Beatos Francisco e Jacinta

No ano de 1908, nasceu Francisco Marto. Em 1910, Jacinta Marto. Filhos de Olímpia de Jesus e Manuel Marto. Eles pertenciam a uma grande família; e eram os mais novos de nove irmãos.

A partir da primavera de 1916, a vida dos jovens santos portugueses sofreria uma grande transformação: as diversas aparições do Anjo de Portugal (o Anjo da Paz) na "Loca do Cabeço" e, depois, na "Cova da Iria". A partir de 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceria por 6 vezes a eles.

O mistério da Santíssima Trindade, a Adoração ao Santíssimo Sacramento, a intercessão, o coração de Jesus e de Maria, a conversão, a penitência... Tudo isso e muito mais foi revelado a eles pelo Anjo e também por Nossa Senhora, a Virgem do Rosário.

Na segunda aparição, no mês de junho, Lúcia (irmã de Jacinta e Francisco) fez um pedido a Virgem do Rosário: que ela levasse os três para o Céu. Nossa Senhora respondeu-lhe: "Sim, mas Jacinta e Francisco levarei em breve". Os bem-aventurados vivenciaram e comunicaram a mensagem de Fátima. Esse fato não demorou muito. Em 4 de abril de 1919, Francisco, atingido pela grave gripe espanhola, foi uma das primeiras vítimas em Aljustrel. Suas últimas palavras foram: "Sofro para consolar Nosso Senhor. Daqui, vou para o céu".

Jacinta Marto, modelo de amor que acolhe, acolheu a dor na grave enfermidade, tendo até mesmo que fazer uma cirurgia sem anestesia. Tudo aceitou e ofereceu, como Nossa Senhora havia lhe ensinado, por amor a Jesus, pela conversão dos pecadores e em reparação aos ultrajes cometidos contra o coração imaculado da Virgem Maria. Por conta da mesma enfermidade que atingira Francisco, em 20 de fevereiro de 1920, ela partiu para a Glória.

No dia 13 de maio do ano 2000, o Papa João Paulo II esteve em Fátima, e do 'Altar do Mundo' beatificou Francisco e Jacinta, os mais jovens beatos cristãos não-mártires.

Beatos Francisco e Jacinta, rogai por nós!

Domingo da Cura do Paralítico

Eu sou o que cancela tuas maldades e já não me lembro dos teus pecados. Apesar das infidelidades do povo, o profeta mostra que Deus oferece sua misericórdia e seu perdão gratuito. Eis que farei coisas novas, e que já estão surgindo. Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca, nos mostra a 1ª Leitura.

Na 2ª Leitura, São Paulo ressalta que Jesus é o sim do Pai, pois nele realizam-se todas as promessas de Deus. Como Paulo somos ungidos por Deus e fortalecidos pelo Espírito Santo para sermos anunciadores da mensagem de Jesus. É Deus que nos confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu.

O Evangelho de hoje apresenta a cura do paralítico, ressaltando a salvação integral de Deus oferecida através de Jesus.

Depois de anunciar a mensagem da salvação em outros povoados, Jesus volta a Cafarnaum e novamente aparece acompanhado de muita gente necessitada.

A atitude dos companheiros do paralítico é a expressão de solidariedade e de fé em Jesus. Vendo essa manifestação de fé, Jesus se dirige ao paralítico com o amor de Pai: filho, os teus pecados são perdoados.

Jesus rejeita a mentalidade dos que associavam as doenças ao castigo por causa dos pecados. Os escribas se escandalizavam com o fato de Jesus perdoar os pecados, pois o perdão é concedido exclusivamente por Deus.

Marcos destaca que Deus perdoa os pecados através de Jesus. Perdoando os pecados, Jesus revela sua verdadeira identidade de Filho de Deus, oferecendo a salvação integral: levanta-te, tomo teu leito e vai para tua casa.

A multidão louva a Deus, pois Ele perdoa e cura por meio de Jesus. O perdão e a cura são sinais da salvação plena oferecida por Deus a toda humanidade.

A finalidade desses sinais é despertar a fé e a confiança em Jesus, presença do amor e compaixão de Deus que a realiza a salvação plena do ser humano.

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Sua história vai ter final feliz

Quantos de nós tivemos uma infância perfeita? Quantos de nós tivemos uma família perfeita? Quantos de nós tivemos pais perfeitos? E para que ninguém se sinta excluído dessa lista de perguntas a última é: Quantos de nós temos uma história perfeita, na qual tudo sempre deu certo?
Cada vez mais tenho a convicção de que esse tipo de pessoa não existe. Por isso se você teve ou tem problemas na sua história, se você tem traumas e feridas, que parecem eternas, porque não cicatrizam nunca, e se carrega dentro ou fora de si as lágrimas de um passado-presente que teimam em escorrer afogando esperanças e felicidade… então quero dizer que você não está sozinho e, assim como você, muitas pessoas passam por isso agora, e que, felizmente, existe uma forma para fazê-lo feliz mesmo que você tenha tido uma história tão difícil assim.
Se você tivesse a oportunidade de mudar alguma coisa na sua história, o que você mudaria? Com certeza, mudaríamos muitas coisas… Quem sabe aquela pessoa não tivesse morrido? Que eu não tivesse sido rejeitado… violentado… Queria ter recebido mais amor… Enfim, você conhece bem melhor que eu as cenas tristes desse filme. Se observarmos um pouco melhor vamos ver que, mesmo na vida de Jesus, aconteceram coisas que não foram assim muito boas; por exemplo; lembra o que José fez no primeiro instante quando soube que Maria estava grávida? “José, (…) resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt 1,19).
E Jesus que estava no ventre de sua mãe também foi rejeitado (mesmo que isso tenha passado logo no coração de José (cf. Mt 1,20). Depois o Senhor sofreu o perigo do “infanticídio” ou mesmo de um “aborto” (pois se Herodes soubesse que Ele iria nascer e onde, certamente o mataria: cf. Mt 2,3). E quanto ao nascimento do Senhor nem preciso comentar… Viveu a pobreza tendo que fugir para o Egito (cf. Mt 2,14) e depois de ter amado “os Seus” sem reservas (cf. Jo 13,1), foi abandonado mais uma vez. Se a sua história não foi fácil saiba que a de Cristo também não o foi.
Jesus viveu em tudo a condição humana (exceto o pecado) (cf. Hb 4, 15), significa que Ele sabe o que é sofrer, significa que Ele sabe o que você sente. E mais: nas cenas mais assustadoras da sua história, se você observar um pouco melhor, vai descobrir que não estava sozinho (a). É verdade que você não é responsável pelo que fizeram com você no seu passado, mas é responsável pelo que vai fazer com isso no seu presente e no seu futuro.
Sabe o que mais? A sua história possui um Autor (com A maiúsculo); o autor é aquele que escreve, por isso determina como as coisas vão acontecer, como um filme, um teatro, uma novela, entre outros. Ainda que durante algum tempo “outros” tenham roubado o lugar do “Autor” e por isso essa história tenha começado de uma forma triste ou sombria, se você deixar o verdadeiro Autor tomar o lugar, que é d’Ele, tenha certeza de uma coisa: essa história não vai terminar como começou, a sua história vai ter final feliz!
O filme triste, que passava na sua cabeça das lembranças e pesadelos, ao qual você assistia com os olhos abertos, precisa, como vilões e os bandidos dos filmes a que assistimos, ser preso e destruído, colocado onde não possa mais lhe fazer mal. Por isso, denuncie para o verdadeiro Autor quem são os vilões da sua história, entregue-Lhe as feridas emocionais que ainda não foram cicatrizadas, entregue-Lhe aquelas situações que estão roubando a cena da sua vida.
Não permita que as coisas ruins, que as pessoas que o machucaram ou mesmo você, tomem o lugar do Autor, porque isso acabaria estragando a história que, mesmo com calvário e cruz, é chamada a ser história de ressurreição, apesar de todo sofrimento que Jesus viveu. Ele ressuscitou, exatamente porque o Pai (Deus-Pai), era e é o grande Autor da sua história; tenha certeza de que o mesmo Autor quer transformar de uma vez por todas sua história de terror em história de final feliz.
Padre Sóstenes Vieira
Retirado do Blog da Canção Nova

Aparições de Nossa Senhora de Fátima - 2ª aparição do Anjo

A segunda aparição do Anjo, já no verão do mesmo ano, deu-se no poço do quintal da família de Lúcia. Estando aí os três pequeninos pastores a brincar, tornaram a ver o mesmo Anjo, que lhes disse:

- Que fazeis? Orai, orai muito. Os corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei, constantemente, ao altíssimo, orações e sacrifícios.

- Como nós havemos de sacrificar? – Perguntou Lúcia.

- De tudo o que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar”.

Domingo do Leproso Curado

A 1ª Leitura nos mostra que a lei de Levítico mostra que a lepra era sinal de pecado, por isso a pessoa era excluída do convívio social.

Na 2ª leitura, a carta de São Paulo aos Coríntios nos convida a sermos imitadores de Cristo.
 
Neste evangelho acontece a cura do leproso devido a compaixão e o amor de Jesus Cristo pelo seu semelhante.

Neste domingo, a palavra afirma que no Reino de Deus, os pequenos e marginalizados são reabilitados. A lepra ou uma dermatose grave provocava a impureza legal e excluía a pessoa da comunidade.

Quem era declarado leproso devia evitar contagiar fisicamente e ritualmente outras pessoas. Habitavam fora, andavam de luto por si próprio porque eram como um morto ambulante. Para um doente assim só restava entregar-se à própria sorte esperando a morte real ou um milagre para salva-lo e reintegra-lo a sociedade.

A cura precisava ser testemunhada oficialmente, conforme Levítico. Os sacerdotes diagnosticavam, não curavam. Jesus toca o leproso, não se contamina, cura e limpa o enfermo.

A decisão de Jesus em curar o leproso revela que ele quer a libertação integral do homem e da mulher. Quer a pessoa totalmente apta para participar da sociedade; pessoa cidadã, sem nenhuma exclusão.

A cura do leproso é o primeiro de uma série de episódios que testemunham a novidade revolucionária da palavra e da ação de Jesus: o Reinado de Deus se aproxima da humanidade.

Pouco a pouco vai se acentuando o choque com as estruturas injustas da época, chegando a provocar o ódio das autoridades políticas e religiosas que iniciam os planos para matar Jesus. Diante dos excluídos, Jesus se compadece, fica comovido “até as vísceras”, ou como em outras traduções ele fica “cheio de ira”.

Jesus enche-se de compaixão pelo doente e de ira contra uma sociedade que produz e segrega o marginalizado.

O gesto de amor de Jesus supera a lei que discrimina e põe para fora. Ele traz a justiça de Deus, rompe com a injustiça humana. Jesus viola a lei e inclui os impuros.

Nossa igreja, a que lei segue?

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Nossa Senhora de Lourdes

Em 11 de Fevereiro de 1858, Bernadette Soubirous foi com a irmã Toinette e Jeanne Abadie para recolher um pouco de lenha, a fim de vendê-la e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à das gruta de Massabielle, ela ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexaram. Bernadette viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa em sua cintura com um rosário em suas mãos em oração e rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. Bernadette tentou manter isso em segredo, mas Toinette disse a mãe. Por essa razão ela e sua irmã receberam castigo corporal pela sua história. Três dias depois, Bernadete voltou à gruta com as outras duas meninas. Ela trouxe água benta para utilizar na aparição, a fim testá-la e saber se não "era maligna", porém a visão apenas inclinou a cabeça com gratidão, quando a água foi dada a ela.

Em 18 de fevereiro, ela foi informada pela senhora para retornar à gruta, durante um período de duas semanas. A senhora teria dito: "Eu prometo fazer você feliz não neste mundo, mas no próximo". Após a notícia se espalhar, as autoridades policiais e municipais começaram a ter interesse. Bernadette foi proibida pelos pais e o comissário de polícia Jacomet para ir lá novamente, mas ela foi assim mesmo. No dia 24 de Fevereiro, a aparição pediu oração e penitência pela conversão dos pecadores. No dia seguinte, a aparição convidou Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que encontrou lá. Como a notícia se espalhou, essa água, foi administrada em pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas. Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado era uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em conseqüência de um acidente. O governo vedou a Gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área fora dos limites. No processo, as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, com uma ordem para reabrir a gruta em 4 de Outubro de 1858. A Igreja decidiu ficar completamente longe da polêmica.

Bernadette, conhecendo as localidades bem, conseguiu visitar a gruta à noite, mesmo quando vedada pelo governo. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição" ("que soy era Immaculada concepciou"). No domingo de Páscoa, 7 de abril, o médico examinou Bernadette e observou que suas mãos seguravam uma vela acesa e mesmo assim não possuiam qualquer queimaduras. Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que "Eu nunca a tinha visto tão bonita antes". A Igreja, diante de perguntas de nível nacional, decidiu instituir uma comissão de inquérito, em 17 de Novembro de 1858. Em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local declarou que: "A Virgem Maria apareceram de fato a Bernadette Soubirous". Estes eventos estabeleceram o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo, ao qual viajam anualmente entre 4 e 6 milhões de peregrinos.

Não obstante todos os últimos Papas visitaram este local. Bento XV, Pio XI e João XXIII foram quando ainda eram bispos, Pio XII, como delegado papal. Ele também declarou uma peregrinação a Lourdes em uma encíclica na comemoração sobre o 100º aniversário das aparições, completados em 1958. João Paulo II visitou Lourdes três vezes e o Papa Bento XVI concluiu uma visita lá em 15 de setembro de 2008 para comemorar o 150º aniversário das aparições em 1858.

Aquele que invoca o Senhor não é abandonado

No dia 11 de fevereiro, sábado próximo, festa de Nossa Senhora de Lourdes, comemora-se também o Dia Mundial do Enfermo. A mensagem especial do Santo Padre para este 20º Dia Mundial do Enfermo, que tem como tema: “Levanta-te e vai; tua fé te salvou!” (Lc 17,19), olha também para o próximo “Ano da fé”: “Desejo renovar a minha proximidade espiritual a todos os enfermos que se encontram nos locais de reabilitação e são acolhidos nas famílias, exprimindo a cada um a solicitude e afeto de toda a Igreja. Na acolhida generosa e amorosa de toda vida humana, sobretudo daquela fraca e doente, o cristão exprime um aspecto importante do próprio testemunho evangélico, a exemplo de Cristo, que se inclinou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para curá-lo”.

Além de ressaltar a figura do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 29-37), o Papa recorda que “o encontro de Jesus com os dez leprosos (Lc 17, 11-19), em particular as palavras que o Senhor dirige a um deles: ‘Levanta-te e vai; a tua fé te salvou!’ (v.19), ajudam a tomar consciência da importância da fé daqueles que, agravados pelo sofrimento e pela doença, se aproximam do Senhor. No encontro com Ele podem experimentar realmente que quem crê não está nunca sozinho. Deus, de fato, no Seu Filho, não nos abandona em nossas angústias e sofrimentos, mas nos é próximo, nos ajuda a levá-los e deseja curar no íntimo o nosso coração (cf. Mc 2, 1-12)”.

O Papa aproveita para frisar que “o binômio entre saúde física e a cura das feridas da alma nos ajuda a compreender melhor os Sacramentos da cura”, ou seja, a Penitência e a Unção dos Enfermos, que alcançam seu natural cumprimento na Comunhão Eucarística. “A missão principal da Igreja é certamente o anúncio do Reino de Deus, 'mas exatamente esse anúncio deve ser um processo de cura', enfaixar as chagas dos corações partidos (cf. Is 61,1), segundo o encargo confiado por Jesus aos Seus discípulos (cf. Luc 9, 1-2; Mt 10,1.5-14; Mc 6, 7-13)”. “Quem, no próprio sofrimento e doença, invoca o Senhor está certo de que o Seu Amor não nos abandona nunca e de que também o amor da Igreja, prolongamento no tempo da sua obra salvífica, não deixa de ser manifestado.

A cura física, expressão da salvação mais profunda, revela assim a importância que o homem, na sua integralidade de alma e corpo, representa para o Senhor. Todo Sacramento exprime e atua a proximidade de Deus, o qual, em modo absolutamente gratuito nos toca por meio das realidades materiais, que Ele assume ao Seu serviço, fazendo disso instrumentos do encontro entre nós e Ele mesmo. A unidade entre criação e redenção se torna visível. Os Sacramentos são expressão da corporeidade da nossa fé que abraça corpo e alma, o homem inteiro”. Por isso, o momento do sofrimento, em vez de ser motivo de desespero, pode “transformar-se em tempo de graça para voltar-se para si mesmo, repensar a própria vida e nos próprios erros, como o filho pródigo”. “A Igreja, continuando o anúncio do perdão e da reconciliação ressoado por Jesus, não cessa de convidar a humanidade inteira a converter-se e a crer no Evangelho”.

Dom Fernando Arêas Rifan
Retirado do Blog da Canção Nova

Domingo da Cura da Sogra de Pedro

Na 1ª Leitura, Jó é um justo sofredor. Ele busca nesta sua experiência um sentido para sua vida. Para os judeus do século VI que passavam pelo exílio (quando o livro foi escrito) esta meditação lembrava que a opressão não pode ser tomada como castigo de Deus e que a sua salvação venha a nós de graça, independente do nosso pecado.

A 2ª Leitura nos mostra que em sua primeira carta aos Coríntios, Paulo escreve a respeito de como entende o seu ministério: não como uma profissão em proveito próprio, mas como serviço solidário e gratuito a favor de todos.

No evangelho de hoje, Jesus se desloca da Sinagoga à casa de Simão e de André, com Tiago e João, ou seja, acompanhado dos primeiros discípulos escolhidos.

A sogra de Simão encontra-se doente. A ação de Jesus em curar a sogra de Pedro é carregada de simbologia. Jesus toca a pessoa doente, ajudando-a a se levantar.

Em sinal de gratidão pela cura recebida, a pessoa oferece hospitalidade a Jesus e aos seus discípulos. Jesus cura as pessoas, levantando-as da situação de prostração, de sofrimento para colocá-las no caminho do serviço, do discipulado.

Curadas e libertadas de seus males, as pessoas se tornam colaboradoras da missão de Jesus, colocando-se a serviço do seu Reino.

As demais curas manifestam o poder de Jesus, que liberta o ser humano e suas misérias mais profundas. Jesus liberta os que confiam no dom gratuito da salvação de Deus.

O silêncio em relação a Jesus revela que a fé no Filho de Deus é alcançada plenamente depois de sua morte e ressurreição. Atividade de Jesus em favor do povo é sustentada pela oração. Fortalecido pelo encontro com o Pai, Jesus estende sua missão a toda Galileia, ensinando nas sinagogas e expulsando os demônios, ou seja, o mal que se opõe ao projeto de Deus.

Assim Jesus mostra que veio manifestar a compaixão e a misericórdia de Deus a todos os povos.

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Reconstrução dos muros da alma

Jerusalém já foi ocupada, destruída e reconstruída inúmeras vezes e os textos bíblicos atestam tudo isso. A cidade santa sempre demonstrou que tinha mesmo algo de celeste. Seu poder de reconstrução, ao longo dos séculos, serve de exemplo para as grandes metrópoles que hoje sofrem com os desastres, naturais ou não.

Há uma semana a cidade do Rio de Janeiro viveu dias de terror com perdas irreparáveis: de vida, de sonhos e projetos... No coração dos cariocas fica a interrogação: de quem foi a culpa? Por que não foi possível prever os desmoronamentos?

Perguntas que talvez soem pela Cidade Maravilhosa eternamente e nunca sejam respondidas por completo. Mas a capacidade de reerguimento da Cidade Santa, que já teve suas muralhas e lugares santos destruídos, serve de sinal para a terra do Cristo Redentor e permanece em pé para as gerações de 30 séculos atrás, mas também para as de hoje.

Mais que falar de muros, prédios ou estruturas de concreto, a Cidade Santa fala de vida, de restauração de alma. A reconstrução que Deus fez na cidade, pela qual inclusive chorou, tão exaltada nas Sagradas Escrituras, é a mesma reconstrução que Ele quer fazer no nosso interior.

Reconstruir as estruturas físicas ou as perdas causadas por uma enchente não é algo fácil, requer tempo, recursos, suor e sacrifício. O vazio da ausência de alguém que se foi com as águas talvez nunca seja preenchido. Já a reconstrução do coração talvez não custe tanto, porque depende de algo plenamente ao dispor de nosso controle: a nossa vontade. Deus faz, reconstrói por completo, recupera aquilo que estava em ruínas, mas depende do nosso querer. O Senhor não agride o nosso livre-arbítrio.

Talvez o muro que precise ser refeito hoje seja um coração decepcionado com a vida, com os outros, consigo mesmo. E como é difícil reconhecer que exista alguma realidade que necessite ser reconstruída! É mais fácil e mais cômodo transparecer aos outros que está tudo nos conformes, que não existe nada que fugiu ao nosso controle.

Ao contrário das ruínas de concreto, nossas deformidades, muitas vezes, ficam escondidas. Só Deus e os mais próximos sabem onde precisamos de uma verdadeira cirurgia interior, em que precisamos crescer, o que precisamos deixar para estar em conformidade com Cristo. Se exposta ou não, a ferida ou a destruição interior que você vive hoje pode ser reparada por Aquele que tudo pode.

E o legal é que depende de nós, não depende do governo, não depende de investimentos externos. Depende do escancarar a nossa verdade diante de Deus e pedir que Ele mesmo nos reconstrua, nos refaça. O Senhor é o melhor arquiteto, engenheiro ou pedreiro a quem poderíamos recorrer. A obra d'Ele é completa e supera as nossas expectativas. Faça o teste.

Thaysi Santos
Retirado do Blog da Canção Nova

A importância dos sacramentos

Muitos católicos possuem dúvidas de fé, mesmo entre os mais inseridos em diversas pastorais. Diante desta realidade o Papa Bento XVI tem se pronunciado constantemente sobre a importância do estudo do Catecismo da Igreja Católica (CIC) para o revigoramento dos conteúdos fundamentais da fé. Prova disso é a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio – PORTA FIDEI, na qual o Santo Padre proclamou que a partir de 11 de outubro a Igreja viverá o "Ano da Fé".

O Sumo Pontífice afirma, nesta carta, que no ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé e de formação dos cristãos neste tempo tão complexo. Certamente, o conhecimento da fé leva a uma vivência mais autêntica dos sacramentos e aproxima o homem dos mistérios de Cristo.

Mas o que são sacramentos? Quais são eles? Qual é a relação entre sacramento e fé? Por que eles são eficazes? O que é a graça sacramental? E outras perguntas deste gênero a respeito do sacramento são constantes na vida do cristão.

Fundamentado no Catecismo da Igreja Católica encontramos tais respostas que seguramente contribuem não apenas para o conhecimento intelectual, mas sobretudo para a intimidade com Cristo, razão única da vivência da fé. Os parágrafos 1113 a 1134 são dedicados ao Ministério Pascal nos Sacramentos da Igreja.

O Catecismo da Igreja Católica afirma que os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, mediante os quais nos é concedida a vida divina. São sete os sacramentos: Batismo, Confirmação – Crisma, Eucaristia, Penitência – Confissão, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimônio.

Os sacramentos são necessários para a salvação, porque conferem as graças sacramentais como o perdão dos pecados, a adoção de filhos de Deus, a conformação a Cristo Senhor e a pertença à Igreja. O Espírito Santo cura e transforma aqueles que os [sacramentos] recebem. Estes sinais Cristo confiou à sua Igreja, portanto, os sacramentos são da Igreja, sendo ação de Cristo, e a edificando. Eles são eficazes porque é Cristo que neles age e comunica a graça que significam, independentemente da santidade pessoal do ministro, ainda que os frutos dos sacramentos dependam também das disposições de quem os recebe. Existe uma relação íntima entre os sacramentos e a fé, estes não apenas supõem a fé como também, por meio das palavras e elementos rituais, a alimentam, fortificam e exprimem. Ao celebrá-los, a Igreja confessa a fé apostólica, isto é, a Igreja crê no que reza.

Portanto, os sacramentos possuem um selo espiritual de proteção divina, configurando o cristão a Cristo, sendo, pois, consagrado ao culto divino e ao serviço da Igreja. Enfim, neles há uma graça do Espírito Santo, dada por Cristo e própria de cada sacramento. Essa graça ajuda o fiel no seu caminho de santidade, bem como no crescimento da caridade e do testemunho. Dessa forma, o mergulho profundo no mistério dos sacramentos, por intermédio do conhecimento da fé, conduz o cristão ao próprio Cristo.

Retirado do Blog da Canção Nova