22 de Maio – Dia de Santa Rita de Cássia, conhecida como Santa dos Impossíveis

Nasceu na Itália, em Cássia, no ano de 1380. Seu grande desejo era consagrar-se à vida religiosa. Mas, segundo os costumes de seu tempo, ela foi entregue em matrimônio para Paulo Ferdinando.

Tiveram dois filhos, e ela buscou educá-los na fé e no amor. Porém, eles foram influenciados pelo pai, que antes de se casar se apresentava com uma boa índole, mas depois se mostrou fanfarrão, traidor, entregue aos vícios. E seus filhos o acompanharam.

Rita então, chorava, orava, intercedia e sempre dava bom exemplo a eles. E passou por um grande sofrimento ao ter o marido assassinado e ao descobrir depois que os dois filhos pensavam em vingar a morte do pai. Com um amor heroico por suas almas, ela suplicou a Deus que os levasse antes que cometessem esse grave pecado. Pouco tempo mais tarde, os dois rapazes morreram depois de preparar-se para o encontro com Deus.

Sem o marido e filhos, Santa Rita entregou-se à oração, penitência e obras de caridade e tentou ser admitida no Convento Agostiniano em Cássia, fato que foi recusado no início. No entanto, ela não desistiu e manteve-se em oração, pedindo a intercessão de seus três santos patronos – São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolas de Tolentino – e milagrosamente foi aceita no convento. Isso aconteceu por volta de 1441.

Seu refúgio era Jesus Cristo. A santa de hoje viveu os impossíveis de sua vida se refugiando no Senhor. Rita quis ser religiosa. Já era uma esposa santa, tornou-se uma viúva santa e depois uma religiosa exemplar. Ela recebeu um estigma na testa, que a fez sofrer muito devido à humilhação que sentia, pois cheirava mal e incomodava os outros. Por isso teve que viver resguardada.

Morreu com 76 anos, após uma dura enfermidade que a fez padecer por 4 anos. Hoje ela intercede pelos impossíveis de nossa vida, pois é conhecida como a “Santa dos Impossíveis”.


Santa Rita de Cássia, rogai por nós!

O valor cristão da consciência

Santo Agostinho não teve receio de questionar se o joio, que Jesus mandava deixar crescer com o trigo, seria o joio da heresia ou também dos maus católicos. O joio, primeiramente, se apresenta soberbo e viçoso, mas seu destino é o fogo para assar os pães feitos de trigo.

Não podemos ficar só na lei, antes é preciso nos deixar guiar pelo Espírito vivificante. Tolice bárbara é arrancar à força o joio, calcando o trigo; trigo pisado não cresce para os celeiros da prosperidade. É com a ajuda do amor e da liberdade que as pessoas crescem para a alegria de Deus e dos homens.

Quem pretende abafar a consciência humana pode calar e esconder o erro, mas instala a mentira, que é pior, porque é mentira confessar conformidade que não existe, apresentar um sossego egoísta só para evitar a ira de fanáticos.

Cristo observa que não vale nada ganhar o mundo se a alma se perde. Jesus luta por justiça para todos, ainda que seja para uma mulher apanhada em adultério, a qual os próprios adúlteros se julgavam no direito de a corrigir só porque eram do sexo privilegiado, o mais forte.

Em João 8,7 lemos: “Quem for sem pecado que lhe atire a primeira pedra”. Jesus não quer ser seguido por fiéis de consciência deturpada, dominada e escrava. Quer respostas decisivas, mas amorosas. Discípulos de olhos abertos, puros e sinceros. Quer que, pela sinceridade e liberdade, as almas se aproximem de sua redenção, de sua libertação.

A falsa amizade nos afasta da cruz redentora. O que Jesus quer de nós é que mergulhemos na solidariedade fraternal, capaz de nos convencer a nos entregarmos aos irmãos sem limites, livremente.

Um abraço, continuo amando e rezando por todos.

Seu irmão,
Wellington Silva Jardim (Eto)

Cofundador e missionário da Comunidade Canção Nova

08 de junho é dia de celebrar Pentecostes!!!

Pentecostes é a comemoração da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. É a celebração de 50 dias depois do Domingo de Páscoa.

Pentecostes é uma palavra de origem grega que significa quinquagésimo.

É a conclusão do Tempo Pascal. É bom lembrar que a maior Festa do Cristianismo é a Páscoa, ou seja, a passagem da morte para vida. É a doação do Corpo e Sangue de Jesus Cristo para nossa Salvação. A nossa vida deve estar centrada no Mistério Pascal.

Venha celebrar conosco, no dia 08 de junho, aqui no Santuário de Fátima, a solenidade de Pentecostes!!!

Pe. Francisco Ivan de Souza

Pároco do Santuário de Fátima

Que vivamos no mundo a profundidade da paz do Senhor

O Mestre Jesus deseja, hoje, nos batizar na Sua paz, deseja que o nosso coração esteja imerso na paz que vem do coração de Deus. E todos nós sabemos o quanto necessitamos da paz; paz de consciência, paz no coração, porque, quando não temos a paz, a perturbação toma conta de nós, os conflitos invadem a nossa alma, o nosso coração e as nossas relações uns com os outros.

Algumas vezes, nos escandalizamos com as constantes guerras que há em todas as partes do mundo, e não percebemos o quanto essas guerras começam no coração de cada um de nós. Quando estamos inflamados e incitados pelo mal, que há dentro de nós, ele promove guerra. O mal, que está em nós, provoca calamidades, disputas, competições e rivalidades dentro de nossas casas, de nossas famílias e dos nossos grupos. E dentro do nosso interior, quando perdemos a paz, não conseguimos ficar bem e acabamos vencidos a cada momento por nossos próprios conflitos interiores.

Por isso o Mestre hoje quer nos encher da Sua paz; e não é a paz dissimulada que o mundo dá, não! É uma paz que vem do mais profundo do coração de Deus, a qual não permite que o nosso coração seja perturbado nem intimidado.

Essa paz nos ajuda  a viver em meio aos conflitos, em meio à violência, em meio às tribulações da nossa vida cotidiana sem jamais desanimar.

Da maneira que se encontra o seu coração hoje, que ele seja visitado por Deus, que ele seja envolvido pelo amor misericordioso do Senhor, que nos enche com a Sua paz, que nos inflama com Sua paz, que nos dá a Sua paz mais profunda, para sermos no mundo mais do que vencedores,  para vivermos no mundo a profundidade do Reino de Deus!

Que a paz do Senhor, hoje, venha ao seu coração, à sua casa e à sua família!

Que Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

5º Domingo da Páscoa

Na 1ª Leitura dos Atos dos Apóstolos, o aumento do número dos discípulos suscita o surgimento de novas lideranças, para superar os desafios e aprimorar a atuação missionária das comunidades primitivas. Os cristãos judeus de língua grega (helenistas), com gentios convertidos e prosélitos, que haviam aderido à comunidade cristã, unem-se aos cristãos judeus de língua aramaica, convertidos pela pregação de Jesus ou dos primeiros apóstolos.

A eleição dos sete diáconos helenistas contribui para a abertura e a unidade da comunidade cristã. A dedicação “à oração e ao serviço da palavra” assegura a formação de novas comunidades, a eficácia apostólica e a transformação social.

O serviço às mesas, a “diaconia”, é confiado a pessoas indicadas pela comunidade. Os primeiros sete diáconos, “repletos do Espírito Santo e de sabedoria”, tornam-se colaboradores dos apóstolos na evangelização. Seu comprometimento assegura a assistência às viúvas desamparadas, representantes dos pobres e excluídos. Os diáconos de dedicavam também ao anúncio do evangelho e à administração do sacramento do Batismo mas seu ministério era distinto daquele dos presbíteros.

Os apóstolos “oraram e impuseram as mãos sobre eles”, demonstrando que o serviço do amor ao próximo deve ser exercido de forma comunitária  e ordenado. O dinamismo do Espírito, a força da oração e da palavra de Deus proporciona o crescimento das comunidades, multiplica o número dos discípulos que aderem à fé em Cristo.

Na 2ª Leitura da primeira carta de Pedro, a comunidade eclesial, templo de pedras vivas, é sustentada por Jesus Cristo, “a pedra que os construtores rejeitaram (e que) tornou-se a pedra angular”. Os cristãos, unidos a Jesus Cristo pelo Batismo, participam de sua vida, morte salvífica e ressurreição e tornam-se pedras vivas na construção de um mundo melhor.

A missão batismal é ressaltada por meio das expressões: “a gente escolhida, o sacerdócio régio, a nação santa, o povo que ele adquiriu”. Essas imagens remetem à comunidade da aliança, ao compromisso de Israel, o povo escolhido e formado por Deus para anunciar o seu louvor.

Os cristãos, como pedras vivas da comunidade solidificada em Cristo e no alicerce dos apóstolos, formam um povo sacerdotal, chamado a exercer a missão santificadora no mundo. Como comunidade da nova aliança, eles não precisam oferecer sacrifícios de animais para expressar a comunhão com Deus, pois foram libertados pela entrega total de Cristo por amor.

Unidos a Jesus ressuscitado, “oferecem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus”, através de uma vida entregue a serviço dos irmãos. O exemplo de Cristo, que se tornou a pedra angular por sua fidelidade ao plano salvífico, fortalece seus seguidores no testemunho da fé, em meio às rejeições e adversidades.

A leitura do Evangelho de João está situada no contexto da despedida de Jesus da comunidade dos discípulos e discípulas. A morte de Cristo na cruz havia abalado a fé de seus seguidores. Eles, porém, iluminados pela Páscoa, compreendem as palavras de Jesus. O sentido de sua entrega total faz renascer a esperança e impele os discípulos a seguir o caminho pascal, no serviço e no amor incondicional aos irmãos.

As palavras de Jesus fortalecem a fé e a confiança dos discípulos: “Não se perturbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em mim”. A partida de Jesus abre o caminho para a vida plena em Deus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas (…) vou preparar um lugar para vós”.

A vida de Jesus, doada totalmente pelo bem da humanidade, prepara um lugar digno para todos viverem como filhos amados do Pai. A adesão à palavra, manifestada no amor fraterno, proporciona formar uma comunidade de irmãos, conduzida pelo Espírito do Ressuscitado. Essa experiência de amor em Cristo conduz à comunhão com o Pai, na história e na eternidade.

Os discípulos, que haviam compartilhado a vida com o Mestre, precisam agora acreditar em Jesus ressuscitado como o caminho para chegar ao Pai. Tomé expressa o anseio da comunidade para conhecer, de maneira experiencial, o caminho e a mensagem de Jesus: “Como podemos conhecer o caminho?”. A resposta de Jesus é reveladora: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

Jesus é o aminho que conduz ao Pai, pois ele é a verdade que liberta, testemunhada no amor e na fidelidade até o fim. Assim, ele é o caminho da salvação que oferece a vida plena. Quem segue os passos de Jesus encontra o caminho, a verdade e a vida em sua Pessoa, que proporciona a experiência de Deus como Pai.

A vida plena está unida ao conhecimento do Pai, como único Deus verdadeiro, e a Cristo, como seu Enviado. A pergunta de Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta”, manifesta a necessidade do encontro profundo com o Pai através de Cristo. A resposta de Jesus: “Há tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai”, mostra a comunhão perfeita de amor que há entre ele e o Pai.

Jesus revela o rosto do Pai através de sua vida, palavras e ações salvíficas: “Quem me vê, vê aquele que me enviou”. O ver, o acreditar em Jesus, o Filho, proporcionam a vida eterna. Jesus “veio morar entre nós”, para manifestar o amor e a ternura do Pai. Sua forma de ir ao encontro das pessoas e seu amor predileto pelos excluídos expressam a bondade e a compaixão do Pai pelo ser humano. Mediante sua doação total por amor e o dom de seu Espírito. Jesus ensina a viver na comunhão filial com o Pai e no serviço generoso aos irmãos.

Jesus forma uma unidade perfeita com o Pai, na vida e na missão: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Ele cumpriu plenamente a obra confiada pelo ai. Como Mestre Jesus, os discípulos revelam o Pai através de uma vida centrada no amor misericordioso.

Quem permanece com Jesus está em comunhão com o Pai e realiza suas obras de amor. O envio do Espírito Santo, e sua ação nos discípulos e discípulas, assegura obras maiores, ou seja, a expansão da obra salvadora de Jesus. Como continuadores da missão, os seguidores de Cristo testemunham a unidade entre o Pai e o Filho.


Diocese de Limeira

Pregar o Evangelho com a própria vida

Hoje, por meio das palavras do evangelista São João, Jesus nos diz: “Eu conheço aqueles que escolhi”. Mas precisamos nos questionar: “Será que sou conhecido pelo Senhor?”. Como isso pode acontecer? Amados, o próprio Evangelho nos responde: “O servo não é maior do que o Senhor”. E ainda temos uma promessa: “Sereis felizes se tomarem consciência desta escolha”. A escolha de Deus não é para que sejamos maiores, mas que sejamos servos.

Em Atos dos Apóstolos, vamos à expedição de São Paulo, que se dirige à Antioquia da Pisídia num dia de sábado, data considerada como o dia do Senhor para os judeus. Paulo, como um bom judeu, dirigiu-se à sinagoga e, aquilo que era comum de se fazer, na sinagoga, aconteceu: a leitura dos livros históricos. Após a leitura, o chefe da sinagoga pediu que Paulo desse uma palavra, e este não perdeu tempo. Houve silêncio para ouvi-lo.

Amados, São Paulo era conhecedor da Palavra de Deus. E nós, podemos dizer o mesmo a nosso respeito? Como vamos falar sobre aquilo que não conhecemos? A Palavra precisa fazer parte da nossa vida, bem como o comer e o vestir também fazem parte.

O que fazer para sermos bons pregadores? Sermos íntimos da Palavra. São Paulo falava sobre cada trecho da Sagrada Escritura e, estando à frente de uma assembleia de judeus, exortou: “Homens, escutai!”. Paulo tinha autoridade.

O apóstolo, a partir dos textos mais antigos, fez memória ao antigo povo do Egito, falou a respeito da descendência de Davi e chegou a Jesus Cristo. São Paulo não deixou de anunciar o Senhor. Irmãos, para quantas pessoas, até o dia de hoje, durante todo este ano, você parou para falar de Jesus? Será que você, mulher, tem a coragem de falar d'Ele no salão de beleza? Fale de Jesus! Abra a sua boca e proclame o Senhor. Mas saiba que nem todos estão preparados para ouvir a Palavra d'Ele. Paulo, no entanto, não temeu; ele foi ousado, pregou sobre Jesus Cristo para aqueles judeus.

Eu e você temos medo de falar para os nossos familiares, pois eles nos conhecem e sabem se aquilo que estamos falando é coerente ou não com aquilo que vivemos. Se você, a partir de uma experiência pessoal com Jesus, mudou de vida, não tenha receio de testemunhar até mesmo para aqueles que lhe são próximos. Cada um de nós tem uma experiência pessoal com Jesus capaz de mudar o rumo da sua vida. Alguns estão em seminários, outros em comunidades, mas você, a partir desse encontro pessoal, é chamado a mudar de vida na realidade em que vive.

Todos sabiam da vida de Paulo, todos sabiam que ele era um perseguidor de cristãos. No entanto, ele não parou naquilo que os outros pensavam dele.

Aquilo que você vive, em seu dia a dia, tem o testemunhado como um cristão autêntico? Professe a fé e não fique em cima do muro, não abra mão daquilo em que crê. Paulo era convicto daquilo que professava e não temia os outros.

Irmãos, se São Paulo ainda estivesse vivo, ele já estaria preso ou morto, pois aquilo que escreveu, em Romanos 1,18, faria dele um cristão perseguido. Saiamos do meio termo, paremos de ser cristãos "meia-boca"! Há tantas pessoas vivendo no meio termo, guiando-se em suas próprias convicções ou achismos, mas se esquecem daquilo que são as ordens de Deus descritas na Sagrada Escritura.

Verdade é verdade. Só conhecendo-a é que mudaremos de vida! Você tem medo de incomodar as pessoas? São Paulo não tinha esse medo. Quero lhe fazer um último questionamento: será que você mesmo se convence daquilo que tem pregado? Se seu receio é a falta de conhecimento, busque-o! Leia e tire suas dúvidas com pessoas que podem ajudá-lo, mas não perca a oportunidade da evangelização.

Padre Edimilson Lopes

Padre da Comunidade Canção Nova

Por que ter uma família grande?

Eu nasci numa família de nove irmãos. Perto da minha casa, morava um tio, que tinha quinze filhos. Um pouco mais longe, morava o senhor Guatura com seus 24 filhos e mais um adotivo. Era assim há uns cinquenta anos.

E que festa era! Faltava bola para jogarmos futebol no quintal; então, fazíamos bolas de pano.

No aniversário de cada filho, bastava convidar os primos para a casa já ficar cheia. Minha mãe fazia um delicioso ‘pão de ló’ coberto com suspiro. Era o manjar dos deuses! Cada um tinha o direito – só naquele dia – de tomar um guaraná ‘caçula’. Para acabar devagar, pedíamos ao papai para fazer um furinho na tampa. Que tempo bom!

Não tínhamos quase nada, só um rádio. Não havia TV, internet, fogão a gás, geladeira, batedeira, freezer em micro-ondas, mas não nos faltava nada, havia muitos irmãos e muito amor.

É por isso que o Catecismo da Igreja diz que “a Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem, nas famílias numerosas, um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (n.2373). E ainda: “O filho não é algo devido, mas um dom. O ‘dom mais excelente do matrimônio’ e uma pessoa humana’” (n. 2378).

Ora, se Deus diz, pela boca da Sua Igreja, que “os filhos são o dom mais excelente do matrimônio”, então, dentro dessa lógica, quanto mais filhos melhor. Ninguém rejeita um dom de Deus, certo? É por isso que, no altar, o padre pergunta aos noivos: “Prometem receber os filhos que Deus lhes enviar, educando-os na fé de Cristo e da Igreja”?

Bem, sabemos que o mundo mudou muito nesses cinquenta anos. A vida ficou mais cara e os pais têm mais dificuldades para criar e educar os filhos. Mas não há justificativa para irmos ao outro extremo, pois há muitos casais que já não querem ter filhos ou adiam o nascimento destes por muitos motivos.

Todos os países da Europa já estão com a população diminuindo, e muitos deles fazendo fortes campanhas para aumentar a natalidade. O Japão, por exemplo, está investindo três bilhões de ienes para fomentar o nascimento de mais crianças.

O Brasil tem somente 20 pessoas por km2, enquanto o Japão tem 330; dezesseis vezes mais. E eles querem aumentar a população, pois esta está envelhecendo. E o Brasil quer diminuí-la.

A Igreja ensina que cada casal deve viver segundo a “paternidade responsável”, isto é, deve ter todos os filhos que puder criar adequadamente. O critério de natalidade não deve ser o egoísmo, o medo ou o comodismo, mas o amor a Deus e ao filho, “o dom mais excelente do matrimônio”. Num casal cristão não pode faltar “a fé que move montanhas”. A Bíblia diz que “sem fé é impossível agradar a Deus”.

Não tenho dúvidas ao dizer que quanto maior uma família tanto mais alegria há nela. Como é gostoso, nos fins de semana, os cinco filhos, o genro e as quatro noras, mais os onze netos. É uma festa que não tem preço! É claro que tudo isso custou caro, muito trabalho, suor e lágrimas. Mas é uma festa contínua. Só quem dela participa sabe o seu significado.

Nós damos valor a uma família grande sobretudo na hora da dor e do sofrimento, quando todos se juntam para ajudar aquele que sofre. Como foi bom ver meus filhos e noras acompanhando, todos os dias, em revezamento, a minha esposa no hospital, em São Paulo, em um mês de internação, antes de Deus a chamar! Como é bom compartilhar as alegrias e as lágrimas com aqueles que têm o nosso sangue!

Portanto, mesmo com as dificuldades da vida moderna, o casal deve, na fé, não negar a Deus os filhos que puder ter. Afinal, o Catecismo diz que “os pais devem considerar seus filhos como filhos de Deus e respeitá-los como pessoas humanas” (n.2222).

A maior glória que podemos dar ao Senhor é gerar um filho, pois nada neste mundo é tão grande e belo quanto ele. A nossa liturgia reza que “tudo o que criastes proclama o Vosso louvor”. Pode a criação dar mais glória a Deus do que quando surge uma vida humana? Um cientista disse que “o cosmo chorou quando viu o homem surgir”.

Infelizmente, caiu sobre o mundo todo um pavor estranho, um medo enorme de ter filhos; mas o casal cristão não deve se deixar levar pelo pânico de muitos ecologistas exagerados e de outros catastrofistas de plantão.


Felipe Aquino

Só quem ama pode ser discípulo de Jesus!

Nós, hoje, celebramos a festa do apóstolo São Matias; aquele apóstolo escolhido para suceder Judas Iscariotes, que se tornou traidor do Senhor no colégio apostólico. Eles clamaram a Deus, Pedro tomou a iniciativa de pedir ao Espírito Santo que mostrasse aquele que deveria suceder Judas no número dos apóstolos, naquele colégio das testemunhas da Ressurreição de Jesus, e a sorte, a bênção e a graça caíram sobre Matias. O Evangelho de hoje aponta para nós qual é a missão do apóstolo e do discípulo de Jesus: a missão do apóstolo de Cristo é amar.

Judas traiu o Senhor porque deixou de amar, porque amou mais o dinheiro, porque amou mais a si mesmo do que amou a Deus e a seus irmãos.

Todos nós podemos cair no infortúnio da traição quando esquecemos a nossa vocação, quando esquecemos o mandamento do amor, que Deus colocou em nosso coração. Eu não posso amar mais as minhas coisas, o dinheiro, o prestígio, o privilégio ou qualquer coisa neste mundo mais do que a Deus sobre todas as coisas, e do que os meus irmãos.

O amor é o vínculo da perfeição nos diz a Palavra, por isso essa luta para vivermos o Evangelho de Deus em nossa vida é a luta para vivermos o mandamento do amor. Amor que exige respeitar o outro, querer bem o outro, amor que exige se dar pelo outro mesmo não gostando dele nem se dando bem com ele, mesmo não tendo aquela simpatia ou empatia pelo outro.

O mandamento de amor é a proposta fundamental para nos tornarmos discípulos de Jesus Vivo e Ressuscitado. Movidos por este amor, amando nossos irmãos de caminhada, de fé, ainda que estejam em meio a atropelos e dificuldades, é que levamos adiante a Palavra do Mestre, é que levamos adiante a mensagem do Evangelho. É o mandamento do amor que nos faz apóstolos de Jesus Cristo!

Tanto ódio no mundo, tantas brigas, disputas, competições e pensamentos negativos que movem o coração das pessoas. Que nós não sejamos contaminados por esse fermento da maldade, do ódio, do rancor, do preconceito e da maldade humana que nos impede de amarmos uns aos outros.

O que nós precisamos é fermentar o mundo com o bom fermento de Cristo, o fermento do Seu amor! Como o nosso mundo carece desse amor! E como, muitas vezes, nossas palavras, nossos gestos e nossas atitudes são inflamados por sentimentos que não são os sentimentos de Deus, que não são os sentimentos do amor que Ele tem por nós.

Que o bom Deus e que o bom e o amado Jesus nos ensinem a sermos Seus apóstolos, nos deem a graça de amarmos uns aos outros e, assim, o mundo conhecerá que somos discípulos de Jesus porque sabemos nos amar!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

O que é oração?

Antes de começarmos a falar sobre oração, precisamos adentrar no seu significado, se é que podemos defini-la. Mas vamos buscar clareza sobre o tema e o modo como a oração pode fazer parte da vida do cristão.

A definição de oração pode ser expressa por palavras, mas o jeito de rezar e o relacionamento com Deus é diferente para cada pessoa. Porém, não podemos inventar o jeito próprio de rezar, mas seguir aquilo que a Igreja já determinou com seus séculos de experiência; contudo, a aplicabilidade é diferente.

Vamos tentar definir oração:

Diziam os Padres do Deserto que a oração é o espelho da alma. Em hebraico, oração é tefillah, que significa “juízo”: [...] a oração é a possibilidade de julgar com Deus, de realizar um discernimento sobre a própria vida, sobre a relação com os outros, sobre o próprio relacionamento com as criaturas. É assim que se ordena e se aprofunda a própria interioridade, que se mede o próprio caminho humano, o próprio amadurecimento como crescimento interior adequado à própria idade e situação. (Livro: Onde está Deus? – Padre Reinaldo)

Perceba que a oração não é nossa, mas de Deus. O próprio Senhor nos concede o dom de orar. Por isso, na oração, precisa entrar o julgamento de d’Ele. Nós precisamos nos submeter a Ele na oração. O nosso modo de rezar é o Senhor quem o concebe.

Sobre a oração pessoal, padre Francis Cardeal Arinze nos ensina:

“A oração pessoal é insubstituível, porque chega um tempo em que cada um é chamado a encontrar Deus frente a frente, no encontro espiritual. Isso pode acontecer na intimidade do próprio quarto, diante do sacrário, debaixo de uma árvore, no alto de um monte ou à beira-mar. Pode acontecer mesmo ao volante do carro ou em algum momento da Missa, como enquanto a preparamos, antes da coleta, após a leitura ou na homilia, sem dúvida após a santa comunhão e na ação de graças, após a Celebração Eucarística.

A nossa oração privada há de ser realmente pessoal: há de brotar do coração. Podemos exprimi-la com ou sem palavras; não podemos nos limitar a repetir preces escritas por mestres espirituais e por santos, ainda que tais fórmulas nos ajudem a entrar na oração pessoal.

A oração deve ser incessante e continua. Por isso, requer dois pontos:

Qualidade da oração: buscar rezar com o coração para, assim, gerar uma contínua e ininterrupta perseverança. Orai sem cessar (1 Ts 5, 17).

Oração pura e sincera: ser feita com fervor – evitar as inquietações e preocupações. Deixar Deus entrar no santuário do meu coração.

Para concluir o sentido e o significado do que é oração, fixemos nosso olhar na graça de Deus. E a Igreja define oração assim:

“A oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria”. (CIC 2558).

Pe. Reinaldo Cazumbá

Sacerdote membro da Canção Nova

13 de Maio - 1ª Aparição de Nossa Senhora

Era Domingo, e os Pastorinhos estavam brincando na Cova da Iria. Por volta do meio-dia viram uns relâmpagos. Temendo que viesse trovoada, desceram pela encosta e contemplaram, sobre uma azinheira, “uma pequena árvore muito típica de Portugal”, uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol. Nossa Senhora, disse-lhes:

“Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.

- De onde é Vossemecê? Lhe perguntei (Lúcia)

Sou do Céu.

- E que é que Vossemecê me quer?

Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero.

- E eu também vou para o Céu?

Sim, vais.

- E a Jacinta?

Também.

- E o Francisco?

Também, mas tem que rezar muitos terços… Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

- Sim, queremos.

Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto…

Por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:

- Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.

Nossa Senhora acrescentou:

Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra. Em seguida, começou-se a elevar serenamente, subindo em direção ao nascente…”.


Retirado do Livro Memórias da Ir. Lúcia