O Matrimônio: Obra de Deus

1. Qual é a origem do matrimônio?
O matrimônio foi estabelecido por Deus. A Bíblia ensina que Deus depois de criar a Adão disse: “Não é bom que o homem estejá só. Façamos-lhe uma companheira semelhante a ele” (Gn 2,18). E acrescenta: “…por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a uma mulher, e se tornarão uma só carne”(Gn 2, 24). Assim ficou estabelecido o matrimônio no início da humanidade. Deus os abençoou dizendo-lhes: “Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn 1, 28).

2. Qual é o papel da liberdade no matrimônio?
Todo homem e mulher são livres para casar-se ou não, porque Deus não obriga ninguém a contrair matrimônio, e este não se constitui sem o livre consentimento dos noivos. Porém uma vez que está estabelecida a aliança conjugal, o homem está sujeito às suas leis divinas pelas quais se rege o matrimonio e às suas propriedades essenciais.

3. Por que alguns afirmam que o matrimônio é uma invenção dos homens?
O caráter sagrado do matrimônio é reconhecido em todas as culturas, porém nos últimos tempos se difundiu uma visão do matrimônio sem referência a Deus, como se fosse uma questão de leis civis ou um assunto privado entre um homem e uma mulher. Isto é dito pelos que não conhecem nem amam a Deus, e pensam que a religião não deve ter influência em suas vidas.

4. Como estes erros exercem influência sobre o matrimônio na sociedade?
A causa deste erros é que as pessoas se afastam de Deus. Quando isto ocorre é difícil reconhecer a dignidade do matrimônio, e facilmente se cai na prática da infidelidade, o divórcio, o “amor livre” e outras uniões ilícitas ou irregulares. Também o amor matrimonial freqüentemente resulta profanado pelo egoísmo, o materialismo e a anti-concepção.

5. Esta conducta influencia na sociedade civil?
O afastamento pessoal de Deus e a ignorância da doutrina de Jesus Cristo influência na ruptura da grande quantidade de famílias e constitui uma das causas mais claras da decadência civil e moral de toda a sociedade.

Catecismo da Família e do Matrimônio
Padres Fernando Castro e Jaime Molina
Retirado do Blog da Cancao Nova

Homilia de Bento XVI na Canonização de três Beatos

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!

A nossa Liturgia dominical se enriquece hoje por diversos motivos de agradecimento e súplica a Deus. Enquanto, de fato, celebramos com toda a Igreja o Dia Missionário Mundial - evento que pretende revelar o impulso e o compromisso com a missão -, louvamos ao Senhor por três novos Santos: o Bispo Guido Maria Conforti, o sacerdote Luigi Guanella e a religiosa Bonifacia Rodríguez de Castro. Com alegria dirijo minha saudação a todos os presentes, em particular às Delegações oficiais e aos numerosos peregrinos vindos para festejar esses três exemplares discípulos de Cristo.

A Palavra do Senhor, ressoada há pouco no Evangelho, recordou-nos que toda a Lei divina resume-se no amor. O Evangelista Mateus narra que os fariseus, após Jesus ter reduzido os saduceus ao silêncio, reuniram-se para colocá-lo à prova (cfr 22,34-35). Um desses interlocutores, um Doutor da Lei, pergunta-lhe: "Mestre, na Lei, qual é o grande mandamento?" (v. 36). À pergunta, propositadamente insidiosa, Jesus responde com absoluta simplicidade: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Esse é o grande e primeiro mandamento" (vv. 37-38). Com efeito, a exigência principal para cada um de nós é que Deus esteja presente na nossa vida. Ele deve, como diz a Escritura, penetrar todos os cantos do nosso ser e preencher-nos completamente: o coração deve saber d'Ele e deixar-se tocar por Ele; e assim também a alma, as energias do nosso querer e decidir, bem como a inteligência e o pensamento. É um poder dizer como São Paulo: "não sou mais eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim" (Gal 1,20).

Logo depois, Jesus acrescenta algo que, na verdade, não foi pedido pelo doutor da lei: "O segundo, pois, é similar a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (v. 39). Declarando que o segundo mandamento é similar ao primeiro, Jesus leva a entender que a caridade pelo próximo é tão importante quando o amor a Deus. De fato, o sinal visível que o cristão pode mostrar para testemunhar ao mundo o amor de Deus é o amor pelos irmãos. Quão providencial resulta, portanto, o fato de que exatamente hoje a Igreja indique a todos os seus membros três novos Santos, que se deixaram transformar pela caridade divina e a essa dedicaram toda a existência. Em diversas situações e com diversos carismas, amaram o Senhor com todo o coração e o próximo como a si mesmos "a ponto de se tornarem modelo para todos os crentes" (1Ts 1,7).

O Salmo 17, há pouco proclamado, convida a abandonar-se com confiança nas mãos do Senhor, que é "fiel ao seu consagrado" (v. 51). Essa atitude interior guiou a vida e o ministério de São Guido Maria Conforti. Desde quando, ainda criança, teve que superar a oposição do pai para entrar no Seminário, deu prova de um caráter firme no seguir a vontade de Deus, no corresponder por completo àquela caritas Christi que, na contemplação do Crucificado, o atraía a si. Ele sente forte a urgência de anunciar este amor a quantos ainda não receberam o anúncio, e o lema "Caritas Christi urget nos" (cfr 2Cor 5,14) sintetiza o programa do Instituto missionário a que ele, com apenas trinta anos, deu vida: uma família religiosa colocada inteiramente a serviço da evangelização, sob o patrocínio do grande apóstolo do Oriente, São Francisco Xavier. Esse impulso apostólico, São Guido Maria foi chamado a vivê-lo no ministério episcopal , primeiro em Ravenna e depois em Parma: com todas as suas forças, dedicou-se ao bem das almas a ele confiadas, sobretudo aquelas que estavam distantes do caminho do Senhor. A sua vida foi assinalada por numerosas provas, também graves. Ele soube aceitar cada situação com docilidade, acolhendo-a como indicação do caminho traçado por ele pela providência divina; em cada circunstância, também nas situações mais mortificantes, soube reconhecer o plano de Deus, que o guiava para edificar o seu Reino, sobretudo na renúncia a si mesmo e na aceitação cotidiana da sua vontade, com um abandono confiante sempre mais pleno. Ele, por primeiro, experimentou e testemunho aquilo que ensinava aos seus missionários, ou seja, que a perfeição consiste no fazer a vontade de Deus, sob o modelo de Jesus Crucificado. São Guido Maria Conforti manteve fixo o seu olhar interior na Cruz, que docilmente o atraía a si; ao contemplá-la, ele via abrirem-se os horizontes do mundo inteiro, escorria o "urgente" desejo, escondido no coração de cada homem, de receber e acolher o anúncio do único amor que salva.

O testemunho humano e espiritual de São Luigi Guanella é, para toda a Igreja, um particular dom de graça. Durante a sua existência terrena, ele viveu com coragem e determinação o Evangelho da Caridade, o "grande mandamento" que também hoje a Palavra de Deus nos recordou. Graças à profunda e contínua união com Cristo, na contemplação do seu amor, Dom Guanella, guiado pela Providência divina, tornou-se companheiro e mestre, conforto e alívio dos mais pobres e fracos. O amor de Deus animava nele o desejo do bem pelas pessoas que lhe eram confiadas, na concretude do viver cotidiano. Premurosa atenção dedicava a cada um, respeitando seus tempos de crescimento e cultivando no coração a esperança de que cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, saboreando a alegria de ser amado por Ele - Pai de todos -, pode buscar e dar aos outros o melhor de si. Desejamos hoje louvar e agradecer ao Senhor porque, em São Luigi Guanella, deu-nos um profeta e um apóstolo da caridade. No seu testemunho, tão carregado de humanidade e de atenção pelos últimos, reconhecemos um sinal luminoso da presença e da ação benéfica de Deus: o Deus - como ressoou na primeira Leitura - que defende o forasteiro, a viúva, o órfão, o pobre que deve dar como garantia a própria capa, a única coberta que tem para se cobrir à noite (cfr. Es 22,20-26). Esse novo Santo da caridade seja para todos, em particular para os membros das Congregações por ele fundadas, modelo de profunda e fecunda síntese entre contemplação e ação, assim como ele mesmo a viveu e colocou em ação. Toda a sua existência humana e espiritual a podemos sintetizar nas últimas palavras que pronunciou no leito de morte: "in caritate Christi". É o amor de Cristo que ilumina a vida de cada homem, revelando como, no dom de si ao outro, não se perde nada, mas se realiza plenamente a nossa verdadeira felicidade. São Luigi Guanella nos alcance crescer na amizade com o Senhor para sermos, no nosso tempo, portadores da plenitude do amor de Deus, para promover a vida em toda a sua manifestação e condição, e fazer assim que a sociedade humana torne-se sempre mais a família dos filhos de Deus.

Na segunda Leitura, escutamos uma passagem da Primeira Carta aos Tessalonicenses, um texto que usa a metáfora do trabalho manual para descrever a ação evangelizadora e que, de certo modo, pode aplicar-se também às virtudes de Santa Bonifacia Rodríguez de Castro. Quando São Paulo escreve a carta, trabalhe para ganhar o pão; parece evidente, pelo tom e exemplos empregados, que é no trabalho que ele prega e encontra seus primeiros discípulos. Esta mesma intuição moveu a Santa Bonifacia, que desde o início soube aliar seu seguimento a Jesus Cristo com o esmerado trabalho cotidiano. Pescar, como fazia desde pequena, não era somente um modo para não ser um fardo para ninguém, mas supunha também ter a liberdade para realizar sua própria vocação, e lhe dava, ao mesmo tempo, a possibilidade de atrair e formar a outras mulheres, que, na oficina, podem encontrar a Deus e escutar seu chamado amoroso, discernindo seu projeto de vida e capacitando-se para levá-lo a cabo. Assim nascem as Servas de São José, em meio à humildade e simplicidade evangélica, que, no lar de Nazaré, apresenta-se como uma escola de vida cristã. O Apóstolo continua dizendo, em sua carta, que o amor que tem pela comunidade é um esforço, uma fadiga, pois supõe sempre imitar a entrega de Cristo pelos homens, não esperando nada nem buscando outra coisa senão agradar a Deus. Madre Bonifacia, que se consagra com entusiasmo ao apostolado e começa a obter os primeiros frutos de seu trabalho, vive também esta experiência de abandono, de rechaço precisamente de suas discípulas, e nisso aprende uma nova dimensão do seguimento de Cristo: a Cruz. Ela a assume com a resistência que dá esperança, oferecendo sua vida pela unidade da obra nascida de suas mãos. A nova Santa se nos apresenta como um modelo acabado em que ressoa o trabalho de Deus, um eco que chama a suas filhas, as Servas de São José, e também a todos nós, a acolher seu testemunho com a alegria do Espírito Santo, sem temer a contrariedade, difundindo em todas as partes a Boa-Nova do Reino dos céus. Encomendamo-nos à sua intercessão, e pedimos a Deus por todos os trabalhadores, sobretudo pelos que desempenham os ofícios mais modestos e em ocasiões não suficientemente valorizados, para que, em meio de seu afazer diário, descubram a mão amiga de Deus e deem testemunho de seu amor, transformando seu cansaço em um canto de louvor ao Criador.

"Te amo, Senhor, minha força". Assim, queridos irmãos e irmãs, aclamamos com o Salmo responsorial. De tal amor apaixonado por Deus são sinal eloquente esses três novos Santos. Deixemo-nos atrair por seus exemplos, deixemo-nos guiar por seus ensinamentos, a fim de que a nossa existência torne-se testemunho de autêntico amor por Deus e pelo próximo.

Alcance-nos esta graça a Virgem Maria, a Rainha dos Santos, e também a intercessão de São Guido Maria Conforti, de São Luigi Guanella e de Santa Bonifacia Rodríguez de Castro.

Amém


Atitudes curadoras

Muitos dos nossos erros são reações ao mal que nos fizeram. A compreensão, corretamente manifestada, é um excelente instrumento de cura e restauração. Sem uma palavra de elogio, ninguém tem forças para mudar um comportamento ou corrigir uma atitude.

Quando uma pessoa comete um erro, nada a condena mais do que a sua própria consciência. O mais dificil é se perdoar, aceitar-se e redimensionar sua caminhada. As críticas não ajudarão em nada se não forem precedidas de um elogio sincero, honesto, maduro e equilibrado.

A crítica por si só gera frustração, decepção, desânimo e tristeza. O elogio, quando verdadeiro, injeta o ânimo necessário para que se possa refazer a vida. Isso deveria ser a maior função de uma família e uma comunidade: ressaltar valores. Das críticas e acusações, a sociedade já se encarrega.

Há pessoas especializadas nesse ministério encardido. Mas muitos santos, seguindo a pedagogia de Jesus, especialmente em Seus gestos curadores, aprenderam e praticaram o elogio como arma poderosa de cura e restauração.

A exaltação não pode ser confundida com a bajulação. Elogiar é ressaltar as qualidades individuais e precisa coincidir com aquilo que a pessoa já sabe que tem e que está escondido sob a manta do erro. Não adianta querer inventar uma qualidade para enaltecer alguém. Nesse caso, esse alguém logo se percebe enganado e se fecha ainda mais no erro.

O elogio será uma linda gota de cura interior quando refletir um valor da pessoa e reanimá-la a retomar essa qualidade. O enaltecimento é uma palavra de esperança ativa, concreta, possível e realizável.

Infelizmente, essa é uma prática tão remota em nosso meio que, muitas vezes, temos medo do elogio. Quando alguém nos elogia ou ao nosso trabalho, ficamos com o pé atrás, achando que depois, certamente, virá um pedido de ajuda. Por isso, como atitude curadora, o elogio jamais deverá ser acompanhado de um pedido de favor.

Padre Léo, scj

Domingo dos dois mandamentos

O lugar que esta passagem do evangelho ocupa no plano do evangelho de Mateus - especialmente, sua proximidade com a páscoa -, permite afirmar que, para além de uma disputa com seus adversários, este ensinamento de Jesus tem algo de testamento e de legado para os seus discípulos. Jesus, ao propor dois mandamentos fundamentais, não pretende reduzir a lei ao mínimo - a tradição judaica contava 613 preceitos a serem observados! -, mas deseja apontar o eixo fundamental da lei, lembrando que sua íntima motivação é o amor.

A unidade dos dois mandamentos, entre o amor a Deus e o amor ao próximo, e suas relações profundas, apresenta-se como o ensinamento fundamental do Senhor, perpassando diversas passagens do evangelho, como, por exemplo, a parábola do juízo final. Aos olhos do Senhor, não apenas é falsa a oposição amor a Deus e amor ao próximo, fé e obras, oração e vida, como também é incompreensível a existência de um sem o outro. “Nunca a Escritura e a tradição cristã permitiram ao cristão desinteressar-se do humano, sob o pretexto de interessar-se unicamente por Deus. Nunca deixaram de indicar no serviço ao humano um modo de servir a Deus”. É ancorado nesta tradição que Santo Irineu, no século II, irá afirmar claramente: “A glória de Deus é a vida do homem”.
 
Esta centralidade do amor e da unidade entre o amor a Deus e o amor à humanidade transparece na reunião litúrgica.

Celebramos porque amamos, e a liturgia é mais exercício de ternura do que de obrigação a Deus. Nela, os dois mandamentos são cumpridos e reunidos. Pois como entender a liturgia sem o amor aos irmãos e irmãs ali reunidos? E como entender a liturgia sem o amor e a atenção ao Deus que nos fala e manifesta sua generosidade para conosco? A assembléia, convocada pelo amor do Pai, realiza ao mesmo tempo um duplo movimento: unidos na caridade fraterna nos dirigimos a Deus como seus filhos adotivos. Por isso, ao nos reunirmos para celebrar, num dos nossos primeiros gestos, proclamamos liturgicamente a unidade entre os dois mandamentos e dizemos: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!”.

Retirado da Revista de Liturgia

Afeiçoai-vos às coisas lá de cima

A vida do cristão é permeada por sacrifício e renúncia, pois, “já não sois hóspedes nem peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Efésios 2,19), por esse motivo, devemos viver como tal. Não basta denominar-se “católico de IBGE”, necessário é buscar as coisas do Alto.

A Palavra de Deus diz em Colossenses 3,2: “Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às coisas da terra”. À primeira vista, achamos uma palavra comum, porém como é sacrificante viver esta palavra no seu sentido total! Requer muita fé e disciplina. Explico: “Afeiçoar-se às coisas lá de cima” quer dizer renunciar pequenas coisas do dia a dia, atos que nem sempre fazemos.

Estamos atados, por assim dizer, às coisas da terra, de tal maneira que, por diversas vezes, não cumprimos o primeiro dos mandamentos: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Se é sobre “todas as coisas”, é preciso valer para tudo; não somente para o que é conveniente a nós. Precisa valer sobre nossos afazeres, nossas vontades, nossa própria família. Quantas vezes faltamos à Missa dominical para irmos ao cinema, ao teatro, a um aniversário? Ser fiel a esta Palavra significa viver estreitamente “as coisas do Alto”.

Enquanto nosso espírito aspira pelas coisas eternas, nossa carne pede as coisas da terra como fofocas, mentiras (mesmo aquela mentira aceita socialmente), olhares maliciosos, pensamentos torpes, conversas libidinosas etc.; cedendo a essas coisas, sufocamos nossa alma com nossa liberdade mal empregada. Por vezes, rezar uma Ave-Maria durante o dia se torna entediante.

A Sagrada Escritura segue nos admoestando: “Mortificai, pois, os vossos membros…” (Colossenses 3,5). Nossos membros e sentidos, com efeito, estão imperando sobre nossa vida a ponto de não conseguirmos ouvir uma exortação, pois logo revidamos, porque nunca estamos errados. Falta-nos ouvir em silêncio como Maria o fez, mesmo sem entender, ainda que o fogo de nossa vontade queime em nosso interior.

"Afeiçoar-se às coisas lá de cima’ quer dizer renunciar pequenas coisas do dia a dia"

Nossos erros, constantemente, são justificados; procuramos a quem culpar, não nos reconhecemos como pecadores. A arrogância, a autossuficiência do homem moderno chegou a uma estatura que não se admite mais sermos dependentes da misericórdia de Deus Pai. Toda essa realidade é afeiçoar-se às coisas do Alto e, consequentemente, mortificar nossos sentidos e membros, ou seja, toda vontade dentro de nós. Entretanto, será que conseguimos ainda dizer não a nós mesmos para satisfazer o próximo ou continuamos em nosso mundo egoístico?

Um desafio ao qual você pode submeter-se, para testar sua busca pelas alturas, é marcar quanto tempo consegue ficar navegando na internet pelas redes sociais e sites; e depois comparar com o tempo que você permanece com a Palavra de Deus, com a oração do terço. Isso somente se tornará um desafio para você quando conseguir obter constância na oração, aliás, a constância espiritual foi um dos vários segredos para que os santos conquistassem o céu.

Concluo lembrando da frase de Dom Bosco que diz: “Quem obedece nunca erra”. Discípulo apaixonado por Jesus tem um ouvido atento à voz do Senhor e daqueles que lhe orientam a alma. Observando esses conselhos, estaremos macerando tudo em nós e deixando Cristo imperar em nossa vida; somente assim poderemos fazer das palavras de São Paulo as nossas, “ mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20).

Graça e Paz!
Rodrigo Stankevicz
Retirado do Blog da Cancao Nova

Eu sou feliz. E você?

As surpresas de Deus em nossas vidas acontecem a todo momento, por isso devemos estar atentos aos sinais. A vontade d'Ele, muitas vezes, pode não ir ao encontro do que buscamos, mas é inútil lutar contra os desígnios de Deus. É uma batalha perdida, porque Ele sabe o que é melhor para nós.

Deus nos marca de formas distintas. Geralmente, em nosso encontro pessoal com Ele, somos tocados por uma Palavra, e essa passagem deve ser direção na nossa vida, pois não nos foi dada por acaso.

Felizes são aqueles que esperam, pois esperam no Senhor. Mas nós só vamos experimentar o poder dessas palavras se, realmente, optarmos por Jesus hoje. É necessário que renunciemos e abdiquemos de nossas vontades pela vontade d'Ele.

A nossa meta deve ser a eternidade, pois a real felicidade está lá, na intimidade que recebemos quando escolhemos por Ele. Nós encontramos o amor fecundo e verdadeiro do Pai que, em alguns casos, perdemos durante a nossa vida.

Aquele que fez sua experiência com Jesus e encontrou o amor d'Ele, deseja a vinda gloriosa de Cristo e não teme a morte, pois sabe que é apenas a porta para a eternidade. Assim como São Francisco, que chama a morte de irmã, via nela a possibilidade de ter seu encontro definitivo com o Senhor.

Infelizmente, a morte também traz a saudade. Como diz o poeta, só sentimos saudade do que é bom. Na última semana, eu perdi minha avó; ela era devota de Nossa Senhora de Fátima e foi responsável por boa parte da minha formação mariana. Só há uma coisa que gostaria de ter dito a ela antes que partisse, que hoje eu sou realmente feliz, porque estou nos braços de Deus.

É o amor de Deus que precisa estar nos nossos corações, para que sejamos capazes de transmiti-lo para nossos filhos e capacitá-los para serem bons cristão. Se as coisas já estão difíceis hoje, imaginem daqui algumas décadas.

Você não pode ter medo de impor limites ao seu filho. É preciso saber dizer "não" a ele, porque é através desse "não" que seu filho dirá "sim" a Deus no futuro. Precisamos testemunhar a graça do Senhor na nossa vida; não podemos deixar que elas passem em branco sem tocar a vida de outra pessoa.

Como está sua vida hoje com Jesus? Talvez precisemos trilhar em busca de uma cura, de um coração puro. Só aquele que consegue um coração curado é capaz de contemplar Deus em Sua plenitude.

No Antigo Testamento, o cordeiro era usado para remissão dos pecados através do sacrifício, mas quando Deus falou com Abraão, seu pedido era que o sacrificado fosse seu filho Isaac. Então, quando o menino o questiou sobre qual seria o sacrifício, Abraão simplesmente olhou para o céu e disse: "Deus proverá".

Devemos pedir a fé de Abraão, pois ele foi fiel a Deus até o último momento de sua missão, e foi recompensado com a graça do Senhor. Sejamos capazes de ser obedientes e amáveis para aceitarmos a vontade d'Ele em nossas vidas.

Abra seu coração hoje para Jesus e volte para o convívio d'Ele. Peça perdão por todos seus erros, receba Jesus Eucarístico através do Seu sangue derramado no madeiro. Abra-se à verdadeira felicidade, aquela que só é encontrada n'Aquele que nos amou primeiro.

Márcio Todeschini
Missionário e músico da Comunidade Canção Nova

Rezar é abrir-se a Deus

Ninguém se coloca sob o sol sem se queimar. Se tomar sol você vai sofrer as consequências dele. Com Deus acontece algo semelhante, ninguém se coloca na presença d'Ele sem ser beneficiado por ela. As marcas da presença do Todo-poderoso também são irreversíveis para a nossa salvação. Quando nós nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, Ele nos dá liberdade. Nunca o Senhor pensou em trazê-lo para perto d'Ele para tirar algo de você, muito menos para limitar a sua liberdade. Se Ele não quisesse que fôssemos livres, por que teria nos criado livres?

Nossa liberdade ficou comprometida por nossa própria culpa, porque quem peca se torna escravo do pecado. Pelos erros e pelos vícios que entram em nossa vida ficamos debilitados. O Pai nos deu Cristo para nos libertar daquilo que nos amarra. Deus nos mostra quais caminhos podemos seguir, mas a liberdade de escolher é nossa. O desejo do Senhor é libertar você de toda a angústia, de toda a opressão. O desejo d'Ele é vê-lo feliz.

Veja em Gálatas 5,1: "É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão".

Cristo amou você, morreu numa cruz por sua causa, para que você não fosse escravo do pecado. O Ressuscitado nos libertou de todo o mal, de toda armadilha do inimigo para que permaneçamos livres. Contudo, ninguém é livre na maldade. Uma vez que o Espírito Santo visitá-lo, não dê brecha para o pecado.

Quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? (cf. Coríntios 2, 10-16). Assim também ninguém conhece as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.

Ninguém pode saber o que está em seu interior se você não abrir a boca e disser. Quando você reza, Deus Pai o refaz e o Espírito Santo o cura e liberta. Rezar é ficar nu na presença de Deus, é se abrir a Ele. Quando você está rezando, coloca-se na presença do Altíssimo, se expõe e é curado. Quando você tira a roupa diante do espelho, vê o que quer e o que não quer. Na hora em que estamos rezando, caem as nossas roupas - espiritualmente falando - e, do mesmo modo, vemos aquilo que queremos e o que não queremos. Tudo que eu faço de mau volta para mim no momento da oração. As feridas que nós ignoramos, na oração não conseguimos ignorá-las, porque, nesse momento, Deus as revela para nós ao nos curar. No momento em que o Senhor me mostra quem eu sou, Ele também mostra quem Ele é. Se Ele me revela uma coisa que não está boa, é porque é preciso consertá-la.

Na oração nós aprendemos a ouvir o Senhor. Não existe ninguém que, tendo rezado, Deus não o tenha respondido. E se Ele não lhe responde diretamente, vai fazê-lo por meio de uma pessoa ou de um fato, mas Ele responde. Nós precisamos aprender a ouvi-Lo na oração para conhecermos os planos que Ele tem para nossa vida.

Eu e você precisamos, na oração, pedir ao Espírito Santo que nos faça descobrir o que está ruim ali dentro. Deus sabe o quando você foi machucado e sabe como curá-lo.

A nossa vida inteira é um processo de cura interior. Enquanto você estiver com os pés aqui nesta terra, sua vida será um processo de cura interior. Nós temos que nos apresentar diante de Deus.

O Todo-poderoso tem um plano na sua vida, um plano de amor, um plano de realização e de felicidade para você. Se você não abre o seu coração para a oração, corre o sério risco de morrer sem conhecer o plano que Deus tinha para você.

Márcio Mendes

Esperar em Deus não é loucura

Em todas as etapas da vida somos confrontados a falar de nossas conquistas, sejam elas materiais, pessoais e/ou intelectuais. O mundo nos cobra uma postura e posição de destaque em meio a tudo. Mas quando essas expectativas são frustradas por parte de quem as faz, há um julgamento cruel. Somos rotulados de inutilidade, excluídos do “grande grupo”. Somos diferentes.

Os filhos de Deus nasceram para dar certo, mas que certo é esse? Geralmente, a escala usada como medida hoje é aquela que a sociedade nos impôs como sinônimo de realização. É bem sucedido aquele que tem mais dinheiro, fama, popularidade, bens materiais, ou seja, os que vivem os “prazeres da vida”. A cada dia surgem novos indicadores de “sucesso”. A corrida desenfreada para conseguir tudo isso em curto prazo não resulta no objetivo que antes era primordial: a felicidade.

Vivemos nos projetando para os outros em palavras de autopromoção, acreditando em uma verdade que, muitas vezes, não é a nossa, que não nos faz bem. O pensamento imediatista faz da vida um anseio constante para o que nos é ofertado diariamente, uma busca sem fim por “coisas” que nunca nos contentam. Prazer imediato = “felicidade” passageira.

É natural haver crescimento e prosperidade em meio a tudo o que fazemos quando colocamos Deus no centro de nossa vida, porque nossos projetos não são nossos, mas é o plano do próprio Deus para nós. O “dar certo”, sob uma visão cristã, é bem diferente da visão deturpada da sociedade. Muitas vezes, nós cristãos temos de esperar em Deus para receber a resposta ou a bênção que tanto pedimos, pois Ele prepara o caminho para a que a graça chegue no momento certo. Quando somos agraciados, sabemos reconhecer a obra do Senhor e a desfrutamos em sua plenitude. Esperar em Deus não é loucura, mas agir na certeza de que acontecerá o melhor no tempo certo. Contudo, hoje muita gente prefere correr para o mundo do que esperar em Deus.

“Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.” (cf. Romanos 8, 28.)

abe aquele vazio que não preenchemos com dinheiro, coisas nem pessoas? Pois é, Deus preenche!

Essa cobrança desleal dos padrões de ostentação atual nos inferioriza e coloca nossa vida em segundo, terceiro…último plano. Deus está em que colocação em nossos anseios?

Não coisifiquemos nossa vida nem a do outro, pois somos filhos de Deus, capacitados, dotados de inteligência, dons e carismas com um potencial imenso para fazer a diferença no ambiente que estamos inseridos. Não somos iguais, temos natureza divina. Deus, mesmo sabendo o caminho que nos faria feliz, deu liberdade para nossas escolhas. Não deixe que alguém roube isso de você.

Tenha certeza de que o Senhor suprirá suas necessidades, pois nem tudo que pedimos é o que precisamos. Ele certamente vê e chega exatamente onde nos falta.

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimos” (Mateus 6, 33).

Muitos procuram a chave para felicidade em lugares errados, e, às vezes, tem-se a ilusão de tê-la encontrado. No entanto, logo damos conta de que algo ainda nos falta, e a procura continua. A felicidade é algo complexo, abrange uma plenitude que contempla todas as particularidades do nosso ser. Eis que há uma chave-mestra, responsável por unir todos os segredos e combinações em uma única solução: Deus. Eis o caminho: “Ser aquilo que Deus quer”! Ele sempre quer o melhor para nós e sabe, ao certo, a glória que está guardada para Seus filhos.

“Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3,3).

Tenhamos a certeza de que nossa vida está em Deus, e o melhor: na vida eterna!

Retirado do Blog da Cancao Nova

Domingo do Tributo de César

Na 1ª Leitura, Ciro, rei dos persas, em 550 anos antes de Cristo, derrubou o império Babilônico e possibilitou ao povo de Deus, que estava cativo, voltar para sua terra.

Na 2ª Leitura, devido a perseguição, Paulo não pode mais ficar entre os Tessalonicenses. Refugiado em Atenas, ele recebe notícias da comunidade e, nesta carta, ele os anima a permanecerem firmes no testemunho do Evangelho.

O Evangelho nos mostra que os herodianos eram, no tempo de Jesus, um grupo fiel à dominação romana e estavam sempre à procura de um pretexto para condenar Jesus.

O episódio narrado pelo evangelho de hoje é mais um dos ataques armados pelos adversários para por Jesus à prova. Querem saber se é lícito pagar tributo a César.

Na verdade, o que eles querem mesmo é negar a Deus o que é de Deus, na pessoa de Jesus, já que eles buscam eliminar Jesus.

A questão fundamental deste evangelho não é o imposto, mas aceitar Jesus e o seu reino. Prova disso estar no fato de que, ouvindo a resposta de Jesus, eles o deixaram e foram embora.

E nós? Esta palavra é certamente um convite a renovar-vos nossa fé em Jesus e na sua proposta, engajando toda a nossa vida na missão que ele nos confia.

O reino se realiza nos acontecimentos da vida e da história, de tal modo que exige de nós um engajamento real. Ao mesmo tempo, compreendemos que os projetos e atividades não esgotam todo o sentido do reino; ele é maior e transcende aquilo que conseguimos conquistar com o nosso serviço.

Que o Senhor nos dê a sabedoria para discernirmos o nosso lugar e a nossa missão neste mundo, e que o seu Espírito nos faça reconhecer sempre a presença maior do reino que supera nossa compreensão e tudo o que fazemos.

Atenciosamente,

Pe Francisco Ivan de Souza
Paroco do Santuario de Fatima

Novenário é encerrado com procissão de fiéis

Multidão de católicos saiu da Igreja do Carmo e seguiu até a Igreja de Fátima; algumas ruas tiveram engarrafamento

Uma multidão de católicos se reuniu em procissão, na noite de ontem, para encerrar o novenário de Nossa Senhora de Fátima. Os fiéis, a maioria vestida de branco, saíram da Igreja do Carmo, por volta das 18 horas, no Centro de Fortaleza, e seguiram até a Igreja de Fátima, na Avenida 13 de Maio.

Jovens, crianças e adultos, em uma só voz, louvavam e rezavam em agradecimento à Nossa Senhora, relembrando as seis aparições da santa. À medida que a procissão percorria as ruas Major Facundo, Meton Alencar e Barão de Aratanha, pessoas saíam de suas casas e dos estabelecimentos comercias para observar o ato de fé. Alguns, como a recepcionista Janielle dos Santos, 32, foram do trabalho direto para a procissão. “Desde que comecei a participar do evento, sinto uma paz espiritual e um maior contato com Deus”, declara.

Foi a primeira vez que o expedicionista César Félix, 32, participou da procissão. “Adorei a experiência e já fiz meu pedido, é uma outra vida”, comenta.

Ao chegarem à Igreja de Fátima, pouco mais das 20 horas, os fiéis participaram de uma missa campal, celebrada pelo pároco do templo, padre Ivan de Sousa. Também assistiram à chegada da imagem da santa, seguida de muitos fogos.

Durante a caminhada, a Avenida 13 de Maio foi bloqueada pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicas e Cidadania (AMC). Sessenta agentes (40 motocicletas e 20 viaturas) auxiliaram os motoristas a realizar os desvios. Houve congestionamentos em algumas ruas do entorno da igreja.

Raone Saraiva
Especial para Cidade – Diario do Nordeste