Construir a restauração na família

A coisa mais importante para se proteger um amor e restaurar um relacionamento é saber ouvir.

Sendo uma realidade dinâmica, o matrimônio está aberto à construção e também às feridas que machucam e atrapalham o crescimento da vida familiar. Algumas situações acabam sendo grandes possibilidades de ruptura, mas também podem se transformar em momentos de graça e de vida plena. É preciso aprender a construir a restauração da família.

É preciso assumir uma missão muito especial: a reconstrução, restauração e a recuperação de casamentos feridos e debilitados, que geram famílias estragadas, desunidas e machucadas.

Um dos elementos que precisam ser trabalhados, de modo correto e sereno, refere-se a tudo aquilo que provoca a raiva. A raiva é a emoção mais difícil de se trabalhar. Ela tende a tomar conta de nossas vidas, empurrar-nos e levar-nos a dizer e a fazer coisas que, em condições normais, provavelmente julgaríamos repugnantes e até inconcebíveis.

Na vida conjugal e familiar, a raiva tem um poder amplamente destruidor. Quando não resolvida, torna-se a ameaça número um dos relacionamentos. Quanto mais o tempo passa, mais grave torna-se o problema. A raiva não sara quando se casa. Se acontecer de se transformar em fúria – caminho natural da raiva não resolvida – ela não poderá mais ser controlada. Um dia, explode.

A raiva é como uma infecção que afeta a família inteira. Além de ser doença, é geradora de muitas enfermidades: violência física, psíquica e espiritual; depressão; alcoolismo e outras dependências químicas; comportamento agressivo; indiferença e distanciamento. Se não for resolvida adequadamente, a raiva não vai embora nem simplesmente desaparece. Ela se mantém escondida e vai se tornando cada vez mais venenosa com o tempo.

Quando domina uma família, a raiva provoca o distanciamento de todos os seus membros. Um passa a evitar o outro, e não se compartilham mais as emoções bonitas e renovadoras de esperança e de compromisso familiar. Desse silêncio pode nascer a indiferença, maior alimentadora da raiva ignorada e sufocada.

A raiva é até certo ponto natural na vida conjugal e familiar. Dificilmente uma família conseguirá conviver de modo tão harmonioso que nunca vá fazer a experiência de momentos geradores de raiva. E não adianta esconder o que se sente. O grande desafio é aprender a trabalhar com a raiva, aprender a expressá-la de forma construtiva.

Para trabalhar com a raiva, é necessário se perguntar: De onde vem minha raiva? Será que estou distorcendo ou aumentando as coisas, fazendo-as parecer muito maiores do que realmente são? É preciso aprender a se controlar e a se comunicar. Não alimentar a raiva com pensamentos negativos, hostis e melancólicos. Ninguém está sempre certo ou completamente errado. É preciso aprender a ceder de vez em quando.

Contudo, ninguém saberá ceder de vez em quando se não aprender a ouvir mais e a falar menos. A coisa mais importante para se proteger um amor e restaurar um relacionamento é saber ouvir. Quem não sabe ouvir jamais saberá se comunicar e nunca conseguirá experienciar uma intimidade profunda. Aprender a ouvir o outro é um mecanismo absolutamente necessário para vencer e superar a raiva. Saber ouvir fortalece o relacionamento, porque se aprende a valorizar o outro. Só quem sabe o valor que o outro tem aprenderá a ouvi-lo com amor e respeito.

Padre Léo
Retirado do Blog da Canção Nova

O verdadeiro sentido do Advento

Precisamos compreender o significado do Advento, que vem do grego parusia, que significa presença, chegada, presença iniciada.

Nesse significado "presença iniciada de Deus", o Todo-poderoso dá início ao mistério da redenção com Sua presença. Presença de Deus no mundo que já começou e presença que apenas começou, não consumada, a qual vem para dissipar as trevas do mundo e dos nossos corações. A presença do Cristo no mundo como Salvador.

Advento, a vinda do Senhor, já começada. Para levar o cristão a não ficar preso àquilo que passou, mas Àquele que virá. Nosso olhar deve estar voltado para o Senhor que vem.

Neste mistério do Advento precisamos ter uma posição ativa diante do Senhor e em preparação para Cristo fazer parte da nossa vida e vir ao nosso encontro. São Bernardo nos ajuda a compreender este mistério quando diz: “Este mistério é a revelação do próprio Deus em suas perfeições. É o plano concreto de Deus para a salvação do homem e a restauração do mundo todo em Cristo. Este plano é visto, não como um projeto hipotético, mas sim como um fato atual. É o Reino de Deus entre nós este mistério só pode ser conhecido por aqueles que penetram n'Ele, que acham seu lugar no Cristo Místico e por isso encontram o mistério realizado e preenchido em si mesmo”.

Por isso, este tempo é de penitência, mas com alegria predominante e não tristeza. Com a espiritualidade da esperança. Tempo de vigilância com lâmpadas acesas e preparados para a grande parusia.

Tempo de procurar os valores eternos, caminho de humildade, sobriedade, lealdade a liturgia e firmes na fé.

É de recolhimento interior de compunção, princípio da conversão, uma transformação, a metanoia.

Padre Reinaldo Cazumbá
Retirado do Blog da Canção Nova

13 de Dezembro: Aparições de Nossa Senhora

Ciclo Cordimariano.

Na terceira Aparição de Fátima, no dia 13 de Julho, anunciou Nossa Senhora :

- "Virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados".

A Devoção Reparadora dos Primeiros Sábados veio pedi-la em três Aparições nos anos de 1925,1926 e 1927.

No dia 10 de Dezembro de 1925 estando a vidente Lúcia, então Postulante das Religiosas de Santa Doroteia, na sua cela, em Pontevedra, Espanha, "apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino.

A Santíssima Virgem, pondo-lhe no ombro a mão, mostrou-lhe ao mesmo tempo um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos.

Ao mesmo tempo disse o Menino :

- Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de Espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar".

Em seguida, disse a Santíssima Virgem :

- "Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfémias e ingratidões.

Tu, ao menos, procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezem um Terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar.

O confessor a quem a vidente comunica esta Aparição, mostra-se reservado e reticente, e declara que a Superiora, não obstante a sua boa vontade de propagar esta devoção, nada pode sozinha.

No dia 15 de Fevereiro de 1926 aparece o Menino Jesus que lhe diz:

- "É verdade que a Madre Superiora, só, nada pode; mas, com a minha graça, tudo pode. E basta que o teu confessor te dê licença, e a tua Superiora o diga, para que seja acreditado, até sem se saber a quem foi revelado.

- Meu Jesus - insiste a vidente - muitas almas têm dificuldade em se confessar ao Sábado ; se Vós permitísseis que a confissão de 8 dias fosse válida ?

- Sim. Pode ser de muitos mais ainda, contanto que estejam em graça no Primeiro Sábado, quando me receberem; e que nessa confissão anterior tenham feito a intenção de com ela desagravar o Sagrado Coração de Maria.

- Meu Jesus, e as que se esquecerem de formar essa intenção ?

- Podem-na formar logo na outra confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar.

Uma dúvida preocupava Lúcia : Comunicar esta Aparição, não seria revelar o segredo que lhe tinham mandado guardar ?

- No dia 17 de Dezembro de 1927 - escreve a vidente ocultando-se na terceira pessoa - foi junto do sacrário perguntar a Jesus como satisfaria o pedido que lhe era feito: se a origem da devoção ao Imaculado Coração de Maria estava encerrada no Segredo que a Santíssima Virgem lhe tinha confiado.

Jesus com voz clara fez-lhe ouvir estas palavras :

- "Minha filha, escreve o que te pedem; e tudo o que te revelou a Santíssima Virgem, na Aparição em que falou desta devoção, escreve-o também; quanto ao resto do Segredo, continua o Silêncio".

A consagração da Rússia pediu-a Nossa Senhora numa esplendorosa visão na Capela das Religiosas Doroteias em Tuy, numa Hora-Santa das onze para a meia noite do dia 13 de Junho de 1929.

-"A única luz era a lâmpada. De repente, iluminou-se toda a capela com uma luz sobrenatural e sobre o altar apareceu uma cruz que chegava até ao tecto. Em uma luz mais clara, via-se na parte superior da cruz uma face de homem com o corpo até à cinta (Pai), sobre o peito uma pomba também de luz (Espírito Santo), e pregado na cruz o corpo de outro homem (Filho).

Um pouco abaixo da cinta, suspenso no ar, viam-se um cálix e uma hóstia grande, sobre a qual caíam algumas gotas de sangue que corriam pelas faces do crucificado e duma ferida no peito.

Escorrendo pela hóstia, essas gotas caíam dentro do cálix. Sob o braço direito da cruz estava Nossa Senhora com o seu Imaculado Coração na mão.

Sob o braço esquerdo da cruz, umas letras grandes como se fossem de água cristalina que corresse para cima do altar, formavam estas palavras :

GRAÇA E MISERICÓRDIA !

Compreendi que me era mostrado o mistério da Santíssima Trindade e recebi luzes sobre este mistério que me não é permitido revelar.

Depois Nossa Senhora disse-me :

- "É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio".

Com esta Aparição fechou-se o grande prodígio das Aparições de Fátima.

Memórias da Irmã Lúcia

Natal, Tempo de Festa!

É Natal! Tempo especial em que cada cristão vive o nascimento de Jesus menino em nossas vidas. Natal quer dizer: nascimento. Nasceu uma luz, veio até nós e as trevas desapareceram. É Deus presente no meio de nós. Jesus quer que toda a humanidade viva na sua luz. Ele é a luz que brilha para todos.

“A luz de Cristo, que brilha na história e dissipa todas as sombras do pecado e da morte, esteja presente no seu dia a dia e fortaleça a esperança de todos na vitória da justiça e do amor!”. Diante do menino Jesus desejamos e reafirmamos o compromisso de acompanhar, rezar e vivenciar a espiritualidade natalina.

Aos paroquianos e devotos de Nossa Senhora de Fátima, um Santo Natal e um Abençoado 2012!

Pe. Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

3º Domingo do Advento – Domingo da Alegria

Deus vem para Alegria dos Pobres! Deus vem para Alegria de Todos!

Na 1ª Leitura, o Profeta dirige-se aos que estão desanimados. Anuncia-lhes uma notícia encorajadora, cheia de esperança, capaz de levantar os que estão caídos.

Na 2ª Leitura, Paulo, ao receber notícias de que a comunidade de Tessalônica continuava fervorosa e ativa, apesar da perseguição, escreve esta carta para comunicar sua alegria e animar a fé dos irmãos. Por isso ele diz: estai sempre alegres! E daí graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vontade do Senhor ao vosso respeito.

O Evangelho nos mostra que João Batista anunciava a proximidade do Messias. As autoridades estavam preocupadas. É o começo do conflito entre Jesus e aqueles que não se decidem por Ele.

O povo de Israel estava esperando o Messias, aquele que viria para ser o profeta, o novo Moisés que renovaria os prodígios do Êxodo.

A ação de João Batista chamou a atenção das autoridades dos judeus. Mandaram sacerdotes e levitas para perguntarem: quem é você? João poderia ter se aproveitado de sua fama, mas não fez.

João venceu a tentação de ocupar o lugar da pessoa que ele estava testemunhando.

Nossa missão hoje é continuar a missão de Jesus, é ser no meio das situações de hoje, a presença dele. Mas é preciso ter bem claro, dentro de nós, essa consciência do Batista. Não somos o Cristo.

Estamos na comunidade cristã, a serviço do reino de Jesus, mas não somos o reino. Por mais que realizemos a justiça no mundo, ainda não é a plenitude da manifestação do reino.

Resta ainda um longo caminho e é preciso estarmos nesta atitude de atenção permanente, para perceber esse alguém que está no meio de nós. Cristo está presente, ressuscitado na história.

É apontar onde Ele se manifesta, mesmo sabendo que estamos em pleno deserto e que sua revelação é seu triunfalismo. Nesta celebração o Senhor vem mudar os desertos que tornam áridas as nossas cidades e nossos campos, desertos na igreja e na vida de cada um de nós.

Ele vem nos consagrar e nos vestir com as vestes da salvação e fazer brotar dentro da nossa vida a justiça e a glória.

Atenciosamente,
Francisco Ivan de Souza
Pároco do Santuário de Fátima

Advento, tempo da Igreja missionária e peregrina

A liturgia com seu realismo e seus conteúdos põe a Igreja em um tempo de características e expressões espirituais: a espera, a esperança, a oração pela salvação universal. Preparando-nos para a festa de Natal, nós pensamos nos justos do AT (Antigo Testamento) que esperaram a primeira vinda do Messias.

Lemos os oráculos de seus profetas, cantamos seus salmos e recitamos suas orações. Mas nós não fazemos isto pondo-nos em seu lugar como se o Messias ainda não tivesse vindo, mas para apreciar melhor o dom da salvação que nos trouxe. O Advento para nós é um tempo real. Podemos recitar com toda verdade a oração dos justos do AT e esperar o cumprimento das profecias porque estas ainda não se realizaram plenamente; se cumprirão com a segunda vinda do Senhor. Devemos esperar e preparar esta última vinda.

No realismo do Advento podemos recolher algumas atualizações que oferecem realismo à oração litúrgica e à participação da comunidade:

- a Igreja ora por um Advento pleno e definitivo, por uma vinda de Cristo para todos os povos da terra que ainda não conheceram o Messias ou não reconhecem ainda ao único Salvador.

- a Igreja recupera no Advento sua missão de anúncio do Messias a todas as gentes e a consciência de ser "reserva de esperança" para toda a humanidade, com a afirmação de que a salvação definitiva do mundo deve vir de Cristo com sua definitiva presença escatológica.

- Em um mundo marcado por guerras e contrastes, as experiências do povo de Israel e as esperas messiânicas, as imagens utópicas da paz e da concórdia, se tornam reais na história da Igreja de hoje que possui a atual "profecia" do Messias Libertador.

- na renovada consciência de que Deus não desdiz suas promessas – confirma-o o Natal!- a Igreja através do Advento renova sua missão escatológica para o mundo, exercita sua esperança, projeta a todos os homens um futuro messiânico do qual o Natal é primícia e confirmação preciosa.

À luz do mistério de Maria, a Virgem do Advento, a Igreja vive neste tempo litúrgico a experiência de ser agora "como uma Maria histórica" que possui e dá aos homens a presença e a graça do Salvador.

A espiritualidade do Advento resulta assim uma espiritualidade comprometida, um esforço feito pela comunidade para recuperar a consciência de ser Igreja para o mundo, reserva de esperança e de gozo. Mais ainda, de ser Igreja para Cristo, Esposa vigilante na oração e exultante no louvor do Senhor que vem.

Retirado do Site da Comunidade Shalom

Imaculada: Ó Virgem, pela tua bênção é abençoada a criação inteira!

O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é de estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se, pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.

Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente nelas, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.

Pela plenitude da tua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos; e os que estavam acima do céu rejubilam-se renovados. Com efeito, pelo Filho glorioso de tua gloriosa virgindade todos os justos que morreram antes da sua morte vivificante, exultam pelo fim de seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.

Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ó Virgem bendita e mais que bendita, pela tua bênção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!

Deus deu a Maria o seu próprio Filho, único gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como a si mesmo. No seio de Maria, formou seu Filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.

Por conseguinte, Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da criação universal, e Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição rogai por nós!
Padre Luizinho
Retirado do Blog da Canção Nova.

Natal: tempo de presépios

Certos sinais são importantes para fecundar o sentido que sustenta a vida. Vivemos um tempo especial. O Natal é rico em sinais, com uma força que vem da beleza, dos gestos de fraternidade e dos convites para compromissos de solidariedade. De novo, neste tempo, as praças atrairão multidões pela singularidade de sua ornamentação, com iluminações criativas, muita gente, novidades, festa.

As casas também são enfeitadas. Lojas e shopping centers recebem especial tratamento de beleza. Papai Noel ganha um destaque fora do comum, um realce que merece preocupação. O que acontece quando crianças entendem o Natal apenas como tempo de Papai Noel? O perigo se manifesta quando o sentido dessa figura [Papai Noel] se reduz ao interesse de ganhar um presente.

O sonho de ser presenteado pelo velhinho encantado é também um sinal que possui força de evocações. Mas esse sinal terno do Papai Noel não remete, pelo menos de forma mais direta, às raízes do sentido do Natal. Mais importante que entender que é tempo de ganhar presente, até com riscos de alimentar alguma mesquinhez, o que vale é aprender a lição de que o bom velhinho nasceu da tradição narrada a respeito de São Nicolau, bispo de Mira, na Lícia, hoje parte da Turquia.

O destinatário mais importante dos presentes era o mais pobre, aquele que também tinha o direito de experimentar alegrias, nascidas de gestos de solidariedade. Pode-se imaginar a revolução de valores que viveríamos caso fosse resgatado esse entendimento de Papai Noel. O Natal não seria tempo de se receber presentes, mas de oferecer e repartir mais. Nesta direção está o horizonte largo e de inesgotável riqueza presente no sinal mais importante deste tempo: o presépio.

As lições do presépio, entendidas e praticadas, ajudam a livrar, homens e mulheres, dos caminhos que estão desfigurando a sociedade. São ensinamentos que precisam ser resgatados nas praças, nas igrejas, nas casas e em todo lugar. A tradição dos presépios nasce em 1223, quando, depois da aprovação da Regra dos Frades Menores, São Francisco de Assis foi para o eremitério de Greccio (Itália), com o propósito de ali celebrar o Natal do Senhor. O santo italiano disse a alguém que queria ver, com os olhos do corpo, como o Menino Jesus, escolhendo a humilhação, foi deitado numa manjedoura. Assim, entre o boi e o jumento, foi celebrada a Santa Missa de Natal, ainda sem estátuas e pinturas. Esse acontecimento foi a inspiração para, mais tarde, o Natal ser representado por meio do presépio, que simboliza a Encarnação de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. A retratação do amor misericordioso de Deus na Encarnação do Filho Amado, o Redentor, no presépio, faz desta arte, nas mais diversas modalidades e com a inteligência de criatividades interpelantes, um ensinamento da mais alta importância. O presépio se torna assim um patrimônio da cultura e da fé popular. Esta retratação remete, pois, ao núcleo mais genuíno do sentido autêntico do Natal. O presépio, pela arte e pela beleza, mesmo pela simplicidade e pobreza, tem força para propagar o Evangelho com um entusiasmo singular, capaz de atrair toda atenção para Jesus, a Pessoa que é a razão insubstituível das festas natalinas.

A arte do presépio, de miniaturas a imagens em tamanho normal, com a riqueza dos personagens, da singeleza nobre das figuras de José e Maria venerando o Menino Deus, pode e deve tocar os corações. A celebração do Natal se torna consequentemente uma festa da interioridade sem eliminar, absolutamente, o que luzes, sons e enfeites significam na beleza amorosa deste tempo. Não se pode abrir mão do presépio, sinal que remete a Cristo.

Jesus deve ser e estar no centro do Natal, sem prescindir de tantas outras coisas que compõem e dão graça especial a este tempo. Vale recuperar e investir na armação de presépios, nas casas, nas igrejas e nos lugares públicos. Uma oportunidade para os pais exercerem a catequese dos filhos, reavivando no próprio coração as lições insubstituíveis aprendidas com Cristo. Assim, o tempo do Natal, respeitando seu genuíno sentido, torna-se época especial de aproximação. Passa-se a viver um encontro que transforma corações e superam-se descompassos como a corrupção e a mesquinhez de ter só para si. O presépio ajuda a dar estatura a quem só tem tamanho, fazendo brotar a sabedoria emoldurada por serenidade, um presente para quem contempla esse sinal e aprende o sentido de sua lição.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Retirado do Blog da Canção Nova

A força do perdão

Ao tratarmos o tema do perdão dentro do dinamismo da vida cristã, precisamos reconhecer que não é fácil perdoar, porém, não é impossível, mas, extremamente necessário. Quando tomamos consciência da força destrutiva do ressentimento, das mágoas, dos rancores, enfim, de todos os maus sentimentos que norteiam os relacionamentos feridos e mal resolvidos, passamos a entender que tal resolução [perdão], tendo por referência essencial o amor de Deus e não a ferida, não é opcional para os que anseiam o céu, mas uma condição primordial de salvação.

A Sagrada Escritura é composto de vários textos que tratam sobre a importância do perdão: “Pois, se perdoardes aos homens os seus delitos, também o vosso Pai celeste vos perdoará; más se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos” (Mt. 6, 14). Segundo o expressar desse texto bíblico, não perdoar significa perder o perdão de Deus, ou seja, apartar-se da Misericórdia Divina.

Tendo em vista que perdoar significa não guardar mais o mal, quem não perdoa faz comunhão com as trevas, com o mal. E como somos chamados a viver em comunhão com a bondade, e o valor da nossa eleição está na contínua abertura ao amor, tocar nesses sentimentos mal resolvidos é uma necessidade da alma! Pois, a história da humanidade demostra claramente que a resposta da vida é fruto do que reina no coração. Diante de tal questionamento, respondamos: O que tem reinado no meu íntimo?

O ressentido é refém dos acontecimentos, da história ferida, dos seus “vitimalismos” e razões altamente justificadas. O segredo da liberdade e da vida na graça de Deus é ver e rever a ferida no amor, no Amado de nossas almas, pois somente nessa perspectiva a cura do coração será total.

Agir contrariamente a essa verdade significa pôr em jogo a própria salvação, porque o Reino dos céus é para os misericordiosos. É a ordem do amor que coloca a vida na dinâmica das bem-aventuranças: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7). Ou seja, uma operação concreta de perdão nos relacionamentos rompe definitivamente com as trevas dos maus sentimentos.

No livro do Eclesiástico encontramos um forte exemplo de como devemos nos comprometer com a verdade salvífica do perdão: “Perdoa ao teu próximo o mal que te fez, e teus pecados serão perdoados quando o pedires. Um homem guarda rancor contra outro homem, e pede a Deus a sua cura! Não tem misericórdia para com o seu semelhante, e roga o perdão dos seus pecados! Ele, que é apenas carne, guarda rancor, e pede a Deus que lhe seja propício! Quem, então, lhe conseguirá o perdão de seus pecados? Lembra-te do teu fim, e põe termo às tuas inimizades...” (Eclo 28, 2-6).

É muito cruel pensarmos que as inimizades não resolvidas nesta vida terrena nos levarão à eterna inimizade com Deus, isto é, ao inferno. Sofrer com tais sentimentos nesta vida e ainda por cima sofrer eternamente pela falta de decisão no amor e no perdão é muito entristecedor!

A conversão pelas vias do perdão é o caminho da alegria, da vida de Deus, de um trilhar santificante, libertador e salvífico! Um interior saudável e revelador de eternidade é o resultado desse processo íntimo de conversão e reconciliação, na força do amor e do perdão. Contrariamente a esse processo, constatamos facilmente o fruto colhido na vida daqueles que não decidiram pela misericórdia, permitindo então o reinado dos maus sentimentos: desânimo, tristeza, amargura, frustração, angústia, negativismo, murmuração, revolta, raiva, ira, impulso autodestrutivo, vingança, egoísmo, autopiedade, entre outros. Por isso, olhemos para o nosso íntimo e tomemos a decisão que nos reconcilia com Deus e os irmãos, decidamo-nos pelo céu, pelo amor e pelo perdão! Sigamos o conselho do livro do Eclesiástico: “[...] Lembra-te do teu fim, e põe fim às tuas inimizades...” (Eclo 28, 6a).

Padre Eliano Luiz Gonçalves, sjs. (Fraternidade Jesus Salvador)
Retirado do Blog da Canção Nova

Mudar é preciso

A palavra “mudança” faz parte do calendário do tempo do Advento. Mudar do pior para o melhor, das práticas de morte para aquelas de vida. Este é o sentido verdadeiro do Natal, para o qual estamos caminhando, revigorando forças no perdão de Deus.

O itinerário leva em conta uma vida melhor, que depende de humildade, de testemunho pessoal como grandeza evangélica e de reconhecimento da bondade do Senhor da vida. Jesus nasce no Natal fazendo-se carne para resgatar a humanidade da morte.

Deus não quer a perdição de ninguém, mas diz que “mudar é preciso”. Não quer que estejamos mergulhados no mal. Por isso, o Natal pode transformar-se em tempo de salvação, de enraizamento na vida de Deus e de felicidade verdadeira.

A maior mudança é confirmada com o encorajamento e a renovação da confiança no amor de Deus. Isso ocasiona compromisso sério com o bem e a vida digna. É muito mais do que um Natal apenas de muitas festividades.

O Advento é um tempo de bênção para quem o vivencia. Ele pode nos encaminhar para novos horizontes, ajudar-nos a superar grandes barreiras e dificuldades, porque o Senhor vem ao encontro das pessoas, como o pastor que vai em busca das ovelhas.

Nascendo em Belém de Judá, Jesus resgata vidas ameaçadas e cuida das pessoas enfraquecidas e indefesas, porque Sua vida significa vida do povo. A libertação é para todos, é um Natal sem fronteiras, não só como momento histórico, mas como vida nova.

O nascimento de Jesus dá início a uma nova criação, a um coração e espírito novos e a presença do motivador da paz. Isso exige que celebremos o Natal de forma coerente com a fé cristã. No Menino do Natal a vida toma sentido na história humana.

Celebrar festas natalinas supõe fidelidade aos princípios da fé cristã e da confiança nos planos de Deus. Ele não quer a perdição de ninguém, mas mudança, chegando ao conhecimento da verdade, que é Ele mesmo. Isso supõe viver na santidade e justiça em busca do bem de todos.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto