Quem nao se arrisca, nao experimenta a fe

Hoje irei partilhar uma Palavra de Deus que é um retrato de muitos momentos que acontecem em nossa vida. Vamos conferir: Marcos 4,35-41:

“Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos discípulos: “Passemos para a outra margem!” Eles despediram as multidões e levaram Jesus, do jeito como estava, consigo no barco; e outros barcos o acompanhavam. Veio, então, uma ventania tão forte que as ondas se jogavam dentro do barco; e este se enchia de água. Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram-lhe: “Mestre, não te importa que estejamos perecendo?” Ele se levantou e repreendeu o vento e o mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento parou, e fez-se uma grande calmaria. Jesus disse-lhes então: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” Eles sentiram grande temor e comentavam uns com os outros: “Quem é este, a quem obedecem até o vento e o mar?””

Muitas vezes a minha e a sua vida, se encontra assim, em meio às tempestades, tribulações, angústias e sofrimentos. Todas as vezes que nos sentimos assim, precisamos ter consciência de que em meio as aflições, Deus está com você, assim como no Evangelho que acabamos de ler, onde Jesus estava com os seus discípulos na barca, mas estava dormindo, meio que esquecido no barco. Os discípulos foram tocando o barco e só lembraram de Jesus quando a tempestade começou aumentar e eles viram que por suas forças não conseguiriam mais controlar aquela situação.

Quanta vezes fazemos o mesmo com a nossa vida. Jesus entra no barco da nossa vida, mais deixamos Ele esquecido e vamos por nós mesmo tocando o barco; esquecemos que Jesus está conosco dentro do barco. Mesmo que tenhamos enfrentando uma tempestade Jesus nunca saiu da barca da sua vida, pode ser que você não contou com Ele, mas Ele estava ali aguardando você chamá-lo e deixá-lo intervir em suas tempestades.

A presença de Jesus em nossa vida não impede que tenhamos barreiras e tribulações. Você será tentado sim, mas não será derrotado. Nós que somos de Deus, somos tentados e incompreendido, passamos por provações, porém é preciso saber que existe por trás das tentações e tribulações uma opressão. O maligno quer minar a nossa fé e a nossa vida. Mas a certeza que nos tranquiliza é que Jesus está na barca da nossa vida e podemos recorrer a Ele a qualquer hora que precisarmos.

Jesus na barca chamou a atenção e repreendeu os seus discípulos, porque eles estavam rendidos pelo medo e desesperados, como está escrito versículo 40: Jesus disse-lhes então: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” O medo faz com que a pessoa não acredite no bem, parando assim de lutar. Por isso que a Palavra de Deus diz 365 vezes “Não tenhas medo”, justamente porque ela sabe que o medo nos paralisa.

Às vezes a gente não avança porque temos medo da oposição que iremos sofrer com relação a nossa decisão, mesmo que seja para o bem, que seja o certo. Não tenhas medo de fracassar e nem de ser contrariado. Quem não consegue enfrentar os seus medos, jamais irá conhecer os seus limites.

Para que um milagre aconteça na vida da gente o mínimo que devemos fazer é acreditar que este milagre pode acontecer, depois precisamos querer que esse milagre aconteça.

Muitas vezes a graça de Deus já foi nos conferida, mas precisamos tomar posse desta graça. Isso é fé! Fé é abrir o coração, é permitir que Deus faça aquilo que Ele precisa fazer em nós. Quem não se arrisca não experimenta a fé, somente quando nós nos arriscamos é que nós avancemos além dos nossos limites. Fé é se arriscar em Deus.

Não basta eu acreditar que isso vai acontecer no outro. Muitas vezes acreditamos que Deus pode fazer na vida do outro, mas não em nossa vida. A graça de Deus não depende dos seus méritos. Mesmo que você não acredite em você mesmo, Deus não desiste de você!

Os milagres são para as pessoas que creem, mas sem fé nenhum milagre chega a acontecer. Por isso, é preciso ter fé para que o milagre aconteça! Tem pedidos que fazemos para Jesus e Ele nos atende imediatamente, mas precisamos de tempo para compreendê-lo.

Quando temos alguém que acredita em nós, vamos muito mais longe do que acharíamos que pudéssemos ir, e hoje é o próprio de Deus que diz 'vai eu confio em você!'.

Não desconfie do que Deus pode fazer em sua vida. Tenha fé! Deus te conhece e está dizendo que você consegue, e quando você não conseguir Ele está dizendo que estará ao seu lado para te amparar.

Márcio Mendes
Retirado do Blog da Cancao Nova

Crises no casamento

O amor não é meramente movido por sentimentos… E como diz a canção do Ricardo Sá, amor é decisão. E para que esta decisão aconteça de forma amadurecida e fecunda, passamos pela necessária fase do namoro.

Por isso chamamos tanto a atenção para a necessidade de haver um namoro, em que possamos conhecer o outro em seus diversos aspectos gradualmente, o que nos levará a tomar a decisão certa. O que vemos no cenário atual são diversos casamentos se desfazendo equivocadamente justamente quando os sentimentos não são mais os mesmos do início. Não devemos confundir sentimento com amor.

O sentimento modifica ao longo do dia, pode ser um às 7 h da manhã, outro ao meio dia e assim por diante, em conformidade com os acontecimentos. Acordamos bem dispostos e de repente verificamos que está faltando água para o banho ou o leite para o café da manhã. Ficamos então descontentes e nos pautamos por estes sentimentos no decorrer do dia ou a decisão de superar qualquer obstáculo ao longo do dia nos impulsionará a ir adiante independente do que venha acontecer.

O autêntico amor é decisão, é estável, persevera diante dos acontecimentos, sejam eles favoráveis ou não. É fiel e exclusivo, até a morte. E neste contexto, as crises serão oportunidades de crescimento.

Você tem feito das crises do seu casamento uma oportunidade de crescimento?

Retirado do Blog da Cancao Nova

Domingo dos que dizem e não fazem

É possível que a redação desta passagem do evangelho de Mateus reflita a época em que os cristãos já tinham sido excluídos da comunidade judaica, de forma que o texto seja muitíssimo marcado pelo contexto da polêmica entre cristãos e judeus. A descrição e caracterização dos doutores da lei e dos fariseus não concorda em tudo com o que sabemos por outras fontes. E é fundamental que nos despojemos de um certo anti-semitismo ou de uma sempre tentada comparação entre uma aliança e outra, entre uma religião e outra, como se uma fosse melhor e outra, pior.

Numa fala de cunho nitidamente profético, Jesus procura chamar a atenção para a idolatria que pode estar escondida em qualquer prática religiosa, seja do tempo de Jesus, seja do nosso tempo: a contradição entre o dizer e o fazer ou entre a atitude do coração e o gesto exterior, a ambição pelos títulos, a sedução pelo poder, a busca de prestígio e ascensão pessoal. Tudo isso pode esconder, enfraquecer ou mesmo nos afastar da relação com o único Mestre, o único Pai, o único Guia.

O final do trecho ouvido apresenta um caminho de superação desta idolatria e de unificação do coração: o serviço. Por isso, em oposição ao retrato dos escribas e fariseus, Jesus pinta o retrato dos discípulos. À soberba dos que se vangloriam de títulos, os discípulos devem responder pela humildade e pela consagração ao reino. A nossa referência é o próprio Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir”.

Desta forma, o reunir-se em comunidade, o celebrar e o cantar o louvor de Deus não dispensam a conversão e a contrição do coração. O símbolo da cruz, trazido solenemente em procissão, na saída e na entrada de cada celebração, mantém diante de nossos olhos este horizonte e esta perspectiva da contínua e constante necessidade de conversão.

Retirado da Revista de Liturgia

A Serva de todos

Toda nossa vida, quando é autenticamente cristã, está orientada para o amor. Só ele torna grande e fecunda nossa existência e nos garante a salvação eterna. Sabemos que esse amor cristão tem duas dimensões: a dimensão horizontal de amar os homens, nossos irmãos; e a dimensão vertical de amar a Deus, nosso Senhor.

É fácil falar de amor e de caridade, mas é difícil vivê-los, porque amar significa servir, e servir exige renunciar a si mesmo.

Por isso, o Senhor nos deu como imagem ideal a Santíssima Virgem. Ela é a grande serva de Deus e, ao mesmo tempo, dos homens.

Na hora da Anunciação, Ela se proclama escrava do Senhor. Entrega-lhe toda sua vida para cumprir a tarefa que Deus lhe encomenda através do anjo. Ela muda no ato todos seus planos e projetos que tinha, esquece-se completamente de seus próprios assuntos.

O mesmo acontece com Isabel. Maria fica sabendo que sua prima vai ter um filho e parte logo, apesar do longo caminho, para permanecer por três meses com ela, servindo-a até o nascimento de João Batista. Ela não se imagina superior em nenhum momento, não busca pretextos por não poder se arriscar numa viagem tão longa pelo fato de estar grávida. Faz tudo isto, porque sabe que, no Reino de Deus, os primeiros são os que sabem se converter em servidores de todos.

Também nossa própria vida cristã deve formar-se e desenvolver-se nestas mesmas duas dimensões: o compromisso com os irmãos e o serviço a Deus. Não se pode separar uma dimensão da outra. Por isso, quanto mais queremos nos comunicar com os homens, tanto mais devemos estar em comunhão com Deus. E quanto mais queremos nos aproximar de Deus, tanto mais devemos estar próximo dos homens.

O que mais nos diz o Evangelho? Conta-nos alguns acontecimentos milagrosos no encontro das duas mulheres: a criança salta de alegria no ventre de sua mãe; Isabel se enche do Espírito Santo, reconhece o Senhor presente e começa a profetizar. E nós nos perguntamos: é a Santíssima Virgem quem realiza esses milagres? Isto pode ser explicado apenas pela íntima e profunda união entre Maria e Jesus. Essa união começa com a Anunciação e dura por toda sua vida e além dela. Pela primeira vez se manifesta no encontro de Maria com Isabel.

Maria nunca atua sozinha, mas sempre numa união perfeita entre Mãe e Filho. Onde está Maria, ali está também Jesus. É o mistério da infinita fecundidade de sua vida de mãe. E se nós queremos ser como Ela, então deve ser também o mistério de nossa vida. Em que sentido? Unimo-nos, nos vinculamos com Maria, nossa Mãe e Rainha. E então, o que Ela faz? Ela nos vincula, com todas as raízes de nosso ser, com seu filho Jesus Cristo.

Maria é a terra de encontro com Cristo e ela nos conduz até Ele, nos guia, nos cuida e nos acompanha em nosso caminhar rumo a Ele. Mas Maria não apenas nos conduz para Cristo, mas traz, primeiramente, Jesus ao mundo e aos homens. É sua grande tarefa de Mãe de Deus. E em sua visita, a casa de Isabel realiza, por primeira vez, esta sua grande missão: leva a ela seu Filho. E o Senhor do mundo, encarnado em seu corpo maternal, manifesta sua presença por meio daqueles milagres.

Maria o fez há mais de 2000 anos. Mas o faz também hoje: traz Cristo a todos nós.

Padre Nicolás Schwizer
Movimento apostólico Shoenstatt

Deus tem a água que nos sacia

Nós cristãos, agraciados pelos carismas do Espírito, somos chamados a vivificar em obras os dons que recebemos de Deus. Essa manifestação dos carismas acontece das mais variadas formas, seja exercendo algum serviço na paróquia que frequentamos ou sendo referência e ponto de apoio em nossos lares (o que na maioria das vezes é o mais difícil).

Independente do “para que” fomos chamados, sabemos que o ato de servir está sujeito também à acomodação. Por consequência, surge o “qualquer jeito”. Sirvo de qualquer jeito, sou de qualquer jeito. Muitas vezes, nossos dons são sufocados pelo ritmo intenso das atividades diárias: faculdade, trabalho, projetos, entre tantas outras coisas. E acaba faltando tempo.

A primeira semente a não dar frutos é aquela que Deus nos deu. Falta-nos tempo para cultivá-la. Surge, por consequência, a justificativa de tantos irmãos: “não me sinto mais motivado, não é mais do mesmo jeito”. Com certeza não é! Não vivemos estagnados no tempo; Deus não age por conveniência, Ele age por necessidade. E a ação d’Ele surge quando você já fez a sua parte. Pela fé, crescemos no Senhor, no Seu amor. Vivemos em constante mudança esperando por Aquele que é perfeito.

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” (I Coríntios 13,11)

Como você tem tratado o dom que recebeu? Tem buscado regar diariamente a semente lançada por Deus em você? Nenhum ser humano sobrevive sem água, nenhum dom é manifestado em sua plenitude sem perseverança, sem cuidado. É Jesus mesmo quem nos diz:

“Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’ , tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.” (Jo 4,10)

“Deus tem essa água que nos sacia, Ele tem a motivação que precisamos”

Deus tem essa água que nos sacia, Ele tem a motivação que precisamos. Então, agora cabe a nós pedir e ser saciados, ter Fé e manifestá-la em obras. É fácil? Impossível é que não é. Rever nossos passos também é necessário. Algumas reflexões nos permitem identificar a erva daninha que teima em nascer ao nosso lado e sufoca os bons frutos que temos a dar. Não podemos nutrir a vida que Deus nos deu com pensamentos de “não é mais como era antes”, pois nunca vai ser, irmão. Vivemos em constante movimento, passivos às mudanças externas e internas, mas Deus continua vivo e presente em nossa vida; é Ele quem quer “fazer novo aquilo que você já faz ou fez”.

O primeiro a ser atingido pelo serviço que se exerce na igreja é aquele que o faz. Se o faz bem, certamente a graça passará primeiro por ele. Não queira aparecer mais do que Deus, não busque reconhecimento, não use seus dons para se promover; mantenha sua essência, pois ela certamente é santa.

Um dos artigos do Portal Canção Nova cita um trecho do livro “Words of inspiration”. O Beato João Paulo II diz neste:

“Muitos sabem o que você faz e o admiram e o valorizam por isso. Mas a sua verdadeira grandeza está naquilo que você é. O que você é na essência talvez seja menos conhecido e pouco entendido. Essa verdade só pode ser compreendida à luz da nova vida, revelada em Cristo. Somente n’Ele você será uma nova criatura”.

É nessa certeza que devemos viver. Não paremos no tempo, cresçamos também no amor de Deus; bebamos dessa água viva que Ele nos oferece, alimentemo-nos da Eucaristia e da Palavra , busquemos a motivação diária que Ele está disposto a nos dar. “Pedi e recebereis”.

Deus tem sempre um novo a fazer em nossa vida!

Márcia Sena
Grupo de Oração Vencedores por Cristo

Se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor

Jesus Cristo é o nosso sumo sacerdote e o seu precioso corpo é o nosso sacrifício, que ele ofereceu no altar da cruz para a salvação de todos os homens.

O sangue derramado por nossa redenção não era de novilhos e bodes (como na antiga Lei), mas do inocentíssimo cordeiro Cristo Jesus, nosso Salvador.

O templo onde nosso sumo sacerdote ofereceu o sacrifício não era feito por mãos humanas, mas edificado unicamente pelo poder de Deus. Porque ele derramou seu sangue diante do mundo, que é na verdade o templo construído só pela mão de Deus.

Este templo tem duas partes: uma é a terra que agora habitamos; a outra ainda é desconhecida por nós mortais.

Jesus Cristo ofereceu seu primeiro sacrifício aqui na terra quando padeceu a morte crudelíssima. Em seguida, revestido da nova veste da imortalidade, com seu próprio sangue entrou no Santo dos Santos, isto é, no céu, onde apresentou diante do trono do Pai celeste aquele sangue de valor infinito, que derramara uma vez para sempre por todos os homens cativos do pecado.

Este sacrifício é tão agradável e aceito por Deus que, logo ao vê-lo, não pode deixar de compadecer-se de nós e derramar a sua misericórdia sobre todos os que estão verdadeiramente arrependidos.

É, além disso, um sacrifício eterno. Não é oferecido apenas uma vez cada ano (como acontecia entre os judeus), mas cada dia para o nosso consolo, e ainda mais, a cada hora e a cada momento, para nosso conforto e nossa alegria. Por isso o Apóstolo acrescenta: Obtendo uma eterna redenção (Hb 9,12).

Deste santo e eterno sacrifícios, participam todos os que experimentaram a verdadeira contrição e arrependimento dos pecados cometido, e tomaram a inabalável resolução de não mais voltar aos vícios antigos e de perseverar com firmeza no caminho das virtudes a que se consagraram.

É o que ensina São João com estas palavras: Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto ao Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro (1Jo 2,1-2).

São João Fisher, Bispo e mártir

O Matrimônio: Obra de Deus

1. Qual é a origem do matrimônio?
O matrimônio foi estabelecido por Deus. A Bíblia ensina que Deus depois de criar a Adão disse: “Não é bom que o homem estejá só. Façamos-lhe uma companheira semelhante a ele” (Gn 2,18). E acrescenta: “…por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a uma mulher, e se tornarão uma só carne”(Gn 2, 24). Assim ficou estabelecido o matrimônio no início da humanidade. Deus os abençoou dizendo-lhes: “Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 1, 28).

2. Qual é o papel da liberdade no matrimônio?
Todo homem e mulher são livres para casar-se ou não, porque Deus não obriga ninguém a contrair matrimônio, e este não se constitui sem o livre consentimento dos noivos. Porém uma vez que está estabelecida a aliança conjugal, o homem está sujeito às suas leis divinas pelas quais se rege o matrimonio e às suas propriedades essenciais.

3. Por que alguns afirmam que o matrimônio é uma invenção dos homens?
O caráter sagrado do matrimônio é reconhecido em todas as culturas, porém nos últimos tempos se difundiu uma visão do matrimônio sem referência a Deus, como se fosse uma questão de leis civis ou um assunto privado entre um homem e uma mulher. Isto é dito pelos que não conhecem nem amam a Deus, e pensam que a religião não deve ter influência em suas vidas.

4. Como estes erros exercem influência sobre o matrimônio na sociedade?
A causa deste erros é que as pessoas se afastam de Deus. Quando isto ocorre é difícil reconhecer a dignidade do matrimônio, e facilmente se cai na prática da infidelidade, o divórcio, o “amor livre” e outras uniões ilícitas ou irregulares. Também o amor matrimonial freqüentemente resulta profanado pelo egoísmo, o materialismo e a anti-concepção.

5. Esta conducta influencia na sociedade civil?
O afastamento pessoal de Deus e a ignorância da doutrina de Jesus Cristo influência na ruptura da grande quantidade de famílias e constitui uma das causas mais claras da decadência civil e moral de toda a sociedade.

Catecismo da Família e do Matrimônio
Padres Fernando Castro e Jaime Molina
Retirado do Blog da Cancao Nova

Homilia de Bento XVI na Canonização de três Beatos

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!

A nossa Liturgia dominical se enriquece hoje por diversos motivos de agradecimento e súplica a Deus. Enquanto, de fato, celebramos com toda a Igreja o Dia Missionário Mundial - evento que pretende revelar o impulso e o compromisso com a missão -, louvamos ao Senhor por três novos Santos: o Bispo Guido Maria Conforti, o sacerdote Luigi Guanella e a religiosa Bonifacia Rodríguez de Castro. Com alegria dirijo minha saudação a todos os presentes, em particular às Delegações oficiais e aos numerosos peregrinos vindos para festejar esses três exemplares discípulos de Cristo.

A Palavra do Senhor, ressoada há pouco no Evangelho, recordou-nos que toda a Lei divina resume-se no amor. O Evangelista Mateus narra que os fariseus, após Jesus ter reduzido os saduceus ao silêncio, reuniram-se para colocá-lo à prova (cfr 22,34-35). Um desses interlocutores, um Doutor da Lei, pergunta-lhe: "Mestre, na Lei, qual é o grande mandamento?" (v. 36). À pergunta, propositadamente insidiosa, Jesus responde com absoluta simplicidade: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Esse é o grande e primeiro mandamento" (vv. 37-38). Com efeito, a exigência principal para cada um de nós é que Deus esteja presente na nossa vida. Ele deve, como diz a Escritura, penetrar todos os cantos do nosso ser e preencher-nos completamente: o coração deve saber d'Ele e deixar-se tocar por Ele; e assim também a alma, as energias do nosso querer e decidir, bem como a inteligência e o pensamento. É um poder dizer como São Paulo: "não sou mais eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim" (Gal 1,20).

Logo depois, Jesus acrescenta algo que, na verdade, não foi pedido pelo doutor da lei: "O segundo, pois, é similar a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (v. 39). Declarando que o segundo mandamento é similar ao primeiro, Jesus leva a entender que a caridade pelo próximo é tão importante quando o amor a Deus. De fato, o sinal visível que o cristão pode mostrar para testemunhar ao mundo o amor de Deus é o amor pelos irmãos. Quão providencial resulta, portanto, o fato de que exatamente hoje a Igreja indique a todos os seus membros três novos Santos, que se deixaram transformar pela caridade divina e a essa dedicaram toda a existência. Em diversas situações e com diversos carismas, amaram o Senhor com todo o coração e o próximo como a si mesmos "a ponto de se tornarem modelo para todos os crentes" (1Ts 1,7).

O Salmo 17, há pouco proclamado, convida a abandonar-se com confiança nas mãos do Senhor, que é "fiel ao seu consagrado" (v. 51). Essa atitude interior guiou a vida e o ministério de São Guido Maria Conforti. Desde quando, ainda criança, teve que superar a oposição do pai para entrar no Seminário, deu prova de um caráter firme no seguir a vontade de Deus, no corresponder por completo àquela caritas Christi que, na contemplação do Crucificado, o atraía a si. Ele sente forte a urgência de anunciar este amor a quantos ainda não receberam o anúncio, e o lema "Caritas Christi urget nos" (cfr 2Cor 5,14) sintetiza o programa do Instituto missionário a que ele, com apenas trinta anos, deu vida: uma família religiosa colocada inteiramente a serviço da evangelização, sob o patrocínio do grande apóstolo do Oriente, São Francisco Xavier. Esse impulso apostólico, São Guido Maria foi chamado a vivê-lo no ministério episcopal , primeiro em Ravenna e depois em Parma: com todas as suas forças, dedicou-se ao bem das almas a ele confiadas, sobretudo aquelas que estavam distantes do caminho do Senhor. A sua vida foi assinalada por numerosas provas, também graves. Ele soube aceitar cada situação com docilidade, acolhendo-a como indicação do caminho traçado por ele pela providência divina; em cada circunstância, também nas situações mais mortificantes, soube reconhecer o plano de Deus, que o guiava para edificar o seu Reino, sobretudo na renúncia a si mesmo e na aceitação cotidiana da sua vontade, com um abandono confiante sempre mais pleno. Ele, por primeiro, experimentou e testemunho aquilo que ensinava aos seus missionários, ou seja, que a perfeição consiste no fazer a vontade de Deus, sob o modelo de Jesus Crucificado. São Guido Maria Conforti manteve fixo o seu olhar interior na Cruz, que docilmente o atraía a si; ao contemplá-la, ele via abrirem-se os horizontes do mundo inteiro, escorria o "urgente" desejo, escondido no coração de cada homem, de receber e acolher o anúncio do único amor que salva.

O testemunho humano e espiritual de São Luigi Guanella é, para toda a Igreja, um particular dom de graça. Durante a sua existência terrena, ele viveu com coragem e determinação o Evangelho da Caridade, o "grande mandamento" que também hoje a Palavra de Deus nos recordou. Graças à profunda e contínua união com Cristo, na contemplação do seu amor, Dom Guanella, guiado pela Providência divina, tornou-se companheiro e mestre, conforto e alívio dos mais pobres e fracos. O amor de Deus animava nele o desejo do bem pelas pessoas que lhe eram confiadas, na concretude do viver cotidiano. Premurosa atenção dedicava a cada um, respeitando seus tempos de crescimento e cultivando no coração a esperança de que cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, saboreando a alegria de ser amado por Ele - Pai de todos -, pode buscar e dar aos outros o melhor de si. Desejamos hoje louvar e agradecer ao Senhor porque, em São Luigi Guanella, deu-nos um profeta e um apóstolo da caridade. No seu testemunho, tão carregado de humanidade e de atenção pelos últimos, reconhecemos um sinal luminoso da presença e da ação benéfica de Deus: o Deus - como ressoou na primeira Leitura - que defende o forasteiro, a viúva, o órfão, o pobre que deve dar como garantia a própria capa, a única coberta que tem para se cobrir à noite (cfr. Es 22,20-26). Esse novo Santo da caridade seja para todos, em particular para os membros das Congregações por ele fundadas, modelo de profunda e fecunda síntese entre contemplação e ação, assim como ele mesmo a viveu e colocou em ação. Toda a sua existência humana e espiritual a podemos sintetizar nas últimas palavras que pronunciou no leito de morte: "in caritate Christi". É o amor de Cristo que ilumina a vida de cada homem, revelando como, no dom de si ao outro, não se perde nada, mas se realiza plenamente a nossa verdadeira felicidade. São Luigi Guanella nos alcance crescer na amizade com o Senhor para sermos, no nosso tempo, portadores da plenitude do amor de Deus, para promover a vida em toda a sua manifestação e condição, e fazer assim que a sociedade humana torne-se sempre mais a família dos filhos de Deus.

Na segunda Leitura, escutamos uma passagem da Primeira Carta aos Tessalonicenses, um texto que usa a metáfora do trabalho manual para descrever a ação evangelizadora e que, de certo modo, pode aplicar-se também às virtudes de Santa Bonifacia Rodríguez de Castro. Quando São Paulo escreve a carta, trabalhe para ganhar o pão; parece evidente, pelo tom e exemplos empregados, que é no trabalho que ele prega e encontra seus primeiros discípulos. Esta mesma intuição moveu a Santa Bonifacia, que desde o início soube aliar seu seguimento a Jesus Cristo com o esmerado trabalho cotidiano. Pescar, como fazia desde pequena, não era somente um modo para não ser um fardo para ninguém, mas supunha também ter a liberdade para realizar sua própria vocação, e lhe dava, ao mesmo tempo, a possibilidade de atrair e formar a outras mulheres, que, na oficina, podem encontrar a Deus e escutar seu chamado amoroso, discernindo seu projeto de vida e capacitando-se para levá-lo a cabo. Assim nascem as Servas de São José, em meio à humildade e simplicidade evangélica, que, no lar de Nazaré, apresenta-se como uma escola de vida cristã. O Apóstolo continua dizendo, em sua carta, que o amor que tem pela comunidade é um esforço, uma fadiga, pois supõe sempre imitar a entrega de Cristo pelos homens, não esperando nada nem buscando outra coisa senão agradar a Deus. Madre Bonifacia, que se consagra com entusiasmo ao apostolado e começa a obter os primeiros frutos de seu trabalho, vive também esta experiência de abandono, de rechaço precisamente de suas discípulas, e nisso aprende uma nova dimensão do seguimento de Cristo: a Cruz. Ela a assume com a resistência que dá esperança, oferecendo sua vida pela unidade da obra nascida de suas mãos. A nova Santa se nos apresenta como um modelo acabado em que ressoa o trabalho de Deus, um eco que chama a suas filhas, as Servas de São José, e também a todos nós, a acolher seu testemunho com a alegria do Espírito Santo, sem temer a contrariedade, difundindo em todas as partes a Boa-Nova do Reino dos céus. Encomendamo-nos à sua intercessão, e pedimos a Deus por todos os trabalhadores, sobretudo pelos que desempenham os ofícios mais modestos e em ocasiões não suficientemente valorizados, para que, em meio de seu afazer diário, descubram a mão amiga de Deus e deem testemunho de seu amor, transformando seu cansaço em um canto de louvor ao Criador.

"Te amo, Senhor, minha força". Assim, queridos irmãos e irmãs, aclamamos com o Salmo responsorial. De tal amor apaixonado por Deus são sinal eloquente esses três novos Santos. Deixemo-nos atrair por seus exemplos, deixemo-nos guiar por seus ensinamentos, a fim de que a nossa existência torne-se testemunho de autêntico amor por Deus e pelo próximo.

Alcance-nos esta graça a Virgem Maria, a Rainha dos Santos, e também a intercessão de São Guido Maria Conforti, de São Luigi Guanella e de Santa Bonifacia Rodríguez de Castro.

Amém


Atitudes curadoras

Muitos dos nossos erros são reações ao mal que nos fizeram. A compreensão, corretamente manifestada, é um excelente instrumento de cura e restauração. Sem uma palavra de elogio, ninguém tem forças para mudar um comportamento ou corrigir uma atitude.

Quando uma pessoa comete um erro, nada a condena mais do que a sua própria consciência. O mais dificil é se perdoar, aceitar-se e redimensionar sua caminhada. As críticas não ajudarão em nada se não forem precedidas de um elogio sincero, honesto, maduro e equilibrado.

A crítica por si só gera frustração, decepção, desânimo e tristeza. O elogio, quando verdadeiro, injeta o ânimo necessário para que se possa refazer a vida. Isso deveria ser a maior função de uma família e uma comunidade: ressaltar valores. Das críticas e acusações, a sociedade já se encarrega.

Há pessoas especializadas nesse ministério encardido. Mas muitos santos, seguindo a pedagogia de Jesus, especialmente em Seus gestos curadores, aprenderam e praticaram o elogio como arma poderosa de cura e restauração.

A exaltação não pode ser confundida com a bajulação. Elogiar é ressaltar as qualidades individuais e precisa coincidir com aquilo que a pessoa já sabe que tem e que está escondido sob a manta do erro. Não adianta querer inventar uma qualidade para enaltecer alguém. Nesse caso, esse alguém logo se percebe enganado e se fecha ainda mais no erro.

O elogio será uma linda gota de cura interior quando refletir um valor da pessoa e reanimá-la a retomar essa qualidade. O enaltecimento é uma palavra de esperança ativa, concreta, possível e realizável.

Infelizmente, essa é uma prática tão remota em nosso meio que, muitas vezes, temos medo do elogio. Quando alguém nos elogia ou ao nosso trabalho, ficamos com o pé atrás, achando que depois, certamente, virá um pedido de ajuda. Por isso, como atitude curadora, o elogio jamais deverá ser acompanhado de um pedido de favor.

Padre Léo, scj

Domingo dos dois mandamentos

O lugar que esta passagem do evangelho ocupa no plano do evangelho de Mateus - especialmente, sua proximidade com a páscoa -, permite afirmar que, para além de uma disputa com seus adversários, este ensinamento de Jesus tem algo de testamento e de legado para os seus discípulos. Jesus, ao propor dois mandamentos fundamentais, não pretende reduzir a lei ao mínimo - a tradição judaica contava 613 preceitos a serem observados! -, mas deseja apontar o eixo fundamental da lei, lembrando que sua íntima motivação é o amor.

A unidade dos dois mandamentos, entre o amor a Deus e o amor ao próximo, e suas relações profundas, apresenta-se como o ensinamento fundamental do Senhor, perpassando diversas passagens do evangelho, como, por exemplo, a parábola do juízo final. Aos olhos do Senhor, não apenas é falsa a oposição amor a Deus e amor ao próximo, fé e obras, oração e vida, como também é incompreensível a existência de um sem o outro. “Nunca a Escritura e a tradição cristã permitiram ao cristão desinteressar-se do humano, sob o pretexto de interessar-se unicamente por Deus. Nunca deixaram de indicar no serviço ao humano um modo de servir a Deus”. É ancorado nesta tradição que Santo Irineu, no século II, irá afirmar claramente: “A glória de Deus é a vida do homem”.
 
Esta centralidade do amor e da unidade entre o amor a Deus e o amor à humanidade transparece na reunião litúrgica.

Celebramos porque amamos, e a liturgia é mais exercício de ternura do que de obrigação a Deus. Nela, os dois mandamentos são cumpridos e reunidos. Pois como entender a liturgia sem o amor aos irmãos e irmãs ali reunidos? E como entender a liturgia sem o amor e a atenção ao Deus que nos fala e manifesta sua generosidade para conosco? A assembléia, convocada pelo amor do Pai, realiza ao mesmo tempo um duplo movimento: unidos na caridade fraterna nos dirigimos a Deus como seus filhos adotivos. Por isso, ao nos reunirmos para celebrar, num dos nossos primeiros gestos, proclamamos liturgicamente a unidade entre os dois mandamentos e dizemos: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!”.

Retirado da Revista de Liturgia