Eucaristia, nosso Tesouro!

"Eu repreendo e educo os que eu amo. Esforça-te, pois, e converte-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo. Ao vencedor farei sentar-se comigo no meu trono, como também eu venci e estou sentado com meu Pai no seu trono." (Ap 3,19-21)

Estamos a caminho dessa vitória. Queremos estar com Jesus na glória, sentar-nos com Ele, como Ele está assentado com o Pai no Céu. Mas o próprio Jesus nos diz que para isso há uma condição:

"Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,53-55).

Se queremos ter a vida em nós mesmos, vida plena e vida eterna, precisamos da Eucaristia: comungar frequentemente e adorar a Jesus no Santíssimo Sacramento para vencer com Ele e ressuscitar no último dia. Ao participarmos vivamente do sacrifício da Santa Missa, quando comungamos com o Corpo e o Sangue de Cristo, Ele renova para nós o mesmo sacrifício do calvário.

A cada Celebração Eucarística, Jesus nos faz este convite: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo”. É por isso que nossa presença na Celebração Eucarística precisa ser profunda e fervorosa, pois é o próprio Jesus que se dá a nós nessa Ceia.

Os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia até mesmo nos tempos difíceis de perseguição. Faziam isso de forma clandestina, às escondidas. Algumas vezes, a Eucaristia era levada também àqueles que não podiam estar na celebração, porque se encontravam longe e não tinham como chegar, ou estavam na prisão, à espera do martírio.

Hoje temos muitos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística, que levam Jesus aos hospitais e asilos ao encontro das pessoas que estão impossibilitadas de sair de casa: Ele quer chegar a todos sem exceção.

Agradeçamos muito a Jesus por esse grande presente, que é a Eucaristia:

Obrigado, Jesus, porque estás dizendo: “Eis que estou à porta, e bato: Se alguém me abrir a porta, porque ouviu minha voz, entrarei em sua casa e cearemos”. Obrigado por esse privilégio, Senhor. Quero ouvir a Tua voz e reanimar o meu zelo, a minha fé. Quero intimamente unir-me a Ti, Senhor, em cada Eucaristia. Quero participar da Eucaristia como atualização no sacrifício do calvário. Esse é um privilégio maravilhoso. A Eucaristia é um presente para mim, por isso não quero mais participar dela com relaxamento. Quero ser fervoroso. Reanima-me, Senhor!

Monsenhor Jonas Abib
Retirado do Livro: "Eucaristia, nosso Tesouro"

A quem muito foi dado, muito será pedido

Nem sempre se reflete bastante sobre a advertência de Jesus: “A quem muito foi dado, muito será pedido” (Lc 12,48). O ser humano vive inundado nos dons divinos: a existência, a família, os amigos, as qualidades físicas, intelectuais e morais, os bens materiais, a conservação da vida, as numerosíssimas graças espirituais, o perdão diuturno, enfim, um oceano de dádivas. Não se deve desperdiçar impunemente tudo que se recebe do Criador. O notável psicólogo francês René Le Senne, com muita razão, afirmou que todos possuem qualidades inestimáveis.

A má administração dessas qualidades gera os defeitos por não se procurar o equilíbrio psicossomático. Célebre o dito de Sócrates, filósofo grego: “Conhece-te a ti mesmo”. Cada um tem um perfil caracterológico bem determinado e precisa colocar seus dotes a serviço próprio e dos outros. Um dos mais lamentáveis erros é o da baixa autoestima, fruto da depreciação das próprias habilidades, o que concebe a inveja. Disso resulta, outrossim, a ingratidão para com Deus, não Lhe agradecendo os bens recebidos. Lembra São Tiago: “Toda dádiva perfeita vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1,16). Eis por que diz o Livro do Eclesiastes: “Que alguém coma e beba e goze do seu trabalho é dom de Deus” [...] E quem recebeu de Deus riquezas e bens e a possibilidade de gozar deles, desfrutar-lhes a sua parte e alegrar-se entre os seus cuidados, também isso é dom de Deus! (Ec 3,13. 5,18).

O Espírito Santo comunica carismas especiais aos seguidores de Cristo, como São Paulo enumera em suas várias cartas. O dom da profecia, que é a capacidade peculiar de denunciar os erros, o dom do serviço, do ensinamento, da coragem, da generosidade, da misericórdia, do discernimento dos espíritos. As diversas pastorais oferecem oportunidade para o exercício e desenvolvimento dessas capacidades colocadas para o bem do próximo. Cada um, além disso, tem uma vocação específica e nas diversas profissões pode e deve trabalhar para si e para os outros. Como diz o ditado, é preciso sempre “o homem certo no lugar certo”.

As capacidades humanas, porém, se desenvolvem como Deus previu para cada um, quando se confia inteiramente n'Ele, pedindo-Lhe força para bem executar as tarefas cotidianas. Cumpre fazer bem, com todo o empenho, a ocupação de cada instante e, aliás, sábia a diretriz “Age quod agis”, do poeta grego Xenofanes. Não se mede nem se avalia uma existência pelo número de anos, nem pelo período histórico, mas, sim, pela vivência plena e intensa, repleta de ações que perenemente repercutirão. Bem afirmou Vieira: “Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los”.

As ações são, em verdade, os dias e é por elas que têm valor os anos, sempre cada um se lembrando de que “a quem muito foi dado, muito será pedido”. O viver em plenitude cada instante é o segredo da verdadeira vida. O importante é viver bem, cultivando os dons recebidos de Deus. Eis porque Horácio, poeta latino, lançou esta sentença: “Carpe diem, quam minimum credula postero” – aproveita o dia presente e não queiras confiar no de amanhã. Escrivá dá este conselho: “Que a tua vida não seja estéril. Sê útil. Deixa rasto”. Goethe dá o motivo: “Cada momento, cada segundo é de um valor infinito, pois ele é o representante de uma eternidade inteira”. Ideia já expressa por Apuleio: “tempus aevi imaginem” – o tempo é a imagem da eternidade.

Virgílio advertiu que não se pode dissipar o tempo: “Fugit irreparabile tempus” – foge o irreparável tempo. Razão teve Riminaldo ao escrever: “Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra, depois de solta mão; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado”. Tudo isso merece uma reflexão profunda, pois cada um de nós dará um dia contas a Deus do tempo e das dádivas d'Ele recebidos e Jesus alertou “a quem muito foi dado, muito será pedido”.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Retirado do Blog da Canção Nova

Domingo do Testemunho de João Batista

Na 1ª Leitura, Samuel é um personagem chave na História do povo do Antigo Testamento. Viveu e desempenhou um papel de liderança na transição entre a época dos juizes e a época dos reis. Ele soube fazer a ligação entre a religião popular praticada nos santuários do interior, e a religião do Templo. Samuel exerceu esse serviço como resposta ao chamado do Senhor, que exigiu dele muita escuta e discernimento: Samuel, Samuel, ele respondeu aqui estou..

A 2ª Leitura nos mostra que a Comunidade cristã fundada por São Paulo, era formada de pessoas simples e de modestas condições. Paulo escreve sua primeira carta aos coríntios no momento em que a comunidade estava vivendo uma fase difícil marcada por divisões escândalos: Irmãos o Corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor.

O Evangelhista João vem nos mostrar que a vocação dos primeiros discípulos nasce de uma pergunta de Jesus: o que vocês estão procurando? E os discípulos respondem com outra pergunta: Mestre onde moras? A resposta de Jesus a essa procura exige um novo movimento: “Vinde e Vede”.

A experiência dos primeiros discípulos nos ensina que só há jeito de encontrar o que buscamos na vida: sair de nossa posição e nos colocar no caminho da fé, aceitando o desafio de entrar na intimidade daquele que nos chama a permanecer com Ele.

Jesus perguntou: o que estais procurando?

Se Jesus me perguntasse: e você, o que procura? Será que eu, você, nós, saberíamos de verdade, o que estamos procurando? Vale a pena meditar um pouco sobre esta pergunta.

Conclusão: A nossa Oração hoje, deve ser para todos aqueles que estão à procura do Senhor. Que as minhas atitudes não sejam um empecilho para os outros encontrarem o Senhor da vida.

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Aparições de Nossa Senhora de Fátima – Aparições do Anjo

No dia 13 de Maio de 1917, três crianças (Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos)) afirmaram ter visto "...uma senhora mais branca que o Sol" sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Aljustrel, pertencente ao concelho de Vila Nova de Ourém, Portugal. Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia. As aparições repetiram-se nos cinco meses seguintes e seriam portadoras de uma mensagem ao mundo. A 13 de Outubro de 1917 a aparição disse-lhes ser a Nossa Senhora do Rosário.

Os relatos destes acontecimentos foram redigidos pela Irmã Lúcia a partir de 1935, em quatro manuscritos, habitualmente designados por Memórias I, II, III e IV e transcritos com outras fontes para este artigo.

Aparições do Anjo

Antes das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917, Lúcia, Francisco e Jacinta tiveram no ano anterior três visões do Anjo, Anjo da Paz ou Anjo de Portugal. Estas visões permaneceram inéditas até 1937, até Lúcia as divulgar, pela primeira vez, no designado texto Memória II. A narração é mais completa e o texto definitivo das orações do anjo é publicado na Memória IV, escrito em 1941. As aparições do Anjo em 1916, foram precedidas por três outras visões, de Abril a Outubro de 1915, nas quais Lúcia e outras três pastorinhas, Maria Rosa Matias, Teresa Matias e Maria Justino viram, também no outeiro do Cabeço, e noutros locais, suspensa no ar sobre o arvoredo do vale "uma como que nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana. Era uma figura, como se fosse uma estátua de neve, que os raios do sol tornavam algo transparente". A descrição é da própria irmã Lúcia.

Retirado do Livro Memórias da Irmã Lúcia

Amar não é fácil

Se amar fosse fácil, não haveria tanta gente amando mal, nem tanta gente mal-amada.

Se amar fosse fácil, não haveria tanta fome, nem tantas guerras, nem gente sem sobrenome.

Se amar fosse fácil, não haveria crianças nas ruas sem ter ninguém, nem haveria orfanatos, porque as famílias serenas adotariam mais filhos, nem filhos mal concebidos, nem esposas mal-amadas, nem mixês, nem prostitutas. E nunca ninguém negaria o que jurou num altar, nem haveria divórcio, nem desquite, jamais...

Se amar fosse tão fácil, não haveria assaltantes e as mulheres gestantes não tirariam seu feto, nem haveria assassinos, nem preços exorbitantes, nem os que ganham demais, nem os que ganham de menos.

Se amar fosse tão fácil nem soldados haveria, pois ninguém agrediria, no máximo ajudariam no combate ao cão feroz. Mas o amor é sentimento que depende de um 'eu quero', seguido de um 'eu espero'; e a vontade é rebelde, o homem, um egoísta que maximiza seu 'eu' por isso, o amor é difícil.

Jesus Cristo não brincava quando nos mandou amar. E quando morreu, amando, deu a suprema lição. Não se ama por ser fácil, ama-se porque é preciso!

Pe. José Fernandes de Oliveira
Retirado do Blog da Canção Nova

Espírito Santo, portador da vida nova

Sem o Espírito Santo não somos nada, só Ele nos santifica. Foi o próprio Jesus quem nos deixou o Paráclito e não colocou limite de tempo para estar conosco, é uma promessa eterna. Ele é a Revelação de Deus para nós. Quando o Espírito age, Ele não vem só, n'Ele estão o Pai e o Filho. E o próprio Espírito tem a missão de nos tornar semelhantes à Santíssima Trindade. Como? Com a ajuda do Sacramento da Crisma, Ele nos dá os sete Dons Infusos, que nos ajudam no nosso processo de santificação. Esse caminho pode ser difícil, mas não é impossível. E nós temos a missão de colocá-lo em prática.

Somos imagem de Deus, somos livres n'Ele, precisamos lançar mão daquilo que o Espírito nos mostra que é bom, indicando o caminho a seguir. Temos em nossas mãos a livre escolha de agir conforme Ele ou não. Nós nos assemelhamos a Deus Pai quando agimos como Ele age; por isso temos que agir no amor.

O Espírito quer nos reconstruir de tudo o que o pecado destruiu em nós. Ele é o único portador da vida nova contida em Deus. Tudo o que fazemos deve ser regido pelo Espírito Paráclito, seja no nosso trabalho, seja em nossa casa, mesmo nas maiores dificuldades.

O dom da fortaleza é o dom de vivermos com fidelidade a nossa fé diante de qualquer situação, mesmo diante do martírio. “Nada temas diante daquilo que estás a viver.” O Espírito Santo de Deus faz de nós homens e mulheres de têmpera. Nada pode fazer com que neguemos a nossa fé em Jesus Cristo.

Em Pentecostes, os discípulos estavam trancados com muito medo, mas algo surpreendente aconteceu: o derramamento do Espírito Santo, e isso deu um novo vigor a eles. Da mesma forma e intensidade, Deus espera que também escancaremos as portas do nosso coração a Ele!

Precisamos perdoar sempre. Se achamos que é difícil fazer isso e não conseguimos, é porque nos falta o Paráclito para nos ajudar nessa tarefa. N'Ele não podemos permanecer como antes. Depois que experimentamos o batismo no Espírito somos os primeiros a ser convidados a dar passos em relação àquelas pessoas mais difíceis.

Deus nos pede radicalidade! Estamos preocupados apenas em ter e não com a nossa alma, precisamos nos abrir ao Espírito. Precisamos ser portadores d'Ele em nossas família.

Os dons carismáticos nos ajudam a suportar e a superar as dificuldades. Quando clamamos de forma humilde Deus nos ouve. Somos da escola de Jesus, e Ele passou pela dor extrema, e nós Seus seguidores também trilharemos esse caminho, mas o superaremos como amor.

“Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém,” somos, em Cristo, chamados a viver uma vida na radicalidade do Evangelho. Jesus nos deu a vida para que n'Ele possamos viver a vida nova. Precisamos, portanto, de coragem, até mesmo quando o assunto for a castidade. A nossa luta será recompensada pela fidelidade a Deus: Não desanimemos, para Deus tudo tem jeito!

“O Espírito prepara para o Senhor um povo bem disposto”!

Mazinho e Celiane
Retirado do Blog da Canção Nova

Domingo dos Santos Reis

No contexto da 1ª Leitura, o Povo de Deus encontra-se no cativeiro, na Babilônia ou refugiado em algum outro país, vivendo em meio a povos pagãos. Para o povo isso era como se a terra estivesse coberta de trevas.

Alguns grupos estavam voltando e Jerusalém estava em vias de reconstrução, mas o clima geral era de muito pessimismo.

O profeta Isaias, porém, tinha certeza que Jerusalém seria reconstruída e seria mais gloriosa do que antes. Ele acreditava que não só o povo de Israel iria ver a sua luz, mas também os povos pagãos.

Na 2ª Leitura, Deus não fez conhecer aos homens das gerações passadas o Seu mistério, mas acaba de o revelar agora, pelo espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados a mesma promessa em Jesus Cristo por meio do Evangelho.

No Evangelho, a estrela de Belém pode guiar nossos passos ao longo deste ano. Deus se manifesta a todos os povos na pessoa do recém nascido.

Natal e Epifania celebram aspectos diferentes de um mesmo mistério. Enquanto no Natal celebramos a encarnação do Filho de Deus e seu nascimento na carne, a Epifania salienta as manifestações que anunciam na terra o nascimento terreno desse Filho.

São Leão Magno nos recorda que “Se o verbo se encarnou num povoado distante, numa família modesta, não quis, porém limitar aos estreitos limites da casa paterna as primícias da sua vinda: quis logo dar-se a conhecer a todos, ele que se dignou nascer para todos”.

Hoje evocamos esta manifestação fazendo memória do episódio dos magos, mas a Epifania é celebrada também na festa do batismo do Senhor no Domingo das Bodas de Cana, na Festa da apresentação do senhor no Templo.

Hoje, somos convidados a participar da grande convocação que Deus faz em Cristo, a todos os pobres, aos pequenos e humildes de toda a terra.

O assunto das leituras deste domingo é a manifestação de Deus a todos os povos, representados pelos três reis do oriente: Baltazar, Gaspar e Melchior. Jesus é o Messias Salvador rejeitado pelos seus, mas revelado aos pagãos e por eles acolhido.

Na celebração de hoje imploramos que venha sobre nós, sobre todas as igrejas cristãs e todos os povos a luz que nos oriente o caminho do Deus verdadeiro.

Atenciosamente,
Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Epifania do Senhor, onde a estrela parou

Com a festa de Epifania, a Igreja celebra a manifestação de Jesus ao mundo. Epifania, palavra de origem grega, significa "manifestação externa, aparecimento". No mundo helenista, a palavra era usada para exprimir a chegada de um imperador em visita aos territórios de seu domínio. O uso tradicional desta palavra, para indicar esta narrativa do nascimento de Jesus, em Mateus, induz a uma interpretação gloriosa deste nascimento.

Mateus apresenta Jesus como a luz e a glória de Deus para o povo de Israel, sendo a Ele que os povos vêm em adoração, em uma perspectiva universalista, a qual está presente também no pensamento de São Paulo, na segunda leitura do domingo da Epifania do Senhor.

A menção da estrela que guia os Reis Magos é uma alusão à estrela de Jacó, que, depois, se transformou na estrela de Davi, com seis pontas e doze lados, associando Jesus ao messianismo davídico. Assim também se dá com o nascimento em Belém, que era tida como a terra de origem de Davi. Todos estes acentos messiânicos o evangelista os fazia para convencer sua comunidade de cristãos originários do judaísmo que, em Jesus, se realizavam as suas expectativas messiânicas, conforme a tradição do Antigo Testamento.

A estrela que guiou os Reis Magos parou num humilde presépio, onde nascera o Menino Jesus e onde Maria e José permaneceram por algum tempo, cuidando, contemplando e adorando o Menino-Deus. A estrela leva a Jesus. O ambiente é rústico, simples e pobre, mas a estrela indica a grandeza do Filho de Deus, que se tornou humano para que nós pudéssemos nos tornar divinos.

Na nossa vida, o Espírito Santo também se faz estrela, conduzindo-nos a Jesus. Que cada um de nós, como os Reis Magos, aprenda a seguir, com admiração, interesse e amor essa estrela que sempre quer brilhar para nós.

Neste nosso primeiro artigo do ano da graça de 2012, quero expressar meu agradecimento a todos os que me acompanham, partilhando a Palavra de Deus, conforme nos exortou o Papa Bento XVI para que usássemos de todos os aeropágos para pregar o Evangelho de Jesus Cristo.

Que tenhamos, nesta solenidade, as atitudes benditas de humildade, solidariedade, alegria, serviço fraterno. Eis a lição que o Cristo do presépio, o Cristo da Epifania, vem trazer para nós. Somente colocando em prática a Sua mensagem é que saberemos construir e merecer a felicidade eterna, que pode ser vivida ainda aqui neste mundo. A estrela para em Jesus. Vamos, como os simples pastores ou como os Reis Magos, seguir essa estrela, que nos faz construir a paz e o amor.

Que no ano de 2012, sejamos mais fraternos, solidários vivendo sempre à luz de Cristo, o Redentor, que se manifesta ao mundo para que, no Seu seguimento, sejamos homens e mulheres mais gente.

Dom Eurico S. Veloso
Retirado do Blog da Canção Nova

O anjo fala a Deus

Denomina-se iluminação o ato pelo qual um anjo superior dá a conhecer a um inferior alguma verdade sobrenatural de que teve conhecimento, graças à imediata revelação de Deus. Por exemplo, Deus manifestou diretamente a todos os seres angélicos a futura Encarnação do Verbo, mas não de modo igual: a uns comunicou mais, a outros menos, deixando aos anjos superiores o encargo de iluminar os inferiores, de modo que estes progredissem no conhecimento desse mistério até o dia de sua realização.

Conforme São Tomás, a iluminação é feita da seguinte maneira: em primeiro lugar, o anjo superior fortalece a capacidade de entender do anjo inferior; em segundo lugar, o superior propõe ao inferior aspectos particulares de verdades sobrenaturais que ele, anjo superior, “concebe de modo universal”.

São Tomás ilustra esta doutrina dando o exemplo de um professor que, para ensinar uma matéria, divide-a em partes coerentes e ordenadas, acomodando-a à capacidade dos alunos. Evidentemente, estes terão um conhecimento fracionado, muito inferior ao do professor. Assim se passa com os anjos: “O anjo superior toma conhecimento da verdade segundo uma concepção universal, para cuja compreensão o intelecto do anjo inferior não seria suficiente”. Para iluminar o inferior, o superior fragmenta e multiplica a verdade que ele próprio conhece de modo universal, tornando-a mais particular.

Esta forma de comunicação, por iluminação, só procede dos anjos superiores para os inferiores. Todavia, na locução, também os anjos inferiores falam aos superiores. Segundo o Doutor Angélico, a locução tem por finalidade manifestar algo interior àquele com quem se fala ou pedir-lhe alguma coisa: “Falar nada mais é do que manifestar a outro o próprio pensamento”. Não se trata aqui de apresentar uma verdade sobrenatural, pois neste caso, teríamos a iluminação. Em outras palavras, toda iluminação é locução, mas nem toda locução é iluminação.

Evidentemente, a comunicação dos anjos entre si não se expressa com sons, gestos ou outro elemento material, pois sua natureza é só espiritual. Essa comunicação se dá por um ato de vontade, pelo qual um anjo dirige o pensamento ao outro, dando a conhecer conceitos que possui. Pode, inclusive, dar a conhecer algo a uns e não a outros, conforme queira.

Os anjos se comunicam também com Deus, nunca porém como o agente se dirige ao paciente ou, segundo a terminologia humana, o mestre ao discípulo. “O anjo fala a Deus – explica São Tomás -, seja consultando a divina vontade a respeito do que deve ser feito, seja admirando a excelência divina que ele nunca compreende a fundo”.

Claro que o principal objeto de conversa dos anjos é Deus, pois toda criatura tende naturalmente a voltar-se para o Criador, sobretudo em se tratando de seres tão perfeitos como eles[6]. Além do mais, estando na Visão Beatífica, estarão sempre contemplando novos aspectos d’Ele durante toda a eternidade. Sendo Deus infinito, por mais que os anjos do Céu O vejam no seu todo, não O veem totalmente, o que é impossível a qualquer criatura.

Eles conversam também sobre os desígnios divinos a respeito do universo material, no qual o elemento mais importante é o homem. Não podem, pois, deixar de interessar-se enormemente pela ação divina na História; assim, os anjos superiores comunicam aos inferiores o que “veem” em Deus a tal propósito.

Poderíamos, pois, imaginar um diálogo no qual nosso anjo da guarda pergunta a um anjo mais elevado como compreender melhor nossa psicologia. Por exemplo, por que procedi de tal modo, por que deixei de agir em tal ou qual ocasião, etc. O anjo superior, além de dar ao anjo da guarda as explicações, acrescentaria uma orientação sobre como guiar nossa alma da maneira mais conforme ao plano de Deus.

Uma coisa é certa: nossos anjos da guarda estão constantemente conversando sobre nós com os anjos que lhes são superiores, de maneira que existe uma “cascata”, ou “cadeia”, de anjos interessados na santificação e salvação de cada um de nós.

Que tal pensamento contribua para aumentar nossa devoção aos santos anjos, esses gloriosos intercessores celestes, dos quais muitas vezes nos esquecemos!?

Padre Louis Goyard
Retirado do Blog da Canção Nova

Precisamos ter a 'cara' do Pai!


Nosso caminho é a santidade. Fomos criados à imagem de Deus. Precisamos ter a “cara” do Pai. Essa é a obra do Espírito Santo em nós.

Se você guardar um frasco de perfume vazio e, depois de algum tempo, abri-lo, sentirá ainda o perfume, pois o frasco ficou impregnado com o aroma. É por isso que o Senhor nos encheu com o Espírito Santo, para nos impregnar da santidade d'Ele [Deus]. Não é nossa santidade, nem a nossa perfeição, mas a de Deus. Ele tem o direito de nos impregnar da Sua santidade e perfeição. É preciso dar a Deus o direito de ser Deus em nós. Ele tem o direito de nos transformar à Sua imagem. Ele nos deu o Seu Espírito Santo para colocar em nós a Sua santidade.

Por isso é preciso sermos “renovados pela transformação espiritual de nossa inteligência” e renunciarmos ao conceito errado de que não merecemos ser santos; de que não somos dignos, de que isso não é para nós e de que não somos capazes.

Hoje voltamos a viver a mesma expectativa dos tessalonicenses: a efusão do Espírito Santo nos foi dada e o próprio Espírito suscitou em nós a viva expectativa da vinda do Senhor. A espera do Senhor não nos deixa de braços cruzados, mas nos impulsiona para a santidade. A primeira e a última geração recebem a mesma graça.

Somos os eleitos e vamos viver o que essa passagem bíblica nos revela. A nossa geração verá o Senhor vindo na glória. Então se alegre! Agora sofremos porque estamos misturados com o joio deste mundo, mas teremos esta grande recompensa: veremos o Senhor vindo com poder e glória! Por essa razão, vale a pena sofrer agora, lutar pela santidade e aguentar os sofrimentos e romper com o pecado. Vale a pena remar contra a correnteza e ser diferente. Precisamos cumprir a ordem divina que nos exorta: “Sede santos, pois eu sou santo”.

Por isso, irmãos: ou santos ou nada!

Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Retirado do Blog da Canção Nova