Precisamos ter um coração despojado para servir a Deus

Que beleza, na celebração desta Semana Santa, esse Evangelho ocupar um lugar tão importante. Porque, Jesus está na casa de Lázaro e Marta, e no meio de uma refeição Maria coloca-se aos Seus pés. Ela toma o melhor perfume, mais caro e esplêndido, e joga aos pés do Mestre.

Aqui é uma atitude maravilhosa de desprendimento, de reconhecimento e adoração, de se colocar inteira como ela está fazendo e com tudo que tem aos pés do Mestre Jesus.

Ele foi o Senhor que transformou a vida de Maria, e ela reconhece que Ele é o Senhor da sua vida, por isso ela não têm reservas e joga o melhor de si aos pés do Mestre Jesus. Quando ela vai enxugando, com seus cabelos os pés de Jesus, ela está dizendo que todo o seu corpo, tudo aquilo que ela é, está inteiramente aos pés de Jesus.

Como seria bom e, é de fato, necessário nos colocarmos inteiros aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Sabe, as pessoas se voltam para Jesus mas, muitas vezes, voltam-se pela metade, voltam-se só de espírito, voltam-se com uma coisa ou outra. Mas, precisamos ir com o corpo, com a alma, com o espírito, com nossos bens e posses. Precisamos nos despojar, colocar-nos inteiros e sem reservas ao coração de Jesus, aos Seus pés.

O que Maria fez é contraditório ao que Judas, que era discípulo de Jesus, não fez e está repreendendo. “Como essa mulher faz isso? Esse perfume vale trezentas moedas de pratas. Podemos dá-las aos pobres”.

Não quer dizer que Judas esteja preocupado em ajudar os pobres. Ele é avarento, é apegado ao dinheiro, só se preocupa consigo. Desculpe-me, temos uma sociedade, um mundo em que vivemos onde há pessoas que só se preocupam com o dinheiro. E preocupam-se não porque são pessoas econômicas. Não! São pessoas avarentas, elas não são capazes do pouco ou do muito que têm, ter um coração despojado para servir a Deus e ao próximo, para ajudar as pessoas.

São sempre assim, desculpe-me a expressão, com a mão fechada, porque, não é a mão que se fecha, mas é o coração, é o coração que se apega. E aí essas pessoas não sabem ser livres.

É o que acontece com este discípulo de Jesus, chamado Judas. Ele é a contradição do despojamento, não é aquela pessoa que simplesmente gasta tudo o que tem. Não estamos falando disso não! Estamos falando de pessoas despojadas, pessoas generosas, pessoas que dão o melhor de si para os outros e para Deus.

Não podemos ser discípulos de Judas. Somos discípulos de Jesus que deu tudo de si, e a si por inteiro para salvar a humanidade. Não tenhamos receio de sermos despojados, porque, assim foi o nosso Mestre!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Programação da Semana Santa - Santuário de Fátima



Homens que rezam por suas famílias sabem aonde ir

Ao assumirmos a vida de cristãos, somos convocados a nos unirmos de tal forma a Cristo, que Ele possa viver plenamente em nós em todas as circunstâncias de nossa vida cotidiana. Os pais de família devem buscar, na oração, o apoio para reger o lar.

Libertar-se do pecado grave é somente o primeiro passo de uma caminhada mais longa, mas muito mais frutuosa. Foi desse modo que Jesus resumiu o trajeto de vida do jovem que lhe perguntou sobre o modo de adquirir a vida eterna: antes de tudo, viver plenamente os mandamentos; depois, abandonar o próprio modo de vida e seguir Cristo para ser perfeito (cf. Lc 18,22 e Mc 10-21).

Seguir Cristo é nos tornarmos um com Ele. O tríplice múnus (obrigação/dever) de Cristo como profeta, sacerdote e rei torna-se, assim, guardando as devidas proporções, também nossa obrigação e meta de vida.

O que significa isso na vida de um pai de família?

Antes de mais nada, entregar-se à oração e pedir a Deus uma verdadeira união com Ele. União de caminhos, união de metas e vontades. Devemos, como João Batista, entender e realizar essa verdade: “É necessário que ele cresça, e eu diminua” (Jo 3,30).

Encontrar-se com Deus e com si mesmo

Devemos nos atentar para as influências que maridos e esposas causam na sua própria casa, estando conscientes disso ou não. Vivemos numa época em que ambos participam de todas as atividades do lar, mas é importante saber o que é próprio de cada um e como isso transparece na vida familiar.

Enquanto a mulher acaba influenciando em todas as relações, e é próprio do dom feminino reconhecer as personalidades, necessidades e o modo de tratar cada membro familiar, é próprio do homem preservar e orientar a família rumo a uma meta ou objetivo. Uma casa que possui uma matriarca atenta é uma casa unida, e o vínculo é o amor. Uma casa que possui um verdadeiro patriarca é uma casa unida, com princípios e metas definidas.

Eis o primeiro benefício da oração de um homem para si mesmo e para sua família: ele percebe para onde precisa ir, percebe que todas as realidades do mundo passam e que sua vida (e de sua família) precisam estar orientadas para a eternidade. Ou, seguindo os versos que São Luís Martin (pai de Santa Teresinha) gostava tanto: “Homem, o tempo é nada para um ser imortal! Infeliz quem o poupa, insensato quem o chora. O tempo é teu navio e não tua morada!” (Alphonse de Lamartine).

Um homem que orienta sua vida para viver plenamente como um cristão, imediatamente causa eco em sua família. Seu testemunho, suas ações e palavras não deixam de ser sentidas e, se é realmente coerente, harmoniza o lar e lhe confere uma grande segurança. A autoridade paterna é, assim, confirmada como aquilo que realmente é: uma participação da autoridade de Deus sobre nós. Ao orientar todas as realidades da sua casa a Deus, o homem compartilha, na prática, do múnus sacerdotal de Cristo.

Seja senhor de sua casa

Devemos lembrar que, como na parábola dos talentos, ao homem também são confiados aqueles que habitam em sua casa. Prestaremos contas deles a Nosso Senhor e esperamos ouvir “Parabéns, servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu senhor!” (Mt 24,14-30). É deste modo que o homem faz parte do múnus de rei, governando um pequeno e precioso tesouro. Tesouro esse que deve render sempre mais para a eternidade. Feliz o homem que consegue ser o senhor de sua casa servindo à sua esposa e seus filhos. É assim que vive o Papa sendo “servo dos servos de Deus”, imitando o Cristo que “sendo de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas se aniquilou a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens”(Fl 2,6-7).

Se, na vida familiar, o “reinado” do homem deve ser serviço e zelo por sua casa, na oração, o pai de família deve se utilizar de sua autoridade e clamar a Deus. Esse é o segundo benefício da oração do homem por seus amados: intercessão poderosa perante Deus em favor dos seus. Afinal, Cristo não nos confia nossa casa e nos abandona, mas permanece atento ao nosso lado. Vemos como Jairo pediu por sua filha e foi atendido (Mc 5, 22 e Lc 8, 41) e como o centurião, também responsável por muitos homens, vem suplicar pela vida de um daqueles que fora deixado aos seus cuidados (Lc 7, 2). Deus mesmo sustenta, através da oração, a autoridade que ele constituiu na terra.

Não dorme, nem cochila o vigia de Israel (Sl 121,4)

Aquele que é responsável como rei e orienta todas as realidades da vida a Deus como sacerdote, precisa vigiar incessantemente. Se “nossa luta não é contra o sangue e a carne” (Ef 6, 12), precisamos estar atentos para que permaneçamos em Cristo e “tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele, na sua vinda” (I Jo 2, 28). Isso só é possível na oração constante e confiante.

Ela nos deixa atentos para as realidades do mundo que, muitas vezes, são pura enganação. Jesus, em meio à agonia do Horto das Oliveiras, pediu a Pedro, Tiago e João que não dormissem, mas que orassem e vigiassem (Mt 26, 41 e Mc 14,38). Na parábola das dez virgens (Mt 25, 1-13) também todas acabam adormecendo, e somente aquelas cinco que levaram azeite extra, conseguiram manter suas lâmpadas acessas ao acordar e ir ao encontro do esposo.

Por isso, somente o homem que vigia incessantemente sobre sua família, por meio da oração, consegue viver o múnus de profeta no lar. Esse é o terceiro benefício conquistado pelo homem que reza por sua família, Deus pode eficazmente conduzi-lo e orientá-lo em Sua vontade.

É o pai-profeta quem interpreta a vontade de Deus e as direções que Ele quer que tomemos em nossa vida familiar. Foi assim que Abrão deixou tudo que tinha e partiu rumo a uma terra distante (Gen 12,1), Moisés foi em busca do povo eleito para libertá-lo (Ex 3,10) e tantos outros pais de família tomaram decisões inusitadas e incompreensíveis para o mundo. Também é o Senhor quem nos alerta para pessoas, situações e vivências que parecem inocentes, mas que, com o tempo, podem causar grandes estragos familiares. Mudanças de emprego, novos cursos, esta ou aquela escola, tais e quais amigos ou conhecidos, como viver tudo isso sem estar em oração? Como viver tudo isso sem vigiar, sem entender que o espiritual é muito maior e mais abrangente que o mundo visível que nos cerca?

Homens, rezem! Rezem por vocês e por suas famílias. Rezem sem cessar (1 Ts 5, 17), sem desanimar! A sua casa precisa de seu apoio, orientação e serviço. E quem somos nós se não contarmos com Deus para viver tudo isso? Não se iluda achando que conhece o mundo e a forma das coisas do mundo. Afinal, lembre-se que “por alto preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens” (I Cor 7, 23) vivendo como se o espiritual não existisse na realidade de sua família.

Flávio Crepaldi

Deixemo-nos incomodar pela Palavra de Deus

Veja, se alguém guardar a Palavra de Jesus, jamais verá a morte. Eu creio que nós estamos entendendo que “guardar” não é pegar a Palavra, dobrar e colocá-la dentro do nosso guarda-roupa, da nossa escrivaninha. Guardar quer dizer, acima de tudo, observar, trazer a Palavra para dentro do coração e exprimi-la na vida.

Estamos em busca de um sentido para a vida, de uma realização, estamos em busca, realmente, de trazer felicidade para nossa vida. E não há vida plena se não for a vida em Jesus!

Pode parecer meio teórico dizer: “E como permanecer em Jesus?”. Ter a vida em Jesus é guardar Sua palavra, é conhecer, mergulhar e aprofundar-se nela; é transformá-las nas palavras de Jesus, assumir aquilo que falamos, pensamos, agimos, a forma que vemos o mundo, as coisas, as situações, as relações e tudo aquilo que estamos realizando de acordo com a Palavra de Jesus.

Esse mundo tem sede de palavras de vida eterna, tem sede de renovação! A Palavra de Jesus provoca inquietação naqueles que a acolhem; o coração começa a se renovar, a transformar-se e mudar.

O que acontece com o nosso coração quando, docilmente, acolhemos a Palavra de Deus? As trevas correm de nós, coisas que estão ruminando de negativo dentro do nosso coração vão saindo pela força que a Palavra de Deus exerce dentro de nós. Mas a Palavra de Deus também provoca, por outro lado, indignação daqueles que não a acolhem, não estão de acordo com ela.

Alguns judeus, na narração do Evangelho de hoje, estão indignados, porque Jesus diz que aquele que permanecer n’Ele terá vida. Eles querem até apedrejar Jesus, querem levá-Lo à morte por causa de Suas palavras.

As palavras de Jesus provocam bênçãos para aqueles que a acolhem e perturbação e ira para quem as rejeita. Não precisamos ir muito longe, porque, muitas vezes, queremos ser provocados pela Palavra de Deus. Quando ela vem contradizer nosso comportamento, nossa maneira de pensar, agir e falar algo, também rangemos por dentro, arrumamos desculpas ou oposição a essa Palavra.

É preciso abrir o coração para, docilmente, acolhermos e sermos conduzidos por essa Palavra! Mas, atenção, não acolha a Palavra apenas na conveniência, naquilo que lhe convém e com o que está de acordo, que não o incomoda.

Deixemo-se ser incomodado pela Palavra de Deus, porque ela tem a missão de transformar sua vida!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Ser firme, mesmo na tribulação

Você precisa de uma resposta de Deus. Não se desespere, espere no Senhor, creia. Ele agirá no tempo oportuno.”Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice” (Eclesiástico 2,1-6).

“Filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação”. Deus se aproxima de nós quando estamos mais frágeis, pois quanto mais precisamos dEle, tanto mais Ele se aproxima de nós. Os dias dolorosos vêm para todos, todos experimentam a angústia e o temor. E você, que conheceu Jesus, prepare-se.

Deus nos conhece, quando a dor “aperta”, nós nos afobamos e O perdemos diante dos nossos olhos. São dias de escuridão, dias de dor. O Senhor diz: “Meu filho, não te perturbes”, embora pareça que você esteja sozinho, Ele está com você. As pessoas podem dizer que você está abandonada por Ele, mas não dê ouvidos a elas. A tentação que quer que você se volte contra Deus e que você se sinta abandonado.

Não dê ouvidos ao demônio

Jó sofreu horrores, os amigos e até mesmo a esposa dele lhe pediram que abandonasse a Deus, mas ele permaneceu firme. Tudo passa. Sua dor vai passar. A dificuldade vai passar, não dê ouvidos ao demônio, porque na dificuldade o Senhor também está com você. “Não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”.

Espere em Deus, pois seus sofrimentos podem ter fugido ao seu controle, mas não fugiram do dEle. Que segurança nós temos? Nossa segurança é o Senhor. Nossa beleza passa com o tempo; a inteligência, com uma doença, por isso, nossa segurança é o Senhor.

Quando a sua oração demorar a ser atendida, agarre-se em Deus, pois, no tempo dEle, ela vai ser atendida. Tenha confiança nEle, continue orando, pois a oração é justamente essa confiança. Deus vai atendê-la [oração], mas não no tempo que você quer, mas no tempo que for melhor para você. O Senhor o socorrerá no tempo propício. O socorro divino nunca chega tarde, chega no tempo certo. Só aquele que tem confiança nEle receberá o que pede.

É muito difícil esperar, pois ficamos angustiados, ansiosos, mas as coisas de Deus não são assim. O tempo do Senhor não é o nosso. Quando plantamos uma semente, temos de regá-la, esperar até que brote. Portanto, paciência! O Pai não caminha no nosso tempo, no tempo da nossa exigência, mas no tempo dEle.

Enquanto espera no Senhor, seja fiel e “Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus”. Esperar é muito difícil! É ser provado; esperar em Deus não é fácil.

Espere o tempo de Deus. Aceite o que lhe acontecer. Pegue o seu sofrimento e o apresente a Deus, dizendo: Senhor, eu não o entendo, mas quero enfrentá-lo com o Senhor.

Dê a Deus o que é de Deus, que é o primeiro lugar. Confie nEle, abandone-se nEle. A nossa dor é curada com amor, por isso, deixe-O cuidar de você, não é o tempo que sara a ferida, mas é o amor. Deus nos purifica curando e nos cura nos purificando.

Quando sofremos longe do Senhor, morremos. Se o nosso sofrimento não tem sentido, morremos. Quem reza é curado. A oração faz toda a diferença; seu corpo pode desfalecer, mas você não.

Felizes os que choram, porque o Senhor se comove com suas lágrimas, pois diante dEle rasgamos o nosso coração.

Márcio Mendes
Missionário da Comunidade Canção Nova

A Palavra de Jesus liberta nosso coração

Todos nós precisamos de libertação, precisamos ser libertos da ignorância, do espírito das trevas. Precisamos ser libertos de tantas coisas que nos machucaram e feriram! Precisamos ser libertos do nosso egoísmo, da nossa soberba, precisamos ser libertos da ação do mundo que, muitas vezes, entra no nosso coração.

Jesus está no meio de nós, porque nos quer livres e libertos para servirmos a Deus, para entrarmos no Seu Reino e vivermos Sua graça em nós.

Jesus nos quer libertos da ação do maligno e do poder das trevas. Ele mesmo nos aponta o caminho, mas, primeiro, precisamos conhecer a verdade. Quanto é apaixonante para Jesus trazer ao nosso coração a Sua verdade, que é única! E de que modo permaneceremos nessa verdade e a conheceremos? É Ele quem está nos dizendo: “Se permanecerdes na minha palavra!”.

Sabe, meus irmãos, podemos conhecer Jesus, podemos estar com Ele, fazer uma experiência com Cristo, mas não permanecermos n’Ele; e permanecer quer dizer ficar, estar colocado e junto, não se separar.

Há um tempo em que precisamos de Deus, precisamos da Sua graça; enchemo-nos dela, mas agora já nos achamos autossuficientes, não precisamos mais ficar na casa ou ficarmos ligados, porque já sabemos tudo o que é de Deus e assim por diante. Isso é um tremendo engano!

Precisamos permanecer unidos ao coração de Jesus todos os dias da nossa vida! Por isso, para permanecer n’Ele, precisamos conhecer e mergulhar nas Palavras de Jesus. Precisamos meditar Suas Palavras, banharmo-nos nelas e nos inebriarmos delas, porque, a cada dia, a Palavra do Senhor se renova, cura e, acima de tudo, liberta.

A Palavra liberta o nosso coração da ignorância, liberta-nos de todo o mal que o mundo e as trevas realizam no nosso coração. Por isso, não podemos fugir da Palavra de Deus, porque o meio mais cômodo e fácil de sairmos da presença d’Ele é fugirmos de Sua Palavra, é não perseverarmos na meditação da Palavra de Deus.

O Senhor nos quer unidos a Ele, e assim permaneceremos. Seremos libertos, curados, transformados quando fizermos da Palavra de Deus a palavra de vida, que nos liberta e cura; a palavra que nos ajuda e nos conduz, de fato, a permanecermos na verdade.

É hora de permanecer em Jesus, precisamos permanecer n’Ele e não podemos sair da Sua presença!
Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Verdades fundamentais sobre o matrimônio


Iluminados pela Exortação Apostólica Amoris Laetitia e por catequeses contidas em meu livro “Papa Francisco às Famílias”, vamos refletir sobre quatro aspectos essenciais da família: indissolubilidade, unidade, fidelidade e abertura à vida. Nessa mútua recepção unida à graça de Cristo, “os noivos prometem um ao outro entrega total, fidelidade e abertura à vida, e também reconhecem como elementos constitutivos do matrimônio os dons que Deus lhes oferece, tomando a sério o seu mútuo compromisso, em nome de Deus e perante a Igreja”, afirma o Pontífice.


Depois de dois anos de reflexão sobre a família no mundo atual, o resultado foi um lindo hino à instituição base da sociedade sobre a alegria do amor na família. Católicos de todos os continentes puderam contribuir, respondendo questionários enviados às dioceses. A partir desse material, dois Sínodos confrontaram ideias de maneira aberta, permanecendo e fortalecendo-se a convicção de verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio.


“O próprio mistério da família cristã só se pode compreender plenamente à luz do amor infinito do Pai, que se manifestou em Cristo entregue até ao fim e vivo entre nós. Por isso, quero contemplar Cristo vivo que está presente em tantas histórias de amor e invocar o fogo do Espírito sobre todas as famílias do mundo”, destaca o Santo Padre no terceiro capítulo do documento.


Indissolubilidade

Elemento essencial do ensinamento da Igreja acerca do matrimônio e da família é a indissolubilidade. Francisco afirma: “O que Deus uniu não o separe o homem” (Mt 19,6). Isso não deve ser entendido como um peso, mas um presente. O caminho do casal é acompanhado pela bondade divina. Por meio da graça, o coração é curado e transformado. Vocação recebida pela Igreja ao longo do tempo, o matrimônio é um dom do Senhor (cf. 1 Cor 7, 7) que deve ser cuidado. “Seja o matrimônio honrado por todos e imaculado o leito conjugal” (Heb 13, 4). Esse dom de Deus inclui a sexualidade: “Não vos recuseis um ao outro” (1 Cor 7, 5).



Unidade

Ao viver essa unidade, a família torna-se “comunidade de vida e amor (cf. n. 48)”, como definiu o Concílio Ecumênico Vaticano II na Constituição pastoral Gaudium et spes sobre a promoção da dignidade do matrimônio e da família (cf. nn. 47-52). O ponto de unidade é o amor no centro da família. A união dos esposos integra a dimensão sexual e a afetividade. Na raiz dessa unidade, Cristo Senhor “vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do matrimônio” (n. 48).


A exortação Amoris Laetitia recorda ainda que a união sexual é caminho de “crescimento na vida da graça para os esposos”. A união dos corpos é expressa nas palavras do consentimento, pelas quais se acolheram e doaram reciprocamente para partilhar a vida toda. Tal consentimento e união dos corpos são instrumentos da ação divina que os torna uma só carne.


Fidelidade

Mais que um sinal de visível compromisso, o matrimônio é um dom para santificação e salvação dos esposos, porque sua pertença recíproca é a representação real da mesma relação de Cristo com a Igreja. Os esposos são, portanto, para a Igreja, a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar.


Abertura à vida

“Nenhum ato sexual dos esposos pode negar esse significado, embora, por várias razões, nem sempre possa efetivamente gerar uma nova vida”. Amoris Laetitia recorda que também “os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando”. A escolha da adoção e do acolhimento exprime uma fecundidade particular da experiência conjugal. O matrimônio é, em primeiro lugar, uma “íntima comunidade da vida e do amor conjugal”, que constitui um bem para os próprios esposos; e a sexualidade “ordena-se para o amor conjugal do homem e da mulher”. O bebê que chega “não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração desse dom mútuo, do qual é fruto e complemento”. A abertura à vida implica em uma vivência harmoniosa e consciente do casal em sintonia com uma paternidade responsável.


Rodrigo Luiz dos Santos

Editor-chefe de Jornalismo da TVCN

Domingo da Santíssima Trindade


Na leitura de Provérbios, a reflexão sobre a Sabedoria (cf. 8,1s) revela sua origem, anterior a todas as coisas (8,22-26); sua presença na ação criadora (8,27-30) e a tarefa que exerce entre os seres humanos, para guiá-los a Deus (8,31.35-36).

O salmo é um hino de louvor que convida a colaborar com Deus na preservação de sua obra.

A leitura aos Romanos ensina a enfrentar as tribulações firmes na fé, na esperança e no amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, pela glorificação de Jesus (Jo 7,39; 20,22).

Os discípulos, que permaneceram com Jesus (1,39) e testemunharam seus gestos e palavras, compreenderão muitas coisas, o sentido pleno de sua missão, iluminados pelo Mistério Pascal (2,22; 12,16; 13,7). Em meio às aflições por causa da missão, são consolados pela presença e agir da Trindade. A ênfase no verbo “anunciar” (16,13.14.15) refere-se aos desafios de continuar a missão de Jesus. Os discípulos trilham o caminho com a certeza da sua   promessa: O Espírito da Verdade conduzirá em toda a verdade. O Espírito falará do que ouve de Jesus e do Pai; recordará aos discípulos as palavras de vida eterna (6,68) que ouviram de Jesus. A comunhão perfeita que há entre o Pai e o Filho Jesus (16,15; 17,10) e o Espírito Santo ilumina a vida e a missão das comunidades cristãs.

A solenidade da Trindade convida a acolher as diversas manifestações do amor de Deus na comunidade e no mundo. Confiantes na ação do Espírito da Verdade, podemos realizar a missão com eficácia, perseverando no anúncio da Boa Nova, no obstante as tribulações.

Neste domingo, em que contemplamos o mistério da comunhão de Deus Trindade, damos graças, repartindo entre nós o pão e o vinho, fruto da entrega de Jesus e da ação do Espírito. Que o amor da Trindade nos ensine a formar comunidades fraternas alicerçadas no respeito e no diálogo.

Revista de Liturgia

Faça do Reino de Deus a grande conquista da sua vida



Quem ouve, num primeiro momento, essas Palavras de Jesus, parece entender que Ele está condenando e colocando como impossibilidade o fato de os ricos se aproximarem de Deus, mas, ao contrário, Deus está dizendo que quer os ricos, os pobres, todos bem juntos a Ele.

O que Jesus está, na verdade, trazendo ao nosso coração é a realidade de que não há riqueza maior que o Reino do Céu, de que o Reino é o grande tesouro para ricos, pobres, doentes e sadios. É preciso conquistar esse Reino, assim como as pessoas trabalham para conquistar o que têm como riquezas e dinheiro, a vida, a dignidade. O Reino dos Céus também é feito de lutas e conquistas!

Por que é difícil um coração avarento, orgulhoso e ambicioso conquistar esse Reino? Porque ele é feito com desprendimento, com pessoas capazes de se desprender de si para fazer o Reino de Deus acontecer.

Não há nenhuma condenação para os ricos nem para as riquezas, mas há condenação para a ambição, porque ela tira a paz do coração humano, não permite que ele se volte para Seu Criador.

Se você quer entrar na Vida do Céu, conceda à sua vida a maior riqueza que ela pode ter: ser de Deus com o muito ou o pouco que você tem! Faça do Reino de Deus a grande conquista da sua vida e tudo mais que se empreender em fazer será abençoado e bem-sucedido!

É importante lembrar que todos os tesouros que juntamos a traça e a ferrugem corroem, mas aquilo que juntamos para a eternidade é para sempre. É preciso aplicar o coração para conquistar a maior riqueza: o Reino de Deus!
Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova