Amigo Fiel

Ruth olhou em sua caixa de correio, mas só havia uma carta. Pegou-a e olhou-a antes de abri-la. Mas logo parou, para observar com mais atenção. Não havia selo nem marcas de correio, somente seu nome e endereço. Ela decidiu ler a carta:

"Querida Ruth.
Estarei próximo de sua casa, no sábado à tarde, e passarei para visitá-la.
Com amor,
Jesus"

As mãos da mulher tremiam quando colocou a carta sobre a mesa.

"Por que o Senhor vai querer visitar-me? Não sou ninguém especial, não tenho nada para oferecer-lhe..." - pensou. Preocupada, Ruth recordou o vazio reinante nas estantes de sua cozinha. "Ai, não! Não tenho nada para oferecer-lhe. Terei que ir ao mercado e comprar alguma coisa para o jantar". Ruth abriu a carteira e colocou o conteúdo sobre a mesa: R$5,40. "Bom, comprarei pão e alguma outra coisa, pelo menos." Ruth colocou um casaco e se apresou em sair.

Um pão francês, um pouco de peru e uma caixa de leite... Ela ficou somente com R$0,12 que deveriam durar até segunda-feira. Mesmo assim sentiu-se bem e saiu a caminho de casa, com sua humilde compra debaixo dos braços.

- Olá, senhora, pode nos ajudar?

Ruth estava tão distraída, pensando no jantar, que não viu as duas pessoas que estavam de pé no corredor. Um homem e uma mulher, os dois vestidos com pouco mais que farrapos.

- Olhe, senhora, não tenho emprego. Minha mulher e eu temos vivido ali fora na rua. Bom, está fazendo frio e estamos sentindo fome. Se a senhora pudesse nos ajudar, ficaríamos muito agradecidos...

Ruth olhou para eles com mais cuidado. Estavam sujos e tinham mal odor, e , francamente, ela estava segura de que eles poderiam conseguir algum emprego, se realmente quisessem.

- Senhor, eu queria ajudar, mas eu mesma sou uma mulher pobre. Tudo o que tenho são umas fatias de pão, mas receberei um hóspede importante para esta noite e planejava servir isso a ele.

- Sim, bom, sim senhora, entendo... De qualquer maneira, obrigado - respondeu o homem.

O pobre homem colocou o braço em volta dos ombros da mulher, e os dois se dirigiram para a saída. Ao vê-los saindo, Ruth sentiu um forte pulsar em seu coração.

- Senhor, espere!

O casal parou e voltou, à medida que Ruth corria para eles e os alcançava na rua.

- Olhem, querem aceitar este lanche? Conseguirei algo para servir ao meu convidado - dizia Ruth, enquanto estendia a mão, com o pacote do lanche.

- Obrigado, senhora, muito obrigado.

- Obrigada, disse a mulher.

Foi aí que Ruth percebeu que a mulher tremia de frio.

- Sabe, tenho outro casaco em minha casa, tome este - ofereceu Ruth. Ela desabotoou o próprio casaco e o colocou nos ombros da mulher. Sorrindo, voltou a caminho de casa... sem casaco e sem nada para servir a seu convidado.

- Obrigado, senhora, muito obrigado - despediu-se, agradecido.

Ruth estava tremendo de frio, quando chegou à porta de casa. Agora não tinha nada para oferecer ao Senhor. Procurou a chave rapidamente na bolsa, enquanto notava outra carta na caixa de correio. "Que raro, o carteiro nunca vem duas vezes em um dia" - pensou. Ela então apanhou a carta e abriu-a:

" Querida Ruth.
Foi bom vê-la novamente. Obrigado pelo delicioso lanche e pelo esplêndido casaco.
Com amor,
Jesus"

O ar estava frio e, embora sem casaco, Ruth nem percebeu.

Autor desconhecido.

Colírio da vida!


A vida é sempre imprevisível. Aliás, se fosse programada seria muito triste. Que bom que a vida foge de nossos programas. Ela é sempre maior que nossos planos e projetos. Nem sempre veremos os resultados do que fazemos. Nenhuma semente jamais vê a flor ou o fruto. É bom lembrar essa verdade, especialmente diante dos momentos difíceis que teremos de superar.

Um dos grandes segredos para um coração curado é aprender a enxergar a vida pelo ângulo correto. Ainda que os acontecimentos sejam difíceis, a chave para nossa felicidade está no modo como reagimos.

Do mesmo jeito que a poeira atrapalha nossa visão, e de vez em quando é preciso pingar algumas gotas de colírio para limpar os olhos e tirar o ardume, os olhos do nosso coração precisam receber muitas gotas do colírio da vida, com o qual Jesus veio nos presentear pela graça da cura interior.

“[...]desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus (…) e não vos deixeis abater pelo desânimo (Hb 12,1b.3).

O desânimo que nos abate é muito mais fruto do modo como olhamos para os problemas do que dos problemas em si. Temos aqui dois grandes segredos: enxergar com os olhos do coração e mirar no alvo seguro apontado por Jesus.

Assim como um bom músico educa seu ouvido para perceber as pequenas vibrações dos acordes, precisamos educar nossos olhos e os olhos do nosso coração. Isso requer tempo e persistência. Para isso necessitamos de um bom mestre, tal como um aluno de artes plásticas necessita que seu professor lhe empreste os olhos para observar os detalhes de uma obra: cor, luz, sombra, profundidade, entre outros.

Nosso Mestre é Jesus! Sua postura é sempre de alguém que enxerga além do óbvio. Quem vê somente o óbvio não enxerga. Jesus manda olhar para as coisas, para as pessoas e para os acontecimentos de um jeito novo. Ele tem um olhar que vai além da convenção social. Por isso, enquanto todos viam uma prostituta, Ele enxergava uma discípula. Jesus não olhava a partir dos preconceitos. Ele estava sempre desarmado e ajudava as pessoas a se desarmarem.

O Senhor não tinha medo de se aproximar das pessoas. Permitia que elas O tocassem. Sentava-se com elas. Frequentava a casa até de pessoas de má fama. E se misturava com os pecadores e marginalizados. Sua opção pelos excluídos é um ensino espetacular de cura interior. Jesus enxergava a alma da pessoa. Por isso acreditava na capacidade de mudança. Só quem vê o que está escondido é capaz de projetar algo novo. Quem não vê além do óbvio não sonha!

O colírio de vida, receitado e usado por Jesus, precisa ser empregado com muita frequência por todos aqueles que se encontram sedentos dessas gotas de cura interior.

Padre Leo
Retirado do livro: Gotas de cura interior

9ª Caminhada com Maria - 2011

Dia 15/08 às 14h00, acontece a 9ª Edição da Caminhada com Maria, com o tema, Caminhamos com Maria, acolhendo Jesus, a palavra de Deus. 

Às 14h00 começa a concentração no Santuário de Nossa Senhora da Assunção sob a ponte do rio Ceará, no inicio da av. Leste Oeste. Todos os fieis seguem em caminhada num percurso de oito quilômetros, a partir das 16h00, levando consigo a berlinda de Nossa Senhora de Assunção, em direção a Catedral Metropolitana de Fortaleza, onde haverá a coroação da imagem da Virgem Maria. 

HORÁRIO DAS MISSAS
06:00MISSA presidida por Pe. José Maria
08:00MISSA presidida por Dom José Luis
10:00MISSA presidida por Dom Rosalvo / Pe. Fernando
12:00MISSA presidida por Pe. Sales
HORÁRIO DAS CONFISSÕES
08:00 às 12:00
ABERTURA OFICIAL DA CAMINHADA COM MARIA
14:00Abertura com Dom. José Antonio


Entrevista com o Pároco do Santuário de Fátima, Pe. Francisco Ivan de Souza, coordenador da Caminhada com Maria.

Mais vinho

Jesus é Deus-humano, capaz de compreender, experimentar e ajudar a aliviar nossas dores. Vai também às festas para participar das alegrias do convívio humano e motivá-las para que tenham consistência enobrecedora. Mostra-nos a justa alegria de convivermos como família unida, no respeito de uns aos outros e colaboração para que todos se sintam amados.

No caso do primeiro milagre nas bodas de Caná, mostra seu respeito e obediência à sua mãe, bem como sua sensibilidade em relação aos apuros dos promotores daquela festa de casamento.

Qual rainha Ester, intercessora junto ao rei, pedindo a salvação do povo judeu (Cf. Est 5, 1-2; 7, 2-3), Maria pede a seu filho providência para salvar o bom andamento da festa. Ela, atenciosa, sabedora dos acontecimentos dentro da organização festiva, recorre a quem tem a solução para o impasse. Ela conhece o filho e seu poder. Não duvida. Usa a sabedoria de mãe. Solicita a ação de Jesus. Ele reconhece a preocupação da mãe. Adianta seu projeto de manifestação pública de sua pessoa e de sua missão. O pedido da mãe não pode ser rejeitado.

Esta senhora, humilde serva do Senhor, está presente na história da salvação da humanidade. Segue os passos do Filho até o fim, cooperando com o plano redentor de Deus. Ela não tem poder por si mesma. Mas é cheia de poder sobre o Filho, que a respeita como mãe. Também nós tudo podemos com a força do Cristo. Se tivermos na condição de miserabilidade ou impossibilidade de superar nossos limites, recorremos a esta mulher, que tem força diante do filho e não nos é negado qualquer bom pedido.

Na vida, há falta frequente do vinho da alegria na convivência justa, fraterna e misericordiosa. Quanta coisa precisa e pode ser modificada para que aconteça a festa da vida digna e realizadora para tantas pessoas e famílias! Tendo Maria ao nosso lado, somos capazes de solidariedade para com os sofredores e deixados de lado.

Arregaçamos as mangas de nosso potencial humano para ajudarmos a comunidade e a sociedade nos encaminhamentos necessários de promoção do bem de todos.

Recorremos à oração, ao trabalho solidário, à promoção da boa política, damos de nosso tempo para cuidarmos de crianças, de adolescentes, de idosos carentes de ajuda e carinho.

Imitamos a mãe de Jesus na solidariedade para com os que vivem nos mais diversificados apuros da vida.

A Mãe Aparecida peça ao Filho por todos, especialmente para os que podem ajudar e ainda não o fazem!

Arquidiocese de Montes Claros

Domingo da tempestade acalmada

A 1ª Leitura nos mostra que por permanecer fiel a Deus, o profeta Elias é perseguido pela Rainha Jezabel e foge para o deserto. Vendo como Deus se manifestou a Elias, recebamos esta Palavra no meio das dificuldades que enfrentamos.

Depois de ter enfatizado que a salvação é para todos. São Paulo, nesta segunda parte da carta aos romanos, diz o que sente em relação ao povo judeu, diz a 2ª Leitura.

O Evangelho nos mostra que, depois da multiplicação dos pães, Jesus deixa seus discípulos atravessarem sozinhos o lago de Genesaré.

O episódio do mar faz a gente se lembrar de uma outra história, contada no livro do Êxodo, quando o povo teve de enfrentar o Mar Vermelho para se livrar dos Egípcios. Também tem relação com o caso de Elias, que enfrentou o deserto para se livrar da perseguição e, nesta fuga, viveu a experiência de ser amparado por Deus.

A boa Notícia deste Evangelho é saber que Deus não age de maneira violenta, mas se confunde com a brisa mansa e a calma o mar.

É a certeza da presença de Jesus no meio da noite e da tempestade: coragem, sou eu, não tenham medo! Deus se revela como aquele que socorre. É o Deus da brisa mansa e não da violência!

Da nossa parte, pede que sejamos pessoas mais gratuitas, que vivem a luta como ação de Deus e não nossa. Isso faz com que busquemos a paz interior e superemos todo o tipo de agitação inútil.

Jesus pede de nós uma fé baseada na confiança e na comunhão com ele. Para isto é preciso exorcizar o medo que nos paralisa.

Nesta celebração, peçamos que o Senhor realize em nós a paz verdadeira fruto da confiança nele.

Façamos a experiência de sermos libertados por Deus e de confessarmos: verdadeiramente, Tu és o Filho de Deus.

Atenciosamente,
Francisco Ivan de Sousa
Pároco do Santuário de Fátima

Onde está a verdadeira santidade?

O que é a verdade? (Jo 18, 38) - perguntou Pilatos quando, embaraçado ante a integridade substancial do Salvador e abalado pela força de suas palavras, via-se instado a condená-Lo.

Essa interrogação do governador pagão surge, em certo momento da vida, na mente de todos os homens. Com efeito, o ser humano, na sua condição racional, busca a verdade instintiva e constantemente, e não terá a paz autêntica enquanto não a tiver encontrado.

Mas, se se pode dizer que, em certo sentido, a santidade é a verdade, logo brotará no espírito humano uma segunda indagação: Onde está a santidade?

A santidade é ter gravado dentro de si o conceito de que Deus é a Verdade. Não basta, porém, tomar tal princípio como um mero ditame da razão, que a inteligência aceita sem o menor movimento da vontade. Pois se eu não o abraçar com amor, em breve passarei a considerá-lo segundo os meus próprios critérios e inclinações, tisnados pelo pecado original.

Nosso Senhor veio ao mundo para destruir o pecado e ensinar aos homens o caminho da virtude, mostrando-lhes, por seu adorável exemplo, no que consiste a prática da santidade. Ela impõe, primeiramente, um relacionamento com Deus, enquanto Pai bondoso e misericordioso, mas, ao mesmo tempo, Senhor que quer ser respeitado e obedecido em razão dessa mesma Bondade e exigirá contas de todas as nossas ações.

Em segundo lugar, a santidade nos obriga a um relacionamento vigilante com nossa própria consciência, pondo de lado as veleidades do orgulho e os demais caprichos, a fim de conhecer os desígnios de Deus a nosso respeito, procurando a perfeição, conforme Ele mesmo preceituou: "Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5, 48).

A santidade deve traduzir-se também num terceiro grau de relacionamento, que diz respeito ao próximo. Nosso trato com os demais será, então, um contínuo intercâmbio de virtudes, buscando conduzir os outros rumo à perfeição, bem como utilizá-los como instrumentos para alcançar a própria santificação. Todo convívio humano precisa, pois, visar a santidade, sob pena de transformar-se num comércio de interesses e de egoísmos.

Por fim, a via da perfeição nos abre um quarto relacionamento, sintetizado por Nosso Senhor em seu mandato aos Apóstolos: "Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16, 15). Com efeito, "toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus" (Rm 8, 19), e quem deseja a santidade deve usar das criaturas com esse fim, como um meio para chegar ao Criador.

Entretanto, se tão elevada é a vocação de um batizado, qual não será o dever daqueles que Deus escolhe, não apenas para segui-Lo, mas para serem seus ministros, "operários de sua messe" (cf. Mt 9, 38), mediadores entre Ele e o grande rebanho da Igreja?

Dado que, por sua missão e condição, o sacerdote está inteiramente consagrado ao serviço de Deus e do próximo, a ele cabe a obrigação urgente de abraçar a santidade e constituí-la como supremo objetivo e sentido da vida, para ser de fato "o sal da terra" (Mt 5, 13), edificando pelas obras, iluminando pela palavra, arrastando pelo exemplo...

Revista Arautos do Evangelho

Amar se aprende amando

Se colhêssemos o verbo amar analisando-o somente gramaticalmente, veríamos que se trata, obviamente, de um verbo transitivo direto. Quem ama, ama alguém ou alguma coisa. É, portanto, verbo que exige um objeto, um motivo, uma causa que lhe dê razão e lhe dê sentido de existência. Não existe sem este complemento, pois, do contrário, estaria fadado à inutilida-de. Não somente na frase ou no discurso o verbo amar carece desse algo mais que o justifica Também nas nossas vidas e no nosso coração esta verdade é plena de significado, haja vista que, ao conjugá-lo sem essa razão que lhe dá alicerce, o nosso aprendizado afetivo não existi-ria. Cristãos zelosos que muitas vezes achamos que somos, somos levados a exercer o nosso amor tendo em vista o objeto essencial da nossa vida: o próprio Cristo ressuscitado, que já na sua cruz havia atestado, sob a sua dor e sofrimento, que era a humanidade pecadora e alge-mada pela maldade o objeto primordial de Sua paixão. Levando-se em conta essa conclusão, ao colocarmos Cristo como meta de nosso amor, estaríamos selando essa obra que, afinal de contas, é a razão de ser de toda a criação operada por Deus. Seria perfeito e lucraríamos o Céu se atingíssemos esse objetivo. No entanto...

Falar de amor, hoje, é uma facilidade sem tamanho. Virou rima pobre de música, discur-so barato na azaração dos jovens e desculpa para crimes e barbaridades; enfim, perdeu quase que completamente a excelência dada por Jesus em Sua vida. Depois de milênios quebrando a cabeça ao tentar se abrir em direção aos outros e a Deus, o homem parece ainda infantil ao definir o significado pleno do ato de amar na sua existência. E, como o significado exato lhe escapa pela sua teimosia em não escutar a Deus que mora em si, ele vai chamando de amor qualquer coisa que se assemelhe a este sentimento, segundo seu juízo ferido e perdido.

É interessante como, na boca de Cristo, a palavra amor ganha um significado intenso e simples. Ele ordena: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei! Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sereis meus ami-gos se fizerdes o que vos mando. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros!” (Jo 14, 12-17). Nota-se que é uma exortação, uma necessidade, um pressuposto lógico para se obter a tão desejada salvação. Não há caminhos miraculosos ou misteriosos para se chegar à Graça – o amor consegue ser, ao mesmo tempo, causa e conseqüência, ação e reação, contração e distensão. Para o homem, porém, o amor é o pior dos caminhos, a mais falha, decadente e sem-graça das suas aspirações, porque ele não busca atar esse elo com Deus (e, é claro, con-sigo mesmo). Ele busca ater-se ao seu egoísmo, à sua humanidade, tentando assim vivenciar uma mudança de vida a partir de suas próprias forças, falhas e poucas. Amar torna-se um far-do, um peso, porque é verbo que pede como objeto, além de próprio amante, o amado, que é sua razão de ser...

Segundo Dom Amaury Castanho, “(...) é fácil perceber, no conjunto da mensagem do Nazareno, que o Reino de Deus se caracteriza pelo amor e a justiça, a pobreza e a paz, a gra-ça divina, a verdade e a simplicidade”. O amor é a substância do Céu. Aliás, o amor é a essên-cia de Deus, e ele torna-se “preso” à ela quando nos elege como objeto de seu amor, posto que ele só sabe amar, na infinitude de si. Essa “prisão” é, para nós, o verdadeiro significado da li-berdade, mas não a buscamos porque nos prendemos ao pecado que há em nós, trazido como herança pela desobediência primeira da humanidade, que quebrou, no início da criação, esse elo com Deus, que é aliança de amor e a própria história da salvação de todos nós.

O ato de amor deve concluir-se com total perfeição, a fim de conseguirmos a eternidade. Exige-se, pois, um sujeito, um verbo e um seu objeto para que, unidos entre si, perfaçam o sen-tido da caridade que Cristo legou em Sua Palavra. Um sujeito que, livre e espontaneamente, almeja agir para obter o amor; um verbo que, em si, já expressa esse desejo de buscar o outro para atingir o seu pleno significado; e, por fim, um objeto que deseja receber esse amor para, respeitada a aliança, devolvê-lo em maior magnitude. O verbo a escolher é o amor. Nós, então, devemos ser este sujeito de amor e Deus deve ser objeto da nossa ação, haja vista que Ele, na nossa vida, já conjugou, antes e infinitamente, o verbo amar em nós e na nossa existência...

Os santos souberam escolher o objeto de seu amor e, por isso, gozam do Céu. Entre e-les, destaca-se sua Rainha, Maria, Mãe Santíssima de Jesus, que fez do seu “sim” sinal claro de sua opção pelo amor maduro e desmedido, impulsionado pela grandeza de Deus que abra-ça sua pequenez (cf. Lc 1, 38). Ninguém amou como ela o Verbo Amor de Deus, guardando-o em seu seio e conduzindo-o com sua maternal afeição.

Ela soube descobrir o segredo e o mis-tério de amar, fazendo a simples escolha pelo amor, sem grandes ambições e sem se apegar a si mesma e à sua humanidade. De Maria, aprendemos o amar que é ação de Cristo, substância e essência de Deus. Amar na coragem e na ousadia que quem já se sabe objeto especial des-se Amor...

Retirado do Site da Comunidade Shalom

Leigos: discípulos missionários

"Os cristãos leigos são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, homens e mulheres do mundo no coração da Igreja” (DA 210.).

João Paulo II dizia-nos “a Evangelização do Continente não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos” (EAM 44).

Celebraremos em todas as comunidades agosto como mês das vocações. A primeira semana é dedicada à vocação sacerdotal, a segunda à família, a terceira aos religiosos(as), a quarta semana aos cristãos leigos e leigas. Será um momento especial de ação de graças por muito trabalho realizado e proposta a todos para que sejam discípulos missionários.

O Documento de Aparecida retoma e reafirma as posições do Concílio Vaticano II de que os leigos são membros efetivos do povo de Deus e são Igreja. Duas são as dimensões da vocação laical. Primeiramente, os leigos são chamados a exercer diversas ações na comunidade eclesial e em diferentes formas de apostolado. Devem dar seu testemunho de vida e assumir diversos ministérios e serviços na evangelização, na catequese, na animação de comunidades, na liturgia, dentre outros (Cf. DA 211). A outra dimensão é a de atuar no mundo, “a vinha do Senhor”, com a tarefa de ser fermento, sal e luz seja pelo testemunho seja pela ação transformadora na construção da sociedade justa e solidária, conforme os critérios evangélicos. Essa missão específica deve ser vivenciada pelos leigos na política, na realidade social, na economia, nos meios de comunicação, nos sindicatos, no mundo do trabalho urbano e rural, na cultura, na família e em tantas outras realidades (Cf EN 70 e DA 210).

Para realizar sua missão, com competência e responsabilidade, os leigos “necessitam de sólida formação doutrinal, pastoral, espiritual e adequado acompanhamento para darem testemunho de Jesus Cristo e dos valores do Reino na vida social, econômica, política e cultural” (DA 212).

O protagonismo dos leigos está presente na caminhada da Igreja por itermédio de todos os seus fiéis e de suas lideranças que promovem e levam à frente a tarefa da evangelização sempre em união com seus pastores.

Para contribuir nesse processo a CNBB possui uma Comissão Episcopal para o Laicato que tem como função, na Igreja do Brasil, promover a vocação e missão, formação e espiritualidade dos leigos, bem como sua organização e atuação na Igreja e na sociedade. Fazem parte da Comissão Episcopal do Laicato os Setores Leigos, Juventude, CEBs, CNLB (Conselho Nacional dos leigos do Brasil) e todos os movimentos eclesiais. A Comissão tem relação de comunhão com o CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil e com os Movimentos e Associações Laicais. O CNLB congrega os Conselhos Regionais, movimentos, associações laicais, pastorais e outros organismos de leigos. Os CNLBs regionais e diocesanos são importantes, pois articulam os leigos em toda a tarefa da evangelização. São expressões vivas e dinâmicas da presença e da força dos leigos nas comunidades.

Ao celebrar as vocações dos cristãos leigos e leigas queremos expressar nossa mais profunda gratidão por tantos homens e mulheres que, vivendo sua fé, testemunham seu amor a Jesus Cristo e à Igreja, na dedicação de seu tempo a serviço dos demais irmãos. Deus abençoe tantas iniciativas de transformação social e presença evangelizadora nas comunidades, paróquias, dioceses e na sociedade. O Documento de Aparecida, ao apresentar a vocação dos leigos (n. 210), afirma “os fiéis leigos e leigas, discípulos e missionários, são luz do mundo”. Sim, discípulos missionários. Sempre aprendendo como discípulos e missionários porque comunicando o amor de Deus aos irmãos para construir juntos um mundo mais justo e fraterno.

Vamos agradecer a Deus a tantos leigos e leigas, catequistas, dizimistas, lideranças que estão em nossas pastorais, nos organismos, nos movimentos, nas CEBs, nas pastorais da juventude e nos movimentos juvenis construindo o Reino de Deus e buscando uma nova sociedade. Sempre precisamos de “muitos leigos e leigas no coração do mundo e muitas leigas e leigos no coração da Igreja”.

Dom José Luiz Bertanha
Retirado do Blog da Canção

A felicidade maior

Em tempos em que todos buscam as mais variadas maneiras para alcançar a felicidade, desde receitas, dicas, conselhos, recomendações, ideologias, filosofias e promessas de todo tipo, neste emaranhado de coisas muitas escolhas se transformam em tragédias.

Muitos caminhos percorridos não levam a nada. As perguntas e as buscas continuam e em muitas vezes falta acreditar que a solução mora ao lado, dentro de ti, no teu coração. Os relacionamentos vividos na confiança e na liberdade de quem acredita que sozinhos não chegamos a lado nenhum, constituem a base de uma pessoa feliz.

Lendo a Sagrada Escritura me deparei com a seguinte frase: "Três coisas me satisfazem e agradam ao Senhor e aos homens: concórdia entre irmão, amizade entre vizinhos e mulher em harmonia com seu marido. Há também três tipos de pessoa que eu detesto e cujo comportamento me irrita profundamente: o pobre orgulhoso, o rico mentiroso e o ancião adúltero e sem bom senso".

Há nove coisas que, no meu íntimo considero feliz, e a décima eu proclamo com minha boca: o homem que se alegra com seus filhos; (Ecle 25,1-3;7). Acredito que toda a riqueza que se possa acumular, não será tão importante como a concórdia dentro de casa, a amizade com quem mora do meu lado, a harmonia conjugal. Que felicidade! Parece impossível, mas não é.

Tenho acompanhado algumas famílias e visto com meus olhos irmãos saírem juntos, organizarem passeios, acampamentos com outros jovens para orar, refletir e refazer os relacionamentos. Tenho visto casais que deixam tudo para passar um fim de semana retirados nos centros de formação, a fim de recuperar o primeiro amor, recomeçar o compromisso assumido diante do Altar.

Já acompanhei festas e convivências de vizinhos cujos muros e cercas elétricas não impedem a boa convivência e mútua ajuda. Isso vale mais do que qualquer amontoado de riquezas. Ninguém pode dar tamanha felicidade, a não ser o amor de Deus derramado nos corações, fazendo-nos amar por primeiro, amar a todos, amar sempre.

O outro, o próximo, é um presente mesmo não querendo conviver com ele. Hoje parece haver muitos caminhos a percorrer na busca da realização pessoal, mas um só caminho pode garantir o êxito e a satisfação de uma vida feliz aqui neste mundo: ter feito ao outro aquilo que você gostaria que fizesse a você. Assim levaremos no coração a harmonia dos relacionamentos, a transparência das atitudes, a consciência de ter amado o outro como a si mesmo.

Por isso não existe hora marcada para ser feliz, a vida é um jogo contínuo, em que a vitória final será daquele que sempre fez o "bem sem olhar a quem".

"Se um homem guarda rancor contra o outro, como poderá pedir a Deus que o cure? Se não usa de misericórdia para com seu semelhante, como se atreve pedir perdão de seus próprios pecados?" (Ecle 28,3). Aqui está a maior felicidade!

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

O tic tac do relógio: tudo tem o seu tempo.

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus”. Ecle 3,1

Diante deste versículo qual é a nossa reação? Se para tudo há um tempo, se para cada coisa há um momento, como fazer para viver de bem com o relógio, de bem com o tempo?

A nossa vida se dá ao ritmo de um relógio, estamos dentro do tempo: segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos.

Estamos sempre correndo atrás de tudo: cronogramas, compromissos no trabalho, na escola, na universidade. Hora para acordar, hora para almoçar e diante dessa pressão, o tic tac do relógio nos dá a impressão de estarmos sempre em atraso. Por fim nos acostumamos e tiramos de letra. Mesmo assim, nos deparamos diante de situações que fogem do nosso controle. Isso acontece quando não temos respostas ou soluções para todos os nossos problemas. Pedimos ajuda de Deus e a impressão que temos é que Ele sumiu, olhamos para o relógio e tudo continua na mesma.

Neste momento o tempo parece se tornar nosso inimigo. Chegamos ao “desespero”.

Conclusão: Além de atrasados começamos a viver também desesperados! Lendo um livro de Dom Bosco encontrei algo que me marcou e peço a Deus que marque você também: “Do alto de uma parede branca, um relógio de sol lhe deu a primeira saudação; debaixo do quadrante das horas estava escrito: Para os tristes lentas, velozes para os alegres passam as horas.” (Trecho do livro ”Um sonho Uma vida” – Terésio Bosco)

Era um bom conselho para um moço que se preparava para passar seis anos a fio entre as paredes de um seminário e precisava vencer a guerra do tempo. A mesma que acontece dentro de nós: Hora estou atrasado x hora Deus está. Isso , se podemos dizer que Deus está mesmo em atraso.

Por isso precisamos construir corações que fiquem no aguardo da vontade de Deus!

É tempo de construir, de darmos risadas e sermos felizes em meio a um mundo que nos assusta, mesmo diante das dificuldades que estamos enfrentando.

O dia a dia das pessoas tem se transformado em ansiedade e tensão portanto proponho a você um desafio: Viver de bem com o tempo! Só assim teremos o tempo ao nosso favor!

“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” Mateus 6,34 “Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia”. 2 Pedro 3,8

É hora de nos lançarmos nos braços de Deus que é o Senhor do tempo.

Desesperar Jamais!
Tem Jeito
Retirado do Blog da Canção Nova