O nosso pai São José

Não é sem razão que a Igreja, no meio da Quaresma, tira o roxo no dia 19 de março e coloca o branco na liturgia, para celebrar a festa de São José, esposo da Virgem Maria. Entre todos os homens do seu tempo, Deus escolheu o glorioso São José para ser pai adotivo de seu Filho divino e humanado. E Jesus lhe era submisso, como mostra São Lucas.

Santo Gertrudes, um grande místico da Saxônia, afirmou que “viu os Anjos inclinarem a cabeça quando no céu pronunciavam o nome de São José”.

Santa Teresa de Ávila, a primeira doutora da Igreja, a reformadora do Carmelo, disse: “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”. E declarava que em todas as suas festas lhe fazia um pedido e que nunca deixou de ser atendida. Ensinava ainda que cada santo nos socorre em uma determinada necessidade, mas que São José nos socorre em todas.

O Evangelho fala pouco de sua vida, mas o exalta por ter vivido segundo “a obediência da fé”. Deus nos dá a graça para viver pela fé em todas as circunstâncias. São José, um homem humilde e justo, “viveu pela fé”, sem a qual “é impossível agradar a Deus”.

O grande doutor da Igreja Santo Agostinho compara os outros santos às estrelas, e São José ele o compara ao Sol. A esse grande santo Deus confiou Suas riquezas: Jesus e a Virgem Maria. Por isso, o Papa Pio IX, em 1870, declarou São José Padroeiro da Igreja Universal com o decreto “Quemadmodum Deus”. Leão XIII, na Encíclica “Quanquam Pluries”, propôs que ele fosse tido como “advogado dos lares cristãos”. Pio XII o declarou como “exemplo para todos os trabalhadores” e fixou o dia 1º de maio como festa ao José Trabalhador.

São José foi pai verdadeiro de Jesus, não pela carne, mas pelo coração; protegeu o Menino das mãos assassinas de Herodes o Grande, e ensinou-lhe o caminho do trabalho. O Senhor não se envergonhou de ser chamado “filho do carpinteiro”. Naquela rude carpintaria de Nazaré Ele trabalhou até iniciar Sua vida pública, mostrando-nos que o trabalho é redentor.

Na história da salvação coube a São José dar a Jesus um nome, fazendo-O descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas. A José coube a honra e a glória de dar o nome a Jesus na Sua circuncisão. O Anjo disse-lhe: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados”.

A vida exemplar desse grande santo da Igreja é exemplo para todos nós. Num tempo de crise de autoridade paterna, na qual os pais já não conseguem “conquistar seus filhos” e fazerem-se obedecer, o exemplo do Menino Jesus submisso a seu pai torna-se urgente. Isso mostra-nos a enorme importância do pai na vida dos filhos. Se o Filho de Deus quis ter um pai, ao menos adotivo, neste mundo, o que dizer de muitos filhos que crescem sem o genitor? O que dizer de tantos “filhos órfãos de pais vivos” que existem no Brasil, como nos disse aqui mesmo em 1997 o Papa João Paulo II? São José é o modelo de pai presente e atencioso, de esposo amoroso e fiel.

Celebrar a festa de São José é lembrar que a família é fundamental para a sociedade e que não pode ser destruída pelas falsas noções de família, “caricaturas de família”, que nada têm a ver com o que Deus quer. É lutar para resgatar a família segundo a vontade e o coração de Deus. Em todos os tempos difíceis os Papas pediram aos fiéis que recorressem a São José; hoje, mais do que nunca é preciso clamar: "São José, valei-nos!" Ao falar desse santo, o Papa João Paulo II, na exortação apostólica “Redemptoris Custos” (o protetor do Redentor), de 15 de agosto de 1989, declarou: “Assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja”. “Hoje ainda temos motivos que perduram, para recomendar todos e cada um dos homens a São José.

Celebrar a festa de São José é celebrar a vitória da fé e da obediência sobre a rebeldia e a descrença que hoje invadem os lares, a sociedade e até a Igreja. O homem moderno quer liberdade; “é proibido proibir!”; e, nesta loucura lança a humanidade no caos.

São José, tal como a Virgem Maria, com o seu “sim” a Deus, no meio da noite, preparou a chegada do Salvador. Deus Pai contou com ele e não foi decepcionado. Que o Altíssimo possa contar também conosco! Cada um de nós também tem uma missão a cumprir no plano divino. E o mais importante é dizer “sim” a Deus como São José. “Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado”.

Celebrar a festa de São José é celebrar a santidade, a espiritualidade, o silêncio profundo e fértil. O pai adotivo de Jesus entrou mudo e saiu calado, mas nos deixou o Salvador pronto para começar a Sua missão. É como alguém destacou: “O servo que faz muito sem dizer nada; o especial agente secreto de Deus”. Ele é o mestre da oração e da contemplação, da obediência e da fé. Com ele aprendemos a amar a Deus e ao próximo.

São José viveu o que ensinou João Batista: “É preciso que Ele [Jesus] cresça e eu diminua”.

Felipe Aquino
Retirado do Blog da Canção Nova

4º DOMINGO DA QUARESMA - Domingo da alegria e do encontro de Jesus com Nicodemos

Deus não abandona o povo, mas o conduz a uma autêntica conversão e reconhecimento de seu amor , é o que nos diz a 1ª leitura. Ele manifesta sua contínua salvação libertando e suscitando ações em conformidade com seu projeto.

Na 2ª Leitura, Deus revelou sua infinita misericórdia salvando-nos gratuitamente em Cristo mediante a fé.

No evangelho de hoje, depois do diálogo com Nicodemos, Jesus crucificado e exaltado é apresentado como o fundamento da fé e da vida cristã. Levantado, ele retorna à glória do Pai, depois de realizar com fidelidade sua vontade. No deserto, os hebreus olhavam para a serpente levantada por Moisés como sinal de cura e libertação. Mas somente Jesus crucificado, enaltecido na cruz, oferece a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna . A adesão da fé leva a participar da obra redentora de Cristo, doando a vida a Deus na construção de seu Reino. A fé em Jesus, o Messias e Filho de Deus, possibilita ter a vida em seu nome. Enviado para ser a luz do mundo, Cristo transforma as trevas do ser humano e ilumina o agir conforme a verdade, segundo a vontade do Pai.

Revista de Liturgia

Perseverança até quando?

O ser humano é realmente frágil diante das agruras da vida. Somos capazes de grandes heroísmos. Mas diante da presença do mal, das oposições contínuas de gente mal-intencionada, sentimos a falta de coragem. A tentação da fuga, pura e simples, é uma alternativa aliciadora. “Todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (Mt 26, 56). Nisso somos parecidos com os animais que, diante do perigo, por instinto de conservação, fogem rapidamente.

Os homens, por educação ou por graça divina (martírio), têm a capacidade de resiliência. Essa capacidade nos faz esperar que os tempos mudem, e tudo pode tomar um rumo novo. As pessoas, – homens ou mulheres, e até jovens – que têm perseverança e firmeza de conduta tornam-se arrimo para outros mais frágeis. Os que têm personalidade, e não se deixam desviar dos seus intentos, são líderes e vencedores. Essas pessoas se tornam heroínas pelo fato de abrirem caminho aos pusilânimes. Mas a perseverança é virtude proposta a todos, não só aos heróis. Este desafio nos é aberto em dois sentidos.

Antes de tudo, somos chamados ao heroísmo da fé. A tentação do desânimo, de abandonarmos a fé diante de outras propostas mais tentadoras, de alcançarmos a solução dos problemas pela via rápida dos milagres fáceis, pode nos fazer balançar. “Maldito seja aquele que vos anunciar um evangelho diferente daquele que eu anunciei” (Gal 1, 8).

A Igreja possui a doutrina de Jesus (imagem do Pai). Nesta doutrina seremos perseverantes e seguiremos o que ensinavam os apóstolos: “Sede firmes na fé”. Entre nós católicos há muitos que se deixam seduzir com facilidade, e abandonam a fé do seu batismo, para aderirem a soluções menos complicadas. Outro chamado, feito a todos, é de sermos perseverantes na prática do bem. Trabalhar gratuitamente em benefício dos outros pode cansar. As ingratidões e a falta de compromisso podem nos levar ao desânimo e a “jogar tudo para cima”. É mais fácil ter vida mansa e assistir tudo de camarote. Mas a Escritura nos alerta: “Quem for perseverante até o fim, este será salvo” (Mt 10, 22).

Dom Aloísio Roque Oppermann
Retirado do Blog da Canção Nova

Quaresma, um apelo à liberdade

Entramos num tempo lindo, uma época para deixar a pressa do cotidiano de lado, dar espaço ao silêncio e à reflexão. Podemos afirmar que a Quaresma é um apelo à liberdade. Os jovens que gostam tanto de falar em liberdade deveriam viver intensamente este tempo que a Igreja nos oferece, pois viver bem o tempo quaresmal significa viver a liberdade. Sabemos que ser livre não é algo que vem de fora para dentro, mas, ao contrário, vem de dentro para fora, ou seja, é a liberdade interior que rege nosso modo de viver e pensar, de agir e falar.

Liberdade não significa fazer tudo que queremos. A primeira carta aos Coríntios 6,12 nos indica que “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma”. Nesse trecho, aparece um verbo muito interessante: “dominar”; esta palavra, derivada do latim “dominare“, significa “ser o senhor, mandar”. Ora, se faço tudo que quero, sem critério algum, sou escravo. Nisso não há liberdade, embora tudo me seja permitido.

Como posso ser senhor dos meus atos se cedo à tentação à toda hora? Ou eu sou senhor do meu temperamento ou ele se faz senhor sobre mim, do mesmo modo na minha sexualidade, na língua, na afetividade, nas emoções, etc. Escravo não tem vontade, porque é mandado por seu senhor. O CIC [Catecismo da Igreja Católica], no inciso 1731, nos ensina que “a liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo; portanto, de praticar atos deliberados”. Neste tempo quaresmal, somos chamados a ter lucidez sobre a nossa vontade e nosso querer.

Começamos a dominar o corpo, até as áreas mais íntimas e difíceis de controlar, por meio da boca, ou seja, do jejum e da abstinência. Isso sim é poder baseado na razão. Porém, nada podemos empreender em nossa vida espiritual sem a graça de Deus, porque tudo provém dela. São Paulo mesmo nos diz: “Isso não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus” (cf. Efésios 2,8). Em seus propósitos, não diga “nem vou começar, pois sou fraco e não vou conseguir”, pois agora você sabe que a graça é puro dom do Senhor. Por nós mesmos não conseguiremos, no entanto, tenhamos confiança em Deus, pois para Ele nada é impossível” (cf. Lucas 1,37).

Rodrigo Stankevicz
Retirado do Blog da Canção Nova

Aparições de Nossa Senhora de Fátima - 3ª aparição do Anjo

Em Outubro de 1916, na Loca do Cabeço, no mesmo lugar da primeira aparição, o Anjo de Portugal repete o gesto da face no chão, recitando a mesma oração ensinada na primeira aparição. De repente, viram brilhar sobre eles um grande clarão.

“Erguemo-nos para ver o que se passava e vimos o Anjo, tendo na mão esquerda um cálix, sobre o qual está suspensa uma Hóstia, da qual caem algumas gotas de Sangue dentro do cálix. O Anjo deixa suspenso no ar o cálix, ajoelha junto de nós, e faz-nos repetir três vezes:

- Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois levanta-se, toma em suas mãos o Cálix e a Hóstia. Dá-me a Sagrada Hóstia a mim e o Sangue do Cálix divide-O pela Jacinta e o Francisco, dizendo ao mesmo tempo:

- Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

E prostrando-se de novo em terra, repetiu conosco outras três vezes a mesma oração: Santíssima Trindade…, e desapareceu”.

Retirado do Livro Memórias da Irmã Lúcia

Aprenda a ser bom

Não poucas vezes, dizemos que é boa uma pessoa que é somente “bonachona”, isto é, que tem bons sentimentos, nunca briga, cede a tudo, é condescendente conosco até em coisas que nos fazem mal…, mas não nos faz nenhum bem profundo e construtivo.

Bom, de verdade, é somente aquele que nos faz bem. E o bem é, acima de tudo, o valor moral e espiritual de uma pessoa. Portanto, bom mesmo é somente aquele que nos ajuda a ser melhores.

Quando já vivemos um bom pedaço da vida e olhamos para trás, contemplamos um vasto panorama de vicissitudes diversas, de erros e acertos, de perigos que nos ameaçaram, de dúvidas que nos paralisaram, de alegrias e tristezas. Mas, no meio dessas lembranças, todos nós podemos ver brilhar uns pontos de luz que jamais esqueceremos: pessoas que, no momento em que mais precisávamos, nos fizeram bem: “Fulano - dizemos - ajudou-me muito”, “significou muito para mim”; “graças à Sicrana, consegui superar um problema grave (ou uma crise ou um estado de ânimo) que me poderia ter arrasado”…

Mesmo sem darmos por isso e sem dizê-lo explicitamente, estamos falando de pessoas “verdadeiramente boas”. Inconscientemente, possuímos a convicção de que foram bons, para nós, aqueles que nos despertaram para ideais mais nobres, que nos deram a mão para nos levar a encontrar um sentido mais alto da vida, que iluminaram as nossas escuridões interiores fazendo-nos compreender aquilo por que vale a pena viver.

Em suma, foram “bons” os que nos elevaram a um maior nível de dignidade moral e nos ajudaram a ser melhores, mesmo que para isso tivessem precisado, em algum momento, de nos fazer sofrer. Contribuíram para que descobríssemos e abraçássemos o bem, e não se contentaram com o deixar que nos “sentíssemos bem”…

Se, para tanto, foi necessário que nos aplicassem uma enérgica e paciente “cirurgia”, não duvidaram em fazê-la, mesmo sabendo que, de início, não os compreenderíamos. Souberam ter a coragem – pensemos, por exemplo, nos pais e educadores – de dizer-nos serenamente “não” e de manter essa posição em defesa do nosso bem, ainda que nós a interpretássemos como teimosia prepotente e irracional. Passado o tempo, compreendemos e agradecemos o que essa energia amorosa significou para nós.

O pessoa boa recusa-se a tomar como princípio de comportamento o infeliz ditado segundo o qual “aquele que diz as verdades perde as amizades”. Pratica a lealdade sincera quando o nosso bem está em jogo. Certamente, não confunde a sinceridade com a franqueza rude, que se limita a nos lançar no rosto os nossos erros e defeitos em tom áspero e acusatório. Mas arrisca-se de bom grado a ser incompreendida, a ser tachada de pessoa moralista e intrometida, quando percebe que precisa nos falar clara e caridosamente, mas sem ambiguidades, e não hesita em praticar aquela excelente obra de misericórdia que consiste em “corrigir o que erra”, a fim de levar-nos a encontrar a retidão do caminho moral.

Calar-se, deixando o barco correr e afundar-se é, sem dúvida, mais cômodo. Alhear-se, ou até mostrar-se conivente com os erros alheios, atrai benevolências e simpatias. Mas é uma forma covarde de omissão e uma triste colaboração com o mal.

Padre Francisco Faus

3º DOMINGO DA QUARESMA - Domingo da expulsão dos vendilhões

Os mandamentos, mostrados na 1ª leitura, são dom de Deus, caminho para entrar e permanecer na aliança. O povo se compromete a seguir as palavras de Deus reveladas a Moisés. A fidelidade assegura a relação amorosa com o Deus libertador da escravidão do Egito.

Na 2ª leitura, a paixão e a cruz de Cristo confundem os fortes e sábios deste mundo e manifestam a força de salvação de Deus para os que acreditam.

João apresenta o episódio da purificação do templo com sentido simbólico, relacionado à vida, morte e ressurreição de Jesus. Como todo judeu fiel, Jesus costumava ir a Jerusalém para participar da grande festa anual da Páscoa no templo. Tal ocasião servia também para reunir vendedores de animais para os sacrifícios e cambistas de dinheiro, destinado, sobretudo, ao pagamento do imposto do templo. Mas a palavra de Jesus adverte para não transformar a casa do encontro com o Pai em mercado. Jesus purifica o templo e expulsa até os animais para os sacrifícios instaurando um novo culto. Ressuscitado, ele se manifesta como o lugar do verdadeiro culto, encontro e adoração com o Pai em espírito e verdade. A ressurreição e o dom do Espírito levam os discípulos a recordar tudo, a compreender os fatos, as ações e palavras de Jesus. Ele não veio abolir a Lei, mas aperfeiçoá-la, ensinando a viver o amor de forma incondicional.

Revista de Liturgia

Quem tem Deus nada teme

Veio ao meu coração a importância da nossa confiança absoluta em Deus, que rege todas as coisas para o nosso bem e que está sempre a nosso favor, como aprendemos com os exemplos dos santos. Monsenhor Brandão diz: “Nosso Senhor nos manda olhar os passarinhos. Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros, no entanto, o vosso Pai celeste as alimenta” (Mt 6, 26).

Ei-los tão mimosos, a voar descuidados pela amplidão, a cantar, sempre felizes, glorificando o nome do Senhor. Vem a tempestade e derruba-lhes os ninhos. Eles constroem novas moradas em outros galhos e cantam sempre quando a madrugada desperta. A mão de um perverso lhes rouba os filhotes. No dia seguinte, ao romper da aurora, cantam de novo, esquecidos da mágoa que os fez piar na véspera, saudosos, de galho em galho à procura dos filhotes. O frio chega e eles migram para distantes regiões da terra. E cantam no exílio também.

Nossos irmãos, os passarinhos, são mestres de abandono e confiança na Divina Providência. Por isso, Jesus dizia: “Olhai os passarinhos”. A serva de Deus, Madre Tereza dos Anjos, carmelita que, várias vezes, foi exilada por perseguições religiosas e conheceu duras provações com sua comunidade; errante e perseguida pela Bélgica, Suíça e França, disse uma vez: “Recebi do céu uma lição que me fez bem. Expulsei de minha cela uma andorinha, que lá fizera o seu ninho, e a este também destruí. Pois ela voltou, cantou alegremente e desapareceu, voando pelo céu azul. Jesus destruiu todos os ninhos que procurei construir. Tirou-me todos os apoios humanos. E o que farei? Cantarei seus louvores. É minha missão cantar. A Providência nutre os passarinhos! Que eu nunca me queixe de Vossa Providência e saiba cantar nas provações”.

Como nos diz Santo Agostinho: “O Senhor que arrancou vosso pecado e perdoou vossas faltas está disposto a vos proteger e a vos guardar contra os ardis do diabo que vos combate, a fim de que o inimigo, que costuma engendrar a falta, não vos surpreenda. Quem se entrega a Deus, não teme o demônio. ‘Se Deus é por nós, quem será contra nós?’”(Rm 8, 31).

Aprendamos com os passarinhos a depender em tudo dos cuidados de Deus.

Luzia Santiago
Retirado do Blog da Canção Nova

O dom de ser mulher

A alegria de ser mulher está entremeada de desafios que nosso tempo impõe ou que nós mesmas colocamos como alterações em nossa forma de ser. Faz parte da realidade feminina, nos dias atuais, várias jornadas de trabalho: empresa, casa, do marido, de si, cuidar dos filhos, levá-los à escola, muitas vezes criá-los sozinhas, e tantas outras situações vivenciadas pela mulher. Porém, muitas mulheres se sentem perdidas, não encontrando sentido na vida, e acabam endurecidas e até mesmo entristecidas.

Mesmo assim, acredito que o grande desafio das mulheres é ser mulher. Como assim? Já percebeu o quanto a mulher perdeu sua origem? Mas qual é o natural do ser mulher? Na competição por direitos iguais, as vemos colocando-se, muitas vezes, como rivais dos homens, como aquelas que disputam, da mesma forma, os espaços antes ocupados por eles. É claro que precisamos trabalhar e ter nossas conquistas, mas já viram quantas se queixam da solidão, da falta de um companheiro, do abandono?

Por que insistimos na diferença entre os sexos? Por que a mulher insiste em ser aquilo que sua própria constituição física não permite? A nossa constituição humana não nos faz ser assim. Homem e mulher não são iguais, a começar pelos cromossomos, não é mesmo?

Na tal "guerra dos sexos" tanto homem quanto mulher são perdedores por deixarem de viver a beleza do dom de cada um. A mulher por ser feminina, doce, sensível, acolhedora, mãe, enfim, batalhadora, persistente. Tudo isso é muito natural na realidade feminina, mas o grande desafio é não deixar de lado as habilidades que foram confiadas a cada uma de nós em nossa constituição.

O Papa João Paulo II tece, em uma de suas cartas, um belíssimo comentário sobre nós, dizendo que "rende graças por todas e cada uma das mulheres: pelas mães, pelas irmãs, pelas esposas; pelas mulheres consagradas a Deus na virgindade; pelas mulheres que se dedicam a tantos e tantos seres humanos, que esperam o amor gratuito de outra pessoa; pelas mulheres que cuidam do ser humano na família, que é o sinal fundamental da sociedade humana; pelas mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, às vezes, carregam uma grande responsabilidade social; pelas mulheres perfeitas e pelas mulheres fracas".

Com toda a beleza que foi dada especialmente a nós, vale uma grande reflexão ligada à importância da valorização da essência feminina. Ao deixar essa essência de lado, muitas vezes nos fechamos ao amor, àquilo que é natural a cada uma de nós.

Deixamos de nos valorizar e, muitas vezes, queremos ser valorizadas pelos homens. É tempo de rever nossa postura no mundo, de voltar ao essencial; não vamos voltar ao século passado, mas é importante que possamos atualizar o ser mulher em nosso tempo, não nos esquecendo da riqueza deste dom, único e especial: SER MULHER!. É tempo de retomada: viver valores esquecidos, dons adormecidos e sinais do feminino, a natureza tão bela da mulher, do equilíbrio, da doçura e da força, de todo este universo de características que a fazem MULHER e que, muitas vezes, foram deixadas de lado.

Elaine Ribeiro
Retirado do Blog da Canção Nova

Vivendo o exercício do Jejum crescemos na virtude da ESPERANÇA

Neste caminho quaresmal rumo a Páscoa não é a toa que a Santa Mãe Igreja nos propõe os exercícios quaresmais de conversão Oração, Jejum e Esmola, pois ao vivermos estes três exercícios crescemos nas virtudes teologais da fé, esperança e caridade. Essa é a trilha básica para o caminho de santidade de todo o cristão, não somente por quarenta dias, mas para toda a sua vida.

Se a oração atinge o relacionamento do homem com Deus, o jejum o celebra no seu relacionamento com os bens criados na virtude da esperança.

No seu relacionamento com a natureza criada, o homem é chamado a ser livre, a ser senhor da criação. Acontece porem, que muitas vezes se escraviza a ela. Por isso, a Igreja convida o homem a realizar um gesto de liberdade e de respeito em relação aos bens criados, através do rito do jejum.

O rito do jejum não vale pelo que é, mas pelo que significa. Na ação de comer e de beber é que o homem mais se apropria das coisas. Ele mesmo consome a comida; ele a faz tornar-se parte de si mesmo. Não só dela se apodera, mas muitas vezes, apoderando-se dela, a ela se escraviza. Por isso, o alimento e a bebida tornam-se símbolo de tudo quanto envolve o homem.

Jejuar é abastecer-se de um pouco de comida ou bebida. É estabelecer o correto relacionamento do homem com a natureza criada. A atitude de liberdade e de respeito diante do alimento torna-se símbolo de sua liberdade e respeito para com tudo quanto o envolve e o pode escravizar: bens materiais, qualidades, opiniões, idéias, pessoas apegos e assim por diante.

Temos mais. Jejuar significa fazer espaço em si. Fazer espaço para Deus, fazer espaço para o próximo, fazer espaço para os valores que permanecem. Jejuando, a Igreja evoca o Cristo jejuando quarenta dias no deserto, o Cristo em sua atitude de liberdade e de domínio sobre a natureza e sobre o mal. Evocando-o, torna-o presente hoje.

A Igreja constituí o prolongamento do Cristo livre, do Cristo rei da criação. A Igreja exercita e celebra a atitude de liberdade e respeito diante da natureza durante a Quaresma, para que os cristãos vivam sempre esta atitude de harmonia com a natureza, usando dos bens para o seu crescimento em Deus. Temos, portanto, um exercício de conversão.

Padre Luizinho
Retirado do Blog da Canção Nova