Ser presença


Na seara midiática, somos presença na vida das pessoas, mas de forma muito mecânica. Alí não sentimos o “calor humano”, o olhar nos olhos e a proximidade corpo-a-corpo. O mundo globalizado encurtou as distâncias e distanciou as pessoas. Com isto perdemos a dimensão rica e fundamental da vida de comunidade fraterna.

No entender dos crentes, Deus sempre marcou presença na história dos povos. É uma presença fundante, a qual dá sustentação para a existência das criaturas e questiona a pessoa humana quanto à prática do bem. No meio de crises, desastres e catástrofes da natureza, Deus nos convoca para acolher e respeitar a vida.

Ser presença é ser capaz de acompanhar as mudanças da história, ser capaz de adaptar-se às novas mentalidades sem perder aquilo que é essencial, isto é, a vida com dignidade. Não podemos cair na infertilidade, no descompromisso com o bem comum. Ser infértil é ser presença que não consegue entender o valor da vida.

Moisés foi uma presença marcante na vida do povo hebreu. Para isto teve de superar atitudes de comodismo, “tirar as sandálias” e colocar-se a serviço da libertação do povo. Nisto ele descobriu sua própria identidade, entendeu ter sido chamado por Deus para desempenhar uma importante tarefa, sendo presença nas dimensões de líder no meio do povo.

Como libertador, Moisés se apresenta na figura de alguém que é capaz de amar povo, com quem faz um pacto de preservação da vida. Sua ação revela a presença constante e transformadora de Deus nos fatos da história. Significa que o ser humano foi sempre acolhido, mesmo em situação de escravidão e de dignidade negada.

Sentimos em nossos tempos grande fragilidade na prática de fé. Até falamos de uma fé inconsistente, sem falar propriamente da falta de fé. Significa não reconhecer a presença de Deus no mundo e, muito menos, na vida de cada pessoa. Em muitos casos, a falta de fé ocasiona atitudes de desequilíbrio e de atos que não condizem com as realidades inerentes com a dignidade da pessoa humana.

Dom Paulo Mendes Peixoto,
Arcebispo de Uberaba

O amor é doação e necessidade


Neste artigo quero partilhar com vocês a bela intuição de C. S. Lewis sobre o amor-doação e o amor-necessidade em seu livro “Os quatro amores”.

Conforme ele mesmo diz, estava certo de poder dizer que o amor humano só mereceria ser assim chamado naquilo em que se assemelhava àquele Amor que é Deus, Amor-Doação. Mas, durante a reflexão ele percebeu, para o nosso bem, que a característica típica do nosso amor humano por Deus é o ser sempre, pela própria natureza, um amor-necessidade. Fato que se evidencia quando pedimos perdão de nossos pecados ou apoio nas tribulações.

Ora, o amor humano, para ser humano, necessariamente é um amor que necessita. O amor humano é amor-necessidade à medida que, sabendo-se necessitado, aproxima-se da vivência do amor-doação.

Constantemente o amor humano é taxado de puro egoísmo, mas, conforme afirma C. S. Lewis: ninguém chama de egoísta a criança que busca conforto na mãe, nem o adulto que procura “companhia” na pessoa de um amigo. O amor humano pode ser pervertido pelo pecado e se tornar egoísta, mas, em si, ele não é só egoísmo por necessitar primeiramente de Deus.

O amor humano, quando pervertido pelo pecado, pode tornar-se algo terrível, transformando-se assim em uma forma de ódio da pessoa contra si mesma, o que leva a pessoa à destruição nos diversos tipos de vícios.

É vontade de Deus que o nosso amor humano seja um amor necessidade: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso (cf.Mt 11, 28). Também sabemos que é natural a necessidade que temos de convivência com as pessoas. Mas devemos viver de tal modo que, a nossa necessidade de convivência com as pessoas, não se torne maior que a nossa necessidade de estarmos com Deus e tê-Lo próximo a nós pela via da oração.

Deus abençoe você
Blog Fragmentos

3º Domingo da Quaresma


A 1ª leitura nos mostra que na sarça ardente, Moisés fez a experiência que marcou toda a sua vida e missão. Ardia o coração de Deus ao ver o clamor e o sofrimento do seu povo; o mesmo Deus chamou Moisés para falar em seu nome e libertar o Povo. O Deus que se revelou a Moisés era ainda um Deus que não se podia tocar, que exigia reverência, mas já se revelou como Aquele que caminha com seu povo, aquele que se interessa pela história dos seus: “Eu sou o Deus de teus pais...” Precisamos perceber que Deus se interessa por nós e quer a nossa libertação, que Ele convida a cada um de nós para seguir os seus passos. Deus não fica assistindo o sofrimento, Ele se interessa por seus filhos e vem em seu auxílio para libertá-los. Mas ele precisa de pessoas de carne e osso que aceitem o convite dele para cooperar nesta libertação. Precisamos ser impregnados pelo mesmo fogo que abrasou o coração de Moisés, fazendo-o entusiasmado pela causa de Javé.

Na 2ª leitura, vemos que os judeus consideravam as catástrofes como castigos de Deus e a proteção um mérito por serem fiéis observantes da lei. Jesus mostra que não basta ser judeu, que ninguém tem nada garantido: todos precisam de conversão. Do mesmo modo, nós poderíamos nos considerar católicos fiéis, observantes da lei, o grupinho dos escolhidos. Como o Povo eleito, corremos o risco da infidelidade. Como aqueles que escutaram a palavra de Jesus, precisamos de conversão, para não perecermos todos do mesmo modo. Além disso, devemos cortar definitivamente da nossa mentalidade a ligação entre pecado e castigo: os males não são castigos, e todos nós somos passíveis do sofrimento. Aliás, muitos dos males são frutos de nossas próprias escolhas. Somos também responsáveis pelo bem e pelo mal que rodeia a nossa vida, provavelmente os primeiros responsáveis.

No Evangelho temos a parábola da figueira que não produz frutos. Aqui é interressante observar que o pecado da figueira não foi ter feito algo de ruim, mas de não ter feito nada de bom. A figueira foi infrutífera, tornou-se passível, imóvel. Corremos o risco de querer uma garantia, uma tranquilidade de consciência que me faz dizer a mim mesmo: “eu estou bem com Deus, não prejudico a ninguém, cumpro as minhas obrigações”. Mas Deus espera mais de nós. Não basta sermos cristãos aparentemente certinhos, cristãos de preceito, de um ritualismo vazio; precisamos produzir frutos. Conversão não significa focar o pecado, mas o bem que devemos realizar. Cada um de nós é convidado a produzir frutos - isso significa conversão! O que podemos produzir nesta quaresma?

Estamos no tempo da Quaresma, tempo de cultivar o dom da conversão. Trata-se de um processo que percorre toda a nossa vida. Seguimos a existência procurando nos configurar cada vez mais a Cristo, para sermos como Ele, tendo os seus sentimentos e atitudes, até que tenhamos a estatura do homem perfeito, como nos diz São Paulo em sua carta aos Efésios.

Deus na sua bondade é paciente em aguardar a nossa conversão. Poderia nos arrancar e queimar, mas não é o deus da punição, e sim o Deus amor. Mesmo que mereçamos tal sorte, Ele nos diz; “Vou dar mais uma oportunidade; virei em outra ocasião para colher os frutos”. Temos neste tempo mais uma oportunidade. Que frutos o Senhor encontrará?

Pe Roberto Nentwig

Progredir em santidade: essa é a vontade de Deus!


São Paulo está exortando os cristãos de Tessalônica para uma vivência santa firmada e edificada na eleição do Senhor (cf. 1Ts 4,1-12). Ele ama aquela comunidade como um pai ama seus filhos e, na força desse amor, apela aos ensinamentos que ele junto com seus colaboradores ensinaram aqueles cristãos. Elogia a comunidade e afirma que eles já vivem num modo de proceder que agrada a Deus. Mas faz um apelo: “Progridais!”

Não adiantaria todo o ensinamento do apóstolo, todo o tempo gasto e doado em amor a cada um daqueles homens e mulheres, todo proceder agradável a Deus, se em algum momento o ardor se esfriasse e eles se acomodassem no ponto onde chegaram. Pouco a pouco tudo se esvairia e logo eles estariam fora da vontade do Senhor.

Progridais! Essa não é somente a ordem aos tessalonicenses, essa é a ordem do Senhor para cada um de nós hoje. Se a vontade de Deus é a nossa santidade, unido a essa vontade precisa estar o nosso ardor em alcançá-la, de não nos acostumarmos com o ponto onde chegamos, de não perdermos a tensão pela santidade que o próprio Espírito Santo gera em nossas almas.

Já diria uma antiga música: “camarão que dorme a onda leva!”. Por isso, precisamos entregar o nosso coração e a nossa inteligência às exigências da santidade que Deus deseja para nós. Precisamos ser firmes, decididos e lutar a todo o momento. Só assim conseguiremos ser homens que vivam no amor, que lutem por uma vida casta, que amem a verdade e que defendam a fé. Só assim seremos santos!

Contudo, progredir numa vida santa não é somente investir uma vida em “nãos”. Santidade começa com sim! Se a vontade de Deus é que sejamos santos, o primeiro passo da resposta é o meu sim a essa vontade. É o meu sim a Deus, a estar com Ele, a ser amigo Dele. Só assim posso ser santo. Só assim posso manter um coração abrasado, incomodado e sempre desejoso por mais, por coisas maiores, sempre progredindo até chegar ao céu.

Progridais e continueis progredindo cada vez mais em santidade. Essa é a vontade do Senhor. Tudo isso para que um dia, quando nosso Senhor Jesus Cristo voltar em glória, as nossas vidas mostrem o nosso sim ,mostrem que não o rejeitamos, que não desistimos, mas que lutamos até o último momento. Que ponto teremos alcançado? Eu não sei. O importante é que teremos lutado, insistindo e progredindo em santidade até aquele dia. Até o grande dia chegar. E quando Ele chegar, poderemos dizer: “Senhor, valeu a pena!”

Seu irmão,
Renan Félix

Ouvir o chamado de Deus


Deus, em Sua infinita bondade, concede-nos muitas qualidades. Por exemplo: há pessoas que têm uma bela voz, outras sabem liderar, outras são hábeis em escrever, algumas ainda discursam muito bem.

Tudo isso nos faz crescer pessoal e socialmente, trazendo um sentido mais profundo para a nossa vida: servir ao próximo. No entanto, muitas vezes, há aqueles que enterram aquilo que têm de melhor. Alguns subestimam seus próprios talentos ou não acham tempo nem lugar para aplicá-los. Há também pessoas que acreditam não fazer falta na obra.

Muitos, no entanto, abrem o coração e ouvem o chamado do Senhor por meio de diversos sinais, desde uma simples oração até uma palavra de sabedoria do irmão. É Deus nos convidando: “Segue-me” (Mc 5,27). Porém, poucos respondem a este chamado. Aí vem a pergunta de São Tiago: “De que aproveitará, irmãos, a alguém que tem fé se não tiver obras?” (Tg 2, 14). Sendo assim, é preciso ser como Isaías e dizer a partir de hoje: “Eis me aqui, envia-me”! Cantar como na música: “Eu tenho um chamado, jamais vou me calar!”. É realizando a vontade do Senhor que encontramos a verdadeira felicidade.

No Novo Testamento, há uma passagem que diz: “a vontade de Deus é a vossa santificação” (1 Ts 4,3).

No início da minha vida na Igreja, por exemplo, fui acolhido pela Pastoral da Música e comecei a cantar nas Missas dominicais. Depois de um tempo, senti que poderia doar mais. Iniciei minha participação na Pastoral da Comunicação. Hoje, faço parte de um grupo de oração chamado Jovens Sarados!

Ainda sinto o Senhor me chamando para águas mais profundas. Vejo-me na canção de Eliana Ribeiro: “Barco a vela solto pelo mar, indo aonde o vento do Senhor levar…” Também como na Palavra: “Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim…” (Lc 1,23).

Termino dizendo: “Nada, nada, me fará voltar. Sou de Deus e já não me pertenço mais”, pois só em Ti encontro meu repouso, a verdadeira alegria e paz! Eis o meu breve testemunho.

Thiago Thomaz Puccini
Jovens Sarados - Missão Barra Funda

2º Domingo da Quaresma


Na 1ª leitura, a promessa da terra e de descendência numerosa orienta Abraão a seguir o caminho da fé obediente, que mantém a esperança no Deus da aliança, fiel à sua palavra.

A 2ª leitura ressalta que somos cidadãos do céu, chamados a viver a vida nova no Senhor ressuscitado.

No Evangelho, o episódio da transfiguração é narrado à luz da fé pascal, onde a glória de Jesus resplandece plenamente através da vitória sobre a morte. Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas e já estão revestidos de glória, participando da nova condição. Pedro, João e Tiago testemunham que o caminho de Jesus realiza as promessas da salvação, em conformidade com a vontade de Deus. A conversa sobre a saída deste mundo, que Jesus iria consumar em Jerusalém, é o ápice desta revelação. O sono dos discípulos mostra a incompreensão diante do mistério de Cristo, o Messias sofredor, que passa pelo caminho da cruz para chegar à glória. Os discípulos compreenderão o sentido da saída, isto é, do êxodo, da passagem de Jesus da morte para a vida, após a ressurreição. Eles, representados por Pedro, necessitam ser iluminados pelo Senhor para testemunhar a fé a todos os que estão na planície. A voz do Pai, como no batismo, declara Jesus como Filho amado e convida a escutá-lo.

Revista de Liturgia

22 de Fevereiro - Dia da Festa da Cátedra de São Pedro


Festa da Cátedra de São Pedro. É com alegria que hoje nós queremos conhecer um pouco mais a riqueza do significado da cátedra, do assento, da cadeira de São Pedro que se encontra na Itália, no Vaticano, na Basílica de São Pedro. Embora a Sé Episcopal seja na Basílica de São João de Latrão, a catedral de todas as catedrais, a cátedra com toda a sua riqueza, todo seu simbolismo se encontra na Basílica de São Pedro.

Fundamenta-se na Sagrada Escritura a autoridade do nosso Papa: encontramos no Evangelho de São Mateus no capítulo 6, essa pergunta que Jesus fez aos apóstolos e continua a fazer a cada um de nós: "E vós, quem dizei que eu sou?" São Pedro, em nome dos apóstolos, pode assim afirmar: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus então lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi nem a carne, nem o sangue que te revelou isso, mas meu Pai que está no céus, e eu te declaro: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; eu te darei a chave dos céus tudo que será ligado na terra serás ligado no céu e tudo que desligares na terra, serás desligado nos céus".

Logo, o fundador e o fundamento, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Crucificado que ressuscitou, a Verdade encarnada, foi Ele quem escolheu São Pedro para ser o primeiro Papa da Igreja e o capacitou pelo Espírito Santo com o carisma chamado da infalibilidade. Esse carisma bebe da realidade da própria Igreja porque a Igreja é infalível, uma vez que a alma da Igreja é o Espírito Santo, Espírito da verdade.

Enfim, em matéria de fé e de moral a Igreja é infalível e o Papa portando esse carisma da infalibilidade ensina a verdade fundamentada na Sagrada Escritura, na Sagrada Tradição e a serviço como Pastor e Mestre.

De fato, o Papa está a serviço da Verdade, por isso, ao venerarmos e reconhecermos o valor da Cátedra de São Pedro, nós temos que olhar para esses fundamentos todos. Não é autoritarismo, é autoridade que vem do Alto, é referência no mundo onde o relativismo está crescendo, onde muitos não sabem mais onde está a Verdade.

Nós olhamos para Cristo, para a Sagrada Escritura, para São Pedro, para este Pastor e Mestre universal da Igreja, então temos a segurança que Deus quer nos dar para alcançarmos a Salvação e espalharmos a Salvação.

Essa vocação é do Papa, dos Bispos, dos Presbíteros, mas também de todo cristão.

São Pedro, rogai por nós!

Deus, a Oração e o Tempo…


É difícil compreender como insistimos em dificultar, ou como arranjamos maneiras de dificultar o nosso crescimento em direção à Deus.

Temos o enorme desejo de crescermos, de amadurecermos, e trilharmos um caminho que nos ajude a chegar mais rapidamente à Deus, e assim podermos ser íntimos Dele.

Mas o problema não está certamente no desejo, pois acredito que eu e você queremos de verdade sermos mais de Deus; o problema está como traçamos isso para que se concretize em nossas vidas…

Inventamos diversas práticas para realizarmos este caminho, acumulamos “receitas e mais receitas” de como crescer na oração, e acabamos abandonando tudo pelo caminho…

Meus irmãos, é preciso que fiquemos com o essencial no que se refere ao crescimento em Deus e o crescimento para Deus. Em mais de 11 anos de Comunidade Canção Nova, Jesus continua a me ensinar que não existe um outro caminho para crescer se não for o caminho simples da oração, do dialogo franco e da superação das minhas misérias.

Somente a simplicidade da oração fará com que avancemos em direção à Deus. Não há outro caminho para se unir à Deus se não pela caminho da oração. Mas esse caminho exige de cada um de nós tempo para Deus!

Se queremos crescer em Deus e para Deus, precisamos DAR TEMPO à Ele! Se você descobriu outro caminho que não seja gastar tempo com Deus pela oração, por favor me avise.

Tornar-se maduro numa vida em Deus vai exigir de mim e de você um maior tempo de oração pessoal, um tempo maior na capela, tempo de meditação e reflexão da Palavra de Deus, tempo rezando o seu rosário, tempo para ir a Santa Missa; TEMPO DEDICADO À DEUS!

É claro que esse caminho pode e deve ser concretizado aos poucos e na fidelidade. Quero dizer: É melhor voce ser fiel todos os dias em 20 minutos com Deus, do que um dia rezar por duas horas e ficar uma semana sem rezar nada….Mas esse é um caminho que você vai perceber que quanto mais você reza, mais você quer rezar! Porque provavelmente você também já percebeu que quanto você menos reza, menos você quer rezar….

Finalizo dizendo que na minha experiência não tenho descoberto outro caminho se não o da oração que exige de mim TEMPO PRA DEUS…

Deus o abençoe!

Danilo Gesualdo

É tempo de lutarmos pela nossa família


Tudo tem um começo na vida, não é mesmo? Nós também fazemos parte desta regra. Um dia eu e você fomos sonhados e, num ato de amor e carinho, fomos concretizados. Que benção! Eu estou falando do amor que flui quando Deus permite a união de um homem e uma mulher, a fim de que não sejam senão uma só carne.

É deste gesto de amor e deste constante movimento de ir e vir em direção ao outro que nasce a família, lugar sagrado, alicerce essencial para que homens e mulheres sejam formados e lapidados à imagem e semelhança de Deus.

Jesus poderia ter vindo, neste mundo, de tantas maneiras, mas escolheu vir no seio da família. Experimentou todas as etapas e as viveu com profundidade, aproveitando cada simples gestos de seus pais que, aos poucos, iam formando-O e preparando-O para a missão que recebeu do Pai.

Assim é a missão da família: preparar uns aos outros para o céu.

Na família é gerado o combatente dos dias atuais para lutar pela vida, pelo amor e pela santidade!

Família é rocha firme que nos abriga em meio às tempestades da vida e nos encoraja diante dos mais terríveis obstáculos aos quais precisamos ultrapassar. Se não vivermos a experiência de ser família, estaremos como que alicerçados sobre a areia.

Pare agora e reflita por um instante. Como anda o relacionamento, hoje, em sua casa, com o seu marido, com a sua esposa, com os seus filhos, com os seus pais? Há amor? Há carinho? Há perdão? Ou só está havendo desentendimento e desunião?

É tempo de nos levantarmos e lutarmos pelo tesouro que Deus nos confiou: a nossa família!

Não perca tempo remoendo o passado nem tenha medo do que acontecerá no futuro. Deus está se predispondo a ir contigo, a ganhar território e fincar a bandeira do amor, da paz e da alegria em ser família! Aleluia!

Deus os abençoe!

Vagne Bittencourt

Confiar sempre


Ela o segurava nos braços debaixo de um sol forte e em meio à agitação própria da cidade grande, ele dormia sereno e calmo, pois estava seguro de que nada poderia atingi-lo. Esta cena não faz parte de um filme, é real e apesar de a ter contemplado há algum tempo, ainda hoje me recordo claramente dela. No ponto de ônibus, uma mãe, com ar de preocupada, segurava seu filho nos braços enquanto mantinha os olhos fixos nos ônibus que chegavam e saíam sem parar. Um deles poderia ser o seu e ela não poderia nem sequer pensar em perdê-lo. Observei que, apesar da agitação própria do local e da preocupação aparente da mãe, a criança dormia tranquila e sossegada. Sem palavras parecia dizer: "Nada temo, pois os braços que me seguram são de alguém que me ama".

Naquele dia, a cena, foi um pretexto para Deus falar comigo. Já observou que quando não paramos para ouvir a voz de Deus por meio da oração Ele nos fala pelos fatos? No meu caso, eu estava vivendo um tempo de muita correria no trabalho, já não conseguia rezar como antes e queria resolver todas as coisas com minhas forças. Quando ocupamos o lugar de Deus é isso que acontece. Com aquela situação, o Senhor foi me mostrando que eu precisava confiar mais no amor d'Ele. Precisava viver a atitude daquela criança, ou seja, abandonar-me. Na verdade, precisava amá-Lo mais e deixar-me amar por Ele, pois só confia quem verdadeiramente ama, e quem ama consequentemente confia.

E mais: Deus Pai abriu meus olhos para eu perceber que a raiz da minha agitação era também falta de amor-próprio e má interpretação do Seu amor por mim. Eu estava me comportando como serva de Deus e não como Sua filha. E isso faz uma grande diferença em nossa vida como cristãos. O próprio Senhor disse em Sua Palavra: “Já não vos chamo servos, mas amigos [...]” (João 15, 15). Ou seja, o Senhor nos elegeu, nos amou, não quer apenas o nosso serviço, mas nosso amor. Isso é próprio de uma relação de amizade. Amamos e somos amados, e o amor vai além do fazer.

Hoje, por providência, contemplei uma cena semelhante e lembrei-me das lições de outrora. Já não estou tão agitada como antes, vivo uma fase diferente. Mas uma coisa é certa: preciso continuar na escola da confiança. Devo aprender mais de Deus na matéria do amor. "O amor lança fora todo temor, é paciente, tudo suporta, tudo crer, tudo espera [...]" (I Coríntios 13,4-7). É por isso que quem ama confia!

Quanto mais amamos a Deus e nos deixamos envolver por Sua misericordia, tanto mais vamos encontrando a harmonia que tanto desejamos. E que muitas vezes buscamos nas pessoas, nos cargos, no poder, no ter ou de tantas outras formas aparentes de segurança neste mundo.

O abandono é, antes de tudo, uma atitude de confiança, fruto da maturidade, e a maturidade não se alcança de uma hora para outra, é preciso ter paciência com o tempo, dar passos e superar os obstáculos. É por isso que quem já teve sua fé provada, tem mais facilidade em confiar em Deus, tem forças para ir mais longe mesmo quando tudo parece perdido.

Aquela criança provavelmente se sentia amada, por essa razão as circunstâncias não a impediam de confiar e repousar tranquilamente no regaço acolhedor de sua mãe.

São Francisco de Sales faz uma interessante comparação, quando fala da alma recolhida em Deus. De fato, diz ele; "[...] os amantes humanos contentam-se, às vezes, em estar junto da pessoa a quem amam, sem lhe falarem nada e sem nem sequer pensar em outra coisa que não seja estar ali... Sentem-se amados e isso basta. É assim que acontece com a alma que se entrega aos cuidados do Criador. Repousa sossegada, mesmo em meio aos constantes desassossegos que vive no dia a dia".

Compreendo, cada vez mais, que a experiência do abandono em Deus passa pela descoberta do Seu amor incondicional por nós.

Peço ao Senhor que hoje lhe permita viver esta experiência e o cure profundamente de toda falta de amor, devolvend-lhe a serenidade e a paz, fruto da confiança n'Ele.

Assim como a mãe segura em seus braços o filho amado, Deus hoje o segura, não tema. Nos braços do Pai nada poderá atingi-lo, e quem ama confia.

Dijanira Silva