Procissão ressaltou as seis aparições de Maria

Maria como redentora da paz. Assim Nossa Senhora de Fátima foi louvada pelos milhares de fieis que acompanharam a procissão, seguida de missa campal, realizada, ontem, 13 de maio, em homenagem à Santa. Neste ano, o cortejo ressaltou o significado das seis aparições de Maria, em Portugal, trazendo em seus ensinamentos aos homens recomendações para que eles se dedicassem mais a fomentar a paz, pela fé e oração.

Num mundo conturbado e em crise de valores, a figura de Maria como mãe de todos, protetora dos lares e como aquela que veio para trazer bênçãos e a união entre as pessoas também esteve no centro das pregações durante a celebração eucarística, que aconteceu na patamar da Igreja de Fátima e foi presidida pelo arcebispo de Fortaleza, dom José Antonio Tosi.

Em sua homilia, dom José enfatizou a importância do amor ao próximo, a união e a família. Também não esqueceu de reconhecer a importância das competições esportivas, até mesmo como uma forma de confraternização. A realização da final do campeonato cearense entre os times Ceará e Fortaleza no Estádio Presidente Vargas, no mesmo dia dos festejos de Maria, comprova que grandes eventos podem ocorrer pacificamente na mesma data, desde que as pessoas estejam imbuídas do desejo de manter a ordem.

Famílias

"Todos, inclusive as famílias, podem participar dos grandes jogos, desde que não sejam para se digladiarem", disse, agradecendo, ainda, a participação da imprensa, que, segundo ele, se empenhou na propagação da tranquilidade durante os eventos.

Depois da Santa, o arcebispo foi o segundo maior homenageado da noite, pela passagem de seu aniversário, tendo inclusive recebido aplausos dos fiéis e um fervoroso "Parabéns pra você".

Coroação

A concentração de fiéis começou por volta das 16 horas, na Praça do Carmo, no Centro da Cidade. Pouco depois das 18 horas, eles saíram do local e seguiram pelas ruas Meton de Alencar, Senador Pompeu, Barão de Aratanha e Avenida 13 de Maio. Cânticos, orações e velas foram vistos ao longo do cortejo, que registrou reverências às seis aparições da Santa em Portugal, com faixas que traziam dizerem sobre a pregação de Nossa Senhora em cada uma das ocasiões.

Ao chegarem na Igreja de Fátima, os devotos assistirem à missa campal concelebrada pelo arcebispo de Fortaleza, pelo pároco Francisco Ivan e pelo padre Almeida. Os festejos terminaram com a coroação de Maria, momento de grande alegria e emoção para todos os presentes.

Apesar dos temores demonstrados por inúmeros fiéis de que o encontro dos católicos e torcedores, que retornavam do estádio, pudesse registrar incidentes, tanto a Polícia como os organizadores garantiram que o 13 de Maio ocorreu em clima de tranquilidade.

Cerca de 100 mil pessoas participaram da procissão, estimou um dos organizadores, Francisco Fontenele, que também integra o Terço dos Homens, da Igreja de Fátima. Porém, o major Jean Falcão, que comandou os 50 homens da Polícia Militar que atuaram na segurança, preferiu não arriscar. "É difícil fazer um cálculo numa multidão dessa".

Mozarly Almeida
Diário do Nordeste

6º Domingo da Páscoa - Domingo do mandamento novo

A 1ª leitura acentua que Deus não faz distinção e quer congregar todas as pessoas no amor. Quem o teme e pratica a justiça lhe é agradável, independente de raça. O dom do Espírito Santo forma uma nova comunidade, que proclama a grandeza de Deus em línguas diversas.

Deus é amor e se revela de modo especial enviando seu Filho ao mundo para que tenhamos vida por meio dele, afirma a 2ª leitura. Na medida em que nos amarmos uns aos outros fazemos a experiência do amor divino oblativo (ágape).

Continuando o texto da semana passada, o evangelho sublinha que a comunhão com Jesus é iniciativa de sua bondade gratuita: a fidelidade ao mandamento novo leva a experimentar a alegria da salvação revelada em Cristo. Trata-se do mandamento dado por Jesus, sinal que identifica seus discípulos. Jesus, com a entrega da sua vida, oferece a maior prova de amor: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos. Com sua doação total faz conhecer tudo o que ouve do Pai, instaurando uma relação nova de amizade e confiança. Como amigos, comprometidos com o projeto de Jesus, os discípulos são chamados a produzir frutos, multiplicando os gestos de amor. O imperativo do Mestre e Senhor: Amai-vos uns aos outros, é apelo para seguir seu exemplo, procurando transformar as relações pelo amor fraterno.

Revista de Liturgia

13 de Maio - 1ª Aparição de Nossa Senhora de Fátima

Era Domingo, e os Pastorinhos estavam brincando na Cova da Iria. Por volta do meio-dia viram uns relâmpagos. Temendo que viesse trovoada, desceram pela encosta e contemplaram, sobre uma azinheira, “uma pequena árvore muito típica de Portugal”, uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol. Nossa Senhora, disse-lhes:

“Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.

- De onde é Vossemecê? Lhe perguntei (Lúcia)

Sou do Céu.

- E que é que Vossemecê me quer?

Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero.

- E eu também vou para o Céu?

Sim, vais.

- E a Jacinta?

Também.

- E o Francisco?

Também, mas tem que rezar muitos terços… Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

- Sim, queremos.

Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto…

Por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:

- Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.

Nossa Senhora acrescentou:

Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra. Em seguida, começou-se a elevar serenamente, subindo em direção ao nascente…”.

Retirado do Livro Memórias da Ir. Lúcia

Maternidade, um dom que vem do céu

As mães vivem um certo desconforto desde a gestação (enjoos, azia, inchaço). No parto com suas dores próprias, depois nos primeiros dias a adaptação e interpretação do choro do bebê, o sono, o cansaço. São situações reais que parecem eternas pela intensidade, mas, de repente, passam… E alguns meses depois, o padecimento é outro: voltar ao trabalho e deixar o filho, afinal ninguém vai saber cuidar do filho como a mãe. Doce ilusão!

Mais adiante, a entrada na escola. “Quem será o professor?”, “Será que vai acompanhar a aula?”, “O que vai comer no lanche?”, “Quem serão os colegas?” “E se alguém bater no meu filho?” Nós insistimos em viver a vida dos filhos e, com isso, “padecemos”, pois não temos o mesmo entendimento das crianças. E quando chega a adolescência? Nossa! Aí entra outra fase. Só mudam as preocupações, filho criado, trabalho dobrado…

Mas e aquilo que plantamos na educação deles? Não valeu a pena? As mães de hoje são, na sua maioria, frutos da geração de transição do feminismo e do sexo, drogas e rock'n roll. Achar o equilíbrio não é fácil. Anterior a nós houve a geração de pais que acreditavam que a liberdade era a melhor opção de educação para os filhos vivendo o “é proibido proibir”.

Hoje já percebemos que os limites são necessários na formação de qualquer ser humano. E por isso, às vezes, dar um “não” ao filho chega a ser um padecimento, pois sabemos que ele(a) queria muito tal coisa ou tal situação, mas percebemos que não é o melhor naquele momento, e isso gera um certo desconforto no relacionamento entre mãe e filho(a).

Aí mais do que padecer é compadecer, é sofrer, pois apesar de estarmos conscientes da decisão tomada não gostamos de ver nosso(a) filho(a) triste. E mais uma vez, apesar de toda intensidade, veremos que isso também vai passar!

Assim como nós que, hoje, neste papel de mãe, reconhecemos e aceitamos a postura que as nossas mães tiveram conosco. E pensamos: “Elas estavam certas…” Olhando tudo isso parece que o ditado está certo… ser mãe é padecer no paraíso. Agora é preciso dizer que tudo isso vale a pena!

Veja bem: vale a pena e não valeu ou está valendo… ser mãe vale por toda a vida? A presença, a realização, as conquistas, as alegrias e as tristezas de um(a) filho(a) não têm preço. Este é o nosso paraíso: a maternidade! As mães são capazes de abrir mão e renunciar a várias coisas na vida, somente não conseguem renunciar a maternidade. Esta é inegociável!Parabéns a todas as mães, avós, tias, madrinhas, sogras… que, de uma forma ou outra, são mães em nossas vidas!

Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, nos ensine e conduza na vivência da maternidade segundo o coração de Deus!

Carla Astuti – Canção Nova

O rosário: como rezá-lo bem

Você reza o terço? Já viu imagens de Nossa Senhora representando-a tal como apareceu em Lourdes e em Fátima? Maria está com o terço na mão. Ela acompanhou silenciosamente, passando as contas, o terço que a menina Bernardete rezava na gruta de Lourdes. E, em Fátima, também com o terço na mão, a Santíssima Virgem pediu aos Três Pastorinhos que o rezassem todos os dias.

Tomara que algum dia você possa dizer, como o Papa João Paulo II: “O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade!”. Mas, para isso, será preciso que comece a rezá-lo e, se já o reza com frequência, que aprenda a fazê-lo cada dia melhor. Vamos ver como podemos fazer isso.

Primeiro, vencer as dificuldades:

1) Uma primeira dificuldade: “Não sei rezar o terço”, “Não conheço os vinte 'mistérios' (ou seja, os cinco correspondentes a cada um dos quatro 'terços' que compõem o rosário), não os sei de cor”. Solução: comprar logo, ou pedir a alguma pessoa amiga, algum folheto ou livrinho de orações (há muitos!) que traga a explicação dessa oração: como rezá-lo, quais são os mistérios, que mistérios devem ser rezados nos diferentes dias da semana… É fácil. Pessoas simples aprenderam tudo isso em pouco tempo. Se você “quer”- se “quer” mesmo - não lhes ficará atrás.

Um esclarecimento: a pessoa que o reza sem conhecer ou lembrar os “mistérios” faz, mesmo assim, uma oração válida, ainda que, naturalmente, ele fique incompleto (mas é melhor rezá-lo incompleto do que não rezá-lo).

2) Segunda dificuldade: “Não tenho terço” (o instrumento, o terço material, com as contas, a cruzinha, etc.; ou então o terço em forma de anel, que se usa girando no dedo). Compre-o, que é baratíssimo, e, enquanto não o tiver, conte nos dedos. Mas tenha em conta que vale a pena usar o terço material: se o seu terço (de contas ou de anel) foi bento por um padre ou diácono, ao usá-lo para rezar você ganhará indulgências (Por sinal, você sabia que pode ganhar nada menos que a indulgência plenária - com as devidas condições -, quando o reza em família, ou comunitariamente, num grupo?).

3) Terceira dificuldade: “Não tenho tempo de rezar o terço”. Essa desculpa “não gruda”. O terço pode ser rezado, se for preciso, andando pela rua, fazendo exercício físico de corrida, indo de ônibus, metrô ou trem, guiando carro (melhor do que se irritar com o trânsito), na sala de espera do médico ou do laboratório, em casa, entre outros. E você pode rezá-lo sentado, andando, de joelhos e até deitado (se estiver doente ou em repouso forçado, etc.).

Por sinal, não sei se você sabe que, nas livrarias católicas, são vendidos CDs com o rosário e que também há arquivos em áudio para player portátil. Basta ligar o áudio e ir respondendo ou acompanhando o que ouve.

4) Finalmente, a dificuldade mais comum é a aparente monotonia. “Dizemos sempre a mesma coisa”. “A repetição de tantas Ave-Marias acaba ficando mecânica, cansativa, sem sentido”. “De que adianta fazer uma oração tão repetitiva, que fica rotineira, parece oração de papagaio…”?

Deus faça que, após tê-las lido e, sobretudo, depois de tentar aplicá-las, você dê a razão às palavras de São Josemaria: “Há monotonia porque falta Amor”.

Padre Francisco Faus

Repense o seu modo de ver a vida

Em nossa vida fazemos planos, estabelemos metas e, com isso, visualizamos situações que “podem vir a ser”, que “podem ocorrer”, e nos colocamos numa posição de expectativa e investimento de energia, trabalho e emoção. As expectativas de vida podem, em algum momento, concretizar-se ou não.

O acúmulo de expectativas e situações não resolvidas, bem como problemas cotidianos, profissionais e pessoais podem nos levar ao famoso estresse, que não vem apenas por aquilo que está externo a nós e visível, como problemas, pessoas, falta de dinheiro, desemprego, etc., mas especialmente ao que chamamos de fatores internos, e um em especial: a maneira como interpretamos a vida e seus acontecimentos, as pessoas com as quais convivemos, as situações pelas quais passamos.

Geramos ou pioramos um estado de estresse pela forma como encaramos a vida. Quer um exemplo bem simples de como isso acontece? Por um descuido, você bate seu carro. Não é nada grave, não houve vítimas. Qual a solução mais prática? Buscar um funileiro, avaliar os danos, fazer o orçamento, as formas de pagamento, se você pode ou não pagar agora e decidir por fazer o conserto. Isso é prático, racional e direto (mesmo sabendo que haverá um gasto e que você não poderá pagá-lo agora).

Porém, um modo que gera grande desgaste é olhar para a mesma situação cobrando-se: “Eu fiz tudo errado! Como pude bater este carro! Eu não me perdoo, sou mesmo um idiota”. Todos esses pensamentos estressantes e autopunitivos trouxeram alguma solução? Certamente não. Percebe agora como nossos pensamentos e crenças pessoais podem influenciar nossa reação diante de um acontecimento?

A forma como interpretamos as situações e o modo como nossos pensamentos se desenrolam desencadeiam, portanto, a produção do famoso estresse. Crença é aquilo que dá significado à nossa vida.

Se eu creio em Deus, meus atos tendem a ser pautados por essa crença. Por outro lado, se creio que tudo será péssimo, que não sou capaz, que nada dá certo comigo ou que nunca minhas expectativas darão certo, temos aí um bom caminho para atitudes desfavoráveis e um amontoado de novos pensamentos negativos e um belo caminho para o adoecimento e para um círculo contínuo e vicioso de estresse.

Muitas vezes, quando estamos nesse estado, achamos mil desculpas para justificá-lo: "Estou estressado porque meu carro quebrou". Ou: "Porque meu time perdeu", assim como: "Porque meu namoro acabou", porque ... porque... porque... sempre baseados em fatos externos.

Você já parou para pensar qual é a sua parcela de responsabilidade diante do que não deu certo? Será que não é devido à sua forma de ver o mundo que o estresse acontece e com ele todas as consequências físicas e emocionais em sua vida?

Faço este convite a você: pare e observe como você encara o mundo ao seu redor. Este pode ser um primeiro passo para não ser refém da vida e dar um novo significado à sua história.

Elaine Ribeiro

Concilio Vaticano II: 50 anos

O Concilio Ecumênico Vaticano II nos oferece 16 documentos, entre os quais duas constituições sobre a Igreja. A primeira, dogmática, denomina-se Lumen Gentium (Luz dos povos) e nos apresenta ensinamentos sobre o ser Igreja e sua missão. A segunda, pastoral, chama-se Gaudium et Spes (Alegria e Esperança); ela nos fala a respeito da Igreja no mundo de hoje. “A Igreja”, dizia Paulo VI, “está no meio da vida contemporânea para iluminá-la, sustentá-la e consolá-la”.

Ao iniciar sua palavra sobre a Igreja, o concílio afirma que ela é mistério – significando que somente a fé nos pode dar a conhecer o que ela é. Ao rezarmos o creio, proclamamos com alegria e convicção: “Creio na Igreja Católica”.

O essencial do mistério da Igreja é que seja uma comunhão com o Pai por Jesus Cristo, no Espirito Santo, e que viva em comunhão fraterna. A Igreja é instrumento da Salvação, graça que brota do coração de Jesus Cristo morto e ressuscitado para a vida de todos. Ela é missão e testemunho em comunhão com os outros. A Conferência de Puebla, bebndo nas fontes do Vaticano II, diz-nos que a Igreja é comunhão e participação.

Iluminados pela fé, professamos que a Igreja é, em Cristo como que o sacramento, ou sinal, e instrumento da íntima união com o Pai e da unidade de toda a humanidade. Diante do mistério da Igreja, somos convidados – pessoal e comunitariamente – a proclamar confiantes: cremos na Igreja, una santa, católica e apostólica; nossa mãe e mestra!

D. Angélico Sândalo Bernadino

5º Domingo da Páscoa - Domingo da videira e os ramos

A 1ª leitura mostra que Paulo, após a experiência com o Senhor no caminho de Damasco, chega a Jerusalém e procura se integrar na comunidade cristã. Não obstante as dificuldades, ele se mantém unido a Cristo e aos discípulos, cooperando na consolidação e crescimento das comunidades.

Na 2ª leitura, o amor, não em palavras, mas em ações e em verdade, nos dá a certeza de estar em comunhão com Deus. Que creiamos e nos amemos uns aos outros, como Jesus nos amou através de sua entrega total.

O evangelho, tirado dos discursos de despedida, apresenta a imagem simbólica da videira para falar da comunhão vital com Cristo e com os irmãos mediante a fé e o amor. O povo, comparado à vinha do Senhor, cercado com todo o carinho, não produziu os frutos esperados. Jesus proclama ser a videira verdadeira, pois oferece a salvação, a vida em abundância.

A condição para ter a vida e produzir muitos frutos é permanecer unidos a Cristo, como o ramo não pode dar fruto por si, se não permanece na videira. O verbo permanecer, repetido diversas vezes, enfatiza a importância de viver com Jesus, deixando-se conduzir por sua palavra de salvação. Quem segue Jesus e procura ser fiel ao seu projeto, glorifica o Pai pelas obras e dá testemunho de autêntico discípulo. A glória do Pai, manifestada em Cristo, continua em todos os que guardam sua Palavra, produzindo frutos de caridade.

Revista de Liturgia

A verdade vos libertará

O salmista não se mostra muito generoso, quando, num momento de decepção, exclama: "Todos os homens são mentirosos" (Sl 116,11). Ser amante da verdade é um aprendizado. Para fugir de complicações, todos temos a tendência para a dissimulação, isto é, procuramos enganar para nos safar de eventuais punições. Só Jesus mesmo para poder dizer: "Eu sou a verdade" (Jo 14,6).

Conheço algumas circunstâncias - as mentirinhas profissionais - em que não se produz culpa. Por exemplo: a enfermeira avisa, ao aplicar uma injeção: "não vai doer". Ou o pároco, quando vai pedir ajuda financeira aos fiéis: "esta é a última campanha que vamos fazer". São as tais mentirinhas inocentes, que não prejudicam ninguém. Mas São Tomás de Aquino ensina que existe uma situação, na qual podemos até mentir em assunto sério. É quando alguém pergunta se nós cometemos certos crimes. É lícito negar, mesmo sendo culpados, porque o ônus da prova cabe ao acusador.

O critério melhor para aquilatar a vileza de uma mentira é verificar o mal que ela produz e os sofrimentos que provoca. A contragosto, refiro-me a homens e mulheres que ocupam cargos de maior relevância como ministros do Supremo Tribunal Federal. Não posso deixar de comentar a fraqueza de alguns ao basearem seu raciocínio contra os direitos das crianças anencefálicas (melhor seria dizer meroencefálicas), com argumentos mais do que equivocados.

Vários ministros e ministras afirmaram que não podem aceitar a intromissão de razões religiosas para julgar a favor da vida dessas crianças. Isso é uma afirmação falsa. É notório que os maiores defensores das crianças provém das fileiras das Igrejas. No entanto, nenhum representante veio argumentar com razões religiosas. Ninguém debateu com argumentos bíblicos. Nenhum aduziu que o Papa não quer.

Os argumentos foram todos humanitários, filosóficos, científicos e de amor à vida. Tais ministros, conscientemente, afrontaram o bom senso, construindo seu voto em cima de uma base errônea. Isso deu um sentimento de insegurança a todos nós. Só vejo uma possibilidade, de eles recuperaram, aos poucos, a confiança da nação seriamente abalada: julgar, com retidão, os envolvidos no mensalão. “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

Dom Aloísio Roque Oppermann scj

Padre Rufus morre de parada cardíaca

O sacerdote indiano Padre Rufus Pereira faleceu na madrugada dessa quarta-feira, 2, de parada cardíaca durante o sono. A informação foi divulgada nesta quinta-feira por sua secretária pessoal, Érika Gibello.

O padre estava em sua residência em Londres, na Inglaterra, durante esta semana e aparentava estar bem, segundo divulgou a Irmã Kelly Patrícia, do Instituto Hesed, em suas redes sociais. A religiosa esteve com ele no último sábado, 28, e disse que ele "estava radiante, muito feliz".

O corpo de padre Rufus permanecerá na Inglaterra até que terminem os preparativos para levá-lo à Índia, onde será sepultado. A data ainda não foi divulgada.

Padre Rufus completaria 79 anos neste domingo, 6, e era conhecido no mundo todo por seu ministério de exorcismo. Ele foi vice-presidente da Associação Internacional dos Exorcistas e iniciou a Associação Internacional para o ministério de libertação.

Ele esteve na sede da Comunidade Canção Nova sete vezes, conduzindo encontros de cura e libertação. "Padre Rufus era um santo, um homem incansável, pregador do Evangelho, apaixonado por Jesus Cristo e por sua missão", lembra Vinícius Adamo, tradutor do sacerdote no Brasil.

Biografia

Padre Rufus foi sacerdote na Arquidiocese de Bombaim, Índia. Estudou Filosofia, Teologia e Sagrada Escritura em Roma, onde foi também ordenado em 1956. Era doutor em Teologia Bíblica.

Durante vários anos serviu como diretor de quatro escolas secundárias em Mumbai. Além de pregador de retiros, conferencista e professor de Bíblia, ele também era editor da Revista Nacional Carismática da India “Charisindia”. Foi professor de Sagrada Escritura em cursos de pós-graduação em vários Institutos Teológicos Pontifícios.

O sacerdote era também presidente da Associação Internacional para o Ministério de Libertação e vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas. Publicou numerosos artigos bíblicos e teológicos, especialmente, sobre evangelização e cura.

Conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC), em 1972, logo quando esse movimento eclesial teve início na Índia. Foi designado pelo Arcebispo Cardeal Gracias para se dedicar exclusivamente a esse movimento. Desde então atuava pregando em encontros, retiros e missões por todo o seu país e também pela Ásia, África, Europa e em alguns lugares na América Latina, como o Brasil, onde esteve várias vezes, inclusive na Comunidade Canção Nova.

Padre Rufus também foi diretor do Instituto Bíblico Carismático Católico. E recentemente foi integrado ao International Catholic Charismatic Renewal Services (ICCRS), em Roma, como o responsável mundial pelo ministério de cura e libertação.

Saudades na terra, festa no Céu!!!