Novenário é encerrado com procissão de fiéis

Multidão de católicos saiu da Igreja do Carmo e seguiu até a Igreja de Fátima; algumas ruas tiveram engarrafamento

Uma multidão de católicos se reuniu em procissão, na noite de ontem, para encerrar o novenário de Nossa Senhora de Fátima. Os fiéis, a maioria vestida de branco, saíram da Igreja do Carmo, por volta das 18 horas, no Centro de Fortaleza, e seguiram até a Igreja de Fátima, na Avenida 13 de Maio.

Jovens, crianças e adultos, em uma só voz, louvavam e rezavam em agradecimento à Nossa Senhora, relembrando as seis aparições da santa. À medida que a procissão percorria as ruas Major Facundo, Meton Alencar e Barão de Aratanha, pessoas saíam de suas casas e dos estabelecimentos comercias para observar o ato de fé. Alguns, como a recepcionista Janielle dos Santos, 32, foram do trabalho direto para a procissão. “Desde que comecei a participar do evento, sinto uma paz espiritual e um maior contato com Deus”, declara.

Foi a primeira vez que o expedicionista César Félix, 32, participou da procissão. “Adorei a experiência e já fiz meu pedido, é uma outra vida”, comenta.

Ao chegarem à Igreja de Fátima, pouco mais das 20 horas, os fiéis participaram de uma missa campal, celebrada pelo pároco do templo, padre Ivan de Sousa. Também assistiram à chegada da imagem da santa, seguida de muitos fogos.

Durante a caminhada, a Avenida 13 de Maio foi bloqueada pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicas e Cidadania (AMC). Sessenta agentes (40 motocicletas e 20 viaturas) auxiliaram os motoristas a realizar os desvios. Houve congestionamentos em algumas ruas do entorno da igreja.

Raone Saraiva
Especial para Cidade – Diario do Nordeste

As bem-aventuranças

Felizes são aqueles que se deixam transformar.

No início do Evangelho (Mateus 5,1-12a), Jesus fala com as multidões. Que todos nós nos aproximemos hoje da Palavra de Jesus que nos revela Deus como fonte, razão de toda a felicidade. As bem-aventuranças são a beleza da presença Divina que alcança o homem e o quer feliz.

A primeira bem-aventurança se volta aos pobres em espírito. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Ela é para os humildes, para os pequenos. São felizes aqueles que se apresentam diante de Deus com as mãos vazias, porque renunciaram as atitudes orgulhosas.

Devemos olhar cada bem-aventurança e perceber que é um apelo a todo aquele que quer seguir Jesus. Não há lugar no Reino dos Céus para quem não for pobre em espírito.

A segunda bem-aventurança fala aos aflitos. “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”. É a bem-aventurança daqueles que vivem a aflição. O humilde que passa pela aflição em Deus confia. Somente o humilde passa pela aflição confiando e se deixa consolar pelo Senhor.

A terceira bem-aventurança fala da mansidão. “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra”. O homem e a mulher, governados por essa mansidão, são aqueles que constroem as coisas desarmados, sem a autodefesa. É alguém que não tem o próprio ego como centro. Somente aquele que é manso, se deixa conduzir por Deus que vai conduzindo-o no Seu querer. A mansidão é segredo da santidade.

A quarta bem-aventurança: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”. Essa bem-aventurança é para aquele que está sempre com sede da santidade, porque quer ver Deus. Está engajado na vontade divina a todo momento e se angustia se fica longe da vontade do Pai. Somente o sedento da vontade de Deus será saciado no Reino dos Céus. Há essa fome, essa sede em você? O Reino dos Céus é para os sedentos e famintos da vontade do Senhor.

Quinta bem-aventurança: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. As bem-aventuranças partem da humildade, porque chegam na misericórdia. São aqueles que concretamente liberam em seus corações o perdão que reconcilia; não vivem tomados de divisões interiores, porque, em seus corações, reina a misericórdia do Pai. O que reina em seu coração? Se não reinar a misericórdia, você não será feliz.

A sexta bem-aventurança fala aos puros de coração: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Os que trazem essa pureza são declarados bem-aventurados por Jesus. Com que você tem alimentado seu coração? Você tem buscado aquilo que é puro e verdadeiro? Caso contrário, seu coração se tornará impuro. No Reino de Deus há lugar somente para os corações puros.

Sétima bem-aventurança: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. Jesus se congratula com os que semeiam a paz, com os que promovem a reconciliação. O shalom do Pai se revela na face, na palavra e nos gestos dessas pessoas. Você faz bem para os outros? As pessoas têm alegria em conviver com você?

A oitava bem-aventurança é para os perseguidos: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”. São felizes os que são perseguidos por causa da justiça. Não é uma perseguição por qualquer coisa, mas por causa da fidelidade ao querer de Deus. As demais bem-aventuranças precisam reinar em nosso coração para que, na perseguição, nós tenhamos força.

Na nona bem-aventurança, Jesus se dirige aos discípulos: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Essa última bem-aventurança é do discípulo que, de fato, segue o seu Senhor; e não de quem segue a si mesmo. Jesus fala do discípulo que segue a Deus por aquilo que Ele é, não simplesmente por causa da recompensa. É a bem-aventurança do discípulo que sofre pela verdade. Aqui Jesus é a causa da perseguição e também a fonte da salvação. Se você sofre por ser cristão, não fique envergonhado.

Nós precisamos e desejamos a manifestação de Jesus. Essa é nossa esperança e ela está no fato de que somos cidadãos dos Céus. Somos vocacionados para a eternidade. A felicidade não está nesse mundo, mas ainda tem muita gente buscando a plenitude naquilo que é passageiro.

O homem é aquilo que ama e admira. Somente uma vivência de fé coerente suportará a tribulação. De outra forma, ninguém a suportará, pois é violenta demais para aqueles que não viveram seu batismo.

Cuidado com aquilo que você tem amado, porque, senão, você não será esse bem-aventurado do Evangelho.

Padre Eliano
Fraternindade Jesus Salvador

13 de Outubro: 6ª Aparição de Nossa Senhora

Debaixo de uma forte chuva e cercados por uma multidão de mais de 70 mil pessoas, a Cova da Iria tornou-se palco do mais belo espetáculo atmosférico, jamais visto até hoje.

“Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.

- Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes, se convertia uns pecadores, etc. Uns, sim: outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados. E tomando um aspecto mais triste: Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.”

E abrindo as mãos, fê-las refletir o sol, prometido três meses antes, como prova da verdade das aparições de Fátima. Pára a chuva e o sol por três vezes gira sobre si mesmo lançando para todos os lados feixes de luz e de várias cores. Parece a dada altura desprender-se do firmamento e cair sobre a multidão. Após dez minutos de prodígio, tomou o sol o seu estado normal. Entretanto, os Pastorinhos eram favorecidos com outras aparições.

Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, vimos ao lado do sol, São José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. São José com o Menino parecia abençoar o Mundo, com um gesto que fazia com a mão em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor e Nossa Senhora que me dava a idéia de ser Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor parecia abençoar o Mundo da mesma forma que São José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ver ainda Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo.

Memórias da Irmã Lúcia

A mãe das crianças do Brasil

No dia 12 de outubro, celebramos a festa de Nossa Senhora Aparecida, a mãe do povo brasileiro. E como todas as mães, Nossa Senhora tem carinho especial com seus filhos menores e mais frágeis, que são as crianças. É por isso que a coincidência de datas (Dia de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças) nos leva a dizer que a Virgem Aparecida é a mãe das crianças do Brasil.

Costuma-se dizer que um país que não cuida de suas crianças e de seus adolescentes está fadado a ter um futuro nada promissor. O mesmo podemos dizer das comunidades cristãs que não zelam por seus pequenos e adolescentes. Elas estão fadadas a desaparecer num futuro não muito distante.

Cuidar das crianças e dos jovens como comunidade cristã pode significar a necessidade de criar ambientes próprios para eles nas celebrações. Pode significar a organização da Pastoral da Criança e da Pastoral do Menor. Pode significar também a dinamização da Pastoral dos Coroinhas, a qualificação da catequese e a dinamização das celebrações. Cuidar dos menores implica no desenvolvimento de ações com as mães gestantes e com os jovens que se preparam para o casamento.

O exemplo de mãe para os cristãos é Maria, a mãe de Jesus. Entre os inúmeros títulos com os quais ela é invocada, o povo brasileiro a venera como Nossa Senhora Aparecida.

A origem da devoção vem do ano de 1717, quando dois pescadores tiraram a imagem enegrecida das águas do rio Paraíba. No encerramento do Congresso Mariano de 1929, de posse da imagem tirada do rio, Nossa Senhora foi proclamada Rainha do Brasil com o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 1931, na presença do presidente Getúlio Vargas, ela foi aclamada como “Rainha e Padroeira do Brasil”. No ano de 1980, pela Lei nº 6.802, foi decretado feriado nacional no dia 12 de outubro. No mesmo ato, Nossa Senhora Aparecida foi reconhecida oficialmente como padroeira dos católicos do Brasil.

Que a Mãe Aparecida olhe com carinho para o povo brasileiro. Que ela inspire os governantes a promoverem a paz e a justiça social. Ajude os pais a educarem seus filhos nos valores do Evangelho. Ilumine a Igreja a promover ações de solidariedade e a se transformar em “casa e lugar de comunhão”. E que, acima de tudo, a Mãe de Aparecida ampare as crianças do Brasil, para que elas possam “crescer em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”, a exemplo do Seu Filho, Jesus de Nazaré.

Dom Canísio Klaus
Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul

Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Com muita alegria nós, brasileiros, lembramos e celebramos solenemente o dia da Protetora da Igreja e das famílias brasileiras: Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

A história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem seu início pelos meados de 1717, quando chegou a notícia de que o Conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, iria passar pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica, hoje cidade de Ouro Preto (MG).

Convocados pela Câmara de Guaratinguetá, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves saíram à procura de peixes no Rio Paraíba. Desceram o rio e nada conseguiram.

Depois de muitas tentativas sem sucesso, chegaram ao Porto Itaguaçu, onde lançaram as redes e apanharam uma imagem sem a cabeça, logo após, lançaram as redes outra vez e apanharam a cabeça, em seguida lançaram novamente as redes e desta vez abundantes peixes encheram a rede.

A imagem ficou com Filipe, durante anos, até que presenteou seu filho, o qual usando de amor à Virgem fez um oratório simples, onde passou a se reunir com os familiares e vizinhos, para receber todos os sábados as graças do Senhor por Maria. A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil.

Por volta de 1734, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745. Mas o número de fiéis aumentava e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (atual Basílica Velha).

No ano de 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora "Aparecida" das águas.

O Papa Pio X em 1904 deu ordem para coroar a imagem de modo solene. No dia 29 de abril de 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor. Grande acontecimento, e até central para a nossa devoção à Virgem, foi quando em 1929 o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil, com estes objetivos: o bem espiritual do povo e o aumento cada vez maior de devotos à Imaculada Mãe de Deus.

Em 1967, completando-se 250 anos da devoção, o Papa Paulo VI ofereceu ao Santuário de Aparecida a Rosa de Ouro, reconhecendo a importância do Santuário e estimulando o culto à Mãe de Deus.

Com o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi crescendo e o número de romeiros foi aumentando cada vez mais. A primeira Basílica tornou-se pequena. Era necessária a construção de outro templo, bem maior, que pudesse acomodar tantos romeiros. Por iniciativa dos missionários Redentoristas e dos Senhores Bispos, teve início, em 11 de novembro de 1955, a construção de uma outra igreja, a atual Basílica Nova. Em 1980, ainda em construção, foi consagrada pelo Papa João Paulo ll e recebeu o título de Basílica Menor. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida Santuário Nacional, sendo o "maior Santuário Mariano do mundo".

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!

Perseverança, a medida certa

Uma maneira concreta de extrair a vida de alguém é roubar os sonhos que lhe são próprios. Nossos sonhos e esperanças são a força que faz a vida desabrochar dentro de nós. É triste, mas infelizmente real, nos encontrarmos contemporaneamente com muitas pessoas que já deixaram de sonhar e de acreditar que a vida pode ser melhor, que o sonho pode se encarnar e que a esperança pode florescer.

Não é custoso perceber que, na maioria das vezes, as frustrações acontecem porque se espera por coisas que não deveriam ser buscadas (esperadas). Confia-se em promessas irreais e, por fim, acaba não existindo uma concreta perseverança naquilo que é essencial e que deveria realmente ser buscado.

Existem muitos que apostam “tudo” em ilusões e em relacionamentos desleais (impossíveis), pautando a vida em realidades sem um fundamento que possa, verdadeiramente, saciar a ausência presente na vida e no coração.

A esperança é, sem dúvida alguma, a seiva motriz da vida. Porém, é preciso esperar bem, aprendendo a escolher sabiamente em quem esperar, para que assim a perseverança e a luta pelo que se sonha sejam possíveis e, esse sonho possa verdadeiramente assumir cores de realidade.

Quando se luta por sonhos ancorados em um fundamento além de nós mesmos, em que as esperanças se prendem a elementos de eternidade e se construam sob a lógica do amor, a vida começa, de fato, a ter e a ser sentido.

É preciso sonhar bem com realidades nas quais não esteja em jogo somente a “minha” (egoísta) felicidade. No ato de sonhar precisam estar contidas realizações que despertem, também em outros, a vontade de sonhar.

Enfim, detectada a veracidade e a consistência de nossa esperança (sonho), é necessário que nos lancemos no universo da perseverança, para que assim possamos construir o que buscamos, e isso a partir de nossa luta e persistência. Isso mesmo: persistência. É preciso perseguirmos nossos ideais sem nos determos nos “encantos” do caminho.

Existem muitos sonhos que o próprio Criador compôs dentro de nós. Esses são sempre possíveis e reais e necessitam de nossa perseverança para se concretizarem.

Quando o desânimo e o cansaço, sintomas próprios do caminhar, fizerem morada dentro de nós, precisaremos reagir aos mesmos ,munidos da força da perseverança e do espírito de luta, pois a perseverança é sempre a medida certa para grandes realizações.

Sem perseverança e persistência não poderá haver uma real vitória. Sem uma luta persistente, nosso sonho continuará apenas sonho. São nossas iniciativas – aliadas a um Amor maior – que os poderão trazer, com intensidade, ao protagonismo da realidade (da nossa vida).

Mesmo quando nosso sonho parecer cair por terra, faz-se necessário continuar crendo e perseverando, cientes de que toda vitória é precedida por algumas quedas e por uma concreta “não desistência”.

Independentemente do quanto já foi percorrido ou ainda falta caminhar, necessário e bom é prosseguir perseguindo a meta, não deixando de acreditar diante dos insucessos e sabendo que a perseverança é a medida certa para toda e qualquer vitória.

Não desista de seus sonhos e lute, lute sempre, pois, a vida reserva belas surpresas para aqueles que não desistem dela.

Coragem!

Pe. Adriano Zandoná

Plantando dá

Quem não planta também não colhe. Os frutos são consequência de um longo e determinado trabalho. Exige tempo, critério, fidelidade e insumos para que a produção tenha qualidade e quantidade. É o mesmo que acontece nos planos de Deus.

Imaginando uma videira verdadeira e com produção fecunda! Para isso ela tem que ser bem cuidada e podada no tempo certo. As uvas daí produzidas terão qualidade porque tudo foi bem planejado e trabalhado com responsabilidade pelo seu dono.

O Reino de Deus é a vinha do Senhor. Ela pertence a Ele. Quem não é dono e não cuida como dono, pode agir com infidelidade e com más pretensões. Isso pode acontecer com os missionários mal-intencionados, que em vez de construir, destroem a vinha do Senhor.

Outubro é o mês dedicado às missões na Igreja, de descoberta dos líderes religiosos para trabalhar nas comunidades levando a Palavra de Deus. O trabalho missionário deve ser cultivado. Ele exige dedicação. O cuidado da vinha é confiado aos missionários.

Como missionários, tenhamos em conta que somos servos e não donos da vinha. Os frutos devem ser entregues ao seu verdadeiro Dono. Nunca podemos usurpar o lugar de Deus. O próprio Jesus agiu como servo e não se apegou a nada que pertencia ao Pai.

Não é tão fácil ser verdadeiro e dedicado missionário. Isso exige exercício autêntico da justiça e do direito, porque o campo trabalhado pertence a Deus. O trabalhador tem que ter a sua mente identificada com a do Mestre, sendo fiel discípulo e missionário.

O itinerário missionário passa pelo relacionamento com Deus. Acontece na confiança e na intimidade com Ele. Mas é impossível se as preocupações materiais estiverem em primeiro lugar. O desapego dos bens terrenos fortalece o trabalho missionário.

Nem sempre nos preocupamos com aquilo que é mesmo essencial, com o testemunho de vida, por exemplo, agindo com pureza, honestidade, entre outros. Só teremos frutos saudáveis de vida e de paz na sociedade se plantamos e cuidamos bem da vinha do Senhor.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Acredite no amor de Deus, mesmo que voce nao O sinta

O amor de Deus é um amor fiel, Ele muda os corações. Quem pode mudar os corações? Só Deus. Nós temos que levar esse amor de Deus a outras pessoas. Existem pessoas que estão com o coração tão sofrido que não sabemos nem o que falar para elas, temos que levar o amor de Deus para essas pessoas, e precisamos fazer isso onde estivermos, em casa, nas universidades, no trabalho...

O amor de Deus não pode ser um sentimento. Siga acreditando no amor de Deus, mesmo que você não o sinta, porque Deus nunca desiste de te amar. O pior inimigo da esperança é a expectativa, porque a esperança vem de Deus, e a expectativa é humana. Quando temos esperança nos entregamos para Deus.

Por que falamos de um amor fiel de Deus? Quando Deus te chamou, não fez expectativas a seu respeito, Ele te conhece, te aceita e te ama. Só o que você ama pode mudar, se você não ama, não muda. As vezes você fica pensando naquela pessoa precisa mudar, mas é preciso conhecer, aceitar e amar.

Não te pergunto se você ama a América, mas se você conhece América, não por viagens, mas se conhece as pessoas de seu bairro, essa é uma tarefa de casa, faz parte do nosso trabalho de amor. Somos mensageiros do amor de Deus, e Deus sabe que não somos perfeitos. Deus te conhece fraco. Basta a graça de Deus para nós. Quando você é fraco é que Deus te faz forte.

Na Bíblia Jerusalém só por duas vezes aparece a palavra brava. A primeira vez no Evangelho de São João 18, quando Pedro estava passando por um momento difícil, pois tinha negado Jesus, não sabia o que fazer, neste momento chegou uma mulher e disse a Pedro que ele estava com Jesus, Pedro falou que não conhecia Jesus, e o galo cantou. Pedro cruza um olhar com Jesus, e o olhar de Jesus é um olhar de amor para Pedro.

“A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele. Os servos e os guardas acenderam um fogo (brasa), porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se” (João 18,17-18).

A segunda vez foi no Evangelho de João 21, quando os discípulos estavam aborrecidos com a pesca e Jesus chega e fala: “lancem a rede a direita”. “Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e pão” (João 21,9)

Qual foi a pergunta que Jesus fez a Pedro três vezes? “Simão, filho de Jonas amas-me?”

Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas (João 21,15-17)).

Pela primeira vez Pedro pensa para falar. Jesus não está cobrando as negações de Pedro, mas está curando-o das negações. O Senhor não pode salvar a América, se ela não tocar na sua verdade. Deus não podia permitir que o primeiro Papa da Igreja ficasse com uma ferida em seu coração. Um sacerdote ferido mata as ovelhas, mas você sabe também o que faz um sacerdote que tem seu coração sarado.

O poder de Deus está escondido na cruz, esta é a prova de amor. Na Eucaristia vemos Jesus de forma pequena, e na cruz, vemos Jesus da forma fraca, mas é o Amor sendo mais forte que Seu poder.

Santo Agostinho falava: “Obrigado Senhor pelas minhas fraquezas, pois assim conheci tua graça”. Qual é a sua fraqueza? Quando somos fracos, somos testemunhas da força de Deus em nós. Somos necessitados da graça de Deus.

Martin Valverde
Cantor católico mexicano

Domingo da festa de casamento

O banquete e a festa de casamento são imagens conhecidas na bíblia para falar do reino e das realidades de Deus. A túnica e o anel, em contraposição à nudez, também ocupa na simbólica bíblica um lugar importante para evocar a dignidade dos servos e servas de Deus. Mateus junta estas duas imagens nesta parábola de duplo acento, que serve para mostrar tanto a universalidade do reino anunciado por Jesus (o banquete aberto a todos), como as exigências deste mesmo reino (a necessidade da veste adequada). Certamente a repercussão da violenta destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70 d.C., influenciou Mateus ao compor este relato e ao colocar no rei da parábola muito das atitudes dos soldados daquele exército.

Jesus, sentindo-se criticado pelas autoridades religiosas do seu tempo por ser amigo dos pecadores, responde que, no banquete do reino, todos são convidados e ninguém pode sofrer exclusão. Afinal não se trata de um banquete qualquer, mas das bodas do filho do rei, símbolo da chegada do tempo messiânico. Para esta festa, todos estão convidados, começando pelos que estão mais próximos, e estendendo-se aos pobres que vivem longe do convívio social, os que foram colocados à margem.

Hoje, o que antes se chamava pobreza e se referia aos pobres do Terceiro Mundo, chama-se exclusão e se refere aos milhões e milhões de pessoas que, no mundo inteiro, estão fora de qualquer possibilidade de organizar a sua própria vida. Então, este desejo de Deus de fazer do mundo um banquete onde ninguém fique de fora, é um apelo atual e já está se cumprindo em todos os esforços de pessoas e comunidades que, no mundo inteiro, buscam formas concretas de solidariedade. Mas aponta para o que ainda falta neste mundo alquebrado pelas forças da guerra e da brutalidade dos humanos.

A celebração das comunidades é um pequeno ensaio deste mundo novo que o evangelho propõe, um sinal e uma amostra deste banquete que Deus nos servirá no final dos tempos. Talvez devamos aprender mais com nossos irmãos e irmãs das Igrejas evangélicas a dimensão da eucaristia como ceia do senhor e refeição fraterna; com os irmãos e irmãs negros, a relação essencial entre culto e alegria; com os nossos pais e mães da fé, o simbolismo do pão e de sua partilha, o qual dava, na Igreja primitiva, o próprio nome para a eucaristia – fração do pão. Que o Espírito nos ajude a fazer de nossa celebração dominical um momento de alegria e de fraterna comunhão, um sinal de abundância num mundo de famintos.

Retirado da Revista de Liturgia

O pecado da ganância

A Igreja classifica este pecado [ganância] como "capital". São Paulo chama a avareza de idolatria: "Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixões, desejos maus, cupidez e a avareza, que é idolatria” (Cl 3,5).

A razão do apóstolo ver como idolatria o apego aos bens materiais, sobretudo ao dinheiro, é que isto faz a pessoa amá-lo como a um deus. Torna-se escrava da riqueza. Desde o princípio, Jesus alertou os discípulos para este perigo já no Sermão da Montanha: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedica-se a um e desprezará o outro. Não podeis servi a Deus e a riqueza” (Mt 6,24).

O que importa é que a pessoa não seja escrava do dinheiro e dos bens. É claro que todos nós precisamos de dinheiro; o próprio Jesus tinha um “tesoureiro” no grupo dos apóstolos. São Paulo diz a Timóteo que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6,10). Veja, portanto, que o mal não é o dinheiro em si, mas o “amor” a ele; isto é, o apego desordenado que faz a pessoa buscá-lo como um fim, não como um meio.

É importante notar que não são apenas os ricos que podem se tornar avarentos, embora sejam mais levados a isto. Não é raro encontrar também pobre avarento. Por isso, no mesmo Sermão da Montanha, Jesus alerta:

"Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam" (Mt 6,19-20).

Se Jesus recomenda "não ajuntar tesouros na terra", é porque esta riqueza e segurança são ilusórias e não podem nos satisfazer por mais que o mundo nos diga que sim.

É justo e necessário ter o dinheiro que precisamos para nossas despesas. O próprio Jesus manda pedir ao Pai, todos os dias, "o pão nosso de cada dia"; o que se condena é a obsessão pelo dinheiro, que faz com que a pessoa sacrifique no altar desse "deus" os verdadeiros valores.

Por causa do dinheiro muitos aceitam praticar a mentira, a falsidade e a fraude. Quantos produtos falsificados! Quantos quilos que só possuem 900 gramas! Quanta enganação e trapaças nos negócios!

Não é verdade que mesmo entre os cristãos, tantas vezes um engana o outro, o "passa para trás" em algum negócio, compra e venda?

Poderemos constatar que toda a corrupção, tráfico de drogas, armas, crimes, prostituição, comércio de mulheres, poluição da terra, do ar e da água tem, por detrás, a sede pelo dinheiro. O próprio domingo, dia do Senhor, está se transformando, para muitos, num dia de ganhar dinheiro.
 
Por amor ao dinheiro muitos pais perdem os próprios filhos e muitos casamentos acabam. Por causa da ganância vemos o mundo numa situação de grande injustiça e miséria para muitos. Como disse o papa Paulo VI, os ricos estão cada vez mais ricos às custas dos pobres cada vez mais pobres. O nosso Catecismo diz:

"Uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade econômica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social (GS. 63,3). Toda prática que reduz as pessoas a não serem mais do que meros meios que têm em vista o lucro, escraviza o homem, o conduz à idolatria do dinheiro e contribui para difundir o ateísmo" (CIC § 2424).

"Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas" (Lc 12,15).

A Igreja nos ensina que somos apenas administradores de todos os bens e riquezas que Deus põe em nossas mãos, para que com eles façamos o bem aos outros. Deveremos prestar contar a Deus de tudo, como Jesus mostrou na parábola dos talentos (Mt 25,14s).

O apego aos bens desse mundo é algo muito forte em nós, quase que uma "segunda natureza" e, portanto, só com o auxílio da graça de Deus poderemos vencer esta tentação forte. Desde pequenos fomos educados para “ganhar a vida”. Será preciso a força do Espírito Santo em nossa alma para nos “convencer” da necessidade de uma vida de desprendimento e pobreza.

Para dominar este forte impulso que age dentro de cada um de nós é preciso oração, meditação e grande esforço de nossa parte; sobretudo, no sentido de convencermos a nós mesmos da grandeza do desprendimento. Mais do que nunca o Espírito Santo terá que vir em auxílio da nossa fraqueza.

A liturgia nos ensina a “caminhar por entre as coisas que passam, abraçando somente as que não passam”.

Seja senhor de suas posses, não seu escravo. Santo Agostinho dizia: “não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és”. E ainda: “A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco”.

Felipe Aquino