Domingo da cura do surdo-mudo


A atividade de Jesus na 1ª leitura indica que a profecia messiânica de vida melhor para o povo se torna realidade no ministério de Jesus. O Messias prometido se revela abrindo os olhos dos cegos, os ouvidos dos surdos, soltando a língua dos mudos para que anunciem as maravilhas da salvação.

Na 2ª leitura, a adesão a Jesus Cristo impulsiona a superar todas as formas de privilégios, que conduzem à acepção de pessoas. Os pobres, por causa de sua fé, são ricos, herdeiros do Reino, objeto do cuidado especial de Deus e das bênçãos messiânicas.

As atividades misericordiosas de Jesus, realizadas em diversas cidades, revelam a presença do Reino de Deus. Um homem incapaz de ouvir, e que falava com dificuldade, é levado até Jesus para que lhe impusesse a mão. Como Mestre por excelência, ele coloca os dedos nos seus ouvidos e, com a saliva, toca-lhe a língua, para que se torne verdadeiro discípulo. As palavras do Mestre de Nazaré transformam a situação do surdo-mudo: imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Recordando o plano da criação, ouvir e falar são essenciais para acolher a palavra e responder através da proclamação de fé. A proibição para não divulgar o milagre está associada à identidade de Jesus, que será manifestada plenamente na cruz e na ressurreição.

Revista de Liturgia

08 de Setembro - O nascimento de Maria, a Virgem santa


Hoje, é comemorado o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo.

Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Um livro de São Tiago, venerado desde o começo do cristianismo, nos traz alguns detalhes sobre a infância de Maria, ele afirma que os seus pais, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus.

De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.
Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois n’Ela apareceu no mundo a Aurora que precedeu o sol da justiça e Redentor da humanidade.

Nossa Senhora, rogai por nós!

Domingo da pureza do coração


Na 1ª leitura, os mandamentos são dons que libertam e asseguram a vida em plenitude na terra prometida.

A 2ª leitura convida a acolher com fé e docilidade a Palavra, que foi implantada em nós pelo batismo, assumindo as exigências éticas por ela implicadas. Sejam praticantes da Palavra, não meros ouvintes. Sem a prática da caridade com os necessitados, representados pelos órfãos e pelas viúvas, a religião fica sem sentido.

No Evangelho, Deus oferece a salvação gratuitamente a todos os povos e seus ensinamentos estão centrados no amor. Jesus, com palavras e ações, revela o caminho de fidelidade à vontade do Pai. Como Mestre, ele dedica a vida ao anúncio da Boa Nova do Reino, que liberta integralmente e torna as pessoas discípulas. Lembrando a tradição profética, o Filho de Deus afirma: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim, pois abandona o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens. Com sua atuação, Jesus elimina a diferença entre puro e impuro, enquanto barreira que divide os povos e marginaliza as pessoas. Mostra que o verdadeiro culto, em espírito e verdade, consiste no mandamento do amor a Deus e ao próximo. As más ações e os vícios são consequências das opções humanas; afastam do autêntico relacionamento com o Senhor e todas as criaturas. Deus salva com sua graça, para que o ser humano permaneça em sua palavra.

Revista de Liturgia

Santo Agostinho


Santa Mônica precisou de mais de 30 anos de oração para alcançar a conversão de seu filho Agostinho, mas valeu a pena. Como um bom vinho, aquele que é apurado com o tempo, ganhando sabor com seu envelhecimento, Santo Agostinho em sua busca pela verdade se transformou num dos mais importantes pilares do pensamento de nossa fé.

Seus escritos são riquíssimos, de uma profundidade ímpar. Além disso, possui valor literário. Seu livro “Confissões” é considerado um dos clássicos da história. De uma beleza extraordinária.

De Santo Agostinho tem-se muito que dizer. Gostaria, no entanto de frisar algumas de suas frases. Já reparou como grandes homens nos ofertam pérolas de pensamentos? Guardo duas bem de cor. A primeira nos ensina muito sobre a tolerância: “Na dúvida, liberdade; Na certeza, unidade; Em tudo, caridade”. A outra foi dita ao ser escolhido para dirigir sua comunidade: “Temo o que sou para vós: bispo; consola-me o que sou convosco: irmão”. Ah se o mundo ouvisse Agostinho! Quantos conflitos poderiam ser evitados… Ah se rendesse ao sabor de seu conhecimento!

Em certos momentos pode-se ler sua alma: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti”. Releia em voz alta. Perceba que há sonoridade, arte…

Há muitas outras frases maravilhosas de Santo Agostinho. Que merecem ser conhecidas. Fazem bem para o espírito e para o ouvido. Como:

- “O rico enche a bolsa de moedas e a alma de preocupação”;
- “Geralmente suspeitamos dos demais o que sentimos em nós”;
- “Ninguém consegue erguer outro alguém a seu próprio nível a não ser que ele próprio desça até o nível do outro”.

Retirado do Blog da Canção Nova

Martírio de São João Batista


Com satisfação lembramos a santidade de São João Batista que, pela sua vida e missão, foi consagrado por Jesus como o último e maior dos profetas: "Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João, o Batista...De fato , todos os profetas, bem como a lei, profetizaram até João. Se quiserdes compreender-me, ele é o Elias que deve voltar." (Mt 11,11-14)

Filho de Zacarias e Isabel, João era primo de Jesus Cristo, a quem "precedeu" como um mensageiro de vida austera, segundo as regras dos nazarenos.

São João Batista, de altas virtudes e rigorosas penitências, anunciou o advento do Cristo e ao denunciar os vícios e injustiças deixou Deus conduzí-lo ao cumprimento da profecia do Anjo a seu respeito: "Pois ele será grande perante o Senhor; não beberá nem vinho, nem bebida fermentada, e será repleto do Espírito Santo desde o seio de sua mãe. Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus: e ele mesmo caminhará à sua frente..." ( Lc 1, 15)

São João Batista desejava que todos estivessem prontos para acolher o Mais Forte por isso, impelido pela missão profética, denunciou o pecado do governador da Galileia: Herodes, que escandalosamente tinha raptado Herodíades - sua cunhada - e com ela vivia como esposo.

Preso por Herodes Antipas em Maqueronte, na margem oriental do Mar Morto, aconteceu que a filha de Herodíades (Salomé) encantou o rei e recebeu o direito de pedir o que desejasse, sendo assim, proporcionou o martírio do santo, pois realizou a vontade de sua vingativa mãe: "Quero que me dês imediatamente num prato, a cabeça de João, o Batista" (Mc 6,25)

Desta forma, através do martírio, o Santo Precursor deu sua vida e recebeu em recompensa a Vida Eterna reservada àqueles que vivem com amor e fidelidade os mandamentos de Deus.

São João Batista, rogai por nós!

Valor do essencial


Tudo que ajuda no aumento da qualidade da vida das pessoas e no crescimento do verdadeiro bem é aceitável. Mas nem tudo é essencial nem consegue atingir o mais profundo do ser humano. No Plano de Deus, o mais importante é o amor, fundamentado na Palavra, causando autêntica libertação.

É importante a prática de normas, de estatutos para o interesse comum, mas longe de qualquer tipo de legalismo com privilégios particulares, excluindo o bem coletivo. Na verdade, é do coração de cada pessoa que vem a escolha para fazer o bem ou o mal. A referência determinante seja a Palavra de Deus.

Na visão da Sagrada Escritura, deve sair do coração humano todo tipo de “imundície e malícia” que degrada a sua dignidade. Somente a docilidade aos ensinamentos da Palavra revelada poderá proporcionar vida e solidariedade para com quem passa por dificuldades e criar ambiente capaz de condicionar vida fraterna.

O grande sonho de todos é que haja liberdade e paz. Isto deve ser garantido pelas leis, evitando que aconteçam atos injustos e desentendimento entre as pessoas. Não podemos fugir do essencial, cujo centro é a defesa e a promoção da vida e sua dignidade. O grande entrave para isto passa pela capacidade que as pessoas têm para burlar as leis em causa própria.

Vivemos na cultura dos interesses individuais, gerando um sistema que oprime o povo, porque não corresponde ao ideal de uma sociedade realmente justa. E podemos dizer que uma grande nação se faz pela promoção da justiça social. Nestas condições, todas as pessoas conseguem viver bem, e as leis são essenciais e devem ser respeitadas.

Numa realidade injusta, o Estado se arma de muitos “espiões”, de fiscais e cobradores de impostos, porque a distribuição não é fraterna. Há atrelamento com um sistema de leis que mais oprime e exclui do que liberta as pessoas. Leis que nem sempre condizem com o que está inscrito no coração das pessoas. Diga-se que o Brasil é campeão na cobrança de impostos.

Dom Paulo Mendes Peixoto

O dom da amizade


Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro 'O Pequeno Príncipe', escreve: "Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo". Muitas vezes, vivemos em meio a multidões e nos sentimos sozinhos. Falta-nos a presença de um amigo que ouça nossas dores e cure, com o bálsamo das palavras de conforto, as feridas de nossa alma. Amigo verdadeiro sabe cuidar do outro sem deixar de cuidar de si mesmo. Somente quem descobriu, na vida, uma verdadeira amizade saberá valorizar este dom tão precioso e valioso quanto um diamante. 

A melhor definição do que seja amizade encontramos nas Sagradas Escrituras: "Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade da sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor achará esse amigo. Quem teme o Senhor terá também uma excelente amizade, pois o seu amigo lhe será semelhante" (Eclo 6,14ss). As verdadeiras amizades são tão preciosas que são comparadas pelo Autor Sagrado como um tesouro. Algo valioso que, uma vez encontrado, deve ser cuidado e valorizado.

Amigos nascem de muitas semelhanças, mas também de diferenças. Na escola da vida aprendemos a reconhecer um amigo pela presença silenciosa nos momentos de dor. Amigo verdadeiro sabe se alegrar com as nossas conquistas. Amizade que cultiva a inveja perde o seu sentido e sufoca a raiz do amor gratuito que fortalece a árvore da partilha que cultivamos. 

Amizade verdadeira constrói pontes e derruba os muros que separam e dividem. Um amigo de verdade sabe caminhar conosco nas noites sem as estrelas da esperança, e nos guia com a luz do seu amor pelo caminho do bem e da verdade. Amigo sincero fala-nos com carinho, mas não deixa de nos dizer a verdade, mesmo que, muitas vezes, não estejamos dispostos a ouvir.

Amigo verdadeiro sabe respeitar o nosso tempo e não nos sufoca com seu excesso de proteção. Ele sabe que estar longe e tão importante quanto estar perto. Ele nos compreende quando preferimos o silêncio das reflexões ao barulho das palavras sem sentido.

Uma amizade madura nasce no tempo e se cultiva por toda a vida. No tesouro da vida, a amizade deve ser cuidada com carinho e ternura. Quem descuida de um amigo abandona um tesouro valioso e deixa de lado um pouco de si mesmo que foi guardado no coração da outra pessoa. A melhor maneira de valorizarmos uma amizade é ser presença e não ser inconveniente. 

Muitas amizades terminam, porque nunca começaram de verdade. São relações interpessoais cultivadas de maneira superficial. Amizade que tem sua base no amor conhece a história do outro e, por isso mesmo, sabe ser misericordioso com quem nos confia partes de sua vida em retalhos de lágrimas e sorrisos. 

Jesus confiou tão verdadeiramente em Seus discípulos que não os chamava mais de servidores, mas sim de amigos: “Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai” (cf. Jo 15,15). A vida e a missão de Jesus não eram segredos para aqueles que conviviam com Ele diariamente. Jesus sabia que somente aqueles que acolhem a vida do outro na sua própria vida são amigos verdadeiros. O amor de Jesus por cada amigo foi tão grande que a Sua vida já não seria mais Sua, mas continuaria para sempre viva no coração de cada um daqueles que o seguiam, e, no paraíso, esta vida doada e partilhada seria contemplada em um abraço amigo que iria durar toda uma eternidade. 

Na amizade de Jesus por cada um de nós encontramos o caminho para uma amizade verdadeira que se doa, gratuitamente, por aqueles que fazem parte de nossa história. Amizade verdadeira tem em Cristo o seu fundamento de amor, caridade, entrega e partilha.

Padre Flávio Sobreiro

Sou de Deus!!!


Domingo da profissão de fé de Pedro


Chegando a este ponto do relato de João sobre o pão, entendemos que Jesus não abre mão da sua opção de vida, e isto gera uma profunda crise entre os seus discípulos. Muitos se afastaram diante da exigência da fé. Jesus prefere perder os discípulos a ter que renunciar à missão que o Pai lhe confiou. Não aceita ser um messias segundo a carne, isto é, alguém que impõe o seu governo. Insiste num estilo de vida segundo o Espírito, renunciando a toda ambição e glória humana.

Servir ao Senhor da vida torna-se duro e exigente. São muitas as tentações e hostilidades. Nos deparamos muitas vezes com as nossas próprias impossibilidades: queremos o caminho do Espírito, mas somos atraídos pelo vontade de ir embora. 

Na celebração, peçamos que o Senhor nos ensine a não fugir do conflito e que jamais percamos o encanto pela vida, apesar de todas as dificuldades que possamos encontrar em nosso caminho. Que a nossa resposta a Jesus seja como a de Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”.

Revista de Liturgia

24 de Agosto – Dia de São Bartolomeu


Neste dia, festejamos a santidade de vida de São Bartolomeu, apóstolo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na Bíblia é citado com o nome de Natanael (que significa dom de Deus). Os três Evangelhos sinópticos chamam-lhe sempre Bartolomeu ou Bar-Talmay (filho de Talmay em aramaico). Nasceu em Caná da Galiléia, naquela pequena aldeia onde Jesus transformou a água em vinho.

Bartolomeu é modelo para quem quer se deixar conduzir pelo Senhor, pois, assim encontramos no Evangelho de São João: "Filipe vai ter com Natanael e lhe diz: 'É Jesus, o filho de José de Nazaré'". Depois de externar sua sinceridade e aproximar-se do Cristo, Bartolomeu ouviu dos lábios do Mestre a sua principal característica: "Eis um verdadeiro israelita no qual não há fingimento" (Jo 1,47).

Pertencente ao número dos doze, São Bartolomeu conviveu com Jesus no tempo da vida pública e pôde contemplar no dia-a-dia o conteúdo de sua própria profissão de fé: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel". Depois da Paixão, glorificação do Verbo e grande derramamento do Espírito Santo em Pentecostes, conta-nos a Tradição que o apóstolo Bartolomeu teria evangelizado na Índia, passado para a Armênia e, neste local conseguido a conversão do rei Polímio, da esposa e de muitas outras pessoas, isto até deparar-se com invejosos sacerdotes pagãos, os quais martirizaram o santo apóstolo, após o arrancarem a pele, mas não o Céu, pois perseverou até o fim.

São Bartolomeu, rogai por nós!