Permitamos que a Palavra eterna de Deus fale por meio de nós

A graça deste domingo do Advento é contemplarmos o papel de João Batista na história da salvação. Quando falamos do papel dele, é, na verdade, para reconhecermos a importância que cada um tem no plano salvífico de Deus.

Esse ‘papel’ [de João Batista] não é representação, mas missão, compromisso, responsabilidade de cada um para que o Reino de Deus aconteça e se estabeleça. Se a plenitude da responsabilidade e da salvação de todos cabe a Jesus, Ele conta com operários, com mãos e cabeças, conta com o empenho de homens e mulheres de todos os tempos, de todos o lugares e classes sociais.

João Batista foi aquele que preparou os caminhos e a voz de Deus no deserto. Talvez poucas pessoas pudessem se lembrar da voz de João, porque ele não saía pregando em todos os lugares, mas quem ia ao deserto escutava aquela voz.

É muito interessante João saber distinguir que ele era apenas a voz, e que a Palavra vinha depois dele. João apenas emprestava a sua voz para que o Verbo, para que a Palavra eterna de Deus saísse e falasse por intermédio dele. É por isso que as palavras de João salvavam e convertiam corações, pois elas transformavam vidas!

Não é que João fosse capaz de transformar, curar e renovar alguém, mas, uma vez que se dispôs a ser a voz de Deus, mesmo no deserto a Palavra fazia acontecer.

Deixemos de lado palavras vazias, fúteis, ambiciosas e gananciosas, palavras que geram angústias, fofocas e maledicências; deixemos que a Palavra eterna de Deus fale em nós e por meio de nós.

Que o Senhor fale em nossa vida, em nossos atos, mas que nós façamos como João: permitamos que Deus fale por meio de nós, e que sejamos a boca d’Ele para o mundo tão carente, tão necessitado de palavras que renovem, curem, transformem e mostrem onde está o caminho da salvação.

Deus usou de João, porque este foi dócil, obediente e usou sua voz a serviço do Senhor.

Hoje, nós queremos ser a voz de Deus nos desertos da vida, queremos ser a voz d’Ele onde estivermos; para isso precisamos da docilidade divina, a fim de que o Senhor também fale por meio de nós!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Volta pra casa do Pai, é tempo de misericórdia

São Francisco morreu ao lado da Porciúncula (pequena Igreja restaurada por ele em Assis – Itália). Mas antes de morrer, pediu ao Papa que desse indulgência a todos que entrassem naquela Igreja e o Papa concedeu. Perguntou em que dia do ano seria e Francisco respondeu: em qualquer dia Santo Padre! É claro que o Papa não poderia conceder isto, então concedeu no dia de hoje esta indulgência plenária e indulgência em todas as igrejas.

Esteja você em que situação estiver, volta pra casa, volte para Deus! Tanta gente tem tudo para voltar, mas não volta, é teimosa, sabe que está errada, mas não volta. O Senhor está apelando a você: volta, é tempo de misericórdia, os céus estão abertos, escancarados esperando a sua volta!

Ovelha não tem faro nenhum, ela se perde facilmente. Facilmente cai num precipício. Jesus conta na parábola que quando falta uma ovelha o pastor larga as outras 99 e vai atrás daquela que se perdeu. Ele corria um sério risco de perder as 99, mas Jesus contou assim para mostrar que aquela que se perdeu era preciosa. É assim: ele larga as 99, arrisca tudo por causa dela. Jesus arrisca tudo por causa de você. Diga: pode arriscar Jesus, eu quero te pertencer e hoje eu volto pra casa, porque é tempo de misericórdia.

A segunda parábola que Jesus contou é aquela da mulher que tem várias moedas e perde uma, e porque perdeu uma, revira a casa para encontrá-la. Sempre pensei que esta mulher fosse uma mulher idosa, velha, mas uma vez o Prado Flores (pregador, fundador da Escola de Evangelização Santo André) nos contou que naquela época as mulheres tinham de ter um dote para passar ao noivo, ela tinha que levar este dote, pois vinha juntando estas moedas, e por isso faz de tudo, varre toda a casa para encontrar aquela moeda, reúne suas companheiras e faz a maior festa e diz: eu encontrei a moeda que tinha perdido, agora eu posso me casar.

Se você é esta moeda perdida, volte logo, não espere Jesus varrer a casa para te encontrar, pelo contrário, exponha-se, faça-se ver. Jesus quer te tomar de volta. Todos nós, homens e mulheres, precisamos passar pelas núpcias, entrar para o reino de Deus.

Na parábola do Filho Pródigo, o pai foi justo, dividiu a herança entre os filhos, vendeu tudo e ficou sem nada. Só pai faz uma coisa assim. Jesus já está nos dizendo como é o coração do pai, ele fica sem nada para dar tudo a mim.

O filho gastou tudo o que era do pai, esbanjou tudo. Ele perdeu tudo e começou a passar penúria, desejava se alimentar da lavagem que os porcos comiam. Para os judeus os porcos são impuros e, por isso, só de ficar perto do porco você já se contamina. E este rapaz é obrigado a tratar de porcos. Certamente eles pertenciam a alguém que não era judeu.

Ele tornou-se impuro totalmente, impuro tratando o pai daquela forma, impuro pela besteirada que fez gastando tudo o que recebeu do pai, impuro por estar tratando dos porcos e por querer comer o que sobrava deles.

Se você chegou a este ponto, volta pra casa meu filho, volta pra casa minha filha, é tempo de misericórdia, a hora é agora. Ele está de braços abertos para receber você, hoje é o dia de voltar.

“Vou me levantar e irei para o meu pai, e lhe direi: meu pai, pequei contra o céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado seu filho, trata-me como a um de seus empregados”.

A canalhice que ele fez, fez com que ele dissesse: não sou mais digno de ser chamado filho, trata-me como a uma de seus empregados. Ele sabia que seu pai tratava bem os empregados.

O pai estava longe ainda, mas de longe viu o filho, pois certamente todos os dias ele aguardava o filho voltar. O pai emocionado, movido de compaixão correu-lhe ao encontro e o abraçou e beijou. Para um judeu o beijo é algo muito importante, não se beija qualquer um, ele fez questão de beijar o seu filho. O pai devolveu a ele a dignidade de filho, de seu filho.

“Este meu filho estava morto e reviveu”. O Pai hoje diz isto a respeito de você. Se você se confessa, se arrepende, deixa a vida errada, os vícios que carrega, o Pai hoje vai dizer a você: este meu filho estava morto e reviveu. Repita comigo: eu quero reviver, quero ressuscitar para a vida, para o Pai, para o céu, eu quero e eu vou ressuscitar, já estou voltando.

Quanta gente perdida por este mundo e talvez você seja um deles, perdido por grandes ou pequenas coisas, mas perdido é perdido. Assim como o pastor achou a ovelha perdida, diga comigo: o pai me encontrou. Assim como aquela moça encontrou uma moeda perdida diga: sim, o pai me encontrou e eu volto para o meu pai, sou a moeda perdida, a ovelha perdida, agora reencontrada.

Uma das músicas que eu mais gosto sobre a passagem do filho pródigo é aquela “Muito alegre eu te pedi o que era meu…” Ela é do Waldeci Farias que eu conheci, era uma pessoa maravilhosa, contribuiu muito à música na Igreja no Brasil. Até que ele apareceu com HIV e, imediatamente, os mais próximos foram o abandonando, isso foi lá nos anos 80 e começo dos anos 90, e para quem teve esta doença nesta época, depressão é pouco, não havia muitos recursos…

Até que uma senhora próxima conseguiu para ele uma vaga no hospital, ficou com ele lá, e foi lá no hospital, vivendo esta situação, que ele se sentiu como o próprio filho pródigo. Ele tinha um violão no quarto e quando cantava esta música se punha todinho, se entregava, ele havia voltado, ele confiou, se jogou nos braços do Pai.

Eu peço Senhor um derramamento especial do Teu Espírito Santo. Derrama o Teu Espírito Santo com força total sobre eles, são seus filhos, precisam ser novas criaturas, e uma vez que eles se confiam, que o Senhor os receba. Sobretudo sobre aqueles que estão nos vícios, no pecado, eles precisam de um derramamento todo especial do teu Espírito Santo.

Monsenhor Jonas Abib

2º Domingo do Advento

O evangelho situa a missão de João Batista na história, no tempo do reinado de Tibério e dos sumos-sacerdotes Anás e Caifás. João é chamado a preparar o caminho do Senhor (1,16-17.76). Apresentado como profeta, convocado pela palavra de Deus (Jr 1,4; Os 1,1), ele anuncia o mundo novo que surge longe dos poderosos: No décimo quinto ano do império de Tibério César (...), a palavra do Senhor foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto. João Batista inaugura o tempo de Jesus pregando o batismo de conversão para o perdão dos pecados. Seu batismo é um rito de imersão que chama à conversão, mudança radical de vida. Jesus, pela sua Páscoa, garante o perdão dos pecados, a vida nova (24,47).  As palavras de Isaías (40,3-5), aplicadas a João, indicam a transformação do coração para acolher o Deus Salvador: Voz que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas... (Lc 3,4-6). Isaías anunciava a restauração de Israel com o regresso dos exilados na Babilônia. A mensagem de João Batista proclama que todos os povos verão a salvação de Deus que será manifestada plenamente em Jesus.

A leitura de Baruc convida a vestir o manto da justiça de Deus, como garantia de paz. A vegetação renascida pelas chuvas no deserto descreve a ação do Senhor, que conduz à libertação com sua justiça e misericórdia.

O salmo canta a alegria e a esperança do povo, ao voltar do exílio, no Deus da aliança que faz desabrochar as sementes do mundo novo.

Paulo, na leitura aos Filipenses, agradece pelo testemunho dessa comunidade, que acolheu o evangelho e colaborou ativamente com o seu anúncio (4,15-20). Ele convida a crescer sempre mais no amor de Deus, a fim de estar preparados para a vinda de Cristo, repletos do fruto da justiça.
                                         
Que caminhos são estes que temos de aplainar em nossas vidas e comunidades? O testemunho de João batista é um chamado a acolher profundamente a Palavra de Deus, que pode nos converter e transformar, discernindo, em meio aos desertos da vida, os caminhos da salvação.

Na celebração acolhemos a Palavra, dando graças a Deus que vem refazer conosco sua aliança de amor. O Espírito nos anima a preparar, no deserto, os caminhos do Senhor; fazendo de nossa vida oferta e pão para a vida dos irmãos e irmãs.

Revista de Liturgia

Como vencer a desvalorização da família?

Mais do que nunca hoje a família é atingida, como disse o Papa João Paulo II, por muitas causas: pela praga do divórcio, das “uniões livres”, do aborto, do controle irregular da natalidade, do chamado “amor livre”, do “sexo seguro”, da “produção independente”, da inseminação artificial, dos “casamentos” de homossexuais, dos preservativos, da eutanásia, dos úteros de aluguel, da pornografia, da ideologia de gêneros, dos adultérios, dos feminismos excêntricos, das novelas imorais, das brigas, da bebida, etc.

Toda essa desordem moral desaba sobre a família e seus amargos frutos caem sobre a própria sociedade, especialmente sobre as crianças. A Irmã Lúcia, vidente de Fátima, disse a um cardeal que a batalha final de Satanás contra a Igreja será pela “destruição do matrimônio e da família”; e hoje isso é notório, pois ai está a base do plano de Deus. João Paulo II disse certa vez que o Mal sabe que não pode vencer a Deus, então procura destruir sua obra: a família. Ele disse também que o futuro da Igreja e da sociedade passa pela família. A própria ONU está aliada com a proposta de “desconstrução da família”, como se viu na Conferência da China, sobre a mulher, em 1995, e na Conferência do Cairo sobre a demografia em 1996.

A Igreja vê a família hoje extremamente ameaçada. Na “Carta às Famílias”, escrita por ocasião do Ano da Família, em 1994, o Papa João Paulo II faz seríssimos alertas sobre as ameaças que hoje a família sofre. Ele disse:

“Nos nossos dias, infelizmente, vários programas sustentados por meios muito poderosos parecem apostados na desagregação da família” (CF, 5).

Mais a frente o Papa continua a denunciar as ameaças à família: “No contexto da civilização do desfrutamento, a mulher pode tornar-se para o homem um objeto, o filho um obstáculo para os pais, a família uma instituição embaraçante para a liberdade dos membros que a compõem. Para convencer-se disto, basta examinar certos programas de educação sexual introduzidos nas escolas, as tendências pró-abortivas que em vão procuram esconder-se atrás do chamado “direito de escolha” (pro choice) por parte de ambos os cônjuges, e particularmente por parte da mulher” (CF,13).

Nesta mesma linha, sem meias palavras, o Papa denunciou os perigos que hoje rondam a família: “O chamado “sexo seguro”, propagandeado pela civilização técnica, na realidade é, sob o perfil das exigências globais da pessoa, ‘radicalmente não seguro’, e mais, gravemente perigoso”. Por causa disso o Papa disse no Brasil, em 1997, que há entre nós milhares de crianças “órfãs de pais vivos” (CF, 14). Que tristeza!

Mostrando que a mentalidade consumista e antinatalista é uma ameaça à família, o Papa diz:“Quando um tal conceito de liberdade encontra aceitação na sociedade, aliando-se facilmente com as mais variadas formas de fraqueza humana, rapidamente se revela como uma sistemática e permanente ameaça à família” (CF, 14).

O pior problema, hoje, das famílias desestruturadas, não é de ordem financeira, mas moral. Quando os pais têm caráter, fé, ou como o povo diz, “tem vergonha na cara”, por mais pobre que sejam, serão capazes de impedir a destruição do seu lar. São inúmeros os casais pobres, mas que com uma vida honesta, de trabalho e honradez, educaram muitos filhos e formaram bons cristãos e honestos cidadãos.

A miséria maior que destrói as famílias, pobres e ricas, é a miséria moral e a falta de religião. É este resgate moral que precisamos realizar para recuperar a família segundo o coração de Deus. De tudo o que foi exposto até aqui, chegamos à conclusão de que a reforma da sociedade não poderá ser feita sem a reforma da família, segundo os planos do seu Fundador. Somente ancorada na Lei eterna de Deus a família e a sociedade poderão ser felizes.

Em vista destas ameaças contra a família, torna-se casa vez mais importante uma “educação no lar”, que valorize a vida, a lei de Deus, a catequese, a oração em família e a solidariedade entre pais e filhos, entre esposo e esposa. Marido e mulher precisam ser fiéis um ao outro, e jamais se permitirem envolver com intimidades com outras pessoas, ameaçando a destruição da família com o adultério e o divórcio. A família cristã precisa todos os dias rezar o Terço de Nossa Senhora.

Os pais precisam dar boa formação moral e religiosa aos filhos, ensinando-lhes com clareza, desde pequenos, a evitar tudo que é imoral, e que foi citado acima, e que ameaça a família. Aos poucos uma mídia sem Deus, as novelas perversas, as revistas profanas, vão minando a fé e a moral católicas, e muitos começam achar que certos procedimentos irregulares sejam normais.

Os pais precisam fiscalizar o que seus filhos estão aprendendo nas escolas, pois, de modo especial nas escolas públicas têm sido colocado nas mãos das crianças cartilhas imorais e pornográficas. Hoje a identidade e a formação das crianças são ameaçadas pela diabólica “ideologia de gênero”, que tenta se implantar por lei, visando a criança.

Os cristãos precisam, por outro lado, se manifestar de maneira organizada e unida com a hierarquia da Igreja, contra tudo que seja proposta de lei que ameace a família, e rechaçar das escolas tudo que seja imoral na formação dos filhos. A grande maioria católica do nosso país não pode se tornar uma maioria silenciosa e omissa, dominada por uma minoria gritante e agitadora que quer implantar entre nós leis imorais e destruidoras da família.

Por tudo isso, é fundamental que em todas as paróquias haja uma boa pastoral familiar, que possa preparar os jovens para o casamento segundo os valores do Evangelho, em Retiros para namorados, noivos e casais. Todos os casais cristãos são chamados hoje, sem que ninguém fique de fora, a ajudar nesta ação evangelizadora em função da família. Urge que se crie um “mutirão familiar”. Caso contrário, vamos chorar mais tarde vendo nossos filhos e netos vivendo valores que não são do Evangelho da salvação.

Prof. Felipe Aquino

A luz de Deus ilumina o nosso caminhar

Os dois cegos gritavam de forma insistente: “‘Jesus, Filho de Davi, tende piedade de nós!’. E Jesus, entrando na casa, aproximou-se daqueles cegos e os questionou: ‘Vocês acreditam que eu posso fazer isso?’. Eles responderam: ‘Nós cremos, Senhor, temos a convicção de que o Senhor pode nos curar'” (cf. Mateus 9,27-28).

A fé é a grande cura da vida, é a convicção, a certeza daquilo que Deus pode fazer por nós. Ter fé é tomar posse da mão maravilhosa e da ação prodigiosa do Senhor que transforma a nossa visão interior.

Aqueles dois homens cegos caminhavam desnorteados, sem saber para onde ir, mas sabiam que Jesus podia iluminar os olhos e o coração deles, o caminho no qual deveriam seguir.

Sabe, meus irmãos, não há nada mais desastroso na vida do que caminharmos sem saber para onde estamos indo. Não há nada mais desastroso do que andarmos numa estrada sem saber onde ela vai dar, vivermos uma vida sem entendermos o significado e o sentido dela, fazermos as coisas sem sabermos o que estamos fazendo. Não adianta fazer por fazer, viver por viver.

Tenhamos uma razão maior para viver, uma razão maior para fazer, permitamos que uma luz que vem do céu nos ilumine, transborde em significados e importância tudo aquilo que realizamos. Transcendamos, não fiquemos apenas no humano, naquilo que fazemos, pois encontraremos a luz, a paz em todos nossos atos e atitudes. É preciso que a luz de Deus ilumine nosso interior.

Jesus pediu aos cegos que não contassem a ninguém o que havia feito por eles, para que as pessoas não se maravilhassem com o ato exterior de dois cegos que passaram a enxergar, mas  que eles [os cegos] contemplassem a maravilha maior que foi a luz de Deus entrando na vida deles.

Quando a luz de Deus chega até nós, transforma nosso caminhar e  ilumina nossa vida. Podemos estar até cansados, passar por situações tenebrosas na vida, mas uma luz brilha ao longo do caminho: a luz de Deus, a luz do Alto que direciona o nosso caminhar.

Que o bom Jesus, o bom Pastor, abra nossos olhos, cure nossa cegueira e nos permita enxergar as realidades mais profundas da existência humana.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

O que significa ser a Medianeira de todas as graças

O título de “Medianeira de todas as graças”, atribuído a Nossa Senhora, tem o seu significado ligado principalmente à participação da Mãe de Deus no Mistério da Encarnação do Verbo e no Mistério Pascal de Jesus Cristo. Mas esse título tem seu significado ligado também à mediação materna da Mãe de Deus sobre toda a Igreja e cada um dos fiéis em particular. Desde os primórdios do Cristianismo, o povo de Deus recorria a Virgem Santíssima, e a Tradição da Igreja já reconhecia a sua participação singular no Mistério de Cristo e na vida dos fiéis. Esse costume de recorrer a Santíssima Virgem é atestado pela mais antiga oração mariana de que se tem conhecimento, do século III, que em latim se chama Sub tuum præsidium, e significa “À vossa proteção”.

As imagens de Nossa Senhora, muitas delas retratadas até mesmo em cavernas e catacumbas, onde se reuniam os primeiros cristãos para rezar, também nos ajudam a compreender que a mediação da Mãe do Senhor faz parte do Cristianismo desde o princípio. Tendo em vista a importância do significado do tema para a Igreja de todos os tempos, trataremos brevemente sobre a Virgem Maria “Medianeira de todas as graças” a partir da doutrina do Corpo Místico de Cristo, presente nas Sagradas Escrituras; dos ensinamentos dos santos e dos doutores da Igreja; da doutrina do Magistério da Igreja.

Os mediadores junto ao único Mediador

Para falar da mediação da Virgem Maria, vamos partir da Palavra de Deus, mais especificamente da Carta de São Paulo a Timóteo, na qual está escrito: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus, que se entregou como resgate por todos”1. Por essa passagem, não há dúvida de que o apóstolo Paulo diz claramente que existe um só mediador entre Deus e os homens2. Mas, voltando alguns versículos, também está escrito: “Antes de tudo, peço que se façam súplicas, orações, intercessões r ação de graças por todas as pessoas, pelos reis e pelas autoridades em geral, para que possamos levar uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade”3.

Nesses versículos, o apóstolo dos gentios pede que se “façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças”4 pelas necessidades da comunidade e por toda a sociedade da época. Mas se Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens, por que Paulo pede a Timóteo e a sua comunidade que intercedam por suas necessidades e as de outras pessoas? O apóstolo faz isso, porque tem a clareza de que o único Mediador é a Igreja, é o Cristo Total, que é formado pela Cabeça, que é Jesus, e por nós, membros do Corpo Místico de Cristo5. Fazemos parte do Corpo de Cristo, por isso participamos da mediação do único Mediador, que é Cristo. Dessa forma, a “mediação única do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas cooperações diversas, que participam dessa única fonte”6. No entanto, somos pessoas cheias de fraquezas, inconstantes, pecadores, e Deus sabe que somos indignos e incapazes, por isso teve piedade de nós e, para nos dar acesso às suas misericórdias, concedeu-nos intercessores poderosos junto da Sua grandeza7.

A Medianeira como caminho para chegar ao Mediador

Pela Sua infinita caridade, Jesus Cristo tornou-se a nossa garantia e o nosso Mediador “junto de Deus, Seu Pai, para aplacá-lo e pagar-lhe o que lhe devíamos. Mas será isso uma razão para termos menos respeito e temor à sua majestade e santidade? Digamos, pois, abertamente – com São Bernardo – que temos necessidade dum mediador junto do mesmo Medianeiro, e que Maria Santíssima é a pessoa mais capaz de desempenhar essa função caridosa. Foi por Ela que nos veio Jesus Cristo; é por Ela que devemos ir a Ele. Se receamos ir diretamente a Jesus Cristo, nosso Deus, por causa da sua grandeza infinita, ou da nossa miséria, ou ainda dos nossos pecados, imploremos ousadamente o auxílio e a intercessão de Maria, nossa mãe”8.

À vista disso, compreendemos que a grandeza de Deus e a miséria humana são motivos suficientes para recorrer a Medianeira de todas as graças. Para chegar até Deus, segundo São Bernardo e São Boaventura, temos que subir três degraus: “o primeiro, que está mais perto de nós e mais conforme à nossa capacidade, é Maria; o segundo é Jesus Cristo, e o terceiro é Deus Pai. Para ir a Jesus é preciso ir a Maria: Ela é a nossa Medianeira de Intercessão. Para ir ao Eterno Pai é preciso ir a Jesus: nosso Medianeiro de Redenção”9. No que diz respeito a Virgem Maria, devemos esclarecer que ela não é somente medianeira de intercessão no sentido mais comum da palavra, que é de interceder por nós, mas também no sentido de intervir concretamente em nossas vidas.

A Medianeira e a sua maternidade espiritual

A doutrina a respeito da maternidade espiritual da Virgem Maria sobre os fiéis atravessou os séculos e se faz presente na Igreja até os nossos dias, inclusive nos principais documentos do magisteriais do Concílio Vaticano II, como a Constituição Dogmática Lumen Gentium e o Catecismo da Igreja Católica. Mas, novamente vamos partir da Palavra de Deus que, a respeito do Corpo Místico de Cristo, diz: “Um homem e um homem nasceu d’Ela”10. Neste versículo do Salmo 86, “segundo a explicação de alguns Santos Padres, o primeiro homem que nasceu de Maria foi o Homem-Deus, Jesus Cristo; o segundo é um homem impuro, filho de Deus e de Maria por adoção”11. Se Jesus Cristo, cabeça do Corpo Místico da Igreja, nasceu da Virgem de Nazaré, todos os predestinados, membros dessa Cabeça, também devem nascer dela, por uma consequência necessária.

Visto que, a mesma mãe não pode dar à luz a cabeça sem os membros, nem os membros sem a cabeça. Isso seria uma monstruosidade na ordem da natureza. Do mesma forma, na ordem da graça, a cabeça e os membros nascem também de uma só Mãe: a Virgem Maria.

Se um membro do Corpo Místico de Cristo nascesse de outra mãe que não fosse a Mãe de Deus, que gerou a Cabeça, não seria um predestinado nem um membro de Jesus Cristo, mas sim um monstro na ordem da graça 12. Por disposição divina, a Santíssima Virgem, “concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É, por essa razão, nossa mãe na ordem da graça”13. Essa maternidade espiritual de “Maria, na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento que fielmente deu na anunciação 14 e que manteve inabalável junto à cruz 15, até à consumação eterna de todos os eleitos”16. Isso significa que a mediação materna da Mãe da Igreja é universal e particular, que ela é “Medianeira de todas as graças”

O significado do título de Maria “Medianeira de todas as graças”

Portanto, a Palavra de Deus, a Tradição da Igreja sempre consideraram a mediação humana junto a Jesus Cristo, o único Mediador, pois a Santíssima Trindade não quis salvar a humanidade sem a cooperação dos homens. Na História da Salvação, desde a Antiga Aliança, muitas foram as mediações humanas como Abraão, Moisés, os reis, os profetas, as santas mulheres, os apóstolos e discípulos de Jesus Cristo. Mas, na plenitude dos tempos, Deus suscitou a mediação singular da Virgem Maria para o desígnio da Salvação da humanidade.

Nossa Senhora esteve presente em toda a vida terrena de Seu Filho Jesus Cristo, desde o Mistério da Encarnação do Verbo, passando pela Sua vida oculta em Nazaré e a sua vida pública, até a consumação do Mistério Pascal. Como que para simbolizar a sua mediação, depois da Ascensão do Senhor aos Céus, a Santíssima Virgem permaneceu com os apóstolos e discípulos. Essa mediação de Maria, que permanece pelos séculos até a consumação eterna de todos os eleitos, não exclui a mediação de Cristo, mas antes é um caminho mais fácil para chegar até o Filho, nosso único Mediador junto ao Pai. No entanto, essa mediação da Mãe da Igreja se diferencia radicalmente das outras mediações humanas por seu caráter materno.

A Virgem de Nazaré não somente gerou o Filho de Deus, mas também o alimentou, educou e acompanhou durante toda sua vida, até o momento supremo de sua existência terrena, a sua doação total no sacrifício da Cruz. Isso significa que a Virgem Maria é medianeira universal, pois ao entregar-se inteiramente ao seu Filho Jesus, ela cooperou na obra da salvação de toda a humanidade. Ao mesmo tempo, Nossa Senhora é nossa medianeira particular, porque sua maternidade espiritual estende-se também a cada um de nós, que somos membros do Corpo de Cristo. Nós somos gerados, alimentados, educados e acompanhados pela Mãe da Igreja por toda a vida, por isso ela é também nossa medianeira de modo particular.

Dessa forma, a Virgem Maria é medianeira de todas as graças, pois ela nos deu Jesus Cristo, a graça incriada e eterna, e nos dá todas as graças necessárias para a nossa salvação, que nos foi alcançada pelo sacrifício único e definitivo de seu Filho no alto da cruz. Embora “Medianeira de todas as graças” seja um título de Nossa Senhora, e não um dogma de fé, o senso de fé do povo de Deus e a Igreja Universal são favoráveis a este, tanto que a sua celebração é reconhecida na Liturgia. Em 1921, o Papa Bento XV concedeu o Ofício e a Santa Missa da Bem-aventurada Virgem Maria “Medianeira de todas as graças”. A sua celebração, no dia 31 de maio, aconteceu primeiramente na Bélgica, mas se difundiu rapidamente por toda a Igreja.

“A devoção também chegou no Brasil e, no sul do país, ganhou enorme expressão. Em 1928, foi introduzida no Seminário São José, da cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, através de um santinho recebido da Bélgica por padre Inácio Valle”17. À Medianeira junto ao Mediador, recorramos com toda a confiança:

Bem-aventurada Virgem Maria Medianeira de todas as graças, rogai por nós!

Natalino Ueda
Missionário da comunidade Canção Nova

As nove virtudes do homem que agradam o coração de Deus

Jesus Cristo é o Homem perfeito. Mas seu pai adotivo, José, foi quem O inseriu nos ofícios e dinâmicas deste mundo. Sem dúvida, Cristo nasceu com todo potencial, mas Deus Pai providenciou que José fosse o escolhido para ensinar ao Menino Jesus o que é ser homem. A masculinidade é aprendida, passada de geração em geração, nisso o menino ou o jovem tem de se esforçar, lutar para ser virtuoso. Por isso, São José será aqui nosso modelo e fonte inspiradora das nove virtudes do homem que agradam o coração de Deus.

1- Casto
São José é conhecido na tradição da Igreja como modelo de castidade. Essa virtude dá ao homem o domínio de si mesmo e, portanto, liberdade interior. O homem de Deus precisa se exercitar na pureza para aprender a não ser arrastado por seus impulsos e assim conseguir optar por escolhas grandiosas.

2 – Honrado
Pela forma como se referem a Jesus, “o filho do carpinteiro” (cf. Mt 13,55), nos dá a entender que a profissão de seu pai seria a referência de José na cidade onde moravam. Daí, podemos também supor que era fácil encontrá-los em Nazaré, sua oficina e sua casa, pois não precisavam se esquivar de ninguém. José tinha um bom nome, honrava seus prazos e sua palavra. O homem, segundo o coração de Deus, é honrado. Se ele promete, cumpre. Se errou, assume. Seu nome e sua reputação são como que a assinatura de sua pessoa como um todo, sua palavra é sempre de honestidade.

3 – Trabalhador
A mesma citação – “o filho do carpinteiro” (cf. Mt 13,55) – pode designar uma pessoa que é conhecida pelo seu ofício; trata-se, portanto, de um ótimo profissional. José era um trabalhador talentoso. O ser masculino tem uma inclinação natural a ter, no trabalho, também um sentido existencial. A impressão de que sua profissão é extensão dele mesmo.

Frequentemente, nas obras de artes – esculturas e pinturas –, vemos uma mulher posando (parada e expondo sua beleza) e os homens quase sempre em posição de movimento, fazendo algo. Não imaginamos um homem sem o trabalho!

4 – Lutador
Olhe o esforço de São José nos primeiros anos de vida do Menino Jesus para preservar a vida do Filho de Deus e Sua Mãe Maria. José renunciou a tudo o que já tinha para preservar os seus. O homem de Deus é um lutador. O Senhor convida Seus profetas, na Sagrada Escritura, e, constantemente, os coloca em luta contra um inimigo público, contra forças espirituais; Ele os ensina a batalhar por sua família, pelo seu povo e pela causa do Reino de Deus.

5 – Fiel
Sem dúvida, o fato de Maria, enquanto noiva de São José, ter ficado grávida, significou para ele uma grande prova. Papa Francisco disse a esse respeito: “Uma prova parecida com aquela do sacrifício de Abraão”, em ambos os casos, Deus “encontrou a fé que buscava e abriu um caminho de amor e felicidade” (22/12/2013). Um homem deve ser fiel, primeiramente a Deus, depois a sua mulher e família. As tentações passam, a fidelidade torna o homem forte de espírito. Seja fiel até o fim!

6 – Cavalheiro
Difícil não imaginar José como um cavalheiro. Mas alguns fatos podem nos fazer supor isso de forma um pouco mais concreta. Por exemplo, quando Jesus, aos doze anos, perde-se no templo, é Maria quem O indaga na frente dos homens magistrados, numa sociedade que não contava mulheres e crianças. Por que não foi José quem o fez? Talvez, porque a Mãe participasse de forma mais intensa do ministério de Cristo, e José entendeu isso.

O homem de Deus é cavalheiro, porque associa sua força e propensão a ter atitude com sensibilidade e percepção. É atento e gentil sempre, mesmo em meio à crise, e não só na hora que quer conquistar uma mulher.

7 – Magnânimo
“José, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt 1, 19). Este versículo demonstra a essência do coração do esposo de Maria. Ao saber da gravidez de sua noiva, José, num primeiro momento, deve ter imaginado que ela o tivesse traído, e a lei dos judeus condenava à morte a mulher que assim procedesse. Entretanto, mesmo sentindo-se injustiçado, a intenção desse homem de Deus revela sua disposição em garantir a vida da pessoa que ele amava e de uma criança inocente, e para ele isso significaria renunciar à sua carpintaria (seu sustento), sua casa (o “desposado” cuidava de construir e mobiliar o futuro lar), seu bom nome, sua reputação na cidade e, quem sabe, assim comprometer seu futuro.

Magnanimidade é bondade de coração, mas está além disso, é indulgência com nobreza. É compadecer-se do outro até em suas entranhas. É ser fiel, dar perdão, assumir a miséria do outro e fazer o bem mesmo quando se recebe um mal. É ter amor para oferecer mesmo quando a outra pessoa não o merece. O homem magnânimo é um gigante interiormente, ele doa de si não somente o que possui – seus talentos, dons materiais  e espirituais –, mas se entrega por  inteiro, até sua própria vida se preciso.

Imagine Maria, sabendo de seu esposo que ele teve a intenção de renunciar tudo em sua vida por causa de amor por ela! Imagine o olhar de amor que ela direcionou a ele! Que linda prova de amor José deu a Maria!

Faço aqui uma observação: Em minha juventude, conheci rapazes que tinham dinheiro, carro, eram “boa pinta” e bem populares entre as meninas. Contudo, das pessoas da minha geração, percebo que as mulheres que estão realmente felizes hoje são aquelas que se casaram com os homens que, desde aquela época, demonstravam ter um coração bom. Toda mulher merece ter um homem bom ao seu lado; no fundo, é o que elas esperam. O homem de coração magnânimo é um sinal e um reflexo de Deus nesta terra.

8 – Servo
São José escolheu ser servo, primeiramente de Deus. Por meio dos sonhos que tinha (e sonhos são coisas corriqueiras), ele entendeu que ali estavam as ordens do Senhor, e que era necessário cumpri-las. José não ficou questionando se aquilo era fruto de sua emoção causada pelos fatos que estavam acontecendo. Em tudo José foi obediente a Deus.

Também foi o servo de sua família. A Bíblia diz, “mas a cultura judia coloca o homem como chefe de sua família” (cf. Ef 5, 23). O pai terreno de Jesus fez de sua autoridade um serviço para os seus. Não usurpou dessa sua posição para obter direitos e favores dos membros de sua família. Pelo contrário, sacrificou-se, renunciou de si em favor de sua esposa e seu filho.

O homem segundo o coração de Deus entende que toda e qualquer autoridade nesse mundo deve ser vista como uma responsabilidade de amar e edificar aqueles que estão sob seus cuidados, seja família, subordinados no trabalho ou o povo do Senhor. Mas, acima de tudo, está a vontade de Deus.

9 – Justo
Todas as virtudes acima podem ser vistas como desdobramentos desta última. A Palavra define José como Justo (cf. Mt 1,19). O significado bíblico dessa palavra se refere àquele que cumpre e pratica a Lei, tanto no termo jurídico – a pessoa que é idônea perante suas obrigações civis –, mas também a Lei do Senhor. José era irrepreensível quanto ao cumprimento dos preceitos e ritos religiosos, mas os fazia por um ardente amor ao Senhor, e não por prestígio entre os homens.

O homem precisa encantar-se com a Palavra e a Lei eterna do Altíssimo, pois, se ele dá a Deus o que é de Deus, não lhe será pesado dar a César o que pertence a César. Ser justo é ser santo. O homem que agrada a Deus busca constantemente a santidade.

Peçamos a intercessão de São José, pois o mundo está precisando cada vez mais de homens que tenham a coragem de entregar a vida deles a Deus, deixarem-se ser conduzidos por Ele e, dessa forma, trazerem um pouco da alegria do céu para viver já aqui nesta terra.

São José, rogai por nós!

Sandro Arquejada
Missionário da Comunidade Canção Nova.

O que é a Crisma?

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a Confirmação – Crisma, pertence, juntamente com o batismo e a Eucaristia, aos três sacramentos da iniciação cristã da Igreja Católica. Nesse sacramento, tal como ocorreu no Pentecostes, o Paráclito desceu sobre a comunidade dos discípulos, então reunida. Assim como neles, o Espírito Santo também desce em cada batizado que pede à Igreja esse dom [Espírito Santo]. Dessa forma, o sacramento encoraja o fiel e o fortalece para uma vida de testemunho de amor a Cristo.

A Confirmação é o sacramento que completa o batismo e pelo qual recebemos o dom do Espírito Santo. Quem se decide livremente por uma vida como filho de Deus e pede o Paráclito, sob o sinal da imposição das mãos e da unção do óleo do Crisma, obtém a força para testemunhar o amor e o poder do Senhor com palavras e atos. Essa pessoa agora é membro legítimo e responsável da Igreja Católica.

O significado da palavra Crisma
Chama-se Crisma (nas Igrejas Orientais: Crismação com o Santo Myron) por causa do rito essencial que é a unção. Chama-se Confirmação, porque confirma e reforça a graça batismal. O óleo do Crisma é composto de óleo de oliveira (azeite) perfumado com resina balsâmica. Na manhã da Quinta-feira Santa, o bispo o consagra para ser utilizado no batismo, na confirmação, na ordenação dos sacerdotes e dos bispos e na consagração dos altares e dos sinos. O óleo representa a alegria, a força e a saúde. Quem é ungido com o Crisma deve difundir o bom perfume de Cristo (cf. II Cor 2,15).

O efeito da Confirmação é a efusão especial do Espírito Santo, como no Pentecostes. Tal efusão imprime na alma um carácter indelével e traz consigo um crescimento da graça batismal: enraíza mais profundamente na filiação divina, une mais firmemente a Cristo e a Sua Igreja, revigora na alma os dons do Espírito Santo e dá uma força especial para testemunhar a fé cristã.

Acordo com Deus
O YOUCAT – Catecismo Jovem da Igreja Católica – afirma que ser Confirmado-Crismado significa fazer um acordo com Deus. O confirmado diz: “Sim, eu creio em Ti, meu Deus! Dá-me o Teu Espírito para que eu te pertença totalmente, nunca me separe de Ti e te testemunhe com o corpo e com a alma, durante toda a minha vida, em obras e palavras, em bons e maus dias!”. E Deus diz: “Sim, Eu também creio em ti, Meu filho, e te darei o Meu Espírito e até a mim mesmo, pertencer-te-ei totalmente, nunca me separarei de ti, nesta e na vida eterna, estarei no teu corpo e na tua alma, nas tuas obras e nas tuas palavras mesmo que me esqueças, estarei sempre aqui, em bons e maus dias”.

Quem pode receber o sacramento do Crisma?
Pode e deve receber esse sacramento qualquer cristão católico que tenha recebido o sacramento do batismo e esteja em estado de graça, isto é, não ter cometido nenhum pecado mortal (pecado grave). Mediante um pecado grave, separamo-nos de Deus e só podemos nos reconciliar com Ele por meio do sacramento da Penitência-Confissão.

O sacramento da Confirmação normalmente é presidido pelo bispo. Por razões pastorais, ele [bispo] pode incumbir determinado sacerdote de celebrá-lo. No rito litúrgico da Santa Missa do Crisma, o bispo dá ao crismando um suave sopro para que se lembre de que está se tornando um soldado de Cristo, a fim de perseverar com bravura na fidelidade ao Senhor.

Portanto, esse belíssimo sacramento da Confirmação completa o batismo. Por meio dele, o fiel recebe o dom do Espírito Santo, faz um acordo com Deus e, cheio dos dons do Espírito, é chamado a testemunhar o amor ao Senhor. Se preciso for, a dar a vida, uma vez que recebeu uma força especial para seguir Cristo até o fim de sua vida.

Meu corpo, regras de Deus

É uma atitude heroica da parte dos cristãos diante de tão grande apelo moral à libertinagem a devassidão. Os Coríntios tinham um ditado: ‘A mim, tudo é permitido’ e com isso, misturavam sua fé aos costumes pagãos de libertinagem e devassidão, sem contar as outras atitudes reprováveis próprias de quem ainda não conheceu Jesus Cristo e vive entregue às próprias paixões. Entre eles, cada qual faz de seu corpo suas próprias regras e se considera livre por agir assim sem reprovação moral, mas aquele que foi lavado, resgatado, salvo pelo nome e pelo precioso sangue de Jesus Cristo, se tornou com ele um só corpo. Corpo santo que não pode ser maculado por causa dos nossos pecados. Aos cristãos, nem tudo convém… Por isso cantamos uma canção de amor e gratidão a Deus: meu corpo, regras de Deus! Porque já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim (Gl 2, 20).

Diante de tantos apelos, a nossa fé precisa ser cada vez mais marcada pelo amor genuíno intenso e verdadeiro que só Deus tem para nos dar gratuitamente. Assim, banhados neste amor estaremos fortalecidos para resistir à corrupção da carne e do Espírito pois em nossos corpos experimentamos um amor que está acima de todas as paixões desordenadas. Cada estado de vida pode experimentar esse amor de Deus banhando seu modo de amar humano em plena castidade e liberdade dentro de seu estado de vida abençoado por Deus. Amor que os que se entregam à devassidão sequer imaginam, mas buscam nas paixões ávida e inutilmente.

 “A mim tudo é permitido, mas nem tudo me convém. A mim tudo é permitido, mas não me deixarei dominar por coisa alguma. Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos. Mas Deus destruirá uns e outros. O corpo, porém, não é para a prostituição, ele é para o Senhor, e o Senhor é para o corpo.”

“Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Poderia eu fazer dos membros de Cristo, membros de uma prostituta?! De modo algum! Não sabeis que aquele que se une a uma prostituta torna-se com ela um só corpo? Pois está escrito: ‘os dois serão uma só carne.’ Mas quem adere ao Senhor, torna-se com ele um só espírito.”

“Em geral, todo pecado que uma pessoa venha a cometer é exterior ao seu corpo. Mas quem pratica imoralidade sexual peca contra seu próprio corpo. Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados por preço muito alto!”

Qual a mensagem de Deus para mim hoje?
Glorificai a Deus com vosso corpo. Fugi da devassidão.

Como posso pôr isso em prática?
Buscando sempre mais fugir das ocasiões de pecado e procurando desenvolver as virtudes, sobretudo a castidade.

Símbolos do Natal

PRESÉPIO: A palavra vem do hebraico e significa manjedoura, estábulo. Desde o final do século II, já havia representações do presépio. Inicialmente foram pintados nas catacumbas de Roma.

BOI e JUMENTO: Esta representação que nos chega dos escritos apócrifos (obra cuja autenticidade não foi provada), é uma linda lenda dos primeiros tempos do cristianismo. Nenhum dos textos do Evangelho fala da presença destes animais. Seria uma reminiscência do texto do profeta Habacuc, que diz que “o Messias se manisfestará entre os animais”. Belo texto do século VI, conhecido como o Evangelho do pseudo-Mateus, faz a descrição da cena com o boi e o jumento. Este Evangelho apócrifo teve grande impacto no imaginário popular. Estes animais representam o calor da criação que quer ver vivo tudo o que nasce e deve viver.

ANJOS CANTORES: Os anjos cantores anunciam uma boa notícia: “Glória no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade”. Anjos, ou seja, mensageiros, surgem nos céus para confirmar o nascimento do Filho de Deus. Os anjos na tradição cristã natalina são representados com traços infantis, como sinal de inocência e de pureza.

ESTRELA: A estrela tem 4 pontas e 1 cauda luminosa. As 4 pontas representam as 4 direções da terra: Norte, Sul, Leste e Oeste, de onde vêm os homens para adorar a grande luz que é o Filho de Deus, além de lembrar que Ele veio para todos.

OS TRÊS REIS MAGOS: O Evangelho de Mateus é o único a relatar a vinda dos sábios do Oriente. No século V, Orígenes e São Leão Magno propõem chamá-los de reis-magos. No século VII eles ganham nomes populares: Baltazar (deformação de Baal-Shur-Usur-Baal, que protege a vida do rei), Belquior e Gaspar. Eles trazem ouro, incenso e mirra para o menino Rei, Deus e Salvador. No século XV, lhes são atribuídas etnias: Belquior (ou Melchior) passa a ser da raça branca; Gaspar, amarelo e Baltazar, negro, para simbolizar o conjunto da humanidade que vê e conhece o Salvador.

PINHEIRO DE NATAL: Tradição nascida em tempos medievais, de fundo cristão, que reúne dois símbolos religiosos: a luz e a vida. Peças religiosas eram representadas com grande sucesso popular nas igrejas, fazendo sempre alusão ao Paraíso, representado plasticamente por uma árvore carregada de frutos. Esta árvore do Paraíso ficou como um dos sinais das festas de Natal celebradas a partir do século XI. A atual árvore de Natal aparece na Alsácia no século XVI e no século seguinte se espalha o hábito de iluminá-la com velas. Em 1912, Boston, nos Estados Unidos, inaugura uma árvore iluminada numa das praças centrais da cidade, e isto se espalha por todo o planeta, inclusive em países não-cristãos. O pinheiro natalino mostra que mesmo no inverno mais rigoroso, o verde de seus ramos resiste e as maçãs continuam saborosas e comestíveis mesmo depois da chegada da nova e rude estação com a neve e geadas permanentes. As maçãs, hoje bolas vermelhas, presas aos galhos da árvore são sinal de vida diferenciada. Muitos colocam sob a árvore frutas secas e cristalizadas para mostrar o outro lado da vida. Somente nste século XX começamos a usar o pinheiro como árvore-símbolo dos vegetais que jamais perdem as suas folhas diante da dureza do inverno do hemisfério norte.

VELAS: Acender velas nos remete à festa judaica de Chanuká, que celebra a retomada da cidade de Jerusalém pelos irmãos macabeus das mãos dos gregos. Na chama da vela estão presentes todas as forças da natureza. Vela acesa é símbolo de individuação e de nossos anos vividos. Tantas velas, tantos anos. E um sopro pode apagá-las para que de novo possamos reacendê-las no ano vindouro. Para os cristãos, as velas simbolizam a fé e o amor consumido em favor da causa do Reino de Deus. Velas são como vidas entregues para viver.

SINOS NATALINOS: As renas carregam sinos de anúncio e de convocação. Os sinos simbolizam o respeito ao chamado divino e evoca, quando preso em torres, tudo o que está suspenso entre o céu e a terra e, portanto, são o ponto de comunicação entre ambos.

NEVE: O toque mágico do Natal vêm com a brancura e o frio da neve no hemisfério norte que exigem das pessoas que se guardem das ruas e convivam mais dentro das casas.

CARTÕES, PRESENTES e CEIA DE NATAL: A ceia nos lembra o ato de Amor de Jesus. Lembra também nossa origem judaica enquanto religião que celebra a fé em torno de uma mesa de família.

PAPAI NOEL: São Nicolau, chamado Santa Klaus, bispo de Myra, na Lícia antiga, sudoeste da Ásia Menor, da atual Turquia. Durante o século IV, este homem de fé marcante foi transformado legendariamente neste Papai universal e proveniente que oferece às crianças presentes, brinquedos e carinhos da terceira idade. O atual Papai Noel, de roupa vermelha e saco às costas, nasce nos Estados Unidos na metade do século XIX, como um São Nicolau transmudado em gnomo ou duende e, logo em seguida foi transformado em um simpático velhinho. Ele é introduzido na Europa depois da Primeira Guerra Mundial e se impõe pouco a pouco pela pressão comercial e daqueles que querem festejar o Natal sem referências religiosas.