Eucaristia, celebração da comunidade animada pelo Espírito


Celebramos, hoje, a festa do Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo, reafirmamos a nossa fé na presença real e substancial do Senhor no Pão e no Vinho consagrados como alimento da nossa salvação. Diante de tão grande mistério, somos chamados a elevar os nossos corações para o Alto e fazer eco à profissão de fé eucarística no Pão e Vinho.

Esta festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV, em 11 de agosto de 1264, com o intuito de destacar a dimensão sacramental que a tradição romana associou à Última Ceia de Jesus, já celebrada na Semana Santa.

A ceia é um momento de alegria, partilha e comunhão. Descartando comer o Cordeiro Pascal, Jesus se apresenta como o Pão que dá a vida, e o Vinho que alegra a todos, inaugurando a nova celebração do Reino de Deus. A Eucaristia é a celebração da comunidade viva, animada pelo Espírito, unida em torno de Jesus, empenhada em cumprir a vontade do Pai, que é vida para todos.

Por que o Senhor utilizou pão e vinho? Porque são os alimentos mais simples, mais comuns da mesa dos judeus. O pão e o vinho eram do dia-a-dia do pobre e do rico. Ainda hoje, nos países da bacia do Mediterrâneo, ao nos sentarmos para o almoço ou jantar, encontramos uma garrafa d’água na mesa, uma garrafa de vinho e pão fatiado. Jesus não quis ser o Senhor dos grandes momentos, o Homem de algumas poucas ocasiões; Ele quis ser o Jesus de todos os dias, de todos os momentos, o Cristo dos pobres e dos ricos, o Senhor de todos e de tudo. Por isso mesmo escolheu sinais tão ínfimos, tão humildes.

Obrigado, Jesus, por Sua humildade, por Sua divina disponibilidade em se dar a nós de modo tão simples, tão desprovido de grandeza! Ensina-nos, pelo Pão e Vinho Eucarístico, a virtude da humildade, da simplicidade, da arte de perceber o valor das coisas humildes e pequenas, nas quais o Senhor se esconde.

Por que Jesus disse “é meu Corpo, é meu Sangue”? Corpo ou carne, na Bíblia, não é somente a musculatura da pessoa, mas toda ela – sua inteligência, seus sentimentos, seu corpo, suas emoções, seus planos. É dito carne ou corpo para significar que o homem é frágil, murcha como a erva do campo. Pois bem, quando Jesus diz: “Isto é o meu Corpo”, Ele quer dizer: “Isto sou eu com minha vida, que tomei de vocês no seio de Maria, a Virgem. Eu lhes dou minha humanidade, meus cansaços, meus sonhos, minhas andanças. Dou-lhes tudo quando vivo no meio de vocês, feito homem, eu, o Verbo que se fez carne!”

E o sangue? Não significa simplesmente o líquido vermelho que corre em nossas artérias. Sangue, na Bíblia, significa a vida. O Sangue derramado significa a vida tirada, a vida violentada.

Veja que coisa tão linda! Ao dizer: “isto é o meu sangue”, o Senhor está dizendo: “Eu vos dou toda a minha vida que se foi derramando por vós, desde o primeiro momento da minha existência humana. Fui me derramando por vós em cada cansaço, em cada decepção; fui me derramando em cada noite de oração, em cada agonia até aquela última da cruz e da sepultura”.

Então, meus caros, “isto é o meu Corpo” e “isto é o meu Sangue” significam “isto sou eu todo, com o que tenho, com o que sou, com o que vivi e com o que morri, com o que amei e com o que sonhei, e agora entrego a vós e por vós”.

Que podemos dizer, senão, simplesmente: Obrigado, Senhor, por esse amor tão grande que O fez se entregar a nós assim, totalmente! Dê-nos a graça de, recebendo Seu Corpo e Sangue, plenos do Espírito Santo, na força do mesmo Espírito, fazer de nossa vida uma entrega ao Senhor e a todos os irmãos e irmãs. Ensina-nos a ser para os outros pão repartido e dado por amor, a fim de que, um dia, possamos chegar ao Pai do Céu, onde viveremos e reinaremos em comunhão com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos! Amém.

Padre Bantu Mendonça

Amigos pela Fé

Não podemos ter uma vida espiritual sozinhos. A vida do Espírito é como uma semente que precisa de terreno fértil para crescer. Este terreno fértil inclui não só uma boa disposição interior, mas também um ambiente favorável.

É muito difícil viver uma vida de oração num ambiente onde ninguém ora ou fala com carinho da oração. É quase impossível aprofundar a nossa comunhão com Deus quando aqueles com quem vivemos e trabalhamos rejeitam ou até ridicularizam a idéia de que há um Deus que ama.

É uma tarefa sobre-humana procurar fixar o coração no Reino de Deus quando todos aqueles que conhecemos e com quem convivemos têm o coração fixo em tudo, menos no Reino de Deus.

Não é, portanto, surpresa nenhuma que as pessoas que vivem em ambiente secular - onde o nome de Deus nunca é mencionado, a oração é desconhecida, não se lê a Bíblia nunca e a conversa sobre a vida no Espírito é completamente ausente - não consigam agüentar a sua dimensão de comunhão com Deus por muito tempo. Descobri como sou sensível ao ambiente em que vivo. Com a minha comunidade, as palavras sobre a presença de Deus na nossa vida brotam espontaneamente e com grande facilidade.

Quando levamos a vida espiritual a sério, somos responsáveis por criar um ambiente onde a mesma possa crescer e amadurecer. E, embora eventualmente não sejamos capazes de criar o contexto ideal para uma vida no Espírito, temos muito mais opções do que geralmente pensamos. Podemos, por exemplo, escolher amigos, livros, igrejas, arte, música, lugares para visitar e gente com quem estar que, no seu conjunto, contribuem para criar um ambiente em que é possível à semente de mostarda que Deus semeou em nós crescer até atingir as dimensões de um grande planta.

Estas considerações de Henri Nouwen estão de acordo com a sabedoria da Bíblia Sagrada que nos recomenda enfaticamente o cultivo da vida comunitária e das amizades espirituais com vistas à qualidade e aprofundamento de nossa experiência espiritual:

Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado. Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim.

E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.

Quem deseja experimentar Deus tem que andar perto de gente que anda com Deus. A amizade com Deus implica a amizade com os amigos de Deus. As pessoas íntimas de Deus nos ajudam a colocar Deus no foco. Primeiro seguimos os passos dos íntimos de Deus, até que aos poucos seguimos os passos de Deus. Esta parece ser a recomendação do apóstolo Paulo: Sede meus imitadores, como também eu de Cristo; Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados. Primeiro você imita Paulo, que imita Cristo, que imita Deus. Depois você imita Cristo, que imita Deus. Até o dia quando você fica face a face com Deus.

Canção Nova

Domingo da Santíssima Trindade

A 1ª leitura ensina a guardar os mandamentos, reconhecendo e gravando no coração que o Senhor é o único Deus. Ele conduz a vida do povo, libertando-o do Egito, comunicando-lhe sua palavra no Sinai, conduzindo-o à terra prometida.

Na 2ª leitura, graças ao dom do Espírito através de Cristo podemos chamar Deus de Abba, meu Pai. Como filhos, somos impelidos a deixar-nos conduzir pelo Espírito de Deus.

O Evangelho nos mostra que, após a paixão, morte, ressurreição e glorificação de Jesus, os discípulos foram para a Galileia, à montanha indicada. Naquela região, onde o Mestre havia iniciado o ministério e proclamado o novo ensinamento de libertação, ressoa para os discípulos o chamado para a ação missionária. A fé na palavra leva os discípulos a reconhecer Jesus como o Senhor do céu e da terra mediante um gesto de adoração. A Boa Nova de Jesus abre o horizonte e faz transcender os limites de Israel. O Ressuscitado infunde nos discípulos confiança na missão universal de fazer discípulos entre todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo . Os discípulos são enviados a congregar os povos, tornando-os seguidores de Jesus, ensinando-os a observar seus ensinamentos. Nesse caminho do discipulado, Jesus estará sempre presente, pois ele é o Emanuel, o Deus conosco : Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos . Sua presença sustenta a missão e impele a seguir sua palavra, cooperando na realização plena do seu Reino.

Revista de Liturgia

Entregue sua tristeza ao Senhor

Todos nós temos uma tendência tremenda de nos centrar em nós mesmos, especialmente quando sofremos, quando a dor bate: dor física, dor psicológica, dor moral. Nós temos uma terrível tendência de ficar "ruminando" nossas dores.

O Senhor quer nos curar das consequências deste "bendito ruminar", porque se você tem uma enfermidade, você acaba ficando mais doente ainda ao fazer isso. No entanto, muitas vezes, o seu problema não é um doença física. Muitas vezes, é uma ofensa, uma injustiça que cometeram contra você, uma calúnia, alguém de que você não gosta e fica "ruminando", fica mal, e o que era só psicológico acaba se tornando doença física, ou seja, uma enfermidade que você não tinha começa a acontecer por causa das emoções.

O Senhor está lhe dizendo: “Vem a Mim”.

É preciso ir até o Senhor, nós não podemos ficar em nós mesmos porque qualquer probleminha nos derruba. Temos de ser humildes em saber que não temos capacidade de resolver essas situações.

Não seja orgulhoso, não seja prepotente, vá logo para o Senhor! Nós temos a tendência de achar que aguentamos, que somos fortes, que já passamos por tantas situações difíceis, quando, na verdade, é isso que nos deixa doentes. Corra para o Senhor, grite a Ele, não pare no problema, não pare no sofrimento, não pare na tristeza!

Nós levamos a menor das tristezas para a cama. E nos acostumamos a dizer: “Não, é só um probleminha” e o levamos para casa. Quando menos percebemos, este “probleminha” está soltando veneninhos e vamos ficando chatos, azedos, brutos, ríspidos, bocudos, falando o que não devíamos, nervosos, mal-educados e sem saber por quê. Mas, na verdade, isso é consequência de nós termos guardado aquilo que já deveríamos ter “vomitado” nos dias anteriores: aqueles probleminhas que foram guardados dia após dia.

Hoje, o Senhor está nos dizendo “Dê-me suas tristezas. Abra o seu coração, não fique mais neste estado. Atire-se em Mim, lance-se na Minha Misericórdia, pois o Meu Amor quer vencer, o Meu Amor já é vencedor. Entregue todo o mal, todo o veneno que você foi guardando. Entregue tudo a Mim!”

Monsenhor Jonas Abib

II Caminhada pela Vida!

O sofrimento nos leva a Cristo

Em sua Carta Apostólica sobre o significado cristão do sofrimento humano (já expressa em nosso trabalho), “Salvifici Doloris” (1984, n° 26), o saudoso Pontífice João Paulo II expressou, com maestria, a ideia enunciada: A dor humana como lugar de "revelação".

“Temos visto, através dos séculos e das gerações, que há no sofrimento um certo poder escondido, ou seja, uma graça especial que leva a pessoa, interiormente, para perto de Cristo. Uma graça particular.

A esta ficaram a dever a sua própria conversão muitos santos, como, por exemplo, São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, etc. O fruto de semelhante conversão é não apenas o fato de que o homem descobre o sentido salvífico do sofrimento, mas sobretudo que no sofrimento ele se torna um homem totalmente novo”.

De fato, a partir do evento Cruz, a dor humana se tornou um lugar privilegiado de manifestação/revelação do Sagrado, da presença e ação do próprio Deus, que, no mistério de sua Sexta-feira Santa, atrai a si todos os homens (cf. Jo 12,32). E este poder escondido – acima citado pelo Pontífice – presente no mistério da dor, manifesta, concretamente no território humano, a sua graça particular: No “alto do madeiro” o coração do homem sofredor tende a se dilatar e, a consequentemente, se questionar sobre a própria existência e sobre sua finalidade no solo de nosso tempo.

Precisamente aí ele “pode” – exercendo sua liberdade de criatura – olhar a seu lado e perceber que não está só, pois com ele está também o “Crucificado por excelência”, acompanhando-o em seu sofrer cotidiano e manifestando-Se a ele em expressão máxima de amor/doação por intermédio do emblema de sua dor.

O Crucificado da Sexta-feira Santa se torna presente na dor dos sacrificados do mundo. A paixão do mundo é alcançada e fermentada pela Paixão de Cristo, de modo que o peso da finitude não se torna ocasião de desespero e de condenação, mas caminho de ressurreição e de vida.

Ele, que, por amor à criatura humana e em obediência ao Pai, “foi transpassado” (cf. Zc 12,10; Jo 19,37) pela dor/finitude e pelo abandono, acompanha todos os crucificados de nossa terra, oferecendo a estes um perene sentido para seu sofrer, e inserindo-os em valores que transcendem a imanência (visão encerrada na finitude) própria da criaturalidade humana.

Na cruz do homem o Crucificado se desvela profundamente sob o signo do amor: “mais forte que a finitude e a morte” (cf. Ct 8,6b), e que tudo redime em seu sacrifício de obediência e liberdade.

Assim sendo, a partir de Cristo sofredor, a dor do homem se torna um específico território de revelação de um Deus que não o abandona à mercê de seus próprios dissabores, mas, que segue com ele até o fim de sua “Via Crucis” (Via dolorosa; em seu caminho de sofrimentos). Como consequência de tal compreensão, a dor do homem acaba por manifestar-se como uma perene possibilidade de redenção/salvação e, evidentemente, como um preciso espaço de revelação para os que a experienciam e para toda a humanidade.

Padre Adriano Zandoná

Bondade gera bondade

Há quem diga que nossa vida é como o tear e todos os acontecimentos são como fios entrelaçados entre si e revestidos de significados. Nada acontece por acaso e, à medida que o tempo vai passando, vamos, cada vez mais, tomando conhecimento do “bordado”, resultado da nossa história.

Contemplar a obra terminada é tarefa que foge das nossas mãos, mas colaborar para que ela seja apreciável é missão que se dá na generosidade partilhada por nós a cada dia.

Nossa vida é repleta de acontecimentos, às vezes passam-se anos sem sabermos notícias de quem um dia fomos cúmplices e, de repente, o reencontro acontece. Em outros casos fomos ajudados por alguém e nunca o encontramos para, ao menos, lhe agradecer. Há também situações em que não conseguimos ser tão gentis com alguém como deveríamos, mas não houve tempo para, nem sequer, pedir-lhe perdão... E por aí seguem os acontecimentos que se entrelaçam como fios, dando cor e forma ao "bordado" da nosso história.

Ouvi uma história que me fez pensar muito sobre isso. Partilho com você:

Conta-se que, há muitos anos, um aristocrata inglês dirigia-se da Escócia para Londres a fim de participar de uma sessão urgente do Parlamento. A sua carruagem ficou atolada na lama e ele estava à beira do desespero quando um jovem camponês apareceu com a sua junta de bois e a puxou para a estrada seca. O homem nobre ficou tão grato que perguntou ao rapaz como lhe poderia agradecer. O rapaz respondeu que não era preciso nada, pois ficava feliz por ter sido útil. Mas o aristocrata insistiu, perguntando-lhe: “Com certeza tens um sonho, ou alguma coisa de que gostarias de realizar na vida?” Então o jovem respondeu: “Sempre sonhei em me tornar médico, mas isso nunca será possível para mim”.

Quando o lorde chegou a Londres tomou providências para que o jovem camponês recebesse uma bolsa de estudos e estudasse nas melhores escolas. Anos mais tarde, num momento decisivo da Segunda Guerra Mundial, Sir Winston Churchill estava morrendo vitima da gripe pneumônica. Nessa ocasião foi-lhe administrado um novo remédio que lhe salvou a vida. Era a penicilina. O remédio tinha sido descoberto pelo Dr. Alexander Fleming, ninguém mais nem menos do que aquele jovem camponês. E o lorde inglês que lhe tinha dado a bolsa de estudo, era justamente o pai do próprio Winston Churchill.

É interessante observar, ainda mais com a ajuda da história, o quanto estamos interligados uns aos outros e como nossos atos gratuitos de bondade tocam as pessoas que estão à nossa volta. Fica bem claro que a lei da natureza funciona também neste sentido: O que plantamos é isso que vamos colher.

Tudo começou com um simples gesto de bondade da parte de um rapaz do campo. A resposta foi outro ato de bondade, que se tornou benéfico para toda a humanidade. Milhões de pessoas, até hoje, são curadas de doenças terríveis graças à descoberta da penicilina. Ou seja: graças à generosidade partilhada pelo pobre e pelo rico. Este é um exemplo apenas, entre tantos que conhecemos.

É bom saber que não estamos isolados neste mundo! Independentemente da nossa condição, nossos atos têm consequências e podem mudar muitas coisas. Eu, particularmente, já vi realidades difíceis serem mudadas pelos pequenos e constantes gestos de bondade. Poderia citar aqui o caso de um esposo agressivo, sem fé e preso aos vicíos voltar para sua família e tornar-se um homem bom devido ao amor persistente e corajoso de sua esposa, que nunca deixou de o tratar bem e rezar pela conversão dele durante anos.

E a história não para, Deus, que é o Autor da bondade, constantemente bate à nossa porta à espera de que possamos dar um "sim" à generosidade, como fez a Virgem Maria.

O Cardeal Inglês, Seán O'malley, certa vez em visita ao Santuário de Fátima, explicou que foi Nossa Senhora quem, generosamente, abriu as portas da humanidade para Deus entrar pelo "sim" dela. Segundo ele, Deus escolheu colocar o destino de todos os homens nas mãos de uma jovem e contar com a bondade dela para enviar Seu Filho ao mundo e, depois por intermédio d'Ele, nos salvar.

E Maria, completamente livre diante de Deus, poderia ter se apegado aos seus projetos pessoais ou alegado estar ocupada, inclusive com “as coisas do Senhor”, a ponto de não O poder servir e Lhe dizer "não". No entanto, ela foi generosa, aceitou despojar-se de si mesma e, com seu “sim”, permitiu a Deus entrar na nossa história e na nossa família humana. Desta forma, a Santíssima Virgem tornou-se o modelo a ser seguido por cada um que, ao passar por este mundo fazendo o bem, deseja um dia ser reconhecido pelo Senhor como “Benditos do meu Pai [...]” .

Hoje, inspirados pelo exemplo da Mãe de Deus e de tantos outros que conhecemos, tenhamos a coragem de optar pelo bem. Isso, sim, vale a pena! O tear da nossa vida precisa de fios coloridos e fortes para dar continuidade à obra começada desde o nosso nascimento. Estejamos atentos e não deixemos passar as oportunidades que temos de praticar o bem, principalmente para com os mais necessitados, sabendo que Deus não improvisa. A bondade ou a maldade que semeamos hoje havemos de colher amanhã.

Dijanira Silva
Canção Nova

Pentecoste

Pentecostes era uma festa de grande alegria e ação de graças para os judeus por celebrar a colheita do trigo. Vinha gente de todas as partes: judeus saudosos que voltavam a Jerusalém, trazendo também pagãos amigos e prosélitos. Quando também eram oferecidas as primícias das colheitas no templo. Era também chamada "festa das sete semanas" por ser comemorada sete semanas depois da festa da Páscoa, no quinquagésimo dia. Daí o nome Pentecostes, que significa "quinquagésimo dia".

No primeiro Pentecostes depois da Morte de Jesus, cinquenta dias depois da Páscoa, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém na forma de línguas de fogo; todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas. As primícias da colheita aconteceram naquele dia, pois foram muitos os que se converteram e foram recolhidos para o Reino de Deus.

O Prometido por Jesus: "[...] ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a realização da promessa do Pai, a qual, disse Ele, ouvistes da minha boca: João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias".

Espírito, que procede do Pai e do Filho: "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade que vem do Pai, Ele dará testemunho de mim e vós também dareis testemunho [...]". O Espírito Santo é Deus com o Pai e com o Filho. Sua presença traz consigo o Filho e o Pai. Por Ele somos filhos no Filho e estamos em comunhão com o Pai.

Domingo de Pentecostes

Na 1ª leitura, o Espírito Santo plenifica as pessoas reunidas no dia de Pentecostes, e faz nova a antiga festa de peregrinação. O sopro do Espírito, simbolizado pelas imagens do vento e do fogo, transforma os discípulos em ardorosos missionários. Assim, todos os povos ouvem o anúncio de Jesus Cristo na própria língua.

Na 2ª leitura a ação do Espírito de Deus possibilita viver na diversidade de dons, de serviços, pois fomos batizados num único Espírito para formarmos um único corpo. Recebemos o Espírito de Deus em virtude de nossa fé em Jesus Cristo em vista do bem comum e edificação da comunidade.

A vinda do Espírito Santo, como a plenificação da Páscoa, mostra que a morte e a ressurreição de Cristo e o dom do Espírito constituem uma só realidade. O Ressuscitado se manifesta na comunidade dos discípulos reunidos para celebrar sua vitória. Os discípulos se alegram por verem o Senhor, identificado pelas marcas da paixão, sinais vitoriosos da vida sobre a morte. O lado aberto do Filho glorificado é a fonte do Espírito, a vida nova que surge de sua ressurreição. A presença do Senhor confirma o ministério dos discípulos: Como o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo. Mediante o sopro divino, como em Gênesis Jesus confia aos discípulos a tarefa de serem continuadores de sua missão de fazer deste mundo uma nova criação.

Revista de Liturgia

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora

No dia 24 de Maio, comemoramos a Festa de Nossa Senhora Auxiliadora. A devoção, que se tornou mais conhecida com Dom Bosco, fundador dos Salesianos, das Filhas de Maria Auxiliadora, entre outros, é também comemorada em muitas comunidades do Brasil e do mundo. Inúmeras pessoas recorrem a Maria, pedindo seu auxílio, proteção e intercessão. Outras, participam das festividades para agradecer as graças derramadas pelas mãos da Virgem.

Esta devoção a Nossa Senhora, com o título de Auxiliadora dos cristãos, foi muito difundida por Dom Bosco. O Santo tinha uma particular devoção a Maria, consagrou-se a ela pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort e recomendou aos seus filhos espirituais que se consagrassem a ela. Esta devoção foi transmitida não somente à família salesiana, mas também a todos que se aproximavam dele.

Percebe-se que sua devoção a Nossa Senhora Auxiliadora tem uma íntima ligação com o “Tratado da Verdadeira Devoção Devoção à Santíssima Virgem”. Dom Bosco falava da Virgem como mãe amorosa, que cuida de cada um de seus filhos, ajudando-os em todas as suas dificuldades. Porém, não deixa de alertá-los de um grande perigo para suas almas: “Maria Santíssima não quer a devoção daqueles que querem continuar vivendo em pecado”.

Dizer que Nossa Senhora não quer a devoção de quem quer continuar no pecado é uma afirmação muito dura. Afinal, quem de nós pode se dizer santo? Mas, o que Dom Bosco nos chama a atenção por estas palavras é que não podemos dizer que somos devotos da Virgem Maria e não viver uma busca pela santidade. O Santo chega a dizer que: “Maria Santíssima Imaculada odeia tudo aquilo que é contrário a pureza”.

Como verdadeiros devotos da Virgem Maria, somos chamados a lutar para sermos fiéis às nossas promessas do batismo, renunciar ao mal e ao pecado. Este é o cerne do método de consagração do Tratado. Ao nos consagrar a Maria por esse método, fazemos o compromisso de viver com fidelidade uma vida cristã autentica e recebemos da Virgem um auxílio maior. Isso acontece porque por esta consagração somos mais dóceis a ela e ao Espírito Santo, modelados à imagem de Jesus Cristo.

Assim, sendo verdadeiros devotos de Nossa Senhora, Auxiliadora dos cristãos, alcançaremos cada vez a semelhança de Jesus Cristo, que é o fim último da consagração a Maria e também de nossas vidas. Que Nossa Senhora Auxiliadora seja sempre o nosso auxílio, especialmente nos momentos de dificuldade, na luta contra o pecado e na busca pelo Reino de Jesus Cristo. Este Reino virá, em sua plenitude, quanto acontecer o Reino da Virgem Maria. Como consagrado a ela, somos chamados a ser seus apóstolos, para que apressemos a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Canção Nova