Solenidade de Todos os Santos


A solenidade em honra de todos os Santos é uma das mais antigas. Foi, porém,o Papa Gregório IV que em 835 quem ordenou que esta festa fosse celebrada no mundo inteiro. Trata-se de comemorar a memória de todos aqueles que já se acham no reino do céu, partilhando a alegria de Deus. Nesta data se coloca a questão: Que é um santo? No exórdio do Sermão da Montanha Jesus fez o retrato falado dos eleitos, dos bem-aventurados ( Mt 5,1-12). A fonte desta santidade é Deus, três vezes santo (Is 6,3). É impossível expressar com palavras a santidade divina que transcende infinitamente todas as criaturas. O ser pensante pode e deve participar, dentro de suas limitações, desta perfeição inefável do Criador que ordenou: “Sede santos, porque eu sou santo” (Lev 11,44). O salmista oferece também um roteiro admirável para seguir este preceito divino: “Senhor, quem há de morar em vosso tabernáculo? Quem habitará em vossa montanha santa? O que vive na inocência e pratica a justiça, o que pensa o que é reto no seu coração, cuja língua não calunia; o que não faz mal a seu próximo, e não ultraja seu semelhante. O que tem por desprezível o malvado, mas sabe honrar os que temem a Deus; o que não retrata juramento mesmo com dano seu, não empresta dinheiro com usura, nem recebe presente para condenar o inocente. Aquele que assim proceder jamais será abalado” (Sl 14).

A santidade consiste, portanto, numa adesão total às sagradas leis divinas numa atitude inteiramente voltada para Deus. Para o batizado se trata de uma vida nova em Cristo animada pelo Espírito Santo. Entretanto, cumpre se observe que não há santidade sem se passar pelo Calvário. O cristão santo tem que se mortificaroração numa série de esforços perfeitamente positivos e sob o impulso de ardente amor ao Ser Supremo. Amar é preferir, ou seja, sacrificar as preferências próprias, para acatar as propostas do Criador. Amar é o sair de si mesmo para o outro, isto é, para Deus e para o próximo. Amar a todos como Jesus os ama, ou seja, com uma dileção pessoal até o sacrifício. É o sentir o irmão na fé, dando-lhe espaços, ajudando-o a carregar o fardo de cada hora. Tudo isto sob os acordes do belo hino entoado por São Paulo: “A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não se ufana, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê e, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13,4-7).

Os santos que já estão na pátria celeste realizaram de maneira excelente aquilo que todo cristão deve sempre praticar, se estiver cônscio de sua vocação. Para que isto aconteça cumpre deixar o Espírito Santo agir. Ele confere a toda ação a qualidade espiritual que leva cada um a progredir sempre nos caminhos da perfeição. Assim sendo, as tarefas são serenamente executadas. Ser santo não é ficar rezando o tempo todo, mas, tendo cada um reservado momentos para suas preces individuais ou comunitárias, é transformar os demais atos diários, ainda os mais absorventes, em oração. A atividade nos múltiplos afazeres também enriquecem a espiritualidade e faz crescer na graça santificante. É mister captar a espiritualidade que está inerente na própria atividade, mesmo porque em qualquer circunstância cada um está a serviço do outro. É só dar uma aplicação transcendental ao que se está realizando sob o impulso do amor a Deus e ao próximo, dando qualidade sobrenatural àquilo que se faz. Em outros termos, é de vital importância a encarnação da espiritualidade na ação, o que conduz a um crescimento na santidade existencial. Isto bem dentro da diretriz do Apóstolo: “Quer comais ou bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus (1 Cor 10,31).

É no cotidiano, nas mais pequeninas atividades que se opera a santificação pessoal daqueles que acreditam em Cristo. Eis por que todos os que permanecem fiéis, firmes na sua fé, arraigados na esperança, perseverantes na caridade, podem ser considerados como santos. Este deve ser o ideal de todo cristão, não sendo isto uma honra reservada apenas a alguns privilegiados. O importante é estar movido pelo espírito de Jesus e este espírito não deixa que se esteja longe da participação da vida de Deus e aí está já configurada a salvação. Não há distinção entre ser salvo e ser santo. É preciso ser santo para ser salvo. Todas estas verdades devem ser aprofundadas no dia dedicado àqueles que já estão na Jerusalém celeste, para que não se perca o rumo da Casa do Pai.

Retirado do Site da Comunidade Shalom

Dia de Finados


Cada ano, a comemoração litúrgica de Finados proporciona-nos uma rica oportunidade de refletir sobre a morte. Parece-me muito válido recordar verdades que são úteis ao bem-estar espiritual e social. Importantes conclusões poderão advir da meditação sobre essa realidade. Na sociedade moderna, vivemos como se esse fato existisse somente para os outros. Nós não pensamos que um dia morreremos; os outros, eles sim. A visita aos cemitérios, a presença aos sepultamentos e à missa das exéquias merecem a devida atenção, mesmo das pessoas que não costumam pôr em prática a fé cristã ou não a possuem. Esses atos meritórios comumente se restringem ao que ocorre com o outro, não se estendendo à realidade pessoal. Nem tampouco algo de tamanha riqueza, capaz de mudar nosso comportamento, levando-nos a observar os mandamentos do Senhor.

A verdade de fé que integra o conjunto da doutrina cristã, ensinada por Jesus e garantida pelo Magistério Eclesiástico através dos séculos, é que o homem morre uma só vez. Claríssimo o ensino da Epístola aos Hebreus (9,27): "E como é um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento". A vivência dessa verdade nos pressiona em favor de uma vida segundo as diretrizes de Jesus, sem esperarmos a correção de nossas falhas através de consecutivas e hipotéticas reencarnações. A crença em uma seqüência de existências contraria a fé cristã. A morte - uma só - nos abre as portas da eternidade, prêmio de nossa fidelidade a Cristo Jesus Ressuscitado. Essa verdade deve ser reafirmada ao recordarmos nossos parentes e amigos que nos precederam na Casa do Pai.

O Dia de Finados nos oferece uma oportunidade rara para o reencontro com as sábias lições que nos são oferecidas pela certeza da morte e a incerteza de quando virá. Diz a Escritura: "Devemos estar sempre vigilantes pois não sabemos nem o dia nem a hora" (Mt 25,13). Ao abrir os olhos para a luz, o recém-nascido recebe uma sentença absolutamente irrecorrível. Esse sopro vital que anima o corpo, desde sua concepção, é marcado com a Cruz de Cristo, que lhe assegura a imortalidade, a ressurreição final. Diante das milhares de sepulturas dos que já passaram por este momento, extraordinárias e fecundas reflexões vêm à inteligência e atingem o coração do ser humano. Esses momentos são fecundos, pois alicerçam certezas, fazem brilhar a verdade em todo o seu fulgor, geram esperança e opõem obstáculos à pressão que o mundo, afastado de Deus, exerce sobre as pessoas. Como tudo se transforma em torno de nós e quando a força do instinto leva o ser humano por caminhos desastrosos, cresce o número dos dependentes da droga e da atração do sexo em direção oposta à lei de Deus. A meditação de um cemitério contribui para fortalecer o equilíbrio diante das tendências de um mundo imerso no pecado. Os corpos que ali aguardam a ressurreição final nos falam, com extraordinária eloqüência, do além, em favor de um comportamento moral segundo os ensinamentos de Jesus.

A morte não constava da estrutura inicial da criação. Diz São Paulo, escrevendo aos Romanos (5,12): "Eis por que, como por meio de um só homem, o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim ela passou a todos os homens, porque pecaram". Essa doutrina, para o cristão, está intimamente vinculada à vitória de Cristo, que nos faz participar de sua própria Ressurreição. Aí, tocamos no âmago de nossa fé. Diz São Paulo: "Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé" (1 Cor 15,13). Essa modalidade do plano divino explica o traumatismo que sempre acompanha a morte. Por isso, somente a fé é o verdadeiro lenitivo, particularmente, quando ela arranca de nosso convívio parentes e amigos. A sabedoria nos leva a aproveitar esta situação, fruto do pecado, para alcançarmos, pela prática das virtudes, um crescimento segundo o modelo: Jesus Cristo. São Paulo nos fala, na mesma Epístola, de nossa vitória, que será facilitada pelas lições que nos oferece o Dia de Finados: "Portanto, que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal, sujeitando-vos às suas paixões (...) Oferecei vossos membros como armas de justiça a serviço de Deus. E o pecado não vos dominará, porque não estais debaixo da lei, mas sob a graça!" (Rm 6,12-14).

Outra grande lição do Dia de Finados é a transitoriedade de tudo o que nos rodeia no mundo em que vivemos. Uma profunda convicção da precariedade do poder, do dinheiro, da saúde, enfim de nossa existência, nos ajuda fortemente a viver segundo a lei de Deus e a acreditar firmemente - até com sacrifício da própria vida - na doutrina que Ele veio trazer ao mundo, para a salvação de todos. A conseqüência é uma conversão que nos conduz a uma intensa paz interior, que vem de Deus e a Ele nos leva.

A celebração das exéquias, em geral, e o Dia de Finados, em particular, merecem especial atenção dos que atuam no campo pastoral. Além da riqueza espiritual sempre atuante junto aos praticantes da fé cristã, são de muita eficácia junto aos que se distanciam das práticas religiosas. Pelos fatores culturais e nossa tradição cristã, pessoas alheias à religião se dispõem a praticar esses atos, levados pela solidariedade com os que sofrem pela morte de parentes, amigos, ou movidos pela saudade dos entes queridos que já se foram. Por isso, a 4ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, reunida em Puebla, México, de 27 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979, ao tratar da liturgia, oração particular e piedade popular, nas Conclusões (nº 946), recomenda: "Aproveitar, como ocasião propícia à evangelização, a celebração da Palavra nos funerais".

O Concílio Vaticano II, em Gaudium et spes (nº 18) diz que a fé cristã nos dá uma resposta à ansiedade acerca de nosso destino futuro. "Ao mesmo tempo, oferece possibilidade de comunicar-se, em Cristo, com os irmãos queridos que a morte já levou, trazendo a esperança de que eles tenham alcançado a verdadeira vida junto de Deus".

Dom Eugenio Sales, arcebispo emérito do Rio

Ser Humilde


Para se fazer a vontade de Deus é preciso antes de tudo ser humilde, “pobre de espírito” como pediu Jesus

A Igreja, sempre iluminada e assistida pelo Espírito Santo, em sua experiência bi-milenar, nos ensina que os piores pecados são aqueles que ela chama de “capitais”. Capital vem do latim “caput”, que quer dizer cabeça. São pecados “cabeças”, isto é, que geram muitos outros.

Assim como, por exemplo, a capital de um estado ou de um país, é de onde procedem as ordens, decisões e comandos, assim também, desses pecados “cabeças”, nascem muitos outros. Por isso eles sempre mereceram, por parte da Igreja, uma atenção especial. São sete: soberba, ganância, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça. Houve um santo que disse que, se a cada ano vencêssemos um desses sete pecados, ao fim de sete anos, seríamos santos. Portanto, vale a pena refletir sobre eles, a fim de rejeitá-los, com o auxílio da graça de Deus e de nossa vontade. O primeiro, e sem dúvida o pior de todos, é a soberba. É o pior porque foi exatamente o que levou os anjos maus  a se rebelarem contra Deus, e levou Adão e Eva à desobediência mortal.

A soberba consiste na pessoa sentir-se como se fosse a geradora dos seus próprios bens materiais e espirituais.

Acha-se cheia de si mesma, pensa, melancolicamente, que é a própria autora daquilo que tem ou que faz de bom, e se esquece de que tudo vem de Deus e é dom do alto, como disse São Tiago: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai  das luzes” (Tg 1,17).

O soberbo se esquece que é uma simples criatura, que saiu do nada pelo amor e chamado de Deus, e que, portanto, Dele depende em tudo. Como disse Santa Catarina de Sena, ele “rouba a glória de Deus”, pois quer para si as homenagens e os aplausos que pertencem só a Deus, já que Ele é o autor de toda graça.

A soberba é o oposto da humildade. Essa palavra vem de “humus”, daquilo que se acha na terra, pó. O humilde é aquele que reconhece o seu “nada”, a sua contingência, embora seja a mais bela obra de Deus sobre a terra, a sua glória, como dizia santo Irineu.

Foi a soberba que perdeu a humanidade, foi a humildade que a salvou. São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja, garante que: “Toda a vitória do Salvador dominando o demônio e o mundo, foi iniciada na humildade e consumada na humildade!”

Adão e Eva sendo criaturas quiseram “ser como deuses” (Gn 3,5), Jesus, sendo Deus, fez-se como a criatura. Da manjedoura à cruz do Calvário, toda a vida de Jesus foi vivida na humildade e na humilhação. São Paulo resume isso na carta aos filipenses: “Sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fil 2,6-8).

Pela humildade e pela humilhação Jesus se tornou o “novo Adão” que salvou o mundo (Rm 5,12s). Maria, a mãe do Senhor, tornou-se a “nova Eva”, ensina a Igreja, porque na sua humildade destruiu os laços da soberba da primeira virgem. Ela disse: “Ele olhou para a humildade de sua serva”.(Lc 1,39)

Muitos cristãos são cheios de boas virtudes, mas infelizmente tornam-se “inchados”, pensando infantilmente que essas boas virtudes são méritos próprios e não graças de Deus, para serviço dos outros. Deus disse a Santa Catarina que: “o pecador, qual ladrão, rouba-Me a honra, para atribuí-la a si mesmo”.

São Paulo pergunta aos corintios: “O que há de superior em ti? Que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se o não tivesses recebido?” (1 Cor 4,7).

Como ninguém, o Apóstolo sentia em si as misérias humanas, convivendo com as riquezas da graça de Deus. Ele disse aos corintios: “Temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provem de Deus e não de nós” (2 Cor 4,7).

É de Santo Agostinho a expressão: “Eis a grande ciência do cristão: conhecer que nada é e nada pode”.

Ser humilde é ser santo, é viver o oposto de tudo isso: é saber descer do pedestal, é não se auto-adorar, é preferir fazer a vontade dos outros do que a própria, é ser silencioso, discreto, escondido, é fugir das pompas e dos aplausos.

São João Batista foi modelo dessa humildade e nos ensinou a sua essência. Ao falar de Jesus, ele disse: “Importa que Ele cresça e que eu diminua!” (Jo 3,30).

Isto diz tudo. Quando Jesus iniciou a sua vida pública, João o apresentou para o povo: “eis o Cordeiro de Deus”, e desapareceu, até ser martirizado no cárcere de Herodes. Que lição de humildade! Também Nossa Senhora, sendo, “a Mãe do Senhor” (Lc 2,43), fez-se “a escrava do Senhor” (Lc 1,38).

Prof. Felipe Aquino

28 de Outubro - Dia de São Simão e São Judas Tadeu


Celebramos na alegria da fé os apóstolos São Simão e São Judas Tadeu. Os apóstolos foram colunas e fundamento da verdade do Reino.

São Simão:

Simão tinha o cognome de Cananeu, palavra hebraica que significa "zeloso".

Nicéforo Calisto diz que Simão pregou na África e na Grã-Bretanha. São Fortunato, Bispo de Poitiers no fim do século VI, indica estarem Simão e Judas enterrados na Pérsia.

Isto vem das histórias apócrifas dos apóstolos; segundo elas, foram martirizados em Suanir, na Pérsia, a mando de sacerdotes pagãos que instigaram as autoridades locais e o povo, tendo sido ambos decapitados. É o que rege o martirológio jeronimita.

Outros dizem que Simão foi sepultado perto do Mar Negro; na Caucásia foi elevada em sua honra uma igreja entre o VI e o VIII séculos. Beda, pelo ano de 735, colocou os dois santos no martirológio a 28 de outubro; assim ainda hoje os celebramos.

Na antiga basílica de São Pedro do Vaticano havia uma capela dos dois santos, Simão e Judas, e nela se conservava o Santíssimo Sacramento.

São Judas Tadeu:

Judas, um dos doze, era chamado também Tadeu ou Lebeu, que São Jerônimo interpreta como homem de senso prudente. Judas Tadeu foi quem, na Última Ceia, perguntou ao Senhor: "Senhor, como é possível que tenhas de te manifestar a nós e não ao mundo?" (Jo 14,22).

Temos uma epístola de Judas "irmão de Tiago", que foi classificada como uma das epístolas católicas. Parece ter em vista convertidos, e combate seitas corrompidas na doutrina e nos costumes. Começa com estas palavras: "Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados e amados por Deus Pai, e conservados para Jesus Cristo: misericórdia, paz e amor vos sejam concedidos abundantemente". Orígenes achava esta epístola "cheia de força e de graça do céu".

Segundo São Jerônimo, Judas terá pregado em Osroene (região de Edessa), sendo rei Abgar. Terá evangelizado a Mesopotâmia, segundo Nicéforo Calisto. São Paulino de Nola tinha-o como apóstolo da Líbia.

Conta-se que Nosso Senhor, em revelações particulares, teria declarado que atenderá os pedidos daqueles que, nas suas maiores aflições, recorrerem a São Judas Tadeu.

Santa Brígida refere que Jesus lhe disse que recorresse a este apóstolo, pois ele lhe valeria nas suas necessidades. Tantos e tão extraordinários são os favores que São Judas Tadeu concede aos seus devotos, que se tornou conhecido em todo o mundo com o título de Patrono dos aflitos e Padroeiro das causas desesperadas.

São Judas é representado segurando um machado, uma clava, uma espada ou uma alabarda, por sua morte ter ocorrido por uma dessas armas.


São Simão e São Judas Tadeu, rogai por nós!

30º Domingo do Tempo comum – Domingo do cego de nascença


Na 1ª leitura, Deus reúne as tribos dispersas e as consola com a alegria da salvação. A cura de cegos e coxos sinaliza a chegada da salvação messiânica em Cristo, revelando o amor predileto de Deus pelas pessoas marginalizadas.

A 2ª leitura ressalta que Jesus é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec, servidor do Deus Altíssimo. Participando da condição humana, Cristo a santifica com a oferta única e total de sua vida.

No evangelho, o relato da cura do cego, colocado no fim da caminhada de Jesus a Jerusalém, ressalta que os discípulos precisam de luz para seguir o Mestre no caminho da paixão. O mendigo cego, Bartimeu, encontra-se sentado à beira do caminho. Ao ouvir que Jesus estava passando, clama com todas as forças: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim. Jesus se detém e manda chamá-lo, revelando-se como o Messias enviado para manifestar o amor misericordioso de Deus. Ao perceber o chamado, o cego joga o manto, provavelmente o pano que estendia para receber esmolas, e se aproxima de Cristo. Diante da pergunta de Jesus “que queres que te faça?” responde com uma profissão de fé: Rabbuni, que eu veja! A expressão de Jesus: Tua fé te salvou é a mesma que ocorre no relato da cura da mulher. Assim, a cura tem sentido de salvação. O cego recupera a vista e segue Jesus pelo caminho, tornando-se verdadeiro discípulo.

Revista de Liturgia

25 de Outubro - Dia de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão


Conhecido como "o homem da paz e da caridade", Antônio de Sant'Anna Galvão nasceu no dia 10 de maio de 1739, na cidade de Guaratinguetá (SP).

Filho de Antônio Galvão, português natural da cidade de Faro em Portugal, e de Isabel Leite de Barros, natural da cidade de Pindamonhangaba, em São Paulo. O ambiente familiar era profundamente religioso. Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política.

O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou Antônio, com a idade de 13 anos, à Bahia, a fim de estudar no seminário dos padres jesuítas.

Em 1760, ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco em São Paulo.

Em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição.

Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades. A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do "recolhimento".

Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis.

Sobre a lápide do sepulcro de Frei Galvão está escrito para eterna memória: "Aqui jaz Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822". Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora ao lado de seu Senhor Sacramentado.

Frei Galvão é o religioso cujo coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: "O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades".

O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro.


Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, rogai por nós!

29º Domingo do Tempo comum – Domingo do serviço


Na 1ª Leitura, Jesus carrega sobre si as dores e os pecados da humanidade, realizando plenamente a missão do Servo. Deus exalta o justo pela fidelidade à sua vontade.

Na 2ª Leitura, Jesus é o sumo sacerdote eminente, capaz de compadecer-se das fraquezas humanas, pois foi provado em tudo, exceto no pecado. Permaneçamos firmes na profissão de fé e confiantes na misericórdia divina.

O evangelho está situado após o terceiro anúncio da paixão e mostra que os discípulos ainda não compreendem a missão de Jesus. Querem assegurar lugares de honra, pois esperam que o Cristo seja proclamado o Messias glorioso de Israel. O caminho do discipulado impele a beber o cálice com Jesus, a compartilhar sua paixão que se aproxima. A imagem do batismo sugere também a participação na morte redentora de Cristo. Assim, o exemplo de Jesus se opõe aos ambiciosos, que desejam os primeiros lugares. Na comunidade de Jesus, Servo sofredor, o poder consiste em servir o Reino de Deus. Os verbos governar e dominar, descrevem com ironia, a liderança como poder e status. O Mestre substitui a hierarquia da dominação pelo serviço: Aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor; e quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos. O ensinamento de Jesus fundamenta-se na oferta de sua vida: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos.

Revista de Liturgia

O amor verdadeiro é exigente


Quando Jesus saía com os seus discípulos, a caminho de Jerusalém, apareceu um jovem que se ajoelhou diante d’Ele e lhe perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” O Senhor indica-lhe os Mandamentos como caminho seguro e necessário para alcançar a salvação. O jovem, com grande simplicidade, respondeu-lhe que os cumpria desde a infância. Então Jesus, que conhecia a pureza daquele coração e o fundo de generosidade e de entrega que existe em cada homem e em cada mulher, “olhou para ele com amor” e convidou-o a segui-Lo, pondo à parte tudo o que possuía.

Como gostaríamos de contemplar esse olhar de Jesus! Umas vezes, imperioso; outras, de pena e de tristeza, por exemplo ao ver a incredulidade dos fariseus (Mc 2,5); outras, de compaixão, como à entrada de Naim, quando passou o enterro do filho da viúva (Lc 7,13). É esse olhar que comunica uma força persuasiva às palavras com que convida Mateus a deixar tudo e segui-Lo (Mt 9,9); ou com que se faz convidar a casa de Zaqueu, levando-o à conversão (Lc 19,5).

Mas o jovem prefere a “segurança” da riqueza e recusa o convite de Jesus!

Ao recusar o convite, diz o Evangelho:” quando ele ouvir isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico” (Mc 10,22). “A tristeza deste jovem deve fazer-nos refletir. Podemos ter a tentação de pensar que possuir muitas coisas, muitos bens neste mundo, pode fazer-nos felizes. E no entanto, vemos no caso deste jovem do Evangelho que as muitas riquezas se converteram em obstáculo para aceitar o chamamento de Jesus. Não estava disposto a dizer Sim a Jesus e não a si próprio, a dizer Sim ao amor e não á fuga!

O amor verdadeiro é exigente. O amor exige esforço e compromisso pessoal para cumprir a vontade de Deus. Significa disciplina e sacrifício, mas significa também alegria e realização humana. Não tenhais medo a um esforço honesto e a um trabalho honesto; não tenhais medo à verdade. Queridos jovens, com a ajuda de Cristo e através da oração, vós podeis responder ao Seu chamamento, resistindo às tentações, aos entusiasmos passageiros e a toda a forma de manipulação de massas.

Segui a Cristo! Vós, esposos, tornai-vos participantes reciprocamente, do vosso amor e das vossas cargas, respeitai a dignidade humana do vosso cônjuge; aceitai com alegria a vida que Deus vos confia; tornai estável e seguro o vosso matrimônio por amor aos vossos filhos.

Segui a Cristo! Vós solteiros ou que estais a preparar para o matrimônio! Em nome de Cristo estendo a todos vós o chamamento, o convite, a vocação: Vem e segue-Me” (Beato João Paulo II).

A reflexão da passagem bíblica sobre o jovem rico leva-nos a entender o uso dos bens materiais. Jesus não os condena por si mesmos; são meios que Deus pôs à disposição do homem para o seu desenvolvimento em sociedade com os outros. O apego indevido a eles é o que faz que se convertam em ocasião pecaminosa. O pecado consiste em “confiar” neles, como solução única da vida, voltando as costas à divina Providência. São Paulo diz que a ganância é uma idolatria (Cl 3,5). Cristo exclui do Reino de Deus a quem cai nesse apego às riquezas, constituindo-as em centro da sua vida, ou melhor disto, ele mesmo se exclui.

Quem é esse jovem do Evangelho? Posso ser eu. Pode ser você… São muitas pessoas que observam os Mandamentos e até desejariam fazer mais… Mas quando Deus pede algo mais… se retiram tristes, porque estão apegadas a muitas coisas, que amaram o seu coração e impedem de dar esse passo a mais. As vezes são medíocres, querem ficar satisfeitas apenas com o mínimo necessário!…

Cristo nos dirige, ainda hoje, o mesmo convite: “Vai e vende tudo o que tens e dá aos pobres… e depois, vem e segue-Me.” Todos nós temos alguma coisa para “vender”… Quais são as “riquezas”, de que devemos nos desfazer para esse algo mais e que tornam o nosso coração materializado e insensível às coisas de Deus?

Cristo continua nos olhando com amor! Com esforço devemos seguir o Mestre. “Neste esforço de identificação com Cristo, costumo distinguir como que quatro degraus: procurá-Lo, encontrá-Lo, tratá-Lo, amá-Lo. Talvez vos sintais como que na primeira etapa. Procurai o Senhor com fome, procurai-O em vós mesmo com todas as forças. Atuando com este empenho, atrevo-me a garantir que já O tereis encontrado, e que tereis começado a tratá-Lo e a amá-Lo” (São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, nº 300).

Mons. José Maria Pereira

A verdadeira sabedoria é dom de Deus


Alguns valores são fundamentais para a história de nossa vida. Entre eles citamos o dom da sabedoria, que vem do alto, de Deus. A sabedoria divina, para ser praticada, exige de nós renúncias, que a cultura atual, muito marcada pelo modelo consumista e capitalista, não está disposta a assumir. Isto supõe coragem e desprendimento da pessoa.

Ser sábio é contrapor à ideologia de dominação, de perseguição e de oportunismo para conseguir poder e prazer, podendo desfrutar dos bens gananciosamente, perseguindo as práticas do justo. As atitudes de autossuficiência excluem o valor da sabedoria divina, colocando toda sua força naquilo que é realização sem a presença de Deus. 

A vida assumida com sabedoria faz a pessoa ser justa e a reconhecer a Deus como Pai. Sabe que sua existência não está resumida apenas no gozo do momento, mas tem uma dimensão de eternidade, de felicidade duradoura no seio do Criador. Esta foi a sabedoria pedida por Salomão, rei de grande sabedoria, mas que conseguir reconhecer sua humanidade, submissa aos princípios divinos.

A sabedoria está acima do poder e da riqueza. Ela é mãe e mestra das coisas, capaz de proporcionar equilíbrio no nosso agir e no valor que damos às realidades. Seu brilho faz com que reconheçamos, com mais precisão, o que é valor absoluto e o que é relativo, trazendo serenidade no agir. Sábio é quem consegue enxergar no mudo prático a presença das forças divinas e as valoriza.

Para o profeta Isaías, a verdadeira sabedoria é dom de Deus, acompanhada por outros dons que a fortalecem. Destacamos a inteligência, o conselho, a fortaleza, a capacidade de conhecimento, o temor do Senhor e o espírito com que tudo isto é colocado em prática (Is 11, 2). Toda esta riqueza supõe um coração sensível, simples, autêntico e aberto para essas realidades.

O acúmulo nunca é bênção de Deus, portanto não é expressão de sabedoria. Ele tira a condição de liberdade, sabedoria e justiça. Não passa de atitude egoísta, contrária à relação de justiça e fraternidade. Temos que vencer o empecilho, o apego aos bens materiais.

Dom Paulo Mendes Peixoto

28º Domingo do Tempo comum - Domingo do jovem rico


A 1ª leitura ensina a buscar a sabedoria que vem de Deus, preferível aos cetros, aos tronos, a todas as riquezas do mundo.

A 2ª leitura mostra a força da salvação e o julgamento da Palavra de Deus, que atinge o mais profundo da pessoa, cumprindo sua finalidade.

No Evangelho, enquanto Jesus está a caminho de Jerusalém, alguém corre ao seu encontro, ajoelha-se e pergunta: Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? A resposta de Jesus enumera os mandamentos, que tratam das relações humanas. O interlocutor de Jesus avalia sua fidelidade, a partir da observância das prescrições da Lei. As riquezas eram vistas, sobretudo como sinal do favor divino, do qual resultava o compromisso de dar esmolas aos pobres. Jesus chama a compartilhar seu estilo de vida pela doação total do ser, não do ter: Vai vende tudo o que tens, dá aos pobres, depois vem e segue-me. A dificuldade em confiar totalmente em Deus, desprendendo-se dos bens terrenos, leva os discípulos a dizer: Quem pode ser salvo? O contraste entre a imagem do camelo e da agulha ilustra que a ação humana é conduzida pela graça de Deus. Pedro, como representante dos discípulos, quer saber qual é a recompensa por aceitar o desafio de seguir Jesus e sua mensagem. Jesus promete a recompensa da comunhão, nesta vida e na eternidade, aos que investem tudo por sua causa e do evangelho.

Revista de Liturgia