3º Domingo do Advento

A primeira leitura é do primeiro Isaías, profeta que atua entre 740-700 a. C. Portanto hoje ouvimos o primeiro Isaias que mostra que a classe dominante assumiu o culto da religião assíria e é infiel à Aliança com Deus. A começar pelo rei, vivem sem fé, corrompidos e sem escrúpulos. O rei chegou a sacrificar o próprio filho ao ídolo Molok. O momento é de guerra e sofrimento para o povo.

Isaías traz dimensão messiânica da profecia que levava o povo a olhar para o futuro, esperar pela vinda do Messias e a aguardar a realização do Reino de Deus. A profecia, em sua palavra crítica, clareia o presente e esconde uma palavra de esperança que anuncia o futuro. Na denúncia do mal do presente, deve estar também o anúncio da Boa Nova.

Isaías anuncia o júbilo da natureza, a cura dos enfermos, a volta dos exilados. A vinda salvadora de Deus transforma o deserto em paraíso, vence todas as doenças e maldições; dá liberdade, alegria, felicidade. Todos deprimidos criarão animo e coragem. As mãos ficarão fortes e firmes os joelhos.

A transformação da natureza é o símbolo que expressa a restauração do povo oprimido e libertado pelo Senhor. Isaías é um canto de esperança e um convite a celebrar antecipadamente a alegria da libertação, do Reino que vem. O tema central da água no deserto suscita a memória de um novo êxodo.

Na 2ª Leitura, a exortação de Tiago, o irmão do Senhor, da comunidade mãe de Jerusalém, começa contra as pessoas ricas que oprimem os pobres e se enriquecem às suas custas, pois lhes retêm o salário. Tiago começa dizendo: “agora vós, os ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para cair sobre vós.” Repete assim, o grito dos profetas. O tesouro dos ricos, já reduzido a nada pelos vermes e a ferrugem  vai testemunhar contra eles no final dos tempos. Nas comunidades primitivas, esperava-se que o Senhor voltasse em breve para o julgamento final e definitivo.

Nos versículos 7 a 11, sua exortação abre-se para um horizonte escatológico e Tiago pede que se tenha paciência, porque o Senhor está próximo. Paciência, como a de quem coloca uma semente na terra e fica à espera da planta que virá e dos frutos que ela via produzir sem impacientar-se com a demora. Paciência, Constancia, firmeza no tempo de provação que antecede a vinda do Reino. Paciência laboriosa no tempo que prepara a Parusia, a segunda presença/vinda do Messias, segundo Advento do Senhor que proclamamos em nossa liturgia.

Tiago propõe Jó como modelo de paciência. É a única vez que Jó é citado no Segundo Testamento. Esse exemplo é conhecido no judaísmo e a comunidade de Tiago é composta de cristãos vindos do judaísmo. O Senhor é rico em misericórdia, benevolente e compassivo como foi com Jó. Esses são atribuídos litúrgicos de Deus.

No evangelho de hoje, Jesus fala sobre João Batista. No início do cristianismo, em algumas comunidades, houve a preocupação sobre o lugar de João Batista com referência a Jesus. A perícope deste domingo reflete essa preocupação. Podemos dividi-la em duas partes: Na primeira parte os discípulos de João, que já está na prisão de Herodes, vão perguntar a Jesus sobre sua identidade: “És tu o que devia vir, ou devemos esperar outro?”

Jesus responde, definindo sua identidade messiânica: “Informem a João sobre o que vocês ouvem e vêem: cegos recobram a visão, coxos caminham, leprosos são purificados, surdos ouvem, mortos ressuscitam, os pobres recebem a boa notícia e feliz quem não tropeça por minha causa”. Nesta identificação do Messias, ressoa a profecia de Isaías.

Na segunda parte do trecho de Mateus, Jesus esclarece à multidão sobre a missão de João: O que foram contemplar no deserto? Uma taquara fininha, delgada, agitada pelo vento? Um homem com roupas finas e ricas? Quem se veste assim mora em palácio. Mas o que foram ver? Um profeta? Sim, e alguém que é mais do que profeta.

Dele é que está escrito na sagrada Escritura: Eis que envio o meu mensageiro à tua frente para preparar o teu caminho diante de ti. Jesus encerra dizendo que, de todos os que nasceram, nenhum homem é maior do que João Batista. Porém, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele. As palavras das profecias confirmam a missão de Jesus.


Site da Diocese de Limeira

Que a mensagem de Jesus encontre lugar dentro do seu coração

Hoje desejo que, profundamente, a mensagem de Jesus encontre lugar dentro do seu coração. Desejo que verdadeiramente, na sua casa, o Senhor seja acolhido!

“Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles” (Mt 17,12).

Meus queridos irmãos e irmãs no seguimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, dois personagens aos quais temos de prestar bastante atenção neste tempo em que vivemos: João Batista e Jesus. Jesus e João Batista.

Os judeus dizem: “Mas, para que venha o Messias, não é preciso que primeiro venha Elias? Porque Elias é aquele que vai nos mostrar quem é verdadeiramente o Messias!” E então Jesus responde: “Elias já veio” (Mt 17, 12b). Elias já passou no meio de vocês, mas ele não foi recebido nem reconhecido. Ao contrário, o maltrataram e o mataram. (cf. Mt 17, 10-13).

É claro que Elias, o profeta do Antigo Testamento, não voltou à vida – ou ainda como dizem alguns – ele também não “reencarnou”. Apenas que João Batista representou aquilo que Elias foi para o povo na sua época. João Batista agora veio com esse mesmo espírito: preparar o povo para que recebesse o Messias, preparar o povo para que recebesse Jesus, o Senhor e Salvador.

Você sabe como foi a pregação de João Batista, como ele foi incisivo, o quanto ele apontou o caminho da salvação, o quanto ele disse verdades. E por causa dessas verdades, esse santo foi maltratado e morreu decapitado. Mas, se não acolheram Elias na pessoa de João Batista, o mesmo irá acontecer com o Filho do Homem, que será rejeitado e maltratado. A indiferença do povo daquela época foi a grande causa da rejeição a Jesus e à mensagem d’Ele.

Sabe, meus irmãos, os anos se passaram, e ainda que nos preparemos para celebrar o Natal – o nascimento do Salvador – com tudo aquilo fazemos, ou seja, com as pompas, com as decorações, Jesus continua sendo o “rejeitado” de todos os tempos!

Ainda são muitos os lares que não O acolhem. Mesmo os lares que se preparam para celebrar o seu Natal não são capazes de acolher a vida que Jesus nos trouxe, não são capazes de acolher a Sua mensagem, o Seu Evangelho, e se comportam com uma verdadeira indiferença. Até fazem festa… Até recordam que é Natal, mas não são capazes de reconhecer que Jesus veio para trazer uma vida nova, baseada no Seu Evangelho e na Sua mensagem.

Hoje desejo que, profundamente, a mensagem de Jesus encontre lugar dentro do seu coração. Que dentro de você essa mensagem encontre lugar para nascer, para crescer e para fecundar vida. Eu desejo que verdadeiramente, na sua casa, o Senhor seja acolhido!

Que Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

12 de Dezembro – Dia de Nossa Senhora de Guadalupe

Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego que fosse até o bispo e lhe pedisse que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Isso ocorreu quando Juan Diego buscava um sacerdote para o tio doente: “Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua “tilma” (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém, só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita…”

O prelado viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Santíssima Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego fora visitar o seu tio, que sadio narrou: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de ‘Santa Maria de Guadalupe’, embora não tenha explicado o porquê”. Diante de tudo isso muitos se converteram e o santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já existe há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. E nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do referido bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Declarou o Papa Bento XIV, em 1754: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou a Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.


Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

Nossa Senhora da Imaculada Conceição

Mais do que memória ou festa de um dos santos de Deus, neste dia estamos solenemente comemorando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos.

Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.

A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant’Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: “Maria isenta do pecado original”.

A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: “Eu Sou a Imaculada Conceição”.


Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!

2º Domingo do Advento

A festa da Imaculada Conceição situa-se dentro do Tempo do Advento. Com ela celebramos, ao mesmo tempo, a “bendita entre as mulheres e o bendito o fruto do seu ventre”, o menino que vai nascer será chamado o filho de Deus.

Na 1ª Leitura, a narrativa do Gênesis com sua linguagem simples, coloca o tema da existência do pecado na vida humana. O que está em jogo é a capacidade humana, latente nas pessoas de todos os tempos, de frustrar o plano de Deus, não realizar a vontade do Pai, cedendo aos próprios caprichos e desejos humanos, sobretudo, quando esses desejos são “endeusados”.

Mas o trecho do Gênesis lido hoje deixa entrever, segundo uma antiga interpretação, que a humanidade poderá, em algum momento, vencer essas limitações e realizar fielmente o plano de Deus. O mal não terá, a última palavra. É possível vencer a “serpente”. A opressão tem suas raízes na serpente.

A serpente simboliza a auto-suficiência, isto é, o desejo que as pessoas alimentam de ocupar o lugar de Deus. Essa é a suprema idolatria. Com Maria, que se proclama Serva do Senhor; as comunidades que celebram sua fé vão aprendendo a superar o espírito da auto-suficiência que gera a morte em nossa sociedade.

Como também a carta aos Efésios, na 2ª Leitura, nós também podemos hoje dizer: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu”.

Este hino é um louvor a Deus pelo que realizou em nós por meio de Cristo, isto é, decidiu que todos nós formassem uma só pessoa com Cristo, que recebessem a sua vida divina e fossem introduzidos na sua família. Assim poderemos ser eternamente felizes com ele. A humanidade não é destinada à ruína e à destruição, mas à alegria perene.

Se no livro de Gênesis se espelha a humanidade pecadora, no Evangelho a imagem perfeita daqueles que encontraram graça diante de Deus: a humanidade redimida, cheia de graça.

Com Maria, Deus torna a dialogar com as suas criaturas. Deus faz de nós novamente seus parceiros na história.

Para São Lucas, Nossa Senhora é o tipo de discípulo que Deus procura para construir a sociedade e fazer novas histórias. Nossa Senhora se põe à disposição do plano de Deus “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”. Em nossa Senhora encontramos as duas atitudes fundamentais de quem está disposto a se comprometer com a nova história trazida por Jesus: fé e serviço.

Deus intervém em nossa caminhada para construir um mundo novo. Mas pressupõe fé e serviço de quantos esperam a chegada e a manifestação do Messias em nossa história. Por que para Deus, nada é impossível.

Nossa Senhora é uma criatura, nada tem de seu. Tudo nela é obra do Onipotente “cujo o nome é Santo”. Por isso no trecho do Evangelho de hoje é chamada “Cheia de Graça’. É a mesma graça que Deus quer dar em plenitude a todos nós.

Nossa Senhora, não se opõe ao plano de Deus. Pergunta apenas que missão ele quer confiar-lhe e aceita docilmente a iniciativa divina. Não pede sinais, como Zacarias havia feito, mas se entrega em confiança plena na vontade de Deus. Fé é crer no que não se vê, é perseverar diante do impossível.
       
A Boa Nova de hoje é “alegra-te”! Essa é a primeira palavra de Deus para todas as suas criaturas e para nós também. Alegria que nasce de dentro de quem enfrenta a vida com convicção e sabe que “Ele está no meio de nós”. Neste tempo cheio de incertezas, escuridões, problemas e dificuldades não podemos perder a alegria e a coragem. Em tantos apelos para nos desviar do caminho de Deus, permaneçamos, como Maria, fiéis ao projeto do Reinado de Deus. Nossa Senhora nos mostra que o mal pode ser vencido, mas só se tivermos a coragem de dar nós também o “sim” a Deus. Não esquecendo que dizer “sim” a Deus é dizer “sim” também ao ser humano, que busca vida e dignidade.
       

Pe. Paulo Afonso Mendes

Amar é construir alguém querido

Normalmente, é no próprio círculo de amizades e nos ambientes de convívio que os namoros começam. Para namorar, você precisa procurar alguém nos lugares onde as pessoas vivem os mesmos valores que são importantes para você. Se você é cristão, então, procure uma pessoa entre famílias cristãs, ambientes cristãos, grupos de jovens etc.

O namoro começa com uma amizade, a qual pode ser um “pré-namoro” que vai evoluindo. Não mergulhe de cabeça num namoro, só porque você ficou “fisgado” pelo outro. Não vá com muita sede ao pote, porque você pode quebrá-lo.

Nunca se esqueça de que o mais importante é “invisível aos olhos”.

Aquilo que você não vê - o caráter da pessoa, a sua simpatia, o seu bom coração, a sua tolerância com os outros, as suas boas atitudes etc. - são coisas que não passam, o tempo não pode destruí-las.

A sua felicidade não está na cor da sua pele, no tipo do seu cabelo nem na altura do seu corpo, mas na grandeza da sua alma. Ao escolher o namorado, não se prenda apenas à aparência física, mas desça até as profundezas da alma dele e busque lá os seus valores. Há uma velha música, dos meus tempos de garoto, que dizia assim: "Quem eu quero não me quer, quem me quis mandei embora; por isso já não sei o que será de mim agora".

Será que você não “mandou embora” quem, de fato, o amava e poderia tê-lo feito feliz? Lembre-se: paixão não é amor. Se você encontrou uma pessoa que satisfaça os valores “mais essenciais”, não seja muito exigente naquilo que é secundário. Você terá de aprender a ceder em alguns pontos, repito, não essenciais.

Há um ditado que diz: “Quem tudo quer, tudo perde”. Se você for “hiperexigente”, poderá ficar só. Muitas vezes, aquele que escolhe muito acaba sendo o último contemplado. Não force um namoro quando o outro não o quer. Se você forçar a situação, o relacionamento não será maduro nem duradouro. Não tente “segurar” o seu namorado junto de você pelo sexo ou por meio de outras chantagens. Namoro não é momento de viver a vida sexual. Espere o casamento.

Certa vez, o Governo fez uma campanha para reduzir o número de acidentes de automóveis e usou este “slogan”: “Não faça do seu carro uma arma, a vítima pode ser você!”. Posso plagiar esta frase e lhe dizer com toda a segurança: “Não faça do seu corpo uma arma, a vítima pode ser você!”.

Ao escolher com quem namorar, não deixe de lado alguns aspectos como idade, nível social e cultural, situação financeira, religião etc.

Uma diferença de idade muito grande entre ambos pode ser uma dificuldade séria, especialmente se a mais idosa for a mulher. O amor, quando é autêntico, é capaz de superar tudo, mas isso será uma pedrinha a mais no sapato dos dois.

A diferença de nível social e financeiro também pode ser uma dificuldade a mais, mesmo que possa ser vencido por um amor autêntico entre ambos.

Um rapaz culto e estudado pode ter sérias dificuldades para relacionar-se com uma moça sem estudos. Também a diferença de religião deve ser evitada, pois será um entrave para o crescimento espiritual do casal; especialmente na hora de educar os filhos. Na hora de escolher alguém, você precisa ter claro os valores fundamentais para a sua vida toda.

Há coisas que são mutáveis, mas outras não o são.Você pode ajudar sua namorada a estudar e chegar ao seu nível cultural – e isso é muito bonito –, mas será difícil fazê-la mudar de religião se ela for convicta da fé que recebeu dos pais.

O namoro existe para que você perceba essas coisas e jamais reclame que se casou enganado. Isso ocorre com quem não leva o namoro a sério. Se você não namorar bem hoje, não reclame, amanhã, de ter se casado mal ou com quem não deveria; a escolha será sua.

Sobretudo, lembre-se de que você nunca encontrará alguém perfeito para namorar, mesmo porque “amar é construir alguém querido, não querer alguém já construído.”

Felipe Aquino

Retirado do Livro Namoro

Quais as atitudes interiores para o Advento?

Tempo do Advento: reconhecimento e acolhimento do Senhor que vem. Ao encerrarmos o ciclo comum do tempo litúrgico, adentramos, como Igreja, no Tempo do Advento. Ao refletirmos, liturgicamente, numa dimensão celebrativa que vise o comprometimento de vida, celebramos, nesse período, Jesus Cristo, no tempo e na história dos homens. É Ele quem vem nos trazer a salvação. É, portanto, o tempo da expectativa, e todo cristão é chamado a vivê-lo em plenitude, para que, dignamente preparado, esteja em condições de receber o Senhor que vem.

O Advento contempla, no conjunto do seu sentido espiritual, duas dimensões fundamentais. A primeira observa o mistério da Encarnação, Jesus que se encarnou, assumindo nossa humanidade. Já a segunda dimensão nos leva ao coração, para a promessa de Cristo Jesus acerca de Sua Segunda Vinda. Encarnação e Segunda Vinda de Jesus, eis os dois aspectos que devem iluminar, como um farol, a boa vivência da nossa espiritualidade nesse tempo litúrgico.

Mas quais seriam as atitudes interiores próprias para que o Tempo do Advento não passe sem realizar um efeito eficaz na nossa história de vida? Deixo aqui algumas indicações para uma boa preparação para a Vinda do Senhor:

1- Manter-se vigilante na fé e na oração, numa abertura atenta e disponível para reconhecer os “sinais” da vinda do Senhor em todas as circunstâncias e momentos da vida, até o fim dos tempos. Ou seja, viver essa saudável e tão necessária tensão escatológica, daqueles que não enfraquecem no zelo e na expectativa do cumprimento das promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nas promessas de Jesus repousa e baseia-se a solidez da nossa esperança. Uma esperança que não é circunstancial, mas sobrenatural e eterna. Rever a vivência do batismo, à luz dessas verdades fundamentais, ajuda-nos a dispor o coração para Deus.

2- Colocar a vida no caminho traçado por Deus, no projeto divino de salvação, ou seja, na vontade salvífica do Senhor. Isso significa não se extraviar por caminhos tortuosos, mas converter-se para seguir Jesus rumo ao Reino de Deus Pai. Essa constitui outra tensão saudável que também não pode estar ausente da vida de todo cristão que se preze: a tensão de conversão. Sem esta ninguém agrada a Deus, pois se perde a essência do homem novo, o qual se encontra em contínua construção, rumo à plenitude, que é Deus. Aquele que busca conversão caminha para o Tudo que é Deus; já o que não a busca, caminha para o nada de si mesmo, para o nada da vida.

3- Ser testemunha da alegria que Jesus Salvador nos traz com caridade afável e paciência para com os outros. Tendo por comportamento uma abertura para todas as iniciativas de bem, por meio das quais já se constrói o Reino futuro na alegria sem fim. Isso significa que a alegria salvífica deve estar sempre presente na vida testemunhal do cristão, mesmo em meio às dificuldades da vida. Jesus Cristo é a nossa alegria e salvação, rejubilemos sempre pela graça que nos foi concedida.

4- Manter um coração pobre e vazio de si, imitando São José, Nossa Senhora, João Batista e os outros pobres do Evangelho, na humildade de quem sabe reconhecer e acolher Jesus, o Filho de Deus, Salvador da humanidade. Buscar e atualizar, na vida, a centralidade do mistério de Cristo, que sempre nos favorece na preparação rumo ao encontro do Senhor Jesus que vem a nós.

Participar da Celebração Eucarística, nesse tempo do Advento, significa acolher e reconhecer o Senhor, o qual, continuamente, vem ficar no meio de nós; é segui-Lo no caminho que leva ao Pai. Com Sua vinda gloriosa, no fim dos tempos, que Ele nos introduza, todos juntos, no Reino, para nos fazer “tomar parte na vida eterna” com os bem-aventurados e santos do céu.

Que a vivência desse tempo litúrgico seja fecundo na vida de todos nós. Uma caminhada de recolhimento, que traz em si o potencial de purificar a vida na justiça e na verdade, preparando os caminhos do Senhor. Que o Cristo não nos encontre passivos, indiferentes, excessivamente preocupados com aquilo que passa, aponto de não percebermos o valor e a presença do Eterno que vem a nós. Sejamos todos ativos e comprometidos nas atitudes interiores que o Senhor nos chama a viver, para que nossa esperança seja vivificada. Tomemos cuidado com o materialismo e o excesso de atividades terrenas. Tais realidades são perigosas e capazes de desviar e esvaziar a vida do seu verdadeiro e mais profundo mistério: apontar para uma caminhada perseverante rumo à eternidade! Seja ativo e concreto nas suas respostas de vida, em função do mistério celebrado e vivido. Creia para viver com sabedoria a vida terrena, e viva intensamente de acordo com sua fé, que deve sempre apontar para o Céu. Eis o cristão de verdade, sem falsidade, que caminha com sabor de eternidade!


Padre Eliano Luiz Gonçalves

Advento

O Ano Litúrgico começa com o tempo do Advento; um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus. Este foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. Esse acontecimento precisa ser preparado e celebrado a cada ano. Nessas quatro semanas de preparação, somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e que vem no fim dos tempos.

Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e a esperar a vinda gloriosa do Salvador. Um dia, o Senhor voltará para colocar um fim na História humana, mas o nosso encontro com Ele também está marcado para logo após nossa morte.

Nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, nós nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém. Os Profetas anunciaram esse acontecimento com riqueza de detalhes: nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi; seu Reino não terá fim... Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena.

Coroa do Advento:

Para nos ajudar nesta preparação usa-se a Coroa do Advento, composta por 4 velas nos seus cantos – presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas. As velas representam as várias etapas da salvação. Começa-se no 1º Domingo, acendendo apenas uma vela e à medida que vão passando os domingos, vamos acendendo as outras velas, até chegar o 4º Domingo, quando todas devem estar acesas. As velas acesas simbolizam nossa fé, nossa alegria. Elas são acesas em honra do Deus que vem a nós. Deus, a grande Luz, "a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo", está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz.

Termo:

Advento vem de adventus do latim, que significa vinda, chegada, cujo início se dá próximo a 30 de novembro e termina em 24 de dezembro. Forma unidade com o Natal e a Epifanía.

Cor:

A Liturgia neste tempo é o roxo.

Sentido:

O sentido do Advento é avivar nos fiéis a espera do Senhor.

Duração:


4 semanas

1º Domingo do Advento

O Evangelho usa uma forma apocalíptica de falar sobre a vigilância constante que devemos viver. É preciso vigiar, pois nãos sabemos nem o dia, nem a hora em que virá o Senhor. É necessário estarmos constantemente preparados, como se estivéssemos no fim dos tempos, para não sermos surpreendidos, como por um ladrão. Neste primeiro domingo do Advento, o que o evangelho nos pede é vigilância ativa e prontidão.

Para compreender melhor o que o evangelho nos fala, temos a luz da primeira leitura. O profeta Isaías descreve sua visão sobre a plenitude da história, o final dos tempos: a casa do Senhor como o cume do mundo, todas as nações e povos numerosos reunindo-se aí; Deus mesmo instruindo o povo para que andem em seus caminhos e todos caminhando em suas sendas e em sua Lei.

As espadas e lanças transformadas em ferramentas de trabalhar a terra. Não haverá mais guerra e todos caminharão na Luz do Senhor. É a descrição da utopia do Reino escatológico, Reinado de Deus, esperança inabalável dos que servem a Deus.

A carta aos Romanos nos fala que precisamos reconhecer o tempo em que vivemos, pois é hora de acordar. É madrugada e o dia já se aproxima. É necessário vestir a veste da luz e deixar as trevas. A salvação está chegando.

Não repitamos as ações do povo do tempo de Noé, como comilanças e bebedeiras, orgias e libertinagens, desonestidades, brigas, rivalidades e guerras. O convite é muito claro: revistemo-nos das obras do Senhor Jesus, o Messias. A vida cristã é dinamismo rumo à consumação do “dia do Senhor”, a vinda de Cristo.


Site da Diocese de Lorena

Advento

O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento; um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus. Este foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. Esse acontecimento precisa ser preparado e celebrado a cada ano. Nessas quatro semanas de preparação, somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e que vem no final dos tempos. Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador.

Um dia, o Senhor voltará para colocar um fim na História humana, mas o nosso encontro com Ele também está marcado para logo após a morte. Nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e da Virgem Maria, nós nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém. Os Profetas anunciaram esse acontecimento com riqueza de detalhes: nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi; seu Reino não terá fim... A Santíssima Virgem Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena. Para nos ajudar nesta preparação usa-se a Coroa do Advento, composta por 4 velas nos seus cantos – presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas. As velas representam as várias etapas da salvação.

Começa-se no 1º Domingo, acendendo apenas uma vela e à medida que vão passando os domingos, vamos acendendo as outras velas, até chegar o 4º Domingo, quando todas devem estar acesas. As velas acesas simbolizam nossa fé e nossa alegria. Elas são acesas em honra do Deus que vem a nós. Deus, a grande Luz, "a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo", está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz.

No lº Domingo, há o perdão oferecido a Adão e Eva. Eles morreram na terra, mas viverão em Deus por Jesus Cristo. Sendo Deus, Jesus fez-se filho de Adão para salvar o seu pai terreno. Meditando sobre a chegada de Cristo, que veio no Natal e que vai voltar no final da História, devemos buscar o arrependimento dos nossos pecados e preparar o nosso coração para o encontro com o Senhor. Para isso, nada melhor que uma confissão bem feita. Até quando adiaremos a nossa profunda e sincera conversão para Deus?

No 2º Domingo, meditamos a fé dos Patriarcas. Eles acreditaram no dom da Terra Prometida. Pela fé, superaram todos os obstáculos e tomaram posse das promessas de Deus. É uma oportunidade de meditarmos em nossa fé; nossa opção religiosa por Jesus Cristo; nosso amor e compromisso com a Santa Igreja Católica – instituída por Ele para levar a salvação a todos os homens de todos os tempos. Qual tem sido o meu papel e o meu lugar na Igreja? Tenho sido o missionário que Jesus espera de todo batizado para salvar o mundo?

No 3º Domingo, meditamos a alegria do rei Davi. Ele celebrou a aliança e sua perpetuidade. Davi é o rei imagem de Jesus, unificou o povo judeu sob seu reinado, como Cristo unificará o mundo todo sob seu comando. Cristo é Rei e veio para reinar; mas o Seu Reino não é deste mundo; não se confunde com o “Reino do homem”; o Reino de Cristo começa neste mundo, mas se perpetua na eternidade, na qual devemos ter os olhos fixos, sem tirar os pés da terra.

No 4º Domingo, contemplamos o ensinamento dos Profetas: Eles anunciaram um Reino de paz e de justiça com a vinda do Messias. O Profeta Isaías apresenta o Senhor como o Deus Forte, o Conselheiro Admirável, o Príncipe da Paz. No Reino d'Ele acabarão a guerra e o sofrimento; o boi comerá palha ao lado do leão; a criança de peito poderá colocar a mão na toca da serpente sem mal algum. É o Reino de Deus que o Menino nascido em Belém vem trazer: Reino de Paz, Verdade, Justiça, Liberdade, Amor e Santidade. A Coroa do Advento é o primeiro anúncio do Natal. Ela é da cor verde, que simboliza a esperança e a vida, enfeitada com uma fita vermelha, simbolizando o amor de Deus que nos envolve e também a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.

O Tempo do Advento deve ser uma boa preparação para o Natal, deve ser marcado pela conversão de vida – algo fundamental para todo cristão. É um processo de vital importância no relacionamento do homem com Deus. O grande inimigo disso é a soberba, pois quem se julga justo e mais sábio do que Deus nunca se converterá. Quem se acha sem pecado, não é capaz de perdoar ao próximo, nem pede perdão a Deus. Deus – ensinam os Profetas – não quer a morte do pecador, mas que este se converta e viva. Jesus quer o mesmo: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Por isso Ele chamou os pecadores à conversão: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 4,17); “convertei-vos e crede no Evangelho” ( Mc 1,15). Natal do Senhor, este é o tempo favorável; este é o dia da salvação!


Felipe Aquino