de nós a nossa missão e responsabilidade no apostolado cristão.

O apostolado cristão acontece quando anunciamos a Palavra de Deus e as pessoas vêm ao nosso encontro para serem tocadas na alma, no coração. E uma vez que a alma e o coração são tocados por essa mesma Palavra do Senhor, a alma se liberta até mesmo de doenças físicas.

Muitas vezes, estamos aprisionados naquilo que estamos sofrendo, mas basta apenas uma Palavra do Senhor para ficarmos livres e libertos. Escutemos os apóstolos, escutemos a Palavra do Senhor, mas sejamos também mensageiros dessa mesma Palavra, porque ela afugenta os demônios, liberta os cativos e cura os doentes.

A missão dos apóstolos é levar a Palavra de Deus a todos os cantos da terra! A nossa missão, o nosso apostolado é anunciar a Palavra onde estivermos; ela trará mais alegria, mais ânimo, libertação e restauração para os corações que a escutarem!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Como lidar com os traumas do passado no presente

Cada ser humano é único, com incontáveis possibilidades de vivenciar as mais diversas situações. Desde nossas primeiras memórias da infância, vamos acumulando as experiências mais marcantes ao longo da vida; geralmente, as que provocaram maior emoção.

Uma festa de aniversário, aquele passeio esperado, uma viagem, os tombos de bicicleta, as brincadeiras com os primos, um presente especial. São lembranças doces que remetem a um tempo em que o olhar infantil estava mais desperto para os detalhes e encantos do novo, do belo.

Entretanto, nem só de boas lembranças nossa memória está recheada. Muito falamos sobre eventos traumáticos vivenciados em diversas fases do desenvolvimento infantil, mas há também os ocorridos durante a crítica passagem pela adolescência e os que enfrentamos na fase adulta.

Como se fosse hoje
Esse outro lado da moeda tende a ser mais difícil de se elaborar. Causa dor lembrar-se do sofrimento de uma violência física ou emocional, um abuso sexual, a perda de alguém querido, bem como os sentimentos de desamparo, solidão e desespero. Alguns, inclusive, afirmam lembrar-se com tanta nitidez os detalhes do trauma, que poderiam relatar tudo “como se fosse hoje”. Quando dizem essa frase, estão falando a verdade.

Certas pessoas carregam o fardo de dores que acabam pesando mais conforme o passar do tempo. A lembrança passa a ser como um bicho de estimação, algo a ser rememorado para não cair no esquecimento ou para alimentar algum sentimento de vitimização. Outros, pelo contrário, tentam esquecer, a todo custo, os eventos traumáticos que aparecem como flashes indesejados em alguns momentos. Às vezes, colocam uma manta por cima do passado e tentam viver como se essa dor não existisse. É possível até que alguns busquem refúgio em drogas e bebidas, com o desejo de encontrar um conforto momentâneo.

Sujeiras da alma
Primeiramente, é importante entrar em contato com a situação incômoda de forma aberta e transparente. Falar sobre o assunto pode ajudar na elaboração do que aconteceu, principalmente se o evento foi na infância ou adolescência. O adulto que você é hoje pode amparar e consolar a criança que você foi e que não tinha recursos internos para lidar com a situação naquela época. Acolha a dor, reconheça o sofrimento e, se vier uma emoção, abra-se ao pranto que poderá lavar as sujeiras da alma.

Esse pode ser um processo doloroso e longo. Entretanto, estamos falando da qualidade de sua vida, da liberdade que você merece experimentar ao tirar esse peso das costas, que deixa seus passos lentos.

Terrenos escuros e frios
Conforme você for caminhando nesses terrenos escuros e frios, poderá lançar uma luz de compreensão, um sopro quente de perdão que, aos poucos, vão trazer novos significados para a sua história. Se algum passo for muito difícil, tenha paciência consigo, mas não pare! Peça a Deus a graça necessária para enfrentar essas dores, conte com a ajuda de outras pessoas ou profissionais que possam auxiliá-lo nesse processo.

No final, pode acontecer de você descobrir que o perdão – ao outro e a si – é possível e o deixa livre para viver sem o rancor e o ódio. Talvez você encontre uma força interior que não imaginava possuir, e um olhar sereno pode aparecer no seu rosto, junto com um sorriso mais aberto. Valerá a pena conhecer uma nova forma de visitar seu passado e lidar com as dores que pareciam eternas.

Milena Carbonari

Nosso sofrimento nos une a Cristo

São Paulo nos imerge na fé e na esperança do Reino definitivo sem nos tirar os pés do chão e da realidade do mundo em que vivemos. Não podemos negar que muitos são os sofrimentos do tempo presente, da vida momentânea que levamos; ao contrário, são diversos e, às vezes, em um grau de intensidade enorme.

Quantas dores, quantas situações de lamúria nós passamos! Há pessoas que parecem sofrer a vida inteira por situações que lhes causam dor e as deixam sem ânimo, sem perspectiva e esperança. A dor é demais; dói no físico, no corpo, na alma e no espírito.

Olhando de forma proporcional, a Palavra de Deus está nos dizendo que não há como compararmos os sofrimentos do tempo presente com a glória divina, com aquilo que o Senhor nos prepara. De fato, o prêmio, o presente eterno que Ele preparou para os justos é algo incalculável. Os olhos humanos não são capazes de ver nem a mentalidade humana de compreender a excelência que o amor do Pai preparou para os Seus eleitos amados, escolhidos e perseverantes no Seu Reino.

O sofrimento bem vivido produz santidade. Nenhum sentimento é perdido quando vivido na intensidade do Reino de Deus. Em reparação aos nossos pecados e os da humanidade, em oferecimento por todos os que sofrem como nós ou mais do que nós, não podemos desperdiçar os sofrimentos nem os transformar em um inferno para nossa alma e nosso coração.

O sofrimento nos coloca mais perto de Deus e do céu; ele nos une a Cristo crucificado, que deu Sua vida para a remissão dos pecados de muitos!

Todo sofrimento vivido em Deus é redentor, é salvífico e purifica a alma. Ninguém precisa procurar sofrimento, pois eles já existem, vêm nesta ou naquela circunstância. Uma hora sofremos menos outra mais, mas há pessoas, não podemos negar, que parecem passar a vida toda sofrendo com perdas, com situações complicadas e difíceis.

O mais belo é ver a pessoa passar pelo sofrimento e sorrir, porque se sente mais perto de Deus. É lamentável quem sofre e só encontra no sofrimento razão para murmurar e reclamar. O sofrimento nos salva se vivido com dignidade. A murmuração, a reclamação e o azedume nos afastam até do consolo divino.

Que Deus nos dê dignidade para sabermos superar os sofrimentos de cada dia!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova