O que a Independência do Brasil diz ao coração do cristão?

O grito do Ipiranga, desde a tarde do dia 7 de setembro de 1822, ecoa até hoje no coração de todos os brasileiros: “Indepedência ou morte!”. Naquele contexto de um Brasil Colônia, a atitude do Imperador Dom Pedro I expressou o que ia no coração de todos os brasileiros: o desejo de ser uma nação soberana.

É de se perguntar se a proclamação simbólica da independência realizou, de fato, esse sonho de soberania, uma vez que as elites rurais permaneceram com seus privilégios políticos e focadas na exportação da matéria-prima nacional; a escravidão foi mantida e mantidos foram também os latifúndios e o modelo de governo monárquico. Estranhamente, o Brasil indenizou Portugal pela sua independência pagando 2 milhões de libras esterlinas, começando, ali, a dívida externa brasileira com a Grã-Bretanha que emprestou o dinheiro. Será que foi independência ou morte?

Esses fatos que recordamos, todos os anos, na data cívica de sete de setembro, tem algum significado ao coração do cristão? Encontramos a resposta no Compêndio de Doutrina Social da Igreja da Católica, nos números 421-427, os quais tratam do “Estado e as Comunidades Religiosas”. O assunto é muito atual, pois, na defesa de um Estado Laico, alguns imaginam que se deveria limitar a liberdade religiosa que permite aos cristãos, por exemplo, engajar-se no mundo da política. Segundo a Doutrina Social da Igreja (DSI) esta liberdade religiosa é um direito fundamental.

Então, qual seria a relação saudável entre a Igreja Católica e a comunidade política? A DSI indica dois princípios. O primeiro é, justamente, o da “autonomia e independência”. A Igreja e o Estado são estruturas visíveis, mas independentes. Enquanto Igreja está organizada para atender os fins espirituais dos fiéis, o Estado tem como finalidade cuidar e prover o bem comum temporal.

O segundo princípio é o da “colaboração”. Igreja e Estado são independentes, mas não separados. A sadia colaboração entre eles será benéfica para o povo. Atenção: quando a DSI fala que a missão específica da Igreja é o bem espiritual das pessoas, não exclui as outras dimensões da vida, pois sua missão abraça toda a realidade humana. Nesse sentido, vale a pena transcrever o número 426 do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que é muito claro: “A Igreja, portanto, pede: liberdade de expressão, de ensino, de evangelização; liberdade de manifestar o culto em público; liberdade de organizar-se e ter regulamentos internos próprios; liberdade de escolha, de educação, de nomeação e transferência dos próprios ministros; liberdade de construir edifícios religiosos; liberdade de adquirir e de possuir bens adequados à própria atividade; liberdade de associar-se para fins não só religiosos, mas também educativos, culturais, sanitários e caritativos.”

Quem sabe possamos corrigir o grito do Ipiranga. Não se trata de “independência ou morte”, mas “independência e colaboração”. É assim que construiremos uma nação, na qual reine a justiça social. E enquanto ainda existir focos de dependência e exclusão, somos chamados a promover a solidariedade com todos os que estão na periferia da história, como sempre nos lembra o Papa Francisco: “Não podemos dormir tranquilos enquanto crianças passam fome”.


Padre Joãozinho, SCJ

22º Domingo do Tempo Comum

A liturgia deste domingo propõe-nos uma reflexão sobre alguns valores que acompanham o desafio do “Reino”: a humildade, a gratuidade, o amor desinteressado.

Na 1ª Leitura, um sábio dos inícios do séc. II a.C. aconselha a humildade como caminho para ser agradável a Deus e aos homens, para ter êxito e ser feliz. É a reiteração da mensagem fundamental que a Palavra de Deus hoje nos apresenta.

A 2ª Leitura convida os crentes instalados numa fé cómoda e sem grandes exigências, a redescobrir a novidade e a exigência do cristianismo; insiste em que o encontro com Deus é uma experiência de comunhão, de proximidade, de amor, de intimidade, que dá sentido à caminhada do cristão. Aparentemente, esta questão não tem muito a ver com o tema principal da liturgia deste domingo; no entanto, podemos ligar a reflexão desta leitura com o tema central da liturgia de hoje – a humildade, a gratuidade, o amor desinteressado – através do tema da exigência: a vida cristã – essa vida que brota do encontro com o amor de Deus – é uma vida que exige de nós determinados valores e atitudes, entre os quais avultam a humildade, a simplicidade, o amor que se faz dom.

O Evangelho coloca-nos no ambiente de um banquete em casa de um fariseu. O enquadramento é o pretexto para Jesus falar do “banquete do Reino”. A todos os que quiserem participar desse “banquete”, Ele recomenda a humildade; ao mesmo tempo, denuncia a atitude daqueles que conduzem as suas vidas numa lógica de ambição, de luta pelo poder e pelo reconhecimento, de superioridade em relação aos outros… Jesus sugere, também, que para o “banquete do Reino” todos os homens são convidados; e que a gratuidade e o amor desinteressado devem caracterizar as relações estabelecidas entre todos os participantes do “banquete”.


Conferência Episcopal Portuguesa

28 de Agosto - Dia de Santo Agostinho

Celebramos neste dia a memória do grande Bispo e Doutor da Igreja que nos enche de alegria, pois com a Graça de Deus tornou-se modelo de cristão para todos. Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África, em 354, filho de Patrício (convertido) e da cristã Santa Mônica, a qual rezou durante 33 anos para que o filho fosse de Deus.

Aconteceu que Agostinho era de grande capacidade intelectual, profundo, porém, preferiu saciar seu coração e procurar suas respostas existentes tanto nas paixões, como nas diversas correntes filosóficas, por isso tornou-se membro da seita dos maniqueus.

Com a morte do pai, Agostinho procurou se aprofundar nos estudos, principalmente na arte da retórica. Sendo assim, depois de passar em Roma, tornou-se professor em Milão, onde envolvido pela intercessão de Santa Mônica, acabou frequentando, por causa da oratória, os profundos e famosos Sermões de Santo Ambrósio. Até que por meio da Palavra anunciada, a Verdade começou a mudar sua vida.

O seu processo de conversão recebeu um “empurrão” quando, na luta contra os desejos da carne, acolheu o convite: “Toma e lê”, e assim encontrou na Palavra de Deus (Romanos 13, 13ss) a força para a decisão por Jesus:“…revesti-vos do Senhor Jesus Cristo…não vos abandoneis às preocupações da carne para lhe satisfazerdes as concupiscências”.

Santo Agostinho, que entrou no Céu com 76 anos de idade (no ano 430), converteu-se com 33 anos, quando foi catequizado e batizado por Santo Ambrósio. Depois de “perder” sua mãe, voltou para a África, onde fundou uma comunidade cristã ocupada na oração, estudo da Palavra e caridade. Isto, até ser ordenado Sacerdote e Bispo de Hipona, santo, sábio, apologista e fecundo filósofo e teólogo da Graça e da Verdade.


Santo Agostinho, rogai por nós!

Guarde os preceitos de Deus

Meu filho e minha filha, não se esqueçam da Palavra de Deus que foi colocada em seu coração, na Santa Missa, pela Sagrada Escritura. Não se esqueçam daquela Palavra que veio a vocês como uma resposta nem dos mandamentos que vocês aprenderam desde criança. “Não se esqueçam da minha instrução e o seu coração guarde os meus preceitos, pois são eles que trarão a você dias duradouros e muitos anos de vida e de paz.”

Quando você se torna sensível à Palavra de Deus e à moção do Espírito, guarda no coração as Suas vontades e passa a amá-las. O próprio Senhor, por meio da Sua inspiração, faz você querer o que Ele quer, isso preserva a sua vida e assegura a sua felicidade.

Tudo o que Deus quer para nós é bom. A vontade d’Ele é a melhor coisa que pode acontecer na nossa vida. E, quando um preceito d’Ele chega até nós, é para preservar a nossa vida e nos fazer feliz.

Na vontade do Senhor não existe maldade ou indiferença. É na ausência d’Ele que a maldade se manifesta. Por isso, a Palavra diz: “Que o amor e a fidelidade não o abandonem”. Abra o coração para a bondade e seja fiel a Deus, quem é do Senhor faz sempre o bem, a começar com os seus.

A pessoa bondosa é gentil, carinhosa, paciente, participativa, ajuda o outro nos seus afazeres, tem disposição para perdoar, para cuidar de quem precisa. Ela mostra nos pequenos gestos que o seu coração está tomado por uma força divina que verdadeiramente transforma.

Essa bondade precisa ser tão sentida quanto realizada. Por isso, a Palavra diz: “Que o amor e a fidelidade não abandonem você. Amarre-os ao redor do seu pescoço e escreva-os na tábua do seu coração”. Amarrar a bondade no pescoço significa deixar-se conduzir por ela por onde você for e deixá-la repousar sobre o coração.

A recompensa por ser bondoso é a alegria em praticar o bem. Mas o Espírito Santo lhe garante mais. Ele garante que se você praticar o bem, alcançará a graça e o bom sucesso diante de Deus e dos outros.

Aquele que age com fidelidade e bondade será favorecido por Deus e pelas pessoas à sua volta. Por praticar o bem, a pessoa desperta no outro a vontade de retribuir esse bem e receber do Senhor ajuda e proteção.

Às vezes, você usa tantos artifícios para afastar-se do mal, mas o que realmente afasta o mal de você é o temor do Senhor. Temor é respeito, disposição para obedecer ao que Deus coloca no seu coração.

Se você estiver com Deus, o Espírito Santo vai lhe dar capacidade de depositar toda confiança no Senhor. Mesmo que você não confie em si mesmo, confie em Deus, pois Ele confia em você e sabe a capacidade que tem para experimentar esse amor que vem pela bondade.

Pense no Senhor em todos os seus caminhos e Ele conduzirá seus passos. Com Deus é mais fácil e tudo se torna possível. Nada traz mais saúde para o corpo do que aceitar viver a vida com amor, ser bom e fazer o bem.

É sobre os seus ossos que recaem o peso do dia a dia, mas a Palavra garante que o Espírito Santo vai tirar de cima de você essa sobrecarga, colocando, no seu coração, os preceitos e a instrução de Deus, guiando seus passos no caminho da verdade. A recompensa será consequência da bondade e da fidelidade ao Senhor. Bendito seja Deus por essa Palavra.

Márcio Mendes

Membro da Comunidade Canção Nova

21º Domingo do Tempo Comum

Na 1ª leitura, a mensagem profética, após o exílio babilônico, impulsiona a participação dos povos na formação da nova comunidade. A glória de Deus se manifesta em todas as nações, que sobem a Jerusalém para celebrar o culto com gratidão.

A 2ª leitura ensina a acolher o sofrimento como pedagogia de Deus, pois ele corrige a quem ama. O Senhor, como um bom pai, educa para a vida e pelo caminho reto.

No Evangelho, Jesus segue o caminho para Jerusalém. Enquanto visita cidades e povoados ensinando, é interpelado pela questão: São poucos os que se salvam? Ele, porém, revela o Pai que oferece a salvação a todas as pessoas, não apenas a um número restrito. Seu ensinamento leva à conversão e ao empenho de viver a caridade, a fim de entrar pela porta estreita. Com uma parábola (13,25-29) mostra o Reino de Deus como um grande banquete, oferecido a todos os povos. Só não participa da festa do Reino quem se fecha na auto-suficiência e nos presumidos privilégios étnicos, culturais ou religiosos. Os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e os profetas participam do banquete escatológico como modelos de fidelidade a Deus. O chamado à salvação é dirigido a todos os povos da terra: Virão muitos do oriente e do ocidente, do norte e do sul e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. O dom gratuito da salvação, revelado em Cristo, inclui os gentios excluídos: os últimos serão os primeiros.


Revista de Liturgia

Tenhamos o Céu como meta

O combate da oração é a vida do cristão, pois nossa vida é uma luta diária. Para chegarmos ao Reino dos Céus precisamos ser valentes guerreiros. Sabemos que o combate não é fácil, no mundo como diz São Paulo, haverá tribulações, mas coragem!

A casa que nós precisamos ser deve ser morada de Deus. Devemos afirmar que precisamos ser lugar de oração, como templos do Espírito Santo, ser um lugar de oração. Como família, sabemos que até mesmo Ele quis uma família, e é por isso que a família está sendo tão atacada pelo mundo. Irmãos, precisamos ter famílias que desejem o Céu!

A parábola do evangelho, nos recorda a pessoa que vendeu tudo para comprar aquela pérola, que lhe perguntar, o que você tem feito para desejar o Céu. Não podemos viver num faz de conta, vivamos para a eternidade. Como está o seu desejo de Céu?

Peçamos ao Senhor, que não tire de nós o desejo de Céu, e não trata-se de uma luta fácil, mas é uma luta árdua. Sejamos como guerreiros, revestidos pelo poder de Deus, lutemos por aquelo pelo quando fomos feitos. Já temos a vitória pelo morte de Cristo, mas somente se lutarmos contra as coisas do mundo, alcançaremos em plenitude o Céu.

Estamos nesse mundo de forma passageira, e o “estar” é uma forma passageiros “somos” feitos para o Céu. “Sois a luz do mundo”, esta é a nossa missão, devemos trilhar um caminho de santidade. Você já imaginou uma imagem de você como santo? Isso não é prepotência, mas assumir a nossa vocação: sermos santos!

Você tem reservados momentos em sua vida para a oração pessoal? É oração que nos dá coragem para enfrentar as dificuldades que nos são apresentadas todos os dias. Precisamos crer naquilo que rezamos: “tudo posso naquele que fortalece”. O que determina a busca do Céu, é o desejo de ir até ele, mas também levar aqueles que estão conosco a este mesmo desejo.

Não se deixe levar pelas tribulações deste mundo tenebroso, e como vencer? Sendo homens e mulheres que lutam pelo Céu. Todos nós passamos por dificuldades, mas coloque no Senhor a sua confiança. Levantemos um povo que acredita em Deus e que coloca prática os seus preceitos.

Mesmo em meio as tribulações, confiemos no Senhor e entregue-se nas mãos dele, Ele é o mesmo de ontem, de hoje e de sempre. Se Ele ainda não tem feito o que você pediu, Saiba que ele não está demorando, mas está caprichando na promessa que tem para a sua vida. Lembre-se que toda a promessa passa pela prova do tempo. Se o Senhor lhe prometeu, Ele cumprirá. O diabo quer famílias descrentes. Assuma portanto, um tempo novo em sua vida, com desejo de santidade.

Meu irmão e minha irmã, não é fácil ir entrar no Céu, mas chegar até lá depende de mim e de você! Só depende da sua disposição e disciplina para chegar até lá. Largue tudo e traga sua vocação primária que é a santidade.


Padre Bruno

Nossa Senhora Rainha

Instituída pelo Papa Pio XII, celebramos hoje a Memória de Nossa Senhora Rainha, que visa louvar o Filho, pois já dizia o Cardeal Suenens: “Toda devoção a Maria termina em Jesus, tal como o rio que se lança ao mar”.

Paralela ao reconhecimento do Cristo Rei encontramos a realeza da Virgem a qual foi Assunta ao Céu. Mãe da Cabeça, dos membros do Corpo místico e Mãe da Igreja; Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação: “É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” (Santo Anselmo).

Nossa Senhora Rainha, desde a Encarnação do Filho de Deus, buscou participar dos Mistérios de sua vida como discípula, porém sem nunca renunciar sua maternidade divina, por isso o evangelista São Lucas a identifica entre os primeiros cristãos: “Maria, a mãe de Jesus” (Atos 1,14). Diante desta doce realidade de se ter uma Rainha no Céu que influencia a Terra, podemos com toda a Igreja saudá-la: “Salve Rainha” e repetir com o Papa Pio XII que instituiu e escreveu a Carta Encíclica Ad Caeli Reginam (à Rainha do Céu): “A Jesus por Maria. Não há outro caminho”.


Nossa Senhora Rainha, rogai por nós!

Vocação à Família

Vocação é um chamado. Exige uma resposta. Na vida cristã, a vocação à família é um dom inestimável. A família é o berço de todas as outras vocações. A família é o lugar onde se desenvolvem nos seres humanos os seus relacionamentos mais significativos e especiais. É instituição divina desde a criação do mundo. "Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois já não serão mais duas, mas uma só carne". A união entre o homem e a mulher é fundamental e querida por Deus. Os filhos são a bênção do casamento, que trás em seu bojo os sinais da fidelidade, da fecundidade e da eternidade.

Os sagrados laços do matrimônio despertam no homem e na mulher a vocação ao amor, dada por Deus mesmo a todo ser humano. Ele que é amor nos mandou amar como Ele mesmo. Criados à sua imagem e semelhança não poderia, de fato, ser diferente. O parágrafo 1604 do Catecismo da Igreja Católica chama nossa atenção para este dado importante do amor: "Deus que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata do ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do criador, que é amor. E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: "Deus os abençoou e disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28)".

Que o homem e a mulher foram criados um para o outro não se discute. Assim é afirmado na Sagrada Escritura: "não é bom que o homem esteja só". Daí o Senhor lhe faz uma companheira semelhante: "carne de sua carne, ossos de seus ossos".

O matrimônio é a caracterização do início de uma nova família. Já não são mais dois, mas uma só carne. Além de ser uma instituição divina é também de índole natural. A união entre o homem e a mulher garante as gerações da prole ao longo dos anos. O Matrimônio é, portanto, uma aliança onde homem e mulher se unem pela vida toda, tendo em vista o bem de ambos e a geração e educação dos filhos. Foi o próprio Jesus que elevou esta união à dignidade de sacramento.

Muitas ameaças do mundo moderno hoje colocam em questão o verdadeiro sentido do matrimônio. Precisamos sempre mais resgatar o valor da família. O Beato Papa João Paulo II chama a família de "santuário da vida". Ao longo de todos os séculos a Igreja sempre trabalhou e zelou pela promoção da família e de seus valores. Afinal, ela tem consciência de que esta é de fundamental importância para o bem-estar de toda a humanidade. Quanto mais nossas famílias se estruturarem devidamente e sobre os alicerces da fé e da verdade, mais o mundo tomará consciência de sua verdadeira identidade e missão. O Concílio Vaticano II, no documento Gaudium et spes, ressalta que "a salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar".

A família é a vocação natural dos seres humanos. As demais vocações são específicas e especiais e não poderiam existir não fossem famílias generosas a oferecer seus membros em vista de um bem comum. A família não exprime sua importância apenas entre seus membros, mas suas atitudes refletem sobre a sociedade como um todo, sem dúvida. Daí a afirmação do Concílio da necessidade da família na salvação de toda a humanidade.

No sacramento do matrimônio os noivos se aceitam um ao outro, unindo-se à oferenda de Cristo à sua Igreja. Assim como Cristo amou a Igreja, os cônjuges devem se amar também. São os esposos que se conferem mutuamente o sacramento, expressando diante de toda a Igreja ali reunida o seu consentimento. O sacerdote testemunha o consentimento que é dado um ao outro. A bênção sacramental é importante na celebração. O Catecismo da Igreja Católica no §1624 ressalta este aspecto de modo claríssimo: "as diversas liturgias são ricas em orações de bênção sobre o novo casal, especialmente sobre a esposa. Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja. É ele o selo de sua aliança, a fonte que incessantemente oferece seu amor, a força em que se renovará a fidelidade dos esposos. Toda esta configuração do sacramento está para confirmar e ressaltar que o matrimônio não é uma celebração exclusiva ou particular, mas um ato eclesial: isto se manifesta claramente na presença do ministro da Igreja, bem como dos presentes, as testemunhas. O casamento é um ato litúrgico, cria direitos e deveres na Igreja, entre esposos e filhos; é um estado de vida na comunidade de fé e sua celebração tem caráter público.

Uma vez que os noivos se deram em casamento está constituída a nova família. Os filhos são frutos desse amor. O sacramento é o selo de Deus na vida do casal. Jamais pode ser dissolvido. Uma especial graça concedida ao casal é a graça que é o próprio Cristo: na união conjugal um deve ajudar o outro a se santificar, estando sempre unidos um ao outro e na aceitação e educação dos filhos. O amor que os une deve ser delicado e fecundo, sincero e firmado no temor de Deus.

O amor conjugal exige a indissolubilidade, a fidelidade e a fecundidade. Sinaliza o amor de Cristo com sua Igreja. Este amor é indissolúvel, pois nada pode romper, nenhuma miséria humana e nenhuma outra situação seria capaz de dissolver este amor; é fiel, porque dura de geração em geração, mesmo se a humanidade, no mal uso de sua liberdade, afastar-se de Deus e de seus santos ensinamentos; e fecundo, porque, como na vida do casal os filhos são frutos do seu amor, na Igreja, Cristo oferece a vida aos que renasceram na água do batismo e com ele foram sepultados e irromperam tão logo vitoriosos e ressuscitados.

Jesus nasceu em uma família: a sagrada família de Nazaré. Filho de Maria e José. A igreja é a família de Deus. Nela todos são chamados a servir ao Deus vivo e verdadeiro: "Crê no Senhor Jesus e serão salvos tu e os de tua família". Nosso tempo urge que as famílias se convertam na fé e animem o mundo com a força que vem do próprio Deus. Ainda o Catecismo da Igreja Católica, no § 1656, ressalta esta necessidade: "Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial como lares de fé viva e radiante. Por isso, o Concílio Vaticano II chama a família usando uma expressão antiga, de "igreja doméstica". É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e exemplo, os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada".

O lar da família é o espaço privilegiado da educação, do cuidado e da ternura; é a escola da vida e da fé. Os pais são, portanto, o primeiro catequista de seus filhos. Cabe-lhes introduzir sua prole no caminho cristão e acompanhar todo o seu desenvolvimento nas diversas etapas do caminho da fé. É lá, também, o celeiro de vocações e de um suficiente e necessário desenvolvimento e enriquecimento da pessoa humana. As melhores e mais importantes lições vêm de casa. Ninguém deve estar privado da família. Assim também nossas igrejas, comunidades paroquiais devem ser casa e família para todos, especialmente para os mais cansados, excluídos e enfraquecidos. Seguindo a orientação de São Paulo, na carta aos Efésios, que os maridos amem suas esposas como Cristo amou a Igreja. Grandioso mistério de amor de um Deus que se revela e se deixa conhecer.

“Que a família comece e termine sabendo onde vai, que o homem carregue nos ombros a graça de um pai; que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor e que os filhos conheçam a força que brota do amor” (Pe. Zezinho)!

Orani João Tempesta
Retirado do Site da Comunidade Shalom


A força que nos falta!

Muitas vezes, olhamos para nós mesmos e, diante de tantas lutas que vivemos a cada dia, percebemo-nos fracos, desfalecidos e sem forças. O mundo tenta nos arrastar com uma avalanche de más notícias, de más ações, de decisões que nos apontam um futuro incerto e fora da vontade de Deus. Nós lutamos, tentamos resistir e nadar contra a maré, mas nos cansamos, nos questionamos e, por vezes, queremos desistir e nos deixar levar. Falta-nos força. Falta-nos a Força!

Depois da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a alegria voltou ao coração dos discípulos, mas, mesmo vendo Aquele a quem eles amavam vivo entre eles, ainda não tinham forças suficientes para enfrentar o mundo do lado de fora daquelas portas fechadas do Cenáculo. Faltava-lhes a Força!

Pode ser que – como os discípulos – você já tenha se encontrado com Jesus e, realmente, experimentado a alegria do Ressuscitado, que foi capaz de lhe devolver a alegria e seus sonhos perdidos. Ou talvez você ainda esteja fechado em suas frustrações e amarguras, sem esperança, sem alegria, desejando a morte a cada dia.

De qualquer forma, quando você olha para o mundo que o espera lá fora, treme e tranca as portas do seu coração com medo de perder tudo o que recebeu. Os discípulos de Jesus, os mais próximos d'Ele, aqueles que conviveram com Ele, também passaram por isso.

No entanto, uma promessa nos foi feita: “[...] recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós” (At 1,8). Jesus fez essa promessa não somente aos Seus discípulos, mas a cada um de nós. O Senhor sabia que sozinhos não conseguiríamos enfrentar o mundo, pois é natural do ser humano temer o que lhe parece muito grande. Por isso era necessária uma força sobrenatural para além do que é natural em nós. Era necessário para nós o batismo no Espírito Santo: “[...] Vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo” (At 1,5).

O Espírito é a força do Alto, o poder do Senhor, o Amor de Pai por cada um de nós, derramado de forma abundante sobre todos aqueles que pedem, suplicam, imploram e clamam a Ele essa graça. Jesus nos prometeu esse dom. Mais do que isso, Ele afirmou que o Espírito Santo nunca nos seria negado se O pedíssemos. “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” (Lc 11,13). Cristo não disse que o Pai “poderia” nos dar essa graça. Não! Ele disse que o Senhor dará o Espírito a quem Lhe pedir.

Ser batizado no Espírito Santo é mergulhar inteiramente no Amor de Deus e nele viver, mover-se e existir (cf. At 17, 28). Somos tomados inteiramente pela ação da Força de Deus que nos impulsiona, nos dá coragem e todas as armas necessárias para enfrentarmos as batalhas do mundo; acima de tudo, dá-nos a certeza de que somos amados, que temos um Pai que cuida de nós e, por isso, não há o que temer.  Mas o que precisamos fazer para receber o batismo no Espírito Santo? Só duas coisas são necessárias: desejar isso de todo o coração e clamar que o Senhor renove, pela força do Amor, do Espírito Santo, o nosso coração e toda a nossa vida.

Deseje, peça, clame, suplique e Deus lhe responderá com a força do Alto, com uma total renovação de vida. Agora, cuidado! Ao pedir o batismo no Espírito Santo você correrá risco de vida. Sim! Risco certo de morrer para uma vida velha e receber de Deus uma vida nova em Seu Espírito!

Somos fracos e reconhecemos isso, por essa razão clamamos a Deus que nos dê Seu Espírito Santo, pois só o Paráclito é capaz de nos dar a coragem para enfrentarmos esse mundo sem medo e com toda a alegria daqueles que foram transformados pelo amor de Deus.

Nós precisamos dessa força. O mundo precisa desse testemunho; no entanto, a força invisível do Espírito Santo de Deus só será manifestada ao mundo quando nossas vidas forem verdadeiramente transformadas pelo poder d'Ele!

É só pedir e a força que lhe falta virá: "Veni Creator Spiritus!". "Vinde, Espírito Santo!"

Renan Felix

Missionário da Comunidade Canção Nova

Domingo da Assunção de Maria, Mãe do Senhor

A festa da Assunção exalta Maria, a mãe do Senhor, por sua gloriosa participação na vitória do Cristo e atribui a ela a imagem da mulher vestida de sol e coroada de glória que no Apocalipse se refere à comunidade dos que creem em Jesus, nos São João no Livro do Apocalipse, na 1ª Leitura.

Na 2ª Leitura, Paulo acentua que Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.

No Evangelho, toda a grandeza de Maria se justifica porque como mãe e discípula do Verbo, foi peregrina na fé, obediente à Palavra, sempre atenta às necessidades, ativa no serviço aos pequenos e, por isso, reconhecida como bendita entre as mulheres. Por ser portadora do Verbo, João Batista, ainda no seio materno, pula de alegria diante dela, como fez Davi ao receber a arca da aliança. Em seu cântico, Maria louva e agradece o Senhor e Salvador que volta o olhar para a pequenez daquela serva e concebe na sua própria pessoa as promessas feitas a Abraão e à sua descendência. Nela se manifesta que Deus, com a força de seu braço dispersa os planos dos orgulhosos e se inclina para erguer os humildes, para saciar os famintos com benevolência e proteger os indefesos.


Revista de Liturgia