Família: novo sinal dos tempos

Tenho a certeza de que você passa por grandes desafios na sua casa. Mas como fazer para que a sua família seja de Deus?

Os brasileiros têm uma virtude belíssima: são solidários. E é na família que aprendemos a ser assim. Eu imagino que, na sua casa, sempre haja mais “água no feijão”, como disse o Papa Francisco.

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos nele e ele em nós, por ele nos ter dado o seu Espírito, (João 4, 7-10).

Quando São João escreveu essa primeira carta, tinha grandes intenções, pois a dirigiu às famílias. Até hoje, em Israel, há uma força que mexe e impulsiana a vida deles: os familiares. Por que eles são tão importantes para o povo israelense? Porque, em Israel, tudo acabou. Acabaram-se os sacerdotes e as instituições; só as famílias se mantiveram em pé.

Quando li essa carta de São João, perguntei-me o que ela tinha a ver com a família. Descobri que a razão é o fato de ela falar do amor e da caridade.

Há pais e mães que não se cumprimentam em casa. E quando estes não manifestam o amor, afetam a família. A experiência do amor familiar começa com os cônjuges. A mulher é responsável pelo amor que ela expressa a seu marido. A mesma coisa acontece com o homem, pois seu amor pela esposa precisa ser manifestado.

Quando eu era criança, meu pai dizia: “Rafael, você nunca deve ir a um boate, porque verá coisas que nunca deveria ter visto”. Passado um tempo, eu resolvi: “Vamos à boate!”. Então, meu amigo me perguntou: “Você viu alguma coisa que não deveria?”. Eu lhe disse: “Sim, meu pai!”.

Se o amor não é testemunhado, não existe família. O amor é o ponto central na carta de São João. É Deus quem nos amou primeiro, por isso o sinal maior na família é o amor.

Como é difícil amar os nossos irmãos de sangue! Amar um amigo é nota dez, mas amar um irmão e uma irmã não é fácil. Quando amamos, tocamos no amor mais fraterno que existe. O amor fraterno que não cresce na família traz sérios problemas. No livro que escrevi, a parte mais difícil foi falar sobre o amor fraterno.

O maior desafio na família é fazer com que os filhos sintam o amor fraterno. Quando os irmãos não se conhecem, o relacionamento é muito difícil. Talvez, haja irmãos que não se falem há muito tempo! Damos mais atenção aos amigos do que aos irmãos. Por que será que nós fechamos o nosso coração para o amor fraterno? O primeiro amor vem do casal fraterno e depois do amor pelos nossos irmãos e irmãs.

Se o casal é capaz de fortalecer esse amor e os irmãos são capazes de se amar, existe uma coisa linda! Uma família bem constituída constrói uma sociedade estruturada.

O Papa Francisco nos ensina: “Vamos sair das nossas casas! Vamos ao encontro do outro!”. O que o Senhor quer dar às famílias? O que Ele está colocando no coração de cada uma delas?

O casamento é um sacramento, uma aliança de Deus com a Igreja. Precisamos nos conhecer para nos amar. Há casamentos que passam por experiências de dor, mas é o sofrimento entre um homem e uma mulher que santifica a humanidade. A família sempre foi sinal dos tempos.

Fico muito triste quando vejo famílias que não querem ter filhos. Há aquelas que querem educar seus filhos pelo Iphone, porque os querem quietos. Sabe o que está acontecendo com o amor dos nossos filhos? Nós o estamos terceirizando, deixando que os outros cuidem deles. A educação dos nossos filhos não nasce nas ruas, mas em casa; não nasce na internet, mas na presença.

Você tem tempo para seus familiares? Se não o tem, precisa colocar um sinal vermelho e dizer: “Preciso estar com minha família!”.

Sabe o que meus pais fizeram no dia do meu aniversário? Colocaram um bolo em frente ao Skype. Só nos vemos uma vez ao ano, e eu aprendi a ser família com eles.

Há muitas pessoas feridas nas famílias, e essas feridas estão lhes causando um dano terrível. O primeiro mal é a indiferença, que dói no coração e acaba por se tornar doença. Isso acontece quando uma pessoa nem olha no seu rosto, não o vê. Dai, você se pergunta: “Quem é ela?”. E percebe que é sua mãe, que nunca olhou para você. É o seu irmão, que, depois daquela briga, não fala mais com você.

Eu não conheço nenhuma família que, depois de ter acabado com a indiferença, não descobriu o bálsamo do amor!

Qual é a pessoa da sua família que o incomoda e você não quer nem se aproximar dela? Eu o convido a pensar nela agora, a pensar por que é tão difícil para você se aproximar dela. Peça ao Espírito Santo a graça de se aproximar dessa pessoa!

Padre Rafael Solano

Sacerdote da Fraternidade Javé Salvador

Pais, eduquem os filhos na paciência e no amor

O pai sai de manhã para trabalhar, deixa o filho dormindo, volta à noite, o encontra no computador e de lá, o filho não sai e nem fazem questão que ele saia. O filho, muito inteligente, mesmo que julgado por todos, encontra, naquele meio de comunicação, um espaço para conviver e interagir. Ao mesmo tempo em que fica a esperar um grito ou uma voz saudosa dizendo:-Saia do computador! Eu cheguei meu filho, e quero ficar com você. Vamos conversar. Eu, o seu pai, quero que você venha para mesa pra gente conversar. Estou com saudade de você…É necessário fazermos o caminho de volta e reencontrarmos o nosso lugar na vida dos nossos filhos. Seja qual for a motivação para um Pai se relacionar com o filho, essa relação precisará estar sustentada no amor, na educação e nos ensinamentos transmitidos entre eles.

O pai deverá permanecer na função de quem ensina ao filho a conviver desde a mais tenra idade. A obediência e a educação são pilares para uma boa convivência. Quanto mais o filho cresce, mais experiência os pais vão tendo para educá-los e, a obediência deverá ser um comportamento almejado por todos que fazem parte da vida de um filho independente da sua idade. Ensinar um filho a obedecer e a ser educado é estar comprometido com o bem. Não são poucas as vezes que o Pai recua da sua função por receio de estar desagradando o filho e/ou algumas pessoas da família, como por exemplo: a esposa, a sogra, a tia mais velha. Tem filhos? Eduque e os ensine a obedecer desde a infância.

Após o fim da segunda infância, se é que a infância tem um fim, inicia-se um período bem marcante na vida de um filho. Ele se despede da Educação Infantil e dá início ao seu ingresso no Ensino Fundamental. Período que se estende até a adolescência, em que a criança está na fase que vai de 6 até os 11 anos de idade.

Época em que os filhos apresentam grande interesse em participar de jogos grupais e procuram se ocupar em relação ao seu envolvimento social, tanto no seio familiar como também no ambiente escolar. Gosta de participar de jogos coletivos baseados em regras; demonstra estar sempre motivado para aprender e alcançar vitórias no que se propõe a fazer. Contudo, mesmo trazendo consigo tal disposição, esse processo não acontece tão fácil, pois essa criança dependerá muito do ambiente em que convive. O modelo comportamental que ela encontra nesse lugar servirá de condutor para o seu desenvolvimento biopsicossocial.

Porque, nessa fase, a criança também vive transições que exigem dos seus pais paciência, boa conduta e disposição para continuar educando com a mesma disposição e alegria como era na sua infância. Grande é a sensação de abandono por parte de um filho, quando ele começa a crescer, adolescer e os pais, vão deixando-os sem perceber as consequências danosas que virão pela frente. Abandonando o ensinamento dos procedimentos, das cortesias, dos valores… Acreditando que ele tem autonomia ou idade para SER e FAZER sozinho.

A figura paterna, nessa fase, deverá ser um grande mediador dos conflitos, ouvinte nas crises emocionais vividas pelo filho; auxílio para enfrentar os obstáculos e obter uma boa convivência com a família; ensiná-lo a expressar seus sentimentos através da demonstração e comunicação com os outros e capacitar-se para acolher o filho quando ele não se sentir adaptado às pressões sociais. Só mesmo a sabedoria de um Pai para conseguir educar o filho focado no que ele mesmo espera dessa criação.

Folheando o livro Aprender Brincando, dos autores Denise Weston e Mark S. Weston, encontrei algumas brincadeiras que aproximam a família dos seus rebentos. O Dia do Irmão, por exemplo. Neste dia é feriado na família, todos se encontram e os irmãos poderão planejar o dia sem que necessariamente os pais estejam presentes. Medalha de ouro do amor que sugere que, durante a semana, o Pai escolha um dia para que todos possam dar sua medalha de amor a quem fez o ato amoroso mais generoso na família. Brincadeiras como Toalha, Eu te amo; Pôster da Família; Enquadrando o Amor e tantas outras que o Pai poderá promover em seus dias de folga a fim de colaborar na construção do caráter, de um bom comportamento e da inteligência emocional dos filhos. Atitudes assim, demonstram quanto o Pai não parou no tempo e nem fez opção de repetir a sua criação como se a época e os próprios pais fossem os mesmos. Assim como os adultos (homens) modernos buscam melhorias profissionais, participam de congressos, vídeos, conferências e outras ações, assim deveria fazer na função de Pai.

Atualizar-se sem perder a sua essência e autoridade, para que não se sinta fora do mercado. Um pai fora do mercado é aquele que não acompanha o ritmo presente e cede a tentação de deixar a educação do filho pelo caminho. Não faz jus a sua decisão de educar e ensinar a obediência desde a infância. Ele vive a mais doida de todas as ilusões: pensa que por ser o provedor, já garantiu, na visão do filho, a referência maior.

Aparentemente, obedecer parece se tratar de uma resposta alienada aonde as pessoas deixam de ser protagonistas da sua história e se assumem como submissos aos outros. Não! Engana-se quem pensa assim, quando o assunto for educação de filhos. É importantíssimo que o filho saiba o que Pai almeja sobre o presente e o futuro dele. Essa atitude jamais irá recalcá-lo, mas o alertará para que o Pai não deseje qualquer coisa para a vida que vem pela frente. Portanto, vamos dar valor a função do Pai dentro da família independente da sua idade e honrar o que tanto ele, tentou que fôssemos: obedientes, inteligentes, criativos, amigos e educados. Se o mesmo não aconteceu em sua formação, acredito que não dê para pegar o leite que foi derramado. Então, que tal perdoar e remontar sua história com seu filho fazendo de volta um novo caminho?

Judinara Braz

Psicóloga especializada em Abordagem e Análise do Comportamento e Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I

Domingo da Assunção de Maria

Na 1ª leitura, a mulher vestida de sol e coroada com doze estrelas manifesta a esperança do povo, alicerçada na vitória de Cristo e no testemunho dos apóstolos.

A 2ª leitura acentua que a ressurreição de Cristo marca o início de uma nova humanidade. Sua vitória sobre o pecado e a morte ilumina o nosso caminho de esperança na vida plena em Deus.

Maria dirige-se apressadamente a uma aldeia, na montanha de Judá, para encontrar-se com Isabel e prestar-lhe ajuda. A presença da mãe do Senhor faz João Batista, o precursor do Messias, saltar de alegria no ventre de Isabel. Assim, o encontro solidário entre as duas mães é manifestação do Salvador. Isabel, iluminada pelo Espírito Santo, aclama Maria bendita entre as mulheres e bendito o fruto do seu ventre. Ela enaltece Maria como bem-aventurada, feliz porque acreditou na palavra do Senhor! Maria, a cheia de graça, em seu cântico, celebra a ação de Deus ao longo da história, retomando à luz do Verbo de Deus o cântico de Ana. Exalta o Deus Salvador, que olhou para a humilhação de sua serva. Louva e agradece o Senhor, que estende sua misericórdia de geração em geração sobre aqueles que temem. Enquanto os poderosos seguem os próprios caminhos, os humildes, os pequenos confiam na graça do Senhor e são saciados com a sua benevolência. Renova-se a esperança de salvação, sustentada pelas promessas feitas desde o tempo de Abraão.


Revista de Liturgia

O perdão é essencial para fazermos parte do Reino dos Céus

O tema do perdão acaba sendo muito controverso para nós e para a nossa mentalidade, porque, humanamente falando, quem é que dá conta de perdoar tantas vezes? Quem é que vai perdoar a pessoa sete ou setenta vezes sete num dia só? Alguém pode até dizer: “Padre, mas eu não sou bobo! Não tenho sangue de barata; de verdade, eu não dou conta!”.

E novamente volto a perguntar: Quem é que consegue perdoar tantas vezes de forma tão intensa senão Deus? Para compreendermos qual é o verdadeiro sentido do perdão,  precisamos mergulhar no perdão de Deus, porque todos nós necessitamos muito do perdão divino. E de que forma Deus nos perdoa? O perdão de Deus é sem limites, sem cálculos e sem exigências. O perdão de Deus é real, é profundo, vai até o fundo da nossa alma e do nosso coração.

Se queremos aprender a perdoar, precisamos primeiro assumir o perdão de Deus em nossa vida, mergulhar no perdão divino, deixar que este inebrie a nossa alma, inebrie o nosso coração e nos envolva em sua totalidade. Quando experimentamos, verdadeiramente, o perdão de Deus em nossa vida e somos movidos por ele [este perdão], então saberemos o que é perdoar. Desse modo o perdão não será apenas um perdão humano, mas um perdão divino.

Nem eu nem você somos deuses, mas nós experimentamos Deus em nossa vida e Ele faz parte dela. É Ele quem nos ensina, nos dá a força, a coragem e a luz necessárias para que o perdão aconteça em nossa vida.

Perdão não é sentimento, é decisão de coração, é decisão de vontade, é decisão de cabeça! Precisamos querer perdoar, precisamos decidir perdoar! Quando fazemos a decisão pelo perdão não fazemos a decisão de ser “bonzinhos” para com os outros, fazemos uma decisão pela paz, pela saúde, fazemos uma decisão pelo nosso coração. Fazemos uma decisão pela libertação dos conflitos e dos traumas que o rancor, o ressentimento e a raiva geram dentro de nós.

O primeiro beneficiado pelo perdão somos nós mesmos! Perdoar não é fácil, não é simples, mas se mergulharmos no perdão de Deus, o perdão d’Ele nos dará força, luz e direção para que essa graça [o perdão] seja uma praxe em nossa vida. Os seguidores de Jesus aprendem com Seu Mestre que o perdão é condição essencial para fazermos parte do Reino dos Céus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

13 de Agosto - 4ª Aparição de Nossa Senhora

Era de manhã quando o administrador de Ourém prendeu os Pastorinhos por três dias, exatamente no dia em que Nossa Senhora havia de aparecer.

Esta foi a única das aparições que não aconteceu no dia 13, conforme a Senhora Branca havia predito. As forças dominantes e políticas do governo naquela época dominavam Portugal, que por sua vez lançavam grandes perseguições religiosas. O Administrador do Concelho de Ourém, Artur de Oliveira dos Santos querendo arrancar dos Pastorinhos o segredo que Nossa Senhora havia lhes confiado nas aparições, mas também, com medo das manifestações de fé em massa que estavam a crescer mês a mês na pequena aldeia de Aljustrel, vendo ameaçar o seu governo, pondo em perigo sua liberdade democrática e temendo um descontrole socio-político, mandou prender os pequeninos Pastorinhos contagiados pela forte presença de Nossa Senhora nas aparições.

Nem mesmo as tortuosas ameaças do administrador, puderam impedir que Nossa Senhora voltasse a aparecer aos três videntes de Fátima, que no Domingo, dia 19 de Agosto, portanto, sete dias depois de estarem presos nas mãos do administrador, a Senhora mais branca do que a neve voltou a aparecer nos Valinhos aos três Pastorinhos, e disse:

“Quero que continueis a vir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês, farei o milagre, para que todos acreditem.

- Que é que Vossemecê quer que se faça com o dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?

Façam dois andores: um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas vestidas de branco; o outro, que o leve Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para ajuda de uma capela que hão-de mandar fazer.

E, tomando um aspecto mais triste, Nossa Senhora acrescentou:

Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.”

Os Pastorinhos de Fátima eram tão convincentes no que se referia aos pedidos de Nossa Senhora que logo no ano seguinte, em Julho de 1918, foi realizada a festa de Nossa Senhora do Rosário, e em Agosto do mesmo ano começou a ser construída a primeira capela, conforme pedia a Santa Mãe de Deus.


Retirado do Livro Memórias da Ir. Lúcia

A linda missão de ser pai é um reflexo de Deus

Queridos pais, queremos que saibam ser nosso interesse apenas uma coisa, que vocês nos mostrem “o Pai”.

“Filipe disse: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta’. Jesus respondeu: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras” (Jo 14,8-11). Bendita seja a aparente ingenuidade de Filipe, desejando ver o Pai! Daqui parte nossa reflexão para o Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo de agosto, quando a Igreja Católica no Brasil inicia também a Semana da Família. Torna-se ainda mais oportuno abordar este tema pela proximidade da Assembléia Extraordinária do Sínodo dos Bispos a respeito da família.

A vocação dos homens que se fazem pais tem a sua origem na paternidade do próprio Deus, sabendo inclusive que se aprende mais sobre família e sobre as relações entre as pessoas olhando para o alto, para a Santíssima Trindade. Paternidade, filiação, fraternidade criatividade, todas as desejáveis características das pessoas podem encontrar no próprio Deus sua fonte. E permitam-me todos os pais envolvê-los na voragem de amor que é a vida divina, convidando-os a abrir o coração e redescobrir sua vocação e sua missão na família e na sociedade.

Queridos pais, todos vocês foram e são filhos! Ninguém é fonte absoluta de uma família. Desejo-lhes a capacidade de olhar para trás e identificar o melhor que possa existir na história de sua família. Há valores que passam de geração em geração e a dignidade de sua família não se encontra apenas no nome, sem dúvida importante, mas nas coisas boas de que vocês são guardiães. Vocês podem entrar em seu próprio coração, recolhendo, como a criança que existe em cada um, as boas sementes transmitidas pelos antepassados. Por falar em nome, já perceberam que são vocês que o conservam e transmitem às gerações sucessivas? Sejam, pois, dignos de manter acesa esse facho aceso da dignidade das gerações!

Dentre os muitos tesouros que lhes foram confiados, é próprio da missão paterna ser a referência de autoridade na família. Autoridade e não autoritarismo! E autoridade verdadeira vem de dentro, a partir de convicções claras e objetivos a serem alcançados. Chama à atenção a força com que Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, se faz presente em momentos críticos da vida de seus discípulos. Numa travessia do Mar da Galileia (Cf. Mt 14, 22-33), barca agitada pelas ondas, vento contrário, homens medrosos que veem Jesus caminhando sobre as águas e pensam estar diante de um fantasma. “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” É tempo de pedir a Deus, na comemoração do Dia dos Pais, que a força viril dos que receberam esta vocação seja restaurada em nossas famílias. Redescubram a coragem para ajudar a família na superação do medo dos fantasmas! Sejam capazes de discernir entre o vento, os terremotos e o fogo (Cf. 1 Rs 19, 9-13), ajudando a identificar o murmúrio da brisa leve em que o Senhor Deus se manifesta. Brote dos lábios e do coração de todos os pais de família, sustentados no mar na vida pelas mãos firmes do Senhor Jesus, a profissão de fé a ser renovada no domingo dos pais: “Verdadeiramente, tu és o filho de Deus” (Mt 14,33). Afinal, são adultos estes que realizam uma missão de tamanha importância. Deles pedimos um sinal que nos ajude a firmar a confiança no Senhor.

Mas para chegar ao discernimento pedido aos pais de família, devem estes tirar o tempo necessário para, como o profeta Elias (Cf. 1 Rs 19, 9-10), orar confiantemente em nome da própria família. Proponho, por ocasião do Dia dos Pais, que as refeições nas casas sejam abençoadas com uma oração feita pelo pai: “Senhor Deus, que conservais tudo o que criastes e não deixais de conceder aos Vossos filhos o alimento necessário, nós Vos agradecemos por esta mesa fraterna, preparada para alimentar e fortalecer o nosso corpo; nós Vos rogamos que também nossa fé, sustentada com a Vossa Palavra, cresça pela busca constante do Vosso Reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!” Esta oração pode ser feita sempre às refeições, confiando-a cada dia a um dos membros da família. Entretanto, a oração silenciosa, feita pelo pai de família, com confiança total no Pai do Céu, com o qual lhe foi dada a graça de partilhar a responsabilidade pelo lar, não pode faltar. Só assim terá forças necessárias para enfrentar as muitas tormentas do caminho.

Durante muitos séculos, o pai de família foi considerado o suficiente provedor das necessidades de todos. As esposas assumiam a educação dos filhos e as tarefas domésticas. Mudam os tempos, as mulheres também têm atividades laborativas fora de casa, as tarefas são compartilhadas e a responsabilidade abraçada a dois. No entanto, valha hoje um apelo aos pais de família justamente pela sua missão ligada ao trabalho. Faz parte da dignidade do ser humano ganhar o pão com o suor do próprio rosto, mesmo quando seu trabalho não for prioritariamente ligado ao esforço físico. Gratidão a Deus providente que permite aos pais levarem o necessário à família e ao sustento dos filhos. Apreensão diante das múltiplas dificuldades existentes para que o trabalho seja adequadamente remunerado e até para que haja postos de trabalho para toda a população. Oração fervorosa, para que aos pais sejam dadas essas condições indispensáveis.

A missão dos pais de família pode se expressar no pedido feito por Filipe, cuja ingenuidade agradecemos. Queridos pais, queremos que saibam ser de nosso interesse apenas uma coisa, que vocês nos mostrem “o Pai”. Sejam de tal forma parecidos com o Pai do Céu, que trabalha sempre! Ajudem-nos a chamar o Pai de Jesus de “Pai Nosso”, ensinando-nos a rezar cada parte da oração que brotou de Seu coração para ser entregue a nós. Sejam transparência do amor de Deus, tão infinito que se faz pequeno e próximo de cada filho. Sejam para suas esposas companheiros fiéis, amigos afetuosos, como Deus os pensou. Contamos com a firmeza de vocês e, quando esta lhes faltar, saibam que a Igreja reza por vocês e quer sustentá-los na tarefa exigente e gratificante que lhe foi entregue. Obrigado por vocês serem testemunhas da Providência de Deus para as famílias! Confiem nessa Providência para todos os passos a serem dados na vida! Saibam valorizar as rugas, os achaques da idade, o cansaço, para muitos a calvície ou os cabelos brancos. Tudo encontre seu sentido na entrega alegre da vida, com a qual vocês constroem a própria dignidade e felicidade. Deus os abençoe!

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo da Arquidiocese de Belém - PA

19º Domingo do Tempo Comum

Jesus, após a multiplicação dos pães, convida os discípulos a entrar no barco, para anunciar a Boa Nova na outra margem. Enquanto fazem a travessia, ele permanece em comunhão com o Pai. Como no Getsêmani, a oração precede as provações dos discípulos. As comunidades eram ameaçadas pelo vento contrário e pela pouca fé que levava a afundar nas águas. Jesus se aproxima dos discípulos caminhando sobre o mar, na quarta vigília da noite, entre as três e seis horas da madrugada, no amanhecer que evoca a ressurreição de Cristo. A presença de Jesus transmite a confiança no Pai, que liberta do medo: Coragem! Sou eu. Não tenhais medo! A expressão “Sou eu” remete à revelação do Deus da libertação, cuja ação plenifica-se em Jesus, o Deus conosco. Pedro caminha sobre as águas, representando a entrega confiante dos discípulos em meio à fragilidade da fé. A falta de confiança plena no Senhor e na sua palavra leva a afundar em meio às adversidades. Mas o Senhor salva e estende a mão; fortalece a fé dos seus seguidores para que realizem a missão com eficácia. O caminho do discipulado conduz ao reconhecimento da presença viva do Senhor e a professar a fé com firmeza: Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus! Elias, em meio às dificuldades, volta ao deserto e ao monte Horeb, onde o povo fez a experiência do Deus que ouve o clamor do oprimido (1ª leitura). Assim, ele encontra o Deus que se manifesta bem próximo, na brisa suave.

Na 2ª leitura o plano de salvação destina-se a todos os povos. Os cristãos são chamados a testemunhar a fé em Cristo, Deus bendito para sempre!


Revista de Liturgia

18º Domingo do Tempo Comum

O profeta, na 1ª leitura, alimenta a esperança dos exilados na Babilônia, o sonho de vida nova com o retorno a Jerusalém. O povo sofrido, com sede e fome de justiça, é chamado a retornar para o Senhor a fim de participar da aliança da vida.

A 2ª leitura celebra a realização plena do projeto do amor de Deus manifestado em Cristo. Assim, nenhuma adversidade pode separar os que continuam a missão a serviço do Reino.

No Evangelho, a multiplicação dos pães é narrada também pelos outros evangelistas. Jesus foi de barco para um lugar deserto, afastado, mas as multidões o seguem. O deserto recorda Deus alimentando o povo de forma maravilhosa, após a libertação da escravidão no Egito. Jesus é o Messias enviado para oferecer a salvação, a vida plena: Ao sair do barco, viu uma grande multidão, encheu-se de compaixão e curou os doentes. Ele compromete os discípulos com o seu projeto a serviço da vida: Dai-lhes vós mesmos de comer! Ensina que o pouco compartilhado pode saciar a fome de todos. Cinco pães e dois peixes têm sentido simbólico, pois 5+2=7, número da perfeição, da totalidade. Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu, deu graças, partiu os pães e os deu aos discípulos e eles os distribuíram à multidão. Todos comeram e ficaram saciados e ainda recolheram doze cestos cheios com as sobras. Na última ceia, ele repetiu esse gesto como sinal de sua vida entregue por amor. Elizeu, quando levou o servo a partilhar os vinte pães com cem pessoas, profetizou: Comerão e ainda sobrará. O número doze recorda as doze tribos de Israel, os doze apóstolos, ou seja, todo o povo alimentado por Jesus, que oferece a vida em abundância.


Revista de Liturgia

Quem é de Deus não tolera a injustiça

João Batista é um verdadeiro prodígio no meio do povo, sua presença causa espanto, embaraço e admiração. João é aquilo que representa a autenticidade de um profeta: um homem que vive inteira e integralmente para Deus. Sabemos da vida moderada e ascética que João vive, da vida disciplinada voltada para preparar a vinda do Messias.

A pregação de João causa incômodo, porque ele anuncia o Messias, anuncia Jesus, anuncia a esperança, mas também denuncia o pecado e o erro, e talvez isso seja a parte mais dura na vida de um profeta, porque um profeta não vive só de anunciar a esperança – como é importante anunciar o amor de Deus, anunciar a fé, a confiança no Senhor – mas um profeta precisa denunciar o erro, não pode ter conivência com aquilo que não é verdadeiro, como  a mentira, a hipocrisia e, sobretudo, a injustiça.

Quem é de Deus não tolera o que é injusto! Nem tolera massacrar o inocente, violar a verdade, deixar a pessoa oprimida por causa da injustiça. Nada disso não é de Deus! Quando se fala de injustiça não nos referimos somente à injustiça social; pois toda forma de injustiça é um pecado imoral.

Vejam que injusto: Herodes convive com a mulher de seu irmão; essa mulher não pertence a Herodes; ela pertence ao irmão deste. Nós não podemos, meus irmãos, tolerar e simplesmente achar que é normal quando uma pessoa trai a outra, quando a pessoa começa a viver relacionamentos errados, quando certas modas e certos comportamentos representam, na verdade, injustiças contra as pessoas.

Nós precisamos deixar que a Palavra de Deus, de forma profética, suscite em nós a aversão ao erro e ao pecado. Porque, muitas vezes, as coisas injustas começam a acontecer dentro da nossa própria casa, quando nós encobrimos ou somos indiferentes ao erro. Não queira ser o justiceiro, nem queria ser o moralista, mas de forma nenhuma tenha conivência com aquilo que é errado.

Ao fazermos isso, muitas vezes, vamos perder amigos, algumas pessoas vão ficar chateadas conosco, algumas talvez vão nos abandonar. Perder um amigo, perder uma relação – como João Batista que perdeu a cabeça porque anunciou a verdade, denunciou a mentira e a hipocrisia.

Sei que dói para muito pai, para muita mãe, mas você não pode ser tolerante ao erro dos seus filhos nem pode trazer o erro deles para dentro da sua casa, para dentro da sua família. Quando encontramos alguém que protege o nosso erro e passa a mão na nossa cabeça nossa tendência é insistirmos em fazer o que é errado e o que não convém!

Seja profeta, tenha numa mão a verdade, a misericórdia e a bondade, mas tenha na outra mão o senso da justiça, o senso de denunciar o erro, o pecado e tudo aquilo que não convém à vontade de Deus.

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Santo Afonso Maria de Ligório, santo Bispo e Doutor da Igreja

Celebramos, neste dia, a memória de um santo Bispo e Doutor da Igreja que se tornou pelo seu testemunho “Patrono dos confessores e teólogos de doutrina moral”. Afonso Maria de Ligório nasceu em Nápoles, na Itália, em 1696, numa nobre família que, ao saber das qualidades do menino prodígio, proporcionaram-lhe o caminho dos estudos a fim de levá-lo à fama.

Com 16 anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico e já se destacava em sua posição social quando se deparou, involuntariamente, sustentando uma falsidade, isto levou Afonso a profundas reflexões, a ponto de passar três dias seguidos em frente ao crucifixo. Escolhendo a renúncia profissional, a herança e títulos de nobreza, Santo Afonso acolheu sua via vocacional, já que o Senhor o queria advogando as causas do Cristo.

Santo Afonso Maria de Ligório colocou todos os seus dons a serviço do Reino dos Céus, por isso, como sacerdote, desenvolveu várias missões entre os mendigos da periferia de Nápoles e camponeses; isto até contagiar vários e fundar a Congregação do Santíssimo Redentor, ou Redentoristas. Depois de percorrer várias cidades e vilas do sul da Itália convertendo pecadores, reformando costumes e santificando as famílias, Santo Afonso de Ligório, com 60 anos, foi eleito Bispo e assim pastoreou com prudência e santidade o povo de Deus, mesmo com a realidade de ter perdido a amizade do Papa e sido expulso de sua fundação.

Entrou no Céu com 91 anos, depois de deixar vários escritos sobre a Doutrina Moral, sobre a devoção ao Santíssimo Sacramento e a respeito da Mãe de Deus, sendo o mais conhecido: “As Glórias de Maria”.


Santo Afonso Maria de Ligório, rogai por nós!