2º domingo do Advento - Domingo de João Batista


Na 1ª leitura, Jerusalém, iluminada pela luz do Senhor, veste o manto da justiça e recebe um nome novo: Paz da justiça e glória da piedade. Com a esperança do segundo Isaías, Baruc descreve a nova estrada no deserto, transformada pelo Senhor, que guia para um novo êxodo com sua justiça e misericórdia.

Paulo, na 2ª leitura, eleva a ação de graças a Deus pela participação dos filipenses no anúncio do evangelho. Com a ternura de Cristo Jesus, ele suplica que o amor cresça sempre mais, em todo conhecimento e experiência, para discernir o que é melhor.

No evangelho, João Batista é chamado a preparar o caminho do Senhor, num tempo histórico bem determinado. O seu chamado recorda o do profeta Jeremias. Como profeta de Deus e precursor do Messias, João começa seu ministério no deserto e inaugura o novo êxodo anunciando o cumprimento das promessas em Jesus. Ele percorre a região do Jordão e sua palavra profética convida à conversão. O seu batismo expressa a disposição interior de trilhar o caminho novo da salvação. Sua missão prepara o povo para acolher o Reino de Deus, revelado plenamente em Jesus. Lembrando a mensagem profética do segundo Isaías, que havia sustentado a esperança dos exilados, João é a voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Trata-se de uma mudança radical para acolher o dom gratuito da salvação, oferecido a todas as pessoas em Cristo.

Revista de Liturgia

8 de Dezembro – Dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição


Mais do que memória ou festa de um dos santos de Deus, neste dia estamos solenemente comemorando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos.

Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.

A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant'Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós".

No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: "Maria isenta do pecado original".

A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: "Eu Sou a Imaculada Conceição".

Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!

Advento, tempo de faxina interior


As estações da natureza nos ensinam a reconciliar em nosso coração o tempo dos mistérios que abraçam nossa fé. Advento é o tempo da espera. Ainda não é Natal, mas antecipa a alegria desta festa. Viver cada tempo litúrgico com o coração é um jeito nobre de não adiantar um tempo que ainda não chegou. Na sobriedade que este tempo litúrgico exige, vamos tecendo a colcha das alegrias do Cristo que vem ao nosso encontro.

Esperar é uma alegria antecipada de algo que ainda não chegou. A mulher grávida vive na alma a felicidade antecipada pela vida que, em seu ventre, vai sendo gerada no tempo que lhe cabe. A natureza cumpre o ritual das estações para que cada tempo seja único. Os casais apaixonados esperam o momento do encontro. As famílias organizam a casa no cuidado da espera dos parentes que vão chegar. Esperar é uma metáfora do cotidiano da vida. No contexto do Advento, a espera ganha tonalidades alegres e sóbrias.

Casa mal arrumada não é adequada para acolher os amigos e familiares que irão chegar. Jardim sujo não pode se tornar um canteiro para novas sementes. Esperar é também tempo de cuidado, tempo de organização.

No tempo da espera, o tempo do cuidado na vida espiritual. Chegando ao final de mais um ano, muitos corações se encontram totalmente bagunçados. Raivas armazenadas nos potes da prepotência, mágoas guardadas nas gavetas do rancor, amizades sendo consumidas pelo micro-ondas da inveja, tristezas crescendo no jardim da infelicidade, violência sendo gerada no silêncio do coração.

Enquanto as lojas fazem o balanço, somos convidados a fazer o balanço de nossa situação emocional. No balancete da vida, o amor deve sempre ser o saldo positivo que nos impulsiona a sermos mais humanos a cada dia.

Casa mal arrumada não é local adequado para receber quem nos visita. Coração bagunçado dificilmente tem espaço para acolher quem chega. Neste tempo do advento, a faxina da espera deve remover as teias de aranha dos sentimentos que estacionaram em nossa alma. O pó que asfixia o amor deve ser varrido. Tempo novo exige um coração novo.

Jesus, com Seu amor sem limites, adentrava o coração de cada pessoa e fazia uma faxina de amor, abria as janelas da vida que impediam cada pessoa de ver a luz de um novo tempo chegar, devolvia às flores já secas pelas dores e tristezas as alegrias da ressurreição, semeava nos sertões sem vida as sementes do amor e da paz.

No Advento da Vida, as estações do coração se tornam tempo propício para limpar os quartos da alma à espera do Cristo que vem. Se o jardim do coração estiver sendo cuidado, as sementes da esperança irão germinar no tempo que lhes cabe e o Amor irá nascer nas alegrias da chegada.

Padre Flávio Sobreiro

1º domingo do Advento - Domingo da vigilância


Jeremias, na 1ª leitura, anuncia a esperança de salvação para o povo sofrido, após a destruição de Jerusalém e a deportação para a Babilônia. A fidelidade de Deus se manifestará no novo rei que fará justiça e estabelecerá o direito na terra.

A 2ª leitura é um apelo a progredir na vida cristã através de um amor transbordante, comprometido com todas as pessoas. O amor mútuo e universal é o caminho da perfeição, é o jeito de se manter vigilante na espera do Senhor.

O evangelho está situado no final do ministério de Jesus em Jerusalém, antes de sua paixão. Narra a expectativa da vinda gloriosa do Filho do Homem com linguagem profética e apocalíptica, para mostrar a ação de Deus na história. Os sinais que a acompanham têm sentido cristológico, apesar da referência à destruição de Jerusalém, durante a guerra judaica. A vinda do Senhor é descrita à luz do mistério pascal e faz renascer a esperança da salvação plena, da qual já participamos por sua entrega amorosa na cruz: Levantai e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próximo. É necessário permanecer vigilantes e preparados, como o povo do êxodo, para acolher a salvação de Deus. A exortação é para ficar atentos e orar em todo momento, permanecendo acordados com boas obras. A vigilância e a oração constantes possibilitam discernir os sinais da presença do Senhor nos acontecimentos de cada dia.

Revista de Liturgia

Ano Litúrgico


O Ano Litúrgico é o “Calendário religioso”. Contém as datas dos acontecimentos da História da Salvação. Não coincide com o ano civil, que começa no dia primeiro de janeiro e termina no dia 31 de dezembro. O Ano Litúrgico começa e termina quatro semanas antes do Natal. Tem como base as fases da lua. Compõe-se de dois grandes ciclos: o Natal e a Páscoa. São como dois pólos em torno dos quais gira todo o Ano Litúrgico.

O Natal tem um tempo de preparação, que é o Advento; e a Páscoa tem também um tempo de preparação, que é a Quaresma. Ao lado do Natal e da Páscoa está um período longo, de 34 semanas, chamado Tempo Comum. O Ano Litúrgico começa com o Primeiro Domingo do Advento e termina com o último sábado do Tempo Comum, que é na véspera do Primeiro Domingo do Advento. A seqüência dos diversos “tempos” do Ano Litúrgico é a seguinte:

CICLO DO NATAL

Advento: Inicia-se o ano litúrgico. Compõe-se de 4 semanas. Começa 4 domingos antes do Natal e termina no dia 24 de dezembro. Não é um tempo de festas, mas de alegria moderada e preparação para receber Jesus.

Início: 4 domingos antes do Natal
Término: 24 de dezembro à tarde
Espiritualidade: Esperança e purificação da vida
Ensinamento: Anúncio da vinda do Messias
Cor: Roxa

Natal: 25 de dezembro. É comemorado com alegria, pois é a festa do Nascimento do Salvador.

Início: 25 de dezembro
Término: Na festa do Batismo de Jesus
Espiritualidade: Fé, alegria e acolhimento.
Ensinamento: O filho de Deus se fez Homem
Cor: Branca

TEMPO COMUM

1ª parte: Começa após o batismo de Jesus e acaba na terça antes da quarta-feira de Cinzas.

Início: 2ª feira após o Batismo de Jesus
Término: Véspera da Quarta-feira das Cinzas
Espiritualidade: Esperança e escuta da Palavra
Ensinamento: Anúncio do Reino de Deus
Cor: Verde

2ª parte: Começa na segunda após Pentecostes e vai até o sábado anterior ao 1º Domingo do advento.

Início: Segunda-feira após o Pentecostes
Término: Véspera do 1º Domingo do Advento
Espiritualidade: Vivência do Reino de Deus
Ensinamento: Os Cristãos são o sinais do Reino
Cor: Verde

CICLO DA PÁSCOA

Quaresma: Começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da semana santa. Tempo forte de conversão e penitência, jejum, esmola e oração. É um tempo de 5 semanas em que nos preparamos para a Páscoa.

Não se diz "Aleluia", nem se colocam flores na igreja, não devem ser usados muitos instrumentos e não se canta o Hino de Louvor. É um tempo de sacrifício e penitências, não de louvor.

Início: Quarta-Feira das Cinzas
Término: Quarta-feira da Semana Santa
Espiritualidade: Penitência e conversão
Ensinamento: A misericórdia de Deus
Cor: Roxa

Páscoa: Começa com a ceia do Senhor na quinta-feira santa. Neste dia é celebrada a Instituição da Eucaristia e do sacerdote. Na sexta-feira celebra-se a paixão e morte de Jesus. É o único dia do ano que não tem missa. Acontece apenas uma Celebração da Palavra.

No sábado acontece a solene Vigília Pascal. Forma-se então o Tríduo Pascal que prepara o ponto máximo da páscoa: o Domingo da Ressurreição. A Festa da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Ela se estende até a Festa de Pentecostes. (Pentecostes: É celebrado 50 dias após a Páscoa. Jesus ressuscitado volta ao Pai e nos envia o Paráclito.)

Início: Quinta-feira Santa (Tríduo Pascal)
Término: No Pentecostes
Espiritualidade: Alegria em Cristo Ressuscitado
Ensinamento: Ressurreição e vida eterna
Cor: Branca

"O Tempo comum não é tempo vazio. É tempo de a Igreja continuar a obra de Cristo nas lutas e nos trabalhos pelo Reino." (CNBB - Documento 43, 132).

34º Domingo do Tempo comum - Domingo de Cristo Rei


A 1ª leitura utiliza linguagem apocalíptica para falar da ação de Deus, com rosto humano, oposta aos reinos opressores. A figura do Filho do Homem foi associada, pela tradição cristã, a Jesus como Messias.

A 2ª leitura sintetiza a missão de Jesus por meio de três títulos messiânicos: Testemunha fiel, Primogênito dos mortos e Príncipe dos reis da terra. Jesus deu a vida para formar um povo sacerdotal, pois é o princípio e o fim de toda a criação.

O evangelho pertence ao relato da paixão de Jesus Cristo e acentua que sua realeza se manifesta na entrega por amor. A pergunta de Pilatos, “Tu és o rei dos judeus?”, coloca o processo na dimensão política. Havia a expectativa de um rei Messias, que iria restaurar a soberania de Israel. O título “rei dos judeus” é fixado no alto da cruz, como causa da sentença de sua morte. Mas Jesus é o Messias Servo, que morre na cruz em consequência de seu compromisso com a justiça do Reino. Enviado pelo Pai a serviço da vida, ele manifesta que seu Reino não é deste mundo. Jesus testemunha a verdade através da doação total da vida por amor. Pertencer à verdade de Cristo consiste em crer e praticar a Palavra, reconhecendo sua realeza no serviço aos necessitados. A verdade que o Filho de Deus manifestou é um apelo à conversão: se permanecerdes na minha palavra conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.

Revista de Liturgia 

Nossa esperança está na vinda do Senhor


Estamos no penúltimo semana do Ano Litúrgico. No Domingo próximo, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo encerrará este ano da Igreja. Pois bem, neste Domingo a Palavra de Deus, nos recordou que, como o ano, também a nossa vida passa, e passa veloz… Assim, o Senhor nos convida à vigilância e nos exorta a que não percamos de vista o nosso caminho neste mundo e o destino que nos espera. Nossa vida tem um rumo, caríssimos; o mundo e a história humana têm uma direção, meus irmãos!

A nossa fé nos ensina, amados no Senhor, que toda a criação e toda a história humana caminham para um ponto final. Este fim não será simplesmente o término do caminho, mas a sua plenitude, a sua finalidade, sua bendita consumação. O universo vai evoluindo, a história vai caminhando… Onde o caminho vai dar? Com palavras e idéias figuradas, a Escritura Sagrada nos ensina que tudo terminará em Jesus, o Cristo glorioso que, por sua morte e ressurreição, tornou-se Senhor e Juiz de todas as coisas. Vede bem: a criação não vai para o nada; a história humana não caminha para o absurdo! Eis aqui o essencial, que o evangelho de hoje nos coloca com palavras impressionantes:

“Então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória!” Ou seja: tudo quanto existe caminha para Cristo, aquele que vem sobre as nuvens como Deus, aquele que é nosso Juiz porque, como Filho do Homem, experimentou nossa fraqueza e se ofereceu uma vez por todas em sacrifício por nós! Vede, irmãos: o nosso Salvador será também o nosso Juiz! Aquele que está à Direita do Pai e de lá virá em glória para levar à consumação todas as coisas é o mesmo que se ofereceu todo ao Pai por nós para nos santificar e nos levar à perfeição! Repito: nosso Juiz é o nosso Salvador! Quanta esperança isso nos causa, mas também quanta responsabilidade! Que faremos diante do seu amor? Que diremos àquele que por nós deu tudo, até entregar a própria vida para nossa salvação? Que amor apresentaremos a quem tanto e tanto nos amou? Pensai bem!

As leituras deste Domingo advertiu: tudo estará debaixo do senhorio de Cristo! Por isso, numa linguagem de cores fortes e figuras impressionantes, Jesus diz que a criação será abalada pela sua Vinda: “O sol vai escurecer e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas”. Que significa isso? Que toda a criação será palco dessa Revelação da glória do Senhor, toda a criação será transfigurada e alcançará a plenitude no parto de um novo céu e uma nova terra onde a glória de Deus brilhará para sempre! O Senhor afirma ainda que também a história chegará ao fim e será passada a limpo. Cristo fala disso usando a imagem da grande tribulação, isto é, as dores e contradições do tempo presente, que vão, em certo sentido se intensificando neste mundo. Por isso mesmo, a primeira leitura, do Profeta Daniel, fala em combate e em tempo de angústia… É o nosso tempo, este tempo presente, que se chama “hoje”.

Amados em Cristo, estas leituras são muito atuais e consoladoras, sobretudo nos dias atuais, quando vemos o Cristo enxovalhado, o cristianismo perseguido e desprezado, a santa Igreja católica caluniada… Pensem no Código da Vinci, pensem nas obras de arte blasfemas e sacrílegas frequentemente expostas sem nome de uma pérfida liberdade, pensem nas freiras das porcas novelas da Globo, pensem no ridículo a que os cristãos são expostos aqui e ali, com cínicas desculpas e camufladas intenções, pensem nos valores cristãos que vão sendo destruídos, nas famílias destruídas pelo divórcio, pela infidelidade, pela imoralidade, pensem nos jovens desorientados pela falta de Deus, pela negação de todas as certezas e o desprezo de todos os valores, pensem, por fim, na vida humana desrespeitada pelo aborto, pela manipulação genética, pelas imorais e inaceitáveis experiências com células-tronco embrionárias com pretextos e desculpas absolutamente imorais… Não é de hoje, caríssimos, que a Igreja sofre e que os cristãos são perseguidos, ora aberta, ora veladamente… Já no longínquo século V, Santo Agostinho afirmava que a Igreja peregrina neste tempo, avançando entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus… O perigo é a gente perder de vista o caminho, perder o sentido do nosso destino, esfriar na vigilância, perder a esperança, abandonar a fé…

Caminhamos para o Senhor, caríssimos – tende certeza disto! O mudo vai terminar no Cristo, como um rio termina no mar; a história vai encontrar o Cristo, tão certo quanto a noite encontra o dia; nossa vida estará diante do Senhor, tão garantido quanto o vigia cada manhã está diante da aurora! Por isso mesmo, é indispensável vigiar e trazer sempre no coração a bendita memória do Salvador, a firme esperança nas suas promessas, a segura certeza da sua salvação! Vede bem: na Manifestação do nosso Senhor, ele nos julgará! Na sua luz, tudo será posto às claras: se é verdade que sua Vinda é para a salvação, também é verdade que todos quantos se fecharam para ele, perderão essa salvação.

Caríssimos, nosso destino é o céu, mas estejamos atentos: o inferno, a condenação eterna, a danação sem fim, o fogo que devora para sempre, são uma real possibilidade para todos nós! Haverá um Juízo de Deus em Jesus Cristo, meus amados no Senhor: “Muitos dos que dormem no pó a terra despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno. Nesse tempo, teu povo será salvo, todos os que se acharem escritos no Livro”. Caríssimos, não brinquemos de viver, não vivamos em vão, não sejamos fúteis e levianos, não corramos a toa a corrida da vida! É o nosso modo de viver agora que decidirá nosso destino para sempre!

Por isso mesmo, Jesus nos previne: “Em verdade vos digo: esta geração não passará até que tudo isto aconteça!” Em outras palavras: não importa quando ele virá – ele mesmo diz: “Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” -; importa, sim, que estejamos atentos, importa que vivamos de tal modo que, quando ele vier no momento de nossa morte, estejamos prontos para comparecer diante dele e diante dele estar no último Dia, quando tudo for julgado! O juízo que nos espera é um processo: começa logo após a nossa morte, quando, em nossa alma, estaremos diante do Cristo e receberemos nossa recompensa: o céu ou o inferno! E no final dos tempos, quando Cristo se manifestar em sua glória, nosso destino também será manifestado com toda a criação e o nosso corpo, ressuscitado no fim de tudo, receberá também a mesma recompensa de nossa alma: o céu ou o inferno, de acordo com o nosso procedimento nesta vida!

Meus caros, quando a Escritura Sagrada nos fala do fim dos tempos não é para descrever como as coisas acontecerão. Isso seria impossível, pois aqui se tratam de realidades que nos ultrapassam e que já não pertencem a este nosso mundo. Portanto, palavras deste mundo não podem descrever o que pertence ao mundo que há de vir… O que a Escritura deseja é nos alertar a que vivamos na verdade, vivamos na fé, vivamos na fidelidade ao Senhor… vivamos de tal modo esta nossa vida, que possamos, de fé em fé, de esperança em esperança, alcançar a vida eterna que o Senhor nos prepara, vida que já experimentamos hoje, agora, nesta santíssima Eucaristia, sacrifício único e santo do nosso Salvador que, à Direita do Pai nos espera como Juiz e Santificador.

A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa

33º Domingo do Tempo comum - Domingo dos sinais dos tempos


A 1ª leitura fala da esperança de salvação. A promessa da ressurreição impele a viver a justiça em meio às perseguições, por causa da fidelidade à aliança. Jesus, vencendo a morte pela ressurreição, realiza plenamente a esperança da vida eterna.

Na 2ª leitura, a experiência da comunhão faz vislumbrar a felicidade no Reino celeste. Cristo com uma única oferenda levou à perfeição definitiva os que ele santifica. A fé proporciona participar da obra redentora de Cristo e viver a vida nova.

O evangelho reflete um contexto assinalado por conflitos, sobretudo a guerra judaica, marcada pela destruição do templo e da cidade de Jerusalém. Renasce a tradição profética e apocalíptica, com a esperança de um tempo novo de salvação. A manifestação gloriosa de Jesus é descrita com a fé pascal: após a grande tribulação, verão o Filho do Homem vindo entre nuvens com grande poder e glória. Jesus é a luz que vence as trevas da opressão e da morte através da ressurreição. Sua presença de paz estabelecerá definitivamente o Reino de Deus, já revelado com sua vida. A espera da revelação plena do Reino deve ser ativa, como mostra a imagem da figueira. Os ramos verdes e as folhas que brotam são sinais da ação de Deus nos acontecimentos da história. As palavras de Jesus não passarão, pois seu valor é eterno. Foram guardadas pelos primeiros cristãos e permanecem para revigorar o compromisso a serviço do Reino.

Revista de Liturgia 

Tenho um coração agradecido diante de Deus?


 “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão?” A obediência daqueles dez leprosos à Palavra de Jesus os levou à cura, mas, aparentemente, a falta de gratidão de nove agraciados os desvia de quem foi o Salvador. Em Jesus, aquele leproso samaritano – infiel e herege segundo os judeus – encontrou o Deus verdadeiro e o Seu representante na terra. Por isso, dirá Jesus ao samaritano: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. Há, pois, um contraste entre cura e salvação que o mundo atual não percebe, porque os bens imediatos – embora não sejam tudo – são os únicos que interessam e preocupam à maioria.

Aqueles leprosos marginalizados aproximam-se de Jesus. Apesar de sua total culpabilidade perante Deus e os homens, eles têm esperança. Sua cura dependia daquele Mestre, de quem tinham ouvido falar como grande médico e curandeiro. O grito deles pode ser também o nosso, quando a esperança só tem como base a bondade divina: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”

Como pensamos que Deus vê nossas vidas? Limpos e puros ou tão terrivelmente marcados pelo mal que parecemos leprosos cheios de imundície?

O ponto de partida para a ação divina é a súplica. Jesus não os busca; são eles que buscam Aquele que tem poder para curá-los. O resto é um mandato: conformem-se com a Lei, se é que querem viver em sociedade novamente. No tempo do profeta Eliseu, Naamã recebeu a ordem de se lavar no Jordão. Agora, com Cristo, os dez leprosos foram enviados ao sacerdote. Nada há de anormal ou extraordinário em ambas ocasiões. É a obediência que atrai a ação de Deus e transforma o homem em Seu Filho amado no qual encontra satisfação.

O agradecimento é essencial nas relações com Deus. Todos nós somos semelhantes aos nove leprosos curados. Incapazes de uma súplica que não seja uma petição de ajuda. Uma vez obtida a mesma, esquecemos o louvor, o elogio, a ação de graças. Nossa religiosidade tem muito de oportunismo, de interesse, de ingratidão. Conformamo-nos com o nosso bem-estar e esquecemos o muito que temos recebido como dom. O pouco mal que nos atinge não nos permite enxergar o muito de bem que nos rodeia. Por isso, a queixa é mais abundante que o louvor.

Por esse egoísmo próprio de quem só olha seu próprio bem, esquecemo-nos que os bens são fruto de uma dádiva divina. Não nos servimos de Deus, nós servimos a Ele. E a melhor maneira de servi-Lo é agradecê-Lo e obedecê-Lo.

Esquecemos que os bens agora possuídos são uma simples amostra do que nos espera se a gratidão toma conta de nossas vidas. O canto às misericórdias de Deus, nesta vida, é só o começo do canto sem fim que será o “modus vivendi” na eternidade.

Desde já, devemos aprender a recitá-lo, caso queiramos vivê-lo como experiência existencial.

A gratidão implica em ações de graças, pelas quais comunicamos e partilhamos com os outros os bens recebidos por nós.

Pai, que o meu coração, repleto de fé, reconheça Jesus que me liberta de todas as lepras que o mundo semeia entre os homens.

Padre Bantu Mendonça

32º Domingo do Tempo comum - Domingo da esmola da viúva


A viúva anônima da entrada do templo lembra a de Sarepta, que ofereceu hospitalidade e partilhou o pouco alimento que possuía, na 1ª leitura. A esperança na palavra de Deus suscita gestos solidários que asseguram a sobrevivência durante a seca, no tempo do profeta Elias.

A 2ª leitura ressalta que Cristo oferece sua vida pela redenção da humanidade, transcendendo os sacrifícios que anualmente eram repetidos no dia do Grande Perdão.

No Evangelho, Jesus está no templo de Jerusalém, centro da vida e religião de Israel, lugar onde as pessoas costumavam fazer suas oferendas e sacrifícios. A palavra de Jesus ilumina a tomar cuidado com os que devoram as casas das viúvas, enquanto ostentam longas orações. As viúvas, além de marginalizadas, eram exploradas com frequência. Por isso enquanto observa como a multidão depositava as moedas no cofre, Jesus enaltece a ação de uma viúva pobre que ofereceu duas moedinhas, isto é, um quadrante (valor mínimo em circulação). Essa viúva generosa e confiante na graça divina é apresentada por Jesus como modelo no caminho do discipulado. Sua atitude é elogiada porque ela ofereceu tudo o que tinha para viver, não apenas o excedente como os outros. A ação da viúva ao colocar toda a vida nas mãos do Pai, é comparada com a oferta total de Cristo, por amor.

Revista de Liturgia