O perdão é o melhor remédio para sarar nossas enfermidades

Todos nós temos dificuldades de perdoar nossos irmãos por não entendermos completamente o significado e a mensagem do Pai-Nosso. Temos um Pai que é amor, misericórdia infinita, que perdoa sempre. Como Seus filhos, herdamos essas mesmas características, portanto, somos também amor e perdão.

O perdão é o melhor remédio para sarar nossas enfermidades, pois, quando alimentamos sentimentos negativos, nos fechamos à graça de Deus e matamos a alegria que existe em nós, suscitadas pelo próprio Espírito Santo, que é fonte da nossa verdadeira alegria.

Os sentimentos negativos como ressentimento, mágoa, inveja, ciúme, rancor, vingança e ódio matam a alegria que o Espírito Santo faz forrar em nós. Daí, não é de se estranhar que nos falte alegria e que acabemos sucumbindo à tristeza, ao desânimo e à depressão. Ao mesmo tempo, se esses sentimentos permanecem em nós, eles fecham o canal da graça divina.

Numa cidadezinha do interior de nosso país, aconteceu um fato significativo. Certo dia, faltou água em toda a cidade: casas, escolas e postos médicos. Todas as torneiras estavam secas.

A equipe da prefeitura fez uma vistoria completa no encanamento e nada encontrou. Irritado, o próprio prefeito quis vistoriar, começando pelo lugar que ninguém havia ido: a caixa d’água. Todos ficaram admirados com o que encontraram: a caixa estava cheia, até transbordava.

A admiração, porém, transbordou igualmente quando, horrorizados, puderem ver a causa da falta d’água em toda a cidade: um enorme rato estava entalado no cano de saída da caixa d’água.

Os sentimentos negativos, que muitas vezes carregamos, assemelham-se àquele rato repugnante. Qualquer um deles pode tampar o canal da graça, impedindo-a de fluir em nossa vida.

Imagine só o que acontece quando cultivamos ratos desse tipo na nossa “caixa d’água”. É necessário libertar-se urgentemente de todos eles. É uma questão de vida!

De fato, se vós perdoardes aos outros as suas faltas, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. Mas, se vós não perdoardes aos outros, vosso Pai também não perdoará as vossas faltas (Mt 6,14-15).

Os combatentes do Senhor precisam garantir o fluxo da “água”. Não permita que nada venha o impedir de receber a fonte de vida. Trata-se de uma questão de sobrevivência. Como podemos pedir perdão por nossos pecados se nos recusamos a perdoar os nossos irmãos?

A Palavra de Deus é clara: “Um ser humano guarda raiva contra outro: como poderá pedir a Deus a cura?” (Eclo 28,3).

Enquanto a lei dos pagãos é “olho por olho e dente por dente”, a lei que rege o céu é baseada no amor e no perdão. Ora, eu vos digo: amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos (Mt 5,44-45).

O pecado deixou em nós uma sede de vingança: “olho por olho”. Mas não podemos ceder à tentação. Quando somos feridos e ficamos ruminando o que aconteceu, acabamos nos revoltando e caímos na tentação. Por mais sofrido que tenha sido o episódio vivido, você precisa entregar a Jesus todos os sentimentos negativos, antes que você seja tomado pela ira e pela revolta.

Não podemos nos entregar aos sentimentos de vingança, ódio, ira, mágoa, ressentimento; precisamos resistir. Senão viramos marionetes nas mãos do inimigo, e ele acabará fazendo de nós aquilo que quiser.

As pessoas, em sua essência, não são más, porém, por causa do seu temperamento e dos acontecimentos de sua vida, acabam agredindo, mesmo sem a intenção de prejudicar. Como diz São Paulo: “Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, então já não sou eu que estou agindo, mas o pecado que habita em mim (Rm 7,19-20).

O Senhor nos chama a sermos misericordiosos assim como o Pai do Céu é misericordioso. Diante de misérias e fraquezas, como filhos de Deus, precisamos ser misericordiosos com todos os nossos irmãos. Por mais que eles tenham errado conosco, precisamos ser misericordiosos e perdoar, como Deus misericordioso nos perdoou.

Deus não nos obriga a perdoar, mas nos dá a graça de conseguir fazê-lo. O perdão é um presente do Senhor para nós. Ele também abre o caminho para a cura, porque cura e perdão caminham juntos. Quando nos abrimos ao perdão, somos restaurados por Deus e adquirimos uma alma nova. A alegria invade o nosso coração e toda tristeza é exorcizada do nosso interior.

O cristão é um outro Cristo. Portanto, somos chamados a amar como Jesus amou, a perdoar como Jesus perdoou e a sofrer com Jesus sofreu. Precisamos pedir ao Senhor um coração manso e humilde, aberto ao amor e à reconciliação.

Peçamos esta graça:

Senhor, por amor do Teu nome e pela força do Teu Santo Espírito, abre as portas do meu coração para o amor e o perdão. Não posso alimentar no meu coração o desamor, o ódio, a raiva… Esses sentimentos matam a alma e o corpo.

Monsenhor Jonas Abib

Aparições de Nossa Senhora de Fátima - 1ª aparição do Anjo

Como que preparando as aparições de Nossa Senhora, em 1916, em plena Primavera, estando os três pastorinhos a brincar numa colina chamada Loca do Cabeço, apareceu-lhes um Anjo. Um jovem que aparentava ter entre 14 a 15 anos, tão branco como a neve, e de uma beleza divina. O relato da mais velha dos videntes, Lúcia, descreve assim os acontecimentos:

"Andava eu com os meus primos Francisco e Jacinta a cuidar do rebanho e subimos a encosta em procura dum abrigo a que chamávamos a "Loca do Cabeço". Depois de aí merendar e rezar, alguns momentos havia que jogávamos e eis que um vento sacode as árvores e faz-nos levantar a vista para ver o que se passava, pois o dia estava sereno. Então começámos a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direção ao nascente, uma luz mais branca que a neve, com a forma dum jovem, transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol.

À medida que se aproximava, íamos lhe distinguindo as feições. Estávamos surpreendidos e meios absortos. Não dizíamos palavra. Ao chegar junto de nós, disse:

– Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo. E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:

– Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:

– Orai assim.

Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas. E desapareceu. A atmosfera do sobrenatural que nos envolveu era tão intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo. Nesta aparição, nenhum pensou em falar nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos, talvez, também maior impressão, por ser a primeira assim manifesta."

Retirado do Livro Memórias da Irmã Lúcia

O Meu amor o sustentará!

O amor de Deus lhe bastará e o sustentará ainda que você tenha de subir as montanhas e entrar no deserto.

O batismo de Jesus é o assunto principal deste Evangelho. Falar sobre isso é cutucar a nossa memória e nos lembrarmos do nosso batismo e das consequências dele em nossa vida.

Sei que, nesses dias de Acampamento Revolução Jesus, você foi provocado sobre o discernimento da sua vocação para a vida cristã. Só poderemos ser padres, consagrados ou casados se vivermos uma vida em Cristo.

Há consequências do batismo que precisamos viver, independente do nosso estado de vida. Só podemos pensar nas outras vocações se tivermos alicerçados no sacramento do batismo, o qual nos leva à vida cristã e à conversão.

Agora, vejamos as consequências do batismo do Senhor: “Como Jesus de Nazaré foi ungido pelo Senhor, andou por toda a parte”. Independente do canto do mundo de onde viemos, temos de sair e levar Jesus às pessoas; para isso fomos batizados. As consequências do nosso batismo é tornar o mundo melhor. E se o mundo está ruim, é porque nós ainda não estamos vivendo a nossa consagração.

“Jesus saiu fazendo o bem, curando todas as pessoas que estavam dominadas pelo demônio”. Desde o dia do nosso batismo, Deus está conosco, não para nos vigiar, mas para nos salvar, porque Ele nos ama.

A Igreja nos ensina que o batismo é um selo; não como aquele de carta, que é superficial. O selo do batismo imprime em nossa alma um caráter indelével. Isso significa que ninguém pode deletar, apagar esse selo que foi impresso na minha e na sua alma. Quando recebemos o batismo, também recebemos este selo.

Hoje, de forma especial, quando o céu se abre e desce o Espírito Santo em forma de pomba, ouvimos a voz de Deus: “Tu és o meu filho amado e hoje ponho em Ti o meu querer”.

Muitas vezes, o sentindo do batismo se perde, porque as consequências desaparecem. Jesus, no dia do nosso batismo, nos diz: “Eu sou o Amor e o amo tanto a ponto de querer que tivesse nascido”.

O Evangelho de Mateus conta que, nos 40 dias que Jesus passou no deserto, Ele foi tentado. O Senhor não foi fazer uma comemoração do batismo, mas foi ser tentado. É duro dizer isso para você, mas o tentador vai se aproximar de você. No entanto, Jesus estará sempre com você. A primeira tentação de Jesus foi: “Se és filho de Deus, mande que essas pedras se transforme em pães”. Toda a tentação e proposta do mal é fazer com que duvidemos dessa prova indelével da nossa vida: “Eu sou amado por Jesus, sou ungido do Senhor”.

Você se lembra dos seus maiores pecados? Depois que passou, veio o remorso e o sentimento de culpa, porque nós temos uma marca, a qual nos lembra, constantemente, que somos filhos de Deus e somos amados por Ele. Na segunda tentação de Jesus, o inimigo O levou para uma montanha alta, onde o Senhor fez os mais belos discursos e orações; lá, o demônio lhe diz: “Se és filho de Deus, salta-te daqui, porque o Senhor prometeu que Lhe daria anjos para guardá-lo”. Não duvide do amor de Deus. Se fizeram isso com o nosso mestre, imagina o que lhe espera? Não estamos sozinhos, há uma graça que nos sustenta, temos Deus.

Bem mais do que podemos compreender, Deus nos conhece. Talvez você esteja vivendo dificuldades, mas o amor de Deus para sustentá-lo. A graça do Senhor não vai lhe faltar, porque o amor acredita em você. O amor do Pai lhe bastará e o sustentará, ainda que você tenha de subir as montanhas e entrar no deserto. Se eu fosse contar por onde eu passei, você saberia que foi um deserto, mas hoje sou padre.

Padre Fabrício Andrade
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

É preciso deixar a escravidão do pecado para seguir Jesus

A missão de Jesus, após o Seu batismo, é levar o Reino de Deus para o nosso meio, é instaurar o Reino de Deus no meio de nós, por isso Ele anuncia e prega o Reino de Deus.

Você pode perguntar: “O que é preciso fazer para entrar nesse Reino? O que é preciso para fazer parte do Reino de Deus, esse novo tempo, essa nova graça que Deus traz para o nosso meio?” É preciso da nossa parte abertura e adesão.

Primeiro: abertura de coração. Abertura para a conversão, abertura para acolher a novidade, que é o Evangelho de Jesus, abertura para deixar Deus realizar uma obra nova dentro de nós. Converter-se significa mudar a mentalidade, o modo de pensar, de agir e de ver.

Não podemos nos fechar no que pensamos, no que acreditamos, nem em nossas convicções, por melhores que elas sejam. Precisamos nos abrir para o novo! É preciso a coragem de querer nos rever, rever as atitudes, as disposições, as posturas que temos.

É óbvio que, muitas vezes, nós temos hábitos que não condizem, não edificam e não testemunham a presença de Deus no meio de nós. O desejo de nos convertermos e abrir o coração à conversão abrem-nos as portas do Reino dos Céus.

O segundo passo é a adesão. Aderir àquilo em que acreditamos, aderir àquilo ao qual nos abrimos, aderir àquilo no qual acreditamos e nos convertemos. A adesão é, acima de tudo, crer no Evangelho, acreditar que ele é o poder transformador em nossa vida, e que só Jesus, o Evangelho Vivo, pode nos salvar, nos libertar e nos restaurar!

Crer em Jesus significa dizer “sim” à Sua Palavra; crer em Jesus significa aderir a tudo aquilo que Ele trouxe para restaurar e renovar os nossos corações.

O Reino de Deus está aí, está no meio de nós, ele está onde abrimos o nosso coração para acolher os ensinamentos e a Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que hoje nós tenhamos a coragem de deixar aquilo que nos mantém presos e escravos do pecado para que possamos ouvir a voz de Jesus: “Segue-me!”. E que possamos segui-Lo abrindo o nosso coração para nos convertermos e crermos no Evangelho.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Domingo do Batismo do Senhor

O texto segundo Isaías é o primeiro cântico do Servo do Senhor, descrevendo sua vocação profética, sua missão, a escolha divina. É Deus mesmo que o apresenta como eleito. O servo é descrito como aquele que possui o Espírito de Deus e nisso se assemelha aos juízes do passado do povo de Deus. O povo gostaria de juízes e afirmava que eram movidos pelo Espírito do Senhor. Na mesma perspectiva dos juízes, a tarefa do Servo é implantar o direito, a justiça e o desígnio de Deus.

Sua missão é universal: nações terra, ilhas, todos os que estão à espera do estabelecimento do Reinado da justiça. O Servo não realizará sua missão através de armas ou violência. Seu estilo de ação e novo: suavidade e mansidão com o fraco e o vacilante; firmeza no sofrimento e perseverança na realização da missão. Não quebrará o fraco, nem se deixará quebrar.

Deus o formou e o chamou para ser mediador da Aliança e seu revelador aos estrangeiros: luz para as nações. A cegueira e a prisão são alusões ao exílio na Babilônia, onde o povo perdeu a liberdade, tornou-se escravo e perdeu sua raiz mais profunda: a fé em Deus, em si próprio e na vida.

Ouvimos hoje nos Atos dos Apóstolos a afirmação de que Deus não faz acepção de pessoas. É o início do discurso de Pedro na da do centurião Cornélio, quando Pedro sanciona a admissão dos “pagãos” ao Evangelho sem obrigá-los aos costumes judaicos. Ele começa com um fato básico da fé: Deus não faz diferença entre as pessoas; não distingue nem privilegia um povo ou uma raça, mas aceita a todos e a cada um que o reconhece como Senhor e pratica a justiça.

Pedro fala de Jesus de Nazaré como acontecimento que trouxe a Boa-Nova da paz e “Como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Por toda a parte, ele andou fazendo o bem e curando a todos que estavam dominados pelo diabo; pois Deus estava com ele” (10,38).

O Batismo de Jesus no Jordão, narrado pelo Evangelista Marcos tem como base Isaías 63, 11.19, onde se evoca a figura de Moisés, dia da páscoa judaica, e a abertura do céu como imagem da desejada ação divina em favor do seu povo. Em Marcos, Jesus é apresentado como o novo Moisés e pastor que vai conduzir o povo na nova páscoa a ser realizada co o seu verdadeiro Batismo: a cruz e a ressurreição.

Neste sentido, o evangelista chama atenção aos dois movimentos. Jesus que se faz batizar (mergulhar submergir como sinal da sua glorificação, a ressurreição). Os céus se abrem com a proclamação da filiação divina de Jesus. É o testemunho maior de que fala a segunda leitura. Por um lado, eles e mais que o servo Moisés e mais que o rei. E o contraste com o homem de Nazaré da Galileia, que se solidariza com os demais ao submeter ao Batismo de João, reforça o caráter pascal do evento narrado.

São as duas faces do mesmo acontecimento salvífico: aprofundamento da encarnação (Natal) que aponta na direção da Páscoa que aqui se anunciar nas imagens batismais. A inspiração de Isaías 63,19 dada ao trecho evangélico ressoa na primeira leitura: os céus se abriram e Deus enviou sua Palavra para a missão de fecundar a terra. A Palavra que desceu e se encarnou, cumpriu a sua missão e voltou ao seio do Pai na glorificação.


Diocese de Limeira

"13 - O Dia que Mudou o Mundo"


Uma produção inteiramente realizada em animação gráfica 3D, com 100 minutos de duração, contando de uma maneira única a história das aparições de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos, no ano de 1917, em Portugal.

O projeto está em fase de pré-produção e tem lançamento previsto para maio próximo, com exibição a partir de outubro de 2015.

Uma narrativa empolgante onde a espiritualidade se confunde com a realidade. Confira o trailer e acompanhe o desenvolvimento da produção no site oficial do telefilme www.sinfronio.wix.com/fatima

Que Deus nos purifique de toda maldade que existe em nós

O leproso acreditou por ter a profunda convicção de que Jesus poderia purificá-lo. Hoje a lepra, conhecida atualmente como hanseníase, tem tratamento, tem cura e cuidados muito especiais para que não se agrave e não cresça. Pense como era difícil na época de Jesus aquela carne leprosa, que ia ficando malcheirosa e à medida que ela ia crescendo tanto mais crescia a repugnância das pessoas para com quem tinha essa enfermidade.

O leproso vivia afastado das pessoas, vivia marginalizado porque ele podia contaminar e contagiar os outros; muitas pessoas nem suportavam estar com a pessoa daquela forma. O leproso era tido como impuro, sujo e por isso era marginalizado. A condição desse homem não era só o problema da sua situação física, mas o quanto que, dentro do coração dele, ardia de sofrimento, porque ser marginalizado, ser colocado à margem, ser tratado com a indiferença das pessoas dói, machuca e provoca um sofrimento dentro do coração!

Por isso este homem sabia que Jesus podia fazer algo por ele e clama: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar” (Lucas 5, 12). Olhando a fé daquele homem, Jesus estendeu a mão e disse: “Eu quero, fica purificado” (Lucas 5, 13). E a lepra imediatamente abandonou aquele homem.

Deixe-me dizer a você: Jesus nos quer limpos, purificados, mas não basta Jesus querer, nós precisamos querer, precisamos acreditar! Talvez não nos demos conta de que existe uma lepra tão mais dura do que aquela lepra física que aquele homem sofria: é o estrago e o mau cheiro que o pecado causa em nós, o pior deles torna cegos a nós mesmos, somos, muitas vezes, incapazes de enxergar a vida errada que estamos vivendo. As impurezas dos maus pensamentos, dos maus sentimentos, das maldades que, muitas vezes, só crescem dentro de nós e vão tomando corpo em nós, fazendo-nos pessoas azedas, mesquinhas, raivosas e, frequentemente, cruéis.

Como precisamos nos purificar desses monstros que crescem dentro do nosso interior! Como precisamos nos purificar desses sentimentos mesquinhos que tomam conta da nossa mente, da nossa mentalidade e fazem de nós pessoas egoístas e orgulhosas. Como cheira mal, o quanto é má e contagiosa a maldade! E veja que a maldade não fica só em nós.

Temos que nos preocupar é com a nossa mesquinhez, com o nosso orgulho e com a maldade que existe dentro de nós! Essa é a pior das doenças e a pior das enfermidades.

Que Deus nos purifique e nos lave daquilo que dentro de nós está podre, estragado e não está nos deixando viver em Sua graça.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova

O amor verdadeiro, o amor que vem de Deus

Todos nós, em tudo o que fazemos, estamos em busca de uma só coisa: o amor perfeito.

A Palavra da Liturgia de hoje mexeu com o meu coração e me encantou, porque parece que foi combinado, e na Canção Nova a liturgia sempre é muito providente.

“Deus nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê. Temos de Deus este mandamento: o que amar a Deus, ame também a seu irmão.Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus; e todo o que ama aquele que o gerou, ama também aquele que dele foi gerado. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 Jo 4,19- 5,4).

Todos nós, em tudo o que fazemos, estamos em busca de uma só coisa: o amor perfeito. Lá no fundo do nosso coração, queremos somente uma coisa: se namoramos, é porque queremos o amor perfeito; se temos filhos, se nos casamos e rezamos, é porque também queremos um amor perfeito. Se bebemos e pecamos, também estamos querendo um amor perfeito, mesmo buscando-o de forma errada, pois achamos que Deus está nessas coisas.

A mulher romântica procura o príncipe encantado, o amor perfeito. As meninas ficam encantadas quando se deparam com um exemplo e idealizam esse amor. Talvez, na adolescência, você pregasse pôsteres na parede, porque já almejava amor perfeito. O coração da adolescente está no auge e quer, mais que tudo, esse amor. Ao longo da nossa vida, continuamos buscando por ele e, em um momento, você acha que o encontrou.

Talvez, você rapaz, ache que a sua namorada é seu amor perfeito, e fique pensando a noite inteira nela; e quando ela passa perto da escola e joga o cabelo, você se derrete. E daí você pensa que não existe felicidade maior do que namorar com ela. Mas, depois de um tempo, você se sente traído, porque achou que havia encontrado o amor. Então, começa a chorar no travesseiro, no banheiro para a sua mãe não ouvir. Você chega a pensar que nunca mais vai encontrá-lo, mas passa uma semana e você já está gostando de outra pessoa, porque você procura o amor perfeito.

Mas só existe um amor perfeito, e este amor vem de Deus. Por isso, precisamos buscá-Lo para preencher essa ausência de amor que sentimos.

Quantas cabeçadas damos nesta vida, porque estamos iludidos com o amor! Há uma fase no casamento em que, depois de muitos anos de casados, o matrimônio passa por uma crise e os cônjuges querem trocar a (o) esposa (o) por outra (o). Dizem: “O amor entre nós acabou”. Isso acontece, porque eles não entenderam nada sobre o que é o amor.

Milhares de anos se passaram e as pessoas não entenderam o que é amor. Ele não é sentimento, mas decisão. O amor suporta as provações, a dor. Isso é amor. No mundo, as pessoas matam em nome do amor, fazem da vida do outro um cativeiro. Isso não é amor. Se você liga a TV, vê que uma pessoa diz que amava a outra, mas a matou, porque não queria vê-la com mais ninguém. No mundo, o amor é como aquilo que me convém, que me satisfaz.

Em Corintios, 13, vemos que a caridade se resume no amor. E é esse o amor que preenche o coração, porque vem de Deus. E se queremos nos aproximar d’Ele, não há outro caminho a não ser o de amar concretamente como disse Papa Francisco: “O amor não é teoria, é ato concreto. O amor é ação que me empele a ir ao encontro do outro”. Muitas pessoas dizem: “Eu me deito com o meu namorado (a), porque eu o (a) amo”. Mas o amor é paciente e tudo espera.

Papa Francisco disse: “O amor não pode ser como uma cena de novela, um amor teórico e paixonite, onde a vida é conduzida pelas paixões”. Se eu sinto, eu fico; se não sinto, vou embora. Amamos, porque Deus nos amou primeiro.

Conta a lenda que, todos os dias, um velhinho pegava um ônibus lotado e descia numa clínica, e aquele ponto de ônibus que ficava em frente a uma banca. A moça da banca, então, lhe perguntou: “O senhor é funcionário daquela clínica?”. Respondeu ele: “Não, é porque minha mulher está internada lá com Alzheimer, mas ela já não sabe nem quem eu sou!”. “Então, perguntou a moça novamente, por que o senhor vem todos os dias aqui se ela nem sabe quem o senhor é?”. E ele disse: “Ela pode não saber muito bem quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Muitas vezes, fazemos assim com Deus, nos esquecemos d’Ele.

O Senhor nos amou primeiro, Ele nos precede no amor. É desse amor divino que estou falando, não do amor do mundo, que usa o outro por benefício próprio. Talvez você esteja em frangalhos, porque vê uma ferida enorme, pois achava que tudo o que vivia era amor, mas você só foi usado muito tempo pelos outros. Hoje, Deus está atraindo você pelo amor. Ele está lhe dizendo: “Eu jamais tirei os meus olhos de você!”. O Pai não quer que você espere para se encontrar com Ele. Jesus quer que você se encontre com o Seu amor agora.

Deixe Deus fazer o que Ele mais gosta, que é amar você. “Aquele que diz amar a Deus, ame também o seu irmão”. Mas pode ser que você diga: “Fulano pisou na bola comigo, maltratou-me na frente dos outros, humilhou-me por tanto tempo!”. A Palavra é muito clara: “Aquele que não ama o seu irmão, como vai amar a Deus?”. Se não entendermos isso, vamos ficar a vida toda procurando o amor perfeito e não vamos encontrá-lo.

Talvez você se pergunte: “Como eu amo Deus?”. Quando você dá a sua vida por amor a Ele. “Será que eu amo o Senhor apenas quando eu dou a vida em uma consagração, em uma comunidade religiosa?” Não. O amor concreto passa pelos pequenos gestos, ele acontece na coxa de frango que você deixa para o seu irmão. O amor passa por aquele copo de água que seu pai pede. Se o amor não passa pelos pequenos gestos, não é amor, é um pseudoamor.

Se não formos fiéis no pouco, não vamos ser no muito. Jovens Revolução Jesus, esta é a face do amor verdadeiro. Onde você precisa agir concretamente? Não temorize o amor, porque ele é ação e é concreto.

Meu amigo Du sentiu uma necessidade muito grande de se aproximar de seu pai, porque os pais dele eram separados, por isso ele não tinha esse afeto paterno. Mas Ele precisava fazer alguma coisa para demostrar esse amor. Como o pai dele era maquinista e viajava muito, ele pegou uma folha de caderno e escreveu um bilhete, dizendo que o amava. Ele não tinha coragem de entregar o bilhete, então, pegou a mala do pai e colocou o bilhete dentro. Depois, voltou para a casa da mãe.

Passado um tempo, ele voltou à casa do pai e viu a mensagem que havia escrito num quadro na parede. O jeito de seu pai amá-lo foi fazendo uma arte com o texto do filho, colocando-o num quadro. Tempos depois, seu pai morreu. Mas o Du me disse: “Meu pai se foi, mas sabendo que eu o amava e eu sabendo que ele me amava”. Há algumas atitudes que você precisa demonstrar em gestos de amor.

Tiago Camargo
Missionário da Comunidade Canção Nova

Tenha a coragem de ser feliz!

Existem muitas pessoas que estão esperando para ser feliz somente quando o sonho acontecer, mas a felicidade não é o lugar onde se chega, independente daquilo que esteja em nosso coração, independente dos nossos planos, até mesmo se eles forem os de Deus. Nós temos o costume de condicionar a nossa felicidade à alegria plena.

Felicidade é a forma como estamos caminhando para chegar a devido lugar. A felicidade é um caminho maravilhoso, e a decisão de ser feliz precisa ser diária!

Tudo aquilo que sonhamos hoje é para ser construído amanhã! As atitudes, as decisões precisam ser para sempre! As coisas mudam, mas as decisões que tomamos hoje, sejam elas concretas ou simples, precisam ser para sempre. As decisões erradas vão diminuindo e não aumentando a nossa alegria.

Existem pessoas que estão deixando para ser feliz depois dos trinta, quarenta anos. A primeira coisa: ame o que você tem! A verdadeira felicidade está naquilo que você ama profundamente! Faça um balanço de tudo o que você tem!

O que você tem hoje são cinco pães e cinco peixes que Deus lhe deu para que você os multiplique. Parece brincadeira quando dizemos: “Tenha coragem para ser feliz!”, pois é uma coisa tão fácil. Tenha a coragem de ser feliz, mesmo com o filho nas drogas, com o esposo adúltero, com a faculdade, com o namorado que você ainda não tem. O que você tem hoje, com certeza, é o que Deus vai usar para multiplicar em sua vida!

Uma grande decisão para sermos felizes é colocar diante de Jesus o fardo que carregamos, não dá para andar com um fardo debaixo do braço.

O povo de Deus estava sendo escravizado, e os piores eram os romanos, pois não tinham condições de fazer nada, pois, na época de Jesus, os impostos eram muito caros. Quando Jesus olhou para aquele povo, cansado de ser escravizado, disse: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mateus 11, 28).

É como se Jesus estivesse olhando para nós, para nossas famílias, nossos jovens, para as leis, as violências, as doenças etc. Jesus nos fez um convite: “Vinde a mim!”. Assim como Ele olhou para aquele povo, está olhando para nós! Jesus quer que você tome a decisão de ser feliz!

Aproxime-se de Jesus, comece a ser íntimo d’Ele para que possa continuar a caminhada. Não sei em que ponto da sua felicidade você está, mas você já é feliz.

Jovens, seus pais não têm a juventude, a disposição de vocês. Dê um pouco a eles! Tenha coragem de escolher aquele bom momento, peça a Deus sabedoria. Felicidade é quando existe maior alegria em dar do que receber. O que está sobrando em você que pode ser dado a alguém?

Deus está “doidinho” para fazer uma “revolução” em sua vida! Não fique com o pensamento de que você só será feliz se ganhar na Mega Sena ou coisas parecidas. Tome a decisão de ser feliz com quem você ama! A felicidade é o primeiro passo a ser dado até encontrarmos o caminho certo. Somos convidados por Jesus a sermos felizes!

Dunga
Missionário da Comunidade Canção Nova

Ano Novo: limpos no coração e na alma

Estamos iniciando um novo ano, cheios de esperanças e de muitos desafios. Na Palavra de Deus, sempre encontraremos a orientação necessária. Mudam os tempos, mas a Palavra é sempre atual e viva.

Vamos meditar sobre o Evangelho de São Marcos 7,1-8.14-15.21-23. É muito importante que você leia o texto e escute o que Deus lhe fala. Fazer um momento de silêncio é indispensável para acolher essa palavra e deixar que ela cresça dentro de você.

Jesus está cercado pelos escribas e fariseus, homens de grande observância das leis judaicas. Estão questionando Jesus quanto ao comportamento dos Seus discípulos que não fazem as abluções rituais antes das refeições. Mais do que uma preocupação com a higiene pessoal das mãos e dos braços, Jesus denuncia um desvio de comportamento daqueles homens: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Aos olhos de Jesus é muito mais importante a pureza do coração do que a limpeza externa das mãos. Enquanto a água lava as mãos, somente Jesus pode lavar o coração de suas impurezas: “Nada que, de fora, entra na pessoa pode torná-la impura. O que sai dela é que a torna impura”.

Assim Jesus nos conduz a uma reavaliação daquilo que trazemos dentro do coração; e se for necessário, precisamos fazer uma faxina geral no nosso interior. Entretanto, nesse caso, a água comum nada pode fazer, essa limpeza do coração só pode ser feita com a água do Espírito Santo. Algumas vezes, o próprio Jesus chamou esses homens de hipócritas, justamente por causa dessa realidade: por fora, tinham aparência de grande pureza, mas, no interior, traziam grandes sujeiras (imoralidade sexual, roubos, homicídios, adultérios, ambições desmedidas, perversidade, fraude, devassidão, inveja, calunia, orgulho e insensatez). Ainda é Jesus que argumenta: “Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções”.

Também nós precisamos fazer uma revisão do que trazemos no coração. As mãos sujas não podem manchar as boas intenções do coração, porém, o contrário pode acontecer. Apesar de trazemos mãos limpas, se o coração estiver cheio de más intenções, tudo o que fizermos ou dissermos acabará contaminado pela imundice do coração.

Gostaria de propor que você desse início a este ano da sua vida fazendo uma grande faxina no coração e na alma. Ainda nestes primeiros dias do novo ano, procure um sacerdote, em sua paróquia, na sua comunidade, e faça uma boa confissão dos seus pecados. Limpos por dentro, no coração e na alma, estaremos prontos para enfrentar tudo o que este tempo novo nos trouxer:  alegrias ou tristezas, vitórias ou derrotas. Porém, o mais importante não faltará; estaremos com o coração cheio da graça de Deus.

Padre Fabrício Andrade
Sacerdote da Comunidade Canção Nova