Domingo de Jesus e Zaqueu

Na liturgia de hoje, somos chamados a compreender quem é o nosso Deus. Nosso Deus é amigo da vida, Jesus é o Deus que procura quem se perdeu.

Hoje a salvação entrou em sua casa. A casa do seu coração, casa da sua família, do seu trabalho, do seu grupo, da sua missão. É um chamado à conversão.

Domingo passado Jesus falava da Oração, como devemos rezar. A oração do Fariseu e do Publicano mostrou a nós como deve ser a nossa oração. A oração do bem, da paz, da gentileza, da educação, do respeito, da humildade, da simplicidade. Zaqueu era pecador, cobrador de impostos. Era uma pessoa de baixa estatura.

O que o Evangelho de hoje quer nos ensinar? Três coisas:

1º - Precisamos querer ver Jesus. Ver Jesus na Palavra, na Eucaristia, no Irmão...

2º - Superar os obstáculos que impedem de ver Jesus. Zaqueu subiu na árvore. Jesus disse: Zaqueu desce desta árvore, eu quero ficar em tua casa. Jesus quer mostrar a todos sua missão e ao mesmo tempo convocar os cristãos para uma missão.

3º - Conversão. Jesus depois de conversar com Zaqueu é capaz de convertê-lo. Diz Zaqueu: “Senhor, metade dos meus bens vou doar para os pobres. Senhor se eu exigi injustamente de alguém, vou devolver quatro vezes mais.

Descer da árvore significa: se afastar do egoísmo, da maldade, do pecado, do individualismo, é afastar o nosso coração da desonestidade, do mal.

Quem vem a este Santuário é capaz de tomar uma nova atitude diante das interpelações que Deus nos faz. Somos chamados a sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo. O convite continua: Senhor ajudai-nos a viver o vosso amor, minha casa é a casa do Senhor!


Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Em torno do Tríduo e da Vigília Pascal

Bem nos inícios do cristianismo, o domingo era o grande dia da Páscoa. Esta era celebrada toda semana, quando chegava o domingo. Não existia a celebração organizada de uma Páscoa anual.

Bem cedo, no entanto, inspirando-se no costume religioso judaico, os cristãos começaram a realizar a celebração de um domingo especial, um grande domingo, isto é, uma especial celebração anual da Páscoa.

Foram organizando esta celebração primeiro por meio de uma vigília noturna. A saber: as comunidades passavam a noite toda reunidas. Nesta reunião, à luz do mistério pascal, primeiro liam os textos bíblicos relativos à história da salvação, entremeando-os com cantos de salmos e hinos bíblicos. Depois vinha a celebração da Ceia pascal.

Portanto, dois eram inicialmente os componentes essenciais desta vigília pascal: a Palavra e a celebração da Ceia. Mas logo aparece um outro componente: a celebração do batismo.

Como se vê, na altura do século III, nesta vigília, as comunidades cristãs celebravam a Páscoa de Jesus, primeiro, por maio da Palavra proclamada e ouvida, em seguida, por meio da ação ritual e profundamente pascal de batizar, e enfim, vinha a celebração da Ceia pascal propriamente dita, de todos os membros da comunidade, incluindo os neo-batizados.

Toda esta vigília era preparada por um jejum durante três dias. Quem fazia o jejum? Os que se preparavam para o batismo, bem como os cristãos já batizados. Começava na quinta-feira à noite.

Mas, á medida que o tempo vai passando, durante este jejum de três dias os cristãos tendem a valorizar sempre mais os acontecimentos “histórico” dos últimos dias da vida terrena de Jesus, narrados pelos Evangelhos, tais como: a ultima ceia, o lava-pés, a traição de Judas, a condenação, o sofrimento, a cruz, a morte. Inclusive com o acréscimo de celebrações em torno de tais fatos! Resultado: a mente dos cristãos vai se distanciando do sentido profundo da vigília pascal. Pois o interesse se concentra mais em fatos da vida terrena de Jesus do que na Páscoa em si, como passagem da morte para a vida, que é o centro e o núcleo da nossa fé.

Resultado: a vigília pascal vai se esvaziando. E com isso o povo também não tem muito interesse em passar a noite pascal ouvindo a história da salvação. Importante mesmo passa a ser os dramas da Sexta-feira santa, da paixão de Jesus.

Para resolver este grave problema da Igreja se esvaziando da celebração da páscoa propriamente dita, resolveram então antecipar a vigília para as 13h ou 14h do sábado santo. Depois, no século XII, anteciparam-na ainda mais, para as 11h ou 12h. no século XVI, com o papa Pio V, a vigília pascal passa a ser antecipada ainda mais, para as 9h da manhã! E tudo isso com terríveis incongruências, pois em plena luz do dia de sábado santo, o diácono canta diante do Círio aceso: “Ó noite santa esta, iluminada pela luz da ressurreição!”.

E mais, celebrando absurdamente a vigília pascal em plena luz do dia no sábado santo, que é o do dia do silencio, o dia da sepultura, o dia de Jesus na mansão dos mortos fazendo uma visita de esperança de ressurreição a todos os falecidos, de repente a Igreja irrompe com o solene canto de “Aleluia!”... Por isso, erroneamente, passaram a chamar o sábado santo de “sábado de aleluia”.

Em 1951, o papa Pio XII mandou celebrar a vigilia pascal de novo como era nas origens, a saber, na noite do sábado santo para o domingo da páscoa. A reforma do concilio Vaticano II a confirmou. Com isso se resgatou o valor e sentido supremo da Páscoa da ressurreição. Mas tem gente que ainda continua chamando equivocadamente o sábado santo de “sábado de aleluia”!

Retirado do Livro Liturgia em Mutirão – Ed. CNBB

Ser ricos da verdadeira riqueza

E propôs-lhes esta parábola: “Havia um homem rico cujos campos produziam muito. E ele refletia consigo: ‘Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita’. Disse ele então: ‘Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei outros, neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens. E direi à minha alma: ò minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos, descansa, come, bebe e regala-te’. Deus, porém, lhe disse: ‘Insensato! Nesta noite ainda exigirei de ti a tua alma. E as coisas que ajuntaste de quem serão? Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus”.

Relendo o texto

Entre os personagens desta parábola é preciso citar também Deus, que intervém por último, mas certamente é o mais importante. O primeiro a ser citado é, ao invés, um homem rico que possui campos que produziram uma abundante colheita. O homem rico faz um discurso inteiro para si mesmo: não intervêm, de fato, outros personagens para escutar o seu raciocínio, é a seguir interpelado pelo próprio Deus sobre o bem mais precioso que todos recebem como dom e que é a vida.

As ações que se desenvolvem, somente porém nos pensamentos do homem rico, descrevem uma ansiedade, uma verdadeira e exata corrida pela posse. Demolir os celeiros e construir novos, recolher o grão e todos os outros bens e, depois, repousar, comer e beber, entregar-se à alegria. É um homem, esse da parábola, que aparentemente não tem necessidade de ninguém, não procura mais nada, porque obteve tudo na sua vida, pode viver feliz e satisfeito porque possui muitas riquezas.

Uma outra particularidade deve ser salientada: do homem não se diz nada além do fato de que era um “homem rico”. Parece que Jesus quer tornar esse homem conhecido pelo que ele possui e não pelo que ele é.

Meditando o texto

A parábola coloca em realce um primeiro ensinamento de Jesus sobre a verdadeira riqueza, que não está no fazer tantas coisas, ou ter muitas coisas, mas no fato de continuar a ser pobre. Sim, pode parecer impossível que os pobre sejam as pessoas que Jesus olha com mais carinho, das quais ele mais gosta. Pois o pobre, aquele que nada possui, é aquele que pode deixar-se aproximar melhor, porque é livre e, não preocupado com nada das coisas do mundo, pode deixar encher-se seu coração com a presença de Deus.

Um outro ensinamento de Jesus nessa parábola é que, se não precisamos preocupa-nos com as coisas, podemos olhar mais e melhor para Deus e para aquilo que ele pede. Deus, por isso, é o bem supremo oferecido a todos, o único pelo qual vale verdadeiramente a pena empenhar-se. Não devemos esforçar-nos tanto para ter muitas riquezas, Jesus nos ensina que dependemos de tal maneira de Deus, que precisamos fatigar-nos somente para entender qual é a sua vontade, o que quer Deus verdadeiramente de cada um de nós.

Procurando, agora, questionar-nos

-Com que coisa realmente eu me preocupo? Com as coisas que não possuo ou com as pessoas que não acolho, que não sei escutar, que não ajudo?
-Sei verdadeiramente viver com a atitude do pobre?Ou seja, nas situações, sei procurar naquele maravilhoso “tesouro”, que é o Evangelho, uma atitude de Jesus que posso imitar, ou penso chegar a resolver tudo só com as minhas forças?

Retirado do Livro A Palavra para os Jovens – Ed. Ave Maria

Dinâmicas de Grupo – Quem me chama a atenção

Esta dinâmica demanda um pouco mais de tempo e tem como objetivo fazer com que os participantes, na dinâmica de apresentação, revelem um pouco mais sobre si mesmo e, ao mesmo tempo, interajam. Não é indicada para um grupo muito grande de pessoas. Os participantes são convidados a sentar-se, de preferência em circulo e em cadeiras com braço que permita escrever. Cada um recebe uma folha de papel. Supõe-se que cada qual tenha uma caneta. Cada um é convidado a escrever na folha de 6 a 8 coisas que julga caracterizar a si mesmo. Esta descrição não precisa ser feita em forma de frases completas, mas, sim, com letras relativamente grandes e somente de um lado da folha. Ninguém deve, porem, escrever o nome na folha. Combina-se um tempo não muito longo para esta tarefa. Terminado o tempo, a pessoa da coordenação recolhe as folhas, as embaralha e distribui lado a lado sobre a mesa, de modo que as pessoas ao circularem ao redor da mesa possam ler, sem muito esforça, o que está escrito nas folhas. Os participantes são então convidados a ir até a mesa e ler as descrições. Cada um dos participantes deve pegar uma folha com a descrição que primeiro lhe chamar a atenção. Tendo pegado uma folha, o participante deve voltar para o seu lugar e esperar até que todos tenham pegado a sua folha. Quando todos tiverem já sua folha, cada um é convidado a achar o autor que fez a descrição e colhe mais algumas informações (principalmente o nome da pessoa). Depois de todos terem se encontrado, o coordenador convida todos a tomarem seu lugar e cada qual apresenta ao grupo quem desejou conhecer, explica as coisas que aquela pessoa escreveu e por que quis conhecer esta pessoa.

Retirado do Livro Dinâmicas para encontro de grupo – Ed. Vozes


Pastoral Familiar

Arquidiocese de Fortaleza
Região São José
Santuário Nossa Senhora de Fátima

Pastoral Familiar
É um serviço que se realiza na e com a Igreja, de forma organizada e planejada.

Concilio Vaticano II
Começou aderirem na Igreja uma proposta inspiradora para os esforços da evangelização da família no Brasil em 1980.

A missão da Pastoral Familiar é a defesa e promoção da pessoa em todas as etapas e circunstâncias da vida e a defesa dos valores cristãos para o matrimonio e os relacionamentos pessoais e familiares.

Objetivo: Apoiar a família a partir da realidade em que se encontra.

As Metas:
    - Fazer da família uma comunidade cristã;
    - Família santuário de vida;
    - Resgatar a família;
    - Família missionária / Igreja doméstica

Como está organizada:
17 regionais a nível Diocese e Paróquia.
    - Setor pré-matrimonial;
    - Setor pós-matrimonial;
    - Setor casos especiais.

Responsáveis: Bispos, Sacerdotes, Diáconos, Religiosos (as) e leigos.

Sua presença nos alegra! Venha e participe!
Toda terça-feira, 20hs00 no Salão Azul

A escada de Jacó – Gênesis 28 e 30

Jacó fugiu de sua casa e tomou o caminho para Harã. Quando anoiteceu, sentiu-se muito só. Recostou-se sobre uma pedra e adormeceu enquanto olhava as estrelas no céu.

Sonhou com uma grande escada que subia de onde ele estava até alcançar o céu. Por ela subiam e desciam anjos. Deus estava no topo e dizia: “Esta terra é para você e seus descendentes. Eles serão tantos quanto o povo da terra. Estou com você e não o abandonarei. Onde quer que vá, ali cuidarei de você”.

Depois do sonho, Jacó não teve mais medo e continuou o caminho em direção ao povoado de sua mãe. Um dia, junto a um poço, encontrou um rebanho de ovelhas. Jacó perguntou aos pastores se conheciam seu tio Labão. Responderam que sim e apontaram para Raquel, filha de Labão, que naquele momento chegava ao poço com seu gado. Jacó viu se aproximar uma bela mulher. Ficou muito emocionado, correu até ela e disse quem era.

Jacó foi bem recebido na casa de seu tio Labão. Em agradecimento e para ter permissão para casar com Raquel, Jacó trabalhou sete anos com seu tio.

Quando chegou o tempo do matrimonio com Raquel, Labão preparou uma grande festa. Mas no dia do casamento apareceu com Lia, irmã mais velha de Raquel, e obrigou-o a casar-se com ela.

Jacó ficou bravo e reclamou, mas Labão alegou que o costume era casar primeiro a filha mais velha. Pôs como condição para casar-se também com Raquel, que trabalhasse mais sete anos para ele. Como Jacó estava apaixonado por ela, esperou os sete anos. Foi assim que Jacó teve duas esposas.

Retirado do Livro Minha Bíblia – Ed. Paulus

A crise anunciada

Numa cidadezinha do interior, havia um homem que vendia cachorro-quente em uma barraquinha. Não costumava ouvir rádio nem ler jornais. Passava o dia apenas vendendo cachorro-quente e conversando com as pessoas. Era bom nisso. Fazia lanches muito gostosos e anunciava muito bem, pois todos da cidade o conheciam.

Não demorou para o homem aumentar as vendas, comprar muitos pães e salsichas. Seu negocio cresceu e ele comprou uma van. Mais um tempo e já tinha uma lanchonete.

Certo dia, seu filho que vivia na cidade grande ligou e falou que o pai não deveria investir porque a economia passava por uma forte crise, o dólar estava caindo, os juros aumentando etc. o jovem questionou o pai por não ler jornais e não se informar sobre a grave crise internacional.

O homem pensou:

- Meu filho está na universidade, ele entende dessas coisas, vou parar de investir.

Vendeu a lanchonete e parou de anunciar seus cachorros-quentes. De volta à pequena barraquinha, viu os clientes sumirem e as vendas despencarem. Não tinha mais lucro algum. Novamente pensou:

- Meu filho tinha razão, a crise é muito grave!

Para refletir

Como surge um momento de crise? Muitas vezes ela é conseqüência de um panorama geral, da situação externa. Porém, muitas vezes ela é criada por nós mesmo: por nossa mentalidade fechada, por nossa falta de iniciativa, pelo medo de inovar, de contrariar as tendências. O vendedor da parábola nunca iria entrar em crise se alguém de fora não interferisse em seus negócios, injetando nele certo pessimismo. Em sua humildade, conduzia com excelência os negócios e para ele não fazia diferença se existia ou não uma crise externa. Tudo ia bem, até ele começar a pensar negativamente. Isso acontece com muita freqüência em nossas equipes. Quando pensamos que as coisas vão dar errado, elas darão. Porém, quando todos contrariam as tendências e procuram inovar, o êxito será certo. Isso vale tanto para uma empresa, uma loja, quanto pra um grupo de trabalho, uma comissão, uma equipe pastoral etc.

Para discutir

-Quanto o ambiente externo influencia nas suas decisões?

-A opinião das outras pessoas, principalmente as mais próximas, interfere no seu modo de agir e pensar?

-O que você precisa para ser mais otimista?

Retirado do Livro Parábolas de Liderança – Ed. Paulus

Domingo do fariseu e do publicano

O evangelho de hoje é ação de duas personagens profundamente diferentes: o fariseu e o publicano. O fariseu representa o justo reconhecido como tal perante a lei. Visto que a lei exprimia a vontade de Deus, ele não só a escuta nos mínimos detalhes, como observa escrupulosamente todos os mandamentos e proibições, e além do que estava prescrito.
O publicano não é um santo, pelo contrário, é um grande pecador público. Bem sabe disso e nem procura se desculpar. Tudo acontece como se aceitasse o julgamento do fariseu. Nem tem a coragem de levantar os olhos para o céu e de erguer as mãos para rezar, como era costume. Olha o chão e bate no peito dizendo: “Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”
Lucas conclui o evangelho dizendo que o publicano voltou justificado para a sua casa e não o outro. O fariseu, apesar de todos os seus méritos, cometeu um duplo erro: primeiro, ele se autojustifica, não esperando nada de Deus. Depois, não age por amor. Ele dá graças a Deus não porque Deus é a fonte de toda justiça, mas porque não se sente “como o resto dos homens...”
Lucas diz, no inicio, que Jesus contou essa parábola para “alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros”. E quem de nós não carrega dentro de si um pouco desta convicção?
Que o Senhor mesmo venha tirar de nós toda atitude de auto-suficiência e nos dê a graça de reconhecer sinceramente que só ele é justo e capaz de nos justificar diante dele. Graças a Deus a salvação não depende da nossa santidade, mas da sua misericórdia. E essa é a boa nova do evangelho de hoje
Retirado da Revista de Liturgia

Discípulos e Discípulas de Jesus, Missionários e Missionárias do Reino

Na passagem da última ceia, Lucas menciona as seguintes Palavras de Jesus: “Desejei muito comer com vocês esta ceia pascal, antes de sofrer. Pois eu lhes digo: nunca mais a comerei, até que ela se realize no Reino de Deus”. Então Jesus pegou o cálice, agradeceu a Deus, e disse: “Tomem isso, e repartam entre vocês, pois eu lhes digo que nunca mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus”. Jesus celebrou a ultima ceia tendo em vista o Reino de Deus. Foi enviado pelo Pai como missionário do Reino. Toda sua vida esteve em função disso, foi perseguido, condenado à morte de cruz por causa disso, enviou os discípulos e discípulas em missão para continuar anunciando com Palavras e com o trabalho, com a ação, com gestos concretos: O Reino de Deus chegou até vocês! Por isso, não há como celebrar a Eucaristia, nem o domingo, Dia do Senhor, a não ser na perspectiva do Reino de Deus. Como Jesus, a comunidade cristã, e cada um/a de seus membros, pode dizer, com Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Noticia aos pobres, enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor”. Este programa de vida de Jesus é também nosso programa de vida.

A celebração do domingo, Dia do Senhor, situa-se nesta dupla perspectiva: celebrar a Eucaristia na intimidade do Ressuscitado e ser por ele, de novo, enviados em missão. Somos discípulos e discípulas de Jesus, chamados para permanecer com ele, e de novo, sermos enviados como missionários e missionárias do Reino, na realidade de nosso dia-a-dia, na dinâmica social da convivência humana, em todos os níveis, em todos os ambientes, em comunhão com todas as pessoas de ‘boa vontade’, de qualquer religião ou cultura.

Como redescobrir este eixo fundamental da celebração dominical? Como romper o formalismo que como uma capa de chumbo ou como um muro de cimento armado impede que o encontro e a comunhão com o Cristo e entre nós aconteçam e renovem nossa visão do mundo, nosso animo, nossa vontade de atuar na sociedade como testemunha da ressurreição, como militantes da libertação, obreiros do diálogo, da paz, da misericórdia e da reconciliação? Como fazer para que a celebração de domingo volte a esta sua finalidade primeira e primária e esteja aberta, voltada para a realidade da vida pessoal e social?

É preciso celebrar em comunidade, com grupos menores, onde as pessoas tenham um mínimo grau de convivência, de relacionamento na fé e possam, também durante a celebração, dialogar, trocar idéias, emitir sua opinião, expressar sua maneira de ver a realidade, sua maneira de compreender a palavra de Deus. São momentos preciosos os da ‘recordação da vida’, da homilia dialogada (para nos debruçar sobre a realidade do mundo e encontrar uma luz na Palavra meditada), das preces de verdade (e não das intenções formalmente lidas de um ‘jornalzinho’ ou folheto!), da reunião familiar ao redor da mesa do Senhor para a ação de graças, a partilha do pão e da comunhão.

Retirado do Livro Liturgia em Mutirão – Ed. CNBB

Ser portadores da Paz

Dizia também: O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra. Dorme, levanta-se, de noite e dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber. Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga. Quando o fruto amadurece, ele mete-lhe a foice, porque é chegada a colheita

Relendo o texto

Desta vez os personagens da parábola têm algo de especial, de fato, além de um homem que lança a semente na terra, pode-se dizer que o personagem principal é essa semente que é lançada.

Efetivamente a semente, pela bondade de Deus, torna-se antes planta, depois espiga, depois grão cheio na espiga, portanto um fruto completo que pode ser colhido. O que deve levar-nos a refletir, lendo este trecho de Marcos, é a expectativa do homem que lança a semente.

Jesus, de fato, não diz dele nada mais que poucas ações: lança, dorme ou levanta-se, tudo está embebido, podemos dizer, de uma grande confiança, doa abandono, da paz.

Lança a semente e se confia em paz a Deus, é como se esse homem pusesse todas as premissas ou condições para que Deus realize os seus prodígios, e depois retira, coloca-se de lado, sem se preocupar a pensar de que maneira a semente cresce, muda e se transforma em grão, mas em paz espera o resultado, certo de que Deus pensará nisso, providenciará.

Essa atitude de paz pode-se ler também nas ações da semente e da terra.

Jesus parece querer dizer, com isso, que tudo se submete, ou melhor, se confia a Deus em paz.

Meditando o texto

Da parábola narrada por Jesus podemos extrair, para reflexão, a atitude de grande paz que preenche esta cena. Existe paz no trabalho do homem, que entrega ao seu destino aquilo que semeia. Existe paz quanto ao que acontece com a semente, escondida e mal e mal visível, que depois dá um fruto extraordinário.

Tudo isso nos recorda que o Reino de Deus já está presente na vida de todos os dias, não é só um acontecimento que viveremos num dia distante, mas algo que já desde agora podemos experimentar, e que, mesmo que pequeninos, precisamos empenhar-nos a construir e difundir.

Podemos se colaboradores de Deus na difusão do Reino, portadores de paz com a atitude que Jesus ensina nessa parábola. Nós não somos os donos da semente, nem somos os que a fazem crescer, mas para difundir paz nós podemos preparar a ação de Deus, facilitá-la, testemunhando a sua bondade. Não podemos provocar a resposta favorável de Deus, mas podemos, em certo sentido, preparar-lhe o caminho, cumprindo obras de caridade para com os outros, que facilitem a igualdade e a justiça.

Procurando, agora, questionar-nos

-Sou portador da paz, no sentido de que, quando me encontro em discussão com os outro ou em desavenças, sei ceder também em primeiro lugar?

-O Senhor está sempre presente, também naquilo que me parece ser obrigação minha?

-Para ser portadores de paz será necessário sempre estar conscientes de que os outros são melhores que nós. O que penso a respeito disso?

Retirado do Livro A Palavra para os Jovens – Ed. Ave Maria