Deus descansou, e nós?

"Deus nos dá este mundo para que vivamos numa solidariedade geradora de paz. "No sétimo dia, Deus concluiu toda obra que tinha feito; e no sétimo dia repousou de toda obra que fizera" (Gn 2,2ª). Este dia, o sétimo, reveste-se de grande importância no contexto do primeiro relato da criação, pois nele, Deus "concluiu" a sua criação.

Desta forma, é no dia chamado de sábado e através dele, que o homem e a mulher vão reconhecer a realidade na qual vivem e percebe-se criação de Deus". (texto base da campanha da fraternidade/2011 – nº 119).

"Então podemos nos interrogar: o que Deus acrescentou com o descanso às obras da Criação, se já havia concluído no sexto dia? O que ainda faltava para a criação, se já se encontrava acabada? A resposta é o próprio descanso, do qual emergem a bênção e a santificação do sétimo dia, ou seja, deus conclui a criação com a sua bênção. É do repouso de Deus que emergem a bênção e a santificação do sábado. A obra da criação tem sua conclusão com o descanso do Criador. O Deus que descansa no sétimo dia é o criador que descansa de toda obra que fizera. No dia do repouso, o Criador também se recolhe novamente a si, o que não significa um retorno a existência eterna anterior à criação do mundo e das pessoas, mas deixa de criar e, junto com a sua criação, descansa e a contempla". (texto base da campanha da fraternidade/2011 – nº 122).

"Podemos dizer que Deus, não somente descansa de sua criação, mas que este descanso se dá em sua obra, que está diante dele, e Ele presente nela". (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 123 parte). "O próprio Deus mostra o repouso como exigência para a vida humana e para a natureza, quando estabelece o ano sabático e o ano jubilar (cf. Lv 25,1-22): o descanso deve ser respeitado não apenas para o ser humano, mas também para toda a natureza. Sem descanso, não pode haver nem sequer vida natural de qualidade". (texto base da campanha da fraternidade/2011 – nº 125).

"Nós cristãos entendemos que o sentido original do dia festivo está na celebração da ressurreição de Jesus, fato primordial sobre o qual se apoia a nossa fé. O domingo cristão deve ser visto como a expansão messiânica do sábado de Israel. O domingo, dia festivo cristão, entendido e vivido como o "dia do Senhor", não somente antecipa o descanso do final dos tempos, mas indica o início da nova criação". (texto base da campanha da fraternidade/2011 – nº 126).

"Segundo a concepção cristã, a nova criação começa com a ressurreição de Cristo. O jardim da ressurreição é o novo jardim do Éden, o lugar da recriação. O casal humano se reencontra num universo que não é o túmulo, mas o jardim, lugar da vida e não da morte. Se o sábado de Israel permite olhar em retrospectiva para as obras da criação de Deus e para o próprio trabalho das pessoas, a festa da ressurreição olha para frente, para o futuro da nova criação. Se o sábado de Israel permite participar do descanso de Deus, a festa cristã da ressurreição permite participar da força que opera a recriação do mundo. Se o sábado de Israel é primordialmente um dia de reflexão e de agradecimento, a festa cristã da ressurreição é primordialmente um dia de início e de esperança". (texto base da campanha da fraternidade/2011 – nº 127).

"Este mundo sem o descanso de Deus, de sua presença, corre o risco de se converter em fábricas que poluem e de homens e mulheres que atuam em um mercado de trabalho gerador mais de morte, que de vida propriamente". (texto base da campanha da fraternidade/2011 – nº 129 parte).

Dom Anuar Battisti
Retirado do Site da Arquidioceses de Maringá

5º Domingo da Quaresma - Domingo da ressurreição de Lázaro

João estruturou de tal forma o seu evangelho que a narração da ressurreição de Lázaro ocupa o lugar do sétimo e último sinal onde Jesus manifesta a glória de Deus e realiza sua missão de dar vida ao mundo. As cenas estão cheias de alusões a esta passagem: dia e noite, luz do dia e luz da fé, dormir e morrer, vida e morte. O uso da frase “eu sou”, lembrando a revelação de Deus a Moisés na sarça ardente, expressa que, neste gesto de restituir a vida aos que são seus, Jesus torna-se a nova revelação do amor de Deus ao seu povo. Ao mesmo tempo, a ressurreição de Lázaro prefigura a ressurreição de Jesus. Note-se, por exemplo, o simbolismo dos panos e dos três dias. Paradoxalmente, este episódio da ressurreição de Lázaro torna-se o pretexto da morte de Jesus, tornando-se, assim, a introdução narrativa da sua paixão. O texto alcança o seu ponto alto, tal como nas narrativas da samaritana e do cego de nascença, na profissão de fé. É Marta quem se faz porta-voz de toda a comunidade dos fiéis ao proclamar: "Sim, Senhor, eu creio que és o Messias, aquele que devia vir ao mundo".

A ressurreição de Lázaro é parábola do caminho catecumenal e, consequentemente, da vida do discípulo(a), chamado(a) a passar do medo da morte para a liberdade de filho e filha de Deus. Não se trata apenas de um caminho intelectual ou de uma crença, mas de uma passagem total e de uma mudança de condição. A vida do batizado implica rupturas e mudanças radicais com determinadas práticas de vida, ao mesmo tempo em que ele é inserido numa nova comunidade de vida. A figura de Lázaro, preso dentro do sepulcro e amarrado em faixas, torna-se, assim, o protótipo do discípulo que, ao chamado de Jesus, precisa sair do seu mundo - e o sepulcro é uma imagem muito forte disto - para ganhar a vida. Neste processo, intervêm dois atores fundamentais. Em primeiro lugar, é claro, o próprio Cristo, que age e intercede junto do Pai e que, ao seu chamado, traz o morto para a vida. Mas também a comunidade, que avisa o Senhor do acontecido, que professa sua fé e que, por fim, desamarra o próprio Lázaro. Este último gesto é sinal da ação comunitária que contribui na caminhada de conversão e mudança dos seus membros.

Esta passagem da morte à vida - e Jesus é bem claro ao responder a Marta, que sua promessa de ressurreição é para hoje - se cumpre no aqui e no agora da vida da comunidade reunida na liturgia. A ressurreição e a vida não são apenas esperanças que portamos para o futuro, mas realidades que atuam em nossas vidas e relações, das quais participamos desde agora. A celebração deste quinto domingo da quaresma, onde, por antiga tradição, se procede à última purificação daqueles que receberão os sacramentos da iniciação na páscoa, é ela mesma um sinal desta ação de Jesus que intercede ao Pai e nos chama à vida. Ao mesmo tempo, a comunidade dos crentes, retomando a profissão de fé de Marta, torna-se também ela um sinal sacramental da ressurreição de Jesus, preparando-se, todavia, para celebrar a paixão do Senhor.

A 1ª leitura mostra que o povo exilado na Babilônia encontra-se numa situação de morte, sem esperança de vida, como ossos secos na sepultura. Mas, Ezequiel anuncia que a ação de Deus se manifestará através do Espírito, fazendo o povo sair das sepulturas, do exílio para se estabelecer em sua terra. Na 2ª leitura, a comunhão com Cristo morto e ressuscitado nos possibilita viver segundo o Espírito, que habita em nós de forma renovada pela justiça.

Retirado da Revista de Liturgia

A oração, o jejum e a misericórdia

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e a perseverança à virtude. São elas: a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse.

Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, se para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia”. (Carta de São Pedro Crisólogo, século IV)

Dom Anuar Battisti
Retirado do Site da Comunidade Shalom

A importância do deserto

“Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto” (Mt 4,1).

Na completa desolação do deserto físico é possível:

- Ver as coisas claramente, sem as distrações do mundo;

- Viver na simplicidade, valorizando apenas as necessidades básicas para sobrevivência;

- Discernir o que realmente importa para a vida (1Jo 2,16), como, por exemplo, que um copo de água é mais importante que um diamante.

Entretanto, como não moramos no deserto, nós precisamos chegar às mesmas conclusões citadas acima, mesmo vivendo em meio às distrações do mundo. E a Quaresma é o tempo ideal para deixarmos o Espírito Santo nos conduzir ao nosso deserto espiritual e nos falar ao coração (Os 2,16). Alguns, talvez, tenham dificuldade para ver a semelhança entre o deserto espiritual e o deserto físico, mas ela existe, de fato, pois tanto em um como em outro:

- As tentações estão presentes, e podemos reconhecê-las claramente;

- A tudo o que parece ser importante para o mundo, como bens matérias e prestígios, nada valem;

- Tudo o que é desvalorizado pela sociedade secular, como, por exemplo, a Palavra de Deus, a oração, o jejum e o silêncio possuem um imenso valor espiritual;

Somente a proteção de Deus e o que Ele nos provê são importantes; e as conseqüências de nossa desobediência a Suas orientações nos serão fatais.

Na Sagrada Escritura, o deserto tem grande significado, pois ele é tido como um lugar de amor (Jr 2,2), para onde o Senhor nos atrai (Os 2,16) e derrama sobre nossos corações, através do Espírito Santo, todo Seu amor (Rm 5,5). É no deserto que nós, como os israelitas, somos alimentados apenas pelo maná do Senhor (Ex 16,35) e nos regozijamos plenamente (Is 35,1). Por isso, é importante refletirmos sobre o deserto; em especial sobre o nosso deserto espiritual, pois é nele que preparamos “um caminho para o Senhor” (Is 40,3).

Pe. Inácio José do Vale
Retirado do Site da Comunidade Shalom

Porque devo fazer penitência?

Chegamos à quarta semana da Quaresma, é preciso fazer uma revisão dos nossos compromissos e o que realmente nos motivam a fazê-los. A Santa Mãe Igreja nos pede três exercícios espirituais Oração, Jejum e Esmola. Pede também que nós façamos penitência como um passo consciente de pedido de perdão dos pecados e desejo de mudança de vida, conversão.

Fixemos atentamente o nosso olhar no sangue de Cristo e compreenderemos como é precioso aos olhos de Deus seu Pai esse sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência. Percorramos todas as idades do mundo e veremos que em todas as gerações o Senhor concedeu o tempo favorável da penitência a todos os que a Ele se quiseram converter. Noé proclamou a penitência, e todos os que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou aos ninivitas a destruição iminente, mas eles, fazendo penitência pelos seus pecados, aplacaram a ira de Deus com as suas orações e obtiveram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus.

Inspirados pelo Espírito Santo, os ministros da graça de Deus pregaram a penitência. O próprio Senhor de todas as coisas falou da penitência, empenhando as suas palavras com juramento: Pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas o seu arrependimento; e acrescentou aquela admirável sentença: Deixa de praticar o mal, ó casa de Israel. Diz aos filhos do meu povo: Ainda que os vossos pecados cheguem da terra ao céu, ainda que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais negros que o cilício, se vos converterdes a Mim de todo o coração e disserdes ‘Pai’, Eu vos tratarei como um povo santo e ouvirei as vossas súplicas. (cf. Isaias 1,18; 63,16; 64,7; Jeremias 3,4; 31,9).

E querendo levar à penitência todos aqueles a quem amava, confirmou esta sentença com a sua vontade onipotente.

Obedeçamos, portanto, à sua excelsa e gloriosa vontade e, implorando humildemente a sua misericórdia e benignidade, refugiemo-nos na sua clemência e convertamo-nos sinceramente, abandonando as obras más, as contendas e as invejas que conduzem à morte.

Sejamos humildes de coração, irmãos caríssimos, evitemos toda a espécie de soberba, vaidade, insensatez e cólera, e ponhamos em prática o que está escrito. Diz o Espírito Santo: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico na sua riqueza; mas quem se gloria, glorie-se no Senhor, procurando-O a Ele e praticando o direito e a justiça (cf. Jr 9,22-23; 1Cor 1,31).

Antes de mais nada, lembremo-nos das palavras do Senhor Jesus, quando nos recomendava a benevolência e longanimidade: Sede misericordiosos e alcançareis misericórdia; perdoai e sereis perdoados; como tratardes o próximo, assim sereis tratados; dai e dar-se-vos-á; não julgueis e não sereis julgados; sede benévolos e obtereis benevolência; com a medida com que medirdes vos será medido (cf. Mateus 5,7; 6,14; 7,1. 2).

Observemos fielmente estes mandamentos e preceitos do Senhor; vivamos sempre, com toda a humildade, fiéis às suas santas palavras; e lembremo-nos do texto sagrado: Para quem voltarei o meu olhar senão para o humilde e manso de coração, para aquele que teme as minhas palavras? (cf. Isaias 66,2).

Deste modo, imitando as obras grandiosas dos nossos ilustres antepassados, corramos de novo para a meta que nos foi proposta desde o princípio, que é a paz. Contemplemos atentamente o Pai e Criador do universo, e coloquemos toda a nossa esperança na magnificência e generosidade do dom da paz que nos oferece.

Da Carta de São Clemente I, papa, aos Coríntios.
(Cap. 7, 4-8, 3; 8, 5-9, 1; 13, 1-4; 19, 2: Funk 1, 71-73-77 78.87) (Séc. I).

Obedecei a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Aproximai-vos de Deus e ele se aproximará de vós. Purificai as mãos, ó pecadores, e santificai os corações, homens dúbios. Humilhai-vos diante do Senhor, e ele vos exaltará (Tiago 4, 7-8. 10).

Esta Palavra deixa clara que a grande necessidade da penitência é a conversão dos nossos corações. Neste tempo as orações e prefácios das Missas nos dão o verdadeiro sentido dos exercícios espirituais, pois a pergunta não deve nos desobrigar, menosprezando a necessidade de oração e penitência, mas deve acender em nossos corações o verdadeiro conhecimento de Deus e de nós mesmos:

Para renovar, na santidade, o coração dos vossos filhos e filhas, instituístes este tempo de graça e salvação. Libertando-nos do egoísmo e das outras paixões desordenadas, superamos o apego às coisas da terra (Prefacio da Quaresma II).

Esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa. De coração purificado, entregues à oração e à prática do amor fraterno, preparamo-nos para celebrar os mistérios pascais, que nos deram vida nova e nos tornaram filhas e filhos vossos (Prefacio da Quaresma I).

Vós acolheis nossa penitência como oferenda à vossa glória. O jejum e a abstinência que praticamos, quebrando nosso orgulho, nos convidam a imitar vossa misericórdia, repartindo o pão com os necessitados (Prefacio da Quaresma III).

Oração: Deus, que para remédio e salvação nossa nos ordenais a prática da mortificação, concedei que possamos evitar todo pecado e cumprir de coração os mandamentos do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Minha benção fraterna.

Padre Luizinho
Retirado do Blog da Canção Nova

Troféu Louvemos o Senhor 2011

A Irmã Kelly Patricia foi indicada ao Prêmio Nacional da Música Católica – "Troféu Louvemos o Senhor 2011", que está em sua terceira edição e é patrocinada pela TV Século 21. A premiação tem por objetivo valorizar e divulgar a música católica de qualidade. A data da cerimônia será no dia 11 de maio.

Uma das grandes novidades da edição deste ano é a premiação dos artistas dos bastidores. Aqueles músicos que trabalham junto com o cantor, empenhando o seu talento musical para que o CD tenha o som perfeito, o melhor acabamento sonoro, o melhor solo, o melhor arranjo musical, entre outros. São eles: os músicos acompanhantes, os solistas, os arranjadores, os produtores, os técnicos, a gravadora, enfim, muita gente que nem sempre é conhecida e reconhecida pelo grande público.

Ritos iniciais: O espaço da celebração

Jesus disse a Pedro e João: “Ao entrarem na cidade encontrarão um homem carregando uma bilha de água, sigam-no até a casa em que ele entrar, e digam ao dono da casa: o Mestre pergunta-se: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? Ele mostrará no andar ali superior uma grande sala mobiliada, e façam os preparativos”. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera, e prepararam a Páscoa.” (LC 22,9-13)

Com o mesmo carinho que os discípulos prepararam o lugar da ceia, nós preparamos e organizamos o espaço da celebração, como quem escolhe a graça e a energia de nosso Deus que se comunica conosco no aqui e agora de nossa história.

Os primeiros cristãos, com o cuidado de não reproduzir as religiões existentes, afirmavam que não precisavam de templo – porque, diziam eles, como colocar em um só lugar Aquele que domina o céu e a terra? -, cediam suas casas ou reservavam uma casa para a Liturgia comunitária.

De fato, o espaço da celebração não é a casa de Deus. A casa de Deus é cada um de nós e somos nós como Igreja. A verdadeira casa de Deus é a comunidade de fiéis que formam o corpo de Cristo. O espaço da celebração é a casa da casa de Deus, o lugar que abriga a assembléia dos cristãos e cristãs, convocados pelo Pai, em Cristo, na força do Espírito.

O espaço: sacramento de nossa aliança com Deus. Se olharmos para a realidade profunda de cada nós e da humanidade como um todo, percebemos a importância do espaço na constituição de nosso ser. Não apenas ocupamos lugar no espaço, mas somos o espaço que ocupamos. Por isso, hoje, a luta por um canto de terra para plantar, por um lugar na cidade para morar, é, sobretudo, a luta pela dignidade de cada um na sociedade em que vivemos.

Os estudos da psicologia profunda – e a experiência de cada um certamente confirma! – revelam esta unidade entre aquilo que a gente é e o espaço que nós vivemos. O espaço revela nosso ser. O “diga-me como moras e eu te direi quem és” tem certo fundo de verdade.

Da mesma forma, o espaço litúrgico apresenta-se como sacramento, através do qual fazemos a experiência da aliança com Deus, nos constituímos como Igreja de Cristo e recebemos o seu Espírito. Recomenda-se que as igrejas e todos os espaços sejam consagrados ou abençoados.

Para organizar o espaço de nossas celebrações, é bom lembrar, em primeiro lugar, que o espaço da celebração é o espaço da assembléia, o lugar reunião da comunidade. Deve facilitar a comunicação entre os irmãos e irmãs e deixá-los o mais à vontade possível.

Como sacramento, o espaço deve ser digno e belo, sinal da beleza de Deus. O que não significa, de maneira nenhuma, luxo ou requinte, mas apenas bom gosto! A importância espiritual da beleza não quer dizer que no espaço da celebração vamos permitir enfeites desnecessários. É importante lembrar que os objetos devam ser uteis, isto é, servir a alguma finalidade na dinâmica da celebração, e serem, ao mesmo tempo, verdadeiros.

Devemos cuidar para que o espaço seja despojado e simples, levando-nos ao essencial. Assim como há poluição nas cidades e nos lugares da natureza, podemos ter poluição no espaço da celebração. Tantas coisas, tantos objetos, folhagens, cartazes, que perdemos o sentido do que realmente é importante. Uma regra pratica que pode nos ajudar é a de evitar duplicações: por exemplo, se temos uma cruz grande não precisa ter outra sobre o altar...

Retirado do Livro Liturgia em Mutirão – Ed. CNBB

Blog de Fátima no Misericórdia Brasil 2011

Irmãos,

O Blog de Fátima esteve nesse final de semana no Misericordia Brasil 2011. Um final de semana de muitas bençãos e graças derramadas em muitas vidas.

Curas, libertações e muitas, muitas conversões!!! 

Planejado e organizado pelo Instituido Hesed, o evento foi composto de Adorações, louvores, palestras, shows, testemunhos e a Santa Missa. Contou com a presença do Padre Rufus e do Padre Antonio Furtado.

Mais informações, entre no site do Hesed: http://www.institutohesed.org.br/

Paz e Bem!!!

4º Domingo da Quaresma - Domingo da alegria e do cego de nascença

Certamente, a tensão em que as comunidades do quarto evangelho viviam junto às autoridades religiosas judaicas pode ter influenciado a construção desta narrativa, com seus diversos confrontos entre os que acolhem e os que se negam a reconhecer Jesus como o filho de Deus. No entanto, o texto possui um forte simbolismo batismal, o que explica sua escolha, desde antiga tradição, para o tempo quaresmal. O nome da piscina em que o cego se lava - “Siloé”, palavra que quer dizer “enviado” - aponta para um dos sentidos mais profundos desta passagem. Quem mergulha no “enviado”, recupera a visão. E aqui se misturam o simbolismo da água com o simbolismo da luz e da “unção”, que em grego significa “crisma”, donde deriva “Cristo”. O texto culmina com a profissão de fé - característica dos relatos evangélicos do ano A - e com um epílogo surpreendente: os papéis são trocados e os juízes são julgados.

Na Igreja primitiva, o batismo era conhecido como iluminação. De fato, a cura do cego tornou-se uma parábola da iluminação batismal. O(a) batizado(a) é um(a) iluminado(a) que tem os olhos abertos por Cristo no banho em seu nome. A iluminação é progressiva: primeiro, o cego chama Jesus de homem; depois, de profeta; finalmente, de Senhor. O batismo não é um título, mas um caminho. Na experiência do cego, essa evolução coincide com o processo de iniciação no caminho de Jesus. O texto descreve as dificuldades que a pessoa deve enfrentar até proferir a fé de modo pessoal e profundo e mostra que a libertação não acontece sem a nossa efetiva participação, deixando as obras das trevas e assumindo gradativamente as obras da luz. O caminho progressivo do cego de nascença se atualiza nos passos de quem procurar traduzir em ações concretas esta passagem: “Sabemos que passamos da morte para a vida quando amamos os irmãos”, diz o apóstolo João.

Esta passagem - páscoa e transformação - tem lugar no próprio ato de nossa celebração. Na celebração deste domingo, é toda a assembléia que se coloca no caminho da passagem das trevas para a luz, fazendo-se catecúmena, deixando-se iluminar pelo Cristo e por seu Espírito, retomando o propósito da conversão e do amor concreto como exigência batismal. Não é à toa que o texto do evangelho se estrutura através de alguns ritos litúrgicos, como a unção, o banho e a prostração: foi através da unção e do banho que o cego recuperou a vista e, pela prostração, reconheceu Jesus como Senhor. Enquanto o banho evoca o batismo, a unção aponta para a ação total do Espírito em nós, que nos recria, transforma e consagra. O gesto litúrgico da prostração significa o reconhecimento total e a adesão incondicional ao Cristo.

Na 1ª leitura, Davi é ungido rei, embora não fosse o filho primogênito. Deus toma a iniciativa de conduzir a história, escolhendo pessoas para serem seus instrumentos, sem levar em conta os méritos. A 2ª leitura salienta a necessidade de viver como filhos da luz, produzindo frutos de bondade, justiça e verdade.

Retirado da Revista de Liturgia

O tributo que se paga ao demônio

Hoje, 1º de Abril, é lembrado por muitos, como o “Dia da Mentira”. É tradição, assim, inventar uma pequena mentira: passar um trote pelo telefone, enganar um amigo, um colega de trabalho, dar um susto em um familiar…

Muitos de nós, católicos, caímos nesta tentação e pregamos pequenas peças, “pequenas e inofensivas mentirinhas”. O que parecemos esquecer, entretanto, é quem é o “pai da mentira” (João 8,44): o demônio. São João ainda diz que, quando o demônio diz a mentira, “fala do que lhe é próprio”. Ora, se a mentira é própria do demônio, o que ela pode estar fazendo na minha boca?

“O justo detesta a mentira”, diz o livro dos Provérbios (13,5), e é essa uma atitude que todos nós deveríamos adotar.

O convite que faço a você, cristão, hoje é: não entre nesse jogo. Não participe desta maldita tradição. Não minta, nem que seja uma “mentirinha de nada”, não compactue com nenhuma brincadeira de 1º de abril, pois, como disse Jesus (Mateus 22,21), “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Se o demônio é o pai da mentira, ao mentir, você está dando ao demônio o que é dele.

O dia da mentira é o tributo que o mundo paga ao demônio, e nós, cristãos, devemos nos recusar a pagar este tributo. Qual a nossa atitude? A Verdade!

Pois na boca dos santos “não se achou mentira, pois são irrepreensíveis” (Apocalipse 14,5).

E você? Aceita o desafio da verdade? Espalhe essa notícia!

José Leonardo R. Nascimento
Retirado do Blog da Canção Nova