Concilio Vaticano II: 50 anos

O Concilio Ecumênico Vaticano II nos oferece 16 documentos, entre os quais duas constituições sobre a Igreja. A primeira, dogmática, denomina-se Lumen Gentium (Luz dos povos) e nos apresenta ensinamentos sobre o ser Igreja e sua missão. A segunda, pastoral, chama-se Gaudium et Spes (Alegria e Esperança); ela nos fala a respeito da Igreja no mundo de hoje. “A Igreja”, dizia Paulo VI, “está no meio da vida contemporânea para iluminá-la, sustentá-la e consolá-la”.

Ao iniciar sua palavra sobre a Igreja, o concílio afirma que ela é mistério – significando que somente a fé nos pode dar a conhecer o que ela é. Ao rezarmos o creio, proclamamos com alegria e convicção: “Creio na Igreja Católica”.

O essencial do mistério da Igreja é que seja uma comunhão com o Pai por Jesus Cristo, no Espirito Santo, e que viva em comunhão fraterna. A Igreja é instrumento da Salvação, graça que brota do coração de Jesus Cristo morto e ressuscitado para a vida de todos. Ela é missão e testemunho em comunhão com os outros. A Conferência de Puebla, bebndo nas fontes do Vaticano II, diz-nos que a Igreja é comunhão e participação.

Iluminados pela fé, professamos que a Igreja é, em Cristo como que o sacramento, ou sinal, e instrumento da íntima união com o Pai e da unidade de toda a humanidade. Diante do mistério da Igreja, somos convidados – pessoal e comunitariamente – a proclamar confiantes: cremos na Igreja, una santa, católica e apostólica; nossa mãe e mestra!

D. Angélico Sândalo Bernadino

5º Domingo da Páscoa - Domingo da videira e os ramos

A 1ª leitura mostra que Paulo, após a experiência com o Senhor no caminho de Damasco, chega a Jerusalém e procura se integrar na comunidade cristã. Não obstante as dificuldades, ele se mantém unido a Cristo e aos discípulos, cooperando na consolidação e crescimento das comunidades.

Na 2ª leitura, o amor, não em palavras, mas em ações e em verdade, nos dá a certeza de estar em comunhão com Deus. Que creiamos e nos amemos uns aos outros, como Jesus nos amou através de sua entrega total.

O evangelho, tirado dos discursos de despedida, apresenta a imagem simbólica da videira para falar da comunhão vital com Cristo e com os irmãos mediante a fé e o amor. O povo, comparado à vinha do Senhor, cercado com todo o carinho, não produziu os frutos esperados. Jesus proclama ser a videira verdadeira, pois oferece a salvação, a vida em abundância.

A condição para ter a vida e produzir muitos frutos é permanecer unidos a Cristo, como o ramo não pode dar fruto por si, se não permanece na videira. O verbo permanecer, repetido diversas vezes, enfatiza a importância de viver com Jesus, deixando-se conduzir por sua palavra de salvação. Quem segue Jesus e procura ser fiel ao seu projeto, glorifica o Pai pelas obras e dá testemunho de autêntico discípulo. A glória do Pai, manifestada em Cristo, continua em todos os que guardam sua Palavra, produzindo frutos de caridade.

Revista de Liturgia

A verdade vos libertará

O salmista não se mostra muito generoso, quando, num momento de decepção, exclama: "Todos os homens são mentirosos" (Sl 116,11). Ser amante da verdade é um aprendizado. Para fugir de complicações, todos temos a tendência para a dissimulação, isto é, procuramos enganar para nos safar de eventuais punições. Só Jesus mesmo para poder dizer: "Eu sou a verdade" (Jo 14,6).

Conheço algumas circunstâncias - as mentirinhas profissionais - em que não se produz culpa. Por exemplo: a enfermeira avisa, ao aplicar uma injeção: "não vai doer". Ou o pároco, quando vai pedir ajuda financeira aos fiéis: "esta é a última campanha que vamos fazer". São as tais mentirinhas inocentes, que não prejudicam ninguém. Mas São Tomás de Aquino ensina que existe uma situação, na qual podemos até mentir em assunto sério. É quando alguém pergunta se nós cometemos certos crimes. É lícito negar, mesmo sendo culpados, porque o ônus da prova cabe ao acusador.

O critério melhor para aquilatar a vileza de uma mentira é verificar o mal que ela produz e os sofrimentos que provoca. A contragosto, refiro-me a homens e mulheres que ocupam cargos de maior relevância como ministros do Supremo Tribunal Federal. Não posso deixar de comentar a fraqueza de alguns ao basearem seu raciocínio contra os direitos das crianças anencefálicas (melhor seria dizer meroencefálicas), com argumentos mais do que equivocados.

Vários ministros e ministras afirmaram que não podem aceitar a intromissão de razões religiosas para julgar a favor da vida dessas crianças. Isso é uma afirmação falsa. É notório que os maiores defensores das crianças provém das fileiras das Igrejas. No entanto, nenhum representante veio argumentar com razões religiosas. Ninguém debateu com argumentos bíblicos. Nenhum aduziu que o Papa não quer.

Os argumentos foram todos humanitários, filosóficos, científicos e de amor à vida. Tais ministros, conscientemente, afrontaram o bom senso, construindo seu voto em cima de uma base errônea. Isso deu um sentimento de insegurança a todos nós. Só vejo uma possibilidade, de eles recuperaram, aos poucos, a confiança da nação seriamente abalada: julgar, com retidão, os envolvidos no mensalão. “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

Dom Aloísio Roque Oppermann scj

Padre Rufus morre de parada cardíaca

O sacerdote indiano Padre Rufus Pereira faleceu na madrugada dessa quarta-feira, 2, de parada cardíaca durante o sono. A informação foi divulgada nesta quinta-feira por sua secretária pessoal, Érika Gibello.

O padre estava em sua residência em Londres, na Inglaterra, durante esta semana e aparentava estar bem, segundo divulgou a Irmã Kelly Patrícia, do Instituto Hesed, em suas redes sociais. A religiosa esteve com ele no último sábado, 28, e disse que ele "estava radiante, muito feliz".

O corpo de padre Rufus permanecerá na Inglaterra até que terminem os preparativos para levá-lo à Índia, onde será sepultado. A data ainda não foi divulgada.

Padre Rufus completaria 79 anos neste domingo, 6, e era conhecido no mundo todo por seu ministério de exorcismo. Ele foi vice-presidente da Associação Internacional dos Exorcistas e iniciou a Associação Internacional para o ministério de libertação.

Ele esteve na sede da Comunidade Canção Nova sete vezes, conduzindo encontros de cura e libertação. "Padre Rufus era um santo, um homem incansável, pregador do Evangelho, apaixonado por Jesus Cristo e por sua missão", lembra Vinícius Adamo, tradutor do sacerdote no Brasil.

Biografia

Padre Rufus foi sacerdote na Arquidiocese de Bombaim, Índia. Estudou Filosofia, Teologia e Sagrada Escritura em Roma, onde foi também ordenado em 1956. Era doutor em Teologia Bíblica.

Durante vários anos serviu como diretor de quatro escolas secundárias em Mumbai. Além de pregador de retiros, conferencista e professor de Bíblia, ele também era editor da Revista Nacional Carismática da India “Charisindia”. Foi professor de Sagrada Escritura em cursos de pós-graduação em vários Institutos Teológicos Pontifícios.

O sacerdote era também presidente da Associação Internacional para o Ministério de Libertação e vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas. Publicou numerosos artigos bíblicos e teológicos, especialmente, sobre evangelização e cura.

Conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC), em 1972, logo quando esse movimento eclesial teve início na Índia. Foi designado pelo Arcebispo Cardeal Gracias para se dedicar exclusivamente a esse movimento. Desde então atuava pregando em encontros, retiros e missões por todo o seu país e também pela Ásia, África, Europa e em alguns lugares na América Latina, como o Brasil, onde esteve várias vezes, inclusive na Comunidade Canção Nova.

Padre Rufus também foi diretor do Instituto Bíblico Carismático Católico. E recentemente foi integrado ao International Catholic Charismatic Renewal Services (ICCRS), em Roma, como o responsável mundial pelo ministério de cura e libertação.

Saudades na terra, festa no Céu!!!

O poder que vem do alto!

“Mas o Paráclito, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.

E aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e fará outras ainda maiores”. (Jo. 14,26;14,12)

No livro dos Atos dos Apóstolos podemos sentir quão poderoso foi o derramamento do Espírito Santo sobre o seu povo. Naqueles dias, todos que ali estavam em oração tiveram uma experiência forte do poder de Deus que transformou suas vidas tornando-os testemunhas fiéis da salvação de Jesus.

Hoje Deus quer que tenhamos este mesmo poder pois somos exortados a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e só podemos realizar tais maravilhas deixando que o Senhor nos unja com o seu Espírito.

Quando o Espírito Santo é derramado sobre nós, experimentamos o amor de Deus e passamos a compreender que, assim como Deus é amor, nós que somos sua imagem e semelhança, fomos criados para o amor: o amor a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como nós mesmos.

Se tudo se resume no amor não só devemos, como precisamos estar sempre cheios de amor. Mas o amor é um dom de Deus e como todo dom vem Espírito, só podemos estar plenos de amor se estivermos plenos do Espírito. Foi o amor quem deu sua vida por nós. É por amor que devemos realizar todas as nossas obras, pois se não tenho amor sou como o bronze que soa, ou como címbalo que retine. É este dom que nos torna pessoas verdadeiramente espirituais.

Para tornarmos esse amor concreto, temos que agarrar todos os dons que Deus põe a nossa disposição, deixando-nos abertos ao seu Santo Espírito e mais que isso, tendo uma expectativa saudável desses dons, ansiando por eles.

No momento em que despertamos para os dons, não podemos restrigi-los a nós mesmos, pois eles são para a edificação da Igreja. Ora, se você edifica a Igreja e como você também é Igreja, você também é edificado e isso é sabedoria de Deus. Eu só frutifico se meus frutos alimentam aqueles que tem fome.

Os dons carismáticos têm, como uma de suas finalidades, a evangelização. Eles nos foram dados para que fôssemos autênticos evangelizadores, ramos que dessem frutos, pessoas cheias do poder de Deus. Tenhamos em mente que os frutos da vinha não são para os galhos, mas para os que têm fome. Se usarmos os dons somente para nós próprios, esse dons vão murchar e morrer, pois o egoísmo e o medo, são sentimentos que sufocam o Espírito Santo em nós.

Todos nós cristão recebemos uma ordem clara: “Ide e evangelizei a toda criatura”. Evangelizar é testemunhar e testemunhar é viver Cristo. Mas não podemos viver Cristo sem o poder que vem do alto, sem o seu Espírito Santo que nos vivifica e nos convence do amor.

É o Espírito que nos liberta do medo, da timidez, da insegurança, da auto-piedade. O Espírito Santo é o Espírito da verdade que nos mostra quem somos, arrancando toda e qualquer máscara que não raras vezes insistimos em vestir. É Ele, que por amor , nos ensina a orar através de seus dons transformando-nos e capacitando-nos a sermos testemunhas, até os confins da terra, de Jesus, o Senhor.

Deus não nos quer cristãos temerosos que apenas molham os pés nas águas do santuário. Como em Ez.47, 3-12 devemos, sim, mergulhar, deixar que a água nos carregue para que produzamos frutos, pois o Senhor tem hoje um trabalho que só nós podemos fazer.

É preciso então buscar esses dons e proclamá-los pois é através deles que o Senhor cura, orienta e fala aos corações. Recordemos quantas vezes num momento de oração, uma palavra de ciência, de sabedoria, uma profecia já nos renovaram ou nos libertaram durante a caminhada de vivência do evangelho. E o que dizer então do maravilhoso dom de línguas que vem em nosso socorro, nós que não sabemos nem o que pedir! Através desse Dom é o próprio Espírito, que perscruta os corações e conhece a vontade do Pai, que intercede por nós, pedindo aquilo que nosso ser necessita.

Foi através desse dom que, em At. 2, Deus chamou a atenção das pessoas que ao se aproximarem, puderam ser evangelizadas. Assim não menosprezemos nenhuma das ferramentas que Deus nos oferece para crescermos na graça e no conhecimento.

A verdade é que não podemos impedir a Deus de falar aos nossos irmãos porque estamos fechados aos seus dons, principalmente nós que já tivemos uma experiência do seu amor e constatamos as transformações em nossas vidas.

Desejemos pois ser instrumentos que levam o amor àqueles que estão sedentos de Deus. Que o nosso ser se abra aos dons que levam a santificação e a unidade da Igreja para que todos os lábios proclamem que Jesus é o Senhor!

Ir. Nancy Kellar

4º Domingo da Páscoa -Domingo do Bom Pastor

O evangelho se estrutura na oposição entre a figura do mercenário e a do bom pastor, este apresentado progressivamente como aquele que se importar, que conhecer, que é reconhecido e que chega a dar a vida voluntariamente. Esta é a proclamação central da passagem: Jesus dá não é vítima das autoridades deste mundo, a sua morte é uma opção de amor. É claro o sentido universalista e missionário do texto: o pastoreio de Jesus é colocado sob o sinal da unidade de um só rebanho e um só pastor.

A comunidade de Jesus é descrita através de uma relação de intimidade e reciprocidade, expressa pelo verbo conhecer e ser conhecido, que, bem mais que o sentido de um conhecimento intelectual possui, na sensibilidade bíblica, uma dimensão afetiva e esponsal. A aliança entre a comunidade, “ovelhas”, e Jesus, “pastor”, é a forma em que se dá este conhecimento e se estrutura da mesma forma que o Pai e o filho estabeleceram seu pacto de amor.

Participar da assembleia litúrgica – esta celebração – é entrar neste jogo de conhecer/ser conhecido entre o rebanho e o pastor. A liturgia é, exatamente, este diálogo comunitário com o Senhor ressuscitado, com momentos onde o pastor escuta o seu povo em oração e a comunidade escuta o seu pastor. Ao mesmo tempo, esta relação acontece sob uma perspectiva universalista: assembleia revivida é católica, universal e aberta.

Revista de Liturgia

Peça o Dom da Fortaleza!

A nossa vida espiritual tem duas dimensões, primeiro uma dimensão voltada para dentro de nós, que podemos chamar de “Vida Interior” e depois outra voltada para fora, que podemos chamar apostolado ou vida missionária. Ao falar dos Dons e Carismas estamos falando da Pessoa do Espírito Santo e de suas formas de agir, pois nenhuma pessoa se dá sem dar aquilo que é. Portanto, os Dons e Carismas são expressões da Sua ação e missão em nós e na Igreja: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (cf. At. 1,8).

O dom da Fortaleza, também chamado “dom da coragem“, imprime em nossa alma um impulso que nos permite suportar as maiores dificuldades e tribulações, e realizar, se necessário, atos sobrenaturalmente heróicos.

Quando falamos em virtudes heróicas, ninguém pense que só existe heroísmo quando enfrentamos grandes causas. Você faz grandes heroísmos lá no interior da sua casa, no dia-a-dia de sua vida. Veja bem que heroísmo imenso é o de uma mãe que suporta o vício do álcool do marido ou do filho! Às vezes por 10, 20, 40 anos enfrenta aquela dor, aquele sofrimento, por amor a Deus, por doação e caridade. Essa mãe tem o Dom da Fortaleza. O Dom da Fortaleza não é só para os mártires, os grandes confessores da fé. É para cada um de nós. Hoje vemos uma multidão caindo nas tentações. Pode estar faltando o Dom da Fortaleza em muita gente. Saber não cair na tentação, já é um sinal da força desse Dom.

Santa Teresinha nos fala do “heroísmo do pequeno”. A fidelidade às pequenas inspirações que Deus nos faz todo dia e toda hora é fruto do Dom da Fortaleza. Nós deixamos passar ótimas oportunidades quando pequenas cruzes, pequenos sofrimentos vão passando pela nossa vida e nós não os aproveitamos para uma resposta fiel a Deus. Vem um aborrecimento, uma pessoa nos causa feridas porque falou qualquer coisa contra nós. O que fazemos? Há duas respostas: Revidamos com palavras amargas, com evidente menosprezo, com inimizades, etc., ou fazemos de conta que nem ficamos sabendo, não nos importamos com aquilo, etc.. Como funcionou o Dom da Fortaleza? É claro, naquela hora que suportamos a ofensa. O heroísmo está aí. Aprendemos agora um dos caminhos que nos leva a santidade.

São poucas as pessoas que fazem por Deus e pelo próximo aquilo que poderiam fazer mais. Porque, não temos coragem de nos empenharmos em grandes obras. Imaginem o bem que poderíamos fazer se ainda não fôssemos tão comodistas. Paulo afirma: “Tudo posso naquele que me fortalece” (CF.FL. 4,13). E nos diz mais: pode suportar as maiores dificuldades e tribulações e praticar, se necessário, atos heróicos. “Não pelas suas qualidades pessoais, mas pelo dom da fortaleza que Deus lhe concedeu”. Carta aos coríntios, descrevendo as tribulações pelas quais passou por amor ao Senhor e à Igreja:

“Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigo no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos! Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, a minha preocupação quotidiana, a solicitude por todas as Igrejas!” (II Cor 11,24-28).

Ao dom da Fortaleza se opõe à timidez, que é o temor desordenado, e também aquele comodismo que impede de caminhar, de querer dar grandes passos. Estacionamos numa espiritualidade medíocre, temos medo de tudo, de prejudicar a amizade, de descontentar alguém e vamos comodamente parando no caminho da perfeição.

Padre Luizinho
Retirado do Blog da Canção Nova

Há um milagre acontecendo agora!

Os tempos atuais trazem uma verdade avassaladora: apesar de todo avanço tecnocientífico, nossa geração pós-moderna ainda crê, precisa e espera por milagres. Quando um médico diz que já fez todo o possível por um paciente terminal e que agora é preciso ‘algo acontecer’, significa que está esperando o que chamamos de ‘milagre’. Um milagre é uma intervenção fora do comum, que muda uma situação negativa ou algo maravilhoso, prodigioso. Para muita gente, hoje em dia, não importa muito ‘quem’ faz o milagre. O importante é ser sortudo o bastante para ser alcançado por essa graça extraordinária. Essa é uma visão ‘comercial’ do sobrenatural. Há pessoas que falsificam milagres e/ou os atribuem a si mesmas, a poderes ocultos ou até mesmo a alguém a quem eles chamam de Jesus.

Nos tempos de Jesus Cristo, vários de Seus feitos delimitaram o nosso entendimento conceitual de milagre: ressuscitar mortos, devolver a vista a cegos (de nascença também!), brindar mobilidade a aleijados , restituir a fala a mudos e audição a surdos, além de caminhar sobre a água, acalmar as intempéries da natureza e voltar à vida depois de 3 dias no sepulcro, entre outros. O Evangelho traz o episódio em que Jesus fica ‘chateado’ com uma população que não se converteu mesmo apesar dos sinais milagrosos realizados no meio deles.

É certo que o Senhor não fez ‘todos’ os milagres num mesmo lugar, mas os que Ele fez seriam suficientes para ‘mudar o coração’ daquela gente. Como isso não aconteceu, Jesus diz que eles terão um triste fim: “Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas teriam arrependido sob o cilício e a cinza. (…) Se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia. Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!” (Cf. Mt. 11, 21.23s).

Talvez você nunca tenha sido alvo de algum milagre extraordinário ainda. Ou quem sabe nem tenha tido a oportunidade de presenciar algum. Sabemos que Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Heb 13,8). Ele continua operando milagres e não é pecado esperar ou pedir algum para si. Mas o fato é que muitos milagres acontecem ainda hoje, alguns estão acontecendo exatamente agora enquanto você lê este texto.

Gostaria de perguntar se você já parou para pensar nos milagres cotidianos que experimentamos. Um pouco de conhecimento e você perceberá que estamos rodeados de milagres extraordinários que talvez passem despercebidos. Para nós católicos é extraordinário pensar que um simples homem pecador, investido da força da Graça sobrenatural do Sacerdócio, pronuncie as palavras que Jesus pronunciou e um pedaço de pão e um pouco de vinho se transformem no Corpo e Sangue do próprio Cristo…

Mas se para você é complicado pensar nisso, analise, por exemplo, o fato dos milagres do macrocosmo: nosso planeta está tão bem posicionado em sua distância com relação ao sol que se estivesse noutra posição ou torraríamos de calor ou congelaríamos pelo frio. A situação não para se formos para o microcosmo: a água que temos aqui é tão bem ‘feita’ que se as medidas moleculares de Hidrogênio e Oxigênio são perfeitas para nossa sobrevivência! Uma molécula a mais ou a menos bastaria para que perdêssemos uma condição essencial para a sobrevivência. A quantidade de sangue que circula em nossas veias é exata para que nosso corpo consiga sobreviver. Mexa nesse equilíbrio e a vida se extinguiria num piscar de olhos.

Olhe ao seu redor e reconheça outros tantos milagres: num planeta com mais de 6 bilhões de habitantes, as pessoas que estão ao seu redor são únicas e irrepetíveis. Se você convive com gente desagradável, sinto muito. Mas se você tem pessoas queridas e dignas de todo amor ao seu lado, se você conheceu ou conhece pessoas às quais tem o privilégio de chamar ‘amigas’, isso tudo é um milagre. Ninguém poderia substituir o lugar dessas pessoas. É um milagre que, entre bilhões de pessoas no mundo, você tenha se encontrado com essa aí que está ao seu lado: seu marido, sua esposa, seu filho. Sim, se fosse outra pessoa, provavelmente você a amaria também, mas, com certeza, não do jeito que ama essa aí! O sol, que nasceu nesta manhã, poderia não ter nascido. A lua que ilumina esta noite poderia não ter brilho. Pare para pensar! Você está rodeado de milagres e tem algum acontecendo agora perto de você! Quem fez tudo isso? O poder público? Os avanços científicos? Algum patrocinador milionário? A sorte?

Deus está mais perto do que você pode imaginar. E quando o Altíssimo se aproxima, milagres acontecem. Hoje o Senhor o ajuda a ‘enxergar’ coisas que sempre estiveram ao seu redor, mas que talvez você não tenha conseguido detectá-las. Sinta-se envolvido por milagres. Deixe-se convencer pelo poder de Deus Pai. Considere-se uma pessoa feliz por ter a experiência da soberana potência do Senhor. Tome decisões a partir dessa certeza. Assuma novos comportamentos guiado por essa maravilha. Cabe a você escolher de que lado quer estar: entre aqueles que se rendem ao Senhorio de Jesus ou entre aqueles que, mesmo depois de tantos milagres, ainda resistem e se revoltam (cf. Mt. 11, 21-23s). Reflita um pouco sobre isso!

Padre Delton Filho

A vitória do vencido

É quase inconcebível, nas dimensões da cultura dos dias atuais, entender e aceitar que uma pessoa falida, de baixo nível social e econômico, seja vencedora. Dizemos que isso pode ocorrer quando ela recebe uma grande herança, ganha na loteria ou pratica ações injustas e desonestas. Nenhum trabalhador verdadeiramente honesto fica “rico” de um dia para o outro.

Acreditar em Jesus Cristo, como Deus e como homem, é ter um ato profundamente de fé, vendo n'Ele um vencido, mas que conseguiu a vitória pela Paixão e Morte na cruz. Isso é interpretado de diversas formas, mas o fato real é que ali estava presente a sabedoria divina, uma força capaz de transformar o ser humano na sua própria identidade.

Entender que a vida nasce da morte é um desafio, exige mudança de mentalidade e de um novo modo de pensar e ver as coisas. Não podemos sentir nisso uma mera fantasia, como “coisa de cristãos”. Acontece que, queira ou não, a esperança da humanidade está em Jesus Cristo, Aquele que é capaz de tirar da morte a vida em plenitude.

Ao ser condenado, Jesus foi ignorado pelo povo e pelas autoridades de Seu tempo. Será que isso não continua acontecendo ainda hoje, mesmo que Ele tenha comprovado Sua divindade e força libertadora? Todos os ataques contra a vida não são contra o próprio Cristo? São ações de sofrimento, constituindo o que chamamos de pecado.

Jesus Ressuscitado não é um fantasma nem uma assombração, como se fosse uma alma que veio de fora para impressionar Seus seguidores. Ele é o Ressuscitado, o mesmo que tinha sido crucificado e morto numa cruz. É justamente daí que nasce a ação missionária do cristão, cujo cumprimento passa pelos caminhos do sofrimento.

A vida é uma conquista. Não é busca imediata, com prazer momentâneo, como acontece muito hoje, porque isso não leva a nada, a não ser reforçar os dados do egoísmo. Tudo que realizamos sem referências, normas, disciplina, sem limites, sem entender a cruz, nada construímos e tudo destruímos.

Dom Paulo Mendes Peixoto

3º Domingo da Páscoa - Domingo do encontro de Jesus com os discípulos

Na 1ª leitura os discípulos recebem a missão de anunciar a ressurreição de Jesus a todos os povos. Deus cumpre as profecias glorificando Jesus, o Messias sofredor, pela ressurreição.

A 2ª leitura nos mostra que Cristo, que doou sua vida pela salvação de todos/as, continua junto do Pai como nosso Defensor, isto é, auxílio, intercessor. Enquanto permanecemos na comunhão da fé e guardamos sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado.

No evangelho, os discípulos relatam a experiência do encontro com Jesus ressuscitado no caminho de Emaús e como o tinham reconhecido ao partir o pão. Transformados pela vida de Jesus, doada por amor, tornam-se testemunhas corajosas de sua ressurreição, começando por Jerusalém. O Ressuscitado partilha a mesa e oferece o entendimento das Escrituras, abrindo as mentes dos discípulos para que entendessem que o Messias haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia.

À luz do mistério pascal, os discípulos compreendem que o plano da salvação, revelado na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos, isto é, em todo o Primeiro Testamento, foi realizando plenamente em Cristo. Em nome de Jesus, de sua obra realizada na paixão, morte e ressurreição, Deus oferece a salvação ao ser humano, impelindo-o à conversão e vida nova.

Revista de Liturgia