Solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus

O evangelho das bem-aventuranças resume o programa de Jesus e, por conseqüência, o caminho do discípulo. O cerne do manifesto são as oito bem-aventuranças, entendidas não como mandamentos, mas como bênçãos, isto é, como dons que nos vêm da parte de Deus, por meio de Jesus. Nisto consiste a santidade: participação na vida de Deus por iniciativa dele. Não é fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças.

Da nossa parte, porém, a condição é que sejamos pobres, que acompanhemos a testemunha fiel, Jesus Cristo, no seu caminho de amor e entrega a esse reino. A santidade é cada um de nós dar a sua parcela de contribuição neste mundo. Não importa se somos pessoas de muitas qualidades ou não. O importante é que a nossa consagração seja total, que não usemos de medidas estreitas quando se trata da busca de Deus e da missão.

Como aquela multidão na montanha, a assembléia reunida no dia do Senhor recebe esta palavra como bênção que a confirma e pede novas atitudes. O caminho das bem-aventuranças é certamente um programa de vida para a comunidade e a pessoa que segue Jesus. A liturgia tem a função de sempre nos lembrar disso, colocando-nos diante do próprio Jesus, o bem-aventurado de Deus.

Na 1ª leitura, as comunidades cristãs, no final do século I, fortalecidas pelo Senhor ressuscitado, resistem às tribulações.

A 2ª leitura mostra que nossa filiação divina é dom de amor do Pai. O empenho em seguir com fidelidade o projeto de Deus Pai possibilita caminhar na esperança de nos tornarmos semelhantes ao Filho.

Retirado da Revista de Liturgia

Jesus, Aquele que salva

“Se a nossa fé católica diz que mesmo na tristeza temos que ser alegres, devemos praticar isso. Pela morte de Jesus na cruz somos libertos. Ele é Aquele que cura. O início do Seu ministério de cura e libertação se deu no momento de Sua concepção, e não depois de Seu batismo.

Vivemos num tempo em que muitas pessoas estão sendo assassinadas, até mesmo crianças. Jesus veio a terra como feto no ventre de Sua mãe, e o rei Herodes quis matar Jesus bebê. O mundo está cheio de Herodes.

Certo dia, uma mulher foi à minha diocese para me ver e disse que precisava de cinco minutos, mas eu estava muito ocupado, pois me preparava para is em missão e estar com os padres salesianos. Então disse para que ela me procurasse depois, mas, por insistência dela, acabei dando-lhe atenção.

Ela estava grávida de nove meses e, nos últimos três dias, não conseguia mais sentir o movimento da criança. Ao procurar o ginecologista – que não ouviu as batidas do coração do bebê -, este disse a ela que deveria abortar a criança, pois seria um risco para a vida dela, e, caso a criança sobrevivesse, nasceria com problemas mentais. Ela foi a seis médicos famosos e todos disseram a mesma coisa.

Daí ela implorou que queria o bebê. Creio que naquela hora Jesus a ouviu, então coloquei minhas mãos sobre a cabeça dela, quando, de repente, o telefone tocou e fui atendê-lo. Retornando, ela me disse que no momento em que sobrepus a mão nela, tudo começou a mexer dentro dela, como um “ciclone”.

Impus novamente as mãos e comecei a orar. Qual foi a minha oração? Sempre peço ao Espírito Santo que me diga como rezar e a Deus para levar a esperança ao homem. Quando não sei como e o que orar, a Bíblia diz que o Espírito Santo reza por mim.

Disse: “Senhor, como eu fizeste com João Batista no centre de Isabel, faça também por esse bebê no ventre dessa mulher”. Não fiz a oração em voz alta, mas mentalmente. Assim que acabei, a mulher falou em voz alta que o bebê se mexia. Disse para ela: “Tenho que sair agora, mas não levante, continue orando, porque esse bebê não está apenas mexendo, está pulando de alegria, como João Batista”.

Repito o que ela me disse: “Padre, enquanto orava por mim, senti como se um espírito de morte saísse do meu ventre e fosse para minha perna”. Ela não imaginava, mas havia um inimigo agindo, pela inveja, na vida daquele bebê. Alguém da família procurou um feiticeiro para amaldiçoá-lo. Ela sabia que o bebê estava morto, mas que tinha voltado à vida.

Sete anos mais tarde, recebi a ligação dessa mulher que disse querer encontrar-se comigo. Ela levou a criança e contou que pela manhã, na escola, houve distribuição de prêmios e que o garoto foi premiado, pois era o melhorem todas as matérias. Olhei para ele e disse: “Essa era a criança que os médicos mais famosos queriam destruir e diziam que se nascesse teria doença mental e física”.

É exatamente isso que até mesmo o bebê Jesus, o mesmo que fez esse milagre por aquela mãe, pode fazer por nós. O primeiro milagre de Jesus não foi feito na sinagoga, em Nazaré. Ele começou a curar as pessoas ainda no ventre de Sua mãe. Esse é o nosso Senhor Jesus Cristo. Somente Ele pode fazer isso.”

Padre Rufus
Retirado do livro ”Quem é Jesus?”

A festa de todos os santos

É uma alegria nos encontrarmos num dia tão importante, em que comemoramos a Festa de todos os Santos.

Estamos vivendo a semana das almas e, por decreto do Papa, podemos é a semana das almas, para ganhar para elas indulgência plenária, que é tirar almas do purgatório, pelos méritos de Cristo, e levá-las ao Céu. Isso é verdade de fé!

Esse poder Jesus deu ao Papa. Quando o Papa diz para nós: Tal pessoa está no céu, não duvide! O Espírito Santo não o deixa errar na terra em questão de doutrina. Ele pode até errar em outros assuntos, em questão de arte, cultura etc.

Vamos refletir duas coisas: os santos e os mortos do purgatório e da cura. Os santos são os nossos amigos do Céu. Toda pessoa que morre perfeitamente santa passa a ver Deus face-a-face e não cessa de interceder por nós no Céu; há alguém diante do Senhor intercenedo por nós dia e noite. Isso é dogma de fé. E essas pessoas, em comunhão com Deus no céu, intercedem por nós.

Quero dizer que há muitos católicos, infelizmente, com minhoca na cabeça, achando que não existe santo, porque ouviram doutrinas falsas.

Ponha imagens de santos na sua casa. A imagem não é sacramento, mas um sinal sacramental, por isso nós católicos não podemos ter medo. Nós não adoramos imagem, adoramos a Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. E se ajoelhamos diante do santo, não quer dizer que eu estamos adorando-o, mas pedindo sua intercessão, o que é diferente de adorar.

Meus irmãos católicos, não tenham medo de rogar a intercessão de Nossa Senhora e dos santos a Deus.

Os santos são exemplos, por isso devemos imitá-los, por isso vale a pena ler a vida deles. Quando nós os cultuamos, glorificamos a Deus, porque eles só são santos por causa da graça divina. O culto ao santo não é adoração, pois termina no coração de Deus.

Gosto de citar passagens de santos para percebemos que a nossa fé é antiga, uma fé de 2 mil anos testado no sangue dos mártires.

Os santos são alavancas maravilhosas para conseguirmos graças. São Pedro Julião Eymard, o santo adorador, diz que Jesus se esconde na Eucaristia para que você tenha a coragem de chegar até Ele, porque se Ele se apresentar como realmente é, não conseguiríamos chegar junto d’Ele.

Ele se esconde de nós para que não fujamos d’Ele, para que o pecador não tenha medo d'Ele, por isso usamos intercessores lá no Céu, os santos.

Felipe Aquino

Celebração de todos os santos e santas da humanidade

Jesus, depois de realizar o sinal da multiplicação dos pães, revela-se como o pão da vida, transcendendo os motivos da busca do povo que o encontra em Cafarnaum. A experiência de ir ao encontro e reconhecer Jesus como o Messias Salvador possibilita a comunhão amorosa com o Pai. Jesus é enviado para fazer a vontade do Pai, realizar uma missão salvadora universal, oferecer o alimento que permanece para sempre. A esperança cristã se fundamenta em Cristo, ressurreição e vida para todo o que n’Ele crê. Graças a Cristo ressuscitado somos destinados para a vida plena com Deus agora e sempre.

Jó, na 1ª leitura, mergulhado no sofrimento, proclama a esperança em Deus como o redentor, o defensor. Sua confiança o leva a esperar a salvação já no presente porque a relação com Deus, que é amor, estende-se na eternidade.

A 2ª leitura descreve o sonho profético de um novo céu e de uma nova terra, onde há felicidade plena e ausência de males. Aquele que é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, renova todas as coisas. Mediante a vida e a vitória de Cristo sobre a morte pela ressurreição, Deus revela sua graça e oferece a água viva que sacia a sede eterna.

Retirado da Revista de Liturgia

Homem novo em Jesus Cristo

"Os discípulos de Cristo revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade" (Ef 4,24). "Livres da mentira (Ef 4,25), devem rejeitar toda a maldade, toda a mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência" (1Pd 2,1) (CIC 2475).

O homem novo em Jesus Cristo não é aquele que por Ele foi salvo, pois a salvação de Jesus é para todos, mas é aquele que, ao encontrar-se com o Senhor se reconhece como fraco e que depende de Jesus. O homem novo em Cristo é aquele que não deixa de sentir os impulsos da carne, mas sabe que o que é meramente carnal passa, por isso vai em busca das coisas do alto, das coisas de Deus. Sabe que precisa de algo que o mantenha vivo e o leve para a vida eterna, e este algo só pode ser Deus.

O homem novo não elimina o homem velho, mas o enfraquece; o homem novo, naturalmente falando, é mais forte, por isso, quanto mais usado, melhor para que o velho se enfraqueça cada vez mais.

A questão é que o velho é mais experiente nas coisas do mundo em que vivemos, principalmente em se tratando dos prazeres mundanos, por isso grita dentro de nós, enquanto que o novo fala baixinho.

Pode-se dizer que a pessoa humana possui o desejo, a vontade e a liberdade. Neste caso, o desejo carnal seria a nossa concupiscência, a vontade seria a consciência, e a liberdade seria a ação. A concupiscência deseja algo, a consciência sabe o que é bom e o que não é. A liberdade seria justamente a ação feita para cada um dos lados. Aqui entra justamente o uso da liberdade de uma pessoa nova em Jesus e outra que ainda não deixa o novo agir.

O ponto é justamente o encontro pessoal com Jesus que leva a pessoa a uma verdadeira contrição e um real desejo de mudança, de vida nova em Jesus. Mas o que seria esse encontro pessoal com Jesus?

O Evangelho traz inúmeros encontros pessoais com o Senhor. Zaquel, Bartimeu, Maria Madalena, a própria profissão de fé de Pedro é prova disso. Todos estes encontros e muitos outros só aconteceram por causa de um reconhecimento do Senhorio de Jesus, ou seja, eles dependiam de Deus, pois eram fracos; e o melhor, reconheceram-se fracos. O próprio Paulo, de perseguidor, passou a defensor de Jesus e dos cristãos.

O nosso homem novo em Jesus precisa ser fortalecido com os encontros pessoais com Ele. Na oração pessoal, na conversa com Jesus, na confissão, na Eucaristia.

Todos estes e muitos outros são e devem ser encontros pessoais com Jesus, mas todos devem acontecer não somente como um cumprimento de tabela, mas com um verdadeiro reconhecimento de que o homem depende de Deus, precisa d'Ele.

Nada disso é impossível, pois, como vimos, o homem foi criado pouco abaixo de Deus (cf. Sl 8,6) e, por isso, já temos a graça que é a vontade de Deus. A verdadeira conversão só se dará quando o homem, mesmo sabendo que é um ser livre, dotado de inteligência e vontade, reconhecer-se dependente de Deus, pois só Ele pode enchê-lo. Deus é eterno e todo o resto um dia vai passar.

Como diz o catecismo, "livres da mentira, devem rejeitar toda a maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência”, pois, como está no Gênesis, "Deus viu que tudo que havia criado era bom" (Gn 1,30), inclusive o homem e a mulher.

O encontro pessoal com Jesus acontece não de forma estabelecida pelo homem, mas por Deus. O papel do homem é aceitar concretamente a sua condição de criatura dependente, até mesmo de fraco diante da grandiosa presença de Deus, e querer se encontrar com Jesus.

Deus é muito simples e quer se relacionar com cada pessoa humana. Cabe à pessoa querer relacionar-se com Ele através de sua vida, sendo um verdadeiro testemunho de conversão e santidade.

Padre Anderson Marçal

Quem nao se arrisca, nao experimenta a fe

Hoje irei partilhar uma Palavra de Deus que é um retrato de muitos momentos que acontecem em nossa vida. Vamos conferir: Marcos 4,35-41:

“Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos discípulos: “Passemos para a outra margem!” Eles despediram as multidões e levaram Jesus, do jeito como estava, consigo no barco; e outros barcos o acompanhavam. Veio, então, uma ventania tão forte que as ondas se jogavam dentro do barco; e este se enchia de água. Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram-lhe: “Mestre, não te importa que estejamos perecendo?” Ele se levantou e repreendeu o vento e o mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento parou, e fez-se uma grande calmaria. Jesus disse-lhes então: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” Eles sentiram grande temor e comentavam uns com os outros: “Quem é este, a quem obedecem até o vento e o mar?””

Muitas vezes a minha e a sua vida, se encontra assim, em meio às tempestades, tribulações, angústias e sofrimentos. Todas as vezes que nos sentimos assim, precisamos ter consciência de que em meio as aflições, Deus está com você, assim como no Evangelho que acabamos de ler, onde Jesus estava com os seus discípulos na barca, mas estava dormindo, meio que esquecido no barco. Os discípulos foram tocando o barco e só lembraram de Jesus quando a tempestade começou aumentar e eles viram que por suas forças não conseguiriam mais controlar aquela situação.

Quanta vezes fazemos o mesmo com a nossa vida. Jesus entra no barco da nossa vida, mais deixamos Ele esquecido e vamos por nós mesmo tocando o barco; esquecemos que Jesus está conosco dentro do barco. Mesmo que tenhamos enfrentando uma tempestade Jesus nunca saiu da barca da sua vida, pode ser que você não contou com Ele, mas Ele estava ali aguardando você chamá-lo e deixá-lo intervir em suas tempestades.

A presença de Jesus em nossa vida não impede que tenhamos barreiras e tribulações. Você será tentado sim, mas não será derrotado. Nós que somos de Deus, somos tentados e incompreendido, passamos por provações, porém é preciso saber que existe por trás das tentações e tribulações uma opressão. O maligno quer minar a nossa fé e a nossa vida. Mas a certeza que nos tranquiliza é que Jesus está na barca da nossa vida e podemos recorrer a Ele a qualquer hora que precisarmos.

Jesus na barca chamou a atenção e repreendeu os seus discípulos, porque eles estavam rendidos pelo medo e desesperados, como está escrito versículo 40: Jesus disse-lhes então: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” O medo faz com que a pessoa não acredite no bem, parando assim de lutar. Por isso que a Palavra de Deus diz 365 vezes “Não tenhas medo”, justamente porque ela sabe que o medo nos paralisa.

Às vezes a gente não avança porque temos medo da oposição que iremos sofrer com relação a nossa decisão, mesmo que seja para o bem, que seja o certo. Não tenhas medo de fracassar e nem de ser contrariado. Quem não consegue enfrentar os seus medos, jamais irá conhecer os seus limites.

Para que um milagre aconteça na vida da gente o mínimo que devemos fazer é acreditar que este milagre pode acontecer, depois precisamos querer que esse milagre aconteça.

Muitas vezes a graça de Deus já foi nos conferida, mas precisamos tomar posse desta graça. Isso é fé! Fé é abrir o coração, é permitir que Deus faça aquilo que Ele precisa fazer em nós. Quem não se arrisca não experimenta a fé, somente quando nós nos arriscamos é que nós avancemos além dos nossos limites. Fé é se arriscar em Deus.

Não basta eu acreditar que isso vai acontecer no outro. Muitas vezes acreditamos que Deus pode fazer na vida do outro, mas não em nossa vida. A graça de Deus não depende dos seus méritos. Mesmo que você não acredite em você mesmo, Deus não desiste de você!

Os milagres são para as pessoas que creem, mas sem fé nenhum milagre chega a acontecer. Por isso, é preciso ter fé para que o milagre aconteça! Tem pedidos que fazemos para Jesus e Ele nos atende imediatamente, mas precisamos de tempo para compreendê-lo.

Quando temos alguém que acredita em nós, vamos muito mais longe do que acharíamos que pudéssemos ir, e hoje é o próprio de Deus que diz 'vai eu confio em você!'.

Não desconfie do que Deus pode fazer em sua vida. Tenha fé! Deus te conhece e está dizendo que você consegue, e quando você não conseguir Ele está dizendo que estará ao seu lado para te amparar.

Márcio Mendes
Retirado do Blog da Cancao Nova

Crises no casamento

O amor não é meramente movido por sentimentos… E como diz a canção do Ricardo Sá, amor é decisão. E para que esta decisão aconteça de forma amadurecida e fecunda, passamos pela necessária fase do namoro.

Por isso chamamos tanto a atenção para a necessidade de haver um namoro, em que possamos conhecer o outro em seus diversos aspectos gradualmente, o que nos levará a tomar a decisão certa. O que vemos no cenário atual são diversos casamentos se desfazendo equivocadamente justamente quando os sentimentos não são mais os mesmos do início. Não devemos confundir sentimento com amor.

O sentimento modifica ao longo do dia, pode ser um às 7 h da manhã, outro ao meio dia e assim por diante, em conformidade com os acontecimentos. Acordamos bem dispostos e de repente verificamos que está faltando água para o banho ou o leite para o café da manhã. Ficamos então descontentes e nos pautamos por estes sentimentos no decorrer do dia ou a decisão de superar qualquer obstáculo ao longo do dia nos impulsionará a ir adiante independente do que venha acontecer.

O autêntico amor é decisão, é estável, persevera diante dos acontecimentos, sejam eles favoráveis ou não. É fiel e exclusivo, até a morte. E neste contexto, as crises serão oportunidades de crescimento.

Você tem feito das crises do seu casamento uma oportunidade de crescimento?

Retirado do Blog da Cancao Nova

Domingo dos que dizem e não fazem

É possível que a redação desta passagem do evangelho de Mateus reflita a época em que os cristãos já tinham sido excluídos da comunidade judaica, de forma que o texto seja muitíssimo marcado pelo contexto da polêmica entre cristãos e judeus. A descrição e caracterização dos doutores da lei e dos fariseus não concorda em tudo com o que sabemos por outras fontes. E é fundamental que nos despojemos de um certo anti-semitismo ou de uma sempre tentada comparação entre uma aliança e outra, entre uma religião e outra, como se uma fosse melhor e outra, pior.

Numa fala de cunho nitidamente profético, Jesus procura chamar a atenção para a idolatria que pode estar escondida em qualquer prática religiosa, seja do tempo de Jesus, seja do nosso tempo: a contradição entre o dizer e o fazer ou entre a atitude do coração e o gesto exterior, a ambição pelos títulos, a sedução pelo poder, a busca de prestígio e ascensão pessoal. Tudo isso pode esconder, enfraquecer ou mesmo nos afastar da relação com o único Mestre, o único Pai, o único Guia.

O final do trecho ouvido apresenta um caminho de superação desta idolatria e de unificação do coração: o serviço. Por isso, em oposição ao retrato dos escribas e fariseus, Jesus pinta o retrato dos discípulos. À soberba dos que se vangloriam de títulos, os discípulos devem responder pela humildade e pela consagração ao reino. A nossa referência é o próprio Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir”.

Desta forma, o reunir-se em comunidade, o celebrar e o cantar o louvor de Deus não dispensam a conversão e a contrição do coração. O símbolo da cruz, trazido solenemente em procissão, na saída e na entrada de cada celebração, mantém diante de nossos olhos este horizonte e esta perspectiva da contínua e constante necessidade de conversão.

Retirado da Revista de Liturgia

A Serva de todos

Toda nossa vida, quando é autenticamente cristã, está orientada para o amor. Só ele torna grande e fecunda nossa existência e nos garante a salvação eterna. Sabemos que esse amor cristão tem duas dimensões: a dimensão horizontal de amar os homens, nossos irmãos; e a dimensão vertical de amar a Deus, nosso Senhor.

É fácil falar de amor e de caridade, mas é difícil vivê-los, porque amar significa servir, e servir exige renunciar a si mesmo.

Por isso, o Senhor nos deu como imagem ideal a Santíssima Virgem. Ela é a grande serva de Deus e, ao mesmo tempo, dos homens.

Na hora da Anunciação, Ela se proclama escrava do Senhor. Entrega-lhe toda sua vida para cumprir a tarefa que Deus lhe encomenda através do anjo. Ela muda no ato todos seus planos e projetos que tinha, esquece-se completamente de seus próprios assuntos.

O mesmo acontece com Isabel. Maria fica sabendo que sua prima vai ter um filho e parte logo, apesar do longo caminho, para permanecer por três meses com ela, servindo-a até o nascimento de João Batista. Ela não se imagina superior em nenhum momento, não busca pretextos por não poder se arriscar numa viagem tão longa pelo fato de estar grávida. Faz tudo isto, porque sabe que, no Reino de Deus, os primeiros são os que sabem se converter em servidores de todos.

Também nossa própria vida cristã deve formar-se e desenvolver-se nestas mesmas duas dimensões: o compromisso com os irmãos e o serviço a Deus. Não se pode separar uma dimensão da outra. Por isso, quanto mais queremos nos comunicar com os homens, tanto mais devemos estar em comunhão com Deus. E quanto mais queremos nos aproximar de Deus, tanto mais devemos estar próximo dos homens.

O que mais nos diz o Evangelho? Conta-nos alguns acontecimentos milagrosos no encontro das duas mulheres: a criança salta de alegria no ventre de sua mãe; Isabel se enche do Espírito Santo, reconhece o Senhor presente e começa a profetizar. E nós nos perguntamos: é a Santíssima Virgem quem realiza esses milagres? Isto pode ser explicado apenas pela íntima e profunda união entre Maria e Jesus. Essa união começa com a Anunciação e dura por toda sua vida e além dela. Pela primeira vez se manifesta no encontro de Maria com Isabel.

Maria nunca atua sozinha, mas sempre numa união perfeita entre Mãe e Filho. Onde está Maria, ali está também Jesus. É o mistério da infinita fecundidade de sua vida de mãe. E se nós queremos ser como Ela, então deve ser também o mistério de nossa vida. Em que sentido? Unimo-nos, nos vinculamos com Maria, nossa Mãe e Rainha. E então, o que Ela faz? Ela nos vincula, com todas as raízes de nosso ser, com seu filho Jesus Cristo.

Maria é a terra de encontro com Cristo e ela nos conduz até Ele, nos guia, nos cuida e nos acompanha em nosso caminhar rumo a Ele. Mas Maria não apenas nos conduz para Cristo, mas traz, primeiramente, Jesus ao mundo e aos homens. É sua grande tarefa de Mãe de Deus. E em sua visita, a casa de Isabel realiza, por primeira vez, esta sua grande missão: leva a ela seu Filho. E o Senhor do mundo, encarnado em seu corpo maternal, manifesta sua presença por meio daqueles milagres.

Maria o fez há mais de 2000 anos. Mas o faz também hoje: traz Cristo a todos nós.

Padre Nicolás Schwizer
Movimento apostólico Shoenstatt

Deus tem a água que nos sacia

Nós cristãos, agraciados pelos carismas do Espírito, somos chamados a vivificar em obras os dons que recebemos de Deus. Essa manifestação dos carismas acontece das mais variadas formas, seja exercendo algum serviço na paróquia que frequentamos ou sendo referência e ponto de apoio em nossos lares (o que na maioria das vezes é o mais difícil).

Independente do “para que” fomos chamados, sabemos que o ato de servir está sujeito também à acomodação. Por consequência, surge o “qualquer jeito”. Sirvo de qualquer jeito, sou de qualquer jeito. Muitas vezes, nossos dons são sufocados pelo ritmo intenso das atividades diárias: faculdade, trabalho, projetos, entre tantas outras coisas. E acaba faltando tempo.

A primeira semente a não dar frutos é aquela que Deus nos deu. Falta-nos tempo para cultivá-la. Surge, por consequência, a justificativa de tantos irmãos: “não me sinto mais motivado, não é mais do mesmo jeito”. Com certeza não é! Não vivemos estagnados no tempo; Deus não age por conveniência, Ele age por necessidade. E a ação d’Ele surge quando você já fez a sua parte. Pela fé, crescemos no Senhor, no Seu amor. Vivemos em constante mudança esperando por Aquele que é perfeito.

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” (I Coríntios 13,11)

Como você tem tratado o dom que recebeu? Tem buscado regar diariamente a semente lançada por Deus em você? Nenhum ser humano sobrevive sem água, nenhum dom é manifestado em sua plenitude sem perseverança, sem cuidado. É Jesus mesmo quem nos diz:

“Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’ , tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.” (Jo 4,10)

“Deus tem essa água que nos sacia, Ele tem a motivação que precisamos”

Deus tem essa água que nos sacia, Ele tem a motivação que precisamos. Então, agora cabe a nós pedir e ser saciados, ter Fé e manifestá-la em obras. É fácil? Impossível é que não é. Rever nossos passos também é necessário. Algumas reflexões nos permitem identificar a erva daninha que teima em nascer ao nosso lado e sufoca os bons frutos que temos a dar. Não podemos nutrir a vida que Deus nos deu com pensamentos de “não é mais como era antes”, pois nunca vai ser, irmão. Vivemos em constante movimento, passivos às mudanças externas e internas, mas Deus continua vivo e presente em nossa vida; é Ele quem quer “fazer novo aquilo que você já faz ou fez”.

O primeiro a ser atingido pelo serviço que se exerce na igreja é aquele que o faz. Se o faz bem, certamente a graça passará primeiro por ele. Não queira aparecer mais do que Deus, não busque reconhecimento, não use seus dons para se promover; mantenha sua essência, pois ela certamente é santa.

Um dos artigos do Portal Canção Nova cita um trecho do livro “Words of inspiration”. O Beato João Paulo II diz neste:

“Muitos sabem o que você faz e o admiram e o valorizam por isso. Mas a sua verdadeira grandeza está naquilo que você é. O que você é na essência talvez seja menos conhecido e pouco entendido. Essa verdade só pode ser compreendida à luz da nova vida, revelada em Cristo. Somente n’Ele você será uma nova criatura”.

É nessa certeza que devemos viver. Não paremos no tempo, cresçamos também no amor de Deus; bebamos dessa água viva que Ele nos oferece, alimentemo-nos da Eucaristia e da Palavra , busquemos a motivação diária que Ele está disposto a nos dar. “Pedi e recebereis”.

Deus tem sempre um novo a fazer em nossa vida!

Márcia Sena
Grupo de Oração Vencedores por Cristo