Crianças superprotegidas tornam-se adultos inseguros

O instinto dos pais de garantir a sobrevivência dos filhos não é privilégio apenas dos humanos porque também os animais fazem isso. Mas, ao contrário dos homens de hoje, eles preparam os filhotes para lidar melhor com isso. Além da preocupação parenteral, na sociedade moderna existe a preocupação legal em proteger os menores, acrescido da falta de segurança física e emocional que o mundo hoje oferece.

Educar e treinar os filhos para a vida nunca foi uma tarefa fácil para os pais que se preocupam com isso. No mundo em que vivemos isto se torna ainda mais difícil. É natural, portanto, que os pais queiram superproteger os filhos, porém não é saudável para a vida pessoal, profissional e matrimonial futura deles.

As meninas são mais protegidas para o mundo externo, mas são desenvolvidas para desempenharem papel de companheira e mãe, por outro lado, os meninos são mais preparados para o mundo externo para garantir o sustento material, mas pouco desenvolvidos para lidar com as situações internas do lar.

Até onde vai a preocupação natural
Um questionamento que surge para os pais é até onde vai a preocupação natural e saudável e onde começa a preocupação excessiva que pode ser maléfica. Ou seja, cuidado, atenção e carinho são necessários, mas a superproteção pode afetar na infância criando crianças apáticas entediadas e adultos inseguros, desfocados e frustrados.

O que fazer?
Existe algo imprescindível que precisa ser feito para se ter filhos com possibilidades de ser feliz. Primeiro proporcione a ele condições com responsabilidades e limites na educação, de acordo com cada etapa de sua vida.
Entretanto, a cultura atual tem dificultado isso porque o acesso aos bens de costumes tem produzido crianças acostumadas com mimos, poucos limites e baixas exigências de desempenho. Isto tudo acrescido da culpa de trabalharem muito e da insegurança paterna de não serem amados ou aceitos. Todo este contexto contribui para as crianças serem educadas tendo seus desejos atendidos como um passe de mágica.

Quais são as consequências
Filhos que começam e não terminam estudos, adolescentes que busca nas drogas mais prazeres. Entre outras consequências, maridos e esposas que não aguentam as dificuldades de um casamento. Adultos inseguros devido à baixa autoconfiança, passivos esperando que as pessoas venham cuidar de suas necessidades e quando isso não acontece ficam irritados e frustrados.

Portanto, geramos filhos com dificuldades psicossociais na vida sentimental e social e também no relacionamento sexual, além de eternos dependentes de alguém que cuidem material e emocionalmente deles. Precisamos deixar os filhos frequentarem a academia do crescimento pessoal para que possam desenvolver a segurança em si mesmos determinação, resistência, frustração e foco. Quando adquiridos no decorrer da vida, torna-se é mais fácil e menos dolorido porque acompanha o amadurecimento das pessoas.

Quando a culpa é dos pais?
Às vezes é necessário um tratamento dos pais superprotetores, pois o excesso de proteção pode ter como raiz a própria insegurança e ansiedade porque podem estar repetindo nos filhos suas próprias neuroses.

Onde encontrar ajuda
A escola também pode ajudar muito, pois este espaço proporciona à criança desenvolver sua autonomia, autoconfiança e capacidade de decisão. As atividades extracurriculares também ajudam, desde que não sejam em excesso a ponto de as crianças não terem tempo livre para brincar sozinha e livre.

É reconhecido que muitos dos medos dos pais são reais, mas precisam trabalhar este sentimento e proteger os filhos permitindo que tenham suas próprias experiências e construam paramentos de sobrevivência às situações que a vida apresenta.

Ângela Abdo
Coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES)

24º Domingo do Tempo Comum

A conversa se trava entre Jesus e seus discípulos a caminho. E discípulos, somos também nós agora, aqui reunidos, fazendo um caminho de vida cristã com Jesus.

Neste caminho, Jesus faz uma espécie de sondagem de opinião sobre sua pessoa e sua missão. Informam-lhe que as opiniões entre o povo se dividem. Acham que Jesus é algum personagem histórico e famoso que reapareceu: talvez João Batista, ou Elias, ou outro profeta. “E vocês? O que vocês dizem?”, pergunta Jesus. Pedro não titubeia: “Com certeza, o Messias”. Jesus, por sua vez, proíbe “severamente” que fiquem espalhando isso por aí afora. Isso, o quê? Que Jesus é o Messias. Mas que Messias? Certamente o falso “messias” que Pedro ainda tinha na cabeça.

A partir das críticas e resistências que vinham já sofrendo por parte das autoridades religiosas judaicas, Jesus trata logo de informar os seus discípulos sobre o seu destino e, consequentemente, em que consiste de fato o seu messianismo: “E começou a ensinar-lhes que era necessário o Filho do Homem sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, depois de três dias ressuscitar” (Mc 8,31).

Pedro, ainda com a ideia triunfalista de um messianismo poderoso, reage na hora, chama Jesus à parte e começa a censurá-lo (cf. v.32). Jesus, por sua vez, responde com palavras duras: “Vai para trás de mim, satanás! Não tens em mente as coisas de Deus, e sim as dos homens”. Não se trata de um ataque pessoal a Pedro com certeza, mas ao padrão triunfalista de falso messianismo alojado no seu corpo. Pedro tem que desconstruir essa perigosa teologia” messiânica que tenta obstaculizar o caminho do Mestre, o caminho do sofrimento, a rejeição, da cruz, do total desapego e, consequentemente, da vitória da vida.

Não é Jesus que tem de seguir o pensamento de Pedro, mas Pedro que deve seguir o exemplo do Mestre! Por isso Jesus completa: “Se alguém quer vir após mim [ o caminho é este! ], renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me! Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; mas quem perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará” (v.34-35). Esse é o caminho da salvação messiânica: desapegar-se de tudo, até da vida!

Interessante que tal destino do Messias Servo Jesus já fora instruído e anunciado pelo profeta Isaías, a cerca de 500 anos antes, como vimos na primeira leitura. Ele, o Servo, confiando somente em Deus seu Auxiliador e, por isso, desapegado de tudo, não se deixa abater, não desanima com as terríveis torturas sobre seu corpo. Em Deus ele se firma (cf. Is 50,5-9a), certo de que com Ele vai superar toda humilhação. Por isso, hoje Jesus vem e repte conosco o Salmo 116: “Caminharei na presença do Senhor na terra dos vivos” (v.9)

Desapegar-se de tudo, até da vida, operando em favor da saudável qualidade de vida para todos: Isso que é Fé messiânica cristã! Por isso que hoje, pela carta de São Tiago, na segunda leitura, Deus nos lembra oportunamente que a fé, se não se traduz em obras, por si só está morta (cf. Tg 2,14-18).

Diocese de Limeira

Grito dos Excluídos vai cobrar reformas e fazer contraponto ao ataque a direitos sociais

A 21ª edição do Grito dos Excluídos, que acontece nesta segunda-feira (7), vai cobrar a realização de reformas de base pelo governo e o Congresso brasileiro e posicionar-se contra a agenda conservadora que vem sendo manifestada em protestos pelo impeachment da presidenta da República, Dilma Rousseff, e em propostas como a Agenda Brasil, proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL). Entre as principais reivindicações estão a auditoria da dívida pública, as reformas políticas, tributária e das comunicações.

“Neste momento de crise é importante saber de que lado estamos. Pode-se estar com o povo ou com aqueles que querem retroceder. Nós não estamos do lado do quanto pior melhor, nem daqueles que não aceitam o resultado das eleições”, afirmou o bispo Dom Pedro Luís Stringhini, vice-presidente da regional sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em entrevista coletiva realizada na tarde de quinta-feira (3).

Para os organizadores do Grito, houve muitos avanços sociais na última década, mas também setores em que os avanços foram mínimos e sobre os quais é preciso pressionar o poder público para evitar retrocessos. O lema deste ano será “Que país é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome”. Dentre os objetivos estão o combate à violência, garantia dos direitos básicos e a construção de espaços políticos participativos.

“Temos que comemorar que 40 milhões de pessoas hoje podem comer todos os dias. A conquista de direitos das empregadas domésticas, o combate ao trabalho escravo, nosso regime democrático que permite até manifestações pela volta da ditadura. Mas é preciso avançar em cidadania. Pouco foi feito sobre isso em dez anos, o governo federal não apostou na politização da população. E agora paga o preço”, afirmou o jornalista Altamiro Borges.

Miro também ressaltou a cobrança que será feita à imprensa, que tem dado muito mais cobertura as manifestações conservadoras, “que exaltam o golpismo, a ditadura e a discriminação”, do que dá, historicamente, às manifestações populares. “A mídia também poderia ajudar no combate à violência, mas o que faz é estimular o consumismo e os piores instintos dos seres humanos, com programas policialescos e coberturas omissas de casos como a recente chacina em Osasco, em que foram mortas 19 pessoas”, afirmou.

Para a militante da Pastoral Operária Antônia Carrara, o Grito também é um espaço de reafirmação da luta de classes. “Somos trabalhadores. Os patrões nos chamam de colaboradores com objetivo de esvaziar a nossa história de lutas. Queremos mudar esse sistema. Os povos não suportam mais o capitalismo”, afirmou.

Em um momento em que as crises política e econômica são tratadas na imprensa todos os dias, os organizadores do Grito lembram que a necessidade de ajuste fiscal não pode significar cortes de recursos para saúde, educação, mobilidade. “A luta nunca foi fácil, ainda mais nos dias de hoje”, salientou o bispo Stringhini.

O Grito dos Excluídos não tem centralidade na realização. “Todos podem gritar contras desigualdades na sua cidade, no seu bairro”, afirmou Rosilene Wansetto, coordenadora nacional do evento. Este ano são esperados atos em todas as capitais e em cerca de 300 cidades.

Na capital paulista, estão sendo organizadas duas atividades. Uma na Praça da Sé, que começa às 8h, com uma missa na Catedral. Outra manifestação, organizada por movimentos de moradia, terá concentração na Praça Osvaldo Cruz, na Avenida Paulista, às 9h. Também haverá a 28ª Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras para a Catedral de Aparecida, no norte do estado paulista. Outros locais serão divulgados nos próximos dias.


RBA

O Senhor quer que vejamos com olhos espirituais

Meus queridos irmãos e irmãs, chegamos ao 23º Domingo do Tempo Comum, tempo da experiência com Deus. A liturgia de hoje fala de salvação, fala de realidades que precisamos compreender.

A primeira leitura, tirada do livro de Isaías, é uma profecia que vislumbra o messias que virá. O povo encontrava-se em exílio e a profecia ia ao encontro daquele povo como uma palavra de salvação, de esperança da libertação que aconteceria na vida deles. Era a esperança de que eles não estavam sozinhos e que Deus tinha uma última palavra para suas vidas.

Estamos no exílio, a caminho da terra prometida, e como Deus falou àquele povo, Ele nos fala num tempo de crise em que não vemos esperança. Deus fala: ‘Criai ânimo!’ Diga ao Senhor que você aceita o ânimo em sua vida. Chega de abatimento, basta! O ânimo vem do Senhor e não é natural, não é humano, mas vem de uma graça sobrenatural, vem da parte de Deus.

Precisamos abandonar os medos que, muitas vezes, nos oprime. O Senhor vem para nos salvar da crise, da depressão, da angústia. Ele vem para destruir o nosso inimigo. Diga: ‘Senhor, eu preciso de visão espiritual, de visão de um homem salvo por Ti. Eu quero assumir a salvação nessa crise. Eu quero colocar o capacete da salvação na minha vida. Eu não quero ser míope, quero ver com clareza.’

Tome posse, pois o final desse combate é a vitória. São Paulo traz a revelação, com o sopro de Sua boca o Senhor destruirá o inimigo definitivamente e a vitória se restabelecerá definitivamente. Criai ânimo, não tenhais medo! O Senhor virá e, hoje, Ele está curando sua cegueira, fazendo com que você compreenda que a última palavra é D’Ele.

Necessitamos aderir à Cristo como nosso único salvador. Cristo cuida de nós e se Ele é por nós, ninguém será contra nós! À medida que nós aderimos à Cristo, aderimos à cruz e seguimos em frente. A cruz não foi capaz de prender Jesus, depois dela veio a ressurreição e sempre virá ressurreição depois da cruz. A nós nunca faltará a consolação de Deus, o Espírito Santo nos será dado nos tempos difíceis.

Somos a Igreja militante que está em guerra e chegará a batalha no final dos tempos e temos a certeza de fé que a Igreja triunfante combate por nós, não estamos sozinhos.

“Na manhã seguinte, o homem de Deus, saindo fora, viu o exército que cercava a cidade com cavalos e carros. Seu servo disse-lhe: Ai, meu senhor! Que vamos fazer agora? Não temas, respondeu Eliseu; os que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: Senhor, abri-lhe os olhos, para que veja. O Senhor abriu os olhos do servo, e este viu o monte cheio de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu.” (2 Reis 6, 15-17). Que os seus olhos sejam abertos para que você veja, não com olhos humanos, mas com os olhos espirituais! Aqueles que estão conosco são em maior número do que aqueles que estão contra nós.

Os anjos, a Igreja triunfante estão sobre nós e o diabo não tem poder maior do que Deus. Precisamos caminhar pela fé e, diante do combate que vivemos, peçamos a proteção que está constantemente disponível para o povo de Deus. Temos que aprender a pedir a proteção de Deus e da Igreja triunfante, a suplicar que São Miguel nos defenda no combate.

Reze: São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perderem as almas.Amém.

Você não precisa ficar correndo atrás de oração que não foi feita pela Igreja. Esta oração a São Miguel arcanjo foi feita por São Leão XIII. A pedido da beata Elena Guerra, o Papa Leão XIII consagrou o século XX ao Espírito Santo no dia 01 de janeiro de 1900 na praça de São Pedro. Em 1967, um pouco antes, foi convocado o Concílio Vaticano II abrindo as portas da Igreja para que entrasse um vento novo. Pediram, na abertura do Concílio, que acontecesse um novo Pentecostes sobre a Igreja.

A Canção Nova é Renovação Carismática Católica e utilizamos os dons do Espírito. O Espírito Santo é o defensor, o advogado e precisamos nos abrir, cada vez mais, à ação do Espírito.

A função de São Miguel é proteger a Igreja de Deus, proteger os eleitos de Deus, aqueles que se consagram a Deus para que Ele lhes conceda a vitória. A experiência da salvação de Deus nos leva a viver caminhando pela fé. Nós somos o povo salvo de Deus que não vai se deixar seduzir. O cristão que caminha na salvação recebe a graça de Deus de caminhar com os olhos da fé e não se deixar enganar pela mídia.

A segunda leitura nos apresenta que aqueles que experimentam Jesus Cristo não faz acepção de pessoas. Não podemos perder a concepção da dignidade do homem, de que Cristo se encontra nos pobres e marginalizados. Cristo está nos imigrantes, naqueles que sofrem. Temos sido indiferentes ao sofrimento, às pessoas. Como Igreja, precisamos avançar.

“E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mateus 24, 12-13). Nós somos o povo de Deus e somos chamados a manter esse amor vivo, real, concreto em atitudes, obras, indo aos necessitados. Quantos de nós olhamos para a foto daquela criança morta, na praia, não sentimos nada e ainda pensamos: ‘foi só mais um.’

“Muitos de nós, estamos em bolha de sabão, que são belas, mas não são nada, são só ilusão e futilidade…” (Papa Francisco). Eu pergunto para você: ‘Onde está o teu irmão? Estamos numa sociedade que esqueceu de chorar por aqueles que sofrem. Onde está a sensibilidade? Diz o texto dos Atos dos Apóstolos que ninguém tinha necessidades, pois tinham tudo em comum.

A saliva para o judeu era ar líquido, era Espírito, por isso que Jesus usou a saliva. Não foi simplesmente uma cura por cura, mas uma cura que transformou. Ele tirou aquele homem do meio da multidão e molhou os seus ouvidos, a sua língua, com saliva e ele foi curado. Deus quer nos dar o Espírito para sairmos do nosso ‘mundinho’ e nos colocarmos a serviço daqueles que precisam da nossa doação. Jesus vai dizer que o Espírito Santo é o dedo de Deus.

O Espírito Santo está nos instruindo e precisamos dar um passo além. É pelo dom D’Ele que estamos protegidos contra as ciladas do mal. É o Espírito Santo que vai nos alertar sobre os espíritos infernais e sobre as ciladas do homens que querem nos envolver no consumismo, na vaidade. Receba de Jesus a palavra de salvação: “Éfata!”.

Que os seus ouvidos, olhos, coração sejam abertos. Que suas mãos sejam desatadas para que você trabalhe pelo Reino, pelos necessitados e aí sim você poderá dizer: ‘verdadeiramente, experimentei a salvação!’

Padre Roger Luís

Sacerdote Comunidade Canção Nova

23º Domingo do Tempo Comum

Hoje a liturgia coloca diante de nós Jesus atravessando uma região povoada por não judeus, isto é, pagãos. Muita gente ao seu redor. Trazem-Lhe um surdo e com problema de fala. Pedem para Jesus curá-lo pela imposição das mãos. Jesus retira-se a sós com o moço. Coloca os dedos nos ouvidos dele. Com saliva toca a língua dele. Olhando para céu, dá um gemido e ordena: “Éffata”, isto é, “Abre-te”.

Na hora o moço começou a ouvir, a sua língua se soltou e começou a falar normalmente. E não adiantou Jesus proibir a divulgação do acontecido. Todo o povo ali maravilhado sai proclamando em alto e bom som: Ele tem feito tudo bem; faz tanto os surdos ouvirem como os mudos falarem (cf. Mc 7,37).

Bem como profetizou Isaias, carca de 500 anos antes, intuindo a futura restauração messiânica projetada por Deus: Ânimo, pessoal” Não tenham medo” Deus virá um dia para salvar … Os ouvidos dos surdos vão se abrir e a boca do mudo vai gritar de alegria (cf. Is 35,5). E esse Deus de fato agora veio: na pessoa de Jesus!

Por isso que hoje cantamos o Salmo 146, exaltando o Deus libertador do ser humano sofrido (oprimidos, famintos, prisioneiros, cegos, caídos, estrangeiros, órfãos, viúvas …). “Louva o Senhor, Minh’alma, louvarei o Senhor, enquanto eu for vivo, enquanto viver, cantarei hinos a meu Deus”, é o refrão da exaltação.

De quem Deus veio ao encontro na pessoa de Jesus? Dos pobres. Sim, dos pobres, deserdados da vida; não importando raça, cor gênero ou religião. Esta é a grande verdade enfatizada hoje pela Palavra de Deus, também na carta de São Tiago, como ouvimos na segunda leitura: “Escutai, meus caríssimos irmãos: não escolheu Deus os pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu as que o amam?” (Tg 2,5). Logo, se é assim, quem de fato tem fé em Jesus, também age como ele agiu, a saber: Jamais discrimina os pobres (cf. Tg 2,1-4).


Diocese de Limeira

11 de Julho - Dia de São Bento, vida de oração e meditação

Abade vem de “Abbá”, que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.

Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima “Ora et labora”. Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.


São Bento, rogai por nós!

15º Domingo do Tempo Comum

O Evangelho de Marcos situa-se no bloco 6,6b-8,26, no qual termina a primeira parte da obra do evangelista. Jesus, o Messias e Filho de Deus (1,1), enviado para proclamar a Boa Notícia do Reino de Deus (1,14-15), toma a iniciativa de convocar discípulos para participar de sua vida e missão (1,16-20; 13-14). Os “doze” representam a comunidade dos discípulos e discípulas, chamados a uma adesão radical a Jesus para ser missionários a serviço do seu Reino.

Os doze discípulos, chamados para viver em comunhão com Jesus, anunciar a Boa-Nova e expulsar os demônios (3,13-19), agora são enviados “dois a dois”, revestidos com a força do Espírito para libertar do mal (6,7). O apoio mútuo, e a vida fraterna em comunidade garantem o êxito da missão, iniciada por Jesus, ao expulsar um espírito impuro (cf. 1,21-28). Os discípulos são instruídos a “que não levassem nada pelo caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro à cintura; mas que calçassem sandálias e não usassem duas túnicas” (6,8-9).

O desprendimento, o espírito evangélico de pobreza, a confiança em Deus liberta para o serviço ao Reino na gratuidade. O cajado e as sandálias facilitam a viagem (cf. Ex 12,11), o longo caminho a ser percorrido. O acolhimento, a hospitalidade favorece o trabalho dos missionários, que costumavam “permanecer numa casa até a partida” (cf. 6,10), até a formação da comunidade. A urgência do anúncio leva a não parar no caminho, por causa dos que rejeitam a Boa-Nova de Jesus. O gesto simbólico de “sacudir a poeira dos pés” remete também ao momento do retorno dos israelitas ao país, após a visita a uma terra estrangeira.

Os discípulos compartilham a missão de Jesus, a proclamação do Reino de Deus através de palavras e ações. Eles “pregavam que era necessário converter-se, expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, ungindo-os com óleo” (cf. 6,12-13). Como haviam acompanhado Jesus, que curava impondo as mãos (cf. 6,5), aprendem que a unção com óleo e a experiência da fé libertam a pessoa integralmente. Segundo Tiago (5,14), os doentes eram curados através da oração e da unção com óleo em nome do Senhor.

A leitura do profeta Amós apresenta a vocação como iniciativa dão amor de Deus. Amós, que era pastor e agricultor em Judá “vaqueiro e cultivador de sicômoros” (cf. 7,14), foi chamado por Deus para exercer o ministério no reino do Norte (Israel), no séc. VIII a.C. Amasias era o sacerdote encarregado do Santuário de Betel, lugar sagrado de culto e encontro com Deus (cf. Gn 35,1-8; Jz 20,26; 21,2).

Amós, conhecido como o “profeta da justiça social”, criticou a religião que era controlada pelo rei, e toda forma de injustiça e corrupção dos poderosos. Como verdadeiro profeta, enviado por Deus, anunciou a Palavra, impelindo o povo a voltar para o caminho da salvação. Amós entrou em conflito com Amasias, o sacerdote oficial que administrava o templo, aliados aos interesses do rei.

O Salmo 84 (85) é uma oração comunitária de súplica que manifesta a esperança na salvação e na restauração plena do povo. “Amor e fidelidade, justiça paz” são os alicerces que proporcionam a verdadeira renovação. O Senhor acompanha a história, sustentado o povo na difícil missão de reconstituir o país na volta do exílio.

A leitura da carta aos Efésios é um hino litúrgico que começa com uma exclamação de louvor “bendito seja”, fórmula comum em orações (cf. Tb 13,1; 1Pd 1,3). Bendize e louva ao Pai, glorificado por tudo o que fez por seu povo em Cristo e por Cristo. O projeto salvífico do Pai foi manifestado plenamente através do Filho Jesus e continua agindo no mundo pela ação do Espírito Santo.

Deus, em seu grande amor, nos escolhe desde a eternidade para sermos filhos (1,3-6). Seu desígnio salvífico, na plenitude dos tempos, realizou-se na vida e entrega de Cristo que nos redimiu, oferecendo–nos a graça par trilharmos o caminho da vida nova (1,7-12). A salvação torna-se uma realidade presente por meio do Espírito Santo da herança futura (1,13-14).


Diocese de Limeira

14º Domingo do Tempo Comum

O Evangelho de Marcos apresenta o episódio da vinda Jesus a Nazaré, sua pátria, onde a incredulidade contrasta com a fé expressa nos milagres anteriores, com o reconhecimento de seu poder de ressuscitar até os mortos (4,35-5,43). Nazaré era uma aldeia da Galileia (1,9), pequena e insignificante (Jo 1,46). O ensino de Jesus a serviço da vida plena é acolhido por muitas pessoas, mas também rejeitado por outras.

Ao chegar o “sábado”, Jesus começou a ensinar na sinagoga. Suas palavras suscitam admiração nos ouvintes: “De onde lhe vem isso? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E esses milagres realizados por suas mãos?” (6,2). Em 1,21-28, os que haviam escutado a Palavra de Jesus, acompanhada da ação libertadora em favo da pessoa com espírito impuro, reconhecem o ensinamento novo de Jesus. Em 3,1-6, os grupos dominantes começam a tramar a morte de Jesus, após a cura da pessoa com a mão paralisada, na sinagoga, em dia de sábado.

O ensino de Jesus revela que Ele é o Messias Servo, enviado pelo Pai para oferecer a vida em plenitude. Muitas pessoas não reconhecem a presença de Deus no “carpinteiro, o filho de Maria“ (6,3), pois esperavam um Messias poderoso, triunfalista. Jesus afirma que “um profeta só não é valorizado na sua própria terra” (6,4). A consequência da atuação de Jesus é a mesma dos profetas perseguidos e mortos (Cf. Mt 23,29-36). A falta de acolhimento a Jesus, Cristo e Filho de Deus, prefigura sua rejeição extrema que culminará na cruz. Crer é a condição para pertencer à nova família de Jesus, à nova comunidade formada ao redor d’Ele e de sua Palavra e ação.

Por causa do ambiente geral de rejeição e incredulidade, Jesus realizou apenas alguns milagres de cura. A incompreensão dificulta o reconhecimento dos sinais de salvação realizados por Jesus, o filho de Maria, o trabalhador que cresceu em Nazaré junto com familiares, amigos e conhecidos. A adesão a Jesus proporciona a cura, a descoberta da novidade radical do Reino de Deus que Ele anunciava. “Jesus se admirava da incredulidade deles” (6,6), mas continuava proclamando a Boa-Nova do Reino nos povoados da região.

A leitura do profeta Ezequiel é parte da missão que Deus confia ao profeta em 2,1-3,15. Ezequiel está “caído no chão” (Cf. 1,28), prostrado como o povo exilado na Babilônia. Porém, ele se deixa mover pelo Espírito do Senhor, que o coloca em pé, em atitude de prontidão. Assim, ele ouve a voz de Deus que toma a iniciativa do chamado e o e o envia a anunciar sua Palavra aos israelitas.

Ezequiel, como outrora Jeremias (Cf. Jr 7,24), recebe a missão de falar em nome de Deus a um povo rebelde. O êxito é garantido pela força da Palavra do Senhor que, mesmo rejeitada, realiza o objetivo: “Quer te escutem, quer não – saibam que houve um profeta entre eles” (2,5). Deus não abandona o povo, não obstante suas infidelidades. Ao longo da história Ele envia profetas para conduzi-lo no caminho da aliança.

O Salmo 122 (123) é uma súplica confiante que convida a “levantar os olhos” para o Senhor em meio às aflições, ao desprezo e às humilhações. Como os romeiros, o salmista mantém os olhos fixos em Deus enquanto caminha e espera a salvação diante dos poderosos e opressores.

A leitura da Segunda Carta aos Coríntios integra a última parte da carta (10,1-13,10), que ressalta a força de Deus manifestada na fraqueza, como na cruz de Cristo. O “espinho na carne” (12,7) recorda especialmente o sofrimento de Paulo em meio às adversidades enfrentadas na evangelização. Assim, ele testemunha a força da ressurreição do Senhor através das fadigas do apostolado.

“Por causa de Cristo”, Paulo sofreu humilhações, necessidades perseguições, angústias. O caminho de identificação com Jesus leva a reconhecer que “quando somos fracos, então é que somos fortes”. O êxito da missão é assegurado pela confiança no Senhor: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder” (12,9). A presença do Senhor fortalece o ministério apostólico de Paulo, como outrora o de Jeremias (cf. Jr 15,20-21).

Diocese de Limeira

Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos

O Evangelho de Mateus situa-se em uma parte maior (13,53-18,35), que culmina com o discurso eclesiológico de Jesus sobre a comunidade de seus seguidores e seguidoras. Após o relato da profissão de fé de Pedro (16,13-20), segue-se o anúncio da morte e ressurreição de Cristo, o Messias Servo, e a expressão feita aos discípulos para segui-lo no caminho até a cruz (16,21-28).

Jesus pergunta aos discípulos a opinião do povo e deles mesmos a respeito de sua identidade. A atuação libertadora de Jesus faz o povo lembrar grandes profetas do passado. Havia a esperança do retorno de Elias como precursor do Messias (cf. Ml 3,23-24). Herodes Antipas associou a missão de Jesus a João Batista ressuscitado dos mortos (14,2). Jeremias, o profeta sofredor por excelência, aponta para a paixão de Jesus. Revelado no batismo como o Filho amado do Pai, Jesus “cumpre toda a justiça” (3,15), realizando as expectativas proféticas.

Os discípulos, que haviam acompanhado o ministério de Jesus, são interpelados a responder à questão essencial que os identifica no caminho do seguimento: “E vós, dizeis que eu sou? ” (cf. 16,15). A resposta de Pedro, dada em nome dos discípulos, expressa a adesão existencial a Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (16,16). O termo hebraico “Messias” é traduzido para o grego como “Christos”, ambas as palavras significam Ungido.

Na profissão de Pedro, ressoa a fé da comunidade cristã primitiva que, iluminada pela ressurreição de Jesus e inspirada pela ação do Espírito Santo, testemunha Jesus como o Cristo e Filho de Deus (cf. 1,1.16; 3,17; 14,33; 27,54). A experiência de adesão leva a reconhecer que Jesus é  Ungido de Deus, Messias Servo que manifesta a Boa Noticia do Reino aos oprimidos (115; cf. Is 61,1). A comunidade experimenta Jesus “vivo” em seu meio como o Emanuel, o Deus conosco (cf. 1,23; 28,20; cf. 18,20).

Os que reconhecem e testemunham a verdadeira identidade de Cristo, como Pedro, são felizes, bem-aventurados. Pedro, como pedra, deve ser fundamento para a comunidade eclesial, que está se formando ao redor de Jesus e de sua Palavra e ação. O termo gregoEkklesia, “Igreja”, ocorre em 16,18 e 18,17 e designa especialmente “assembléia do povo de Deus”.

As forças opostas ao Reino de Deus não prevalecerão contra a comunidade, construída sobre a pedra angular, que é Cristo. A “administração das chaves do Reino dos Céus” (16,19) realça o compromisso a serviço do projeto de Deus: cooperar no crescimento do Reino de Deus, instaurado por Jesus, é missão confiada a Pedro e a toda a comunidade cristã (18,18).

A leitura dos Atos dos Apóstolos refere-se ao episódio da prisão e libertação de Pedro. As perseguições, por causa da Boa-Nova do reino de Deus, começaram com Jesus e agora continuam na vida de seus perseguidores. Estamos por volta do ano 44, quando Tiago, filho de Zebedeu, que pertencia ao grupo dos doze apóstolos, foi morto por ordem de Herodes Agripa I, neto do famoso Herodes, o Grande.

Pedro é aprisionado na proximidade da Páscoa (12,1-4), revivendo o destino de Jesus (cf. Lc 22,1). Ele “estava dormindo”, quando o anjo “o despertou” (12,6-7). Esses verbos remetem especialmente à morte e ressurreição de Jesus. A Ação de Deus, manifestada na Páscoa de Jesus, liberta Pedro por meio do “anjo” como libertou os israelitas do Egito. Enquanto Pedro era libertado, a comunidade estava reunida em oração (12,5-12).

O Salmo 33(34) é uma oração pessoal de ação de graças ao Senhor que liberta aqueles que buscam o refugio em sua bondade. O “anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem”, comprometidos com seu projeto de justiça e vida plena para todos.
A leitura da Segunda Carta a Timóteo apresenta o ensinamento e o testemunho de Paulo, como um testamento deixado às comunidades cristãs. Ele realizou o ministério com fidelidade: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (4,7). Por isso, aguarda com confiança o encontro definitivo com o Senhor. A entrega total de sua vida é comparada com as libações, onde se derramavam vinho, água ou azeite sobre as vítimas (cf. Fl 2,17).

Paulo em meio aos sofrimentos e às perseguições experimentou o abandono de todos, como Jesus na horta da paixão (cf. Mt 26,31.56). No entanto cheio de confiança no Senhor, ele completou a isso entre os gentios em circunstâncias adversas: “a Palavra tinha de ser ouvida por todas as nações” (cf. 4,17). A esperança tornou-se motivo de alegria e consolo diante das tribulações por causa do Evangelho.


Diocese de Limeira

12º Domingo do Tempo Comum

O Evangelho de Marcos narra o episódio da tempestade acalmada. O ensino em parábolas (cf. 4, 1-34) é seguido de quatro narrativas de milagres: a tempestade acalmada (cf, 4,35-41), o endemoninhado da região dos gerasenos (cf. 5,1-20), a cura da mulher com hemorragia e a ressurreição da filha de Jairo (cf. 5,21-43). Jesus, depois de ensinar através da Palavra, ensina por meio de ações salvíficas, sendo chamado pelos discípulos de “Mestre” (4,38).

“Essas ações de Jesus se sucedem no decorrer de alguma viagem: para ir à região dos gerasenos é necessário atravessar o lago e, durante a travessia desencadeia-se a tempestade; do outro lado, em terra pagã, Jesus cura o endemoninhado e volta para o território judeu. Jairo pede a Jesus que vá curar sua filha; no trajeto dá-se a cura da que sofria de hemorragia e, chegando à casa de Jairo, Jesus ressuscita a menina” (Cf. Delmore Jean. Leitura do Evangelho segundo Marcos, p.62). O sentido pleno dos milagres é descoberto à luz da ressurreição de Cristo, de sua vitória sobre a morte.

A narrativa da tempestade acalmada começa com o convite de Jesus dirigido aos discípulos ao cair da tarde: “Passemos para a outra margem!” (4,35). Depois de serem instruídos de forma particular por Jesus (cf. 4,34), os discípulos são impelidos a fazer a travessia com ele, que permanece no barco “do modo como estava”. Quando dirigiu o ensino em parábolas (4,1-2). Enquanto atravessavam o lago Tiberíades, “veio, então, uma ventania tão forte que as ondas se jogavam dentro do barco; e este se enchia de água” (4,37).

Conforme a mentalidade da época, o mar era o lugar onde surgiam as forças caóticas e os poderes promotores do mal (Cf. Dn 7). Os discípulos, ameaçados pelas adversidades, procuram Jesus: “Mestre, não te importa que estejamos perecendo?” Jesus “se levantou e repreendeu o vento e o mar: Silêncio! Cala-te!” (4,39). Em 1,25, Jesus liberta a pessoa do espírito impuro, dizendo: “Cala-te, sai dele!”. Seus seguidores são exortados a confiar em sua presença salvífica: “Ainda não tendes fé?” (4,40). A confiança na vitória de Cristo sobre a morte pela ressurreição garante a eficácia da missão dos discípulos.

A experiência da fé leva os discípulos a descobrir progressivamente quem é Jesus, seu poder de salvação sobre as forças opostas ao projeto de Deus. A pergunta: “quem é este, a quem obedecem até o vento e o mar?” (4,41) já contém uma profissão de fé implícita em Jesus, o Filho de Deus. O reconhecimento da identidade de Jesus conduzirá à libertação plena do medo.

Em 1,27, o povo também dizia: “Quem é este?”, diante da libertação da pessoa do espírito impuro. As obras realizadas por Jesus, como controlar o vento e o mar, eram atribuídas a Deus (cf. Sl 107, 23-32). Jesus liberta os discípulos dos fenômenos cósmicos, das forças caóticas, assim como libertou a pessoa escravizada.

A leitura do livro de Jó, em sua última parte (38,1-42,6), ressalta a experiência do encontro com Deus, que dá sentido à existência do ser humano: “Eu te conhecia só por ouvir dizer, mas agora, vejo-te com meus próprios olhos” (42,5). O caminho da Palavra conduziu Jó ao encontro com o Senhor da vida. O texto de hoje começa dizendo que “Então, o Senhor, do meio de a tempestade, respondeu a Jó” (38,1), revelando a eficácia de sua Palavra que domina as forças do mal e do caos.

A tempestade remete às “teofanias”, à maneira de Deus manifestar sua presença de salvação (Cf.  Sl 18, 8-16; 50,3; Na 1,3; Ez 1,4; Ex 13,22; 19,16). O Senhor manifesta sua presença de salvação, que ilumina o povo ao longo da história. Depois de colocar os fundamentos da terra (38, 4-7), Deus controla o mar, “Eu o demarquei com meus limites” (38,10). Sua Palavra criadora organiza e conduz o universo com sabedoria.

O Salmo 106 (107) é um hino de ação de graças ao Senhor por seu amor, suas maravilhas manifestadas em favor do ser humano. O Deus, que ouviu o clamor e “transformou a tempestade em brisa suave” revelou-se plenamente em Cristo acalmando a tempestade, vencendo as forças que geram o mal.

A leitura da segunda carta aos Coríntios apresenta o amor de Cristo, revelado em sua morte na cruz, como o fundamento do ministério apostólico. “O amor de Cristo nos impele” (5,14), levando-nos a uma vida nova. “Cristo morreu por todos, para que não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (5,15). Sua entrega nos impele a permanecer em comunhão com Ele e seu projeto (Cf. 1Ts 5,10). Paulo, após o encontro com o Ressuscitado no caminho de Damasco, afirma: “Já não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim“ (Gl 2,20).

A adesão a Cristo implica em testemunhar a nova humanidade: “Se alguém está em Cristo, é criatura nova. O que era antigo passou, agora tudo é novo” (5,17). A nova criação revelou-se na Páscoa de Cristo, mediante a qual Deus reconciliou o mundo (5,18-21). Assim, somos chamados a anunciar o amor reconciliador, que brota do encontro com Jesus, o Crucificado e Ressuscitado. O novo modelo de viver em Cristo leva a construir uma ordem social verdadeiramente justa e redimida.


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