O sentido da vida

O sentido da vida sempre preocupou a humanidade. Por que vivo? Qual a razão da vida? Qual o objetivo de viver? O grande filósofo grego Aristóteles já perguntava: “Por que estamos aqui?”.

Mary Roberts Rinehart disse sobre o sentido da vida: “Um pouco de trabalho, um pouco de sono, um pouco de amor e tudo acabou”. Edmund Cooke afirmou: “Nunca vivemos, mas sempre temos a expectativa da vida”. William Colton: “A alma vive aqui como numa prisão e é liberta apenas pela morte”. Douglas R. Campbell: “Viver é um corredor empoeirado, fechado de ambos os lados”. Antoine de Rivarol: “Viver significa pensar sobre o passado, lamentar sobre o presente e tremer diante do futuro”. Charles Chaplin: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, dance, ria e viva intensamente cada minuto de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. O célebre William Shakespeare: “Viver é uma sombra ambulante”.

Será que todas essas não são afirmações bastante amargas e desanimadoras sobre o sentido da vida? Parece que todos falam apenas de existir e não de viver verdadeiramente.

Nosso Senhor Jesus Cristo tocou no âmago da questão ao afirmar: “Eu sou a Vida” (Jo 14,6). Por isso, o apóstolo São Paulo escreveu sobre o sentido da sua vida: “Portanto, para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21). Por essa razão tamém, o apóstolo São João começou sua primeira epístola com as palavras: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada)” (1 Jo 1,1-2).

Na tormenta da vida muita gente se questiona: “Qual o significado da vida quando ela se torna amarga e cruel?”. Sem Jesus Cristo a vida é efêmera, superficial, marginal, virtual e infernal. A vida sem a fé e a graça de Cristo é toda tomada pelas trevas. O mundo engana a vida com falsos prazeres e o resultado é o máximo do “sucesso vazio” e do “esquecimento”. Tudo se esvai no final como areia entre os dedos. Por isso, dê ouvidos à voz do Senhor Jesus, que resume o sentido da vida numa única frase: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17,3).

O vice-diretor do L’osservatore Romano, Carlo Di Circo, escreve: “O Papa Francisco nos exorta a aprender a discernir os acontecimentos da vida e as respostas mais apropriadas para curar. O Papa Francisco impele a Igreja a respirar o Evangelho, afirmando no serviço pastoral o primado da misericórdia”.

Ensina o Papa Francisco: “Uma bela homilia, uma verdadeira homilia, deve começar com o primeiro anúncio da salvação. Depois, deve fazer-se uma catequese, mas o anúncio do amor salvífico de Deus precede a obrigação moral e religiosa”. “Os ministros da Igreja devem ser misericordiosos. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado”. “Temos necessidades de reconciliação e de comunhão; e a Igreja é uma casa de comunhão” (L’osservatore Romano, 29/09/2013, pp.18,19 e 24).

Realmente, precisamos de sacerdotes que façam o povo encontrar o real e o sagrado sentido da vida no teor de homilias tomadas de paixão, bondade e salvação das almas! O verdadeiro sentido da vida está na misericórdia do Bom Pastor!

Com certeza, o nosso povo quer sacerdotes educados, amorosos, prestativos, mansos, humildes, samaritanos, santos e etnólogos.


Padre Inácio José do Vale

31º Domingo do Tempo Comum

A Palavra que ouvimos na 1ª Leitura divide-se em duas partes:

a)            A primeira é formada pelos versículos 1 a 8 – os eleitos da terra. A destruição e o pânico do sexto selo se detêm. Os ventos que sopram dos quatro ângulos da terra simbolizam as forças destruidoras deste mundo e o anuncio do último dia. Os quatro anjos – seres a serviço de Deus – detêm a destruição. A salvação vem do Oriente, pois no Oriente nasce o sol e é na direção oriental que está o paraíso. A marca ou selo indica a pertença e a proteção. O número dos marcados é simbólico: 12 (perfeição) vezes 12 (doze tribos de Israel) vezes mil (totalidade) – equivale a uma multidão inumerável.

b)      A segunda parte é formada pelos versículos 9 a 17 (a leitura vai até o 14): a sorte dos eleitos no céu. Eles já alcançaram a glória e a vitória simbolizadas pela túnica branca (símbolo da glória celeste) e pelas palmar (símbolo do martírio). Constituem uma multidão inumerável, sem distinção de raças, a qual prorrompe num hino de louvor. Superadas as dificuldades, vivem já sem ansiedade. A salvação ou vitória se deve a Deus e ao Cordeiro; mas este dom ou graça só se realiza com a resposta humana. Tudo isso ocorrerá no futuro.

Aqui está o fundamental da leitura: esta visão do final deve suscitar interesse e entusiasmo para a luta do presente, na qual se consolida a eternidade.

A primeira carta de João apresenta incrível densidade apenas nos três versículos hoje lidos. O Pai nos deu um grande presente de amor: de Cristo, ressuscitado e exaltado aos céus, à direita do Pai. O autor repete: “E nós o somos!” A filiação divina é o fundamento de toda a santidade, pelo Batismo nos tornamos partícipes da santidade de Deus, o único Santo.

Não vivemos sempre como filhos de Deus, ora por nossa culpa, ora porque o mundo não nos conhece, como também não conheceu a Cristo. Mundo significa aqui tudo o que rechaça a salvação de Deus. Vivemos numa situação de gestação, de expectativa. Sem dúvida, semelhante ao agricultor que sabe ter semeado e espera, com impaciência, o dia da colheita, assim nós devemos crer e esperar o dia em que se porá de manifesto o que já somos pela graça de Deus. Quando Jesus se manifestar em toda a sua glória, seremos semelhantes a Ele. O veremos tal como ele é. Toda a visão que temos de Jesus Cristo pela fé limitada e imperfeita. Nossa atual condição não comporta a visão de Deus. Quando, porém, estivermos face a face com Deus, purificados pela esperança o veremos como é de fato.

O Evangelho é a pagina de abertura do grande Sermão da Montanha, que hoje nos apresenta as bem-aventuranças. Uma consideração inicial: as bem-aventuranças não são propriamente um ensinamento de Jesus, mas uma declaração aqui se percebe sua importância.

Na intenção do autor sagrado, o monte não é um acidente geográfico qualquer, mas é imagem do Sinai, o monte por excelência da tradição judaica, onde teve lugar a constituição do povo de Deus. Apresentando Jesus subindo ao monte, Mateus quer significar com isso que com ele vai ter lugar o ato fundacional do novo poço de Deus, tendo Jesus como seu novo Moisés.

É preciso enfatizar que as bem-aventuranças não são princípios abstratos, mas versam sobre situações concretas das pessoas que seguem a Cristo. As primeiras pertencem à pobreza, o pranto ou aflição, a fome e a sede, os maus tratos e a perseguição. Trata-se de situações de sofrimento físico que o membro do povo de Deus se vê obrigado a padecer por causa de sua dedicação à justiça, ou seja, por causa da construção de um novo modelo de sociedade chamado Reino de Deus. Não se deixa vencer por elas, mas as sofre com serenidade. A estes que vivem assim o realismo da vida, Jesus os declara bem-aventurados. Hoje devemos dizer enfaticamente o óbvio: bem-aventurado é sinônimo de feliz e de santo. Temo aqui uma sutileza que não podemos esquecer: o objeto da bem-aventurança de Jesus não são as situações, mas as pessoas que não se deixam derrotar por elas. Assim, o começo do ato de instituição do novo povo de Deus é um canto às pessoas que sofrem por fazer possível o Reino de Deus.

A bem-aventurança que abre o conjunto é a mais lembrada. Jesus chama “pobre” a quem, não tendo nada (sentido social da pobreza) Poe sua confiança em Deus (sentido religioso da pobreza). Ele põe, em primeiro plano, a pobreza real, sem a qual não é possível a pobreza espiritual. A pobreza espiritual não é outra coisa que a radicalização e a interiorização da pobreza real e, de nenhum modo, um pretexto para fazer mais confortável o cristianismo aos que seguem sendo ricos às custas dos pobres.

Conforme os estudiosos da Bíblia, as oito bem-aventuranças tem como chave de interpretação a primeira e a oitava: O Reino dos Céus é prometido aos pobres e aos perseguidos por causa da justiça. Uma nona bem-aventurança, nitidamente diferente dessas oito, desenvolve a oitava e supõe a situação concreta da Igreja primitiva perseguida.


Retirado do Site Presbiteros

02 de Novembro – Dia dos Fiéis Defuntos

Neste dia ressoa em toda a Igreja o conselho de São Paulo para as primeiras comunidades cristãs: “Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros que não tem esperança” ( 1 Tes 4, 13).

Sendo assim, hoje não é dia de tristezas e lamúrias, e sim de transformar nossas saudades, e até as lágrimas, em forças de intercessão pelos fiéis que, se estiverem no Purgatório, contam com nossas orações.

O convite à oração feito por nossa Mãe Igreja fundamenta-se na realidade da “comunhão dos santos”, onde pela solidariedade espiritual dos que estão inseridos no Corpo Místico, pelo Sacramento do Batismo, são oferecidas preces, sacrificios e Missas pelas almas do Purgatório. No Oriente, a Igreja Bizantina fixou um sábado especial para orações pelos defuntos, enquanto no Ocidente as orações pelos defuntos eram quase geral nos mosteiros do século VII; sendo que a partir do Abade de Cluny, Santo Odilon, aos poucos o costume se espalhou para o Cristianismo, até ser tornado oficial e universal para a Igreja, através do Papa Bento XV em 1915, pois visava os mortos da guerra, doentes e pobres.

A Palavra do Senhor confirma esta Tradição pois “santo e piedoso o seu pensamento; e foi essa a razão por que mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem absolvidos de seu pecado” (2 Mc 2, 45). Assim é salutar lembrarmos neste dia, que “a Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados” (Catecismo da Igreja Católica).

Portanto, a alma que morreu na graça e na amizade de Deus, porém necessitando de purificação, assemelha-se a um aventureiro caminhando num deserto sob um sol escaldante, onde o calor é sufocante, com pouca água; porém enxerga para além do deserto, a montanha onde se encontra o tesouro, a montanha onde sopram brisas frescas e onde poderá descansar eternamente; ou seja, “o Céu não tem portas” (Santa Catarina de Gênova), mas sim uma providencial ‘ante-sala’.


“Ó meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem! Amém!”

Que nada nos impeça de praticarmos o amor ao próximo

Não existe dia nem momento que nos impeça de praticarmos o amor ao próximo. Apliquemo-nos a viver isso, pois é algo fundamental na Lei de Deus.

“Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o” (Lc 14,4b).

Meus queridos irmãos e irmãs, iniciando este mês de novembro, quando meditamos sobre a nossa futura vida, a nossa vida eterna junto de Deus, queremos que a Palavra do Senhor penetre o nosso coração e vá, dia a dia, transformando a nossa vida.

Lembramos que a Festa de todos os Santos – que no mundo inteiro é celebrada no dia 1º de novembro – nós a celebraremos, aqui no Brasil, no próximo domingo.

No Evangelho de hoje, quando os fariseus tentam colocar Jesus mais uma vez à prova, perguntando se era permitido ou não fazer uma cura no dia de sábado, Jesus apenas fez silêncio, aproximou-se do hidrópico e o curou.

Jesus mesmo perguntou: “Vocês não fariam um bem ao boi, à vaca, ao porco, ao animal de vocês, se fosse um dia de sábado ou um dia qualquer?”. É como se Ele estivesse nos dizendo que não existe dia para praticar a caridade, não existe momento para salvar o irmão, para estender a mão para quem estiver precisando. Nós não podemos ser escravos da Lei, inclusive a religiosa. Ela deve estar a serviço da vida.

Nós devemos observar os mandamentos do Senhor, cumprir os preceitos da Igreja, ser fiéis aos nossos compromissos, e tudo aquilo que corresponde à nossa vida junta a Deus. Mas nós nunca devemos ter desculpas para praticar a caridade, para cuidar do outro, para atender os necessitados.

Você não pode deixar de cuidar do seu irmão, porque “tem muita coisa na Igreja para fazer”. Às vezes, ter muitos compromissos na Igreja nos tira do compromisso para com o próximo. Muitas vezes, você mulher ou você homem tem tantas reuniões na paróquia, na comunidade, e não tem tempo para seus filhos, para seu marido. Às vezes, o diálogo entre um e outro é tão difícil, porque cada um se ocupa com as outras coisas e não se ocupa com o essencial: o cuidado, o diálogo, a atenção que devemos ter uns para com os outros.

Eu lhe digo que você pode até participar de uma Missa, mas se, naquele momento, aconteceu alguma coisa em que você precisa socorrer alguém, socorra-a! Estenda sua mão, ajude! O que nós não podemos é ser escravos da Lei. Precisamos cumprir os nossos preceitos, mas esses precisam nos ensinar a viver a caridade no sentido mais prático da palavra.

Não existe dia nem momento que nos impeça de praticarmos o amor ao próximo. Apliquemo-nos a viver isso, pois é algo fundamental na Lei de Deus.

Que Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

Nosso Deus é vitorioso!

Nós não somos de esmorecer, porque temos um Deus que nos amou e Ele é vitorioso! Temos confiança plena no amor que o Altíssimo tem por nós.

“Irmãos, se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8,31b).

Hoje nós tomamos posse dessa verdade maravilhosa da Palavra de Deus! Se o Senhor está ao nosso lado, se Ele está a nosso favor, se Ele é a nossa proteção, o nosso refúgio, o nosso socorro, se é no Senhor em quem nós colocamos a nossa confiança, quem é, meus irmãos, que poderá tirar nossa vida?

Quem é que poderá nos separar deste amor maravilhoso que Deus tem por nós? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo e a espada farão isso? Serão os sofrimentos e a falta de amor ao próximo? Será a crise financeira? As decepções da vida? Serão as mágoas, os ressentimentos, o rancor? Não, meus irmãos, nada disso poderá nos separar do amor maravilhoso, que Deus tem por nós, manifestado na cruz de Jesus.

Uma vez que o Sangue de Cristo nos conquistou, uma vez que esse amor maravilhoso foi derramado em nossos corações, nós não podemos nos entregar à fraqueza, de modo a nos sentirmos vencidos, porque o Senhor, por nós, já é vencedor.

Claro que não quero ninguém se iludindo, e Deus não quer ninguém se iludindo, achando que nós não passaremos por aflições, tribulações e dificuldades. A verdade é que passamos por tudo isso, e, algumas vezes, até de forma dobrada, triplicada! Mas nenhuma dessas dificuldades é maior do que o amor de Deus por cada um de nós!

O amor de Deus Pai é maior do que qualquer dor, sofrimento e decepção! Sim, porque, muitas vezes, somos tomados por decepções que nos arrasam e tiram nossa força de viver; e chegamos até a ficar magoados com Deus. Nós nos decepcionamos uns com os outros, nós nos magoamos uns aos outros. Mas nenhuma situação, nem mesmo os nossos pecados ou as nossas fraquezas, quando as entregamos para o Senhor, nem eles podem ser maiores do que o amor que Deus tem por nós.

É por isso que não vamos esmorecer diante de notícias negativas, diante de coisas que vêm contra nós, contra a nossa fé, nossa casa, nossa família! Nós não somos de esmorecer, porque temos um Deus que nos amou e Ele é vitorioso! Temos confiança plena no amor que o Altíssimo tem por nós.

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo

Homens, sejam como São José!

Hoje a Palavra de Deus fala especialmente aos homens. Ela conta o que São José viveu com sua família.

Nós homens, quando vamos viajar, gostamos de nos programar, organizar toda a viagem, mas com José não foi assim. Ele foi acordado no meio da noite pelo anjo, que apareceu a ele em sonho, para lhe dizer que ele teria de se levantar e fugir para o Egito com sua família, pois Herodes queria matar todas as crianças daquela região.

São José não teve tempo de se preparar, ele levantou-se de noite e com sua esposa e seu filho e partiu para o Egito e lá permaneceu até a morte de Herodes. Entendam que esse homem [Herodes] é como se fosse o próprio demônio, cujo desejo é destruir nossas famílias.

E no versículo 18 está escrito: “Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais.”

Hoje, não é mais o choro de Raquel que nós ouvimos, mas o de Maria. Nossa Senhora derrama lágrimas de sangue por cada família que não existe mais.

Quero dizer a você que é pai de família e homem de Deus: nós vivemos o que José viveu na fuga para o Egito, uma luta contra a destruição da nossa família. E hoje, há uma carência muito grande de homens que sejam como o pai adotivo de Jesus, que se levantem para proteger suas famílias.

Nós homens temos o dom e o dever de cuidar do presente que Deus nos deu: a nossa família. Aquela mulher que, um dia, subiu ao altar com você é um dom para sua vida. Os filhos são dons de Deus, presentes d’Ele para você, e a Igreja também ensina que é nosso dever protegê-los.

Se José não tivesse a consciência de que era dever dele proteger a Virgem Maria e o Menino Jesus, ele não teria acatado o pedido do anjo. Ele sabia que precisava cuidar dos dois.

A Igreja também ensina que nós homens devemos viver uma amizade com nossas esposas, cuidar delas como se estivéssemos cuidando do nosso próprio corpo. Tratá-las com ternura e gestos concretos de amor.

Nós precisamos ser homens como São José. Que o Espírito Santo levante muitos homens no dia de hoje, para que saiam desse comodismo e desse orgulho que os têm levado à perdição. Que todos tenham coragem de chegar para suas esposas com um presente, ou de coração sincero, e lhes dizer que elas são importantes e especiais, e lhes pedir perdão.

Homens, o diabo quer destruir nossas famílias! Acordem, peguem suas famílias e saiam das garras do demônio, do pecado! Deus lhes deu um dom, mas também o dever de cuidar dessa família. Cuidar não é só trabalhar, mas também ser de Deus, ser exemplo de amor para seus filhos.

A maior alegria que você pode dar ao seu filho é tratar sua esposa com amor na frente dele. Beije a sua esposa na frente do seu filho, pegue na mão dela, ame-a do jeito que ela é. Isso é casamento. Pare de exigir uma mulher perfeita! Pegue sua família e leve-a para Deus.

Levantem-se, "Josés"! Suas famílias estão sendo perseguidas, correndo o risco de ser destruídas! Que o Espírito Santo possa levantar cada homem para que ele diga: “A minha família não vai ser destruída! Eu vou fugir do pecado, vou levar minha família para o céu, eu agora sou um José!” Contem com a intercessão de São José e comecem, hoje, a amar e a cuidar de suas famílias.

Vou terminar contando uma história. Havia uma carpintaria e lá tinha a assembleia das ferramentas. O martelo queria ser líder desta assembleia, mas disseram que ele não poderia, porque era muito duro, grosso, vivia golpeando e machucando os demais. Então, ele disse que já que não podia, também não queria que o parafuso fosse o líder, porque ele daria muitas voltas e não chegaria a lugar nenhum. O parafuso aceitou, mas disse que a lixa também não podia ser líder, porque ela era áspera e vivia causando atrito. A lixa concordou, mas falou que a trena também não seria, porque ela media todo mundo e achava que só ela era perfeita. E ficou aquela discussão. Aí, chegou o carpinteiro. Ele pegou o martelo, o parafuso, a lixa e a trena; e fez um lindo móvel. Depois que terminou, colocou os objetos de lado e saiu. Então, o serrote, que viu tudo de um canto, afirmou: “Vocês ficam aí, olhando só os defeitos uns dos outros, o carpinteiro veio aqui e pegou o que cada um tem de melhor, para fazer esse lindo móvel.”

O "Carpinteiro de Nazaré", que é Jesus Cristo, hoje apresenta o carpinteiro José, que pode ajudá-lo. Peça a intercessão dele, peça para ser ferramenta nas mãos de Deus, para que Ele use os seus talentos.

Você é um homem bom, só está desorientado. Volta para casa e para sua família! Deixe esse pecado de lado, peça perdão, recomece, pare de brigar, dialogue com sua esposa, ame-a na frente dos filhos, cuide do que Deus lhe deu.

Que hoje se levante uma geração de homens como São José, homens de Deus, virtuosos, corajosos, que fogem do pecado e da tentação; e que vão para o "Egito" de hoje, isto é, para a Igreja, que é lugar de refúgio, e que levem suas famílias consigo.

Alexandre Oliveira

Membro da Comunidade Canção Nova

Fecundidade

"Deus disse: 'Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todos os animais selvagens e todos os animais que se movem pelo chão'. Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: 'Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem pelo chão'. Deus disse: 'Eis que vos dou, sobre toda a terra, todas as plantas que dão semente e todas as árvores que produzem seu fruto com sua semente, para vos servirem de alimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todos os animais que se movem pelo chão, eu lhes dou todos os vegetais para alimento'... E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom" (Gn 1, 26-30).

Fecunda há de ser a vida humana nesta terra, fecunda, esperamos, seja a própria terra, portadora de vida e de alegria. Grávidas de realização e felicidade sejam todas as nossas atitudes e nossos gestos.

E por que muitas vezes nossos atos carecem da desejada fecundidade, com a qual esperávamos frutos e consequências para o nosso bem e o bem dos outros? A esterilidade de palavras e ações nos assusta e, ao mesmo tempo, nos provoca. Parece que não aprendemos com a própria terra, cujo húmus é matéria orgânica depositada no solo, resultante de decomposição de animais e plantas com a consequente liberação de nutrientes. Só pelo caminho da humildade se desencadeia o processo para a multiplicação de frutos na vida humana, tanto que a corrida desleal entre as pessoas ou grupos, quando se atropelam mutuamente, suscita a terrível sensação de tristeza e falta de sentido, infelizmente comum entre nós.

Quando nos deparamos com a Sagrada Escritura, não é difícil perceber que ela pretende nos persuadir do bem da humildade e nos afastar do mal do orgulho. Jesus pronunciou estas palavras: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos" (Mt 11,25). Ele próprio não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. Humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz! Por isso, Deus O exaltou acima de tudo e Lhe deu o Nome, que está acima de todo nome, para que, ao Nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor (Cf. Fl 2, 6-11). E São Paulo introduz este belíssimo hino com palavras fortes: "Haja entre vós o mesmo sentir e pensar que no Cristo Jesus" (Fl 2,5).

Na Parábola do Fariseu e do Publicano, o Senhor nos abre a compreensão dos frutos da humildade e da simplicidade de vida, expressos nada menos do que na vida e na oração de um pecador público, traidor de seus irmãos. No entanto, justamente pelo caminho do reconhecimento da própria fraqueza é que nasce a experiência da felicidade experimentada (Cf. Lc 18, 9-14). A virtude da humildade se expressa na verdade do confronto entre o ser humano, com suas fragilidades e limites, colocado diante do próprio Deus, que não o esmaga nem o destrói, mas o eleva. A iniciativa do amor vem de Deus, que dá o primeiro passo, ao criar-nos e enviar Seu Filho para nossa salvação. Deus não exige primeiro, mas se entrega e assim provoca a resposta.

Diante de Deus, a sinceridade da oração suscitará, em primeiro lugar, a gratidão e o reconhecimento pelas Suas obras. Olhar ao nosso redor para perceber que recebemos muito mais do que merecemos ou pedimos. Depois, ao confrontar-se com Deus, cada pessoa descobrirá a distância entre o que recebeu e o que efetivamente correspondeu! O publicano da parábola evangélica "ficou à distância e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!" (Lc 18, 13).

Mas a humildade não para no reconhecimento das limitações. Quem se reconhece pequeno diante de Deus dá logo o salto para a gratidão! "A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz" (Lc 1,47-48). O humilde é agradecido, livre, não cultiva traumas ou complexos, mas se eleva pela capacidade de louvar e agradecer!

Diante do próximo, a humildade é capaz de admirar, sem ciúme ou inveja, o bem que existe no outro. Antes, é capaz de superar a percepção de seus erros e limites, aprende a defender e ajudar as pessoas a crescerem. Vale a recomendação da Carta aos Hebreus: "Estejamos atentos uns aos outros, para nos incentivar ao amor fraterno e às boas obras. Não abandonemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos mutuamente – tanto mais que vedes o dia aproximar-se" (Hb 10, 24-25). Chega-se inclusive a gestos verdadeiramente fecundos: "Nada façais por ambição ou vanglória, mas, com humildade, cada um considere os outros como superiores a si e não cuide somente do que é seu, mas também do que é dos outros" (Fl 2, 3-14).

A prática da humildade pede que não sejamos maiores nem menores do que somos, mas do tamanho que somos! Vale a recomendação da Escritura: "Na medida em que fores grande, humilha-te em tudo e assim encontrarás graça diante de Deus. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios. Pois grande é o poder só de Deus, e pelos humildes ele é honrado. Não procures o que é mais alto do que tu nem investigues o que é mais forte; pensa sempre no que Deus te ordenou e não sejas curioso acerca de suas muitas obras" (Eclo 3, 20-22). Só a prática cotidiana da escuta de Deus e o discernimento de sua vontade nos conduzirá a tal equilíbrio! Para tanto, há que suplicar: "Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis".

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo de Belém - PA

30º Domingo do Tempo Comum

Na 1ª leitura, Deus é um juiz justo, que não faz acepção de pessoas e ouve sempre a oração de seus prediletos, representados aqui pelo pobre, órfão e viúva.

A 2ª leitura apresenta o testemunho de Paulo, no fim de sua missão apostólica: Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.

No Evangelho, a parábola do fariseu e do publicano é uma lição exemplar, para os que confiam na própria justiça e desprezam os outros. As pessoas subiam ao templo para as orações e as oferendas, que começavam com a ação de graças pelos benefícios recebidos de Deus. Mas o fariseu, seguidor rigoroso da Lei, agradece sua própria bondade e espera a salvação como recompensa pelas obras realizadas. Revela também uma atitude de juiz diante do publicano, direito reservado a Deus. O publicano, desprezado por ser cobrador de impostos para o império romano, reconhece a necessidade da misericórdia de Deus. Bate no peito em sinal de arrependimento e conversão e implora a compaixão de Deus. Sua oração autêntica mostra que o sacrifício agradável a Deus é um coração contrito, renovado pela graça. Jesus, que veio manifestar o rosto misericordioso do Pai aos pequenos e excluídos, declara: Este último voltou para casa justificado, pois quem se humilha será exaltado.


Revista de Liturgia

29º Domingo do Tempo Comum

A 1ª leitura mostra que Deus liberta o povo através da ação humana. Enquanto Moisés mantinha as mãos levantadas, implorando o auxílio divino, os hebreus superavam os obstáculos da caminhada pelo deserto.

A 2ª leitura ensina a buscar o sustento da fé na fonte da verdade, que é a palavra de Deus na Escritura Sagrada.

A parábola do juiz e da viúva é introduzida com o apelo para orar sempre, sem jamais esmorecer. A viúva indefesa denuncia o adversário injusto e persevera na busca por justiça. Sua figura iluminava a missão das comunidades primitivas, diante da realidade hostil e opressora. O juiz não temia a Deus, nem respeitava o ser humano. Assim, deixava de socorrer o oprimido, de fazer justiça ao órfão, de defender a viúva. Mas, diante da insistência da pobre viúva, fez-lhe justiça. A atitude do juiz iníquo ilustra o ensinamento de Jesus: E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam por ele? O Senhor, título atribuído a Jesus após a ressurreição, consola os discípulos com a certeza que Deus fará justiça bem depressa, pois ele é rico em misericórdia. O Pai escuta o clamor dos filhos oprimidos e torna-se seu Defensor e Libertador. O exemplo de Cristo, o Filho do Homem glorificado por sua fidelidade ao plano de salvação, anima seus seguidores a permanecer vigilantes na fé e oração, fiéis ao seu projeto até a sua vinda.

Revista de Liturgia

Ser grato é ser fraterno

Convivemos, dentro do clima da pós-modenidade, com a esfera do individualismo e com o sistema de egocentrismo muito aguçado, que têm como fonte de sustentação o mito do bem-estar. Isso vem acontecendo na realidade de endeusamento e idolatria do mercado e do consumo, dificultando a essencial prática da gratidão.

Temos muitos gestos evidentes de gratidão. Um deles está nos presentes que oferecemos aos amigos em diversas ocasiões. Mas não basta somente isso se não valorizamos a pessoa na sua identidade, reconhecendo nela o bem que faz, sendo até merecedora do gesto de gratidão. Agradecer é confiar sem ficar exigindo troca.

Às vezes agradecemos um estrangeiro com mais frequência e facilidade do que a quem está sempre conosco. Na convivência achamos ser um direito o que o outro faz por nós e não nos preocupamos com o ato da gratidão. Isso pode ter a conotação de não valorizar o que recebemos de quem convive conosco todo dia.

A Bíblia fala de dez leprosos que ficaram curados (cf. Lc 17,11-19). Apenas um, que era estrangeiro, voltou para agradecer. Isso foi causa de crítica de Jesus, porque demonstraram atitude de ingratidão, de fechamento em si mesmos. Podemos até concluir que a ingratidão coincide um pouco com a injustiça e o não reconhecimento do valor de quem nos faz o bem.

Louvor, graça, gratidão, gratuidade e agradecimento são palavras-chave, que ajudam no relacionamento comunitário. Há o perigo de sermos mais propensos a pedir do que a agradecer. Pior ainda é quando queremos levar vantagem em tudo, tendo atitude de exploração e de injustiça com o outro. Ser grato é ser fraterno e capaz de ajudar na boa convivência.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba (MG)