Aprenda a exercitar o perdão todos os dias da sua vida

Ninguém tem o poder de controlar os próprios sentimentos. “O coração tem razões que a própria razão desconhece”, ensinava o filósofo Blaise Pascal. Cada um precisa fazer sua parte, aquilo que está a seu alcance.

Fazer nossa parte significa exercitar o perdão, declará-lo abertamente e decidir não falar mal de quem nos machucou, mas não há como deixar de sentir algo de negativo. Ninguém consegue exercer domínio total sobre seus sentimentos. O que sentimos ou não sentimos não é fruto de decisões nem da vontade. As emoções estão fora do nosso controle. Nosso único poder, nessa área, é determinar o que vamos fazer ou não com nossos sentimentos e com nossas emoções. Sou capaz de me decidir por não dar um soco no rosto de alguém que me ofendeu, mas não tenho o poder de resolver não sentir o desejo de dar o soco.

Nenhum de nós tem a capacidade de decidir sentir isso ou aquilo a partir de determinado momento. O sentimento não obedece à razão. Como mudar um sentimento em relação a uma pessoa? Sem o exercício do perdão e a força da graça de Deus é absolutamente impossível.

Como exercitar o perdão?

No exercício do perdão, é fundamental reconhecer a necessidade de pedirmos desculpas aos que ofendemos. Se perdoar é uma arte difícil, pedir perdão é mais difícil ainda. Se perdoar exige uma decisão do coração e da vontade, pedir perdão exige arrependimento. E isso é algo que precisamos aprender com clareza e praticar com persistência.

O verdadeiro arrependimento, conforme Jesus ensinou, implica uma mudança de vida. O arrependimento vai muito além do remorso ou da vergonha de ter sido descoberto no seu erro. A vergonha é consequência de um medo; arrepender-se é fruto de uma decisão. Como o perdão, o arrependimento vai muito além do desejo. É uma atitude.

5 dicas para viver o perdão

No exercício do perdão e do pedido de perdão, cinco gotas são de fundamental importância:

1. Reconhecer que fomos ofendidos ou que ofendemos.

2. Tomar a decisão de perdoar e de pedir perdão, apesar dos sentimentos ou dos desejos.

3. Expressar o perdão por meio de palavras faladas ou por escrito.

4. Tomar a decisão de não comentar os erros da pessoa nem o fato que provocou a ofensa.

5. Permitir que Deus mude nossos sentimentos e cure nossas emoções negativas.

Padre Léo, scj

Extraído do livro “Gotas de cura interior”

O dinheiro transforma as pessoas em mercadorias

Continuamos a reflexão daquilo que escutamos no Evangelho de ontem quando o demônio, depois da Ceia Eucarística, entrou no coração de Judas. Porque Judas já era um escravo do dinheiro, era um administrador do dinheiro daquele grupo e deixou-se seduzir por aquilo que o dinheiro, muitas vezes, pode realizar no nosso coração. Sem perceber as consequências do que iria fazer, Judas oferece aos sumos sacerdotes uma ocasião para entregar Jesus. Por isso, ele pergunta: “Quanto me dareis se vos entregar Jesus?”.

Judas está vendendo Jesus, porque querem transformá-Lo numa mercadoria e por Ele foi combinado trinta moedas de prata.

Dinheiro pode ser uma bênção, uma graça; serve para muita coisa boa, melhora as nossas condições de vida. Com o dinheiro podemos fazer o bem, podemos ajudar uns aos outros. Eu poderia aqui elucidar uma série de benefícios e importâncias que o dinheiro tem para nossas relações pessoais.

Não posso deixar de dizer, a partir daquilo que Judas faz e que a reflexão do Evangelho nos mostra, que o dinheiro na maioria das vezes é uma maldição. O dinheiro é sinal de tragédias, brigas e disputas entre as pessoas. Com o dinheiro as pessoas se vendem, compram umas as outras. Com o dinheiro as pessoas se corrompem e não é apenas no mundo político, é no mundo em que vivemos, no dia a dia e assim por diante. O dinheiro transforma pessoas humanas, filhos e filhas de Deus, em mercadorias.

As pessoas estão vendendo sua dignidade por causa de dinheiro, as pessoas tratam melhor aqueles que tem dinheiro e são indiferentes aos que não tem. As pessoas tratam dignidade através de dinheiro. Desta maneira, o que poderia e deveria tornar-se uma bênção é, muitas vezes, um sinal de maldição.

Não deixe-se escravizar pelo “deus dinheiro”, ele é deus e senhor deste mundo. Não podemos servir a Deus e ao dinheiro!

Na meditação desta Semana Santa, precisamos refletir, com seriedade e serenidade: Que lugar o dinheiro ocupa na minha vida? Ele provoca-me inquietação de mais quando tenho ou quando não tenho? Sou escravo dele, dominado por ele? Ele domina minha vida e minhas preocupações? Tenho liberdade para lidar com ele? Eu domino as pessoas ou sou dominado pelas pessoas que tem dinheiro? Por que será que em nossas igrejas as pessoas com dinheiro são melhores tratadas? São bem queridas e, muitas vezes, fechamo-nos em relação ao pobre ou aquele que pouco tem? Por que tratamos melhor as pessoas que mais têm e temos uma certa indiferença ou pouca preocupação com quem não tem? Por que amanhecemos o dia fazendo conta? Por que terminamos o dia contando dinheiro ou contando o que não temos?

O dinheiro pode ser uma bênção, se for bem usado e administrado, mas ele pode ser também uma maldição, pois destrói vidas, casamentos, relacionamentos, divide a humanidade, coloca as pessoas umas contra as outras e as transforma em mercadorias.

Que não sejamos, de forma nenhuma, escravos do deus dinheiro.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Como posso me preparar para uma boa confissão?

Cada vez mais e mais pessoas têm buscado a cura da alma, fiéis têm também encurtado o tempo de uma confissão para outra. Mas é preciso ficar atento, pois não basta confessar várias vezes, é preciso confessar-se bem. Mas como fazer isso?

Bom, confessar-se é dizer a verdade, relatar algo que foi feito; confessar significa assumir tal ato. No caso da confissão sacramental, significa dizer os pecados, os erros cometidos contra os mandamentos de Deus.

Quatro passos necessários para uma boa confissão

Podemos dizer que são necessários quatro passos. No primeiro, a pessoa deve se colocar em oração, pedir a Deus a graça de uma sincera contrição; no segundo, fazer um bom exame de consciência ao rezar, lembrar como foi a caminhada da última confissão até o presente; depois, buscar o sacerdote e confessar. Por fim, após a confissão, cumprir a penitência.

Então, o primeiro passo é rezar, orar a Deus pedindo um coração arrependido do mal realizado, pois nem sempre este se arrepende; muitas vezes, a consciência está laxa, ou seja, até sabe que errou, mas não veio o arrependimento. A oração será esse pedido a Deus para que se convença do mal e se arrependa.

Segundo passo: importante fazer um bom exame de consciência, ou seja, fazer um balanço desde a última confissão sobre os males cometidos. Nesse momento, vale dizer que pecado confessado é pecado perdoado. Se um pecado foi confessado e não mais cometido, não se confessa novamente. Outra dica interessante: se você tem dificuldades, medo ou vergonha de se confessar, faça o seguinte: anote seus pecados. Isso ajudará muito você e o sacerdote.

O terceiro passo: buscar um sacerdote católico, um padre ligado à Igreja Católica Apostólica Romana, pois ele recebeu o múnus, o serviço de celebrar este sacramento pela autoridade do bispo que o ordenou e do bispo local. É em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja que o padre perdoa os pecados.

Não se preocupe: “O que o padre vai pensar de mim?” ou “O padre é pecador como eu!”. O padre não vai ficar pensado nisso. Imagine! Se assim fosse, não iria conseguir viver só pensando nos males do ser humano. Ele recebe a graça de acolher, ouvir, dar uma direção. Pela imposição das mãos dos apóstolos, pela graça da sucessão apostólica, os sacerdotes são colaboradores dos bispos, dos primeiros apóstolos que deram este poder para os outros apóstolos até chegar aos de hoje. Por que confessamos? Porque acreditamos no perdão e na autoridade de perdoar pecados concedida por Jesus Cristo aos apóstolos (Jo 20,22-23). O padre é pecador, mas é um escolhido; e independente de sua santidade, quando ele ministra e perdoa os pecados, a pessoa está perdoada.

O quarto passo: depois de confessar, o padre dá alguma orientação. Pode ser que ele peça para o fiel rezar o ato de contrição; depois, dá a penitência. Sobre o ato de contrição, existem fórmulas longas, outras curtas e também pode ser rezado espontaneamente. O padre, normalmente, dá alguma penitência para que o fiel repare o mal; pode ser uma oração, um gesto para que se retome à santidade perdida pelo pecado. E se o padre não deu penitência? Acalme-se! A confissão é válida. Faça uma oração e tenha atitudes de um cristão, ou seja, retome a vivência dos mandamentos, viva a vida perguntando-se como Jesus faria se estivesse no seu lugar.

Não banalize o sacramento da confissão

A confissão é uma bênção, por isso não a banalize, não a trate de qualquer forma. Examine a sua consciência, confesse-se e proponha-se a não mais pecar. Seja firme com você mesmo e tenha atenção às brechas que você deixa para o inimigo. Quando se deixa de rezar e vigiar, qualquer um se torna presa fácil.

Reze sua oração pessoal, vá à Missa, tenha devoções e reze o terço. Vigie. Esse ambiente é legal? Esse programa convém? Por fim, como foi dito acima, lembre-se de que não basta se confessar várias vezes, é preciso confessar-se e romper com o pecado. Com a graça de Deus, siga em frente e tenha a santidade como meta.

Padre Marcio
Sacerdote na Comunidade Canção Nova

A Eucaristia vence as trevas do nosso coração

Estamos no contexto da Última Ceia de Jesus. Nesse contexto da Eucaristia, está Judas Iscariotes. O que faz Judas, aquele que participa da ceia com Jesus? Ele come do pão! Jesus mesmo diz: “Aquele que come do pão comigo há de me trair!”.

O que mais me entristece e causa, na verdade, provocação e reflexão interior é que, depois que Judas come deste pão, é o demônio quem entra no coração dele.

Sabe, a Eucaristia tem a missão de nos purificar e nos colocar em comunhão com Deus, porque ela é o próprio Senhor que recebemos em nós! Mas se não purificarmos o nosso coração para recebermos a Eucaristia ou não permitirmos que o corpo do Senhor nos purifique, as obras das trevas entrarão em nosso coração.

Todos nós participamos da Ceia do Senhor, comungamos com Ele, mas comungamos também com pensamentos e obras que são do mal. Não permitimos que a Eucaristia realize em nós, muitas vezes, a obra do Reino de Deus.

Jesus mesmo disse: “Teu irmão tem algo contra ti? Primeiro, vai reconciliar-se com ele”. A primeira obra diabólica é esta, não vivemos a reconciliação. Somos capazes de entrar na Ceia Eucarística, comungar, chorar, cantar bonito, mas, ao sairmos da Eucaristia, continuamos fechados, não nos reconciliamos uns com os outros, continuamos a falar mal um dos outros, até na porta da igreja.

Não deixamos que a Eucaristia vença as trevas do nosso coração, mas permitimos, muitas vezes, que o demônio, com suas obras, inspire-nos o mal.

O que aconteceu com Judas não é para atirarmos pedras nele, é para revermos a nossa postura, pois isso acontece com Pedro em seguida. Aquele entusiasmo de estar com Jesus: “Eu darei a minha vida por Ti!”. E Jesus responde: “Pedro, antes que o galo cante, você vai me negar três vezes”.

Pedro também estava na Ceia de Jesus; mais do que isso, ele comungou a vida com Jesus e negou o Mestre três vezes.

Hoje, preciso colocar meu coração de molho, numa reflexão profunda: o que estou permitindo que a Eucaristia realize em mim? O que, de fato, estou vivendo quando comungo com o Senhor? Comungo com uma hóstia? Comungo, na verdade, Jesus em algo que eu acho bom? Comungo, de fato, o Senhor e aceito a Sua obra, o Seu Reino? Ou permito que a obra das trevas invada meu coração?

Nossas fraquezas são nossas e nenhuma delas são condenadas. Elas são salvas, redimidas e cuidadas por Deus! Eu não posso transformar minhas fraquezas em desculpas para viver nas trevas e deixar que pensamentos, ações diabólicas tomem conta do meu coração ainda participando da Eucaristia, da Ceia do Senhor.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Precisamos ter um coração despojado para servir a Deus

Que beleza, na celebração desta Semana Santa, esse Evangelho ocupar um lugar tão importante. Porque, Jesus está na casa de Lázaro e Marta, e no meio de uma refeição Maria coloca-se aos Seus pés. Ela toma o melhor perfume, mais caro e esplêndido, e joga aos pés do Mestre.

Aqui é uma atitude maravilhosa de desprendimento, de reconhecimento e adoração, de se colocar inteira como ela está fazendo e com tudo que tem aos pés do Mestre Jesus.

Ele foi o Senhor que transformou a vida de Maria, e ela reconhece que Ele é o Senhor da sua vida, por isso ela não têm reservas e joga o melhor de si aos pés do Mestre Jesus. Quando ela vai enxugando, com seus cabelos os pés de Jesus, ela está dizendo que todo o seu corpo, tudo aquilo que ela é, está inteiramente aos pés de Jesus.

Como seria bom e, é de fato, necessário nos colocarmos inteiros aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Sabe, as pessoas se voltam para Jesus mas, muitas vezes, voltam-se pela metade, voltam-se só de espírito, voltam-se com uma coisa ou outra. Mas, precisamos ir com o corpo, com a alma, com o espírito, com nossos bens e posses. Precisamos nos despojar, colocar-nos inteiros e sem reservas ao coração de Jesus, aos Seus pés.

O que Maria fez é contraditório ao que Judas, que era discípulo de Jesus, não fez e está repreendendo. “Como essa mulher faz isso? Esse perfume vale trezentas moedas de pratas. Podemos dá-las aos pobres”.

Não quer dizer que Judas esteja preocupado em ajudar os pobres. Ele é avarento, é apegado ao dinheiro, só se preocupa consigo. Desculpe-me, temos uma sociedade, um mundo em que vivemos onde há pessoas que só se preocupam com o dinheiro. E preocupam-se não porque são pessoas econômicas. Não! São pessoas avarentas, elas não são capazes do pouco ou do muito que têm, ter um coração despojado para servir a Deus e ao próximo, para ajudar as pessoas.

São sempre assim, desculpe-me a expressão, com a mão fechada, porque, não é a mão que se fecha, mas é o coração, é o coração que se apega. E aí essas pessoas não sabem ser livres.

É o que acontece com este discípulo de Jesus, chamado Judas. Ele é a contradição do despojamento, não é aquela pessoa que simplesmente gasta tudo o que tem. Não estamos falando disso não! Estamos falando de pessoas despojadas, pessoas generosas, pessoas que dão o melhor de si para os outros e para Deus.

Não podemos ser discípulos de Judas. Somos discípulos de Jesus que deu tudo de si, e a si por inteiro para salvar a humanidade. Não tenhamos receio de sermos despojados, porque, assim foi o nosso Mestre!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Programação da Semana Santa - Santuário de Fátima



Homens que rezam por suas famílias sabem aonde ir

Ao assumirmos a vida de cristãos, somos convocados a nos unirmos de tal forma a Cristo, que Ele possa viver plenamente em nós em todas as circunstâncias de nossa vida cotidiana. Os pais de família devem buscar, na oração, o apoio para reger o lar.

Libertar-se do pecado grave é somente o primeiro passo de uma caminhada mais longa, mas muito mais frutuosa. Foi desse modo que Jesus resumiu o trajeto de vida do jovem que lhe perguntou sobre o modo de adquirir a vida eterna: antes de tudo, viver plenamente os mandamentos; depois, abandonar o próprio modo de vida e seguir Cristo para ser perfeito (cf. Lc 18,22 e Mc 10-21).

Seguir Cristo é nos tornarmos um com Ele. O tríplice múnus (obrigação/dever) de Cristo como profeta, sacerdote e rei torna-se, assim, guardando as devidas proporções, também nossa obrigação e meta de vida.

O que significa isso na vida de um pai de família?

Antes de mais nada, entregar-se à oração e pedir a Deus uma verdadeira união com Ele. União de caminhos, união de metas e vontades. Devemos, como João Batista, entender e realizar essa verdade: “É necessário que ele cresça, e eu diminua” (Jo 3,30).

Encontrar-se com Deus e com si mesmo

Devemos nos atentar para as influências que maridos e esposas causam na sua própria casa, estando conscientes disso ou não. Vivemos numa época em que ambos participam de todas as atividades do lar, mas é importante saber o que é próprio de cada um e como isso transparece na vida familiar.

Enquanto a mulher acaba influenciando em todas as relações, e é próprio do dom feminino reconhecer as personalidades, necessidades e o modo de tratar cada membro familiar, é próprio do homem preservar e orientar a família rumo a uma meta ou objetivo. Uma casa que possui uma matriarca atenta é uma casa unida, e o vínculo é o amor. Uma casa que possui um verdadeiro patriarca é uma casa unida, com princípios e metas definidas.

Eis o primeiro benefício da oração de um homem para si mesmo e para sua família: ele percebe para onde precisa ir, percebe que todas as realidades do mundo passam e que sua vida (e de sua família) precisam estar orientadas para a eternidade. Ou, seguindo os versos que São Luís Martin (pai de Santa Teresinha) gostava tanto: “Homem, o tempo é nada para um ser imortal! Infeliz quem o poupa, insensato quem o chora. O tempo é teu navio e não tua morada!” (Alphonse de Lamartine).

Um homem que orienta sua vida para viver plenamente como um cristão, imediatamente causa eco em sua família. Seu testemunho, suas ações e palavras não deixam de ser sentidas e, se é realmente coerente, harmoniza o lar e lhe confere uma grande segurança. A autoridade paterna é, assim, confirmada como aquilo que realmente é: uma participação da autoridade de Deus sobre nós. Ao orientar todas as realidades da sua casa a Deus, o homem compartilha, na prática, do múnus sacerdotal de Cristo.

Seja senhor de sua casa

Devemos lembrar que, como na parábola dos talentos, ao homem também são confiados aqueles que habitam em sua casa. Prestaremos contas deles a Nosso Senhor e esperamos ouvir “Parabéns, servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu senhor!” (Mt 24,14-30). É deste modo que o homem faz parte do múnus de rei, governando um pequeno e precioso tesouro. Tesouro esse que deve render sempre mais para a eternidade. Feliz o homem que consegue ser o senhor de sua casa servindo à sua esposa e seus filhos. É assim que vive o Papa sendo “servo dos servos de Deus”, imitando o Cristo que “sendo de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas se aniquilou a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens”(Fl 2,6-7).

Se, na vida familiar, o “reinado” do homem deve ser serviço e zelo por sua casa, na oração, o pai de família deve se utilizar de sua autoridade e clamar a Deus. Esse é o segundo benefício da oração do homem por seus amados: intercessão poderosa perante Deus em favor dos seus. Afinal, Cristo não nos confia nossa casa e nos abandona, mas permanece atento ao nosso lado. Vemos como Jairo pediu por sua filha e foi atendido (Mc 5, 22 e Lc 8, 41) e como o centurião, também responsável por muitos homens, vem suplicar pela vida de um daqueles que fora deixado aos seus cuidados (Lc 7, 2). Deus mesmo sustenta, através da oração, a autoridade que ele constituiu na terra.

Não dorme, nem cochila o vigia de Israel (Sl 121,4)

Aquele que é responsável como rei e orienta todas as realidades da vida a Deus como sacerdote, precisa vigiar incessantemente. Se “nossa luta não é contra o sangue e a carne” (Ef 6, 12), precisamos estar atentos para que permaneçamos em Cristo e “tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele, na sua vinda” (I Jo 2, 28). Isso só é possível na oração constante e confiante.

Ela nos deixa atentos para as realidades do mundo que, muitas vezes, são pura enganação. Jesus, em meio à agonia do Horto das Oliveiras, pediu a Pedro, Tiago e João que não dormissem, mas que orassem e vigiassem (Mt 26, 41 e Mc 14,38). Na parábola das dez virgens (Mt 25, 1-13) também todas acabam adormecendo, e somente aquelas cinco que levaram azeite extra, conseguiram manter suas lâmpadas acessas ao acordar e ir ao encontro do esposo.

Por isso, somente o homem que vigia incessantemente sobre sua família, por meio da oração, consegue viver o múnus de profeta no lar. Esse é o terceiro benefício conquistado pelo homem que reza por sua família, Deus pode eficazmente conduzi-lo e orientá-lo em Sua vontade.

É o pai-profeta quem interpreta a vontade de Deus e as direções que Ele quer que tomemos em nossa vida familiar. Foi assim que Abrão deixou tudo que tinha e partiu rumo a uma terra distante (Gen 12,1), Moisés foi em busca do povo eleito para libertá-lo (Ex 3,10) e tantos outros pais de família tomaram decisões inusitadas e incompreensíveis para o mundo. Também é o Senhor quem nos alerta para pessoas, situações e vivências que parecem inocentes, mas que, com o tempo, podem causar grandes estragos familiares. Mudanças de emprego, novos cursos, esta ou aquela escola, tais e quais amigos ou conhecidos, como viver tudo isso sem estar em oração? Como viver tudo isso sem vigiar, sem entender que o espiritual é muito maior e mais abrangente que o mundo visível que nos cerca?

Homens, rezem! Rezem por vocês e por suas famílias. Rezem sem cessar (1 Ts 5, 17), sem desanimar! A sua casa precisa de seu apoio, orientação e serviço. E quem somos nós se não contarmos com Deus para viver tudo isso? Não se iluda achando que conhece o mundo e a forma das coisas do mundo. Afinal, lembre-se que “por alto preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens” (I Cor 7, 23) vivendo como se o espiritual não existisse na realidade de sua família.

Flávio Crepaldi

Deixemo-nos incomodar pela Palavra de Deus

Veja, se alguém guardar a Palavra de Jesus, jamais verá a morte. Eu creio que nós estamos entendendo que “guardar” não é pegar a Palavra, dobrar e colocá-la dentro do nosso guarda-roupa, da nossa escrivaninha. Guardar quer dizer, acima de tudo, observar, trazer a Palavra para dentro do coração e exprimi-la na vida.

Estamos em busca de um sentido para a vida, de uma realização, estamos em busca, realmente, de trazer felicidade para nossa vida. E não há vida plena se não for a vida em Jesus!

Pode parecer meio teórico dizer: “E como permanecer em Jesus?”. Ter a vida em Jesus é guardar Sua palavra, é conhecer, mergulhar e aprofundar-se nela; é transformá-las nas palavras de Jesus, assumir aquilo que falamos, pensamos, agimos, a forma que vemos o mundo, as coisas, as situações, as relações e tudo aquilo que estamos realizando de acordo com a Palavra de Jesus.

Esse mundo tem sede de palavras de vida eterna, tem sede de renovação! A Palavra de Jesus provoca inquietação naqueles que a acolhem; o coração começa a se renovar, a transformar-se e mudar.

O que acontece com o nosso coração quando, docilmente, acolhemos a Palavra de Deus? As trevas correm de nós, coisas que estão ruminando de negativo dentro do nosso coração vão saindo pela força que a Palavra de Deus exerce dentro de nós. Mas a Palavra de Deus também provoca, por outro lado, indignação daqueles que não a acolhem, não estão de acordo com ela.

Alguns judeus, na narração do Evangelho de hoje, estão indignados, porque Jesus diz que aquele que permanecer n’Ele terá vida. Eles querem até apedrejar Jesus, querem levá-Lo à morte por causa de Suas palavras.

As palavras de Jesus provocam bênçãos para aqueles que a acolhem e perturbação e ira para quem as rejeita. Não precisamos ir muito longe, porque, muitas vezes, queremos ser provocados pela Palavra de Deus. Quando ela vem contradizer nosso comportamento, nossa maneira de pensar, agir e falar algo, também rangemos por dentro, arrumamos desculpas ou oposição a essa Palavra.

É preciso abrir o coração para, docilmente, acolhermos e sermos conduzidos por essa Palavra! Mas, atenção, não acolha a Palavra apenas na conveniência, naquilo que lhe convém e com o que está de acordo, que não o incomoda.

Deixemo-se ser incomodado pela Palavra de Deus, porque ela tem a missão de transformar sua vida!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Ser firme, mesmo na tribulação

Você precisa de uma resposta de Deus. Não se desespere, espere no Senhor, creia. Ele agirá no tempo oportuno.”Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice” (Eclesiástico 2,1-6).

“Filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação”. Deus se aproxima de nós quando estamos mais frágeis, pois quanto mais precisamos dEle, tanto mais Ele se aproxima de nós. Os dias dolorosos vêm para todos, todos experimentam a angústia e o temor. E você, que conheceu Jesus, prepare-se.

Deus nos conhece, quando a dor “aperta”, nós nos afobamos e O perdemos diante dos nossos olhos. São dias de escuridão, dias de dor. O Senhor diz: “Meu filho, não te perturbes”, embora pareça que você esteja sozinho, Ele está com você. As pessoas podem dizer que você está abandonada por Ele, mas não dê ouvidos a elas. A tentação que quer que você se volte contra Deus e que você se sinta abandonado.

Não dê ouvidos ao demônio

Jó sofreu horrores, os amigos e até mesmo a esposa dele lhe pediram que abandonasse a Deus, mas ele permaneceu firme. Tudo passa. Sua dor vai passar. A dificuldade vai passar, não dê ouvidos ao demônio, porque na dificuldade o Senhor também está com você. “Não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”.

Espere em Deus, pois seus sofrimentos podem ter fugido ao seu controle, mas não fugiram do dEle. Que segurança nós temos? Nossa segurança é o Senhor. Nossa beleza passa com o tempo; a inteligência, com uma doença, por isso, nossa segurança é o Senhor.

Quando a sua oração demorar a ser atendida, agarre-se em Deus, pois, no tempo dEle, ela vai ser atendida. Tenha confiança nEle, continue orando, pois a oração é justamente essa confiança. Deus vai atendê-la [oração], mas não no tempo que você quer, mas no tempo que for melhor para você. O Senhor o socorrerá no tempo propício. O socorro divino nunca chega tarde, chega no tempo certo. Só aquele que tem confiança nEle receberá o que pede.

É muito difícil esperar, pois ficamos angustiados, ansiosos, mas as coisas de Deus não são assim. O tempo do Senhor não é o nosso. Quando plantamos uma semente, temos de regá-la, esperar até que brote. Portanto, paciência! O Pai não caminha no nosso tempo, no tempo da nossa exigência, mas no tempo dEle.

Enquanto espera no Senhor, seja fiel e “Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus”. Esperar é muito difícil! É ser provado; esperar em Deus não é fácil.

Espere o tempo de Deus. Aceite o que lhe acontecer. Pegue o seu sofrimento e o apresente a Deus, dizendo: Senhor, eu não o entendo, mas quero enfrentá-lo com o Senhor.

Dê a Deus o que é de Deus, que é o primeiro lugar. Confie nEle, abandone-se nEle. A nossa dor é curada com amor, por isso, deixe-O cuidar de você, não é o tempo que sara a ferida, mas é o amor. Deus nos purifica curando e nos cura nos purificando.

Quando sofremos longe do Senhor, morremos. Se o nosso sofrimento não tem sentido, morremos. Quem reza é curado. A oração faz toda a diferença; seu corpo pode desfalecer, mas você não.

Felizes os que choram, porque o Senhor se comove com suas lágrimas, pois diante dEle rasgamos o nosso coração.

Márcio Mendes
Missionário da Comunidade Canção Nova

A Palavra de Jesus liberta nosso coração

Todos nós precisamos de libertação, precisamos ser libertos da ignorância, do espírito das trevas. Precisamos ser libertos de tantas coisas que nos machucaram e feriram! Precisamos ser libertos do nosso egoísmo, da nossa soberba, precisamos ser libertos da ação do mundo que, muitas vezes, entra no nosso coração.

Jesus está no meio de nós, porque nos quer livres e libertos para servirmos a Deus, para entrarmos no Seu Reino e vivermos Sua graça em nós.

Jesus nos quer libertos da ação do maligno e do poder das trevas. Ele mesmo nos aponta o caminho, mas, primeiro, precisamos conhecer a verdade. Quanto é apaixonante para Jesus trazer ao nosso coração a Sua verdade, que é única! E de que modo permaneceremos nessa verdade e a conheceremos? É Ele quem está nos dizendo: “Se permanecerdes na minha palavra!”.

Sabe, meus irmãos, podemos conhecer Jesus, podemos estar com Ele, fazer uma experiência com Cristo, mas não permanecermos n’Ele; e permanecer quer dizer ficar, estar colocado e junto, não se separar.

Há um tempo em que precisamos de Deus, precisamos da Sua graça; enchemo-nos dela, mas agora já nos achamos autossuficientes, não precisamos mais ficar na casa ou ficarmos ligados, porque já sabemos tudo o que é de Deus e assim por diante. Isso é um tremendo engano!

Precisamos permanecer unidos ao coração de Jesus todos os dias da nossa vida! Por isso, para permanecer n’Ele, precisamos conhecer e mergulhar nas Palavras de Jesus. Precisamos meditar Suas Palavras, banharmo-nos nelas e nos inebriarmos delas, porque, a cada dia, a Palavra do Senhor se renova, cura e, acima de tudo, liberta.

A Palavra liberta o nosso coração da ignorância, liberta-nos de todo o mal que o mundo e as trevas realizam no nosso coração. Por isso, não podemos fugir da Palavra de Deus, porque o meio mais cômodo e fácil de sairmos da presença d’Ele é fugirmos de Sua Palavra, é não perseverarmos na meditação da Palavra de Deus.

O Senhor nos quer unidos a Ele, e assim permaneceremos. Seremos libertos, curados, transformados quando fizermos da Palavra de Deus a palavra de vida, que nos liberta e cura; a palavra que nos ajuda e nos conduz, de fato, a permanecermos na verdade.

É hora de permanecer em Jesus, precisamos permanecer n’Ele e não podemos sair da Sua presença!
Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova