Unção para anunciar

Derramar óleo de oliveira na cabeça de determinadas pessoas escolhidas para missões especiais era costume no meio dos judeus. Jesus lembra as palavras de Isaías, aplicando-as asi: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor” (Is4, 18-19). Não basta a unção, que é sinal da consagração de Deus. É preciso executar a missão de levar vida e salvação aos outros.

Jesus é chamado Cristo. Quer dizer ungido. Ele assume a missão dada pelo Pai, de salvar a humanidade. Ele realiza a libertação no sentido horizontal, mas com o sentido da verticalidade, ou seja, da superação dos males terrenos, mas em vista de se conseguir a felicidade eterna. O Papa Emérito Bento XVI nos coloca, na encíclica “Caridade na Verdade”, o tema “O Desenvolvimento Humano Integral na Caridade e na Verdade”. Ele lembra: “Eliminar a fome no mundo tornou-se, na era da globalização, também um objetivo a alcançar para preservar a paz e a subsistência da terra” (nº. 27). Por outro lado, o Pontífice lembra que “sem Deus o homem não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja” (nº. 78).

Em termos de Igreja, precisamos valorizar, sem dúvida, a consagração das pessoas, mas sublinhando sua finalidade, a de dar vida ao mundo com os critérios de Deus. Para isso, a união ou comunhão eclesial é de suma importância para potencializarmos nossos instrumentos de evangelização. Só a sacramentalização não é suficiente. É preciso instruirmos, formarmos e darmos base de evangelização para se compreender e promover a libertação integral das pessoas. É preciso haver a superação de grupos fechados em si mesmos para ganharmos em comunhão e força de evangelização. Todos podem ter reta intenção, mas é preciso usar meios adequados para nos unir em função de transformar a sociedade com os critérios do Reino de Deus. Somos ungidos para evangelizar. Cumprimos essa missão em comunhão e mútua ajuda. Jesus mandou-nos ser luzes, indicando seu caminho à sociedade. Na união, nossa luz fica forte e capaz de tirar as escuridões da vida das pessoas.

No mundo cheio de propostas diferenciadas, somos instados a assumir a Boa-Nova de Cristo, deixando-a impregnar nosso ser para testemunharmos sua verdade que salva. O ser humano sozinho, apesar de sua inteligência e seu desenvolvimento cultural, não é capaz de realizar um projeto de vida que o satisfaça plenamente. Só Deus preenche o vazio humano com a realidade de seu amor. Por isso, recebendo a unção do batismo, temos a possibilidade de contribuir com a realização plena do ser humano, com os valores e os dons de Deus deixados em sua Igreja, depositária de suas graças. Não se trata apenas de ritos, mas de realidade com o conteúdo dos dons de Deus, como sua Palavra e seus sacramentos.


Dom José Alberto Moura

A missão de São Rafael Arcanjo

Este arcanjo revela que ele é “um dos sete anjos santos que assistem diante da claridade do Senhor e estão em Sua presença” (Tb 12, 15). O nome “Rafael” significa “Deus cura”.

São Rafael nos é apresentado, sobretudo, no Livro de Tobias, no qual se operam duas curas significativas através de sua intercessão: a restauração de duas pessoas, uma em sua dimensão física e a outra em sua dimensão espiritual.

As Curas

Conta-nos a Sagrada Escritura que Tobit, homem honrado, piedoso e temente a Deus, ficou cego e devido a esta enfermidade não podia mais trabalhar, então lembrou-se de um dinheiro que tinha depositado com Gabael, em Rages, cidade da Média, vinte anos antes (cf. Tb 5, 4). Ele contou o fato ao filho Tobias e o enviou a essa cidade para recebê-lo (cf. Tb 4, 1ss). Contudo, Tobias que morava em  Nínive na Assíria, por não conhecer o caminho (cf. Tb 1, 10) até a Média, entra em comum acordo com seu pai para procurarem alguém de confiança que lhe indicasse o caminho. Encontra Rafael e acerta os detalhes da viagem com ele, mas sem saber que este era um anjo (cf. Tb 5, 4).

Durante a viagem os dois acampam às margens do Rio Tigre e capturam um peixe que lhes serve de alimento para aquela noite. Rafael pede a Tobias que guarde o fel, o coração e o fígado do peixe para que essas substâncias sirvam de remédio (cf. Tb 6, 5-9).

Ao entrarem na Média, São Rafael conduz o filho de Tobit antes à cidade de Ecbátana, para encontrar Ragüel e a sua filha Sara, ambos familiares do jovem, pois, segundo a tradição da época, Tobias teria o direito de se casar com Sara por ser o parente mais próximo dela. No entanto, Tobias questiona o arcanjo: “Ouvi dizer que ela já foi dada em casamento a sete homens, e todos morreram de noite, […] quando estavam para se aproximar dela, morriam” (Tb 6, 14).

Rafael o tranquiliza, mandando-o queimar sobre as brasas do incenso o fígado e o coração do peixe para que o cheiro afugente o demônio que matava os maridos da moça (cf. Tb 6, 17-22).

Durante as núpcias de Tobias e Sara, o arcanjo persegue o demônio, expulsando-o de vez da vida de Sara (cf. Tb 8, 3), e depois vai à casa de Gabael resgatar o dinheiro para Tobias (cf. Tb 9, 5). Quando Tobias, Sara e São Rafael voltam à presença de Tobit na Assíria, o anjo diz a Tobias que unte os olhos do pai com o fel do peixe e este é finalmente curado de sua cegueira (cf. Tb 11). Somente após esses acontecimentos São Rafael revela sua identidade angelical (cf. Tb 12).

A presença de São Rafael traz:
– Cura física (dos olhos de Tobit);
– Cura espiritual e libertadora (em Sara);
– A manifestação da Divina Providência: no âmbito material e natural (resgate do dinheiro de Tobit e indicação do caminho certo), e também no âmbito sobrenatural (protege-os dos perigos), propicia graças além das nossas pobres expectativas (Tobias não imaginava que encontraria Sara na viagem e que se casaria com ela).

Por isso tudo, São Rafael Arcanjo é considerado o portador da Cura de Deus, e também é reconhecido como o chefe dos anjos da guarda, padroeiro dos viajantes, anjo da providência, que zela pela humanidade. Algo interessante também de se notar é que Rafael é o único anjo que convive algum tempo com os homens.

Peçamos a São Rafael Arcanjo a cura de nossas cegueiras, sejam elas físicas ou espirituais, a restauração de nossa saúde e a libertação de toda obra do maligno em nossas vidas e tudo o mais de que necessitamos. E estejamos preparados para tudo o mais que o Altíssimo tem reservado para nós. Onde este servo do Senhor atua há sempre conversões, transformação e vidas entregues a Deus.


São Rafael Arcanjo, rogai por nós!

Que o fervor de um necessitado abrase nosso coração

Jesus, hoje, vai fazer refeição na casa de um fariseu. O fariseu é uma pessoa muito religiosa, é uma pessoa bem convertida, sabe de tudo da Lei, da doutrina, das coisas de Deus. Por isso, o fariseu já está acostumado com tudo que é de Deus, para ele não há mais nenhuma novidade, já conhece tudo das Escrituras. Quando vamos mostrar a eles uma novidade: ‘Olha o que Deus está mostrando aqui!’ É como se ele respondesse: ‘Eu já conheço! Não representa nada para mim! Eu já sei o que é!’.

Sabe, meus irmãos, o espírito farisaico é terrível, porque nos leva à chamada ‘acomodação religiosa, espiritual’ e nos leva a sentirmo-nos pessoas diplomadas na fé, no conhecimento de Deus, diplomadas na espiritualidade. É como se dissessem: ‘Eu já passei por todas as etapas! Já passei por todos os sofrimentos! Já conheço tudo o que é da Bíblia, das Sagradas Escrituras! Já sei tudo que é da Igreja!’. De modo que até a oração, muitas vezes, é fria, acomodada, muito ritualística, porque ele já sabe o que tem para fazer. Nada que vem de Deus vai ser novo, é apenas mais um ritual a ser feito.

Quando Jesus entra na casa deste fariseu é recebido como mais um, mas uma mulher pecadora se aproxima de Jesus e se despeja, se despoja de coração para o seu Senhor; com suas lágrimas, com todo o seu ser. A ela o Senhor diz: “Todos os seus pecados estão perdoados!” (cf. Lucas 7, 48). Por que? Ela mostrou total arrependimento, total fervor para com a presença do Senhor.

Isso chama a atenção para uma realidade de nossos dias: a frieza dos convertidos e o fervor dos pecadores. Quem já se acha convertido, muitas vezes, trata as coisas de Deus com uma frieza sem igual. Vai à Missa porque tem que ir, está ali presente de corpo; é assim mesmo, cumpriram seu preceito e está muito bom.

O pecador, tão necessitado do perdão, da misericórdia de Deus vem com o fervor da alma, do espírito. Até o “amém” do pecador é diferente do “amém” do convertido. O convertido responde ‘amém’ já até sem abrir a boca, o pecador sabe que aquele amém significa a salvação.

Por isso, meus irmãos, Jesus está dizendo: “Quem muito ama, muito se perdoa. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor” (Lucas 7, 47). Ou seja, se já somos muito santos e temos poucos pecados a serem perdoados – ‘Está bem! Obrigado Senhor!’. Quem reconhece as profundezas da sua miséria é sempre necessitado da misericórdia divina e nunca perde o fervor de amar a Deus e de buscá-Lo de todo coração!

Que não caiamos na frieza espiritual dos convertidos, mas que a cada dia o fervor de um pecador necessitado, abrase o nosso coração!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Cura interior da mente

Quando falamos de cura interior, falamos de cura da alma. Quando nos convertemos, o nosso espírito é vivificado pelo Espírito Santo e é curado da culpa do pecado (este é o maior milagre de Deus). Está livre para ter comunhão com Deus, mas na nossa alma ficaram feridas, lembranças, traumas, do tempo em que vivíamos na vida de pecado. É importante descobrirmos várias verdades em nossa vida que precisam ser encaradas e enfrentadas. O Espírito Santo é o Espírito da verdade, ele nos revela quem nós realmente somos.

Tudo o que Deus revelar durante este tempo (falhas de caráter, pessoas que você magoou, pecados encobertos, etc) anote. Seja sincero com você mesmo, conheça a verdade e a verdade te libertará.

Todo homem é espírito, alma e corpo. O corpo é diferente da alma e a alma é diferente do espírito. O espírito humano é o ponto de contato com Deus. É através do espírito que o homem tem consciência de Deus e se relaciona com Ele. Deus é Espírito e só podemos perceber Deus no espírito. A alma é tudo que o homem é. Sua personalidade. Seu ego. É o mundo dos pensamentos, sentimentos, e decisões. Através da alma o homem tem consciência de si mesmo. O corpo é a forma visível do homem. Com ele o homem se relaciona com o mundo exterior.

Nós não nos conhecemos! Nosso coração é pior do que parece. Sempre agimos pensando em agradar a nós mesmos. Até quando fazemos o bem. É importante reconhecermos que não nos conhecemos para pedirmos a Deus que nos mostre como somos terríveis e enganosos. Deus quer nos dar um coração novo. Não confiemos em nosso coração. Que nosso coração não nos engane!

Temos vários mecanismos de defesa da velha natureza. Para não termos que enfrentar a verdade essa velha natureza caída destrói certos mecanismos de defesa para se proteger contra a ansiedade e o medo. Nos protegemos e enganamos a nós mesmos a fim de que não tenhamos que mudar.

Alguns mecanismos de defesa:

Negação: Negamos algo, mentimos a respeito, não queremos olhar para o problema, nem discutir a respeito, não admitimos que temos mágoas ou ressentimentos. Escondemos, camuflamos. Construímos muralhas em volta de nossos sentimentos para que ninguém descubra nossos fracassos. Deus sabe tudo. Deus sabe todas as coisas.

Racionalização: Não é tão direto como a negação, não é uma mentira direta. É mais sofisticado, tentamos dar razões que justificam o nosso comportamento, achando justificativas para tudo. “Se você não tivesse começado…” Há duas razões para tudo o que fazemos: Uma boa razão e a verdadeira. Nós não enganamos aos outros, mas a nós mesmos.

Projeção: É o pior de todos, avançamos um pouco mais no engano, culpamos os outros pelos nossos problemas. Projetamos nos outros os nossos defeitos. Dizemos que o problema é deles. Finalmente culpamos a Deus. Transferimos nossos problemas para alguém, achamos um bode expiatório. Para andar com Deus precisamos aprender a andar na verdade. Nos sentimos confusos por não conseguir determinar a causa dos nossos conflitos e sentimentos, tais como: medo, mágoa, ira, culpa, vergonha, ansiedade, etc. Isto nos faz sentir mais culpados ainda, e não conseguimos ter um relacionamento sadio e específico com Deus. Ficamos como que em um nevoeiro.

Precisamos descobrir qual o ponto da necessidade específica, perceber qual é o verdadeiro problema a fim de tratarmos com ele. Não podemos confessar a Deus o que não reconhecemos para nós mesmos. Fazemos confissões generalizadas, damos e recebemos perdão também de maneira generalizada e acabamos tendo um relacionamento nebulosos, indistinto, generalizado com Deus.. Temos que dar nomes aos bois. Única maneira de enfrentar as mentiras é enfrentando a verdade. Não há cura enquanto não enfrentarmos a verdade. O Espírito Santo que habita em cada um de nós nos conduzirá a toda verdade. Se você não for honesto e não enfrentar a verdade tratar com a raiz do problema, você vai buscar mecanismos para esconder seu problema, como: drogas, álcool, sexo, etc.

Como obter cura interior:

1. Crer que Deus pode nos curar: Crer no amor e no poder de Deus. Crer na obra de Jesus. Ele é o autor e consumador da nossa fé.

2. Reconhecer que precisamos de cura: O pior doente é aquele que não se acha doente. Precisamos enfrentar a verdade. Ser específicos com Deus e conosco. Admitir nossos fracassos e tratar de frente. Reconhecer que estamos feridos. Que ferimos outras pessoas. Se dispor para Deus. É certo que muitos ferimentos podem sarar com o tempo. Se a mente puder suportar conscientemente a dor quando esta se manifesta, com o passar do tempo a intensidade da lembrança pessoal irá diminuir. Haverá ainda a dor da recordação, mas perfeitamente suportável. O tempo pode curar todas as lembranças ( memórias) penosas não reprimidas e não infeccionadas. O que não pode ser enfrentado e suportado é negado.

3. Confiar nas pessoas que nos ministram, que podem nos ajudar. Ser transparentes e sinceros: No mundo não é prudente abrir nossos problemas com as pessoas. Mas no reino de Deus, Ele usa os irmãos para nos ajudar. Rasgar o coração: Aí vem o conselho de Deus nas nossas vidas.

4. Localizar a raiz dos problemas: Muitos dos nossos problemas são apenas galhos ou conseqüências de algo mais profundo. Se formos bem sinceros com Deus e conosco mesmo, saberemos de onde vem nossos problemas. Não tratar apenas com atos, mas com as atitudes.

5. Quebrar toda maldição e jugo satânico: Através da oração, rejeitar em nome de Jesus todo domínio satânico sobre sua vida.

Áreas que precisam de cura: mente, vontade e emoções

1. MENTE

Sede da alma ? Intelecto, pensamentos, memórias. Deus deu a capacidade para o homem pensar, raciocinar, refletir, criar. Com a queda do homem a mente foi canalizada para o mal. A mente foi corrompida por causa do pecado. A mente é um campo de batalha, nela alcançamos vitória ou derrota. É tão importante que foi o primeiro alvo de Satanás: Através da imagem e pensamentos. A imagem gera pensamentos. O pensamento gera sentimentos. O sentimento gera uma ação ou reação. Os especialistas em propaganda dizem que se você despertar a emoção de um cliente com relação a um produto, ele já está 90% vendido. Esta sempre será a estratégia do diabo. Com imagens e pensamentos ele traz angústia, medo, insegurança, depressão, mágoa, ressentimento, rebeldia, pecado, etc.

É na mente que estão os elementos básicos para Satanás destruir um homem: imagens e pensamentos ( lembranças, traumas). Estas imagens serão sempre geradas no reino físico e os pensamentos serão misturados com engano, um pouco de verdade e um pouco de erro (distorção de valores).

Satanás quer enganar ao homem quanto:

Ao caráter de Deus (Imagem distorcida de Deus)
Quanto a si mesmo (Baixa autoestima, viver se enganando)
Quanto a seus semelhantes (Intrigas, ressentimentos)
Quanto a ele mesmo – Satanás (fazer pensar que ele não é tão mau. Não existe)
Há duas pessoas disputando a nossa mente:
Uma do lado de dentro – o Espírito Santo
Uma do lado de fora – Satanás

O Espírito Santo habita no seu espírito e quer levar sua mente a ser cativa de Cristo, a submeter-se a Deus. Ele não obriga, não invade sem permissão, não constrange.

Satanás usará todo tipo de sutileza para dominá-la e utilizá-la para o mal. Seu objetivo principal é a distorção da verdade de Deus. O deus deste século cegou-lhes o entendimento. A mente é sua e você tem autoridade sobre ela. Você determina que tipos de pensamentos e imagens serão abrigados nela. “Não posso impedir que os pássaros voem sobre a minha cabeça, mas posso impedir que façam ninho sobre ela”. A Palavra de Deus sempre apela para renovarmos nossa mente ( Rm 12,2; Fil 4,8).

É na mente que estão arquivadas todas as nossas lembranças, boas e ruins. É na mente que estão alojadas as maiores fortalezas ( complexos). É na mente que atuam vários tipos de espíritos.

Alguns tipos de espíritos que operam na mente:

Orgulho, incredulidade, rebelião, amargura, crítica, inferioridade, ciúme, suspeita, fracasso, competição, sentimento de culpa, dúvida, autocondenação, rejeição, ressentimento, insegurança, autopiedade, timidez, fantasia, depressão, confusão, engano, mentira, ódio, medo de não ser aprovado.

Quando chegamos para o reino de ,trazemos muito lixo mental, e agora precisamos ajustar nossos pensamentos com os pensamentos de Deus ( Is 55,8-9); ter a mente de Cristo (santa e pura); ter a mente renovada pela Palavra (Rm 12,2).

Tudo o que fazemos e dizemos é reflexo do que está em nossa mente. Nossas decisões e atitudes estão refletindo o que ali se estabeleceu. Nossa mente é como um computador, só sai o que entrou, como um programa. A fonte que alimenta a mente deve mudar, ou seja, deve-se agora se alimentar da palavra de Deus, para se reprogramar.

Características dos maus espíritos que atuam na mente:

Os pensamentos de maus espíritos invadem, vem de fora para dentro. Entrando pela porta da mente. Pensamentos alheios a nossa escolha ou controle. Entram sem avisar, por sugestão. É preciso rejeitar pelo exercício da vontade.

Os espíritos demoníacos forçam, empurram, coagem o homem a agir imediatamente. Algo repentino, como: atire-se pela janela, porque não joga o carro contra o outro. O Espírito Santo não obriga.

Causam confusão mental, seus pensamentos se confundem, paralisando a mente e fazem com que a pessoa não pense de modo claro.

Oração

Faça um momento de oração em línguas preparando o momento para a ação do Espírito Santo. Faça uma oração de renúncia às imagens e pensamentos que atormetam a mente, como imagens distorcidas de Deus, baixa estima, viver se enganando, intrigas, ressentimentos, orgulho, incredulidade, rebelião, amargura, crítica, inferioridade, ciúme, suspeita, fracasso, competição, sentimento de culpa, dúvida, autocondenação, rejeição, insegurança, autopiedade, timidez, fantasia, depressão, confusão, engano, mentira, ódio, medo de não ser aprovado e tudo aquilo que o Espírito Santo revelar. Termine com uma oração de consagração a Maria.


 Comunidade Católica Shalom

Abramos o coração e recebamos a Palavra de Deus

Jesus está comparando os homens da sua geração com uma parábola muito interessante; daquelas crianças que estão sentadas numa praça vendo o “circo” acontecer, as lamúrias acontecerem e elas [as crianças] não estão “nem aí” para o que está acontecendo.

Às vezes, a criança tem na mão um “brinquedinho” e se este é tudo para ela o resto nem interessa. Podemos chamar atenção para isso, para aquilo, mas ela está tão fechada e tão bitolada naquele brinquedo que não se abre para ver o que está à sua volta.

Os homens da época de Jesus estavam fechados em si, fechados em suas preocupações, em sua visão de mundo, de religião e não foram capazes de se abrirem para o novo de Deus que havia chegado.

João Batista, um homem asceta, levou uma vida evangelicamente muito dura, foi muito austero, muito disciplinado. Quando olhavam para João diziam: “Ele está com um demônio!” (Lucas 7, 33). Mas, Jesus que não era tão ascético como João Batista, se fazia homem com os homens, estava nas festas de casamento, comia com os pecadores, mas olharam para Jesus e disseram: “Ele é um comilão e beberrão” (Lucas 7, 34).

Quando não queremos acolher algo, toda a desculpa é válida; arrumamos toda desculpa e justificativa para não acolher o novo. E acontece o pior: a indiferença; o coração se fecha e não se abre para acolher o novo que está chegando. Eles [homens da época de Jesus] se fecharam e não acolheram a novidade que era Jesus.

Permita-me dizer a você: não podemos ser como os homens da geração, da época de Jesus, mas não podemos negar que existem muitas coisas mais “interessantes” que nos fazem indiferentes às coisas de Deus.

Estamos fechados em nossas coisas, em nosso “mundinho”. Hoje, criaram outros brinquedos, a tecnologia do jeito que anda é muito atrativa e as novidades do mundo. Estamos muito fechados ou, então, abertos demais para apenas conhecer ou ficarmos adeptos e escravos das novidades que nos cercam e não somos capazes de nos abrir para a novidade de Cristo.

A insensibilidade da mente e do espírito para as coisas de Deus é o pior dos males que pode nos acontecer! A pessoa não é mais capaz de ouvir a voz de Deus, de sensibilizar-se com a Palavra de Deus, com o anúncio d’Ele.

Quando o coração está aberto, sedento de Deus, toda Palavra de Deus é um toque; toque da graça, toque de mudança. Mas, quando o coração humano está embriagado pelas preocupações da vida, pelos excessos e futilidades do mundo não é capaz de ser tocado por nada que venha de Deus.

Amados irmãos e irmãs, que Deus nos livre deste mal! Que abramos o nosso coração para que a insensibilidade não tome conta dele!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

15 de Setembro – Dia de Nossa Senhora das Dores, nos aponta para uma Nova Vida

Assim, a Igreja reza a Maria neste dia, pois celebramos sua compaixão, piedade; suas sete dores cujo ponto mais alto se deu no momento da crucificação de Jesus. Esta devoção deve-se muito à missão dos Servitas – religiosos da Companhia de Maria Dolorosa – e sua entrada na Liturgia aconteceu pelo Papa Bento XIII.

A devoção a Nossa Senhora das Dores possui fundamentos bíblicos, pois é na Palavra de Deus que encontramos as sete dores de Maria: o velho Simeão, que profetiza a lança que transpassaria (de dor) o seu Coração Imaculado; a fuga para o Egito; a perda do Menino Jesus; a Paixão do Senhor; crucificação , morte e sepultura de Jesus Cristo.

Nós, como Igreja, não recordamos as dores de Nossa Senhora somente pelo sofrimento em si, mas sim, porque também, pelas dores oferecidas, a Santíssima Virgem participou ativamente da Redenção de Cristo. Desta forma, Maria, imagem da Igreja, está nos apontando para uma Nova Vida, que não significa ausência de sofrimentos, mas sim, oblação de si para uma civilização do Amor.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

Oração à Santa Cruz











Ó, Santíssima Cruz,
em Vós foi suspenso o meu Senhor
com angústia de morte e cheio de dor.

Aí, com uma lança e pregos,
os membros foram perfurados,
mãos, pés e lado trespassados.

Quem Vos poderá louvar quanto baste?
Porque, Vós, todo o bem envolvestes
e com ele a nós enchestes.

Vós sois guia seguro
que nos leva à vida,
que Deus eternamente dá.

Vós sois a ponte forte,
sobre a qual todos os fiéis
sobem durante as cheias.

Vós sois a vitória
diante da qual o inimigo
só de olhar estremece.

Vós sois o cajado do peregrino,
sobre o qual ondulamos seguros,
não tropeçamos nem caímos.

Vós sois a chave do Céu,
Vós encerrais a vida,
que nos dais.

Mostrai a Vossa força e poder,
protegei-nos a todos,
pelo Vosso santo nome.

Para que nós, filhos de Deus,
possamos morrer em paz,
como herança em Vosso reino.
Amém.

Constança(Alemanha), cerca de 1600.

A Igreja Católica anula casamento?

Ao contrário do que muitos querem propor ou estão noticiando a respeito das mudanças propostas pelo Papa Francisco, em relação aos processos de nulidade do matrimônio, não houve e nem haverá uma mudança da doutrina da Igreja a respeito da indissolubilidade do matrimônio e também do divórcio.

A moral e a doutrina são imutáveis, pois não são de origem humana, mas divina. Nas mudanças de época e costumes, sempre se questiona sobre a validade de certas doutrinas e dos valores evangélicos. Será importante lembrar que as verdades da fé não são uma imposição da Igreja, mas vêm do coração de Deus e cabe à Igreja, como mãe e esposa do Cordeiro, ser a fiel zeladora e defensora destes mesmos valores e da verdade revelada.

O casamento que não deu certo é inválido?
A Igreja sempre reconheceu que certos casamentos não preenchem as condições legais para serem considerados válidos. Para avaliar os diferentes casos e situações, os tribunais eclesiásticos foram estabelecidos e, após uma minuciosa avaliação do caso, em particular, determinam a sentença pela validade ou não daquele matrimônio. Porém, o pressuposto do casamento não ter dado certo não significa dizer que, necessariamente, o mesmo seja inválido. O fato é que a Igreja jamais anula um casamento legalmente válido, mas ela pode averiguar a possibilidade de decretar a nulidade de um matrimônio que, na verdade, não existiu.

Facilitar o acesso dos fiéis ao tribunais eclesiásticos
A preocupação do Papa vem somar-se à angústia de muitos casais que querem uma resposta da Igreja sobre a possibilidade ou não de se declarar nula uma união conjugal anterior, e a mesma se protela e se prorroga por um prazo muito longo. Do outro lado, existe, muitas vezes, uma morosidade e uma falta de agilidade no julgamento destes mesmos processos. A Igreja deseja, então, que estes trâmites processuais facilitem o acesso dos fiéis aos tribunais eclesiásticos e que estes ajam de forma mais simplificada ao analisarem os processos que são de sua competência.

Juízos mais simples serão resolvidos pelos bispos
Os decretos emitidos pelo Papa Francisco reforçam e solidificam a autoridade do bispo diocesano como autoridade moral e juiz em sentenças nas quais a palavra final cabe à sua definição. Os juízos mais simples, onde não existam dúvidas sobre o determinado caso, podem ser decididos pelo próprio bispo ou por um único juiz no menor prazo possível. Do outro lado, a Igreja deseja que estes processos não sejam onerosos para os fiéis e sejam facilitados ao máximo para que, em muitos casos, o acesso seja gratuito.

A Igreja deseja favorecer ou estimular os processos de nulidade?
A Igreja não deseja favorecer e nem estimular os processos de nulidade matrimonial, mas agilizar o andamento dos mesmos para que a angústia e as “trevas da dúvida” não sejam prolongadas, e favorecer o cuidado, o esclarecimento para cada fiel sobre a sua real situação. A Igreja, como mãe, usará sempre da misericórdia para com seus filhos, sem contudo abrir mão da verdade, independentemente da situação. O valores essenciais do matrimônio precisam ser cada vez mais valorizados e os fiéis cada vez mais conscientizados sobre os compromissos inerentes à vida matrimonial, pois o primeiro trabalho a ser feito é formar casamentos mais sólidos para que recorram sempre menos aos processos de nulidade.

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Quem é o Arcanjo Gabriel?

De todos os anjos, de todas as hierarquias, Gabriel, Rafael e Miguel são os únicos que a Igreja os reconhece pelos nomes e estão revelados na Sagrada Escritura. Os Arcanjos pertencem à terceira hierarquia (Principados, Arcanjos e Anjos) e são responsáveis por executar as ordens de Deus, por isso estão mais perto de nós.

Gabriel Arcanjo é o anunciador por excelência das revelações divinas. Seu nome significa “Emissário do Senhor” ou “Deus é meu protetor” ou ainda “Homem de Deus”. O Antigo Testamento já retrata sua presença trazendo boas novas da parte do Altíssimo, explicando a Daniel a visão que este profeta teve (cf. Dn 8, 16ss), e depois o destino favorável ao povo de Israel quando este estava no exílio (cf. Dn 9, 21ss).

No Novo Testamento, é Gabriel quem anuncia ao sacerdote Zacarias que Isabel, sua mulher, lhe daria um filho profeta: João Batista (cf. Lc 1, 13ss). Coube ainda ao Arcanjo Gabriel proclamar a maior notícia de todos os tempos para nós, seres humanos, a encarnação e o nascimento do Filho de Deus em nosso meio (cf. Lc 1, 26ss) para nos salvar.

Gabriel conhecedor dos mais profundos mistérios de Deus, foi quem anunciou a Maria que que ela era cheia de graças e a escolhida para ser a Mãe do Salvador. Pelas palavras do Arcanjo, Nossa Mãe e Senhora foi entendendo a ação do Espírito Santo nela e, assim, foi se preparando para sua missão. Também foi da saudação angélica, que temos hoje, uma das orações mais difundidas e queridas do catolicismo, a Ave-Maria “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo” (Lc 1, 28).

Então, diante de tudo isso, lhe pergunto: Você está precisando de boas novas vindas de Deus? Qual é a grande notícia que você aguarda ou que necessita para este tempo?

O próprio anjo diz sobre si mesmo: “Eu sou Gabriel, e estou sempre na presença de Deus. Eu fui enviado para falar contigo e anunciar-te esta boa nova” (Lc 1, 19). Creia nisso! Se você pedir, ele virá e comunicará o que Deus quer de você, pois é desejo do Senhor transmitir Seus planos a nós: “O Senhor não faz coisa alguma sem revelar seus planos aos profetas, seus servos” (Am 3, 7).

Deus quer entrar e interagir em sua vida, transmitindo-lhe sabedoria e discernimento, quer cuidar de você com carinho e amor. E para isso, usa de Seus mensageiros, os anjos. Como Arcanjo da revelação, Gabriel conhece a nossa realidade e os aspectos que nos envolvem.

Reze! E que as orações e devoções a este servo tão próximo do trono de Deus façam desprender do Céu uma chuva de promessas, profecias e mensagens do Senhor para sua vida! Que, a exemplo de Nossa Senhora e dos profetas, a força da revelação, proclamada por esse servo angélico, prepare e impulsione sua alma para a missão e as novidades que hão de vir.

São Gabriel Arcanjo, rogai por nós!

Sandro Arquejada
Missionário da Comunidade Canção Nova.

Crianças superprotegidas tornam-se adultos inseguros

O instinto dos pais de garantir a sobrevivência dos filhos não é privilégio apenas dos humanos porque também os animais fazem isso. Mas, ao contrário dos homens de hoje, eles preparam os filhotes para lidar melhor com isso. Além da preocupação parenteral, na sociedade moderna existe a preocupação legal em proteger os menores, acrescido da falta de segurança física e emocional que o mundo hoje oferece.

Educar e treinar os filhos para a vida nunca foi uma tarefa fácil para os pais que se preocupam com isso. No mundo em que vivemos isto se torna ainda mais difícil. É natural, portanto, que os pais queiram superproteger os filhos, porém não é saudável para a vida pessoal, profissional e matrimonial futura deles.

As meninas são mais protegidas para o mundo externo, mas são desenvolvidas para desempenharem papel de companheira e mãe, por outro lado, os meninos são mais preparados para o mundo externo para garantir o sustento material, mas pouco desenvolvidos para lidar com as situações internas do lar.

Até onde vai a preocupação natural
Um questionamento que surge para os pais é até onde vai a preocupação natural e saudável e onde começa a preocupação excessiva que pode ser maléfica. Ou seja, cuidado, atenção e carinho são necessários, mas a superproteção pode afetar na infância criando crianças apáticas entediadas e adultos inseguros, desfocados e frustrados.

O que fazer?
Existe algo imprescindível que precisa ser feito para se ter filhos com possibilidades de ser feliz. Primeiro proporcione a ele condições com responsabilidades e limites na educação, de acordo com cada etapa de sua vida.
Entretanto, a cultura atual tem dificultado isso porque o acesso aos bens de costumes tem produzido crianças acostumadas com mimos, poucos limites e baixas exigências de desempenho. Isto tudo acrescido da culpa de trabalharem muito e da insegurança paterna de não serem amados ou aceitos. Todo este contexto contribui para as crianças serem educadas tendo seus desejos atendidos como um passe de mágica.

Quais são as consequências
Filhos que começam e não terminam estudos, adolescentes que busca nas drogas mais prazeres. Entre outras consequências, maridos e esposas que não aguentam as dificuldades de um casamento. Adultos inseguros devido à baixa autoconfiança, passivos esperando que as pessoas venham cuidar de suas necessidades e quando isso não acontece ficam irritados e frustrados.

Portanto, geramos filhos com dificuldades psicossociais na vida sentimental e social e também no relacionamento sexual, além de eternos dependentes de alguém que cuidem material e emocionalmente deles. Precisamos deixar os filhos frequentarem a academia do crescimento pessoal para que possam desenvolver a segurança em si mesmos determinação, resistência, frustração e foco. Quando adquiridos no decorrer da vida, torna-se é mais fácil e menos dolorido porque acompanha o amadurecimento das pessoas.

Quando a culpa é dos pais?
Às vezes é necessário um tratamento dos pais superprotetores, pois o excesso de proteção pode ter como raiz a própria insegurança e ansiedade porque podem estar repetindo nos filhos suas próprias neuroses.

Onde encontrar ajuda
A escola também pode ajudar muito, pois este espaço proporciona à criança desenvolver sua autonomia, autoconfiança e capacidade de decisão. As atividades extracurriculares também ajudam, desde que não sejam em excesso a ponto de as crianças não terem tempo livre para brincar sozinha e livre.

É reconhecido que muitos dos medos dos pais são reais, mas precisam trabalhar este sentimento e proteger os filhos permitindo que tenham suas próprias experiências e construam paramentos de sobrevivência às situações que a vida apresenta.

Ângela Abdo
Coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES)