Nossa Senhora de Fátima, graça e a misericórdia

Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.

O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por fim, o Anjo da Eucaristia.

Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de 1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo de acolhimento.

Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.

Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles então no Valinhos.

Algumas características em todos os ciclos: o mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.

Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!”


Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

4º Domingo da Páscoa

A 1ª Leitura dos Atos dos Apóstolos é a continuação da pregação missionária do apóstolo Pedro, que já ouvimos no domingo passado. O Testemunho de fé em Jesus, como o Senhor e como o Cristo, que realizou plenamente as promessas messiânicas de salvação, impele ao compromisso: “Irmãos, que devemos fazer?”. Pedro, porta-voz da comunidade, indica o caminho para a adesão a Cristo ressuscitado: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo”.

A conversão (metanoiá) leva à mudança radical, para acolher a proposta de salvação em Cristo, deixando-se renovar, vivificar e transformar pela ação do Espírito Santo. A vida nova, manifestada no Batismo, conduz a revestir-se de Cristo , incorporando-se na comunidade de seus seguidores e seguidoras.

O número elevado dos que se converteram e aderiram a Cristo é uma hipérbole, que caracteriza o extraordinário êxito da missão. Sublinha a rápida expansão das comunidades cristãs primitivas, conduzidas pela ação do Espírito do Ressuscitado.

A 2ª Leitura da primeira carta de Pedro é um hino a Cristo, que deixou seu exemplo de fidelidade ao projeto salvífico do Pai, para que sigamos os seus passos. Quando maltratado e injuriado, ele não retribuía com agressores e vingança, mas “colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça”.

Por meio de sua paixão e morte redentora fomos curados, libertados, “a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça”. De sua entrega por amor resulta a vida e a salvação do povo. Assim, Cristo tornou-se o pastor e guarda das ovelhas que estavam desgarradas.

A vida de Cristo, o Servo sofredor, doada totalmente pela salvação, realiza plenamente a missão do servo, descrita no quarto cântico. É apelo para testemunhar o compromisso batismal com alegria e esperança, em meio aos sofrimentos. Muitos cristãos viviam na condição de escravos ou servos, submetidos aos patrões.

O exemplo de bondade e paciência de Cristo ensina a trilhar o caminho da justiça através da não violência. Fortalece a identidade dos cristãos, chamados a viver o amor solidário, a fazer o bem para ser agradáveis a Deus.

A leitura do Evangelho de João ressalta que Jesus é o Bom Pastor das ovelhas. Para entender a metáfora do pastor, é preciso ter presentes também os costumes pastoris da Palestina. Durante o dia, os rebanhos eram conduzidos às pastagens e, à noite, recolhidos num redil comunitário, rodeado por uma cerca ou um pequeno muro e vigiado por um guarda. De manhã, cada pastor chegava à porta do redil e chamava suas próprias ovelhas para sair. As ovelhas não hesitavam em seguir o pastor, pois já conheciam sua voz.

A figura do pastor aparece, sobretudo, nos profetas e nos salmos para sublinhar o cuidado especial de Deus pelo povo. O profeta Ezequiel, durante o exílio na Babilônia, constata que os líderes do povo foram maus pastores. Eles exploraram o rebanho, deixando-o disperso, como presa fácil para todos os animais selvagens.

Por isso, o Senhor promete reunir as ovelhas dispersas e trazê-las de volta para as boas pastagens. Ele colocará à frente do seu povo um bom pastor, o Messias, para apascentá-lo no direito e na justiça, procurar a ovelha perdida, reconduzir a desgarrada, enfaixar a quebrada, fortalecer a doente. Essa promessa de salvação, anunciada por Ezequiel, cumpre-se plenamente em Cristo.

O Pai confia as ovelhas ao cuidado do Filho, que oferece a vida para defender e salvar o rebanho. No tempo de Jesus, muitas lideranças não estavam exercendo seu ministério de conduzir e iluminar o povo, como mostra o texto anterior, a história de cego. Jesus “ao ver as multidões, encheu-se de compaixão por elas porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não tem pastor”.

Ele é o Bom Pastor que cuida das ovelhas com ternura e doa sua vida pela salvação. Os pastores verdadeiros entram pela porta que é Jesus e o seguem, vivem e testemunham seu evangelho. Por Jesus, a porta, as ovelhas são conduzidas até os prados verdejantes, onde encontram vida abundante. Aqueles que não entram pela porta, mas saltam o muro, aproxima-se do rebanho para roubar, matar e destruir.

Jesus é o Bom Pastor que liberta e conduz as ovelhas para fora, oferece a vida nova e plena. Ele “chama as ovelhas pelo nome”, estabelece uma comunhão existencial de confiança, amor e liberdade. Como enviado do Pai, “ele caminha à sua frente e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz”. As ovelhas conhecem a voz do pastor, mas fogem com medo dos estranhos, pois não reconhecem sua voz.

A mensagem libertadora de Jesus, sua voz, não foi acolhida por todos. Somente aqueles que aderem a seu caminho, na entrega da vida por amor, compreendem o sentido de suas palavras. Os discípulos compreendem e escuta a voz do mestre, que os chama pelo nome e os envia para continuarem a missão de conduzir as ovelhas no caminho para o Pai.

O testemunho de Jesus ressuscitado decorre da escuta e da adesão à sua palavra, ao seu projeto salvífico. Ele é a porta aberta, que conduz à vida plena: “Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem”. Jesus é o caminho para os rebanhos saírem rumo às pastagens, à plenitude da salvação no Pai.

Os que passam por Jesus Cristo encontram o caminho para a vida plena. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”. Jesus, com sua vida e vitória sobre a morte pela ressurreição, oferece a vida abundante que sacia os anseios do ser humano, a esperança da vida eterna.


Diocese de Limeira

Afeiçoai-vos às coisas do Alto

Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória." (Colossenses 3,1-4)

Essa Palavra acontece, em nossa vida, quando não buscamos as coisas do Alto, mas as coisas da Terra. Nós nos deparamos, muitas vezes, com coisas que são terrenas como cenas pornográficas, canais de televisão que exibem baixarias, músicas que desvalorizam as mulheres etc. Muitas pessoas recorrem às coisas que não são do Céu, coisas que não estão na Bíblia.

Os conselhos dados na Bíblia são para que fiquemos longe de outras extremidades que nos afastam da presença de Deus. Nós devemos nos cuidar, pois essas baixarias estão entrando em nossa casa, prejudicando a formação de nossos filhos.

Deus nos dá um belo conselho: "Buscai as coisas do Alto!". O homem novo precisa nascer em nós! "Afeiçoai-vos com as coisas do Alto". A Palavra do Senhor está nos dizendo que precisamos nos afeiçoar às coisas do Pai, sermos semelhantes a Ele. Se formos pesquisar, no dicionário, a palavra "feição", veremos que seu significado é: "aspecto exterior, aparência; forma, figura".

Quando passamos pelo batismo, ao nascermos, somos mergulhados na pessoa de Deus, no Seu Espírito. A partir do batismo, temos a oportunidade de nos afeiçoarmos às coisas boas d'Ele. Deus sempre nos dá a capacidade de buscá-Lo.

Para onde Deus quer que você vá? Para o lado d'Ele! A Palavra recebida não é para ser guardada apenas para nós, mas testemunhada aos demais! Devemos transformar as coisas da vida em cores, vida e sabor. Somos a luz para aqueles que estão nas trevas! Nós precisamos potencializar as pessoas com o desejo do bem que trazemos em nosso coração, pois elas precisam disso!

Você tem coisas melhores para fazer. Pode cuidar da sua família, pode ler, correr, selecionar aquilo que vai assistir na TV, buscar coisas boas. A palavra, em inglês, "power", do controle remoto da sua TV, significa "poder" em português, isso quer dizer que você tem o poder de selecionar as coisas boas que você deve assistir.

Nós não precisamos nos afeiçoar às coisas ruins. Selecione as coisas boas que você quer ver e ouvir. Selecione as amizades, os programas de TV, as músicas etc. "Afeiçoar" quer dizer "buscar as coisas do Alto".

O mundo parece estar se acostumando com a falta de respeito. Nós precisamos ser luz e sal para a Terra. As Palavras de Deus convencem, mas os testemunhos arrastam!

Esse Espírito Santo, que foi colocado em nosso batismo, habitou, mergulhou em nós, mas precisamos percebê-Lo para que Ele aja em nós. Você é gente do bem, você vem de Deus!

Dunga

Comunidade Canção Nova

A aridez espiritual pode ser um trampolim para a santidade

Seguir Jesus Cristo não é aventura para os fortes, mas caminhada para aqueles que sabem insistir. Se o próprio Jesus caiu três vezes sob o peso da cruz, como esperar que sejamos tão fortes quanto inabaláveis durante o percurso? Persevera não aquele que nunca cai, mas aquele que, no chão, tem a humildade de estender a mão à misericórdia de Deus e se levantar para retomar a caminhada.

A aridez espiritual e os momentos de crise são inerentes à caminhada espiritual. A questão é o que fazemos com as nossas crises. A aridez pode se tornar um trampolim para a santidade ou um peso que nos afunda na infidelidade, como nos ensina São Francisco de Sales (1567-1622).

Caminhar com Cristo significa nos deixarmos purificar por Ele para nos configurarmos a Ele. Quando Cristo nos purifica, ou seja, quando arranca de nós costumes, sentimentos, valores, concepções e consolos, que outrora nos animavam a caminhar e a viver, a tendência natural é entrarmos na aridez. É um momento de “êxodo”, porque tantas vezes perdemos os confortos do Egito, mas ainda não tomamos posse da Terra Prometida, ou seja, da novidade de uma relação mais íntima, livre e pura com Deus. Esse espaço entre o Egito e a Terra Prometida é o lugar do deserto. Este está presente na história de salvação do povo de Deus desde Abraão, passando por Moisés, pelo próprio Jesus e permanecendo na Igreja por meio dos “padres do deserto” dos primeiros séculos, que são a grande imagem dessa realidade perene na Igreja.

Ao deparar-se com a aridez, é preciso discernir o motivo que nos levou a ela. Trata-se de uma causa de conversão ou uma consequência advinda de erros na caminhada? Se descobrirmos o motivo, respondendo a eles como alguém que renova sua decisão por Cristo, mesmo que os motivos sejam ruins, sempre seremos capazes de colher bons frutos. Diz São Paulo em Fl 3,16: “Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente.”

MOTIVOS DA ARIDEZ

A primeira causa da aridez espiritual é a ação de Deus na alma, na vida do cristão. Muitas vezes, aquilo que nos animava na fé já não é mais motivo de entusiasmo. Isso é bom, porque nossas motivações precisam amadurecer. Temos de entender que “as obras de Deus ainda não são Deus” (Venerável Cardeal Van Thuan – 1928-2002). Nesse sentido, parece-me que podemos perceber três fases:

- No início da caminhada, a pessoa, encantada com a beleza das obras de Deus, sente uma empolgação em viver as coisas d’Ele. Na linguagem de Santa Teresa de Jesus (1515-1582), que é mestra nesse assunto, trata-se dos consolos espirituais. Esses consolos de experiências espirituais, comunitárias e missionárias do início são importantes, mas insuficientes para um verdadeiro conhecimento de Deus. Daí, surge uma primeira purificação dessas realidades.

- Depois, a pessoa amadurece e vai descobrindo o sentido do serviço ao Senhor. Surge o entusiasmo de dedicar-se às coisas d’Ele, empenhar-se na missão. Isso é ótimo, é profundamente evangélico; porém, o serviço do Senhor ainda não é Ele. Justamente aqui, surgem os cansaços, os fracassos e as frustrações. A tendência é o desânimo. Esse é o momento da descoberta de Deus, o momento da decisão pelo amor. São João diz: “Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (1Jo 3,7). Não tem jeito, somente quando o amor é puro e gratuito nós O conhecemos. Somente quando o amor a Deus é livre de condicionamentos, de sentimentos, afazeres, pessoas e estruturas, é que realmente é livre e puro.

Os erros na caminhada são os motivos negativos que levam à aridez: cansaço espiritual-psicológico. É diferente esse cansaço daquele que é próprio das atividades mesmas. Esse cansaço é um desgaste, um esgotamento espiritual e psicológico que rouba a alegria de viver a vida, a fé e a vocação.

O cansaço e suas causas:

Ativismo: Assumir tarefas e missões sem respeitar o descanso do corpo e da mente, o respeito pela vida e suas realidades belas como, por exemplo, o tempo para uma amizade, a prática de esporte etc. No ativismo, a pessoa se descentraliza do essencial de sua missão motivado por empolgações imaturas, fuga de si mesmo, agitações interiores, vaidade pelo sucesso, necessidade de domínio, centralização das tarefas ou mesmo por um zelo irreal pela obra de Deus.

Falta de disciplina: Leva-nos a dispensar energia para organizar a vida desorganizada. A disciplina nos encaminha com naturalidade aos compromissos. Surge a frustração em não cumprir os compromissos.

O fracasso no apostolado: Paulo experimentou fracassos, com em Atenas, e soube fazer deles causa de conversão (cf. 1Cor 2, 1-5). Mesmo o Evangelho está cheio de situações de fracasso de Jesus junto com o povo, com os Seus e os discípulos, que custaram entender Sua mensagem. Para os orgulhosos, os fracassos são motivo de desânimo ou de acusações. Para os humildes, os fracassos são pistas para retomar o essencial da missão. Beata Elisabete da Trindade (1880-1906) nos traz a ideia de que o fracasso é tão importante, que é como um mandamento.

Uma espiritualidade insuficiente: A pressa na oração, a pouca qualidade na oferta de si mesmo. O cansaço vem quando se perde a identidade e o sentido! Uma fonte de repouso é a redescoberta do essencial de nossa vocação. A oração nos coloca no coração de Deus, mantendo-nos na identidade e no sentido de nossa caminhada.

O adiamento da conversão: Quando não assumimos a decisão de mudança e vamos adiando a conversão, há uma tremenda luta e perda de energia na sustentação da identidade e de práticas antigas. Às vezes, lutamos com realidades em nós que são desnecessárias e carregamos “não o peso suave e fardo leve de Cristo”, ou seja, “a mansidão e a humildade” que é a Sua Doutrina (cf. Mt 11,29), mas o peso de nossas mentiras, de nossos orgulhos: a angústia de quem não perdoa, o azedume de quem critica, a luta de quem tem um coração duro, a desconfiança de quem não confia, o desespero de quem é orgulhoso. O tempo pede a maturidade de ser feliz na doação de si. Contudo, quando se resiste à felicidade da maturidade, e continua insistindo em receber, logo surge uma vida frustrada, e a caminhada humana/cristã se torna infeliz e pesada.

Não aceitação da própria verdade: A mentira a respeito de nós mesmos nos faz desprender energias com coisas desnecessárias, bem como esforço para manter oculta a verdade. Deus nos ama, não apesar de nossa franqueza, mas porque somos fracos. Procuramos o bem, não por méritos, mas como resposta ao Seu amor e, quando parecemos ricos, saibamos que continuamos pobres, porque só Ele é rico. É preciso reconhecer nossas franquezas com liberdade e louvor (cf. 1Jo 1, 8-9; 1Cor 1, 27; 2Cor, 12,10).

Luta contra Deus e Sua Vontade: ter um coração agradecido, louvor à glória de Deus.

Diante disso tudo, é preciso sempre discernir o motivo da aridez. Para tanto, é importante um diretor espiritual. Discernido, especialmente se os motivos são os erros da caminhada, é preciso aplicar os remédios que vêm de encontro a esses erros. Santo Inácio de Loyola (1491-1556) dizia que “na tribulação não se deve tomar nenhuma decisão”. Isso é importante, porque se trata de um momento frágil que o maligno pode usar para nos confundir. Fundamental é que em toda aridez se mantenha a decisão por Cristo, pois Ele mesmo nos diz: “Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á” (Mt 7, 7-8).


André L. Botelho de Andrade

Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Pantokrator

Por que um irmãozinho?

Onde está a Margarida? Olê, olê,olá (2x)
Ela está em seu castelo, olê, seus cavalheiros (2x)
Mas o muro é muito alto, olê, olê, olá (2x)
Tirando uma pedra não faz falta, olê, olê, olá (2x)
Apareceu a Margarida, olê, seus cavalheiros

Cantiga de roda em música popular, cujo domínio é público. Essa era uma brincadeira do tempo que as meninas usavam saias rodadas, seguravam na barra da saia e iam largando, a cada pedra tirada, até aparecer a Margarida. (Lauria, Nair Spinelli – Quintal… saudade ou utopia?)

Vamos brincar de roda? Onde está a Margarida? Coitada! Dentro do castelo, e ninguém a pode visitar; afinal, o muro é bem alto, só receberá visita se pedra por pedra dele cair.

Neste momento, eu o convido a derrubar o muro do castelo que protege seu filho único. A sua Margarida está querendo conhecer quem está aqui fora, como são as ruas, as cores das lojas, a natureza. A Margarida, que aqui está representando os filhos únicos, querem conviver, ter com quem brigar e fazer as pazes. Querem ter com quem competir, dividir, brincar de casinha ou trocar os brinquedos e a roupa que veste.

Margaridas, em sua maioria, não nasceram para viver em um castelo. Então, por que não um irmãozinho para o seu filho? Considerando a situação socioeconômica do nosso país, estamos ficando engessados diante dos nosso sonhos, mas será preciso enfrentá-lo, a fim de que não interrompamos os planos de Deus para a humanidade e para nossos filhos que precisam de irmãos. O ambiente escolar não é o suficiente para eles. É necessário a companhia de um irmão em casa. Os pais, para realizarem essa função, precisam de mais um filho.

Claro que não estamos determinando situações, mas fazendo uma reflexão crítica do fato que está determinando a criação: MEDO. Medo de não ter um trabalho para criar, medo de não ter uma empregada, de não pagar uma boa escola… medo, medo, medo… Quanto medo! E a função do medo, quando fora da proporção natural, é o de paralisar o que e como pensamos para educar os nossos filhos, impedindo que alcancem bons amigos, experiência com Deus e se tornem profissionais de sucesso com autonomia intelectual e emocional.

Quando só temos um filho, ficamos sem saída e alimentamos a ilusão social de que o teremos para a vida toda; extinguimos o medo de perdê-lo, uma vez que estão tão protegidos. Nós o colocamos o maior tempo possível no castelo e mudamos os nossos papéis, afirmando não ter problema a falta do irmão, porque somos os verdadeiros amigos deles. A ausência do medo de perdê-lo tem feito com que os pais não busquem as melhores estratégias para criá-los. A situação piora com a falta de um irmão. O filho único está sempre sozinho, porque a vida da família continua, como se tivesse deixado em casa um filho em boas companhias. Os pais assumem a posição de defensores, fecham os olhos para suas fragilidades, dificilmente identificam os verdadeiros fatores que têm provocado mudança no comportamento do seu rebento. A ideia sempre é: “Quem conhece o meu filho sou eu!” E, assim, o reizinho vira tirano, sem ter um irmão para oportunizá-lo a ajustar seu comportamento.

Os irmãos brigam, mas quase sempre se amam. Muitas vezes, os pais não prestam atenção nas relações entre eles, como se ainda a figura da mãe ocupasse o lugar central da família. Hoje, que a rotina dos pais começa cedo e termina tarde, o filho único, provavelmente, tem vivido os seus dias em frente à TV, desenvolvendo uma linguagem de meias palavras, ou na casa da vovó – muitos anos mais velha do que ele –, sendo reclamado o tempo todo, por mais que também seja paparicado. E mesmo com essa realidade, os pais querem retornar para casa e ver o filho feliz, contando tudo ( não sei o quê e com quem) o que fizeram durante o dia. Retornam como se estivessem criando seus filhos.

Trata-se de uma realidade dura, mas que exige posicionamento dos adultos diante dos seus desejos. A família contemporânea é um leque de arranjos familiares. Mas não tem por onde correr. Um irmão busca o outro. “Irmãos não se divorciam, não criam novas famílias e têm uma presença mais próxima e constante na vida uns dos outros, especialmente na infância, mas também ao longo da adolescência. Um estudo realizado pela Penn University, nos Estados Unidos, aponta que irmãos passarão 33% da vida juntos.” (Pesquisa: Noelly Russo, irmã de Nilza e Nelson 07.06.2013). A pesquisadora ressalta que:

“São eles quem ensinam, na prática, a dividir, ainda que, às vezes, na marra, objetos e afetos. É com os irmãos que se tem contato com a dinâmica complexa de viver em sociedade, onde é necessário fazer concessões, perseverar, lutar por seus direitos; enfim, conviver. Caso contrário, as consequências podem ser desastrosas. Os irmãos não são escolhidos como os amigos. São as pessoas com quem você divide a casa e os pais sem ter pedido.”

Por que não um irmãozinho? Para que você, pai e mãe, não virem os mesmos que salvam e perseguem. Para que vocês, ao ver seu seu filho crescer e deixar o ninho, não assumam a função das velhas vítimas que sempre dizem: “Fiz tudo, dei de tudo e agora estou sozinho. Antes, tivesse outro filho!”. Que a decisão de ter ou não mais um não esteja baseada apenas em questões econômicas.

Que tal, ao terminar de ler este texto, enviar uma mensagem de amor ou perdão para o seu irmão?


Judinara Braz

Viva um dia de cada vez

Você pode carregar o peso do seu dia de hoje, porque Deus lhe dá forças para isso, mas não pode somar a isto o peso de ontem e o de amanhã.

Jesus ensinou isto bem claro: “Não vos preocupeis pois com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas próprias preocupações. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6,34)

Qualquer que seja a preocupação que você possa ter com o futuro: desemprego, cuidados dos filhos, doença…, deixe tudo nas mãos de Deus, e aceite o que Ele permitir que aconteça. Faça hoje a sua parte e “seja feita a vontade de Deus”. Viva o presente, em Deus. “O Senhor está perto.”

Lembre-se, Deus não toma a força o peso das suas preocupações, Ele caminha a seu lado, discreto e paciente, esperando que você o chame e lhe entregue as preocupações e tribulações do dia.

Portanto, é preciso você estar sintonizado com Deus o dia todo; daí a importância de você rezar sempre, de manhã, de tarde, de noite, no carro, na rua, na caminhada. O Senhor ressuscitado está perto, mas nos esquecemos disso e ficamos lutando sozinhos…

Habitue-se a falar com Ele, o tempo todo, nas horas boas e más, tome consciência profunda da sua Presença e lhe entregue tudo a todo momento. Aquele trabalho difícil a fazer o inquieta, entregue-o ao Senhor, você verá que será mais fácil. Se é o medo que o angustia, entregue-o a Deus, e descanse nele. Se é uma perda irreparável… entregue-lhe o que foi perdido. Só assim será possível a paz. Aprenda a entregar tudo a Deus e aceitar o que Ele permitiu que acontecesse. Isto é um aprendizado lento, longo e que requer perseverança, mas valioso. A cada dia aceite morrer para as preocupações, angústias, medos e provações. Repita mil vezes com o salmista:

“Nas tuas mãos, Senhor, está o meu destino.” (Sl 30,16)

“Ó Altíssimo, quando o terror me assalta, é em Vós que eu ponho a minha confiança.” (Sl 53,4)

“É em Deus que eu ponho a minha esperança; nada temo.”(Sl 55,12)

“Abrigo-me à sombra de vossas asas, até que a tormenta passe.”(Sl 56,2)

Repita esses Salmos muitas vezes, e muitos outros, especialmente nas horas em que a sua fé balançar. Recoloque o leme da sua vida nas mãos de Deus, a cada dia, e “viva um dia de cada vez”. Não pense no dia de amanhã porque você não terá energias para isto. Se houver tempestades no meio do caminho, não se assuste e nem se desespere.

No final da tempestade você verá que não houve um retrocesso e nem tempo perdido, mas uma rica experiência que você viveu, e que o fará mais forte, mais sereno e contente diante da vida. Perceberá que venceu um pouco mais os desejos egoístas e a sensação de insegurança que costumava oprimir você. É na luta que o combatente se torna mais forte.

Aos poucos você vai aprendendo, na luta da vida, dia após dia, que a sua segurança depende exclusivamente de Deus e não de você, nem de seus bens, nem de sua cultura, nem do seu poder ou de sua influência.


Prof. Felipe Aquino

Só Cristo pode saciar a nossa sede de vida eterna!

Nós continuamos a refletir sobre a Palavra de Deus, que vimos na semana passada, a respeito da multiplicação dos pães. Como aquela multidão ficou saciada com o que Jesus fez: de cinco pães e alguns peixes multiplicados e uma multidão inteira foi saciada. E depois que Jesus atravessou o outro lado do mar, eles vão atrás d’Ele, andam distâncias e alguns chegam e dizem: ”Rabi, Mestre, estávamos procurando o Senhor!”. E o Senhor, de forma serena, olha para eles e diz: “Vocês não estavam me procurando por causa de minhas palavras, vocês estão me procurando por causa do pão que vocês comeram e ficaram saciados”.

E daí  o Senhor nos ensina a grande lição da vida: esforcem-se e lutem não só pelo alimento que um dia se vai, mas lute por aquele alimento que permanece até a vida eterna, é esse alimento que o Filho do Homem nos dará.

Sabem, meu irmãos, nós pedimos, muitas vezes, que o Senhor nos dê o pão de cada dia, o pão que sacia a nossa fome, o pão que sacia a nossa sede. Nós trabalhamos para colocar o pão dentro de casa, para que não falte o alimento cotidiano na mesa dos nossos, mas não devemos ficar satisfeitos ou saciados porque a nossa mesa está cheia, porque temos o que comer todos os dias, porque não nos falta o alimento ou porque comemos bem, e temos o necessário, e assim por diante. Os nossos olhos, a nossa vida e a nossa existência não devem se voltar somente para o alimento terreno, para o pão do cotidiano. É verdade e é óbvio que ele é necessário; precisamos dele para ficar de pé, para subsistir, mas, nós não podemos esquecer que existe um pão que nos alimenta para a eternidade: um pão que nos sacia da sede e da fome que nós temos de coisas profundas e eternas, esse pão é o próprio Jesus. Só Ele pode saciar a nossa fome! É por isso que Ele mesmo está nos dizendo: ”é o pão que eu darei, esse pão que há de nos saciar eternamente!”.

Como precisamos nos esforçar para que espiritualmente sejamos alimentados por esse pão, sejamos nutridos por este pão que vem do céu! É preciso ter fome de Deus, sede d’Ele e buscar lá na fonte que nos sacia, mesmo que não tenhamos condições de comungar todos os dias. Para alguns talvez a comunhão seja algo mais difícil; por isso não nos esqueçamos de que nós também comungamos esse Deus maravilhoso pela Sua Palavra, pela adoração Eucarística em qualquer lugar que estamos e, sobretudo, na Sua presença no Santíssimo Sacramento do Altar, e quando podemos comungá-Lo participando da Santa Missa. No entanto, a comunhão significa, sobretudo, ter a alma, o coração e o espírito na sintonia de Deus, na comunhão de Deus!

Quando nós adoramos a Jesus, quando nós nos alimentamos do Corpo e Sangue do Senhor, quando nós O adoramos onde nós estamos ou nas igrejas e capelas, nós nos rendemos a Ele, nós entregamos o nosso espírito, a nossa alma, para que esta entre na mesma sintonia de Deus! Jesus sacia tudo aquilo que em nós está inquieto, perturbado e em busca de respostas!

Que hoje nossa alma e nosso coração sejam saciados pela presença do Deus vivo no meio de nós!

Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova

3º Domingo da Páscoa

Na 1ª Leitura dos Atos dos Apóstolos, Pedro, porta-voz dos demais discípulos, apresenta o querigma cristão. Jesus de Nazaré, o Enviado do Pai, realizou “milagres, prodígios e sinais” em favor do povo. Ele foi acolhido por muitos e rejeitados por outros até a morte na cruz. “Mas Deus o ressuscitou, libertando-o das angústias da morte”, revelando a eficácia de sua doação a serviço do projeto divino de salvação.

Em Cristo realiza-se plenamente o sentido do salmo de hoje. O Pai não abandonou o Filho na morada dos mortos, mas o ressuscitou para a vida plena em sua glória.

A vitória da vida sobre a morte, manifestada em Cristo, plenifica a promessa messiânica de estabelecimento de um reino eterno de salvação. Na obra de Jesus, o Messias (=ungido), a qual culminou com sua exaltação à direita do Pai, cumprem-se as Escrituras. Jesus venceu a morte através da ressurreição, instaurando o reinado eterno da justiça e da paz. Os cristãos tornam-se testemunhas da vida nova, revelada em Cristo: “Deus ressuscitou este mesmo Jesus, e disso todos nós somos testemunhas”.

A 2ª Leitura da primeira carta de Pedro convida a testemunhar a fé e a esperança, durante “o tempo de permanência como migrantes”. Os cristãos, que estavam sofrendo discriminação, opressão, como no tempo do Egito e da Babilônia, são fortalecidos pela presença de Deus, o Pai que ama e acolhe a todos como filhos. O amor do Pai, revelado ao povo ao longo da história da salvação, culminou na vida, morte salvífica e ressurreição de Cristo.

“Fomos resgatados (…) pelo precioso sangue de Cristo, cordeiro sem defeito e sem mancha”. Jesus, como cordeiro pascal, realiza o êxodo que liberta plenamente, conduzindo à comunhão filial com o Pai.

O seguimento a Cristo, a fidelidade ao seu projeto testemunham a verdadeira fé e esperança em Deus. A esperança em Deus, que ressuscitou Jesus dos mortos, assegura o compromisso em defesa da vida e da dignidade dos que são discriminados, marginalizados.

A leitura do Evangelho de Lucas narra o encontro do Ressuscitado com os discípulos de Emaús. Esse texto, exclusivo de Lucas, convida a percorrer o caminho do discipulado para encontrar Jesus ressuscitado, que parte o pão conosco e revela seu amor que inflama nosso coração.

Os dois discípulos representam os cristãos de todos os tempos, sempre a caminho com o Senhor, na década de 80 do primeiro reavivar a fé em Cristo ressuscitado, presente na comunidade solidária que se reúne para partir o pão.

Os dois discípulos, após a morte de seu Mestre na cruz, partem de Jerusalém em direção ao povoado de Emaús. Jesus de Nazaré, que “foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo”, havia suscitado a esperança messiânica de libertação. Os discípulos estão tristes e desiludidos, pois tinham colocado a expectativa num messianismo político nacionalista: “Esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel”.

Apesar de não terem acolhido o anúncio pascal das mulheres que diziam: “o Crucificado está vivo”, eles lembram, conversam e discutem a respeito de Jesus, mas seus olhos são incapazes de reconhecer a presença viva de Jesus que estava próximo e caminhava com eles.

O Ressuscitado se faz presente no caminho dos que procuram descobrir o significado de suas palavras e obras, dos que fazem memória de sua vida doada totalmente. À luz das Escrituras, os discípulos e discípulas encontram o verdadeiro sentido da paixão e ressurreição de Cristo: “Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na glória?”.

Compreendem que Jesus é o verdadeiro Messias, que realizou o projeto salvífico, passando pelo sofrimento da cruz. “Começando por Moisés e passando por todos os profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, as passagens que se referiam a ele”. A presença do Ressuscitado ilumina os discípulos, fazendo-os compreender a palavra: “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”.

A adesão à palavra de Jesus manifesta-se na hospitalidade: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!”. O gesto de partir e compartilhar o pão suscita a fé no Ressuscitado. Os olhos dos discípulos se abrem e reconhecem a presença de Jesus, quando ele sentou-se à mesa, “tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e deu a eles”.

Na última ceia, Jesus repartiu o pão como dom de sua própria vida. Os discípulos de Emaús celebram o memorial de Jesus como gesto de solidariedade, acolhendo o “peregrino” para que pudesse restaurar as forças. Ao repartir o pão de Jesus na comunhão fraterna da vida, eles fazem a experiência de sua presença viva e atuante.

O gesto de Jesus, que recorda sua vida compartilhada, doada por amor, reconduz os discípulos ao caminho. Reavivados na fé e na esperança, os discípulos levantam-se e voltam para Jerusalém, para testemunhar a experiência do encontro com Cristo ressuscitado: “Realmente, o Senhor ressuscitou!”. Jerusalém, lugar onde Jesus concluiu sua obra de salvação, torna-se o marco inicial da missão dos discípulos, que deve se estender até os confins da terra.


Diocese de Limeira

Porque nele se revela a justiça de Deus

“Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé” (São Paulo aos Romanos 1,17).

Uma das características de São José é a justiça. E no mundo, as pessoas acabam se equivocando e comparando a justiça de Deus com a dos homens. O que é a justiça de Deus? Por que a Igreja proclama São José castíssimo e justo? Nós, na nossa justiça, comparamos a justiça dos homens com a Deus. A castidade significa também a justiça de São José, por ser casto ele se torna um homem justo. Assim todas as características que nós vemos em São José o fazem um homem justo.

A palavra "justo", dentro da concepção bíblica, vai muito além da projeção humana e possui um significado muito maior do que imaginamos. O homem justo, na Bíblia, quer dizer não somente um homem íntegro, puro e casto, mas sim um homem santo. A santidade era o que havia no coração daquele homem a partir da sua obediência. São José deixou-se ser consumido pela santidade.

Quando celebramos São José e entramos na vida de São José, nos entramos na mística do Espírito Santo de Deus. Agora nós entramos em uma dimensão profunda, porque em poucos lugares se fala da santidade. Onde a santidade não é mais falada nem vivida, é preciso encontrá-la [santidade] em São José, imitando-o na maneira de ele ser. Nós precisamos de homens santos! Jovens santos! Não se fala mais da santidade nem da castidade. Eu acredito que um jovem é justo quando tem a coragem de viver a castidade no seu namoro, quando ele tem a coragem de sair do seu amor para ir ao encontro do amor de Deus.

Hoje falar da santidade se tornou um tabu. Muitas vezes, ser um bom pai de família e ser um jovem que busca a santidade se torna um escândalo porque não se fala mais em buscar a santidade. Infelizmente, muitos corações se enchem de escrúpulo quando se fala em viver a pureza, a castidade e a santidade. Ser homem justo não é agradar aos homens, mas sim o coração de Deus. Ser um homem no desígnio de Deus. Muitas vezes os homens não buscam a santidade porque querem mais agradar às pessoas do que agradar a Deus! Homens, não tenham medo de ser santos! O mundo carece de santidade!

O que será que é uma vida de santidade? Uma vida semelhante a de São José! O que vem a ser uma verdadeira radicalidade a Deus? São simplesmente os sinas externos? Será que o que define a pessoa cristã são apenas os sinais externos? Uma santidade exterior ou interior? A santidade vai muito além das aparências! Na Sagrada Escritura não há nenhuma palavra de São José. O seu anúncio, o seu grito, foi o silêncio que disse tudo, ele não falava nada, mas ele vivia segundo os desígnios de Deus. São José passou sua vida adorando a Deus. Assumiu a paternidade de Jesus, se tornando uma pessoa escrava da vontade de Deus Pai por amor e por entrega a Ele. São José, que, sendo filho, teve de ser pai, consumiu sua vida em santidade ao lado de Maria. São José, homem trabalhador. Homem que decidiu amar.

Até os doze anos de idade o Menino Jesus crescia em santidade e era submisso aos seus pais. Deus se fez submisso a São José e a Maria.

Como que se faz para ser santo? A santidade contém uma característica. Podemos citar aqui Santa Catarina de Sena, Santa Teresinha do Menino Jesus e Padre Pio. O que havia nos corações deles que os levava a ser tão radicais? O que será que aconteceu no coração de São José que o levou a gastar a sua vida? Que santidade é essa em que a pessoa "se anula" a cada dia para fazer a vontade do Senhor? O que esses santos têm em comum? O que há em comum entre eles que os faz ser tão radicais na vivência do Evangelho? Quem busca a santidade não consegue ficar parado! O que é que move esses corações? O que move um coração a continuar quando a sua humanidade, a sua carne, quer relutar contra o amor de Deus? É o amor. A santidade brota de uma entrega de amor! Não é apenas de sentimento. O que moveu São José não foi o sentimentalismo; ele não foi movido pelas suas emoções! O que o moveu foi o amor sentido, não o amor sentimento.

São José foi direcionado por uma decisão. O que é uma cisão? Quando eu corto aquilo que não presta? Qual é a sua decisão hoje? "Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica" (Coríntios 10,23).

O maior problema das pessoas é quando elas buscam a Deus pela emoção e não pela decisão. Mas quando uma pessoa diz: “Hoje eu me decido por Deus. A partir de hoje eu não quero mais viver o adultério”, a decisão entra no coração dela e faz com que ela tenha uma postura diferente. Deus quer mudar sua vida hoje! Como São José que decidiu viver a santidade, que se decidiu a todo momento pela santidade.

Deus não quer mudar você! Deus quer moldar você! O Senhor quer transformar a sua vida! Se você quer e Deus quer, quem poderá impedir? Hoje precisamos tomar a decisão pela santidade! E para conseguirmos viver a graça da santidade basta darmos o primeiro passo! Que o Senhor nos dê a temperança de São José! Na Canção Nova existe uma música que diz: “Ou santos ou nada”. E eu lhe digo: Ou santos ou santos! Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: "José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo (Mateus 1,20).

Eu tenho que lhe dizer que Deus o ama! Ele não desiste de você! Pela intercessão de São José todos os homens serão alcançados!


Padre Serginho Farias

O trabalho dignifica o homem

“Trabalharás, que Eu [Deus] te darei”. Cresci ouvindo esta frase que minha avó Maria jurava, de pés juntos, estar escrita na Bíblia. Era o argumento que ela usava para nos convencer de que era necessário trabalhar e que isso nos faria bem. Em contrapartida, fui percebendo que muita gente trabalhava duro e não conseguia conquistar o que almejava. Via trabalhadores aderirem a paralisações por melhores condições de trabalho e salários mais altos, notava também desemprego, corrupção e até formas de escravidão que não correspondiam aos benefícios do trabalho que minha avó ensinava.

Eu acreditava, realmente, que “trabalharás, que Eu [Deus] te darei” era um ensinamento bíblico. Procurei, muitas vezes, mas nunca encontrei esse registro nas Sagradas Escrituras. Até entender que, apesar de não estar na Bíblia, continha um importante ensinamento sobre a dignidade que o trabalho oferece às pessoas. O suor de cada dia é garantia também do pão cotidiano, afinal “Deus ajuda a quem cedo madruga”, como nos ensina a sabedoria popular. O trabalho, naturalmente, gera cansaço. Talvez, por esse motivo, as primeiras páginas da Bíblia o consideram como castigo dos céus. Já o Cristianismo entende que o trabalho dignifica o homem, porque lhe permite colaborar na continuação da criação divina.

Em meio à agitação do dia a dia e em busca de crescimento intelectual e econômico, uma mensagem de São João Paulo II, escrita em 1981, alerta sobre um fato importante: “O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho”. Nesse sentido, recordo-me, todos os dias, das palavras do bispo italiano Dom Pierfranco Pastore antes de começar a rotina diária: “Bom trabalho, mas não demais”, alertava de maneira descontraída sobre o risco do ativismo. É que muitas pessoas podem realizar a própria profissão de maneira automática, sem colocar, em primeiro lugar, o amor, a dedicação e – o mais importante – as pessoas. É preciso tomar cuidado com o imediatismo e com a correria para não se tornar uma pessoa centralizadora.

Gosto de uma dica do professor Felipe Aquino. “Se não estamos dando conta dos trabalhos, é porque estamos realizando coisas que não nos competem, ou seja, estamos nos tornando centralizadores”. Daí, a necessidade de nos avaliarmos continuamente, acolhermos sugestões de quem é próximo a nós e exercitarmos a capacidade de ouvir. Além disso, podemos realizar nossas atividades em contínuo diálogo com Deus, numa atitude de discípulos que aprendem com o Mestre. Jesus veio para servir, não para ser servido (cf. Mc 10, 45), porque aprendeu com o Pai a trabalhar sempre (cf. Jo 5,17).

No Dia do Trabalhador, renovemos nossa esperança e nosso papel de colaboradores do desenvolvimento social. A comemoração do feriado do trabalhador recorda a manifestação de operários de Chicago, nos Estados Unidos, em 1886. Pessoas chegaram a ser mortas pelo simples fato de reivindicar a redução da jornada de trabalho para oito horas. Em 1955, o Papa Pio XII instituiu a Festa de São José Operário para dar sentido cristão à data e um protetor aos trabalhadores.

Que o feriado de Primeiro de Maio não represente apenas um dia a menos de estresse em nosso calendário, mas uma data para que nos recordemos de São José Operário, pai adotivo de Cristo que, “na carpintaria em Nazaré, dividia com Jesus compromissos, esforços, satisfações e dificuldades do dia a dia”, conforme nos ensina o Papa Francisco.

Rodrigo Santos

Missionário da Comunidade Canção Nova